MPF/AM recomenda cancelamento de registros de loteamento em área de comunidade quilombola

Quilombolas da comunidade Sagrado Coração de Jesus do Lago do Serpa denunciaram ao MPF venda de lotes de chácaras na área da comunidade com registro do cartório local

MPF

O Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM) expediu recomendação ao Cartório do 1º Ofício da Comarca de Itacoatiara (a 176 quilômetros de Manaus) para que cancele imediatamente o registro do empreendimento imobiliário Loteamento Paraíso da Serpa, que vem comercializando lotes de terra na área da comunidade quilombola Sagrado Coração de Jesus do Lago do Serpa. O documento requer ainda a suspensão de qualquer novo registro para imóveis na região, já que a área encontra em processo de reconhecimento formal como território quilombola. (mais…)

Ler Mais

O que o velho Araweté pensa dos brancos enquanto seu mundo é destruído?, por Eliane Brum

O Brasil etnocida avança na Amazônia paraense: primeiro Belo Monte, agora Belo Sun

No El País Brasil

Ele era um ancião. Seu povo, Araweté. Tinha o corpo vermelho de urucum. O cabelo num corte arredondado. E estava sentado ereto, as mãos abraçando o arco e as flechas à sua frente. Ficou assim por quase 12 horas. Não comeu. Não vergou. Eu o olhava, mas ele jamais estabeleceu um contato visual comigo. Diante dele, lideranças indígenas dos vários povos atingidos por Belo Monte se revezavam no microfone exigindo o cumprimento dos acordos pela Norte Energia, a empresa concessionária da hidrelétrica, e o fortalecimento da Funai. Ele, como outros, não entendia o português. Estava ali, sentado numa cadeira de plástico vermelho, no centro de convenções de Altamira, no Pará. O que ele via? Há 40 anos, ele e seu povo nem mesmo sabiam que existia algo chamado Brasil. Possivelmente isso siga não fazendo nenhum sentido, mas agora ele está ali, debaixo de luminárias, sentado numa cadeira de plástico vermelho, aguardando seu destino ser decidido em português. O que ele via? (mais…)

Ler Mais

1º lugar de medicina da USP é negra, pobre e periférica

Aprovada em primeiro lugar no curso de Medicina da USP de Ribeirão Preto, Bruna Sena comentou feito histórico: “A Casa Grande surta quando a senzala vira médica”

No Catraca Livre

Bruna Sena, de 17 anos, fez história. Após conquistar o primeiro lugar de um dos mais disputados vestibulares do Brasil, a jovem, negra, estudante de escola pública e moradora da periferia de Ribeirão Preto, se tornou exemplo de luta e superação contra o racismo que, ainda hoje, faz tantas vítimas no país. “A casa grande surta quando a senzala vira médica”, ressaltou em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. (mais…)

Ler Mais

Casal homoafetivo planejava adotar uma criança, mas acaba optando por três

Por Glenn Greenwald, Juliana Gonçalves e Thiago Dezan, no The Intercept Brasil

Quando Alexandre Louzada e Francisco David decidiram que queriam adotar um filho em 2014, tinham poucas preferências determinadas.

O casal queria uma criança com menos de seis anos de idade. Estavam dispostos a adotar uma criança com doença crônica que pudesse ser tratada, como diabete ou síndrome do alcoolismo fetal, mas não queriam uma com condições médicas sem tratamento, como cegueira ou paralisia, porque acreditavam que não seriam capazes de sustentá-la financeira e emocionalmente. (mais…)

Ler Mais

Casamento Guarani: celebração e conquista

Por Rogério Medeiros, Século Diário

Um casamento indígena, na nova aldeia Guarani, na região de Aracruz, ao sul da fábrica da Aracruz Celulose (Fibria), marcou a retomada de mais um trecho de suas terras em poder da empresa. Dando existência à Ka-guy Porã (Aldeia Nova Esperança, em tradução livre). Os povos indígenas brasileiros tratam a aldeia como propriedade coletiva e o casamento, por sua exigência de indissolubilidade, sustenta a instituição família, que é o cerne da vida do povo Guarani. (mais…)

Ler Mais

Terras na região do Cerrado viram alvo de especuladores

Fundos estrangeiros sabotam legislação brasileira e usam mecanismos do mercado para comprar terras no Cerrado.

Por Lilian Campelo, Brasil de Fato

No Cerrado, em uma área de 73 milhões de hectares, maior que a Alemanha, o agronegócio cobiça as terras aráveis que abrangem as divisas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. As iniciais desses estados formam o que ficou conhecido como Matopiba, nome que deu origem ao projeto que visa intensificar a monocultura de commodities, e cujas terras virou alvo de especulação para valorização de ativos financeiros de fundos de pensão estrangeiros. (mais…)

Ler Mais

“A terra de oportunidades”: Desenvolvimento chega a Mato Grosso com bala e devastação

Parte 6: Em apenas 40 anos, 2/3 do município de Sinop foram desmatados. Quem sofreu mais foram os índios da região

Por Mauricio Torres, Sue Branford, no The Intercept Brasil

Logo na entrada, o letreiro “Sinop, capital do Nortão” dá as boas-vindas à cidade localizada às margens da rodovia BR 163, a quase 500 km ao norte de Cuiabá, capital de Mato Grosso. Com 125 mil habitantes, Sinop exala prosperidade. No coração do Brasil, o município – que tem apenas quarenta anos de fundação, é repleto de lojas luxuosas que vendem de equipamentos eletrônicos aos últimos lançamentos da moda. Concessionárias ofertam veículos novos e caros, principalmente caminhonetes com tração nas quatro rodas, próprias para rodar nas estradas de terra que ligam as muitas e ricas fazendas ao redor. Ao passear pelo centro da cidade, com suas lojas de fachadas de gosto duvidoso, a mensagem é clara: temos muito dinheiro e não precisamos conter despesas. (mais…)

Ler Mais

O difícil impasse para a efetivação do Subsistema de Saúde Indígena no Brasil

Paulo Daniel, Boa Vista, 06/02/2017.

A principal dificuldade para a viabilização do Subsistema Especial de Atenção à Saúde Indígena no Brasil que se arrasta desde a sua criação no ano de 1999 diz respeito à forma de contratação dos Recursos Humanos para o desenvolvimento das ações de assistência à saúde nas comunidades. Tanto a criação dos Distritos Sanitários ESPECIAIS Indígenas em 1999, como da Secretaria ESPECIAL de Saúde Indígena em 2010, foram fundamentadas no caráter EXCEPCIONAL que caracteriza a assistência à saúde das populações indígenas no país. A modalidade de contratação de recursos humanos adotada desde o início e até hoje, por meio de convênios com organizações da sociedade civil, não é a mais adequada, sendo objeto de um Termo de Conciliação Judicial (TCJ) assinado há vários anos que obriga o governo federal a adotar uma nova forma de contratação para a prestação deste serviço. (mais…)

Ler Mais