Brasília: A ilha de Marapatá, por José Ribamar Bessa Freire

“Vá logo deixando / Senhor forasteiro / A sua vergonha / em Marapatá”.
Anibal Beça (1946-2009), poeta amazonense

No Taqui Pra Ti

Dizem que foram instalados dois balcões informatizados da ilha de Marapatá no edifício circular do aeroporto de Brasília: um na área de embarque e outro no desembarque. De uso exclusivo das autoridades, até agora eram mantidos em segredo, mas foram revelados nesta semana para explicar os recentes atos despudorados de senadores, deputados, ministros, inclusive do STF, que ultrapassaram todos os limites do decoro, da vergonha e da moral, fazendo coisas que até o diabo duvida. (mais…)

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Brincando de fotografar nas aldeias Guarani, por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Mesmo atravessando a maior crise de sua história, dando checho nos salários de docentes e funcionários, a UERJ realizou um curso de fotografia para professores e jovens guarani do Rio, entre 28 de janeiro a 4 de fevereiro. Durante 60 horas, os guarani aprenderam a fotografar e tiraram centenas de fotos mostrando o cotidiano de suas aldeias, a família, a moradia, a paisagem, as crianças e suas brincadeiras, as mulheres e seus filhos. Essas imagens serão empregadas em materiais didáticos elaborados por professores indígenas para as escolas bilíngues. (mais…)

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No Mercado, por Elaine Tavares

No Palavras Insurgentes

Já fazia muito tempo que eu não sentava na ponta do mercado para olhar a vida. Desde que o prefeito César Souza inventou uma reforma gourmet e tirou da ponta o Bar do Alvin, ir ao mercado Público de Florianópolis virou um sofrimento. Por ali, tudo agora é espaço de boy e de madame. Turistas comendo pratos caros e cervejas artesanais. Não tem mais o samba de raiz, nem as cadeiras de plástico e principalmente pessoas. Gente nossa, dessas que a gente conhece, dos botecos, das quebradas. Até bem pouco tempo nem cerveja tinha, só aquela de pescoço longo, tamanho pequeno e preço nas alturas. Passo por ali quase todo o dia, mas não gosto. Não reconheço ali o povo daqui. E não tem mesmo. (mais…)

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Nem Trump, nem Temer: xereca no rio Solimões, por José Ribamar Bessa Freire

O homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre o homem que não sabe ler”. (Mark Twain, 1835-1910).

No Taqui Pra Ti

O prazer. Não foi através dos olhos, mas dos ouvidos, que descobri no final dos anos 1950 o prazer da leitura. Aconteceu em Coari (AM), no Solimões. Lá, no seminário redentorista, no refeitório, na hora do almoço, enquanto a gente comia em silêncio, um colega maior lia em voz alta romances consagrados da literatura universal. Cada dia um leitor diferente avançava alguns capítulos, que seriam comentados no recreio. Dava de dez a zero nas telenovelas. Foi assim com o Trem de Istambul de Graham Green, Lord Jim de Joseph Conrad e As aventuras de Tom Sawyer de Mark Twain, entre tantos outros. (mais…)

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Segurança pública

Por Haroldo Caetano

Pouco importa que o ônibus esteja superlotado, desde que seja detido o ladrão que surrupia a carteira de algum passageiro. Aí está o crime! A superlotação não interessa, mesmo sendo determinante para os pequenos furtos. Prende-se o infrator e o problema está resolvido (!). Também não se percebe o adolescente no semáforo, lavando os para-brisas dos carros, como vítima de violência. Tem família, mora na rua, vai à escola? Violência haverá quando esse mesmo adolescente tomar o celular de algum motorista desavisado. Aí, prisão nele! A política de segurança pública funciona mais ou menos assim. A violência só é vista no ato criminoso. (mais…)

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Zezinho, o índio de Valença, por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

O historiador Marcelo Sant’Ana Lemos encontrou em Valença (RJ) um homem que só existia nos arquivos por ele consultados, um homem de papel que se fez carne e habitou entre nós, pulando dos documentos do séc. XIX para as ruas do séc. XXI. É possível entender o que aconteceu lendo seu livro “O índio virou pó de café? Resistência indígena frente à expansão cafeeira no Vale do Paraíba“, dissertação defendida no mestrado em História da UERJ, cujos protagonistas são os índios Puri, Coroado e Coropó considerados oficialmente extintos. (mais…)

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A utopia, a esperança e o jornalismo, por Elaine Tavares

No Palavras Insurgentes

Se existe algo que tira totalmente a esperança de alguém é a leitura dos jornais, revistas semanais ou noticiários de TV. Vê-se de tudo, menos jornalismo. Esse é um fazer que se desintegra no universo da propaganda e do incensamento do sistema capitalista de produção. O que fazem os meios de comunicação comercial é o falseamento da realidade, escondendo-a, ou então a invenção de um presente/futuro a partir da mentira. Quem não se lembra das “armas químicas” do Iraque, que levaram a uma guerra e à destruição completa de um país? Os meios inventam realidades que, depois, se fazem reais de verdade. (mais…)

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Sobre o visível e invisível, por Lilia Schwarcz

Fotografias, pinturas, gravuras, desenhos têm a capacidade de fixar e de transformar em estereótipo parado no tempo, o que nada tem de óbvio ou estável. Fazem mais: escondem o ruído e passam a sensação de que tudo está em seu lugar e onde há de sempre estar

No Nexo

Muitas vezes, fotos estampadas nos jornais são até mais violentas quando não pretendem ser. Em alguns casos, é justamente a pretensa “naturalidade” dessas imagens  que acaba  revelando a violência da situação. Em outros, é a invisibilidade que deixa evidente a carga de humilhações presente nessas representações visuais. (mais…)

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O Prefeito Ashaninka e sua flauta, por José Ribamar Bessa Freire

“A música nos faz voar. Entramos no som de nossos instrumentos e, através deles, nos relacionamos com  pássaros,  peixes,  ervas, legumes, bebidas e outros seres”. (Wewito Ashaninka)

No Taqui Pra Ti

O primeiro prefeito indígena eleito no Acre, o ashaninka Isaac da Silva Piyãko, de 44 anos, só tomou posse no dia 1º de janeiro de 2017 porque arrombou a porta do gabinete da Prefeitura do município de Marechal Thaumaturgo. É que seu antecessor fugiu com as chaves. Não sei se nessa hora, o novo prefeito lembrou uma aula que assistiu em fevereiro de 2003 no Curso de Formação de Professores Indígenas, quando garantiu que levaria consigo uma flauta, caso um dia migrasse para outro planeta. Parece que esse dia chegou. (mais…)

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Empatia, por Luis Fernando Veríssimo

Persiste um sentimento, não declarado mas evidente, de que criminoso tem que sofrer mesmo, que condições mais humanas nos cárceres são um luxo imerecido

No Globo

‘Empatia’, nos diz o dicionário, é a capacidade de sentir o que sentiria na situação ou nas circunstâncias experimentadas por outro. Ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro e sentir o que ele sente, um requisito não só para a solidariedade e a caridade, mas para a vida civilizada. Há situações refratarias à empatia, que, por mais que você tente, não consegue imaginar. Você pode se imaginar preso, mas não consegue imaginar, por ser tão distante das suas expectativas, estar numa cela em que cabem cinco, com 15 — ou mais. O sistema carcerário brasileiro é um escândalo que atravessa os tempos e os governos e só se agrava. O ódio e a revolta nutridos pela condição desumana das cadeias superlotadas explodem, como nesse horror em Manaus, ultrapassam o nosso imaginário e destroçam qualquer tentativa de empatia. (mais…)

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