Mafalda, do cartunista Quino, ganha tradução para idioma indígena guarani no Paraguai

‘Mbaeinchapa, che ha’e Mafalda tem ko’aga añe’ema guaraníme’, se apresenta a personagem, que teve seu primeiro livro na língua indígena lançado na Feira do Livro de Assunção, capital paraguaia

No Opera Mundi

A personagem Mafalda, criada pelo cartunista argentino Joaquín Salvador Lavado Tejón, mais conhecido como Quino, aprendeu seu 27º idioma, o guarani. O primeiro livro da personagem em língua indígena foi lançado pela editora Servilibro na Feira do Livro em Assunção, capital do Paraguai, na última semana.

“Mbaeinchapa, che ha’e Mafalda tem ko’aga añe’ema guaraníme”, diz Mafalda em vídeo de apresentação do projeto, que significa “como estão vocês? Sou Mafalda e agora falo guarani”.

María Gloria Pereira, tradutora responsável pelo projeto, ressaltou a importância da iniciativa durante ato oficial na embaixada da Argentina no Paraguai, no qual o novo idioma da personagem foi apresentado, no fim de maio. “Depois de falar 26 idiomas, Mafalda está aprendendo com muita alegria o guarani. Sou falante nativa das línguas oficiais do Paraguai e me dou conta de que há coisas que a Mafalda diz com mais graça em guarani”, destacou Pereira.

O guarani e o espanhol são as línguas oficiais do Paraguai. De acordo com o último censo nacional realizado em 2012, 63% dos 7,5 milhões de paraguaios são bilíngues e 80% compreendem o guarani. Para Pereira, a adaptação do desenho argentino servirá para fortalecer o idioma indígena e pode ser o começo de uma série de traduções de quadrinhos para popularizar e impulsionar o interesse infantil pela cultura guarani.

“Como Mafalda é amada por jovens e adultos, esperamos que ela aumente o interesse em aprender a ler e escrever o idioma guarani, ensinado nas escolas secundárias [no Paraguai]”, disse Pereira.

“O guarani é basicamente um idioma oral, então a tradução e sobretudo a interpretação concluí em três meses, porque fui dando um sentido jocoso a muitas expressões de Mafalda. Não fiz, precisamente, uma tradução literal-acadêmica porque o guarani possui vocábulos para situações familiares, cotidianas e afetivas, mas não para ciências e tecnologia”, explicou a tradutora à agência de notícias AP.

Ela também afirmou que manteve algumas expressões em espanhol na tradução para a língua indígena, como quando são citados o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. “Mas a sopa, odiada pela pequena, é ‘jukysy’ em guarani”, disse Pereira.

O primeiro dos dez volumes, lançado no último dia 9 na Feira do Livro de Assunção, chega ao mercado com mil exemplares. “A cada três meses, iremos lançando outros volumes”, disse Vidalia Sánchez, propriétaria da editora Servilibro, à AP.

Mafalda apareceu pela primeira vez em 1964, em uma tirinha publicada na revista semanal argentina Primera Plana. A tradução para o guarani foi realizada em parceria com o Ministério de Relações Exteriores da Argentina por meio do Programa Sul, que busca traduzir autores argentinos para outros idiomas.

 

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