Mãe denuncia racismo em livros didáticos para crianças de 3 anos utilizados em escola do Recife

Publicação traz personagens negros como figuras tristes e como faxineiro em exercícios pedagógicos. Segundo Aline Lopes, conteúdo reforça estereótipos e preconceito de cor.

No G1 PE

A funcionária pública Aline Lopes vai ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), nesta quarta-feira (7), denunciar por racismo o conteúdo de um livro didático utilizado na educação de crianças de três anos. Os exercícios na publicação, da editora Formando Cidadãos, propõe que os estudantes circulem o lar em que as pessoas estão felizes, mostrando uma família negra triste e outra família feliz, de cor branca.

Segundo Aline, que é mãe de duas crianças negras, os exercícios reforçam os estereótipos e o preconceito de cor. Há dois meses, a tarefa de casa da página 16 pedia para que o estudante circulasse a imagem de pessoas felizes.

A figura de negros tristes e brancos felizes chamou a atenção da filha mais velha de Aline, de cinco anos. “Minha filha, quando viu a página, perguntou ‘por que a família negra é triste? Eu sou negra e não sou triste’. Isso, para uma criança, é muito sério”, disse Aline.

Em maio, outra atividade incomodou a funcionária pública. A criança precisa cobrir a linha pontilhada para ligar o profissional à área de trabalho. E a única figura negra está com uma vassoura e é representada por um servente.

“Meu filho, de três anos, já entende o que é para fazer nos exercício e, ao abrir a tarefa, já começou a fazer rapidamente. Analisando o conteúdo, eu vi do que se tratava. O problema não é a função de ser servente, é que esse papel seja sempre creditado apenas aos negros”, aponta.

Segundo Aline, que não quis revelar o nome da escola em que os livros são utilizados, a instituição se mostrou receptiva às reclamações e afirmou que não compactua com o reforço dos preconceitos e que vai realizar um trabalho pedagógico com os estudantes sobre o assunto. “Eu tirei meus filhos de outra escola justamente porque a discussão não é tão abrangente. Nesta, a situação é melhor e eles se comprometeram a cobrar da editora dos livros medidas para resolver o caso”, explicou.

Em nota, a editora Formando Cidadãoes, responsável pelo livro, disse que repudia qualquer tipo de intolerância e preconceito e ressaltou que todo o material é bem representativo quanto às etnias. A empresa informou, ainda, que o fato ocorrido nas páginas 16 e 32 do livro “Natureza e Sociedade – 3 anos” é um tema importante e, por esse motivo, dedicaria esforços para resolver o caso e que, em 2018, na próxima edição, a situação estaria resolvida.

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