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	<title>Combate ao Racismo Ambiental &#187; Mídia e Poder</title>
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	<description>A serviço do GT Combate ao Racismo Ambiental</description>
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		<title>COIAB envia carta de protesto ao New York Times</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 17:51:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[povos indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[protesto]]></category>
		<category><![CDATA[território]]></category>
		<category><![CDATA[uhe belo monte]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Prezados senhores,



O jornalista Alexei Barrionuevo, em sua matéria sobre a hidrelétrica de Belo Monte no Brasil (15 de agosto de 2010) cometeu equívocos sobre a resistência indígena a este mega-projeto desastroso. Nós representamos um grande número de etnias indígenas da Bacia do Xingu, cuja sobrevivência e cujos direitos serão gravemente impactados pela usina de Belo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">&#8220;Prezados senhores,</div>
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<p style="text-align: justify;">O jornalista Alexei Barrionuevo, em sua matéria sobre a hidrelétrica de Belo Monte no Brasil (15 de agosto de 2010) cometeu equívocos sobre a resistência indígena a este mega-projeto desastroso. Nós representamos um grande número de etnias indígenas da Bacia do Xingu, cuja sobrevivência e cujos direitos serão gravemente impactados pela usina de Belo Monte, violando a Constituição brasileira e vários acordos e convenções internacionais.</p>
<p style="text-align: justify;">Diferente do que afirmou o senhor Barrionuevo, no encontro indígena que ocorreu na última semana em Altamira, Pará (no qual o jornalista não esteve presente), foi tomada uma decisão unânime e inequívoca por lideranças locais dos povos Juruna e Arara ameaçados por Belo Monte, e outras 31 etnias indígenas de toda a Amazônia, de continuar na luta contra a construção da usina. A resistência das populações indígenas  contra grandes projetos hidrelétricos começou há 30 anos sob liderança do cacique Raoni Metuktire, do povo Kayapó, que afirmou no encontro de Altamira que continuará combatendo Belo Monte. De fato, o evento da última semana reafirmou e fortaleceu a aliança entre indígenas, ribeirinhos e pequenos agricultores na luta contra Belo Monte.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6065"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Na próxima oportunidade, gostaríamos que os senhores assegurem que os seus jornalistas realmente falem com as lideranças indígenas e não se baseiem em informações de segunda ou terceira mão.</p>
<p style="text-align: justify;">Marcos Apurinã<br />
Coordenador Geral da COIAB<br />
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB)</p>
<p style="text-align: justify;">Sonia Guajajara<br />
Vice-Coordenadora da COIAB<br />
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB)</p>
<p style="text-align: justify;">Sheyla Yakerepi<br />
Liderança indígena do povo Juruna&#8221;</p>
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		<title>IPEA desmonta farsa do jornal &#8220;O Globo&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Aug 2010 16:16:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>

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		<description><![CDATA[Carta Maior &#8211; O IPEA está entalado na garganta das organizações Globo desde setembro de 2007, quando a diretoria comandada por Marcio Pochmann tomou posse. A partir daquela data, o Instituto aprofundou seu caráter público, realizou um grande concurso para a contratação de mais de uma centena de pesquisadores, editou dezenas livros e abriu seu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Carta Maior &#8211; O IPEA está entalado na garganta das organizações Globo desde setembro de 2007, quando a diretoria comandada por Marcio Pochmann tomou posse. A partir daquela data, o Instituto aprofundou seu caráter público, realizou um grande concurso para a contratação de mais de uma centena de pesquisadores, editou dezenas livros e abriu seu raio de ação para vários setores da sociedade, em todas as regiões do país. O jornal O Globo enviou esta semana uma série de perguntas ao IPEA para, supostamente, esclarecer irregularidades na instituição. Temendo manipulação, a direção do instituto decidiu divulgar as perguntas e as respostas à toda sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">O jornal ‘O Globo’ procurou a diretoria do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), nesta semana, para supostamente esclarecer irregularidades na conduta da instituição. Trata-se de manobra pré eleitoral. Sem a menor noção de como levar a disputa presidencial para um segundo turno, as Organizações Globo tentam o tapetão da calúnia contra qualquer área do governo. Se colar, colou.</p>
<p style="text-align: justify;">O IPEA está entalado na garganta dos Marinho desde setembro de 2007, quando a diretoria comandada por Marcio Pochmann tomou posse. A partir daquela data, o Instituto aprofundou seu caráter público, realizou um grande concurso para a contratação de mais de uma centena de pesquisadores, editou dezenas livros e abriu seu raio de ação para vários setores da sociedade, em todas as regiões do país. O IPEA é hoje uma usina de idéias sobre as várias faces do desenvolvimento.</p>
<p style="text-align: justify;">‘O Globo’ e a grande imprensa não perdoaram a ousadia. Deflagraram uma campanha orquestrada, acusando a nova gestão de perseguir pesquisadores e de estimular trabalhos favoráveis ao governo. Uma grossa mentira.</p>
<p style="text-align: justify;">O Globo deve publicar a tal “matéria”, repleta de “denúncias” neste domingo. O questionário abaixo foi remetido para a diretoria do IPEA. Sabendo das previsíveis manobras do jornal da família Marinho, o instituto decidiu responder na íntegra às perguntas, diretamente em seu site. Se a “reportagem” do jornal quiser, acessa www.ipea.gov.br e pega lá as respostas. Aqui vão elas na íntegra para Carta Maior.<span id="more-5890"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Ipea responde à sociedade</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é uma fundação pública federal vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Há 46 anos, suas atividades de pesquisa fornecem suporte técnico e institucional às ações governamentais para a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros.</p>
<p style="text-align: justify;">O Ipea tem como missão &#8220;Produzir, articular e disseminar conhecimento para aperfeiçoar as políticas públicas e contribuir para o planejamento do desenvolvimento brasileiro.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Dessa forma, o Instituto torna públicos à sociedade esclarecimentos decorrentes de questionamentos feitos pelo jornal O Globo entre 19 e 20 de agosto.</p>
<p style="text-align: justify;">Este comunicado tem como objetivo preservar a reputação desta Instituição e de seus servidores e colaboradores, que por meio dos questionamentos do diário, estão sendo vítimas de ilações, inclusive de caráter pessoal.</p>
<p style="text-align: justify;">Dado o teor desses questionamentos, o Instituto sente-se na obrigação de publicar perguntas e respostas, na íntegra e antecipadamente, para se resguardar.</p>
<p style="text-align: justify;">E coloca-se à disposição para dirimir quaisquer dúvidas posteriores.</p>
<p style="text-align: justify;">Assessoria de Imprensa e Comunicação</p>
<p style="text-align: justify;">O GLOBO: Sobre o aumento de gastos com viagens/diárias/passagens na atual gestão: Segundo levantamento feito no Portal da Transparência do governo federal, os gastos com diárias subiram 339,7%, entre 2007 e 2009, chegando no ano passado a R$ 588,3 mil. Este ano já foram gastos mais R$ 419 mil com diárias, 71% do total de 2009. Os gastos com passagens subiram 272,6% entre 2007 e 2009, chegando no ano passado a R$ 1,2 milhão. Qual a justificativa para aumentos tão expressivos?</p>
<p style="text-align: justify;">IPEA: A justificativa é o incremento das atividades do Ipea e de seus focos de análise, instituídos pelo planejamento estratégico iniciado em 2008, que estabeleceu sete eixos voltados para a construção de uma agenda de desenvolvimento para o país. Para atender a esses objetivos foram incorporados 117 novos servidores, mediante concurso público realizado em 2008. O Plano de Trabalho para o exercício de 2009 contemplou 444 metas – publicadas no Diário Oficial da União. O cumprimento dessas metas condicionou a participação dos servidores da casa em seminários , congressos, oficinas e treinamentos, bem como em reuniões de trabalho. Além disso, o Ipea passou a realizar inúmeras atividades, como cursos de formação em regiões anteriormente pouco assistidas do ponto vista técnico-científico.</p>
<p style="text-align: justify;">O GLOBO: Além disso, o Ipea tem gastos expressivos com a contratação da Líder Taxi Aéreo: entre 2007 e 2010, foi pago R$ 1,9 milhão à empresa pelo Ipea. Como são usados exatamente os serviços da Líder? Só em viagens no Brasil ou também no exterior?</p>
<p style="text-align: justify;">IPEA: O Ipea nunca utilizou os serviços de táxi aéreo de qualquer empresa, sejam em voos nacionais ou internacionais. Os deslocamentos dos servidores – inclusive presidente e diretores – são efetuados em vôos de carreira. As despesas constantes no Portal Transparência se referem à locação de salas de um imóvel do qual a empresa é proprietária e onde localiza-se a unidade do Ipea no Rio de Janeiro, desde 1980. Tal despesa é estabelecida por meio do Contrato 06/2009, firmado nos termos da Lei 8.666/93.</p>
<p style="text-align: justify;">O GLOBO: O Ipea inaugurou este ano escritórios em Caracas e Luanda. Qual a função desses escritórios?</p>
<p style="text-align: justify;">IPEA: São representações para apoiar a articulação de projetos de cooperação entre o Ipea e países em desenvolvimento. No caso de Caracas, os grandes temas envolvidos são macroeconomia e financiamento de investimento, acompanhamento e monitoramento de políticas públicas.</p>
<p style="text-align: justify;">No caso de Luanda, os objetivos da missão são auxiliar na avaliação dos investimentos em infraestrutura, no processo de acompanhamento e monitoramento de políticas públicas, com destaque para as políticas sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">O objetivo dessas missões é de prestar apoio técnico a instituições e/ou organismos governamentais de outros países. Esses projetos fazem parte de um processo amplo do Ipea de fomentar a cooperação internacional. Foram firmados acordos de cooperação técnica com diferentes instituições e países, como Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento), OMPI (Organização Mundial de Propriedade Intelectual), OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), Federal Reserve Bank of Atlanta (Estados Unidos) e outras instituições na Suécia, Argentina, Burundi, Angola, Venezuela, Cuba etc.</p>
<p style="text-align: justify;">O GLOBO: Quantos funcionários tem cada um? Qual é o gasto com essas bases no exterior?</p>
<p style="text-align: justify;">IPEA: Cada país terá apenas um representante, que deverá promover a articulação/coordenação dos diferentes projetos. Os gastos se resumem aos salários correntes dos representantes, enquanto servidores do Ipea.</p>
<p style="text-align: justify;">O GLOBO: Existem planos para montar outras?</p>
<p style="text-align: justify;">IPEA: Há negociações ainda em fases iniciais.</p>
<p style="text-align: justify;">O GLOBO: Onde ficam localizadas (endereços)? Temos a informação de que o escritório de Caracas funciona nas dependências da PDVSA. Procede?</p>
<p style="text-align: justify;">IPEA: Sim. Nos acordos de cooperação estabelecidos, os países receptores devem fornecer escritório e moradia aos representantes do Ipea. No caso de Caracas, o governo venezuelano indicou a instalação da missão em edifício da estatal – que está cedendo apenas o espaço físico. No caso de Luanda, o governo angolano sinalizou a instalação da missão em edifício de um ministério. Não nos cabe questionar que ferramentas institucionais cada país utiliza para o cumprimento desse apoio à instalação das representações.</p>
<p style="text-align: justify;">O GLOBO: Qual a relação direta entre os escritórios e a missão do Ipea?</p>
<p style="text-align: justify;">IPEA: A realização de missão no exterior se fundamenta na competência do Ipea que lhe foi atribuída pelo presidente da República (art. 3º, anexo I do Decreto n.º 7.142, de 29 de março de 2010) de “promover e realizar pesquisas destinadas ao conhecimento dos processos econômicos, sociais e de gestão pública brasileira”. Além disso, a cooperação entre países conforma estratégia para a inserção internacional e passa a figurar dentre os princípios que regem as relações internacionais brasileiras, nos termos do artigo 4º da Constituição Federal, que estabelece que o Brasil recorrerá à “cooperação entre os povos para o progresso da humanidade”.</p>
<p style="text-align: justify;">O GLOBO: Qual a justificativa para tantas viagens da diretoria a Caracas e Cuba, por exemplo? O DO registra pelo menos 15 viagens entre 2009 e 2010.</p>
<p style="text-align: justify;">IPEA: As viagens estão relacionadas à consolidação de acordos de cooperação que o Ipea realiza visando ao avanço socioeconômico dos países em desenvolvimento. As viagens não ocorrem apenas para estes países, mas também para instituições dos países desenvolvidos (OCDE, Federal Reserve de Atlanta) e das Nações Unidas (UNCTAD, CEPAL), como os Estados Unidos e França, que, até o momento, nunca foram objeto de questionamentos ou justificativas.</p>
<p style="text-align: justify;">O GLOBO: Os gastos com bolsistas também cresceram substancialmente nos últimos anos. Entre 2005 e 2009, o aumento desses gastos chega a 600%. Essa modalidade de contratação consumiu, entre 2008 e 2010, R$ 14,2 milhões do Orçamento do Ipea. Qual a justificativa para um aumento tão grande no número de bolsistas, só estudantes mais de 300?</p>
<p style="text-align: justify;">IPEA: O Ipea aprimorou e ampliou seu programa de bolsas, incrementando seu relacionamento técnico com diversas instituições de estudos e pesquisas. Destaca-se o ProRedes, que organizou 11 redes de pesquisa entre 35 instituições em todo Brasil. Da mesma forma, por meio desse programa, foi lançado, em 2008, o Cátedras Ipea, com o objetivo de incentivar o debate sobre o pensamento econômico-social brasileiro.</p>
<p style="text-align: justify;">A partir deste ano, este programa conta com a parceria e recursos da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Os bolsistas são selecionados por meio de chamadas públicas e desde o início do programa há participação de aprovados de todas as regiões do País. O crescimento no número de bolsas concedidas expressa a ampliação dos temas estudados no Instituto. Desde sua instituição, o Ipea atua na formação de quadros para as atividades de planejamento de políticas públicas.</p>
<p style="text-align: justify;">O GLOBO: Entre os pesquisadores bolsistas aparece o nome de (*)1, que mantém um relacionamento com o diretor (*)1. Ela recebeu R$ 100 mil entre 2009 e 2010, por meio dessas bolsas de pesquisa, ao mesmo tempo em que ocupa um cargo de secretária na prefeitura de Foz de Iguaçu. Como o Ipea justifica a contratação?</p>
<p style="text-align: justify;">IPEA: O nome referido não consta em nossa lista de bolsistas. A referida pesquisadora não foi contratada pelo Instituto nesta gestão. O desembolso citado – R$ 95 mil – trata-se de apoio a evento técnico-científico: 13º Congresso Internacional da “Basic Income Earth Network” (BIEN &#8211; Rede Mundial de Renda Básica). A liberação dos recursos foi efetuada em conta institucional-pesquisador, sujeita à prestação de contas dos recursos utilizados.</p>
<p style="text-align: justify;">A seleção do referido evento, conforme chamada pública, foi realizada por comitê de avaliação, composto por pesquisadores, que considera as propostas de acordo com critérios pré-estabelecidos. Os diretores do Ipea não têm qualquer influência sobre as recomendações deste comitê.</p>
<p style="text-align: justify;">O lançamento e resultados da seleção são divulgados no Diário Oficial da União e estão disponíveis no sítio do Instituto. Destaca-se ainda que tal sistemática é a mesma adotada em instituições como CNPq, Capes, FAPESP e todas as agências de fomento.</p>
<p style="text-align: justify;">As chamadas são abertas à participação de pesquisadores vinculados a instituições públicas ou privadas sem fins lucrativos, de reconhecido interesse público, que desenvolvam atividades de planejamento, pesquisa socioeconômica e ambiental e/ou que gerenciem estatísticas.</p>
<p style="text-align: justify;">Vale ressaltar que o referido evento contou ainda com patrocínio de instituições como Fundação Ford, FAPESP, Corecon SP e RJ, Petrobras, Caixa, BNDES, Fundação Friedrich Ebert, e a Capes.</p>
<p style="text-align: justify;">O GLOBO: Os gastos com comunicação social também tiveram aumento substancial. No Orçamento de 2010 estão previstos R$ 2,3 milhões para esse fim (rubrica 131). No ano passado não apareciam despesas nessa rubrica. No momento, o Ipea tem contratos com empresas de comunicação e marketing que somam R$ 4,5 milhões. Qual a justificativa para gastos tão elevados?</p>
<p style="text-align: justify;">IPEA: Os contratos com ‘empresas de comunicação e marketing’ se referem a trabalhos de editoração digital e gráfica (revisão, diagramação e impressão) do trabalho produzido na casa (livros, boletins, revistas etc.) e de seu respectivo material de apoio (cartazes, fôlderes, banners, hot sites etc.). O Ipea não faz uso de inserções publicitárias de qualquer tipo. O orçamento previsto, portanto, contempla o crescimento substancial da produção intelectual do Instituto – de 102 títulos, em 2007, para 219, em 2009, num total de 14,6 mil páginas (dados c onstantes no Relatório de Atividades Executivo 2009 e disponíveis no sítio do Ipea na internet) –, além do cumprimento de um dos termos de sua missão: disseminar conhecimento. Razão para ‘justificativas’ haveria se, mesmo com a entrada de 117 novos servidores em 2009, o Instituto não vivenciasse crescimento de sua produção.</p>
<p style="text-align: justify;">O GLOBO: Tenho um levantamento que mostra que atualmente existem 33 pessoas lotadas na Ascom do Ipea. Solicito indicar quantos jornalistas/assessores de imprensa e quais as outras funções.</p>
<p style="text-align: justify;">IPEA: A Assessoria de Imprensa e Comunicação do Instituto possui oito jornalistas/assessores de imprensa. Os demais são pessoal de apoio para as atividades que estão sob jurisdição da Ascom: Editorial, Livraria, Eventos e Multimídia, em Brasília e no Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align: justify;">O GLOBO: Sobre as obras da nova sede do Ipea, apuramos que já foram gastos mais de R$ 1 milhão no projeto e existe no orçamento de 2010 uma dotação de R$ 15 milhões para a obra, mas o Ipea ainda não tem a posse legal do terreno onde será construída a nova sede. Qual a justificativa para os gastos sem garantia do terreno? Gostaria também de esclarecimentos sobre a forma de contratação do escritório de arquitetura que elaborou o projeto.</p>
<p style="text-align: justify;">IPEA: Os gastos do projeto de planejamento e construção de uma nova sede para o Ipea, em Brasília, foram realizados conforme planejamento autorizado em lei no Plano Plurianual 2008-2011. Todas as contratações obedecem rigorosamente aos preceitos da Lei de Licitações e Contratos, Lei nº 8.666 de 21 de junho de 1993, bem como aos princípios constitucionais previstos no caput do art. 37 da Carta Magna: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Quanto ao terreno, órgãos do governo do Distrito Federal asseguram-no como de destinação exclusiva à construção da sede do Ipea.</p>
<p style="text-align: justify;">O GLOBO: O enquadramento de onze técnicos de Planejamento e Pesquisa, com mais de uma década de serviços prestados ao Ipea, no Quadro Suplementar do Plano de Carreira, o que praticamente congela a situação funcional dessas técnicos, com prejuízos financeiros e na carreira. Considerando que a base jurídica está sendo questionada internamente e já é objeto de ações na Justiça, solicito a justificativa do Ipea para a decisão. Como são técnicos remanescentes da administração anterior, questiono se não se caracteriza, no caso, algum tipo de perseguição política ou tentativa de esvaziamento do grupo de pesquisadores não alinhado com a nova linha do Ipea.</p>
<p style="text-align: justify;">IPEA: Não há ‘perseguição’ de qualquer natureza, em absoluto. A atual administração age com base no estrito cumprimento da Lei 11.890/2008, que criou o Plano de Carreira e Cargos para a Instituição, com a inserção do cargo de Planejamento e Pesquisa na Carreira de Planejamento e Pesquisa, representando um marco na história da Instituição.</p>
<p style="text-align: justify;">A referida lei determinou o enquadramento dos servidores na carreira, processo que foi realizado individualmente, resgatando-se o histórico funcional de cada um dos servidores. Isso permitiu o enquadramento de 277 (95,5%) dos 290 TPPs ativos. No que diz respeito aos servidores inativos, todos os 282 foram posicionados na Tabela de Subsídio. No total foram enquadrados 97,7% do total.</p>
<p style="text-align: justify;">Os servidores que atenderam aos pré-requisitos estabelecidos na lei – e referenciados no Parecer da Procuradoria Federal do Ipea – para inserção na Carreira de Planejamento e Pesquisa ou posicionamento na tabela de subsídio foram imediatamente enquadrados ou posicionados na tabela remuneratória pertinente.</p>
<p style="text-align: justify;">A atual direção, buscando esgotar as possibilidades de análise de viabilidade quanto ao enquadramento dos servidores que não cumpriram os referidos requisitos constantes na lei, encaminhou os seus processos para análise da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, que corroborou, com posicionamento de sua Consultoria Jurídica, pelo enquadramento em Quadro Suplementar dos referidos servidores.</p>
<p style="text-align: justify;">(1) Os nomes foram omitidos pelo Ipea para preservar as pessoas citadas.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16898</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Agronegócio prepara ofensiva publicitária para reverter imagem negativa</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2010/08/agronegocio-prepara-ofensiva-publicitaria-para-reverter-imagem-negativaagronego/</link>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2010 18:28:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[agrotóxicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Grandes empresas e entidades ligadas aos produtores rurais, às agroindústrias e à cadeia de insumos da agropecuária preparam uma milionária ofensiva de marketing institucional, incluindo campanhas em horário nobre na televisão estreladas por atores da Rede Globo. A notícia é do Boletim – Por um Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos nº 503, 20-08-2010, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">Grandes empresas e entidades ligadas aos produtores rurais, às agroindústrias e à cadeia de insumos da agropecuária preparam uma milionária ofensiva de marketing institucional, incluindo campanhas em horário nobre na televisão estreladas por atores da Rede Globo. A notícia é do Boletim – Por um Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos nº 503, 20-08-2010, a partir de informações do sítio da Monsanto, 05-08-2010.</div>
<p style="text-align: justify;">Os objetivos são reverter a imagem negativa junto à população dos grandes centros e transmitir a ideia de um setor moderno, sustentável e essencial para o desenvolvimento socioeconômico do país. Nomes como Bunge, Monsanto, Syngenta e associações como Abag (do agronegócio), Bracelpa (papel e celulose), Abef (frango), Unica (cana-de-açúcar), Fiesp (indústrias paulistas), CitrusBR (suco de laranja), Abrasem (sementes) e Sindirações (nutrição animal) fazem parte de um grupo de trabalho criado formalmente no início do ano para debater o projeto.<span id="more-5872"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O custo da iniciativa ainda não está fechado, já que depende de quanto será arrecadado com os patrocinadores – membros ou não do grupo. Mas o investimento mínimo tem dois dígitos de milhões de reais. “Tem que ser uma campanha de porte, senão não terá efeito”, diz o coordenador do grupo de trabalho, Adalgiso Telles, diretor de comunicação da Bunge.</p>
<p style="text-align: justify;">Além de campanhas publicitárias em todas as mídias, o re-posicionamento da imagem do agronegócio vai incluir trabalhos de relacionamento em redes sociais, relações públicas, levantamento de dados sobre o setor e preparação de porta-vozes do campo. “Queremos chegar a todos os segmentos da sociedade, e não apenas aos formadores de opinião que, muitas vezes, já têm seus preconceitos com relação ao agronegócio”, diz o gerente de comunicação da Monsanto, Geraldo Magella. Ao todo, são cerca de 30 iniciativas previstas.</p>
<p style="text-align: justify;">A proposta de realizar uma campanha de massa suprassetorial no agronegócio não é nova, mas nunca havia avançado tanto. O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, entusiasta histórico da ideia, foi quem levantou-a novamente em uma reunião na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) no ano passado. Rodrigues é membro do comitê executivo do grupo de trabalho. (…)</p>
<p style="text-align: justify;">(…) Até a escolha do garoto-propaganda já estaria feita: Lima Duarte. Outro filme para televisão seria estrelado por uma atriz mais jovem da Globo, para se aproximar dos públicos jovem e feminino. Telles ressalva que nenhum contrato foi fechado e que nenhum real foi investido. “A agência pré-selecionada para executar o programa está fazendo o projeto sem receber nada”, garante. (…)</p>
<p style="text-align: justify;">(…) “A campanha terá uma carga emocional muito forte, mas trará fatos para mostrar como o agronegócio contribui para a sociedade”, diz o diretor de comunicação da Bunge, Adalgiso Telles, que coordena o grupo de trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>N.E do Boletim &#8220;Por um Brasil ecológico&#8230;&#8221;: A experiência mostra que grandes ofensivas publicitárias como essa têm o poder de tornar a mídia (ainda mais) simpática às demandas do agronegócio. Foi o que aconteceu no final de 2003, quando foi ao ar a milionária campanha publicitária da Monsanto, cujo slogan era “Se você já pensou num mundo melhor, você já pensou em transgênicos”. A campanha foi estimada em R$ 6 milhões e veiculada em jornais, revistas, rádios, salas de cinema e no horário nobre das TVs abertas (posteriormente o CONAR, Conselho de Autorregulamentação Publicitária, condenou a Monsanto a “adequar” o conteúdo da propaganda, mas já era tarde).</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A grande imprensa até então se interessava pela polêmica dos transgênicos e dava espaço para os dois lados da disputa (defensores e críticos à tecnologia), ainda que comumente pendesse para o lado mais “forte” (o do capital, do agronegócio, das grandes empresas). Depois da campanha da Monsanto, quase todos os espaços se fecharam e a defesa dos transgênicos passou a ser apresentada quase como uma unanimidade científica (como se isso fosse possível). Até hoje são raros os espaços de crítica.</em></p>
<p style="text-align: justify;">http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=35550</p>
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		<title>Elifas Andreato &#8211; Quando o pincel é uma arma</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2010/07/elifas-andreato-quando-o-pincel-e-uma-arma-2/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 21:33:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos humanos]]></category>

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		<description><![CDATA[
Mostra em São Paulo reúne cerca de 100 trabalhos, entre capas de disco, capas de revista e cartazes de peças criadas pelo artista Elifas Andreato nos últimos 45 anos, tendo como foco a resistência à ditadura civil-militar

Aldo Gama, da Redação de Brasil de Fato



Embora nunca tenha se filiado a nenhum partido político, Elifas encara sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><img class="alignright" src="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/cultura/Elifas_Andreato_expo.gif" alt="Elifas_Andreato_expo" width="500" height="350" /></div>
<div style="text-align: justify;"><em>Mostra em São Paulo reúne cerca de 100 trabalhos, entre capas de disco, capas de revista e cartazes de peças criadas pelo artista Elifas Andreato nos últimos 45 anos, tendo como foco a resistência à ditadura civil-militar</em></div>
<div style="text-align: justify;"><em></p>
<div id="_mcePaste"><span style="font-style: normal;">Aldo Gama, da Redação de Brasil de Fato</span></div>
<p></em><em><span style="font-style: normal;"><em><br />
</em></span></em></p>
</div>
<div style="text-align: justify;">Embora nunca tenha se filiado a nenhum partido político, Elifas encara sua postura de oposição ao regime como uma decisão pessoal que o levou a colaborar com uma série de publicações da imprensa alternativa, como Jornal Momento e Opinião, criar cenários e cartazes de peças, como Mortos sem sepultura, e a capa de O Livro Negro da Ditadura Militar.</p>
<p>Artista gráfico, cenógrafo e jornalista, Elifas revolucionou, ou elevou a status de arte, a criação de capas de discos no Brasil. Como exemplo, pode-se citar a ilustração do disco Nervos De Aço, gravado por Paulinho da Viola em 1973. “A capa trazia uma nova informação, era uma declaração pública de como o artista se sentia. Foi feita com o consentimento do Paulinho e acabou virando um marco”, conta o artista que, nos anos de chumbo, tinha a censura e a opressão como inimigos. Hoje, tem o mercado. A seguir uma entrevista exclusiva com o artista.<span id="more-4915"></span></p>
<p><img class="alignleft" src="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/cultura/Elifas_Andreato.gif" alt="Elifas_Andreato" width="350" height="500" />Brasil de Fato – Como era criar uma arte contestatória durante uma ditadura?</p>
<p>Elifas Andreato – Era um embate. A censura cerceava a informação e nos forçava a ser criativos. Fazíamos o registro do momento por meio de metáforas. Era um grande desafio trabalhar, muitas vezes, com censores na própria redação. Mas não acho que a censura tenha acabado. Ela apenas se transformou e hoje é exercida pela mídia e pelo poder econômico. A quantidade de lixo nas bancas e nas tevês é absurda. Se espremer a programação, pouca coisa é relevante. Por trás disso está o interesse de alienar e não discutir os problemas do país. Se a tevê é uma concessão pública, por que não tem nenhum programa educativo no horário nobre?</p>
<p>Como você vê a questão dos direitos humanos hoje no Brasil?</p>
<p>São muito pouco respeitados, a começar pelo direito das crianças. Somos um país perverso com uma grande maioria vivendo na pobreza. Quando comecei a trabalhar, muitas das figuras políticas já estavam aí, legislando em causa própria. Uma realidade que mudou muito pouco em mais de 40 anos.</p>
<p>Observando sua obra, percebe-se uma nítida ligação com a música popular brasileira. De que maneira as duas artes se encontram?</p>
<p>Faço parte de uma geração que, embora tenha sofrido com uma ditadura, foi vitoriosa. Uma geração talentosa da qual acabei fazendo parte como aquele que fazia a interpretação visual daquele momento. A música era uma voz forte contra o arbítrio. E meu trabalho era a síntese do que acontecia em uma única imagem, seja na música, no teatro ou em livros. Sempre tive a consciência de que o que fazia era o primeiro convite para as pessoas ouvirem o disco, assistirem a peça ou ler o livro. Eu tinha que assumir a responsabilidade de transformar graficamente aquelas criações.</p>
<p>Suas capas de discos se tornaram uma referência para o público.</p>
<p>Sempre fiz o que interpretava da obra. Me obrigava a estar com o autor. Jogava sinuca, futebol, bebia cerveja. E inaugurei uma nova maneira com o disco para o Paulinho (Nervos de Aço, 1973), que eu considero o primeiro e que acabou virando um marco. Toda criação de comum acordo com o artista.</p>
<p>A opção da indústria fonográfica pelo CD te afetou de alguma maneira?</p>
<p>A redução do espaço foi frustrante e também tem a questão da camisa de força da caixinha plástica. Existe toda uma estrutura que envolve da empilhadeira que carrega os CDs na fábrica até as gôndolas de exibição. Tudo relacionado ao formato das caixinhas. Além disso, acrescentar uma simples luva de papel muda todo o custo porque a caixinha é feita em larga escala, que é a forma mais barata. E também houve uma mudança de mentalidade na indústria. Mas continuo fazendo para amigos ou coisas de que gosto. Recentemente fiz para o Martinho (Poeta da Cidade – Martinho canta Noel), com uma homenagem ao Nássara, para o Tom Zé, para o Paulinho da Viola&#8230;</p>
<p><img class="alignright" src="http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/cultura/Elifas_Andreato_1.gif" alt="Elifas_Andreato_1" width="400" height="400" />E as novas tecnologias influenciam sua produção?</p>
<p>Continuo na prancheta, mas tenho um assistente que trabalha com uma ferramenta incrível que é o computador. Ela é precisa e é impossível pensar no mundo sem ela. Mas ela não pensa, não cria. E a arte depende o artista, pode ser revolucionária ou não.</p>
<p>Serviço</p>
<p>Elifas Andreato – As cores da resistência<br />
Memorial da Resistência de São Paulo<br />
Largo General Osório, 66<br />
De terça a domingo, das 10 às 17h30</p>
<p>http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/cultura/quando-o-pincel-e-uma-arma</p>
</div>
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		<title>Censura e truculência contra jornalistas. Onde está a ANJ?</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2010/07/censura-e-truculencia-contra-jornalistas-onde-esta-a-anj/</link>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 11:50:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>

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		<description><![CDATA[As demissões de jornalistas na TV Cultura de São Paulo e o silêncio dos grandes meios de comunicação sobre as causas destas demissões evidenciam mais uma vez um preocupante comportamento cínico, submisso e hipócrita. Mais uma vez, são blogs e sites de jornalistas independentes que cumprem o dever de informar ao público o que é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;"><em>As demissões de jornalistas na TV Cultura de São Paulo e o silêncio dos grandes meios de comunicação sobre as causas destas demissões evidenciam mais uma vez um preocupante comportamento cínico, submisso e hipócrita. Mais uma vez, são blogs e sites de jornalistas independentes que cumprem o dever de informar ao público o que é de interesse público. Entidades como a Associação Nacional de Jornais, supostamente comprometidas com a defesa da liberdade de expressão, exibem um silêncio ensurdecedor.</em></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Editorial &#8211; Carta Maior</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O comportamento cínico e hipócrita da maioria das grandes empresas de comunicação do Brasil ficou mais uma vez evidenciado esta semana, e de um modo extremamente preocupante. Não se trata apenas de valores ou sentimentos, mas sim de fatos objetivos e de silêncios não menos objetivos. O relato sobre demissões na TV Cultura de São Paulo, causadas pelo interesse de jornalistas no tema dos pedágios, justifica plenamente essa preocupação. Um desses relatos, feito nesta sexta-feira pelojornalista Luis Nassif, chega a ser assustador. Em apenas uma semana, dois jornalistas perderam o emprego, escreve Nassif, em função de uma matéria sobre pedágios. Ele relata:<span id="more-4533"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Há uma semana, Gabriel Priolli foi indicado diretor de jornalismo da TV Cultura. Ontem (7), planejou uma matéria sobre os pedágios paulistas. Foram ouvidos Geraldo Alckmin e Aloízio Mercadante, candidatos ao governo do estado. Tentou-se ouvir a Secretaria dos Transportes, que não quis dar entrevistas. O jornalismo pediu ao menos uma nota oficial. Acabaram não se pronunciando.</p>
<p style="text-align: justify;">Sete horas da noite, o novo vice-presidente de conteúdo da TV Cultura, Fernando Vieira de Mello, chamou Priolli em sua sala. Na volta, Priolli informou que a matéria teria que ser derrubada. Tiveram que improvisar uma matéria anódina sobre as viagens dos candidatos.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje (8) , Priolli foi demitido do cargo. Não durou uma semana.</p>
<p style="text-align: justify;">Semana passada foi Heródoto Barbeiro, demitido do cargo de apresentador do Roda Viva devido às perguntas sobre pedágio feitas ao candidato José Serra (ver vídeo abaixo). Para quem ainda têm dúvidas: a maior ameaça à liberdade de imprensa que esse país jamais enfrentou, nas últimas décadas, seria se, por desgraça, Serra juntasse ao poder de mídia, que já tem, o poder de Estado.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é o primeiro relato sobre a truculência do ex-governador de São Paulo com jornalistas. Nos últimos meses, há pelo menos dois outros episódios, um deles envolvendo a jornalista Miriam Leitão, na Globonews, e outros envolvendo jornalistas da RBS TV, em Porto Alegre. A passagem da truculência à ameaça ao trabalho dos jornalistas é algo que deveria receber veemente manifestação da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), sempre prontas a denunciar tais ameaças. No entanto, ao invés disso, o que se houve é um silêncio ensurdecedor.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais uma vez, são blogs e sites de jornalistas independentes que cumprem o dever de informar ao público o que é de interesse público. E, mais uma vez também, os chamados jornalões e seus braços no rádio e na TV, calam-se, aliando submissão e cumplicidade com a truculência e o desrespeito ao trabalho de experientes profissionais. O mesmo silêncio, a mesma submissão e a mesma cumplicidade manifestadas nos recentes casos de assassinatos de jornalistas em Honduras, em função de sua posição crítica ao golpe de Estado ocorrido naquele país.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse triângulo perverso que une cinismo, hipocrisia e silêncio não é um privilégio da imprensa brasileira. Um outro caso, esta semana, envolveu uma das maiores cadeias de televisão do mundo. A CNN demitiu a jornalista Octavia Nasr, editora de noticiário do Oriente Médio, por causa de uma mensagem publicada por ela em sua página no Twitter onde manifestou “respeito” pelo ex-dirigente do Hezbollah, Sayyed Mohammed, que morreu no final de semana passado. Octavia tinha 20 anos de trabalho CNN. O que ela escreveu no twitter e causou sua demissão foi: “(Fiquei) triste por saber do falecimento do Sayyed Mohammed Hussein Fadlallah…Um dos gigantes do Hezzbollah que eu respeito muito”. Parisa Khosravi, vice-presidente-sênior da CNN International Newsgathering, afirmou em um memorando interno que “teve uma conversa” com a editora e “decidimos que ela irá deixar a companhia”.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa mesma CNN não hesita em denunciar agressões à liberdade de imprensa em outros países quando isso é do interesse de sua linha editorial e dos interesses geopolíticos da empresa. Crime de opinião? Segundo as versões oficiais, isso só existe em países do chamado eixo do mal.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse mesmo triângulo perverso ajuda a entender por que essas grandes corporações midiáticas não querem debater com a sociedade a sua própria atuação. Colocam-se acima do bem e do mal como se fossem portadores de legitimidade pública. Não são. Ao cultivarem esse tipo de comportamento e prática, o que estão fazendo, na verdade, é auto-atribuir-se, de modo fraudulento, uma suposta representação pública. Representam, na verdade, os interesses dos donos das empresas e, cada vez menos, o interesse público.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste exato momento, o planeta vive aquele que pode vir a se confirmar como o maior desastre ecológico de sua história. O acidente com a plataforma da British Petroleum no Golfo do México e o vazamento diário de milhões de litros de óleo no mar tem proporções ainda incalculáveis. No entanto, a cobertura midiática sobre o caso nem de longe é proporcional, em quantidade e qualidade, à gravidade e importância do caso. Organizações ambientalistas já denunciaram que a BP vem operando pesadamente nos bastidores para bloquear e filtrar informações.</p>
<p style="text-align: justify;">É preciso ter clareza que são os dirigentes e porta-vozes dessas corporações midiáticas e seus braços políticos e empresariais que não hesitam em denunciar qualquer proposta de tornar transparente à sociedade o seu trabalho, supostamente de interesse público. O bloqueio e seleção de informações, a demissão de jornalistas incômodos e a truculência com aqueles que ousam fazer alguma pergunta fora do script são diferentes faces de um mesmo cenário: o cenário da privatização da informação, da deformação da verdade e da destruição do espaço público.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16791</p>
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		<title>La invasión de nuestro imaginario</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2010/06/la-invasion-de-nuestro-imaginario/</link>
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		<pubDate>Sun, 20 Jun 2010 11:40:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[globalização]]></category>
		<category><![CDATA[povos indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[território]]></category>

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		<description><![CDATA[
La estrategia de gobernantes y de poderosas multinacionales de armas, de hidrocarburos, de alimentos y de extracción de minerales consiste en propiciar e implementar la guerra como una forma de control y apropiación de los recursos naturales de distintos países. Esto lo logran a través de diversas  maniobras, algunas ágiles otras perversas.
Muchas estrategias han sido [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">
<p style="text-align: justify;">La estrategia de gobernantes y de poderosas multinacionales de armas, de hidrocarburos, de alimentos y de extracción de minerales consiste en propiciar e implementar la guerra como una forma de control y apropiación de los recursos naturales de distintos países. Esto lo logran a través de diversas  maniobras, algunas ágiles otras perversas.</p>
<p style="text-align: justify;">Muchas estrategias han sido recopiladas durante el desarrollo de las  guerras mundiales y de conflictos armados entre países. Éstas las han perfeccionado mediante mecanismos más sofisticados como el uso de tecnologías y espionaje, hasta métodos psicológicos de presión, represión y tortura. También mediante inteligencia que permite conocer y realizar análisis profundos a los territorios utilizando mecanismos  psicológicos y de propaganda.</p>
<p style="text-align: justify;">La difamación y el desprestigio, por ejemplo, han permitido a los EEUU aumentar su presencia militar e invadir a otros estados. Hay diversidad de ejemplos, cabe mencionar la invasión a Irak bajo la excusa de existencia de armas de destrucción masiva, una mentira que disfrazó los verdaderos intereses encaminados al robo de las reservas de petróleo. Lo mismo pasó en Afganistán donde se precipitó la invasión militar con el fin de “exterminar el terrorismo”. En realidad lo que se ha hecho es acabar con pueblos enteros, si no físicamente sí con su dignidad y su soberanía.</p>
<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">La combinación de presión psicológica y propaganda  incita  a estados y sociedades  que no hacen parte de los conflictos a que se involucren en la guerra. Son métodos aplicados a través de ideologías ficticias y confusas para crear escenarios de “compromisos” aparentes por la seguridad. Esto supuestamente busca la defensa  del bien común para obtener el apoyo y respaldo a políticas implementadas  por gobiernos y por empresas transnacionales.<span id="more-3154"></span></div>
<p style="text-align: justify;">Estas políticas  no se dan a conocer y es difícil identificar el paquete de planes diseñados y el conjunto de métodos que se utilizan con el objetivo de persuadir a la gente.</p>
<p style="text-align: justify;">En algunos casos como en el convenio militar firmado entre el gobierno de Colombia y el de Estados Unidos para la instalación de siete bases militares en Colombia, se recurre a diversidad de mentiras repetidas una y otra vez para que tengan la apariencia de verdad. El aparato de propaganda repite constantemente que estas bases tienen el objetivo de acabar con la guerrilla y luchar contra el narcotráfico pero oculta el interés del gobierno norteamericano de tener mayor incidencia política y militar en la región.</p>
<p style="text-align: justify;">Estas políticas bélicas son presentadas por los medios de comunicación (y por otros sistemas de propaganda) como un modelo de desarrollo para la gente más pobre de cada país. Por eso cuando se refieren a la política del “Plan Colombia” hablan de seguridad, prosperidad y oportunidad para los campesinos e indígenas. En realidad, políticas como el “Plan Colombia” o la “Seguridad Democrática” lo que buscan es proteger a un limitado número de empresas que quieren explotar los  recursos naturales del país.</p>
<p style="text-align: justify;">A estas políticas militaristas se le suma otra serie de políticas que les facilitan aún más a las empresas sus intereses de explotación. Nuevamente la propaganda a favor de estas políticas se encarga de convencer a la gente que los beneficios que se otorgan a las grandes empresas representan desarrollo para los pueblos y que quienes resisten para exigir respeto a las poblaciones antes que a las empresas están promoviendo el atraso económico. Esta es otra mentira repetida con frecuencia para darle la apariencia de verdad.</p>
<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">Por eso es importante entender el mecanismo de la propaganda. La suma de estrategias, mensajes, ideas y herramientas encaminadas en implantar una doctrina o un pensamiento único es lo que se conoce como propaganda. Esto se hace a través de los medios de comunicación pero también a través de otros medios, por ejemplo, las iglesias,  las políticas públicas, el sistema educativo y muchos más.</div>
<p style="text-align: justify;">La propaganda dirigida por las empresas que controlan el mundo lleva a la gente a pensar que el camino para llegar a la felicidad es el consumo. Por eso muchos anhelan acumular riquezas para comprar productos que no necesitan pero que les dan prestigio social. Ropa, calzado, alimentos, vehículos, electrodomésticos son diseñados primero para satisfacer egos antes que para satisfacer necesidades. La misma propaganda hace ver a los productos hechos por comunidades como inseguros, inservibles o de menor valor.</p>
<p style="text-align: justify;">La propaganda que se utiliza en Colombia por parte del gobierno y de los grupos con grandes intereses económicos tiene diversos objetivos. El primero de ellos es hacerle creer a la gente que las políticas que se hacen benefician a los pobres y a las pequeñas empresas, cuando en verdad benefician a los terratenientes y a los grandes empresarios. Un ejemplo claro es el TLC, el cual es negociado en nombre de la población rural colombiana pero sin su aprobación, puesto que –bien saben ellos- representaría su destrucción. Sin embargo es presentado a la opinión pública como un paso necesario en la economía colombiana con unos –según el gobierno- menores daños colaterales, como la ruina del sector lechero.</p>
<p style="text-align: justify;">El segundo objetivo es promover la idea de que es necesario el incremento del gasto y la ocupación militar para defender a la gente de los ataques de la guerrilla. La verdad es que la violencia se ha recrudecido desde que la presencia militar ha aumentado. Las cifras de disminución de secuestros justifican esta propaganda, sin embargo ocultan el incremento de los asesinatos, las desapariciones, las amenazas y el desplazamiento. Además, la confrontación bélica se presenta como un medio para defender a la gente en sus territorios cuando lo que pretende es expulsarla de estos. Como bien lo dice Héctor Mondragón “en Colombia no hay desplazamiento porque hay guerra, hay guerra para que haya desplazamiento”.</p>
<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">El tercer objetivo es deslegitimar a las personas, los procesos y los gobiernos que piensen diferente al de Colombia relacionándolos con las Farc. Las luchas sociales, las marchas de indígenas, las protestas de los trabajadores son vinculadas con este grupo guerrillero para desprestigiarlas. Lo mismo sucede con  sindicalistas, activistas, periodistas y académicos. Para legitimar esta estrategia  se utilizó y se sigue utilizando el computador del abatido guerrillero Raúl Reyes.</div>
<p style="text-align: justify;">El cuarto objetivo de la propaganda en Colombia consiste en distraer a la gente poniéndola a pensar en cosas inútiles  para que no tengan tiempo ni ganas de pensar en situaciones que afectan sus vidas. Se le da una importancia injustificada al espectáculo, a la moda o a las telenovelas para restarle importancia a información útil que ayude a los pueblos a entender mejor su realidad. La gente tiene el derecho y el deber de entretenerse, pero en Colombia el entretenimiento masivo se utiliza para distraer, engañar y embrutecer.</p>
<p style="text-align: justify;">Sin duda alguna la propaganda como estrategia tiene muchos objetivos más. Por eso es importante interpretar la realidad más allá de la que nos presentan sobre todo los medios de comunicación. Hay que aprender a buscar la información, a escuchar a los que por tanto tiempo los han silenciado para construir nuevas formas de percibir nuestra propia realidad.</p>
<p style="text-align: justify;">Es claro que el actual modelo está en crisis, la Madre Tierra está siendo destruida, los gobiernos continúan sirviendo a un absurdo modelo consumista que arrasa pueblos, culturas y recursos. Es hora de escuchar otras voces. Recurrir a la sabiduría ancestral de los pueblos indígenas para aprender a vivir en armonía con la naturaleza. Liberar el territorio del imaginario que la propaganda ha invadido para reconocer de una vez por todas quiénes nos están engañando y para qué nos están matando.</p>
<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">https://mail.google.com/mail/?hl=pt-BR&amp;shva=1#inbox/129524e256f87189</div>
</div>
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		<title>Tribuna do Norte também &#8220;alega&#8221;. E mal.</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jun 2010 10:20:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[criminalização]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[violência simbólica]]></category>

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		<description><![CDATA[Tania Pacheco
Uma das primeiras lições para a formação de um bom jornalista é o valor diferenciado a ser dado aos verbos, quando se quer induzir uma opinião. Ensina-se, por exemplo, que há uma grande diferença quando o leitor lê que João da Silva afirma, declara, se justifica, diz, se defende, explica, reitera, ratifica ou, no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Tania Pacheco</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das primeiras lições para a formação de um bom jornalista é o valor diferenciado a ser dado aos verbos, quando se quer induzir uma opinião. Ensina-se, por exemplo, que há uma grande diferença quando o leitor lê que João da Silva afirma, declara, se justifica, diz, se defende, explica, reitera, ratifica ou, no caso em questão, &#8220;alega&#8221; alguma coisa. Dependendo do verbo utilizado, a &#8220;declaração&#8221; tem ou não valor, deve ou não ser aceita ou sumariamente posta em dúvida ou desprezada.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao escrever que o &#8220;Advogado alega que a prisão de índio em Mossoró é ilegal&#8221;, a <em>Tribuna do Norte</em>, jornal ligado à rede Globo no Rio Grande no Norte, começa, pois, por desqualificar as declarações do advogado em questão. E não só dele. Ao usar a palavra &#8220;índio&#8221;, em lugar do nome de Babau, cujo caso já ultrapassou as fronteiras nacionais, dá mais um passo na tentativa de sua invisibilização.</p>
<p style="text-align: justify;">Finalmente, todo o cunho tendencioso da matéria é claramente desnudado quando a TN decide &#8220;praticar bom jornalismo&#8221; e &#8220;oferecer&#8221; a seus leitores uma breve síntese do caso. E escreve:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Rosivaldo, <strong>conhecido como</strong> o “Cacique Babau”, foi preso pela PF no dia 10 de março, no município de Buerarema, a 451 quilômetros de Salvador, na Bahia. Ele responde a, <strong>no mínimo, </strong>dez inquéritos, <strong>que incluem</strong> acusações de sequestro, furto, invasão de propriedade privada, incêndio criminoso, porte ilegal de armas, ameaça e formação de quadrilha. Cacique Babau estava preso na Superintendência da Polícia Federal na Bahia.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele é um dos líderes do grupo de três mil pessoas <strong>que se dizem pertencentes à tribo Tupinambá</strong>, que habitava a Bahia <strong>na época da chegada de Pedro Álvares Cabra</strong>l. Ele é acusado pela polícia baiana de <strong>aterrorizar a região onde vive</strong>, usando a violência. <strong>A justificativa dos índios para as ações violentas </strong>seria a retomada das terras pertencentes à tribo, <strong>que são particulares</strong>. Sua prisão resultou em <strong>protestos de defensores dos índios, </strong>que <strong>descrevem a ação como racismo&#8221;</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Não vou abusar da inteligência de ninguém justificando os negritos que coloquei no texto. Eles falam por si. E são tendenciosamente revoltantes.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>Como demonizar populações vulneráveis</title>
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		<pubDate>Wed, 19 May 2010 00:18:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Washington Araújo *
Adital &#8211; Na matéria &#8220;A farra da antropologia oportunista&#8221; (Veja nº 2193, de 5/5/2010), seus autores realizam uma proeza e tanto. Conseguem colocar de pé verdadeiros totens em adoração à ignorância acadêmica, ao capitalismo redentor de todas as mazelas humanas, ao agronegócio-bóia de salvação da economia brasileira. E também à tendenciosidade.
Ao longo de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">Washington Araújo *</div>
<p style="text-align: justify;">Adital &#8211; Na matéria &#8220;A farra da antropologia oportunista&#8221; (Veja nº 2193, de 5/5/2010), seus autores realizam uma proeza e tanto. Conseguem colocar de pé verdadeiros totens em adoração à ignorância acadêmica, ao capitalismo redentor de todas as mazelas humanas, ao agronegócio-bóia de salvação da economia brasileira. E também à tendenciosidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao longo de sete páginas (154 a161) com 13 parágrafos totalizando 1.466 palavras e adicionais nove boxes, com direito a nove fotos e nove mapas, a reportagem dirige sua bateria de mísseis, pela ordem, aos (1) índios em geral, (2) antropólogos, (3) negros em geral, (4) quilombolas em particular, (5) padres católicos, (6) dirigentes e funcionários de organizações não-governamentais, (7) agentes públicos e (8) ativistas políticos. E é farta em números, números que fariam matemáticos se arrepiar ante a ginástica apresentada para dar conta que &#8220;áreas de preservação ecológica, reservas indígenas e supostos antigos quilombos abarcam, hoje, 77,6% da extensão do Brasil. Se a conta incluir também os assentamentos de reforma agrária, as cidades, os portos, as estradas e outras obras de infraestrutura, o total alcança 90,6% do território nacional.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">E, como habitual em matérias cuidadosamente planejadas para demonizar populações vulneráveis do país &#8211; aqui, entram indígenas e afrodescendentes &#8211; e aqueles que se atrevem a levantar a voz em sua defesa, não faltam unidades de medida no mínimo curiosas: &#8220;Isso equivale a São Paulo e Minas Gerais&#8221;, ou aquilo será como perder &#8220;todo um Pernambuco&#8221;.<span id="more-2083"></span><br />
Coleção de antipérolas</p>
<p style="text-align: justify;">Para fazer jus ao tom escrachado, denunciatório e condenatório do título da matéria (&#8220;A farra da antropologia oportunista&#8221;), iremos deparar com os subtítulos, os títulos dos boxes em seu lugar de destaque: &#8220;Os novos canibais&#8221;; &#8220;Um país loteado&#8221;; &#8220;Teatrinho na praia&#8221;; &#8220;Macumbeiros de cocar&#8221;; &#8220;Made in Paraguai&#8221;; &#8220;Índio bom é índio pobre&#8221;; &#8220;Problema dos brancos&#8221;; &#8220;Os ‘carambolas’&#8221;; &#8220;Não basta ser negro&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">É impressionante a capacidade que a revista tem para ofender os índios, os antropólogos, os negros. E também é demolidora sua ação contra os princípios comezinhos do bom jornalismo, aquele que nos incita a sermos isentos e imparciais na feitura de reportagens, em especial aquelas com tantos protagonistas.</p>
<p style="text-align: justify;">Chama a atenção, como ovo quebrado em avental de médico, que nenhuma das vozes mencionadas no texto ofereça uma frase sequer em defesa dos índios, em defesa da demarcação de terras indígenas, em defesa da existência de quilombos no Brasil, em defesa dos critérios científicos adotados pelos antropólogos brasileiros (ou não) visando à delimitação de reservas indígenas. Também nosso raciocínio recebe portentoso olé &#8211; desses que craques do futebol brasileiro ofereciam a nossos ‘hermanos’ argentinos &#8211; quando busca encontrar no texto uma fala sequer de índio que expresse felicidade por ter conseguido, após tantas décadas de luta, o reconhecimento de seu direito à posse de terras mais alargadas, amplas.</p>
<p style="text-align: justify;">Na matéria, chama atenção o palavreado usado, claramente beligerante, com frases que semeiam suspeitas e um rol de ofensas direcionadas aos índios, aos negros e a quem mais se dedique a estudá-los, conhecê-los e defendê-los. Decidi-me a coligir tais antipérolas: &#8220;expiar pecados&#8221; (da escravatura); &#8220;rito sumário&#8221; (usado no processo de delimitação de terras); &#8220;indústria de demarcação&#8221;; &#8220;motivos pretensamente nobres&#8221; (de quem trabalha com os processos de demarcação); &#8220;nenhum rigor científico&#8221; (trabalho de antropólogos); &#8220;teor ideológico de esquerda propensa a extinguir o capitalismo&#8221; (realmente, dá para arder na fogueira ou ir para a câmara de gás usada pelos nazistas nos anos 1940); &#8220;ressuscitam povos extintos&#8221; (pá de cal sobre o que poderia ser trabalho científico sério); &#8220;montar processos&#8221; (ideia de linha de produção de coisas levianas); &#8220;destruição de perspectivas econômicas de região inteira&#8221; (entre dignidade de povos ultrajados e produção agrícola mecanizada&#8230;).</p>
<p style="text-align: justify;">E tem mais: &#8220;teatro do absurdo&#8221; (dignidade usurpada aos índios passa a ser esta vertente teatral); &#8220;idéia maluca&#8221; (devolver terra para índio); &#8220;escândalo de proporções amazônicas&#8221; (decisão do Supremo Tribunal Federal do Brasil demarcando a reserva Raposa Serra do Sol); &#8220;nem sequer prestou contas&#8221; (lançando nevoeiro de suspeição de grossa corrupção sobre ONG); &#8220;aberração científica&#8221; (para quem embarcou no boimate, a turma entende do riscado); &#8220;pretensas raízes&#8221; (raízes falsas); &#8220;leniência&#8221; (vista grossa da Funai); &#8220;grupo de ribeirinhos que de repente se descobriram índios&#8221; (ribeirinhos ordinários, patifes, safardanas); &#8220;declarar-se índio é uma farra&#8221; (uma troça, caçoada, brincadeira licenciosa); &#8220;índio verdadeiro ou das Organizações Tabajaras&#8221; (opção pela execração e repulsa aos indígenas, dando mais crédito às gagues do programa global Casseta &amp; Planeta); &#8220;carambola&#8221; (forma depreciativa e vil para designar quilombolas, isto é, moradores de quilombos originais).</p>
<p style="text-align: justify;">Adjetivo bem aplicado</p>
<p style="text-align: justify;">Quando lemos o caudaloso texto, vemos que este, por sua natureza peculiar, desemboca sempre nas mesmas ilhas de pensamento. E passamos a desconfiar da força dessas águas, a meu ver turvas e barrentas. Existem reportagens que pecam pelo excesso e demonstram à larga que tudo o que excede os limites da moderação é fogo mortal a consumir a honestidade intelectual e a pureza de intenção dos autores. É este o calcanhar da reportagem. De tanto atacar e de tanto ocultar o contraditório que tema dessa monta costuma suscitar na sociedade brasileira, não me causou admiração que, em menos de 24 horas de sua chegada às bancas de todo o país, um dos mais renomados antropólogos brasileiros &#8211; Eduardo Viveiros de Castro &#8211; viesse a público simplesmente dizer o seguinte:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Aos Editores da revista Veja:<br />
Na matéria ‘A farra da antropologia oportunista’ (Veja ano 43, nº 18, de 05/05/2010), seus autores colocam em minha boca a seguinte afirmação: ‘Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente cultural original’. Gostaria de saber quando e a quem eu disse isso, uma vez que (1) nunca tive qualquer espécie de contato com os responsáveis pela matéria; (2) não pronunciei em qualquer ocasião, ou publiquei em qualquer veículo, reflexão tão grotesca, no conteúdo como na forma. Na verdade, a frase a mim mentirosamente atribuída contradiz o espírito de todas as declarações que já tive ocasião de fazer sobre o tema. Assim sendo, cabe perguntar o que mais existiria de ‘montado’ ou de simplesmente inventado na matéria. A qual, se me permitem a opinião, achei repugnante.<br />
Grato pela atenção.<br />
Eduardo Viveiros de Castro&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Poucas vezes o adjetivo categórico será tão bem aplicado como faço aqui ao designar este desmentido de Viveiros de Castro. O vocábulo, de origem grega (kategorikós), reúne de uma só vez os significados claro, explícito, positivo. E o texto de Viveiros de Castro poderia servir de ilustração ao verbete em qualquer dicionário que se preze.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Relatórios ressuscitaram povos extintos&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Ato quase contínuo, o também antropólogo, professor da Universidade Federal Fluminense e ex-presidente da Funai Mércio Pereira Gomes, citado na matéria, publicou nota em seu site, reproduzida neste Observatório, da qual destaco o seguinte trecho:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;(&#8230;) Mais uma vez, a revista Veja traz em suas páginas matéria cheia de injúrias aos povos indígenas brasileiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Não pode passar despercebido ao mais desavisado e ingênuo leitor dessa revista o ranço, o azedume de preconceitos e vícios jornalísticos apresentados sobre a questão indígena brasileira. Porém, a factualidade do texto também está comprometida por desvirtuamentos de pesquisa, compreensão e análise que certamente intencionam provocar uma impressão extremamente negativa da questão indígena em nosso país.</p>
<p style="text-align: justify;">Os autores da matéria ‘A farra da antropologia oportunista’, ao que tudo indica jornalistas jejunos no trato de tais assuntos, parecem perseguir uma linha editorial ou um estilo jornalístico em que a busca de objetividade possível é relegada ao interesse ideológico de denegrir as conquistas dos segmentos mais oprimidos do povo brasileiro e demonstrar o seu favorecimento aos poderosos da nação. Primam por um estilo sardônico, próprio de jornalistas que fazem de seu ofício a defesa inquestionável do status quo social e econômico brasileiro, aludem a supostos fatos a partir de evidências descontextualizadas e apresentam citações sem a mínima preocupação com comprovação. (&#8230;)&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Veja afirma que existe no Brasil &#8220;uma verdadeira indústria de demarcação&#8221;. Será mesmo? Quem seriam os industriais, os donos dessas fábricas? Não teria sido adequado que Veja apresentasse em seu texto as características dessa indústria, as fases do tal processo industrial que enseja a demarcação? Com o dedo ainda no gatilho, os autores da matéria lançaram outro torpedo, igualmente sem maiores explicações, sem detalhamento, sem apresentar evidências que sustentem:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;(&#8230;) A maioria desses laudos é elaborada sem nenhum rigor científico e com claro teor ideológico de uma esquerda&#8230; Alguns relatórios ressuscitaram povos extintos há mais de 300 anos. Outros encontraram etnias em estados da federação nos quais não há registro histórico de que elas tenham vivido lá. Ou acharam quilombos em regiões que só vieram a abrigar negros depois que a escravatura havia sido abolida.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Aberração científica&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Não seria o caso de utilizar alguns dos vários boxes com fac-símiles de dois ou três dos laudos pinçados da &#8220;maioria de laudos sem nenhum rigor científico&#8221;? Quais eram os povos indígenas exterminados nos 1700? Como ocorreu seu ressuscitar? O que a academia tem a dizer, contra ou favor, de tão estupenda declaração? A forma desabrida com que as acusações são arremessadas me fez pensar naquela notícia de Veja com gosto de tomate.</p>
<p style="text-align: justify;">Explico. Na edição 764, de 27 de abril de 1983, Veja publicou matéria tomando 2/3 da página 84. Estava na seção &#8220;Ciência&#8221; com o título &#8220;Fruto da carne&#8221; e subtítulo &#8220;Engenharia genética funde animal e vegetal&#8221;. O lide da matéria abria com: &#8220;Familiarizados com as delicadas estruturas das células&#8230;&#8221; Pois bem, a matéria dava conta que &#8220;dois biólogos&#8221; da Universidade de Hamburgo, Alemanha, Barry MacDonald e William Wimpey, haviam conseguido fazer o cruzamento de boi com tomate e o resultado era uma tenra carne que já vinha com molho.</p>
<p style="text-align: justify;">Brincadeira? Não. Basta conferir o acervo digital da revista e se deliciar (sem trocadilhos, é claro) com a saborosa história que é hoje um clássico do jornalismo brasileiro. Aliás, a edição comemorativa de seus 30 anos traz referência ao assunto: &#8220;Boimate &#8211; Num ousado avanço da biologia molecular, dois biólogos de Hamburgo, na Alemanha, fundiram pela primeira vez células animais com células vegetais &#8211; as de um tomateiro com as de um boi. Deu certo.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">A matéria parece reproduzir famosa cena do filme Scarface em que Al Pacino, encarnando o mafioso absolutamente fora de controle, atinge tudo à sua volta, qual metralhadora humana giratória, mirando sempre até onde seus olhos alcancem. Escreveu Veja:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A ganância e a falta de controle propiciaram o surgimento de uma aberração científica. Antropólogos e indigenistas brasileiros inventaram o conceito de ‘índios ressurgidos’. Eles seriam herdeiros de tribos extintas há 200 ou 300 anos.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Depois do boimate ressuscitado acima, fica difícil os autores falarem de &#8220;aberração científica&#8221;, não acham? Por que Veja não nomeou ao menos meia dúzia, três ou apenas dois dos tais antropólogos e indigenistas brasileiros que inventaram o conceito de ‘índios ressurgidos’? Até entendo: será que haveria processo? Curioso é que nomes de líderes indígenas são sempre nomeados. Estranho? Não, no caso aqui abordado, é apenas praxe mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Governo gasta 250% mais com saúde de índio&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Outra investida afirma que &#8220;(&#8230;) em vários desses grupos, ninguém é capaz de apontar um ancestral indígena nem de citar costumes tribais. Veja deparou com comunidades usando cocares comprados em lojas de artesanato&#8221;. Chega a ser risível a natureza da afirmação. Por acaso os brancos que vivem no Brasil &#8211; ou seja, não índios, não negros &#8211; saberiam apontar um ancestral português? No máximo, chegamos até nossos bisavôs. E, considerando a oralidade marca registrada das culturas indígena e africana, não considero razoável abordar um índio com questão como esta: &#8220;O senhor saberia me apontar algum ancestral seu?&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Os autores da matéria deveriam saber que quando morre um índio muito idoso é, para sua tribo, como se tivesse sido incendiado a Biblioteca de Alexandria. O mesmo para quando morre um preto velho na África. A cultura é oral. E sendo oral, haja memória para abarcar nomes de seus ascendentes, já sendo difícil nomear todos os descendentes&#8230; Quanto a usar cocares &#8220;comprados em lojas de artesanato&#8221;, nada mais natural e nada de extraordinário. Ninguém nunca viu documentários sobre os índios no Xingu, sobre os Pataxós, os Kiriris, sobre os Kaingangues, sobre os Terenas? Qualquer documentário informará que sua principal atividade econômica é o comércio de&#8230; artesanato. O que inclui colares e cocares, maracás, brincos de pedras e penas multicoloridas, saias de palha seca, arcos e flechas belamente enfeitados e outros artigos mais. Pela lógica da matéria deveria causar espanto saber que brancos usam camisas compradas na Aramis ou na Colombo, ao invés de fazerem eles mesmos seus trajes.</p>
<p style="text-align: justify;">Para não cansar o leitor, cito mais um trecho da desditosa reportagem. Diz assim:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;No governo do PT, basta ser reconhecido como índio para ganhar Bolsa Família e cesta básica. O governo gasta 250% mais com a saúde de um índio &#8211; verdadeiro ou das Organizações Tabajara &#8211; do que com a de um cidadão que (ainda) não decidiu virar índio.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Diferenças ambientais amplificadas</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Tão afáveis, tão pacíficos, são eles&#8221;, escreveu Cristovam Colombo ao rei e à rainha da Espanha, &#8220;que juro a Vossas Majestades que não há no mundo uma nação melhor. Amam seus próximos como a si mesmos, e sua conversa é sempre suave e gentil e acompanhada de sorrisos; embora seja verdade que andam nus, suas maneiras são decentes e elogiáveis.&#8221; Colombo, sendo um europeu bem intencionado, convenceu-se de que o povo deveria ser posto a trabalhar, plantar e fazer tudo que é necessário para adotar nossos costumes. Em reação à resistência dos povos indígenas a aceitar os costumes europeus, os colonizadores, utilizando-se de sabres e armas de fogo, trucidaram centenas de milhares de pessoas, dizimaram tribos inteiras, em menos de uma década após Colombo ter pisado na praia de São Salvador (12 de outubro de 1492).</p>
<p style="text-align: justify;">No livro A Conquista da América Latina vista pelos Índios, Miguel León-Portilla resgata este lamento dos povos indígenas à época do descobrimento:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Então, tudo era bom e então os deuses foram abatidos. Havia neles sabedoria. Não havia então pecado. Não havia então enfermidade. Não havia dor de ossos. Não havia febre para eles. Não havia varíolas. Retamente ia seu corpo então&#8230; Não foi assim que fizeram os dzules (estrangeiros) quando chegaram aqui. Eles nos ensinaram o medo, vieram fazer as flores murchar. Para que sua flor vivesse, danificaram e engoliram nossa dor&#8230;&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Ninguém lê mais Bartolomé de Las Casas? Ninguém leu Darcy Ribeiro? Ninguém passou os olhos nos excelentes textos dos irmãos Villas-Boas? Se não fez, obviamente não sabe quão frágil é a saúde de um índio. Se tivessem lido Armas, germes e aço, do biólogo evolucionário, fisiologista e biogeógrafo Jared Diamond, vencedor do Prêmio Pulitzer, saberiam o que levou a civilização da Eurásia, como um todo, a sobreviver e a conquistar outras civilizações e entenderia também sua maneira realmente brilhante de refutar a crença de que a hegemonia eurasiana seria devida a alguma forma de superioridade intelectual ou moral. É o mesmo Diamond quem afirma &#8211; com bons argumentos &#8211; que as diferenças de poder e tecnologia entre as sociedades humanas não refletem diferenças culturais ou raciais, mas sim, são causadas por diferenças ambientais amplificadas por diversas retroalimentações positivas.</p>
<p style="text-align: justify;">Assunto mobilizador</p>
<p style="text-align: justify;">Os autores poderiam se inteirar mais acerca do trabalho antropológico. Perceberiam rapidamente, e com ampla margem de assertividade, que esse trabalho é necessariamente resultado de ação política, mesmo quando o profissional realiza unicamente trabalho de campo, segundo os cânones da ciência, pois o exercício da antropologia volta-se para a demonstração da diversidade cultural na tentativa de compreendê-la. E não poderiam deixar de lado a compreensão que os resultados obtidos pelos antropólogos funcionam (note-se: independente da vontade do profissional) como mísseis direcionados às certezas estabelecidas, suavemente apreciadas pelo mundo ocidental, pois o homem não realiza sua natureza ímpar numa humanidade abstrata, como, aliás, já nos ensinava mestre Lévi-Strauss.</p>
<p style="text-align: justify;">Os povos indígenas possuem imensa capacidade de expressão oral, mas as ferramentas de trabalho do antropólogo não captam metade (50%) do que nos é dito, sendo claramente otimista. Dado à sua natureza, tal fato transforma laudos em peças nem sempre muito expressivas, se considerarmos a gravidade e complexidade das dificuldades e, sobretudo, os conflitos referidos pelos demandantes dos serviços antropológicos. Por outro lado, os povos indígenas, ao se expressarem com eloqüência em seus próprios idiomas, nem sempre são compreendidos pelos agentes públicos, pois usam epistemologia própria. Mas é correto afirmar que esses agentes, mesmo sem compreender integralmente o dito, terminam por decidir suas vidas, desde o apoio às suas reivindicações até a solução de conflitos de terra. As questões e desafios enfrentados pelos antropólogos não passam, unicamente, pela diferença, mas, especialmente, pelo entendimento da diversidade como direito à diferença, e não como sinônimo de desigualdade. Creio que tais pensamentos estavam a anos-luz dos que escreveram &#8220;A farra da antropologia oportunista&#8221;. Estarei errado? Julgue o leitor.</p>
<p style="text-align: justify;">A esta altura, o leitor já deve ter observado que o assunto me mobiliza completamente. É que em 1978 vivi algum tempo na tribo indígena dos Kiriris, em Mirandela, no sertão baiano. Em 1991, meu primeiro livro buscou resgatar o descobrimento da América na visão dos próprios índios e se chamou Estamos desaparecendo da Terra. Em 1994, viajei por 14 cidades espanholas fazendo palestras em duas dezenas de universidades com o assunto do livro, que ganhou bela edição em Madri. Em 1997, fui ao México e durante 27 dias apresentei meu segundo livro sobre o tema: O esquecimento está cheio de memória.</p>
<p style="text-align: justify;">Os condenados da Terra</p>
<p style="text-align: justify;">Tendo em mente o mal-estar que me causou a leitura da reportagem de Veja, e vendo sua clara intenção em encobrir, uma vez mais, a voz e a visão dos próprios indígenas, entendo ser mais que oportuno começar a preencher a imensa solidão de espírito que seus autores lançaram sobre os remanescentes indígenas do Brasil. É notório que aqueles que leram a tal matéria encontraram argumentos, na maioria, falaciosos, para justificar animosidades e preconceitos para com os povos indígenas. Afinal, em nenhum box, em nenhuma situação, o personagem índio (ou negro) apareceu em situação positiva, sob algum enfoque positivo. Ao contrário, faltou bem pouco para que os autores concluíssem que o maior flagelo que jamais acometeu o Brasil foi a existência de seus povos originais.</p>
<p style="text-align: justify;">Escutemos a palavra de algumas de nossas nobres e valentes lideranças indígenas. Estes que, como quer fazer crer o jornalismo praticado por Veja, são vistos por expressões nada lisonjeiras como as já mencionadas aqui: &#8220;novos canibais&#8221;, &#8220;made in Paraguai&#8221;, ou então, pelo não menos ofensivo &#8220;macumbeiros de cocar&#8221;. Dediquemos alguns minutos mais para escutar a voz desses condenados da Terra:</p>
<p style="text-align: justify;">- De Sampré, da Tribo Xerente: &#8220;Nosso sofrimento começou com o primeiro navio que chegou ao Brasil.&#8221;<br />
- De João Tintim, Avelezim e Carmindo Maxacali: &#8220;O homem branco, aquele que se diz civilizado, pisou duro não só na terra, mas na alma do seu povo&#8221; (Carta ao deputado Mário Juruna, em 10/08/83).<br />
- De Eugênio, da Tribo Bororó: &#8220;Mas quem compreende um pouco a criatura, não ignora que Deus lhes deu poder. Nós usamos o remédio das plantas. Temos crenças, benzedores. Acreditamos que Deus colocou a natureza para o homem aproveitá-la. Deus criou todas as coisas, todos os animais, para o índio servi-lo. Nosso povo não pode se esquecer da tradição. Interessa-nos só o que é nosso. O que é importante em nossa vida é nosso costume.&#8221;<br />
- De Tupa’y, da Tribo Guarani: &#8220;Não queremos emancipação, nem integração. Queremos o nosso direito de viver. Jamais o branco compreenderá o índio. Queremos ser um povo livre como antigamente. O índio está cercado, amordaçado por uma burocracia que não funciona. Por isso nós vamos a campo&#8221;.<br />
- De Umuru, índio da tribo, contando 70 anos de idade: &#8220;Difícil na cidade um falar com outro. Ora, índio quando se encontra é uma festa, muita conversa, muita alegria, pouca pressa.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Respeito, admiração e apreço</p>
<p style="text-align: justify;">Aproveito este espaço para repercutir estes excertos do discurso de Marçal de Sousa, da tribo Guarani, assassinado em 1983, feito por ocasião da visita de João Paulo II ao Brasil, em julho de 1980:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Eu sou representante da grande tribo Guarani. Quando nos primeiros anos, com o descobrimento dessa grande pátria, nós éramos uma grande nação e hoje eu não poderia, como representante dessa nação que hoje vive à margem da chamada civilização&#8230; não poderíamos nos calar pela sua visita a este país. Como representante, por que não dizer, de todas as nações indígenas que habitam este país que está ficando tão pequeno para nós e tão grande para aqueles que nos tomaram esta pátria. Somos uma nação subjugada pelos potentes, espoliada, uma nação que está morrendo aos poucos sem encontrar o caminho porque aqueles que nos tomaram este não têm dado condições para a nossa sobrevivência&#8230; Leve o nosso clamor, a nossa voz, para outros territórios que não são nossos, mas que o povo, uma população mais humana lute por nós porque o nosso povo, uma população mais humana lute por nós, porque o nosso povo, a nossa nação indígena, está desaparecendo do Brasil. Este é o país que nos foi tomado&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta década inicial do século 21, quando o mundo é marcado pela tolerância cosmopolita preconizada pela Declaração Universal dos Direitos Humanos pós-II Guerra Mundial e consolidada pelos receios produzidos pelo nazismo, considero tal matéria como correndo a passos largos na contramão da História. E se existe um povo que merece respeito, admiração e apreço, não tenho dúvida alguma, é o povo indígena. E não importa em que parte do Brasil esteja radicado e muito menos em que parte das América seja encontrado. Respeito. Será pedir muito?</p>
<p style="text-align: justify;">[Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br].</p>
<p style="text-align: justify;">* Jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pela UNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil, Argentina, Espanha, México</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&amp;lang=PT&amp;cod=47843</p>
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		<title>Belo Monte no Fantástico: o desaparecimento dos especialistas</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2010/05/belo-monte-no-fantastico-o-desaparecimento-dos-especialistas/</link>
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		<pubDate>Tue, 18 May 2010 09:21:56 +0000</pubDate>
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		<guid isPermaLink="false">http://racismoambiental.net.br/?p=2008</guid>
		<description><![CDATA[Por Rodolfo Salm
No dia 16 de abril, quatro dias antes do fictício leilão da hidrelétrica de Belo Monte, um produtor do Fantástico telefonou-me, marcando uma entrevista com a repórter Sônia Bridi para a semana seguinte. Assim, recebemos no feriado de Tiradentes a equipe do programa na Faculdade de Ciências Biológicas da UFPA, em Altamira, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">Por Rodolfo Salm</div>
<p style="text-align: justify;">No dia 16 de abril, quatro dias antes do fictício leilão da hidrelétrica de Belo Monte, um produtor do Fantástico telefonou-me, marcando uma entrevista com a repórter Sônia Bridi para a semana seguinte. Assim, recebemos no feriado de Tiradentes a equipe do programa na Faculdade de Ciências Biológicas da UFPA, em Altamira, e gravamos à beira do rio Xingu. Temos aqui três representantes do Painel de Especialistas, que é um grupo de 40 cientistas de renomadas instituições de pesquisa (USP, UNICAMP, ITA, UNB, UFRJ, UFPA, UFPE, UFSC, INPA e Museu Goeldi, dentre outras) responsável pela leitura crítica do Estudo de Impacto Ambiental de Belo Monte, que atestou sua inviabilidade. Eu e o professor Hermes de Medeiros da Faculdade de Biologia esforçamo-nos ao máximo para falar à jornalista sobre os vários aspectos desta possível tragédia: as mentiras segundo as quais se trata de uma &#8220;energia limpa&#8221;; que produziria muita energia; que é viável economicamente; e que não destruiria o Xingu ou a Amazônia.</p>
<p style="text-align: justify;">Perguntado sobre o que Belo Monte precisaria para ser viável, respondi que um projeto de barrar o Xingu seria desastroso sob quaisquer circunstâncias e que esta obra, se levada a cabo, poderia resultar na destruição de metade da floresta Amazônica, num efeito dominó marcado pela profunda intensificação da força de todos os principais agentes de desmatamentos: a pecuária, os madeireiros, as invasões de florestas públicas e de terras indígenas etc. A jornalista nos adiantou que não haveria muito tempo disponível para nós na matéria que iria ao ar, que conseguira apenas cinco minutos para tratar do assunto e que ainda entrevistaria um representante do Consórcio Belo Monte, organização local que defende a construção da usina.</p>
<p style="text-align: justify;">No domingo 25 de abril, o Fantástico, para minha decepção, além de não incluir na edição da reportagem nem uma frase nossa, com a exceção das falas dos índios, deu todo o espaço para a manifestação dos defensores da obra. E, pior, deixou truncada a única e isolada frase em referência ao Painel de Especialistas, possivelmente criando uma confusão para o telespectador médio e não sintonizado com a guerra que se trava em torno desta obra. Neste trecho, o responsável pelo projeto, Maurício Tolmasquim, garante &#8220;uma vazão que seja condizente com a manutenção da piscicultura, a manutenção da navegação, com a manutenção da vida das comunidades que vivem do rio&#8221;.<span id="more-2008"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Trata-se de uma mentira. Mais uma da infindável série de mentiras disparadas sem constrangimento pelos proponentes da obra (tal como a maior de todas, de Lula, que afirmou em 22 de julho de 2009 durante reunião com importantes personalidades contrárias à obra, incluindo Dom Erwin, o bispo do Xingu, que Belo Monte não nos seria &#8220;empurrada goela abaixo&#8221;). Basta recordar as conclusões emitidas pela própria equipe de Licenciamento Ambiental do IBAMA, sobre a análise técnica do Estudo de Impacto Ambiental de Belo Monte:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Ressalta-se que, tendo em vista o prazo estipulado pela presidência, esta equipe não concluiu sua análise a contento. Algumas questões não puderam ser analisadas na profundidade apropriada, dentre elas as questões indígenas e as contribuições das audiências públicas. O estudo sobre o hidrograma de consenso não apresenta informações que concluam acerca da manutenção da biodiversidade, a navegabilidade e as condições de vida das populações do trecho de vazão reduzida (que ocuparia grande parte da Volta Grande do Xingu, que teria a maior parte de seu fluxo de água desviado por canais colossais conduzindo-o às turbinas da hidrelétrica). A incerteza sobre o nível de estresse causado pela alternância de vazões não permite inferir a manutenção das espécies, principalmente as de importância sócio-econômica, a médio e longo prazo. Os impactos decorrentes do afluxo populacional não foram dimensionados a contento. Conseqüentemente, as medidas apresentadas, referentes à preparação da região para receber esse afluxo, não são suficientes e não definem claramente o papel dos agentes responsáveis por sua implementação. Há um grau de incerteza elevado acerca do prognóstico da qualidade da água, principalmente no reservatório dos canais&#8221;, lê-se em trechos do documento.</p>
<p style="text-align: justify;">O pior é que a edição do Fantástico, refere-se rapidamente ao Painel de Especialistas sem explicar do que se trata nem citar os problemas para os quais alertamos, talvez por tê-lo eliminado de última hora: &#8220;O risco de destruição foi apontado por um painel de 40 cientistas&#8221;. Esta é uma afirmação forte, que pede algum detalhamento maior, além da imagem de algum desses cientistas. Afinal, temos representantes nossos e de praticamente todas as grandes universidades brasileiras! Mas ao invés disso o vídeo passa rapidamente à declaração enganosa de Maurício Tolmasquim. Assim, pode ter dado a impressão, ao telespectador desinformado (aquele que no começo da matéria perguntava se Belo Monte é um bar ou &#8220;alguma coisa ligada à moda&#8221;) que o engenheiro do governo é o representante da equipe de pesquisadores que cientificamente condena o projeto!</p>
<p style="text-align: justify;">Em outro trecho da reportagem dizem: &#8220;Os Araras vivem bem na curva da Volta Grande do Xingu, esse pedaço do rio que vai ter a vazão controlada. Depois de construída a represa, o Xingu não vai ter nem cheia, nem seca. Vai correr sempre no mesmo nível. O que os Araras temem é que o rio seque, a água fique quente demais e mate os peixes, que são a fonte da vida na aldeia&#8221;. Na verdade, o mais grave não é tanto que quase 100 km do rio Xingu não teriam mais o ciclo de cheias e secas, mas que todo este trecho teria sua vazão extremamente reduzida. A vazão até poderia ser controlada sim (algo que nem poderíamos ter garantia, dada a seqüência infindável de mentiras acerca desta obra), mas em um nível extremamente baixo. E não são só os índios que temem que &#8220;a água fique quente demais e mate os peixes&#8221;. Quem afirma que isso aconteceria, se essa obra for levada adiante, são os pesquisadores. Que acrescentam também que as poças criadas no trecho de rio seco serão focos para a proliferação de pragas e doenças.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de quase toda a grande imprensa dar a construção da barragem como certa, não gostei do começo, quando, do alto da ilha Pimental, Sônia Bridi disse: &#8220;A barragem da usina de Belo Monte vai passar exatamente aqui&#8221;. Eu preferia algo como &#8220;é aqui que pretendem construir&#8230;&#8221;, pois não há nada de definitivo sobre Belo Monte, ainda mais por se tratar de um projeto caro, anti-econômico, destrutivo, conduzido com base na infração de diversas leis e no controle do Executivo sobre o Judiciário.</p>
<p style="text-align: justify;">Além do mais, teremos as eleições presidenciais e, com relação ao leilão de Belo Monte, José Serra comentou: &#8220;Neste processo, houve tanta complicação ambiental e tanta falta de transparência que a gente sabe que vai haver problema. Dizia-se que era o capital privado, e a gente está vendo agora que é o governo. É uma coisa muito cara para você fazer de maneira atropelada&#8221;. Pra piorar, o governo entra com todo o financiamento, todo o risco, mas não terá nada do controle, nem da gestão, pois as empresas estatais participantes têm ligeiramente menos que 50% de participação na usina.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre a sua visita à aldeia dos índios Xicrin do Bacajá (um ramo dos Kayapó), a jornalista observou que eles fazem &#8220;a dança da guerra, mas o ânimo que encontramos não foi o de guerreiros prontos para a batalha e sim o de um povo com medo e sem saber o que esperar do futuro&#8221;. Quando ela me falou a mesma coisa pessoalmente, disse-lhe que são os Kayapó do Alto Xingu, que são mais poderosos, numerosos e organizados que os Xicrin, que teriam mais condições de segurar essa barra e salvar o nosso país desta obra desastrosa. Até porque têm até mais experiência, já que em 1989 barraram a construção da mesma usina, então chamada Kararaô.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao longo da semana subseqüente, foi publicada, apenas no site do Fantástico na Internet, uma reportagem com parte do vídeo que fizemos (Especialista diz que destruição da Bacia do Xingu terá consequências no planeta). Sobre esta matéria complementar, que em parte corrige o estrago (apesar da audiência do site ser incomparavelmente menor que a do programa de TV), cabe também uma observação. Ao seu final, o apresentador Zeca Camargo concluí: &#8220;No Fantástico, o responsável pelo projeto tranqüilizou a população da volta grande do Xingu, mas a discussão continua&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, a discussão continua, talvez não tanto no Fantástico, que tem quase todo o seu tempo voltado para assuntos &#8220;mais importantes&#8221;. Mas a população da Volta Grande do Xingu não ficou nem um mililitro mais tranqüila, porque tem pavor da idéia de seu rio, sagrado, magnífico, secar. E não é boba nem desinformada, portanto, não se engana com a conversa mentirosa e já conhecida do presidente da Empresa de Pesquisa Energética.</p>
<p style="text-align: justify;">Em favor do Fantástico, podemos dizer o programa conseguiu fazer em parte o que somos incapazes de fazer: colocar para a população, como um todo, o outro lado, os índios e as comunidades. Um programa popular, falando de seus medos, do impacto da usina em suas vidas. Toda a situação em torno de Belo Monte é tão absurda que mesmo uma reportagem falha ainda assim termina servindo-nos bastante.</p>
<p style="text-align: justify;">Rodolfo Salm, PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, é professor da Universidade Federal do Pará.</p>
<p>http://www.correiocidadania.com.br/content/view/4641/9/</p>
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		<title>‘Veja foi indispensável para construir o neoliberalismo’, afirma pesquisadora</title>
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		<pubDate>Fri, 14 May 2010 12:22:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
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		<description><![CDATA[[Unisinos] - A professora do curso de História da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) Carla Luciana Silva passou meses dedicando-se a leitura paciente de pilhas de edições antigas da revista Veja. A análise tornou-se uma tese de doutorado, defendida na Universidade Federal Fluminense, e agora, em livro. “Veja: o indispensável partido neoliberal (1989-2002)” (Edunioeste, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">[Unisinos] - A professora do curso de História da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) Carla Luciana Silva passou meses dedicando-se a leitura paciente de pilhas de edições antigas da revista Veja. A análise tornou-se uma tese de doutorado, defendida na Universidade Federal Fluminense, e agora, em livro. “Veja: o indispensável partido neoliberal (1989-2002)” (Edunioeste, 2009, 258 páginas) é o registro do papel assumido pela principal revista do Grupo Abril na construção do neoliberalismo no país.</div>
<p style="text-align: justify;">A hipótese defendida pela professora Carla é que a revista atuou como agente partidário que colaborou com a construção da hegemonia neoliberal no Brasil. Carla deixa claro que a revista não fez o trabalho sozinha, mas em consonância com outros veículos privados. Porém, teve certo protagonismo, até pelo número médio de leitores que tinha na época – 4 milhões, afirma Carla em seu livro.</p>
<p style="text-align: justify;">“A revista teve papel privilegiado na construção de consenso em torno das práticas neoliberais ao longo de toda a década. Essas práticas abrangem o campo político, mas não se restringem a ele. Dizem respeito às técnicas de gerenciamento do capital, e à construção de uma visão de mundo necessária a essas práticas, atingindo o lado mais explícito, produtivo, mas também o lado ideológico do processo”, afirma trecho do livro.</p>
<p style="text-align: justify;">A entrevista foi concedida a Lia Segre do Observatório do Direito à Comunicação e reproduzida pelo Brasil de Fato, 13-05-2010. Eis a entrevista.<span id="more-1961"></span><br />
Sobre o título do livro, porque “indispensável”? É uma brincadeira com o slogan da Veja ou reflete a importância da revista para o avanço do neoliberalismo no Brasil?</p>
<p style="text-align: justify;">O título é uma alusão ao slogan da revista e ao mesmo tempo nos lembra que ela foi um sujeito político importante na construção do neoliberalismo. A grande imprensa brasileira foi indispensável para que o neoliberalismo tenha sido construído da forma que o foi. A Veja diz ser indispensável para o país que queremos ser. A pergunta é: quem está incluído nesse “nós” oculto? A classe trabalhadora é que não.</p>
<p style="text-align: justify;">Quais os interesses defendidos por Veja?</p>
<p style="text-align: justify;">Os interesses são os dominantes como um todo, mais especificamente os da burguesia financeira e dos anunciantes multinacionais. Em que pese o discurso de defesa da liberdade de expressão articulado à publicidade, o que importa pra revista são os interesses em torno da reprodução capitalista. A revista busca se mostrar como independente, o que se daria através de sua verba publicitária. É fato que a revista tem uma verba invejável, mas isso não a transforma no Quarto Poder, que vigiaria os demais de forma neutra. Ao mesmo tempo em que ela é portadora de interesses sociais, faz parte da sociedade, a sua vigilância é totalmente delimitada pela conjuntura e correlação de forças específica. O exemplo mais claro são as denúncias de corrupção e forma ambígua com que Veja tratou o governo Collor, o que discuto detidamente no livro.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso significa defender atores e grupos específicos? E, ao longo dos anos, estes atores mudam?</p>
<p style="text-align: justify;">Essa pergunta é mais difícil de responder, requer uma leitura atenta, a cada momento histórico especifico. A revista não é por definição, governista [no período estudado]. Ela é defensora de programas de ação. No período analisado (1989-2002), sua ação esteve muito próxima do programa do Fórum Nacional [www.forumnacional.org.br] de João Paulo dos Reis Velloso. Ela busca convencer não apenas seus leitores comuns, mas a sociedade política como um todo e também os gerentes capitalistas.</p>
<p style="text-align: justify;">E que relação Veja estabelece com grupos estrangeiros?</p>
<p style="text-align: justify;">Essa é outra pergunta que requer atenção e mais estudos. O Grupo Abril não é um grupo “nacional”. Suas empresas têm participação direta de capital e administração estrangeira. Primeiro, é importante ter claro que o Grupo Abril não se restringe a suas publicações. A editora se divide em várias empresas, sendo que a Abril é majoritariamente propriedade do grupo Naspers, dono do Buscapé [site de comparação de preços] e de empresas espalhadas pelo mundo todo, da Rússia à Tailândia. Essa luta pela abertura de capital [no setor das comunicações] foi permanente ao longo dos anos 1990 e a Abril foi o primeiro grande conglomerado [de comunicação] brasileiro a abrir seu capital legalmente. É bom lembrar que o grupo tem investido bastante também na área da educação, e por isso a privatização do ensino continua sendo uma meta a atingir.</p>
<p style="text-align: justify;">Aconteceram várias edições do “Fórum Nacional” no período em que faz sua análise. Por que Veja defendeu com tanto afinco as resoluções, especialmente econômicas, saídas desse Fórum?</p>
<p style="text-align: justify;">O Fórum Nacional tem vários títulos. Eles [os integrantes do Fórum] foram se colocando ao longo dos anos, desde 1988, como intelectuais que pensam o Brasil e defendem programas de ação – as formas específicas de construção de um projeto sócio-econômico, que mudaram ao longo dessas duas décadas. Não existe um vínculo orgânico da revista com o Fórum, ao menos não o comprovamos, mas existe uma afinidade de programa de ação. A tentativa de reforma da Constituição em 1993 foi um bom exemplo, conforme desenvolvo no livro.</p>
<p style="text-align: justify;">No livro, você aponta que a Veja “comprou” as idéias no Fórum Nacional, transformando-as numa verdadeira cartilha econômica para salvar o Brasil no começo dos anos 90. Quais seriam os principais tópicos desta “cartilha”?</p>
<p style="text-align: justify;">O Fórum Nacional surgiu em 1988 como uma forma de organizar o pensamento e ação dominante. Ele se constituiu um verdadeiro aparelho privado de hegemonia, buscando apontar caminhos para a forma da hegemonia nos anos 1990. E existe até hoje, fazendo o mesmo. Portanto, ele não é apenas uma fórmula econômica, mas de economia política. Tratou de temas relevantes como “modernidade e pobreza”, “Plano Real”, “Segurança”, “estratégia industrial”, “política internacional”, sempre trazendo intelectuais considerados “top” do pensamento hegemônico para ver, a partir de suas pesquisas, quais caminhos deveriam ser seguidos, não apenas pelos governos, mas também pela sociedade política, ditando os rumos da economia.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa “cartilha” econômica foi atualizada? Você se recorda de alguma campanha recente em que a revista tenha tomado a frente?</p>
<p style="text-align: justify;">A atualização é constante, mas não é uma cartilha. O Fórum e a revista são independentes um do outro, ao que parece, não há um vinculo orgânico. Mas Veja assumiu várias campanhas, sendo a principal delas a manutenção do programa econômico de Fernando Henrique durante todo o governo Lula. A blindagem feita ao presidente Lula da Silva foi imensa, especialmente se compararmos com o que foi feito do caso do mensalão ao que ocorreu no governo Fernando Collor. O que explica isso parece ser claramente a política econômica [de FHC e reproduzida por Lula] que garantiu lucros enormes aos bancos e a livre circulação de capitais, além de outras políticas complementares.</p>
<p style="text-align: justify;">Qual foi a importância da revista para a corrente neoliberal desde Collor? Dá para mensurar?</p>
<p style="text-align: justify;">Foi muito importante, mas não dá pra mensurar. É importante que tenhamos claro que o neoliberalismo não é uma cartilha, por mais que se baseie em documentos como o Consenso de Washington, por exemplo. Ele não foi “aplicado”. Foi construído como projeto de hegemonia desde os anos 1980. A grande imprensa participou da efetivação de padrões de consenso fundamentais: as privatizações, o ataque ao serviço público, a suposta falência do Estado. É importante olharmos hoje, pós crise de 2008, para ver que muitos desses preceitos são defendidos como saída da crise.</p>
<p style="text-align: justify;">Qual a importância de Veja para as privatizações?</p>
<p style="text-align: justify;">Difícil medir dessa forma. Posso falar da importância das privatizações para Veja: elas precisavam acontecer de qualquer forma. E isso era um compromisso com o projeto que representava e com os seus interesses capitalistas específicos, do Grupo Abril. É bom lembrar que a criação de consenso em torno desse ideal foi importante para que o grupo pudesse abrir seu capital oficialmente ao capital externo.</p>
<p style="text-align: justify;">Veja deixa de ser neoliberal para ser neoconservadora? Digamos assim, amplia sua atuação do debate econômico, fundamental à implantação do neoliberalismo, e passar a fazer campanhas também em outras pautas conservadoras?</p>
<p style="text-align: justify;">Não vejo essa distinção. Neoliberalismo foi um projeto de hegemonia, uma forma de estabelecer consenso em torno de práticas sociais específicas. A forma do capitalismo imperialista, portanto, não se restringe à economia. A política conservadora sempre esteve presente no neoliberalismo, haja visto a experiência de [Ronald] Reagan [presidente dos Estados Unidos] e [Margareth] Thatcher [primeira-ministra da Grã-Bretanha], a destruição do movimento sindical, a imposição do chamado pensamento único. Por esse caminho chegou-se a dizer que a história tinha acabado e que a luta de classes não fazia mais sentido. Os movimentos sociais foram duramente reprimidos e, além disso, se buscou construir consenso em torno de sua falência, o que foi acompanhado pelo transformismo dos principais partidos de esquerda, especialmente no Brasil. O que vemos hoje é a continuidade dessa política. Os dados dos movimentos sociais denunciam permanentemente o quanto tem aumentado a sua criminalização ao passo que os incentivos ao grande capital do agrobusiness só aumenta.</p>
<p style="text-align: justify;">Existem diferenças muito contundentes entre a Veja de 89, a de 2002 e a de hoje?</p>
<p style="text-align: justify;">Há diferenças claro. Havia, em 1989, um grau um pouco mais elevado de compromisso com notícias, com investigações jornalísticas, o que parece ter se perdido totalmente ao longo dos anos. A revista se tornou uma difusora de propagandas, tanto de governos como de produtos (basta ver as capas sobre Viagra ou cirurgias plásticas).</p>
<p style="text-align: justify;">Já nos primeiros capítulos do livro, você chama atenção para o fato de Veja ser muito didática e panfletária quanto ao liberalismo. Ela deixou de fazer apologia ao neoliberalismo de maneira tão clara?</p>
<p style="text-align: justify;">Teria que analisar mais detidamente. Essa é uma coisa importante: sentar e ler detidamente, semanas a fio, pra podermos concluir de forma mais segura a posição da revista.</p>
<p style="text-align: justify;">Em algum momento do período analisado a revista foi muito atacada por alguma cobertura específica?</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, a revista teve embates, especialmente com a IstoÉ e, posteriormente, com a Carta Capital. Essas revistas talvez tenham ajudado a tirar uma ou outra assinatura de Veja em conjunturas especiais. O caso Collor não é simples como parece. A revista Veja fazia campanha nas capas mostrando o movimento das ruas e dentro do editorial ia dizendo que o governo deveria ser mantido em nome da governabilidade. Foi quando isso se tornou insustentável que ela defendeu a renuncia do presidente (e não o impeachment). Mas depois, construiu uma bela campanha publicitária. A Abril colocou luzes verde amarela em seus prédios, lançou boton comemorativo, pra construir memória, dizer que foi ela que derrubou o Collor. O importante é a gente perceber que não é esse o movimento mais importante. O importante é a gente ter instrumentos contra hegemônicos que nos permitam construir uma visão efetivamente critica do que está acontecendo. É importante ressaltar que ela [Veja] sempre fala como se fosse a porta-voz dos interesses da nação, do país, da sociedade, e como se não fosse ela portadora de interesses de classe.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=32400</p>
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