O relatório silenciado

Informe parlamentar sobre os desdobramentos da Lava Jato no Peru revela como as empreiteiras brasileiras enviavam dinheiro para subornar políticos no país; os políticos peruanos fingiram que não viram

por , em A Pública

A solidão obscura dos arquivos do Congresso peruano pode ser o destino final do relatório do presidente da Comissão Investigadora do caso Lava Jato, que desde novembro do ano passado busca identificar as ramificações da investigação brasileira no país vizinho. Seu nome verdadeiro é bem maior: Comissão Investigadora Encarregada de Investigar o Pagamento de Supostas Propinas a Funcionários Peruanos por parte de Empresas Brasileiras Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e outras, desde o Início de suas Atividades até a Data, por Qualquer Forma de Contrato com o Estado Peruano. Mas não é apenas o nome que é incomum. O fato de o presidente da comissão, o deputado independente Juan Pari, assinar o relatório final sozinho também é incomum – e inquietante. (mais…)

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11 de setembro, a última missão de Salvador Allende

Frederico Füllgraf, especial para o Brasil 247

Eleito com apenas 36,6% dos votos e menos de 1,5% à frente do segundo colocado, Jorge Alessandri Rodríguez (35,275), após uma campanha extremamente polarizada e renhida, mas ratificado com 81,38% dos votos pelo Congresso chileno, em novembro de 1973, o médico Salvador Allende Gossens assumia o poder no Chile à frente de uma coligação de centro-esquerda, formada pelos partidos Socialista, Comunista e o social-democrático Radical, conhecida como Unidade Popular.

Durante três anos, Allende tentou implementar seu programa de campanha, cujo foco era a nacionalização de setores-chave da Economia – sobretudo o cobre, controlado por multinacionais dos grupos Rockefeller e Rothschild –, a aceleração da reforma agrária – legada por seu antecessor democrata-cristão, Eduardo Frey Montalva, e baseada no modelo da pequena propriedade de agricultura familiar -, o congelamento dos preços dos alimentos; o aumento continuado dos salários dos trabalhadores – pagos com a emissão de dinheiro novo – e a reforma da Constituição, com vistas a um sistema parlamentar unicameral. (mais…)

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