Indígenas Kaingang, Guarani e Xokleng protestam em SC e RS contra má gestão na saúde indígena

Do Cimi Sul

Duas rodovias foram trancadas no norte do Rio Grande do Sul por indígenas Kaingang e Guaraní na tarde de ontem, quarta-feira (05). Os protestos ocorrem simultaneamente a presença de lideranças Kaingang na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal e na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), em Brasília. A delegação traz as esferas federais reivindicações de melhoria na saúde no sul do país e denunciavam assédio moral e sexual por funcionários dos órgãos governamentais. Outras ações ocorrem também em Florianópolis, onde indígenas Xokleng ocupam o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Interior Sul.

Ontem, aproximadamente 800 indígenas interromperam a passagem da RSC-480, em São Valentim, que liga a cidade de Erechim (RS) a Chapecó (SC). “Nossos protestos são para mostrar para o poder público que se continuar do jeito que está os nossos povos serão extintos”. Para Deoclides de Paula, liderança Kaingang da aldeia Votouro Kaindóia, a paralisação das estradas é para chamar atenção do Estado para a melhoria das políticas de saúde para povos indígenas. “O movimento que acontece é uma luta do nosso povo por direitos presentes na Constituição Federal. A situação da saúde prestada pela Secretaria Especial de Saúde Indígena no Sul é precária”, lamentou. “Estamos sofrendo com os cortes dos orçamentos na área da saúde que leva a óbito muitos parentes, principalmente nossas crianças e idosos”. Outra rodovia ocupada é a ERS-324, na localidade de Alto Recreio, que liga os municípios de Passo Fundo (RS) e Chapecó (SC) e passa pela Terra Indígena Serrinha, em Ronda Alta (RS).

Em Brasília, mulheres indígenas relataram assédios moral e sexual sofridas por funcionárias indígenas. As acusações são contra dirigentes responsáveis pelo DSEI Interior Sul. “Queremos uma investigação para verificar essa situação de assédio dentro da Sesai”, exige Deoclides ao repetir as cobranças da delegação que encontra-se na capital do país. “Tem pessoas que desejam trabalhar pela vida dos povos e estão sendo coagidas por seus superiores. Existe um sério abuso de poder dentro das instituições”, denunciou o cacique.

As lideranças indígenas cobram ainda a saída de indicações políticas para cargos que prestam serviço as populações tradicionais nos estados do Sul. “Sabemos que tem pessoas dentro da Fundação Nacional do Índio que são indicações de Alceu Moreira e Osmar Terra”. Ambos são políticos do PMDB, gaúchos eleitos deputados federais. Moreira é presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Funai/Incra. “Essas nomeações são de pessoas que nunca tiveram conhecimento sobre a organização dos povos indígenas. Não iremos ficar esperando que esses políticos acabem com as instituições que prestam serviço aos indígenas”.

Os protestos, que acontecem há uma semana, somam 9 rodovias paralisadas, ocupação do Distrito Sanitário Especial Indígena Interior Sul, em Florianópolis, e do polo base de Passo Fundo.

Foto: Divulgação.

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