“Não leva meus bagulho não, por favor, eu não tenho nada”

Por Marcos Hermanson

Ontem a temperatura mínima na cidade de São Paulo foi 16 graus.

Não foi um sono difícil, entretanto. Tenho em casa colchão, cobertores e um fogão que me esquenta a barriga antes de deitar. Tenho paredes à minha volta que impedem o vento gelado de me castigar durante a noite. Tenho o suficiente para garantir a sobrevivência de um ser humano com o mínimo de dignidade.

Hoje, uma quarta-feira de todos os santos, sai de casa bem encasacado. Subi a escadaria e caminhei pelo pequeno terminal de ônibus do bairro. Desci por uma das entradas do metrô Conceição e sai pelo outro lado, evitando a avenida caótica e barulhenta que corre acima dos trens.

Impelido pelo desejo de começar o dia com uma coxinha ou um pastel, eu caminhava até o Praça São Paulo quando de repente avistei uma das “limpezas” períodicas praticadas pela prefeitura.

Alguns agentes da Guarda Metropolitana – a GCM – tentavam remover os poucos pertences de um morador de rua: um colchão, alguns cobertores e um carrinho de supermercado, cuja nota fiscal o sujeito foi incapaz de apresentar, vejam bem.

Não pretendo me estender aqui, porque o vídeo fala mais do que qualquer coisa que eu tenho capacidade de escrever.

Mas como é triste viver numa sociedade que coloca um trabalhador pra reprimir seu camarada, tirar dele o pouco que tem e deixá-lo numa situação pior ainda do que a pobreza repugnante na qual se encontrava antes.

Acima de tudo, uma sociedade que gera tanta mas tanta miséria apenas para que encontre depois, como solução, criminalizá-la.

Vem aí o inverno. A mínima de hoje é de 15 graus.

"Não leva meus bagulho não, por favor, eu não tenho nada" Ontem a temperatura mínima na cidade de São Paulo foi 16 graus. Não foi um sono difícil, entretanto. Tenho em casa colchão, cobertores e um fogão que me esquenta a barriga antes de deitar. Tenho paredes à minha volta que impedem o vento gelado de me castigar durante a noite. Tenho o suficiente para garantir a sobrevivência de um ser humano com o mínimo de dignidade.Hoje, uma quarta-feira de todos os santos, sai de casa bem encasacado. Subi a escadaria e caminhei pelo pequeno terminal de ônibus do bairro. Desci por uma das entradas do metrô Conceição e sai pelo outro lado, evitando a avenida caótica e barulhenta que corre acima dos trens.Impelido pelo desejo de começar o dia com uma coxinha ou um pastel, eu caminhava até o Praça São Paulo quando de repente avistei uma das "limpezas" períodicas praticadas pela prefeitura. Alguns agentes da Guarda Metropolitana – a GCM – tentavam remover os poucos pertences de um morador de rua: um colchão, alguns cobertores e um carrinho de supermercado, cuja nota fiscal o sujeito foi incapaz de apresentar, vejam bem. Não pretendo me estender aqui, porque o vídeo fala mais do que qualquer coisa que eu tenho capacidade de escrever. Mas como é triste viver numa sociedade que coloca um trabalhador pra reprimir seu camarada, tirar dele o pouco que tem e deixá-lo numa situação pior ainda do que a pobreza repugnante na qual se encontrava antes.Acima de tudo, uma sociedade que gera tanta mas tanta miséria apenas para que encontre depois, como solução, criminalizá-la. Vem aí o inverno. A mínima de hoje é de 15 graus.

Publicado por Marcos Hermanson em Quarta, 3 de maio de 2017

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Isabel Carmi Trajber.

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