Após ser conduzido coercitivamente, jornalista Breno Altman é absolvido na Lava Jato

No Justificando

O jornalista Breno Altman foi absolvido pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, nos processos da Operação Lava Jato que o acusavam de lavagem de dinheiro. Altman foi alvo de condução coercitiva na Operação Carbono 14, desdobramento 27 da Lava Jato e teve seu nome repercutido de forma intensamente negativa pelos procuradores da república na época. Neste processo, foram condenados o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o empresário Ronan Maria Pinto.

Sobre Altman, ele se tornou réu na ação em que o Ministério Público Federal (MPF) apurava a suposta ligação entre um empréstimo de R$ 6 milhões feito por Ronan e a morte, em 2002, do então prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT). Marcos Valério, publicitário, levantou a suspeita, mas o processo da Carbono 14 terminou sem prova de que tal empréstimo tenha tido alguma ligação com o crime. A denúncia afirmava que Altman seria o elo entre Ronan e o PT.

No entanto, a sentença de Sérgio Moro entendeu que todos os depoimentos no caso foram problemáticos e que não havia como confirmar a hipótese da acusação: “Diferentemente dos demais, não há nos documentos qualquer elemento que o relacione as operações, nem os valores passaram por sua empresa, nem há uma vinculação necessária entre ele e a gestão financeira do Partido dos Trabalhadores. Por falta suficiente de prova, deve ser absolvido.”

Para Giane Ambrósio Álvares, colunista no Justificando e advogada de Altman, a sentença apenas confirmou a tese de que a acusação feita era frágil – “Nesse caso específico, desde o início a denúncia apresentada pelo MPF era de uma fragilidade evidente, que foi comprovada pela ausência de elementos probatórios capazes de corroborar com a tese”, disse.

No entanto, ela destaca que o jornalista sofreu consequências difamatórias por conta da irresponsabilidade do Ministério Público Federal, tratando-se desde já de uma punição por algo que não foi provado. “O fato de ele ter sido absolvido é motivo de alegria, mas não destitui toda a difamação que ele sofreu”. Para Giane, o desgaste poderia ter sido evitado com o maior vigor do Judiciário nas investigações.

Em entrevista ao jornal Estadão, Altman afirmou que “o processo era tão evidentemente artificial que não havia outra possibilidade que a minha absolvição. Não é só que não havia provas de qualquer envolvimento meu. As provas apresentadas eram nitidamente contraditórias e inventadas com base no mecanismo de delação premiada”.

 

 

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