Moro determina coercitiva e apreende laptop de blogueiro para descobrir fontes

Por Pedro Canário, no Conjur

Como o Judiciário não pode obrigar jornalistas a revelar suas fontes, o juiz Sergio Moro, titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, determinou a condução coercitiva do blogueiro Eduardo Guimarães para que ele diga, em depoimento à Polícia Federal, quem passa informações ao seu blog.

Para garantir, Moro também determinou “a apreensão de quaisquer documentos, mídias, HDs, laptops, pen drives, arquivos eletrônicos de qualquer espécie, arquivos eletrônicos pertencentes aos sistemas e endereços eletrônicos utilizados pelos investigados [sic], agendas manuscritas ou eletrônicas, aparelhos celulares, bem como outras provas encontradas  relacionadas aos crimes de violação de sigilo funcional e obstrução à investigação policial”. (mais…)

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Abobrinhas: a Reforma Política

Por Rui Cezar dos Santos

No “país do futebol” temos uma produção perene de máximas, quase sempre de origem popular como as do famoso Neném Prancha, fanático torcedor do Botafogo. Algumas se perdem no desgaste do uso, clichês ocos, mas as circunstâncias às vezes produzem o milagre da ressurreição. Vamos empregar duas. A primeira é a célebre, “em time que está ganhando não se mexe”. A segunda é o chamado “gol espírita”, tipo a folha-seca do Didi na “heroica” vitória por um a zero contra o Peru, que classificou o Brasil para a copa de 1958. Didi cobrou uma falta e a trajetória da bola foi caprichosa, caindo abruptamente e traindo o golpe de vista do guarda-metas. Um gol que acontece e ninguém sabe como, talvez por mágica, talvez por uma intervenção mediúnica, ou divina (mas não tem nada a ver com “la mano de Dios” de Maradona). (mais…)

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Quando o rato vira morcego…

Por: Jairo Lima – Crônicas Indigenistas

Tô te dizendo Yube, rato não vira morcego!

Vira sim! Claro que vira.

É impossível! Você está enganado, nunca um rato viraria um morcego, pois são animais diferentes! Essa é uma verdade estabelecida pela ciência. Essa tua idéia aí é superstição!

Tá certo. Você diz isso, mas se passar um tempo na minha aldeia você vai ver que o rato vira morcego.

Não seja por isso, vou mesmo, e tenho certeza que mesmo que eu passe uma vida lá, ainda assim o rato não vai virar morcego. (mais…)

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Malária, poesia e outros bichos, por José Ribamar Bessa Freire

“Ah! a poesia aqui, / meu filho, / é uma doença tropical”.
(Aldísio Filgueiras – Malária e outras canções malignas)

No Taqui Pra Ti

Numa linguagem delirante e febril que explode termômetros, o poeta Aldísio Filgueiras diagnostica ironicamente a poesia como uma patologia local. Essa relação da literatura e doença já havia sido explorada de outra forma, em 1910, pelo jornal The Porto Velho Marconigram, publicado em inglês, destinado aos trabalhadores estrangeiros da Madeira-Mamoré – a “ferrovia do diabo”. O pequeno semanário trazia sob o titulo a frase em espanhol: (mais…)

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Cora Coralina, 1977

Por Mouzar Benedito, no blog da Boitempo

“Meus doces são melhores do que meus poemas”, me falou Cora Coralina, quando a conheci, em meados de 1976, levado por uma estudante de Serviço Social que trabalhava no Sesc de Goiânia. Eu estava fazendo uma pesquisa sobre cultura popular.

Os doces dela eram realmente muito bons. Ela ficou famosa como doceira. Mas muito mais como poetisa, revelada quando tinha mais de setenta anos de idade. (mais…)

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Brasília: A ilha de Marapatá, por José Ribamar Bessa Freire

“Vá logo deixando / Senhor forasteiro / A sua vergonha / em Marapatá”.
Anibal Beça (1946-2009), poeta amazonense

No Taqui Pra Ti

Dizem que foram instalados dois balcões informatizados da ilha de Marapatá no edifício circular do aeroporto de Brasília: um na área de embarque e outro no desembarque. De uso exclusivo das autoridades, até agora eram mantidos em segredo, mas foram revelados nesta semana para explicar os recentes atos despudorados de senadores, deputados, ministros, inclusive do STF, que ultrapassaram todos os limites do decoro, da vergonha e da moral, fazendo coisas que até o diabo duvida. (mais…)

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Brincando de fotografar nas aldeias Guarani, por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Mesmo atravessando a maior crise de sua história, dando checho nos salários de docentes e funcionários, a UERJ realizou um curso de fotografia para professores e jovens guarani do Rio, entre 28 de janeiro a 4 de fevereiro. Durante 60 horas, os guarani aprenderam a fotografar e tiraram centenas de fotos mostrando o cotidiano de suas aldeias, a família, a moradia, a paisagem, as crianças e suas brincadeiras, as mulheres e seus filhos. Essas imagens serão empregadas em materiais didáticos elaborados por professores indígenas para as escolas bilíngues. (mais…)

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No Mercado, por Elaine Tavares

No Palavras Insurgentes

Já fazia muito tempo que eu não sentava na ponta do mercado para olhar a vida. Desde que o prefeito César Souza inventou uma reforma gourmet e tirou da ponta o Bar do Alvin, ir ao mercado Público de Florianópolis virou um sofrimento. Por ali, tudo agora é espaço de boy e de madame. Turistas comendo pratos caros e cervejas artesanais. Não tem mais o samba de raiz, nem as cadeiras de plástico e principalmente pessoas. Gente nossa, dessas que a gente conhece, dos botecos, das quebradas. Até bem pouco tempo nem cerveja tinha, só aquela de pescoço longo, tamanho pequeno e preço nas alturas. Passo por ali quase todo o dia, mas não gosto. Não reconheço ali o povo daqui. E não tem mesmo. (mais…)

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Nem Trump, nem Temer: xereca no rio Solimões, por José Ribamar Bessa Freire

O homem que não lê bons livros não tem nenhuma vantagem sobre o homem que não sabe ler”. (Mark Twain, 1835-1910).

No Taqui Pra Ti

O prazer. Não foi através dos olhos, mas dos ouvidos, que descobri no final dos anos 1950 o prazer da leitura. Aconteceu em Coari (AM), no Solimões. Lá, no seminário redentorista, no refeitório, na hora do almoço, enquanto a gente comia em silêncio, um colega maior lia em voz alta romances consagrados da literatura universal. Cada dia um leitor diferente avançava alguns capítulos, que seriam comentados no recreio. Dava de dez a zero nas telenovelas. Foi assim com o Trem de Istambul de Graham Green, Lord Jim de Joseph Conrad e As aventuras de Tom Sawyer de Mark Twain, entre tantos outros. (mais…)

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