Policiais responsáveis pela maior chacina da história de São Paulo são condenados

Penas variam entre 100 e 255 anos de prisão pela morte de 17 pessoas; familiares das vítimas não têm apoio, diz ativista

Redação Brasil de Fato

Juntos, os dois policiais militares, Thiago Barbosa Henklain e Fabrício Emmanuel Eleutérios, e o guarda-civil, Sérgio Manhanhã, responsáveis pela maior chacina da história do estado de São Paulo foram condenados a mais de 600 anos de prisão em regime fechado. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (22) pelos sete jurados que compuseram o conselho de sentença.

As chacinas ocorridas nas cidades de Osasco e Barueri, no dia 13 de agosto de 2015, mataram 17 pessoas e deixaram sete feridas. De acordo com a denúncia realizada pelo Ministério Público, os assassinatos ocorreram para vingar as mortes do policial militar Admilson Pereira de Oliveira e do guarda-civil de Barueri Jeferson Luiz Rodrigues da Silva.

O júri popular definiu as seguintes penas:

    • Fabrício Emmanuel Eleutério: 255 anos, 2 meses e 7 dias;
    • Thiago Barbosa Henklain Henklain: 247 anos, 7 meses e 10 dias;
    • Sérgio Manhanhã: 100 anos e 10 dias.

Apesar das altas penas a que foram condenados, a legislação brasileira impede que uma pessoa passe mais de 30 anos na prisão. Penas como as sentenciadas nesse caso são possíveis apenas quando há a associação de diversos crimes.

O cabo da Polícia Militar, Victor Cristilder Silva dos Santos, também foi acusado, mas entrou com um recurso e teve seu processo desmembrado. Não há previsão de seu julgamento.

Desamparo

Em conversa com o Brasil de Fato, a educadora Daisy Monteiro, integrante do coletivo #Juventude Negra Resiste e que acompanhou de perto as mobilizações dos familiares das vítimas em busca de Justiça, comemorou a decisão tomada pelo júri. Ela pontuou, no entanto, que os familiares das vítimas foram deixadas em total desamparo pelo poder público: “As famílias ficaram muito fragilizadas, não tiveram o suporte psicológico necessário para lidar com o trauma”.

Além do fator psicológico, ela aponta também a questão do medo com o qual os familiares passaram a lidar. Sobreviventes chegaram a fugir para outras cidades com medo de represálias, conta Monteiro. “Muitos não foram para o fórum, com medo. Havia ali muitos policiais, guardas municipais marcando o rosto das pessoas presentes, gerando um clima de terror”, aponta.

Ainda sobre a presença de policiais no local, os manifestantes que se pronunciavam a favor das famílias das vítimas denunciaram o fato de a Prefeitura da cidade de Barueri estar distribuindo alimento e água para os familiares dos policiais. O gesto foi entendido como um apoio da prefeitura aos réus.

A reportagem tentou contato com as prefeituras de Osasco e Barueri sobre as questões aqui apontadas, mas, por volta das 19 horas já não havia profissionais que pudessem atender a imprensa.

Edição: Vanessa Martina Silva.

Imagem: Zilda Maria Paula, mãe de vítima da chacina, protesta ao lado da advogada Dina Alves / Ponte Jornalismo

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