Ecoturismo no Quilombo do Camorim promove preservação cultural e ambiental

por Nia McAllister, no RioOnWatch

Ao visitar o Quilombo do Camorim, fica evidente que a história cultural da comunidade não pode ser separada do ambiente natural. Localizado no bairro de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, próximo ao Parque Olímpico, o Quilombo do Camorim faz fronteira com o grande Parque Estadual da Pedra Branca. Os visitantes passam ao longo da estrada principal que possui uma série de condomínios, recentemente construídos, antes de chegarem ao centro da comunidade onde as ruas se tornam ladeadas de árvores e densamente florestadas. Sendo uma comunidade originalmente estabelecida por escravos fugidos, a história cultural do quilombo desempenha um papel central em muitas iniciativas e projetos sociais e ambientais da comunidade.

O ecoturismo comunitário está entre as diversas iniciativas do quilombo. O programa Guias da Natureza inclui caminhadas em trilhas pela Floresta da Pedra Branca que incorporam alguns locais históricos significativos e importantes pontos de referência naturais. Essas caminhadas conduzidas por moradores são uma oportunidade para conhecer a história cultural do quilombo, além de experimentar a rica biodiversidade do ambiente natural. Durante a caminhada, os guias param regularmente, provendo informações sobre as plantas e os animais ao longo da trilha, assim como a história da formação inicial do quilombo.

Adilson Almeida, morador e presidente da Associação Cultural do Camorim (ACUCA), explica como guiar caminhadas pela floresta é uma forma de lembrar e compartilhar a história da comunidade. Como um guia dos Guias da Natureza, Adilson leva turistas e visitantes à trilhas recontando a história de vários pontos de interesse, incluindo uma área rochosa que serviu de esconderijo para os escravos fugidos, restos de uma casa, uma cachoeira, e a represa do Açude do Camorim. Historicamente, muitas partes da floresta da Pedra Branca foram reflorestadas por ex-escravos. A prática de manejo da floresta continua atualmente. Adilson afirma que “quem toma conta, quem preserva esse ambiente natural somos nós, os moradores antigos quilombolas”.

O projeto Guias da Natureza trabalha no treinamento de jovens do quilombo para servirem de guias turísticos, e já conta com 40 jovens moradores capacitados para guiar os passeios. O grupo já capacitou mais de 30 pessoas de bairros vizinhos, como Taquara,Vargem Grande, Praça Seca e Curicica.

Geralmente dois ou três guias capacitados acompanham um grupo nas trilhas. Em dias em que há múltiplos grupos subindo as trilhas ao mesmo tempo, Adilson assegura pelo menos meia hora entre os grupos por causa da “questão do impacto no solo. Nós trabalhamos muito com a questão da preservação cultural e ambiental”.

Adilson explica a diferença entre o projeto de ecoturismo da comunidade e típicas agências de turismo: “A gente trabalha de acordo com o que a natureza oferece, sempre respeitando. Então nós fazemos uma caminhada prazerosa e demorada, diferente das agências de turismo que captam os caminhantes turistas, chegam no ambiente, formam os grupos e partem direto para o atrativo, fazendo uma caminhada rápida sem história e sem conteúdo. Fazemos o inverso, nós trabalhamos com uma caminhada prazerosa. Nós recebemos os turistas e eles saem daqui com um conhecimento básico da historia do descobrimento do Brasil, da história dos quilombolas e de uma história rica do meio ambiente”.

A comunidade também oferece pernoites que permitem que os turistas experimentem algumas das atividades culturais do quilombo, como a capoeira e o jongo, e apreciem uma feijoada caseira. Além do ecoturismo, o Quilombo do Camorim possui uma horta orgânica e planos de criar um museu ambiental a partir da readaptação da estrutura de uma antiga casa abandonada construída por um alemão que viveu na comunidade após fugir da Primeira Guerra Mundial. A casa foi construída na Floresta da Pedra Branca antes das restrições das construções no território do parque. A estrutura abandonada tem potencial para ser reaproveitada como um museu de sementes, plantas e animais nativos taxidermizados para que os visitantes possam aprender mais sobre o ambiente da natureza local e a biodiversidade.

O valor de respeitar e celebrar o conhecimento da comunidade, a história e o ambiente local está evidente no orgulho com que Adilson fala sobre o quilombo e sua localização na floresta. Para o Quilombo do Camorim, o ecoturismo está enraizado nas narrativas e na história da comunidade, servindo de plataforma para a conservação cultural e ambiental.

Para agendar uma excursão com os Guias da Natureza, ligue para Adilson Almeida no +55 21 98320 2634 ou entre em contato através da página do Facebook ou do website da ACUCA.

Tradução por Caroline Quintanilha.

Imagem: Reprodução do RioOnWatch

Deixe uma resposta

O comentário deve ter seu nome e sobrenome. O e-mail é necessário, mas não será publicado.