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	<title>Combate ao Racismo Ambiental &#187; Mídia e Poder</title>
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	<description>Dedicado por Tania Pacheco ao GT Combate ao Racismo Ambiental e às suas lutas</description>
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		<title>Abaixo-assinado condena defesa de assassinato por jornalistas da Globo. Assine</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 17:30:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
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<!-- AddThis Button END -->&#8220;Ao divulgar a defesa da prática do assassinato como meio de fazer política, a Rede Globo dá as mãos ao fundamentalismo – não importa se de natureza religiosa ou ideológica – e abre um precedente muito perigoso no Brasil&#8221;, diz petição Um grupo de jornalistas, professores e estudantes decidiu criar um abaixo-assinado &#8216;contra a defesa explícita da [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><div id="attachment_41927" class="wp-caption alignright" style="width: 350px"><a href="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2012/02/blinder-mainardi.gif"><img class="size-full wp-image-41927" title="blinder-mainardi" src="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2012/02/blinder-mainardi.gif" alt="" width="340" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Caio Blinder (dir.) e Diogo Mainardi (esq.) defenderam assassinato publicamente</p></div>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8220;Ao divulgar a defesa da prática do assassinato como meio de fazer política, a Rede Globo dá as mãos ao fundamentalismo – não importa se de natureza religiosa ou ideológica – e abre um precedente muito perigoso no Brasil&#8221;, diz petição</em></p>
<div style="text-align: justify;">Um grupo de jornalistas, professores e estudantes decidiu criar um abaixo-assinado &#8216;contra a defesa explícita da prática de assassinatos como meio de fazer política, perpetrada por comentaristas da Rede Globo&#8217;. No dia 15 de janeiro deste ano, o jornalista Caio Blinder defendeu abertamente no programa Manhattan Conection o assassinato de cientistas iranianos como um meio válido de fazer política.<span id="more-41926"></span></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">O comentário foi apoiado por Diogo Mainardi, outro comentarista da Globo. A petição que está circulando na internet afirma:</div>
<div style="text-align: justify;"><em>Srs. Diretores da Rede Globo</p>
<p>Causa profunda surpresa, indignação e perplexidade assistir a um programa de vossa emissora em que jornalistas, comentaristas e palpiteiros assumam a defesa explícita da prática de assassinatos como meio válido de fazer política.</p>
<p>Isso foi feito abertamente, no dia 15.01.2012, por Diogo Mainardi e Caio Blinder, ambos empregados da Rede Globo, cujo trecho em questão pode ser acessado pelo link:</p>
<p><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/kH3oThn1l7g?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Depois de fazer brincadeiras de gosto muito duvidoso sobre a sua suposta condição de agente do Mossad (serviço secreto israelense), Caio Blinder alegou que os cientistas que trabalham no programa nuclear iraniano são empregados de um “estado terrorista”, que “viola as resoluções da ONU” e que por isso o seu assassinato não constituiria um ato terrorista, mas sim um ato legítimo de defesa contra o terrorismo. Trata-se, é óbvio, de uma lógica primária e rudimentar, com a qual Mainardi concordou integralmente.</p>
<p>Parece não ocorrer a ambos o fato de que o Estado de Israel é liderança mundial quando se trata em violar as resoluções da ONU, e que é acusado de prática de terrorismo pela imensa maioria dos países-membros da entidade. Será que Caio Blinder defende, então, o assassinato seletivo de cientistas que trabalham no programa nuclear israelense (jamais oficializado, jamais reconhecido, mas amplamente conhecido e documentado)?</p>
<p>Ambos, Caio Blinder e Diogo Mainardi, se associam ao evangelista fundamentalista estadunidense Pat Robertson que, em abril de 2005, defendeu em rede nacional de televisão, com “argumentos” semelhantes, o assassinato do presidente venezuelano Hugo Chávez, provocando comentários constrangidos da Casa Branca.</p>
<p>Ao divulgar a defesa da prática do assassinato como meio de fazer política, a Rede Globo dá as mãos ao fundamentalismo – não importa se de natureza religiosa ou ideológica – e abre um precedente muito perigoso no Brasil. Isso é inaceitável.</p>
<p>Atenção: não defendemos, aqui, qualquer tipo de censura, nem queremos restringir a liberdade de expressão. Não se trata de desqualificar ideias ou conceitos explicitados por vossos funcionários. O que está em discussão não são apenas ideias. Não são as opiniões de quem quer que seja sobre o programa nuclear iraniano (ou israelense, ou estadunidense&#8230;), mas sim o direito que tem uma emissora de levar ao ar a defesa da prática do assassinato, ainda mais feita por articulistas marcadamente preconceituosos e racistas. Em abril de 2011, o mesmo Caio Blinder qualificou como “piranha” a rainha Rania da Jordânia, estendendo por meio dela o insulto às mulheres islâmicas. Mainardi é pródigo em insultos, não apenas contra o Islã mas também contra o povo brasileiro.</p>
<p>Se uma emissora do porte da Globo dá abrigo a tais absurdos, mais tarde não poderá se lamentar quando outros começarem a defender, entre outras coisas, a legitimidade de se plantar bombas contra instalações de vossa emissora por quaisquer motivos, reais ou imaginários – por exemplo, como forma de represália pelas íntimas relações mantidas com a ditadura militar no passado recente, pela prática de ataques racistas contra o Islã e o mundo árabe, ou ainda pelos ataques contumazes aos movimentos sociais brasileiros e latino-americanos.</p>
<p>Manifestações como essas de Caio Blinder e Diogo Mainardi ferem as normas mais elementares da convivência civilizada. Esperamos que a Rede Globo se retrate publicamente, para dizer o mínimo, tomando distância de mais essa demonstração racista de barbárie.</em></div>
<div style="text-align: justify;"><em> </em></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><a rel="nofollow" href="http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/02/abaixo-assinado-condena-defesa-de.html#">Assine </a><a href="http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N20076" target="_blank"><strong>AQUI </strong></a><em></p>
<p>Agradecemos a atenção.</em></p>
<p>Carta Maior</p></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/02/abaixo-assinado-condena-defesa-de.html</div>
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		<title>Revista Veja mentiu feio ao traçar perfil de garota que discutiu com tucano Andrea Matarazzo</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 12:16:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
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		<category><![CDATA[especulação imobiliária]]></category>
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<!-- AddThis Button END -->Por Lino Bloch em Desculpe a Nossa Falha A Revista errou feio (ou mentiu deliberadamente?) ao chamar as manifestantes de &#8220;burguesas&#8221;  e &#8220;petistas&#8221;, e afirmar que são moradoras do Crusp. Após investigação, nenhuma afirmação se confirmou, como podem ler a seguir A cena do secretário estadual de Cultura, e pré-candidato a prefeito do PSDB, Andrea [...]]]></description>
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<p>Por Lino Bloch em Desculpe a Nossa Falha</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A Revista errou feio (ou mentiu deliberadamente?) ao chamar as manifestantes de &#8220;burguesas&#8221;  e &#8220;petistas&#8221;, e afirmar que são moradoras do Crusp. Após investigação, nenhuma afirmação se confirmou, como podem ler a seguir</em></p>
<p style="text-align: justify;">A cena do secretário estadual de Cultura, e pré-candidato a prefeito do PSDB, Andrea Matarazzo com o dedo na cara de uma manifestante foi pras homes dos principais portais de notícias do país no sábado à tarde, logo após a inauguração parcial da nova sede do MAC, no prédio do antigo Detran, em São Paulo. No domingo, a foto de autoria de Paulo Liebert, reproduzida acima, estava na capa da edição impressa do Estadão.<span id="more-41755"></span></p>
<p style="text-align: justify;">No mesmo dia, a revista Veja, através de seu colunista Reinaldo Azevedo, revelava a suposta identidade da manifestante: “Quem é aquela mulher (…) cordata, suave, pronta para o diálogo? (…) É Rafaela Martinelli, aluna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e moradora do Crusp. É publicidade que ela queria, não? Aqui está”.</p>
<p style="text-align: justify;">Acontece que a estudante em questão não é Rafaela. A revista Veja errou. Trata-se de Arielli Tavares Moreira, 22 anos, estudante do quinto ano do curso de letras da USP. E há mais incorreções. O colunista também chama os manifestantes de “burguesotes”. Arielli é de família classe média-baixa da pequena cidade de Tatuí. E Rafaela, exposta e atacada pela revista de maior circulação do Brasil sem sequer aparecer na foto, é moradora de Guaianases, zona leste paulistana – e não vive no Crusp, conforme disse Veja.</p>
<p style="text-align: justify;">Para completar, mais um erro: nem Rafaela nem Arielli são filiadas ao Partido dos Trabalhadores, acusação feita por Azevedo, Andrea Matarazzo e pelo vereador Floriano Pesaro. Pelo contrário, as meninas são críticas ao governo Dilma Rousseff e ao PT. A seguir, os principais trechos da conversa com Arielli (que está de fato na foto) e Rafaela (que Veja “colocou” na foto):</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Arielli, você pode por gentileza descrever como foi aquele momento da discussão com Andrea Matarazzo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">No momento da foto, estávamos cantando o refrão “Alckmin, seu matador! Assassinando o povo trabalhador!”. Isso tem sido cantado por ativistas do movimento social do país inteiro, que estão organizando atos exigindo que o PSDB pague pelo sofrimento que tem causado, como no caso do Pinheirinho. [O secretário] apontou o dedo pra mim e me chamou de “mal-educada”. De fato, para a ideologia burguesa, hipocrisia é sinônimo de educação, e dizer a verdade sem meias palavras não é de bom tom. Tomado pelo ímpeto professoral de quem insiste em dar “aulas de democracia”, ele continuou se aproximando e me chamando de mal-educada. Em seguida, um de seus assessores conseguiu convencê-lo a entrar no carro, e ele foi embora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ele diz que você cuspiu na cara dele, isso é verdade?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não. Depois que a foto foi veiculada para todo canto, vi que ele me acusou de ter cuspido nele. Não me surpreende nada que uma pessoa que está de mãos dadas com a especulação imobiliária há tanto tempo tenha que inventar uma mentira dessas para justificar a postura truculenta. Afinal, não pega bem uma foto com o dedo na cara de uma manifestante em ano de eleição. Andrea Matarazzo é filho da elite paulistana e tem uma história no PSDB. Ele é o responsável pela elaboração do projeto “Nova Luz”, que visa “revitalizar” o Centro à moda tucana, ou seja, expulsando e eliminando a população em situação de rua. Também foi ele quem assinou o projeto de calçada “anti-mendigo”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por que você resolveu ir ao MAC?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto a elite paulistana finge ser educada inaugurando seus museus, sujam as mãos de sangue no massacre do Pinheirinho. A cada dia que passa, se desfaz o mito de uma operação de desocupação pacífica. Há relatos de feridos e desaparecidos que ainda não foram localizados depois da ação da PM. Fui então na inauguração do MAC porque vi na internet que Alckmin e Rodas [João Grandino Rodas, reitor da USP] estariam lá. Fomos protestar contra a ação da PM na USP, na Cracolândia e no Pinheirinho. Tanto Rodas quanto Alckmin defendem um projeto de sociedade contrário ao meu e de centenas de ativistas do movimento social. E é contra esse projeto que precisamos lutar, não apenas dentro dos muros da universidade. Não me surpreende que ambos tenham mostrado o quanto são covardes ao não comparecer a inauguração.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que você achou de aparecer na capa de jornais e em grandes portais com o secretário?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A exposição assusta um pouco, mas não estou ali expondo apenas minha individualidade, o clique registra não apenas a minha indignação, mas a de minha geração, junto comigo tinham vários estudantes, poderiam ter fotografado qualquer um de nós. A repercussão está relacionada também ao fato de que as pessoas estão tomando conhecimento do que aconteceu no Pinheirinho e está ficando difícil para a mídia esconder os fatos, como faz normalmente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que você diria às pessoas que afirmam que todo estudante da USP é maconheiro e vagabundo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na minha opinião, ser estudante de uma universidade pública é mais do que assistir as aulas e conseguir um diploma. Temos a responsabilidade de ter uma visão crítica sobre o que acontece ao nosso redor. Quando a mídia tenta colocar rótulos sobre os estudantes, ela não está fazendo nada além de reduzir a opinião das pessoas, com o objetivo de impedir que elas se expressem. Não é à toa que nunca vimos uma entrevista completa de um estudante sobre uma pauta do movimento social veiculada pela grande mídia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que você acha do Reinaldo Azevedo? E da mídia convencional em geral?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente, Reinaldo Azevedo não tem sua licença de jornalista cassada, então segue cumprindo um desfavor para a comunicação, sem qualquer tipo de compromisso ético. Ao invés de argumentar sobre a nossa atitude, reduziu o protesto a mim e tentou me desmoralizar com fotos e piadinhas de mau gosto. O mais preocupante é vê-lo incitando a violência contra os manifestantes e apoiando a atitude truculenta do secretário, fazendo coro com o fascismo e com o nazismo. Vendo o que significam esses momentos na história do mundo, acredito que não se deve incitar esse tipo de ação como esse “jornalista” faz usualmente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O vereador Floriano Pesaro, que estava ao lado de Andrea, classificou vocês de “pseudo-manifestantes” e “nazipetistas”. O que você acha disso?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se fôssemos inocentes, diríamos que o vereador está mal informado. Mas, sabendo de quem se trata, diria que ele tenta fazer as pessoas acreditarem que estamos fazendo isso porque é ano de eleição. Minha militância é ativa, independente desses períodos. Sou militante do PSTU e milito contra as injustiças sociais que estes senhores seguem perpetuando. Mas é claro que eles não podem compreender o que isso significa. Para eles, a situação dos trabalhadores brasileiros que passam fome e não têm onde morar não passa de números em seus relatórios.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que você acha do Partidos dos Trabalhadores, de Lula e de Dilma?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Assim como Lula, a Presidente Dilma tem a confiança da maioria dos trabalhadores do país e tem o poder do Estado. Se ela quiser, pode resolver a vida de todos os moradores do Pinheirinho desapropriando o terreno e o transformando em área de interesse social. Não é possível que ela se omita enquanto um massacre segue acontecendo. Quem de fato está ao lado dos trabalhadores não pode ficar apenas na torcida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que você acha dessa história de “acusarem” de petistas todos os que criticam Alckmin ou Kassab? Só petistas ou filiados a outros partidos de esquerda desaprovam o governo e protestam contra eles?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É claro que não. Eles fazem essas acusações rasas – para dizer o mínimo – para perpetuar a visão maniqueísta deles. Essa polarização entre o PT e o PSDB é falsa. As pessoas se mobilizam quando as contradições entre a vida e nossa consciência se tornam tão agudas que se torna impossível suportar calado, e isso não depende de nenhum partido ou tampouco de quantos livros marxistas você leu na vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por fim, Reinaldo Azevedo chamou-a de “burguesote”. Você é de família rica?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Durante o ato, alguns dos presentes também nos acusaram de “burguesinhos” ou “filhinhos de papai”. Eu sou de uma família de classe média baixa do interior (Tatuí-SP), e acredito que não importa da onde você veio, mas sim ao lado de quem você quer estar.</p>
<p style="text-align: justify;">*****<br />
Agora fala Rafaela Martinelli, também estudante de Letras da USP e que foi &#8220;colocada&#8221; na foto por Veja:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Rafaela, o que você achou de ser identificada erroneamente como a “garota da foto” por Reinaldo Azevedo no site da Veja?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu não tenho paciência pro jornalismo de quinta categoria da Veja. Eles não fazem nem questão de disfarçar a parcialidade deles. Como um texto tão chulo – independente da posição que defenda – pode ser considerado jornalismo? É nojento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você estava no protesto do MAC? Se sim, por favor, fale um pouco como foi lá.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim. Quando vi que teríamos em SP um evento que juntaria Matarazzo, Alckmin e Rodas no mesmo lugar, pensei que não poderíamos deixar passar. Aí criei um evento no Facebook. Não imaginava que daria certo, mas felizmente deu. O governador não apareceu, e aí já temos um problema: um governador que esconde a cara da população não é digno de confiança nenhuma. E não tinha motivo pra se esconder. Ninguém lá, além da PM, estava armado ou coisa parecida. O reitor da USP viu os manifestantes de dentro do carro e foi embora. Ainda lá no evento conseguimos cercar o Maluf e o Matarazzo.</p>
<p style="text-align: justify;">Fizemos algumas perguntas desconfortáveis pro Maluf, até que ele foi embora. Depois, fizemos o mesmo com o Matarazzo, mas ele e os homens que o acompanhavam foram bem mais agressivos. Um dos manifestantes revidou e foi imobilizado pela PM. O que eu achava mais bizarro é que esses engravatados é que vinham pra cima dos manifestantes e era a nós que a polícia repreendia. É só olhar as fotos! Tem um homem de camisa rosa que aparece em várias delas, claramente exaltado, que veio pra cima de vários de nós. Eu tentei impedi-lo de bater num manifestante e tomei um soco no braço e um empurrão. A maior agressão que partiu dos manifestantes foi uma ovada e, francamente, diante de toda a repressão policial que temos presenciado ultimamente, chamar uma ovada de “violência” é risível.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que você diria às pessoas que pensam que todo estudante da USP é maconheiro e vagabundo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente, essa é uma reação normal. As pessoas falam que há certas formas de manifestação que não são corretas. Concordo, mas em 2009, na USP, atiramos flores nos policiais e fomos chamados de vândalos. Acho que chegamos ao ponto crítico em que qualquer movimento mínimo que ouse nos tirar da “normalidade” será chamado de vandalismo. Depois da manifestação, uma senhora me abordou e disse que deveríamos estar protestando contra a corrupção.</p>
<p style="text-align: justify;">Disse a ela que demonstrar repúdio a um governo que subsidia canalhas como o Naji Nahas e o João Grandino Rodas é uma forma muito concreta de se manifestar contra a corrupção, que não adianta achar que “corrupção” é só uma questão de caráter: há um sistema por trás. Batemos um papo lá e ela até apertou minha mão depois. Quer dizer, no fim das contas, acho que o caminho é esse: tirar as pessoas da zona de conforto, do diletantismo e da indignação inócua e fazê-las tomar um posicionamento. Para isso servem as manifestações.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O vereador Floriano Pesaro, que estava ao lado de Andrea, chamou vocês de “pseudo-manifestantes” e “nazipetistas”. O que você acha disso?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Qual é o critério para se definir quem são “pseudo-manifestantes” ou manifestantes “de verdade”? E nazista, pra mim, é quem promove políticas de extermínio como no Pinheirinho e na Cracolândia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você é filiada ao PT?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não sou filiada a nenhum partido.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Reinaldo disse que você é da comunidade Marxismo e PT, isso é verdade? Você está em alguma comunidade do tipo no Facebook?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu sigo no Facebook uma corrente do PT que se chama “Esquerda Marxista”, assim como também sigo muitos outros partidos, correntes e movimentos sociais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que você acha dessa história de “acusarem” de petistas todos os que criticam Alckmin ou Kassab? Você acredita que só petistas desaprovam e protestam contra eles?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O PT é a maior oposição ao PSDB na grande política, então é natural que associem qualquer tipo de oposição ao PT. Mas acreditar nisso é um tanto absurdo…</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/02/revista-veja-mentiu-feio-ao-tracar.html</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Imperdível: A blogueira que virou santa e popstar é a dona da semana na mídia brasileira</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2012/02/a-blogueira-que-virou-santa-e-popstar-e-a-dona-da-semana-na-midia-brasileira/</link>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 13:24:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[crítica ao capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Cuba]]></category>
		<category><![CDATA[direito à vida digna]]></category>
		<category><![CDATA[mentiras e falácias]]></category>

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<div style="text-align: justify;"><a href="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2012/02/yoani-sanchez-fraude.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-41573" title="yoani-sanchez-fraude" src="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2012/02/yoani-sanchez-fraude.jpg" alt="" width="300" height="250" /></a></div>
<div style="text-align: justify;">Texto de Lúcio de Castro para a ESPN, com entrevista realizada por Salim Lanrani</div>
<p style="text-align: justify;"><em>Ela ganhou espaço como colunista do Globo, recebeu o Jornal Nacional e tem dado entrevista pra todos os órgãos de imprensa brasileiros, mas o único jornalista do mundo até aqui a confrontá-la com perguntas elementares foi Salim Lanrani; o único a estranhar que a blogueira tenha recebido Bisa Williams, diplomata americana em sua casa e não tenha revelado; único a pelo menos questionar o que poderia estar por trás da dimensão que Yoani ganhou no mundo, além dos milhares de euros em &#8216;premiações&#8217;</em></p>
</div>
<p style="text-align: justify;">Não sei ao certo se as coisas sempre foram e são assim ou se esse sentimento de que tudo em volta anda carregado é desses dias ou desde sempre. O fato é que os últimos dias tiveram cor de chumbo. Não o chumbo dos anos de sufoco, mas um chumbo misturado com cinismo, com a “força da grana que mata e destrói coisas belas”, e uma sensação de que as coisas estão passando como rolo compressor por todo mundo, e a tal força da grana, o poderio econômico, a concentração de poder nos meios de comunicação e os tempos do pensamento único no mundo chegaram definitivamente para paralisar todo mundo. Com a agravante de que, em tempos de redes sociais, todo mundo se acha fazendo sua parte tuitando. É a rebeldia emoldurada em 140 caracteres.<span id="more-41572"></span></p>
<p>Dias de envergonhar a espécie humana, com a barbárie do Pinheirinho, a omissão de sempre dos governantes nos prédios que desabam (como já tinha sido no bonde, nos temporais, em tantas coisas&#8230;), com o chocante relato na reportagem de Eliane Brum (sempre ela&#8230;!), “A Amazônia, segundo um morto e um fugitivo”, disponível na internet. Para completar, na semana que entra, temos a monótona, repleta de chavões e inverdades, parcial, acrítica, e muitas vezes beirando o desonesto, cobertura da visita da presidenta Dilma a Cuba. Desde já, nossa imprensa elegeu a personagem da viagem, não importando o que irá acontecer: Yoani Sánchez, a blogueira cubana. Eleita estrela pop pela imprensa mundial já há algum tempo.</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">Yoani Sánchez todos conhecem. Ou acham que sim. A tal blogueira que virou símbolo mundial na luta “pelos direitos humanos em Cuba”, “contra a falta de liberdade de expressão em Cuba” etc&#8230; Não iria aqui (prestem atenção nesse trecho antes de enviar afirmações deturpadas sobre minhas opiniões&#8230; ) ignorar problemas, alguns graves, ocorridos ao longo do processo revolucionário em Cuba, desde 1959. Apenas é preciso tentar ver o outro lado sem a dose de cinismo com que geralmente a nossa imprensa o faz, assim como a maioria esmagadora da imprensa do ocidente. Sem ignorar os bloqueios, as sabotagens, as criminosas tentativas de homicídio partidas de Washington e outras variáveis. Estive na ilha por diversas e diferentes razões, e por isso gosto mais ainda dos versos de Pablo Milanez, equilibrado em reconhecer as contradições da revolução e seus méritos em “Acto de Fe”.&nbsp;</p>
<p>É preciso se despir de preconceitos, conceitos prontos e chavões para ao menos manter o senso crítico quando se vê, repetidas e monótonas vezes, a afirmação dos “desrespeitos e violação aos direitos humanos em Cuba”. Ou se fala com absoluto conhecimento de causa, se é capaz de afirmar com conhecimento e critério jornalístico, provando, ou nos resta como referência o órgão mundial que trata sobre o assunto. E, segundo a Anistia Internacional que, de forma alguma, pode ser apontada como conivente com Cuba (muito pelo contrário), em parecer de abril de 2011, “no continente americano, é o país que menos viola os direitos humanos ou que melhor os respeita é Cuba”. O parecer está no sítio da Anistia Internacional, em três idiomas. De qualquer forma, sempre chega a ser risível falar em “violação aos direitos humanos” vivendo no Brasil de Pinheirinhos, das remoções nas grandes cidades pelo estado de exceção que se instala por causa da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, da Candelária, do Carandiru, da reportagem acima citada de Eliane Brum&#8230; E poderíamos seguir dando tantos exemplos, infinitos, né?</p>
<p>O mesmo informe da Anistia Internacional dá conta de que 23 dos 27 países que votaram por sanções contra Cuba por violações dos direitos humanos são apontados pela própria Anistia como violadores muito maiores do que Cuba nos direitos humanos. O que nos leva a crer que a maior violação aos direitos humanos em Cuba está mesmo na base militar americana de Guantánamo. Quem dirá o contrário, quem será capaz?</p>
<p>Tampouco eu seria panfletário ou bobinho de falar em “liberdade de expressão” em Cuba. Apenas não sou panfletário ou bobinho de omitir o nosso quadro. Ou o das grandes corporações, dos barões da mídia mundiais. Alguém ignora o quanto de poderio econômico serve de filtro para o noticiário nosso de cada dia, para escolher o que vai para as páginas ou ao ar? Se não acredita, então fique esperando no horário nobre a apuração séria dos desmandos da Copa de 2014 ou 2016. Não vale algo pontual, quando o próprio interesse está em jogo&#8230;</p>
<p>Esqueçam as duas linhas de quatro, o 4-2-3-1 e as confusões da Turma do Didi (diretoria do Flamengo) e Luxemburgo, além da operação de Rogério Ceni. A semana que começa será de Yoani Sánchez, alguém tem dúvida? Brasileiros envolvidos na cobertura da visita de Dilma a Cuba irão procurar a blogueira. Traçarão perfis. Ela que ganhou espaço como colunista do Globo, que recebeu o Jornal Nacional esses dias e tem dado entrevista pra todos os órgãos de imprensa brasileiros, irá falar mais do que nunca. Espera-se que os envolvidos na cobertura tenham ao menos um pouco da categoria e cumpram os deveres do ofício como fez o jornalista francês Salim Lamrani, professor da Sorbonne. O único jornalista do mundo até aqui a fazer algumas perguntas elementares para Yoani. O único a estranhar que a blogueira tenha recebido Bisa Williams, diplomata americana em sua casa e não tenha revelado. O único a pelo menos questionar o que poderia estar por trás da dimensão que Yoani ganhou no mundo, além dos 300 mil euros recebidos em prêmios nos últimos tempos. Uma entrevista que vale a pena. É enorme, mas vale. Pelo menos, para que possamos ter algumas interrogações quando começar a “semana Yoani”.</p>
<p>Aos colegas envolvidos na cobertura <em>in loco</em>, boa sorte. Independentemente de sistemas políticos, o que fica ao fim de tudo, sempre, é gente. Curtam essa gente especial. Em alguns momentos, não saberão se estão na Pedra do Sal, aqui em São Sebastião do Rio de Janeiro, ou em Habana Vieja. Esqueçam as questões ideológicas e travem conversa com aqueles que mais rápido falam no mundo. Ninguém consegue falar mais rápido do que um cubano, quase engolindo sílabas. Esqueça os chavões, o que leu. Não comece a conversa por “companheiro”. Quem é de rua sabe que nas quebradas o papo é outro. Bote a mão no ombro, chame de “sócio”, “cumpadre”, “amigo” que seja. Vai encontrar uma gente altiva, de cabeça erguida. Na correria, como em qualquer lugar do mundo. Lembrem-se também que o mojito é na Bodeguita e o daiquiri na Floridita&#8230; E na hora em que estiver trabalhando, oxalá possa deixar os preconceitos de lado. Nem de um lado nem do outro. Do mesmo jeito que não valem as versões e protocolos oficiais, se der para relativizar pelo menos tudo o que vê de mazelas, tentar entender o contexto, ir além, vai dar para sair de cabeça erguida. Do contrário, se for mais um voltando com velhos chavões e preconceitos, será mais um a conhecer a maldição da despedida em Cuba. Consta que todos aqueles que não foram capazes de manter o equilíbrio e a correção em coberturas habaneiras, ganharam um nó eterno na garganta, adquirido na hora de ir embora e que acompanha o resto da vida, em forma de vergonha. Bate forte como arrependimento quando se pensa em tudo o que se escreveu pensando na voz do dono. Um mal que acomete a quem pecou diante de Gutemberg, e vem quando se passa pelos dizeres na saída do aeroporto (nada pode ser mais devastador):</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">“Esta noite, 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma delas é cubana”.<br />
===================================================================&nbsp;</p>
<p>ENTREVISTA COM YOANI SÁNCHEZ, por SALIM LAMRANI:</p>
<p>Yoani Sánchez é a nova personalidade da oposição cubana. Desde a criação de seu blog, Generación Y, em 2007, obteve inúmeros prêmios internacionais: o prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset (2008), o prêmio Bitacoras.com (2008), o prêmio The Bob&#8217;s (2008), o prêmio Maria Moors Cabot (2008) da prestigiada universidade norte-americana de Colúmbia. Do mesmo modo, a blogueira foi escolhida como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo pela revista Time (2008), em companhia de George W. Bush, Hu Jintao e Dalai Lama.</p>
<p>Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores do mundo do canal CNN e da Time (2008). Em 30 de novembro de 2008, o diário espanhol <em>El País</em> a incluiu na lista das 100 personalidades hispano-americanas mais influentes do ano (lista na qual não apareciam nem Fidel Castro, nem Raúl Castro). A revista Foreign Policy, por sua vez, a considerou um dos 10 intelectuais mais importantes do ano, enquanto a revista mexicana Gato Pardo fez o mesmo para 2008.</p>
<p>Esta impressionante avalanche de distinções simultâneas suscitou numerosas interrogações, ainda mais considerando que Yoani Sánchez, segundo suas próprias confissões, é uma total desconhecida em seu próprio país. Como uma pessoa desconhecida por seus vizinhos &#8211; segundo a própria blogueira &#8211; pode integrar a lista das 100 personalidades mais influentes do ano?</p>
<p>Um diplomata ocidental próximo desta atípica opositora do governo de Havana havia lido uma série de artigos que escrevi sobre Yoani Sánchez e que eram relativamente críticos. Ele os mostrou à blogueira cubana, que quis reunir-se comigo para esclarecer alguns pontos abordados.</p>
<p>O encontro com a jovem dissidente de fama controvertida não ocorreu em algum apartamento escuro, com as janelas fechadas, ou em um lugar isolado e recluso para escapar aos ouvidos indiscretos da &#8220;polícia política&#8221;. Ao contrário, aconteceu no saguão do Hotel Plaza, no centro de Havana Velha, em uma tarde inundada de sol. O local estava bem movimentado, com numerosos turistas estrangeiros que perambulavam pelo imenso salão do edifício majestoso que abriu suas portas no início do século XX.</p>
<p>Yoani Sánchez vive perto das embaixadas ocidentais. De fato, uma simples chamada de meu contato ao meio-dia permitiu que combinássemos o encontro para três horas depois. Às 15h, a blogueira apareceu sorridente, vestida com uma saia longa e uma camiseta azul. Também usava uma jaqueta esportiva, para amenizar o relativo frescor do inverno havanês.</p>
<p>Foram cerca de duas horas de conversa ao redor de uma mesa do bar do hotel, com a presença de seu marido, Reinaldo Escobar, que a acompanhou durante uns vinte minutos antes de sair para outro encontro. Yoani Sánchez mostrou-se extremamente cordial e afável e exibiu grande tranquilidade. Seu tom de voz era seguro e em nenhum momento ela pareceu incomodada. Acostumada aos meios ocidentais, domina relativamente bem a arte da comunicação.</p>
<p>Esta blogueira, personagem de aparência frágil, inteligente e sagaz, tem consciência de que, embora lhe seja difícil admitir, sua midiatização no Ocidente não é uma causalidade, mas se deve ao fato de ela preconizar a instauração de um &#8220;capitalismo sui generis&#8221; em Cuba.</p>
<p><strong>O incidente de 6 de novembro de 2009</strong><br />
Salim Lamrani &#8211; Comecemos pelo incidente ocorrido em 6 de novembro de 2009, em Havana. Em seu blog, a senhora explicou que foi presa com três amigos por &#8220;três robustos desconhecidos&#8221; durante uma &#8220;tarde carregada de pancadas, gritos e insultos&#8221;. A senhora denunciou as violências de que foi vítima por parte das forças da ordem cubanas. Confirma sua versão dos fatos?</p>
<p>Yoani Sánchez &#8211; Efetivamente, confirmo que sofri violência. Mantiveram-me sequestrada por 25 minutos. Levei pancadas. Consegui pegar um papel que um deles levava no bolso e o coloquei em minha boca. Um deles pôs o joelho sobre meu peito e o outro, no assento dianteiro, me batia na região dos rins e golpeava minha cabeça para que eu abrisse a boca e soltasse o papel. Por um momento, achei que nunca sairia daquele carro.</p>
<p>SL &#8211; O relato, em seu blog, é verdadeiramente terrorífico. Cito textualmente: a senhora falou de &#8220;golpes e empurrões&#8221;, de &#8220;golpes nos nós dos dedos&#8221;, de &#8220;enxurrada de golpes&#8221;, do &#8220;joelho sobre o [seu] peito&#8221;, dos golpes nos &#8220;rins e [...] na cabeça&#8221;, do &#8220;cabelo puxado&#8221;, de seu &#8220;rosto avermelhado pela pressão e o corpo dolorido&#8221;, dos &#8220;golpes [que] continuavam vindo&#8221; e &#8220;todas essas marcas roxas&#8221;. No entanto, quando a senhora recebeu a imprensa internacional em 9 de novembro, todas as marcas haviam desaparecido. Como explica isso?</p>
<p>YS &#8211; São profissionais do espancamento.</p>
<p>SL &#8211; Certo, mas por que a senhora não tirou fotos das marcas?</p>
<p>YS &#8211; Tenho as fotos. Tenho provas fotográficas.</p>
<p>SL &#8211; Tem provas fotográficas?</p>
<p>YS &#8211; Tenho as provas fotográficas.</p>
<p>SL &#8211; Mas por que não as publicou para desmentir todos os rumores segundo os quais a senhora havia inventado uma agressão para que a imprensa falasse de seu caso?</p>
<p>YS &#8211; Por enquanto, prefiro guardá-las e não publicá-las. Quero apresentá-las um dia perante um tribunal, para que esses três homens sejam julgados. Lembro-me perfeitamente de seus rostos e tenho fotos de pelo menos dois deles. Quanto ao terceiro, ainda não está identificado, mas, como se tratava do chefe, será fácil de encontrar. Tenho também o papel que tirei de um deles e que tem minha saliva, pois o coloquei na boca. Neste papel estava escrito o nome de uma mulher.</p>
<p>SL &#8211; Certo. A senhora publica muitas fotos em seu blog. Para nós é difícil entender porque prefere não mostrar as marcas desta vez.</p>
<p>YS &#8211; Como já lhe disse, prefiro guardá-las para a Justiça.</p>
<p>SL &#8211; A senhora entende que, com essa atitude, está dando crédito aos que pensam que a agressão foi uma invenção.</p>
<p>YS &#8211; É minha escolha.</p>
<p>SL &#8211; No entanto, até mesmo os meios ocidentais que lhe são mais favoráveis tomaram precauções oratórias pouco habituais para divulgar seu relato. O correspondente da BBC em Havana, Fernando Ravsberg, por exemplo, escreve que a senhora &#8220;não tem hematomas, marcas ou cicatrizes&#8221;. A agência France Presse conta a história esclarecendo com muito cuidado que se trata de sua versão, sob o título &#8220;Cuba: a blogueira Yoani Sánchez diz ter sido agredida e detida brevemente&#8221;. O jornalista afirma, por outro lado, que a senhora &#8220;não ficou ferida&#8221;.</p>
<p>YS &#8211; Não quero avaliar o trabalho deles. Não sou eu quem deve julgá-lo. São profissionais que passam por situações muito complicadas, que não posso avaliar. O certo é que a existência ou não de marcas físicas não é a prova do fato.</p>
<p>SL &#8211; Mas a presença de marcas demonstraria que foram cometidas violências. Daí a importância da publicação das fotos.</p>
<p>YS &#8211; O senhor deve entender que tratamos de profissionais da intimidação. O fato de três desconhecidos terem me levado até um carro sem me apresentar nenhum documento me dá o direito de me queixar como se tivessem fraturado todos os ossos do corpo. As fotos não são importantes porque a ilegalidade está consumada. A precisão de que &#8220;me doeu aqui ou me doeu ali&#8221; é minha dor interior.</p>
<p>SL &#8211; Sim, mas o problema é que a senhora apresentou isso como uma agressão muito violenta. A senhora falou de &#8220;sequestro no pior estilo da Camorra siciliana&#8221;.</p>
<p>YS &#8211; Sim, é verdade, mas sei que é minha palavra contra a deles. Entrar nesse tipo de detalhes, para saber se tenho marcas ou não, nos afasta do tema verdadeiro, que é o fato de terem me sequestrado durante 25 minutos de maneira ilegal.</p>
<p>SL &#8211; Perdoe-me a insistência, mas creio que é importante. Há uma diferença entre um controle de identidade que dura 25 minutos e violências policiais. Minha pergunta é simples. A senhora disse, textualmente: &#8220;Durante todo o fim de semana fiquei com a maçã do rosto e o supercílio inflamados.&#8221; Como tem as fotos, pode agora mostrar as marcas.</p>
<p>YS &#8211; Já lhe disse que prefiro guardá-las para o tribunal.</p>
<p>SL &#8211; A senhora entende que, para algumas pessoas, será difícil acreditar em sua versão se a senhora não publicar as fotos.</p>
<p>YS &#8211; Penso que, entrando nesse tipo de detalhes, perde-se a essência. A essência é que três bloggers acompanhados por uma amiga dirigiam-se a um ponto da cidade que era a Rua 23, esquina G. Tínhamos ouvido falar que um grupo de jovens convocara uma passeata contra a violência. Pessoas alternativas, cantores de hip hop, de rap, artistas. Eu compareceria como blogueira para tirar fotos e publicá-las em meu blog e fazer entrevistas. No caminho, fomos interceptados por um carro da marca Geely.</p>
<p>SL &#8211; Para impedi-los de participar do evento?</p>
<p>YS &#8211; A razão, evidentemente, era esta. Eles nunca me disseram formalmente, mas era o objetivo. Disseram-me que entrasse no carro. Perguntei quem eles eram. Um deles me pegou pelo pulso e comecei a ir para trás. Isso aconteceu em uma zona bastante central de Havana, em um ponto de ônibus.</p>
<p>SL &#8211; Então havia outras pessoas. Havia testemunhas.</p>
<p>YS &#8211; Há testemunhas, mas não querem falar. Têm medo.</p>
<p>SL &#8211; Nem mesmo de modo anônimo? Por que a imprensa ocidental não as entrevistou preservando seu anonimato, como faz muitas vezes quando publica reportagens críticas sobre Cuba?</p>
<p>YS &#8211; Não posso lhe explicar a reação da imprensa. Posso lhe contar o que aconteceu. Um deles era um homem de uns 50 anos, musculoso como se tivesse praticado luta livre em algum momento da vida. Digo-lhe isso porque meu pai praticou esse esporte e tem as mesmas características. Tenho os pulsos muito finos e consegui escapar, e lhe perguntei quem era. Havia três homens além do motorista.</p>
<p>SL &#8211; Então havia quatro homens no total, e não três.</p>
<p>YS &#8211; Sim, mas não vi o rosto do motorista. Disseram-me: &#8220;Yoani, entre no carro, você sabe quem somos.&#8221; Respondi: &#8220;Não sei quem são os senhores.&#8221; O mais baixo me disse: &#8220;Escute-me, voce sabe quem sou, você me conhece.&#8221; Retruquei: &#8220;Não, não sei quem é você. Não o conheço. Quem é você? Mostre-me suas credenciais ou algum documento.&#8221; O outro me disse: &#8220;Entre, não torne as coisas mais difíceis.&#8221; Então comecei a gritar: &#8220;Socorro! Sequestradores! &#8221;</p>
<p>SL &#8211; A senhora sabia que se tratava de policiais à paisana?</p>
<p>YS &#8211; Imaginava, mas eles não me mostraram seus documentos.</p>
<p>SL &#8211; Qual era seu objetivo, então?</p>
<p>YS &#8211; Queria que as coisas fossem feitas dentro da legalidade, ou seja, que me mostrassem seus documentos e me levassem depois, embora eu suspeitasse que eles representavam a autoridade. Ninguém pode obrigar um cidadão a entrar em um carro particular sem apresentar suas credenciais. Isso é uma ilegalidade e um sequestro.</p>
<p>SL &#8211; Como as pessoas no ponto de ônibus reagiram?</p>
<p>YS &#8211; As pessoas no ponto ficaram atônitas, pois &#8220;sequestro&#8221; não é uma palavra que se usa em Cuba, não existe esse fenômeno. Então se perguntaram o que estava acontecendo. Não tínhamos jeito de delinquentes. Alguns se aproximaram, mas um dos policiais lhes gritou: &#8220;Não se metam, que são contrarrevolucioná rios!&#8221;</p>
<p>Esta foi a confirmação de que se tratava de membros da polícia política, embora eu já imaginasse por causa do carro Geely, que é chinês, de fabricação atual, e não é vendido em nenhuma loja em Cuba. Esses carros pertencem exclusivamente a membros do Ministério das Forças Armadas e do Ministério do Interior.</p>
<p>SL &#8211; Então a senhora sabia desde o início, pelo carro, que se tratava de policiais à paisana.</p>
<p>YS &#8211; Intuía. Por outro lado, tive a confirmação quando um deles chamou um policial uniformizado. Uma patrulha formada por um homem e uma mulher chegou e levou dois de nós. Deixou-nos nas mãos desses dois desconhecidos.</p>
<p>SL &#8211; Mas a senhora já não tinha a menor dúvida sobre quem eles eram.</p>
<p>YS &#8211; Não, mas não nos mostraram nenhum documento. Os policiais não nos disseram que representavam a autoridade. Não nos disseram nada.</p>
<p>SL &#8211; É difícil entender o interesse das autoridades cubanas em agredi-la fisicamente, sob o risco de provocar um escândalo internacional. A senhora é famosa. Por que teriam feito isso?</p>
<p>YS &#8211; Seu objetivo era radicalizar- me, para que eu escrevesse textos violentos contra eles. Mas não conseguirão.</p>
<p>SL &#8211; Não se pode dizer que a senhora é branda com o governo cubano.</p>
<p>YS -Nunca recorro à violência verbal nem a ataques pessoais. Nunca uso adjetivos incendiários, como &#8220;sangrenta repressão&#8221;, por exemplo. Seu objetivo, então, era radicalizar- me.</p>
<p>SL &#8211; No entanto, a senhora é muito dura em relação ao governo de Havana. Em seu blog, a senhora diz: &#8220;o barco que faz água a ponto de naufragar&#8221;. A senhora fala dos &#8220;gritos do déspota&#8221;, de &#8220;seres das sombras, que, como vampiros, se alimentam de nossa alegria humana, nos incutem o medo por meio da agressão, da ameaça, da chantagem&#8221;, e afirma que &#8220;naufragaram o processo, o sistema, as expectativas, as ilusões. [É um] naufráfio [total]&#8220;. São palavras muito fortes.</p>
<p>YS &#8211; Talvez, mas o objetivo deles era queimar o fenômeno Yoani Sánchez, demonizar-me. Por isso meu blog permaneceu bloqueado por um bom tempo.</p>
<p>SL &#8211; Contudo, é surpreendente que as autoridades cubanas tenham decidido atacá-la fisicamente.</p>
<p>YS &#8211; Foi uma torpeza. Não entendo por que me impediram de assistir à passeata, pois não penso como aqueles que reprimem. Não tenho explicação. Talvez eles não quisessem que eu me reunisse com os jovens. Os policiais acreditavam que eu iria provocar um escândalo ou fazer um discurso incendiário.</p>
<p>Voltando ao assunto da detenção, os policiais levaram meus amigos de maneira enérgica e firme, mas sem violência. No momento em que me dei conta de que iriam nos deixar sozinhos com Orlando, com esses três tipos, agarrei-me a uma planta que havia na rua e Claudia agarrou-se a mim pela cintura para impedir a separação, antes de os policiais a levarem.</p>
<p>SL &#8211; Para que resistir às forças da ordem uniformizadas e correr o risco de ser acusada disso e cometer um delito? Na França, se resistimos à polícia, corremos o risco de sofrer sanções.</p>
<p>YS &#8211; De qualquer modo, eles nos levaram. A policial levou Claudia. As três pessoas nos levaram até o carro e comecei a gritar de novo: &#8220;Socorro! Um sequestro!&#8221;</p>
<p>SL &#8211; Por quê? A senhora sabia que se tratava de policiais à paisana.</p>
<p>YS &#8211; Não me mostraram nenhum papel. Então começaram a me bater e me empurraram em direção ao carro. Claudia foi testemunha e relatou isso.</p>
<p>SL &#8211; A senhora não acaba de me dizer que a patrulha a havia levado?</p>
<p>YS &#8211; Ela viu a cena de longe, enquanto o carro de polícia se afastava. Defendi-me e golpeei como um animal que sente que sua hora chegou. Deram uma volta rápida e tentaram tirar-me o papel da boca.</p>
<p>Agarrei um deles pelos testículos e ele redobrou a violência. Levaram-nos a um bairro bem periférico, La Timba, que fica perto da Praça da Revolução. O homem desceu, abriu a porta e pediu que saíssemos. Eu não quis descer. Eles nos fizeram sair à força com Orlando e foram embora.</p>
<p>Uma senhora chegou e dissemos que havíamos sido sequestrados. Ela nos achou malucos e se foi. O carro voltou, mas não parou. Eles só me jogaram minha bolsa, onde estavam meu celular e minha câmera.</p>
<p>SL &#8211; Voltaram para devolver seu celular e sua câmera?</p>
<p>YS &#8211; Sim.</p>
<p>SL &#8211; Não lhe parece estranho que se preocupassem em voltar? Poderiam ter confiscado seu celular e sua câmera, que são suas ferramentas de trabalho.</p>
<p>YS &#8211; Bem, não sei. Tudo durou 25 minutos.</p>
<p>SL &#8211; Mas a senhora entende que, enquanto não publicar as fotos, as pessoas duvidarão de sua versão, e isso lançará uma sombra sobre a credibilidade de tudo o que a senhora diz.</p>
<p>YS &#8211; Não importa.</p>
<p><strong>A Suíça e o retorno a Cuba</strong><br />
SL &#8211; Em 2002, a senhora decidiu emigrar para a Suíça. Dois anos depois, voltou a Cuba. É difícil entender por que a senhora deixou o &#8220;paraíso europeu&#8221; para regressar ao país que descreve como um inferno. A pergunta é simples: por quê?</p>
<p>YS &#8211; É uma ótima pergunta. Primeiro, gosto de nadar contra a corrente. Gosto de organizar minha vida à minha maneira. O absurdo não é ir embora e voltar a Cuba, e sim as leis migratórias cubanas, que estipulam que toda pessoa que passa 11 meses no exterior perde seu status de residente permanente.</p>
<p>Em outras condições, eu poderia permanecer dois anos no exterior e, com o dinheiro ganho, voltar a Cuba para reformar a casa e fazer outras coisas. Então, o surpreendente não é o fato de eu decidir voltar a Cuba, e sim as leis migratórias cubanas.</p>
<p>SL &#8211; O mais surpreendente é que, tendo a possibilidade de viver em um dos países mais ricos do mundo, a senhora tenha decidido voltar a seu país, que descreve de modo apocalíptico, apenas dois anos depois de sua saída.</p>
<p>YS &#8211; As razões são várias. Primeiro, não pude ir embora com minha família. Somos uma pequena família, mas minha irmã, meus pais e eu somos muito unidos. Meu pai ficou doente em minha ausência e tive medo de que ele morresse sem que eu pudesse vê-lo. Também me sentia culpada por viver melhor do que eles. A cada vez que comprava um par de sapatos, que me conectava à internet, pensava neles. Sentia-me culpada.</p>
<p>SL &#8211; Certo, mas, da Suíça, a senhora podia ajudá-los enviando dinheiro.</p>
<p>YS &#8211; É verdade, mas há outro motivo. Pensei que, com o que havia aprendido na Suíça, poderia mudar as coisas voltando a Cuba. Há também a saudade das pessoas, dos amigos. Não foi uma decisão pensada, mas não me arrependo.</p>
<p>Tinha vontade de voltar e voltei. É verdade que isso pode parecer pouco comum, mas gosto de fazer coisas incomuns. Criei um blog e as pessoas me perguntaram por que eu fiz isso, mas o blog me satisfaz profissionalmente.</p>
<p>SL &#8211; Entendo. No entanto, apesar de todas essas razões, é difícil entender o motivo de seu regresso a Cuba quando no Ocidente se acredita que todos os cubanos querem abandonar o país. É ainda mais surpreendente em seu caso, pois a senhora apresenta seu país, repito, de modo apocalíptico.</p>
<p>YS &#8211; Como filóloga, eu discutiria a palavra, pois &#8220;apocalíptico&#8221; é um termo grandiloquente. Há um aspecto que caracteriza meu blog: a moderação verbal.</p>
<p>SL &#8211; Não é sempre assim. A senhora, por exemplo, descreve Cuba como &#8220;uma imensa prisão, com muros ideológicos&#8221;. Os termos são bastantes fortes.</p>
<p>YS &#8211; Nunca escrevi isso.</p>
<p>SL &#8211; São as palavras de uma entrevista concedida ao canal francês France 24, em 22 de outubro de 2009.</p>
<p>YS &#8211; O senhor leu isso em francês ou em espanhol?</p>
<p>SL &#8211; Em francês.</p>
<p>YS &#8211; Desconfie das traduções, pois eu nunca disse isso. Com frequência me atribuem coisas que eu não disse. Por exemplo, o jornal espanhol <em>ABC</em> me atribuiu palavras que eu nunca havia pronunciado, e protestei. O artigo foi finalmente retirado do site na internet.</p>
<p>SL &#8211; Quais eram essas palavras?</p>
<p>YS &#8211; &#8220;Nos hospitais cubanos, morre mais gente de fome do que de enfermidades. &#8221; Era uma mentira total. Eu jamais havia dito isso.</p>
<p>SL &#8211; Então a imprensa ocidental manipulou o que a senhora disse?</p>
<p>YS &#8211; Eu não diria isso.</p>
<p>SL &#8211; Se lhe atribuem palavras que a senhora não pronunciou, trata-se de manipulação.</p>
<p>YS &#8211; O Granma manipula a realidade mais do que a imprensa ocidental ao afirmar que sou uma criação do grupo midiático Prisa.</p>
<p>SL &#8211; Justamente, a senhora não tem a impressão de que a imprensa ocidental a usa porque a senhora preconiza um &#8220;capitalismo sui generis&#8221; em Cuba?</p>
<p>YS &#8211; Não sou responsável pelo que a imprensa faz. Meu blog é uma terapia pessoal, um exorcismo. Tenho a impressão de que sou mais manipulada em meu próprio país do que em outra parte. O senhor sabe que existe uma lei em Cuba, a lei 88, chamada lei da &#8220;mordaça&#8221;, que põe na cadeia as pessoas que fazem o que estamos fazendo.</p>
<p>SL &#8211; O que isso quer dizer?</p>
<p>YS &#8211; Que nossa conversa pode ser considerada um delito, que pode ser punido com uma pena de até 15 anos de prisão.</p>
<p>SL &#8211; Perdoe-me, o fato de eu entrevistá-la pode levá-la para a cadeia?</p>
<p>YS &#8211; É claro!</p>
<p>SL &#8211; Não tenho a impressão de que isso a preocupe muito, pois a senhora está me concedendo uma entrevista em plena tarde, no saguão de um hotel no centro de Havana Velha.</p>
<p>YS &#8211; Não estou preocupada. Esta lei estipula que toda pessoa que denuncie as violações dos direitos humanos em Cuba colabora com as sanções econômicas, pois Washington justifica a imposição das sanções contra Cuba pela violação dos direitos humanos.</p>
<p>SL &#8211; Se não me engano, a lei 88 foi aprovada em 1996 para responder à Lei-Helms Burton e sanciona sobretudo as pessoas que colaboram com a aplicação desta legislação em Cuba, por exemplo fornecendo informações a Washington sobre os investidores estrangeiros no país, para que estes sejam perseguidos pelos tribunais norte-americanos. Que eu saiba, ninguém até agora foi condenado por isso.</p>
<p>Falemos de liberdade de expressão. A senhora goza de certa liberdade de tom em seu blog. Está sendo entrevistada em plena tarde em um hotel. Não vê uma contradição entre o fato de afirmar que não há nenhuma liberdade de expressão em Cuba e a realidade de seus escritos e suas atividades, que provam o contrário?</p>
<p>YS &#8211; Sim, mas o blog não pode ser acessado desde Cuba, porque está bloqueado.</p>
<p>SL &#8211; Posso lhe assegurar que o consultei esta manhã antes da entrevista, no hotel.</p>
<p>YS &#8211; É possível, mas ele permanece bloqueado a maior parte do tempo. De todo modo, hoje em dia, mesmo sendo uma pessoa moderada, não posso ter nenhum espaço na imprensa cubana, nem no rádio, nem na televisão.</p>
<p>SL &#8211; Mas pode publicar o que tem vontade em seu blog.</p>
<p>YS &#8211; Mas não posso publicar uma única palavra na imprensa cubana.</p>
<p>SL &#8211; Na França, que é uma democracia, amplos setores da população não têm nenhum espaço nos meios, já que a maioria pertence a grupos econômicos e financeiros privados.</p>
<p>YS &#8211; Sim, mas é diferente.</p>
<p>SL &#8211; A senhora recebeu ameaças por suas atividades? Alguma vez a ameaçaram com uma pena de prisão pelo que escreve?</p>
<p>YS &#8211; Ameaças diretas de pena de prisão, não, mas não me deixam viajar ao exterior. Fui convidada há pouco para um Congresso sobre a língua espanhola no Chile, fiz todos os trâmites, mas não me deixam sair.</p>
<p>SL &#8211; Deram-lhe alguma explicação?</p>
<p>YS &#8211; Nenhuma, mas quero dizer uma coisa. Para mim, as sanções dos Estados Unidos contra Cuba são uma atrocidade. Trata-se de uma política que fracassou. Afirmei isso muitas vezes, mas não se publica, pois é incômodo o fato de eu ter esta opinião que rompe com o arquétipo do opositor.</p>
<p><strong>As sanções econômicas</strong><br />
SL &#8211; Então a senhora se opõe às sanções econômicas.</p>
<p>YS &#8211; Absolutamente, e digo isso em todas as entrevistas. Há algumas semanas, enviei uma carta ao Senado dos Estados Unidos pedindo que os cidadãos norte-americanos tivessem permissão para viajar a Cuba. É uma atrocidade impedir que os cidadãos norte-americanos viajem a Cuba, do mesmo modo que o governo cubano me impede de sair de meu país.</p>
<p>SL &#8211; O que acha das esperanças suscitadas pela eleição de Obama, que prometeu uma mudança na política para Cuba, mas decepcionou muita gente?</p>
<p>YS &#8211; Ele chegou ao poder sem o apoio do lobby fundamentalista de Miami, que defendeu o outro candidato. De minha parte, já me pronunciei contra as sanções.</p>
<p>SL &#8211; Este lobby fundamentalista é contra a suspensão das sanções econômicas.</p>
<p>YS &#8211; O senhor pode discutir com eles e lhes expor meus argumentos, mas eu não diria que são inimigos da pátria. Não penso assim.</p>
<p>SL &#8211; Uma parte deles participou da invasão de seu próprio país em 1961, sob as ordens da CIA. Vários estão envolvidos em atos de terrorismo contra Cuba.</p>
<p>YS &#8211; Os cubanos no exílio têm o direito de pensar e decidir. Sou a favor de que eles tenham direito ao voto. Aqui, estigmatizou- se muito o exílio cubano.</p>
<p>SL &#8211; O exílio &#8220;histórico&#8221; ou os que emigraram depois, por razões econômicas?</p>
<p>YS &#8211; Na verdade, oponho-me a todos os extremos. Mas essas pessoas que defendem as sanções econômicas não são anticubanas. Considere que elas defendem Cuba segundo seus próprios critérios.</p>
<p>SL &#8211; Talvez, mas as sanções econômicas afetam os setores mais vulneráveis da população cubana, e não os dirigentes. Por isso, é difícil ser a favor das sanções e, ao mesmo tempo, querer defender o bem-estar dos cubanos.</p>
<p>YS &#8211; É a opinião deles. É assim.</p>
<p>SL &#8211; Eles não são ingênuos. Sabem que os cubanos sofrem com as sanções.</p>
<p>YS &#8211; São simplesmente diferentes. Acreditam que poderão mudar o regime impondo sanções. Em todo caso, creio que o bloqueio tem sido o argumento perfeito para o governo cubano manter a intolerância, o controle e a repressão interna.</p>
<p>SL &#8211; As sanções econômicas têm efeitos. Ou a senhora acha que são apenas uma desculpa para Havana?</p>
<p>YS &#8211; São uma desculpa que leva à repressão.</p>
<p>SL &#8211; Afetam o país de um ponto de vista econômico, para a senhora? Ou é apenas um efeito marginal?</p>
<p>YS &#8211; O verdadeiro problema é a falta de produtividade em Cuba. Se amanhã suspendessem as sanções, duvido muito que víssemos os efeitos.</p>
<p>SL &#8211; Neste caso, por que os Estados Unidos não suspendem as sanções, tirando assim a desculpa do governo? Assim, perceberíamos que as dificuldades econômicas devem-se apenas às políticas internas. Se Washington insiste tanto nas sanções apesar de seu caráter anacrônico, apesar da oposição da imensa maioria da comunidade internacional, 187 países em 2009, apesar da oposição de uma maioria da opinião pública dos Estados Unidos, apesar da oposição do mundo dos negócios, deve ser por algum motivo, não?</p>
<p>YS &#8211; Simplesmente porque Obama não é o ditador dos Estados Unidos e não pode eliminar as sanções.</p>
<p>SL &#8211; Ele não pode eliminá-las totalmente porque não há um acordo no Congresso, mas pode aliviá-las consideravelmente, o que não fez até agora, já que, salvo a eliminação das sanções impostas por Bush em 2004, quase nada mudou.</p>
<p>YS &#8211; Não, não é verdade, pois ele também permitiu que as empresas de telecomunicações norte-americanas fizessem transações com Cuba.</p>
<p><strong>Os prêmios internacionais, o blog e Barack Obama</strong><br />
SL &#8211; A senhora terá de admitir que é bem pouco, quando se sabe que Obama prometeu um novo enfoque para Cuba. Voltemos a seu caso pessoal. Como explica esta avalanche de prêmios, assim como seu sucesso internacional?</p>
<p>YS &#8211; Não tenho muito a dizer, a não ser expressar minha gratidão. Todo prêmio implica uma dose de subjetividade por parte do jurado. Todo prêmio é discutível. Por exemplo, muitos escritores latino-americanos mereciam o Prêmio Nobel de Literatura mais que Gabriel García Márquez.</p>
<p>SL &#8211; A senhora afirma isso porque acredita que ele não tem tanto talento ou por sua posição favorável à Revolução cubana? A senhora não nega seu talento de escritor, ou nega?</p>
<p>YS &#8211; É minha opinião, mas não direi que ele obteve o prêmio por esse motivo nem vou acusá-lo de ser um agente do governo sueco.</p>
<p>SL &#8211; Ele obteve o prêmio por sua obra literária, enquanto a senhora foi recompensada por suas posições políticas contra o governo. É a impressão que temos.</p>
<p>YS &#8211; Falemos do prêmio Ortega y Gasset, do jornal <em>El País</em>, que suscita mais polêmica. Venci na categoria &#8220;Internet&#8221;. Alguns dizem que outros jornalistas não conseguiram, mas sou uma blogueira e sou pioneira neste campo. Considero-me uma personagem da internet. O júri do prêmio Ortega y Gasset é formado por personalidades extremamente prestigiadas e eu não diria que elas se prestaram a uma conspiração contra Cuba.</p>
<p>SL &#8211; A senhora não pode negar que o jornal espanhol <em>El País</em> tem uma linha editorial totalmente hostil a Cuba. E alguns acham que o prêmio, de 15.000 euros, foi uma forma de recompensar seus escritos contra o governo.</p>
<p>YS &#8211; As pessoas pensam o que querem. Acredito que meu trabalho foi recompensado. Meu blog tem 10 milhões de visitas por mês. É um furacão.</p>
<p>SL &#8211; Como a senhora faz para pagar os gastos com a administração de semelhante tráfego?</p>
<p>YS &#8211; Um amigo na Alemanha se encarregava disso, pois o site estava hospedado na Alemanha. Há mais de um ano, está hospedado na Espanha, e consegui 18 meses gratuitos graças ao prêmio The Bob&#8217;s.</p>
<p>SL &#8211; E a tradução para 18 línguas?</p>
<p>YS &#8211; São amigos e admiradores que o fazem voluntária e gratuitamente.</p>
<p>SL &#8211; Muitas pessoas acham difícil acreditar nisso, pois nenhum outro site do mundo, nem mesmo os das mais importantes instituições internacionais, como as Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a OCDE, a União Europeia, dispõe de tantas versões de idioma. Nem o site do Departamento de Estado dos EUA, nem o da CIA contam com semelhante variedade.</p>
<p>YS &#8211; Digo-lhe a verdade.</p>
<p>SL &#8211; O presidente Obama inclusive respondeu a uma entrevista que a senhora fez. Como explica isso?</p>
<p>YS &#8211; Em primeiro lugar, quero dizer que não eram perguntas complacentes.</p>
<p>SL &#8211; Tampouco podemos afirmar que a senhora foi crítica, já que não pediu que ele suspendesse as sanções econômicas, sobre as quais a senhora diz que &#8220;são usadas como justificativa tanto para o descalabro produtivo quanto para reprimir os que pensam diferente&#8221;. É exatamente o que diz Washington sobre o tema.</p>
<p>O momento de maior atrevimento foi quando a senhora perguntou se ele pensava em invadir Cuba. Como a senhora explica que o presidente Obama tenha dedicado tempo a lhe responder apesar de sua agenda extremamente carregada, com uma crise econômica sem precedentes, a reforma do sistema de saúde, o Iraque, o Afeganistão, as bases militares na Colômbia, o golpe de Estado em Honduras e centenas de pedidos de entrevista dos mais importantes meios do mundo à espera?</p>
<p>YS &#8211; Tenho sorte. Quero lhe dizer que também enviei perguntas ao presidente Raúl Castro e ele não me respondeu. Não perco a esperança. Além disso, ele agora tem a vantagem de contar com as respostas de Obama.</p>
<p>SL &#8211; Como a senhora chegou até Obama?</p>
<p>YS &#8211; Transmiti as perguntas a várias pessoas que vinham me visitar e poderiam ter um contato com ele.</p>
<p>SL &#8211; Em sua opinião, Obama respondeu porque a senhora é uma blogueira cubana ou porque se opõe ao governo?</p>
<p>YS &#8211; Não creio. Obama respondeu porque fala com os cidadãos.</p>
<p>SL &#8211; Ele recebe milhões de solicitações a cada dia. Por que lhe respondeu, se a senhora é uma simples blogueira?</p>
<p>YS &#8211; Obama é próximo de minha geração, de meu modo de pensar.</p>
<p>SL &#8211; Mas por que a senhora? Existem milhões de blogueiros no mundo. Não acha que foi usada na guerra midiática de Washington contra Havana?</p>
<p>YS &#8211; Em minha opinião, ele talvez quisesse responder a alguns pontos, como a invasão de Cuba. Talvez eu tenha lhe dado a oportunidade de se manifestar sobre um tema que ele queria abordar havia muito tempo. A propaganda política nos fala constantemente de uma possível invasão de Cuba.</p>
<p>SL &#8211; Mas ocorreu uma, não?</p>
<p>YS &#8211; Quando?</p>
<p>SL &#8211; Em 1961. E, em 2003, Roger Noriega, subsecretário de Estado para Assuntos Interamericanos, disse que qualquer onda migratória cubana em direção aos Estados Unidos seria considerada uma ameaça à segurança nacional e exigiria uma resposta militar.</p>
<p>YS &#8211; É outro assunto. Voltando ao tema da entrevista, creio que ela permitiu esclarecer alguns pontos. Tenho a impressão de que há uma intenção de ambos os lados de não normalizar as relações, de não se entender. Perguntei-lhe quando encontraríamos uma solução.</p>
<p>SL &#8211; A seu ver, quem é responsável por este conflito entre os dois países?</p>
<p>YS &#8211; É difícil apontar um culpado.</p>
<p>SL &#8211; Neste caso específico, são os Estados Unidos que impõem sanções unilaterais a Cuba, e não o contrário.</p>
<p>YS &#8211; Sim, mas Cuba confiscou propriedades dos Estados Unidos.</p>
<p>SL &#8211; Tenho a impressão de que a senhora faz o papel de advogada de Washington.</p>
<p>YS &#8211; Os confiscos ocorreram.</p>
<p>SL &#8211; É verdade, mas foram realizados conforme o direito internacional. Cuba também confiscou propriedades da França, Espanha, Itália, Bélgica, Reino Unido, e indenizou estas nações. O único país que recusou as indenizações foram os Estados Unidos.</p>
<p>YS &#8211; Cuba também permitiu a instalação de bases militares em seu território e de mísseis de um império distante&#8230;</p>
<p>SL &#8211; &#8230;Como os Estados Unidos instalaram bases nucleares contra a URSS na Itália e na Turquia.</p>
<p>YS &#8211; Os mísseis nucleares podiam alcançar os Estados Unidos.</p>
<p>SL &#8211; Assim como os mísseis nucleares norte-americanos podiam alcançar Cuba ou a URSS.</p>
<p>YS &#8211; É verdade, mas creio que houve uma escalada no confronto por parte de ambos os países.</p>
<p><strong>Os cinco presos políticos cubanos e a dissidência</strong><br />
SL &#8211; Abordemos outro tema. Fala-se muito dos cinco presos políticos cubanos nos Estados Unidos, condenados à prisão perpétua por infiltrar grupelhos de extrema direita na Flórida envolvidos no terrorismo contra Cuba.</p>
<p>YS &#8211; Não é um tema que interesse à população. É propaganda política.</p>
<p>SL &#8211; Mas qual é seu ponto de vista a respeito?</p>
<p>YS &#8211; Tentarei ser o mais neutra possível. São agentes do Ministério do Interior que se infiltraram nos Estados Unidos para coletar informações. O governo de Cuba disse que eles não desempenhavam atividades de espionagem, mas sim que haviam infiltrado grupos cubanos para evitar atos terroristas. Mas o governo cubano sempre afirmou que esses grupos estavam ligados a Washington.</p>
<p>SL &#8211; Então os grupos radicais de exilados têm laços com o governo dos Estados Unidos.</p>
<p>YS &#8211; É o que diz a propaganda política.</p>
<p>SL &#8211; Então não é verdade.</p>
<p>YS &#8211; Se é verdade, significa que os cinco realizavam atividades de espionagem.</p>
<p>SL &#8211; Neste caso, os Estados Unidos têm de reconhecer que os grupos violentos fazem parte do governo.</p>
<p>YS &#8211; É verdade.</p>
<p>SL &#8211; A senhora acha que os Cinco devem ser libertados ou merecem a punição?</p>
<p>YS &#8211; Creio que valeria a pena revisar os casos, mas em um contexto político mais apaziguado. Não acho que o uso político deste caso seja bom para eles. O governo cubano midiatiza demais este assunto.</p>
<p>SL &#8211; Talvez por ser um assunto totalmente censurado pela imprensa ocidental.</p>
<p>YS &#8211; Creio que seria bom salvar essas pessoas, que são seres humanos, têm uma família, filhos. Por outro lado, contudo, também há vítimas.</p>
<p>SL &#8211; Mas os cinco não cometeram crimes.</p>
<p>YS &#8211; Não, mas forneceram informações que causaram a morte de várias pessoas.</p>
<p>SL &#8211; A senhora se refere aos acontecimentos de 24 de fevereiro de 1996, quando dois aviões da organização radical <em>Brothers to the Rescue</em> foram derrubados depois de violar várias vezes o espaço aéreo cubano e lançar convocações à rebelião.</p>
<p>YS &#8211; Sim.</p>
<p>SL &#8211; No entanto, o promotor reconheceu que era impossível provar a culpa de Gerardo Hernández neste caso.</p>
<p>YS &#8211; É verdade. Penso que, quando a política se intromete em assuntos de justiça, chegamos a isso.</p>
<p>SL &#8211; A senhora acha que se trata de um caso político?</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">YS &#8211; Para o governo cubano, é um caso político.&nbsp;</p>
<p>SL &#8211; E para os Estados Unidos?</p>
<p>YS &#8211; Penso que existe uma separação dos poderes no país, mas é possível que o ambiente político tenha influenciado os juízes e jurados. Não creio, no entanto, que se trate de um caso político dirigido por Washington. É difícil ter uma imagem clara deste caso, pois jamais obtivemos uma informação completa a respeito. Mas a prioridade para os cubanos é a libertação dos presos políticos.</p>
<p><strong>O financiamento </strong><br />
SL &#8211; Wayne S. Smith, último embaixador dos Estados Unidos em Cuba, declarou que era &#8220;ilegal e imprudente enviar dinheiro aos dissidentes cubanos&#8221;. Acrescentou que &#8220;ninguém deveria dar dinheiro aos dissidentes, muito menos com o objetivo de derrubar o governo cubano&#8221;.</p>
<p>Ele explica: &#8220;Quando os Estados Unidos declaram que seu objetivo é derrubar o governo cubano e depois afirmam que um dos meios para conseguir isso é oferecer fundos aos dissidentes cubanos, estes se encontram de fato na posição de agentes pagos por uma potência estrangeira para derrubar seu próprio governo&#8221;.</p>
<p>YS &#8211; Creio que o financiamento da oposição pelos Estados Unidos tem sido apresentado como uma realidade, o que não é o caso. Conheço vários membros do grupo dos 75 dissidentes presos em 2003 e duvido muito dessa versão. Não tenho provas de que os 75 tenham sido presos por isso. Não acredito nas provas apresentadas nos tribunais cubanos.</p>
<p>SL &#8211; Não creio que seja possível ignorar esta realidade.</p>
<p>YS &#8211; Por quê?</p>
<p>SL &#8211; O próprio governo dos Estados Unidos afirma que financia a oposição interna desde 1959. Basta consultar, além dos arquivos liberados ao público, a seção 1.705 da lei Torricelli, de 1992, a seção 109 da lei Helms-Burton, de 1996, e os dois informes da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre, de maio de 2004 e julho de 2006. Todos esses documentos revelam que o presidente dos Estados Unidos financia a oposição interna em Cuba com o objetivo de derrubar o governo de Havana.</p>
<p>YS &#8211; Não sei, mas&#8230;</p>
<p>SL &#8211; Se me permite, vou citar as leis em questão. A seção 1.705 da lei Torricelli estipula que &#8220;os Estados Unidos proporcionarão assistência às organizações não-governamentais adequadas para apoiar indivíduos e organizações que promovem uma mudança democrática não violenta em Cuba.&#8221;</p>
<p>A seção 109 da lei Helms-Burton também é muito clara: &#8220;O presidente [dos Estados Unidos] está autorizado a proporcionar assistência e oferecer todo tipo de apoio a indivíduos e organizações não-governamentais independentes para unir os esforços a fim de construir uma democracia em Cuba&#8221;.</p>
<p>O primeiro informe da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre prevê a elaboração de um &#8220;sólido programa de apoio que favoreça a sociedade civil cubana&#8221;. Entre as medidas previstas, há um financiamento de 36 milhões de dólares para o &#8220;apoio à oposição democrática e ao fortalecimento da sociedade civil emergente&#8221;.</p>
<p>O segundo informe da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre prevê um orçamento de 31 milhões de dólares para financiar ainda mais a oposição interna. Além disso, está previsto para os anos seguintes um financiamento anual de pelo menos 20 milhões de dólares, com o mesmo objetivo, &#8220;até que a ditadura deixe de existir&#8221;.</p>
<p>YS &#8211; Quem lhe disse que esse dinheiro chegou às mãos dos dissidentes?</p>
<p>SL &#8211; A Seção de Interesses Norte-americanos afirmou em um comunicado: &#8220;A política norte-americana, faz muito tempo, é proporcionar assistência humanitária ao povo cubano, especificamente a famílias de presos políticos. Também permitimos que as organizações privadas o façam.&#8221;</p>
<p>YS &#8211; Bem&#8230;</p>
<p>SL &#8211; Inclusive a Anistia Internacional, que lembra a existência de 58 presos políticos em Cuba, reconhece que eles estão detidos &#8220;por ter recebido fundos ou materiais do governo norte-americano para realizar atividades que as autoridades consideram subversivas e prejudiciais para Cuba&#8221;.</p>
<p>YS &#8211; Não sei se&#8230;</p>
<p>SL &#8211; Por outro lado, os próprios dissidentes admitem receber dinheiro dos Estados Unidos. Laura Pollán, das Damas de Branco, declarou: &#8220;Aceitamos a ajuda, o apoio, da ultradireita à esquerda, sem condições&#8221;. O opositor Vladimiro Roca também confessou que a dissidência cubana é subvencionada por Washington, alegando que a ajuda financeira recebida era &#8220;total e completamente lícita&#8221;. Para o dissidente René Gómez, o apoio econômico por parte dos Estados Unidos &#8220;não é algo a esconder ou de que precisemos nos envergonhar&#8221; .</p>
<p>Inclusive, a imprensa ocidental reconhece. A agência France Presse informa que &#8220;os dissidentes, por sua parte, reivindicaram e assumiram essas ajudas econômicas&#8221;. A agência espanhola EFE menciona os &#8220;opositores financiados pelos Estados Unidos&#8221;. Quanto à agência de notícias britânica Reuters, &#8220;o governo norte-americano fornece abertamente um apoio financeiro federal às atividades dos dissidentes, o que Cuba considera um ato ilegal&#8221;. E eu poderia multiplicar os exemplos.</p>
<p>YS &#8211; Tudo isso é culpa do governo cubano, que impede a prosperidade econômica de seus cidadãos, que impõe um racionamento à população. É preciso fazer fila para conseguir produtos. É necessário julgar antes o governo cubano, que levou milhares de pessoas a aceitar a ajuda estrangeira.</p>
<p>SL &#8211; O problema é que os dissidentes cometem um delito que a lei cubana e todos os códigos penais do mundo sancionam severamente. Ser financiado por uma potência estrangeira é um grave delito na França e no restante do mundo.</p>
<p>YS &#8211; Podemos admitir que o financiamento de uma oposição é uma prova de ingerência, mas&#8230;</p>
<p>SL &#8211; Mas, neste caso, as pessoas que a senhora qualifica de presos políticos não são presos políticos, pois cometeram um delito ao aceitar dinheiro dos Estados Unidos, e a justiça cubana as condenou com base nisso.</p>
<p>YS &#8211; Creio que este governo se intrometeu muitas vezes nos assuntos internos de outros países, financiando movimentos rebeldes e a guerrilha. Interveio em Angola e&#8230;</p>
<p>SL &#8211; Sim, mas se tratava de ajudar os movimentos independentistas contra o colonialismo português e o regime segregacionista da África do Sul. Quando a África do Sul invadiu a Namíbia, Cuba interveio para defender a independência deste país. Nelson Mandela agradeceu publicamente a Cuba e esta foi a razão pela qual fez sua primeira viagem a Havana, e não a Washington ou Paris.</p>
<p>YS &#8211; Mas muitos cubanos morreram por isso, longe de sua terra.</p>
<p>SL &#8211; Sim, mas foi por uma causa nobre, seja em Angola, no Congo ou na Namíbia. A batalha de Cuito Cuanavale, em 1988, permitiu que se pusesse fim ao apartheid na África do Sul. É o que diz Mandela! Não se sente orgulhosa disso?</p>
<p>YS &#8211; Concordo, mas, no fim das contas, incomoda-me mais a ingerência de meu país no exterior. O que faz falta é despenalizar a prosperidade.</p>
<p>SL &#8211; Inclusive o fato de se receber dinheiro de uma potência estrangeira?</p>
<p>YS &#8211; As pessoas têm de ser economicamente autônomas.</p>
<p>SL &#8211; Se entendo bem, a senhora preconiza a privatização de certos setores da economia.</p>
<p>YS &#8211; Não gosto do termo &#8220;privatizar&#8221; , pois tem uma conotação pejorativa, mas colocar em mãos privadas, sim.</p>
<p><strong>Conquistas sociais em Cuba?</strong><br />
SL &#8211; É uma questão semântica, então. Quais são, para a senhora, as conquistas sociais deste país?</p>
<p>YS &#8211; Cada conquista teve um custo enorme. Todas as coisas que podem parecer positivas tiveram um custo em termos de liberdade. Meu filho recebe uma educação muito doutrinária e contam-lhe uma história de Cuba que em nada corresponde à realidade. Preferiria uma educação menos ideológica para meu filho. Por outro lado, ninguém quer ser professor neste país, pois os salários são muito baixos.</p>
<p>SL &#8211; Concordo, mas isso não impede que Cuba seja o país com o maior número de professores por habitante do mundo, com salas de 20 alunos no máximo, o que não ocorre na França, por exemplo.</p>
<p>YS &#8211; Sim, mas houve um custo, e por isso a educação e a saúde não são verdadeiras conquistas para mim.</p>
<p>SL &#8211; Não podemos negar algo reconhecido por todas as instituições internacionais. Em relação à educação, o índice de analfabetismo é de 11,7% na América Latina e 0,2% em Cuba. O índice de escolaridade no ensino primário é de 92% na América Latina e 100% em Cuba, e no ensino secundário é de 52% e 99,7%, respectivamente. São cifras do Departamento de Educação da Unesco.</p>
<p>YS &#8211; Certo, mas, em 1959, embora Cuba vivesse em condições difíceis, a situação não era tão ruim. Havia uma vida intelectual florescente, um pensamento político vivo. Na verdade, a maioria das supostas conquistas atuais, apresentadas como resultados do sistema, eram inerentes a nossa idiossincrasia. Essas conquistas existiam antes.</p>
<p>SL &#8211; Não é verdade. Vou citar uma fonte acima de qualquer suspeita: um informe do Banco Mundial. É uma citação bastante longa, mas vale a pena.</p>
<p>&#8220;Cuba é internacionalmente reconhecida por seus êxitos no campo da educação e da saúde, com um serviço social que supera o da maior parte dos países em desenvolvimento e, em certos setores, comparável ao dos países desenvolvidos. Desde a Revolução cubana de 1959 e do estabelecimento de um governo comunista com partido único, o país criou um sistema de serviços sociais que garante o acesso universal à educação e à saúde, proporcionado pelo Estado. Este modelo permitiu que Cuba alcançasse uma alfabetização universal, a erradicação de certas enfermidades, o acesso geral à água potável e a salubridade pública de base, uma das taxas de mortalidade infantil mais baixas da região e uma das maiores expectativas de vida. Uma revisão dos indicadores sociais de Cuba revela uma melhora quase contínua desde 1960 até 1980. Vários índices importantes, como a expectativa de vida e a taxa de mortalidade infantil, continuaram melhorando durante a crise econômica do país nos anos 90&#8230; Atualmente, o serviço social de Cuba é um dos melhores do mundo em desenvolvimento, como documentam numerosas fontes internacionais, entre elas a Organização Mundial de Saúde, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e outras agências da ONU, e o Banco Mundial. Segundo os índices de desenvolvimento do mundo, em 2002, Cuba supera amplamente a América Latina e o Caribe e outros países com renda média nos mais importantes indicadores de educação, saúde e salubridade pública.&#8221;</p>
<p>Além disso, os números comprovam. Em 1959, a taxa de mortalidade infantil era de 60 por mil. Em 2009, era de 4,8. Trata-se da taxa mais baixa do continente americano do Terceiro Mundo; inclusive mais baixa que a dos Estados Unidos.</p>
<p>YS &#8211; Bom, mas&#8230;</p>
<p>SL &#8211; A expectativa de vida era de 58 anos antes da Revolução. Agora é de quase 80 anos, similar à de muitos países desenvolvidos. Cuba tem hoje 67.000 médicos frente aos 6.000 de 1959. Segundo o diário inglês <em>The Guardian</em>, Cuba tem duas vezes mais médicos que a Inglaterra para uma população quatro vezes menor.</p>
<p>YS &#8211; Certo, mas, em termos de liberdade de expressão, houve um recuo em relação ao governo de Batista. O regime era uma ditadura, mas havia uma liberdade de imprensa plural e aberta, programas de rádio de todas as tendências políticas.</p>
<p>SL &#8211; Não é verdade. A censura da imprensa também existia. Entre dezembro de 1956 e janeiro de 1959, durante a guerra contra o regime de Batista, a censura foi imposta em 630 de 759 dias. E aos opositores reservava-se um triste destino.</p>
<p>YS &#8211; É verdade que havia censura, intimidações e mortos ao final.</p>
<p>SL &#8211; Então a senhora não pode dizer que a situação era melhor com Batista, já que os opositores eram assassinados. Já não é o caso hoje. A senhora acha que a data de 1º de janeiro é uma tragédia para a história de Cuba?</p>
<p>YS &#8211; Não, de modo algum. Foi um processo que motivou muita esperança, mas traiu a maioria dos cubanos. Fui um momento luminoso para boa parte da população, mas puseram fim a uma ditadura e instauraram outra. Mas não sou tão negativa como alguns.</p>
<p><strong>Luis Posada Carriles, a lei de Ajuste Cubano e a emigração</strong><br />
SL &#8211; O que acha de Luis Posada Carriles, ex-agente da CIA responsável por numerosos crimes em Cuba e a quem os Estados Unidos recusam-se a julgar?</p>
<p>YS &#8211; É um tema político que não interessa às pessoas. É uma cortina de fumaça.</p>
<p>SL &#8211; Interessa, pelo menos, aos parentes das vítimas. Qual é seu ponto de vista a respeito?</p>
<p>YS &#8211; Não gosto de ações violentas.</p>
<p>SL &#8211; Condena seus atos terroristas?</p>
<p>YS &#8211; Condeno todo ato de terrorismo, inclusive os cometidos atualmente no Iraque por uma suposta resistência iraquiana que mata os iraquianos.</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">SL &#8211; Quem mata os iraquianos? Os ataques da resistência ou os bombardeios dos Estados Unidos?&nbsp;</p>
<p>YS &#8211; Não sei.</p>
<p>SL &#8211; Uma palavra sobre a lei de Ajuste Cubano, que determina que todo cubano que emigra legal ou ilegalmente para os Estados Unidos obtém automaticamente o status de residente permanente.</p>
<p>YS &#8211; É uma vantagem que os demais países não têm. Mas o fato de os cubanos emigrarem para os Estados Unidos deve-se à situação difícil aqui.</p>
<p>SL &#8211; Além disso, os Estados Unidos são o país mais rico do mundo. Muitos europeus também emigram para lá. A senhora reconhece que a lei de Ajuste Cubano é uma formidável ferramenta de incitação à emigração legal e ilegal?</p>
<p>YS &#8211; É, efetivamente, um fator de incitação.</p>
<p>SL &#8211; A senhora não vê isso como uma ferramenta para desestabilizar a sociedade e o governo?</p>
<p>YS &#8211; Neste caso, também podemos dizer que a concessão da cidadania espanhola aos descendentes de espanhóis nascidos em Cuba é um fator de desestabilização.</p>
<p>SL &#8211; Não tem nada a ver, pois existem razões históricas e, além disso, a Espanha aplica esta lei a todos os países da América Latina e não só a Cuba, enquanto a lei de Ajuste Cubano é única no mundo.</p>
<p>YS &#8211; Mas existem fortes relações. Joga-se beisebol em Cuba como nos Estados Unidos.</p>
<p>SL &#8211; Na República Dominicana também, mas não existe uma lei de ajuste dominicano.</p>
<p>YS &#8211; Existe, no entanto, uma tradição de aproximação.</p>
<p>SL &#8211; Então por que esta lei não foi aprovada antes da Revolução?</p>
<p>YS &#8211; Por que os cubanos não queriam deixar seu país. Na época, Cuba era um país de imigração, não de emigração.</p>
<p>SL &#8211; É absolutamente falso, já que, nos anos 50, Cuba ocupava o segundo lugar entre os países americanos em termos de emigração rumo aos Estados Unidos, imediatamente atrás do México. Cuba mandava mais emigrantes para os Estados Unidos que toda a América Central e toda a América do Sul juntas, enquanto que atualmente Cuba só ocupa o décimo lugar, apesar da lei de Ajuste Cubano e das sanções econômicas.</p>
<p>YS &#8211; Talvez, mas não havia essa obsessão de abandonar o país.</p>
<p>SL &#8211; As cifras demonstram o contrário. Atualmente, repito, Cuba só ocupa o décimo lugar no continente americano em termos de fluxo migratório para os Estados Unidos. Então, a obsessão da qual você me fala é mais forte en nove países do continente, pelo menos.</p>
<p>YS &#8211; Sim, mas naquela época os cubanos iam e regressavam.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;">SL &#8211; É a mesma coisa hoje, já que a cada ano os cubanos do exterior voltam nas férias. Além disso, antes de 2004 e das restrições impostas pelo presidente Bush limitando as viagens dos cubanos dos EUA a 14 dias a cada três anos, os cubanos constituíam a minoria dos EUA que viajava com mais frequência a seu país de origem, muito mais que os mexicanos, por exemplo, o que demonstra que os cubanos dos EUA são, na imensa maioria, emigrados econômicos e não exilados políticos, já que voltam a seu país em visita, algo que um exilado político não faria.</p>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; Sim, mas pergunte-lhes se querem voltar a viver aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">SL &#8211; Mas é o que a senhora fez, não? Além disso, em seu blog, a senhora escreveu em julho de 2007 que seu caso não era isolado. Cito: &#8220;Há três anos [...] em Zurique, decidi voltar e permanecer em meu país. Meus amigos acharam que era uma piada, minha mãe negou-se a aceitar que sua filha já não vivia na Suíça do leite e do chocolate&#8221;. Em 12 de agosto de 2004, a senhora se apresentou no escritório de imigração provincial de Havana para explicar seu caso. A senhora escreveu: &#8220;Tremenda surpresa quando me disseram para procurar o último da fila dos &#8216;que regressam&#8217;. [...] E logo encontrei outros &#8216;loucos&#8217; como eu, cada um com sua cruel história de retorno&#8221;. Então existe esse fenômeno de regresso ao país.</p>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; Sim, mas é gente que regressa por razões pessoais. Há alguns que têm dívidas no exterior, outros que não suportam a vida lá fora. Enfim, uma multidão de razões.</p>
<p style="text-align: justify;">SL &#8211; Então, apesar das dificuldades e das vicissitudes cotidianas, a vida não é tão terrível aqui, já que alguns regressam. A senhora acha que os cubanos têm uma visão idílica demais da vida no exterior?</p>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; Isto se deve à propaganda do regime, que apresenta de uma maneira negativa demais a vida lá fora, com um resultado oposto para as pessoas, que idealizam demais o modo de vida ocidental. O problema é que, em Cuba, a emigração de mais de 11 meses é definitiva. As pessoas não podem viver dois anos fora, voltar por um tempo e ir embora de novo etc.</p>
<p style="text-align: justify;">SL &#8211; Então, se compreendo bem, o problema em Cuba é mais de ordem econômica, já que as pessoas querem abandonar o país só para melhorar seu nível de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; Muitos gostariam de viajar ao exterior e poder voltar logo, mas as leis migratórias não permitem. Tenho certeza de que, se fosse possível, muita gente emigraria por dois anos e voltaria logo para ir embora de novo e regressar etc.</p>
<p style="text-align: justify;">SL &#8211; Em seu blog, houve comentários interessantes a respeito. Vários emigrados falaram de suas desilusões com o modo de vida ocidental.</p>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; É muito humano. Você se apaixona por uma mulher e, três meses depois, perde suas ilusões. Compra um par de sapatos e, depois de dois dias, não gosta deles. As desilusões são parte da condição humana. O pior é que as pessoas não podem voltar.</p>
<p style="text-align: justify;">SL &#8211; Mas as pessoas voltam.</p>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; Sim, mas só de férias.</p>
<p style="text-align: justify;">SL &#8211; Mas têm o direito de ficar todo o tempo que quiserem, vários anos inclusive, salvo o fato de perderem algumas vantagens vinculadas à condição de residente permanente, como os cupons de racionamento, a prioridade para a moradia etc.</p>
<div style="text-align: justify;">YS &#8211; Sim, mas as pessoas não podem ficar aqui por vários meses, pois têm sua vida lá fora, seu trabalho etc.</div>
<p style="text-align: justify;">SL &#8211; Isso é outra coisa, e é igual para todos os emigrados do mundo inteiro. Em todo caso, as pessoas podem perfeitamente voltar a Cuba quando quiserem e permanecer no país o tempo que quiserem. O único problema é que, se ficam mais de 11 meses fora do país, perdem algumas vantagens. Por outro lado, custa-me compreender por que, se a realidade é tão terrível aqui, alguém que tem a oportunidade de viver fora, em um país desenvolvido, desejaria voltar para viver novamente em Cuba.</p>
<div style="text-align: justify;">YS &#8211; Por múltiplas razões, por seus laços familiares etc.</div>
<p style="text-align: justify;">SL &#8211; Então a realidade não é tão dramática.</p>
<div style="text-align: justify;">YS &#8211; Não diria isso, mas alguns têm melhores condições de vida que outros.</div>
<p style="text-align: justify;">SL &#8211; Quais são, para a senhora, os objetivos do governo dos EUA em relação a Cuba?</p>
<div style="text-align: justify;">YS &#8211; Os EUA querem uma mudança de governo em Cuba, mas isso é o que quero também.</div>
<div style="text-align: justify;">SL &#8211; Então a senhora compartilha um objetivo com os EUA.</div>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; Como muitos cubanos.</p>
<p style="text-align: justify;">SL &#8211; Não estou convencido disso. Mas por quê? Porque é uma ditadura? O que Washington quer de Cuba?</p>
<div style="text-align: justify;">YS &#8211; Creio que se trata de um questão geopolítica. Há também a vontade dos exilados cubanos, que são levados em conta, e querem uma nova Cuba, o bem-estar dos cubanos.</div>
<p style="text-align: justify;">SL &#8211; Com a imposição de sanções econômicas?</p>
<div style="text-align: justify;">YS &#8211; Tudo depende de quem é a referência. Quanto aos EUA, creio que querem impedir a explosão da bomba migratória.</div>
<p style="text-align: justify;">SL &#8211; Ah, é? Com a lei de Ajuste Cubano, que incita os cubanos a abandonar o país? Não é sério. Por que não anulam essa lei, então?</p>
<div style="text-align: justify;">YS &#8211; Creio que o verdadeiro objetivo dos EUA é acabar com o governo de Cuba para dispor de um espaço mais estável. Muito se fala de Davi contra Golias para descrever o conflito. Mas o único Golias, para mim, é o governo cubano, que impõe um controle, a ilegalidade, os baixos salários, a repressão, as limitações.</div>
<p style="text-align: justify;">SL &#8211; A senhora não acha que a hostilidade dos EUA contribuiu para isso?</p>
<div style="text-align: justify;">YS &#8211; Não apenas acho que contribuiu, mas também que se transformou no principal argumento para se afirmar que vivemos em uma fortaleza assediada e que toda dissidência é traição. Acredito que, na verdade, o governo cubano teme que este confronto desapareça. O governo cubano quer a manutenção das sanções econômicas.</div>
<p style="text-align: justify;">SL &#8211; Verdade? Porque é exatamente o que diz Washington, de um modo um pouco contraditório, pois, se fosse o caso, deveria suspender as sanções e assim deixar o governo cubano diante de suas próprias responsabilidades. Já não existiria a desculpa das sanções para justificar os problemas de Cuba.</p>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; Cada vez que os EUA tentaram melhorar a situação, o governo cubano teve uma atitude contraproducente.</p>
<div style="text-align: justify;">SL &#8211; Em que momento os EUA tentaram melhorar a situação? Desde 1960, só se reforçaram as sanções, à exceção da era Carter. Por isso, é difícil manter esse discurso. Em 1992, os EUA votaram a lei Torricelli, com caráter extraterritorial; em 1996, a lei Helms-Burton, extraterritorial e retroativa; em 2004, Bush adotou novas sanções, e as ampliou em 2006. Não podemos dizer que os Estados Unidos tentaram melhorar a situação. Os fatos provam o contrário. Além disso, se as sanções são favoráveis ao governo cubano e servem apenas de desculpa, por que não eliminá-las? Não são os dirigentes que sofrem com as sanções, e sim o povo.</div>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; Obama deu um passo nesse sentido &#8211; insuficiente, talvez, mas interessante.</p>
<div style="text-align: justify;">SL &#8211; Ele apenas eliminou as restrições que Bush impôs aos cubanos e lhes impedia de viajar a seu país por mais de 14 dias a cada três anos, na melhor das hipóteses, e contanto que tivessem um membro direto de sua família em Cuba. Bush inclusive redefiniu o conceito de família. Um cubano da Flórida com apenas um tio em Cuba não podia viajar a seu país, porque o tio não era considerado membro &#8220;direto&#8221; da família. Obama não eliminou todas as sanções impostas por Bush, e nem sequer voltamos à situação que havia com Clinton.</div>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; Creio que as duas partes deveriam, sobretudo, baixar o tom, e Obama o fez. Mas Obama não pode eliminar as sanções, pois falta um acordo no Congresso.&nbsp;</p>
<p>SL &#8211; Mas pode aliviá-las consideravelmente assinando simples ordens executivas, o que por enquanto ele se recusa a fazer. Está ocupado com outros temas, como o desemprego e a reforma da saúde. No entanto, teve tempo de responder à sua entrevista.</p>
<div style="text-align: justify;">YS &#8211; Sou uma pessoa de sorte.</div>
</p>
<p style="text-align: justify;">SL &#8211; A posição do governo cubano é a seguinte: não temos de dar nenhum passo em direção aos EUA, pois não impomos sanções aos EUA.</p>
<div style="text-align: justify;">YS &#8211; Sim, e o governo diz também que os EUA não devem pedir mudanças internas, pois isso é ingerência.</div>
<p style="text-align: justify;">SL &#8211; É o caso, não?</p>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; Então, se eu pedir uma mudança, também é ingerência?</p>
<div style="text-align: justify;">SL &#8211; Não, porque a senhora é cubana e, por isso, tem direito de decidir o futuro de seu país.</div>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; O problema não é quem pede as mudanças, e sim quais são as mudanças em questão.</p>
<div style="text-align: justify;">SL &#8211; Não estou certo disso, porque, como francês, não gostaria que o governo belga ou o governo alemão se intrometessem nos assuntos internos da França. Como cubana, a senhora aceita que o governo dos EUA lhe diga como deve governar seu país?</div>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; Se o objetivo é agredir o país, é evidentemente inaceitável.</p>
<div style="text-align: justify;">SL &#8211; A senhora considera as sanções econômicas uma agressão?</div>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; Sim, as considero uma agressão que não teve resultados e é uma múmia da guerra fria que não faz nenhum sentido, atinge o povo e tem fortalecido o governo. Mas repito que o governo cubano é responsável por 80% da crise econômica atual, enquanto 20% resultam das sanções.</p>
<div style="text-align: justify;">SL &#8211; Volto a repetir: é exatamente a posição do governo dos EUA, e os números provam o contrário. Se fosse o caso, não creio que 187 países do mundo se preocupassem em votar uma resolução contra as sanções. É a 18ª vez consecutiva que uma imensa maioria dos países da ONU se pronuncia contra esse castigo econômico. Se fosse marginal, não creio que eles se incomodassem.</div>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; Mas não sou uma especialista em economia, é minha impressão pessoal.</p>
<div style="text-align: justify;">SL &#8211; O que a senhora aconselha para Cuba?</div>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; É preciso liberalizar a economia. É claro que isso não pode ser feito de um dia para o outro, pois provocaria uma ruptura e disparidades que afetariam os mais vulneráveis. Mas é preciso fazê-lo gradualmente e o governo cubano tem a possibilidade de fazê-lo.</p>
<div style="text-align: justify;">SL &#8211; Um capitalismo &#8220;sui generis&#8221;, com a senhora diz.</div>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; Cuba é uma ilha <em>sui generis</em>. Podemos criar um capitalismo <em>sui generis</em>.</p>
<div style="text-align: justify;">SL &#8211; Yoani Sánchez, obrigado por seu tempo e disponibilidade.</div>
<p style="text-align: justify;">YS &#8211; Eu que agradeço.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/01/blogueira-que-virou-santa-e-popstar-e.html</p>
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		<title>Protesto anti-Globo cobra novo marco da mídia, que Dilma segura</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 12:45:23 +0000</pubDate>
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<!-- AddThis Button END -->Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, já recebeu da equipe proposta de consulta pública sobre novo marco regulatório para emissoras de rádio e TV, mas projeto não anda por falta de priorização da própria presidenta Dilma Rousseff. Nesta sexta-feira (20), militantes da democratização da mídia vão cobrar nova lei durante protesto contra Globo pelo &#8216;caso BBB&#8217;. [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;">Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, já  recebeu da equipe proposta de consulta pública sobre novo marco  regulatório para emissoras de rádio e TV, mas projeto não anda por falta  de priorização da própria presidenta Dilma Rousseff.  Nesta sexta-feira (20), militantes da democratização da mídia vão cobrar  nova lei durante protesto contra Globo pelo &#8216;caso BBB&#8217;.</p>
<p style="text-align: justify;">A reportagem é de André Barrocal e Najla Passos e publicada por <em>Carta Maior</em>, 19-01-2012.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo sem comprovação de que de fato tenha havido estupro, a polêmica levantada pelo programa Big Brother Brasil (BBB)  serviu até agora para reacender, em setores da sociedade, um sentimento  anti-Globo e o debate sobre a necessidade ou não de um novo marco  regulatório para TVs e rádios, regidas hoje por uma legislação que, em  agosto, vai completar 50 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta sexta-feira (20), entidades que lutam pela democratização da comunicação no país vão promover um protesto contra a Globo,  em frente a sede dela em São Paulo, a partir das 12 horas. Além de  criticar a conduta da emissora, a manifestação vai cobrar do ministério  das Comunicações que tire da gaveta e discuta publicamente a proposta de  regras mais atuais na radiodifusão.<span id="more-40131"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A proposta de um novo marco regulatório começou a ser elaborada na reta final do governo Lula, depois que, em dezembro de 2009, houve a I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Conduzido na época pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, o trabalho resultou em uma proposta que, no governo Dilma Rousseff, foi encaminhada ao ministério das Comunicações.</p>
<p style="text-align: justify;">Em  2011, o ministério decidiu refazer o trabalho, com o objetivo de  ampliar seu escopo – em vez de englobar apenas a radiodifusão e o Código Brasileiro de Telecomunicações, o plano foi avançar até a Lei Geral de Telecomunicações (LGT), que em 2012 completa 15 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo,  pretende colocar o novo regulatório em consulta pública, antes de  fechá-la para envio ao Congresso. Ele recebeu uma proposta de marco e  consulta pública no fim de 2011. Segundo Carta Maior apurou, o texto  ainda não andou por falta de vontade política da presidenta Dilma Rousseff. Ela não cobra o projeto de Bernardo e, ao menos por ora, não o considera uma prioridade.</p>
<p style="text-align: justify;">Na convocação do ato contra a Globo, a Frente Paulista pela Liberdade de Expressão e pelo Direito à Comunicação (Frentex), o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e Rede Mulher e Mídia afirmam, porém, que há necessidade de aprovação de “um novo marco  regulatório do setor com mecanismos que contemplem órgãos reguladores  democráticos”.</p>
<p style="text-align: justify;">No cenário vislumbrado pelos defensores do novo  marco, o país teria uma agência de regulação de conteúdo de rádio e TV  com poderes para, de forma mais ágil, julgar casos como o do BBB, em que  se suspeitou de sexo não consentido – em depoimento à polícia, porém, a  vítima não apresentou queixa e disse que, ao menos enquanto esteve  acordada, concordou com o que acontecia.</p>
<p style="text-align: justify;">Independentemente disso, no entanto, o grupo que vai protestar contra a Globo considera  a emissora culpada por não contar à suposta vítima que ela poderia ter  sido estuprada, por prejudicar as investigações da polícia e por, via BBB,  enviar ao país uma mensagem de permissividade feminina. Além de  responsabilizar a emissora, pressiona para que os patrocinadores do BBB  parem de anunciar, sob pena de boicote do público.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta  quinta-feira (19), o grupo que organiza o protesto, formado por diversas  entidades de defesa dos direitos da mulher, entrou com uma denúncua no  Ministério Público Federal em São Paulo cobrando a responsabilização da Globo e  um direito de resposta coletivo em nome das mulheres que se sentiram  ofendidas, agredidas e que tiveram seus direitos violados.</p>
<p style="text-align: justify;">Em  nota, o Ministério Público informou que vai investigar o caso do ponto  de vista dos direitos da mulher. “O objetivo do procedimento é que a  Rede Globo, emissora de alcance nacional, não contribua para o processo  de estigmatização da mulher, mas para a promoção do respeito à mulher e a  desconstrução de ideias que estabelecem papéis estereotipados para o  homem e a mulher”, afirma o MP.</p>
<p style="text-align: justify;">A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados encaminhou ao diretor do BBB, Bonifácio Brasil de Oliveira, o Boninho, pedido de informações sobre providências tomadas. Segundo o ofício assinado pela presidente da Comissão, Manuela d’Ávila (PCdoB-RS), o colegiado quer ter informações suficientes para “formar  opinião qualificada sobre episódio que possa, ou não, se caracterizar  como violação da dignidade humana num veículo com ampla influência na  formação da população brasileira”.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.ihu.unisinos.br/noticias/505920-protestoantiglobocobranovo-marcodamidiaquedilmasegura</p>
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		<title>&#8220;Operação Represália&#8221;: Anonymous invade site do governo americano</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 11:13:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
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<!-- AddThis Button END -->Anonymous dá resposta à Operação MegaUpload Os sites do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a da produtora Universal Music, entre outros, estão fora de serviço após serem bloqueados por hackers numa invasão atribuída nesta quinta-feira ao grupo Anonymous, em protesto contra o fechamento do portal de downloads Megaupload. A conta do Anonymous no [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><em>Anonymous dá resposta à Operação MegaUpload</em></p>
<p style="text-align: justify;">Os sites do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a da produtora Universal Music, entre outros, estão fora de serviço após serem bloqueados por hackers numa invasão atribuída nesta quinta-feira ao grupo Anonymous, em protesto contra o fechamento do portal de downloads Megaupload.</p>
<p style="text-align: justify;">A conta do Anonymous no microblog Twitter confirma que a queda dos sites é obra do grupo, numa ação batizada como &#8220;Operação Represália&#8221;. O grupo também derrubou as páginas da Associação Americana da Indústria de Gravação e da associação de chefes de Polícia do estado de Utah, além do site de registro de copyrights.</p>
<p style="text-align: justify;">Os ataques contestam uma ação do FBI (polícia federal americana), que nesta quinta-feira anunciou o fechamento da página de downloads Megaupload &#8220;após uma investigação de dois anos&#8221; que culminou na prisão de quatro pessoas na Nova Zelândia por um suposto crime de pirataria cibernética.<span id="more-40125"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Com palavras sarcásticas, os hackers ameaçaram invadir também o site do FBI: dizem aos internautas que &#8220;preparem as pipocas&#8221; para o restante de noite. Este é, segundo eles, &#8220;o maior ataque já cometido pelo Anonymous&#8221;, que conta com pelo menos 5.635 pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">As autoridades acusam o site de fazer parte de &#8220;uma organização criminosa responsável por uma enorme rede de pirataria na informática mundial&#8221; que causou mais de US$ 500 milhões em danos aos donos de direitos autorais.</p>
<p style="text-align: justify;">O FBI afirmou que &#8220;a operação encerrada nesta quinta não tem conexão com o projeto de lei antipirataria promovido pelo Congresso dos Estados Unidos e que provocou o &#8216;blecaute&#8217; ontem de várias páginas em sinal de protesto&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/grupo-de-hackers-anonymous-invade-site-do-governo-americano/n1597587390715.html</p>
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		<title>Retaliação? FBI fecha MegaUpload. Cartilha do GT Combate e materiais de muitas outras entidades estão inacessíveis</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 10:56:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[arbitrariedade]]></category>
		<category><![CDATA[censura]]></category>
		<category><![CDATA[Direito ao Conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[imperialismo]]></category>
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<!-- AddThis Button END -->TaniaPacheco* A cartilha lançada pelo GT Combate ao Racismo Ambiental ano passado, organizada a partir da realização do Encontro com os Advogados Populares, em 2010, está temporariamente inacessível. Por se tratar de uma edição graficamente também cuidadosa, seu tamanho tornou impossível mantê-la num espaço comum, como o deste Blog. Assim, ela estava alojada no saite [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><a href="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2011/09/Cartilha-e1316725536992.png"><img class="size-full wp-image-28637 alignleft" title="Cartilha" src="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2011/09/Cartilha.png" alt="" width="259" height="141" /></a><a href="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2012/01/Stop-SOPA.jpg"><img class="size-full wp-image-40122 alignright" title="Stop SOPA" src="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2012/01/Stop-SOPA.jpg" alt="" width="80" height="62" /></a>TaniaPacheco*</p>
<p style="text-align: justify;">A cartilha lançada pelo GT Combate ao Racismo Ambiental ano passado, organizada a partir da realização do Encontro com os Advogados Populares, em 2010, está temporariamente inacessível. Por se tratar de uma edição graficamente também cuidadosa, seu tamanho tornou impossível mantê-la num espaço comum, como o deste Blog. Assim, ela estava alojada no saite Megaupload, que foi fechado ontem à noite pelo FBI.</p>
<p style="text-align: justify;">O MegaUpload servia exatamente para  o compartilhamento de grandes arquivos na internet, como era o nosso caso e o de muitas entidades, ONGs e campanhas, que não têm condições de alojar seus materiais para download.  O saite tem sede em Hong Kong e já havia sido acusado de promoção de pirataria anteriormente, mas sempre se defendeu afirmando que a maior parte do material que alojava era legal, embora reconhecesse que alguns internautas pudessem também utilizá-lo (assim como a outros similares) para repassar filmes e outros materiais com direitos autorais reservados.</p>
<p style="text-align: justify;">Na ação sumária da noite passada o FBI não se limitou a fechar o MegaUpload, entretanto. Prendeu quatro dos responsáveis pela sua operação, que estavam na Nova Zelândia (!),  e anunciou que os outros três também serão processados, segundo informação divulgada pelo IG. Para se justificar, a agência estadunidense divulgou documento alegando que o MegaUpload seria &#8220;uma empresa criminosa global que tem membros engajados com lavagem de dinheiro e infrações de direitos autorais em escala massiva&#8221;.<span id="more-40121"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Retaliação e demonstração de poder?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mas para nós é no mínimo curioso que o fechamento do saite e a prisão de seus responsáveis tenham ocorrido exatamente no dia seguinte ao protesto contra as leis  SOPA (Stop Online Piracy Act) e PIPA (Protect Intellectual Property Act), que estão para ser votadas a qualquer momento no Congresso americano. Ambas têm por objetivo estabelecer normas extremamente rígidas e até abusivas para o compartilhamento de arquivos online, uma vez que dariam aos Estados Unidos poderes para fechar qualquer saite suspeito de pirataria, mesmo fora do território do país. Como, aliás, é o caso do MegaUpload.</p>
<p style="text-align: justify;">Para muitos, como é o caso deste Blog, trata-se de querer estabelecer uma &#8220;tutela imperial&#8221; sobre o espaço da internet, atingindo de forma brutal a liberdade de expressão e de opinião e abrindo espaço para a censura, a partir da determinação dos conteúdos que podem ser disponibilizados e de sanções arbitrárias aos saites que os abrigarem e a seus responsáveis.</p>
<p style="text-align: justify;">A SOPA e o PIPA têm como seus principais defensores a Microsoft, a Apple e a Adobe. O Google, as grandes plataformas que abrigam saites e blogs (como a WordPress) e distribuidores de conteúdos vêm liderando um movimento de protesto e repulsa às duas leis, que culminou com a retirada do ar, no dia 18, anteontem, de muitos de seus serviços. A própria Wikipedia manteve sua versão estadunidense fora do ar, substituindo o acesso por uma página denunciando as duas leis, sob o título &#8220;Imagine um mundo sem liberdade de conhecimento&#8221;. O Google e outros serviços e saites continuaram funcionando, mas mantendo tarjas de protesto.</p>
<p style="text-align: justify;">Para nós, foi uma grande dúvida retirar ou não este Blog do ar, no dia 18. Como verificamos, entretanto, que os protestos se restringiriam fundamentalmente aos EUA, uma vez que a própria Wikipédia em português manteria seu funcionamento normal, decidimos aguardar os acontecimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a questão e o perigo não se restringem aos Estados Unidos, como a ação contra o MegaUpload muito bem exemplifica. E é fundamental que todos nos conscientizemos disto e atuemos, mundialmente, para impedir que o &#8220;Império&#8221; instaure uma censura planetária na internet.</p>
<p style="text-align: justify;">*Com informações do IG Notícias.</p>
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		<title>Feministas pedem ao MPF direito de resposta no caso BBB</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 17:12:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[democratização da Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[direitos da mulher]]></category>
		<category><![CDATA[discriminação]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>

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<!-- AddThis Button END -->Leonardo Sakamoto A Rede Mulher e Mídia e outras organizações feministas de todo o país vão protocolar, nesta quinta (19), uma representação ao Ministério Público Federal em São Paulo, pedindo a investigação da responsabilidade da Globo no caso do suposto estupro que teria acontecido no Big Brother Brasil na madrugada do dia 15. Elas solicitam [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;">Leonardo Sakamoto</p>
<p style="text-align: justify;">A Rede Mulher e Mídia e outras organizações feministas de todo o país vão protocolar, nesta quinta (19), uma representação ao Ministério Público Federal em São Paulo, pedindo a investigação da responsabilidade da Globo no caso do suposto estupro que teria acontecido no Big Brother Brasil na madrugada do dia 15. Elas solicitam à Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão que junte ao procedimento, já instalado pelo órgão sobre o caso, a análise de outros aspectos ainda não considerados. Também solicitam, ao MPF, um direito de resposta coletivo em nome de todas as mulheres que “tiveram seus direitos violados por este comportamento da Rede Globo”. Segue o conteúdo da nota:</p>
<p style="text-align: justify;">“As organizações entendem que, além do aspecto da estigmação das mulheres, que já está sendo apurado pelo MPF, é preciso investigar a responsabilidade da emissora pela ocultação de um fato que pode constituir crime; por prejudicar as investigações da polícia; por ocultar da vítima todas as informações sobre o que tinha acontecido quando ela estava desacordada e por enviar ao país uma mensagem de permissividade diante da suspeita de estupro de uma pessoa vulnerável.</p>
<p style="text-align: justify;">Na representação, as entidades signatárias relacionam uma série de ações da emissora e da direção do BBB que teriam resultado nesses questionamentos. Entre elas, a edição da cena feita no programa de domingo e as declarações do diretor geral Boninho e do apresentador Pedro Bial, que transformou uma suspeita de violência sexual em “caso de amor”.<span id="more-40048"></span></p>
<p style="text-align: justify;">“Tal postura da emissora não apenas viola a dignidade da participante como banaliza o tratamento de uma questão séria como a violência sexual, agredindo e ofendendo todas as mulheres”, diz um trecho da representação.</p>
<p style="text-align: justify;">O documento também destaca que, pelo áudio da conversa da participante Monique com alguém da produção do programa, vazado na internet no dia 16, fica claro que ela, até aquele momento, não tinha assistido às cenas da madrugada do dia 15. E lembra que, somente no dia 17 de janeiro – portanto, mais de 48 horas depois do ocorrido – os envolvidos foram ouvidos pela polícia e possíveis provas do crime foram recolhidas. A emissora, assim, teria violado o direito da participante saber o que tinha se passado com ela enquanto estava desacordada e prejudicado as investigações da polícia.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, as organizações do movimento feminista solicitam um direito de resposta coletivo em nome de todas as mulheres que se sentiram ofendidas, agredidas e que tiveram seus direitos violados por este comportamento da Rede Globo.</p>
<p style="text-align: justify;">Além da Rede Mulher e Mídia, estão entre as signatárias da representação a Marcha Mundial das Mulheres, Articulação de Mulheres Brasileiras, Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras, Liga Brasileira de Lésbicas, Blogueiras Feministas e Campanha pela Ética na TV, entre diversas outras organizações de mulheres de atuação estadual e local e entidades do movimento pela democratização da comunicação.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre direitos de resposta na TV<br />
</strong>Já comentei antes neste blog, mas vale sempre lembrar. Um exemplo bem sucedido de mobilização social foi o caso da retirada do programa “Tardes Quentes”, do apresentador João Kleber, da Rede TV!</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2005, a Justiça Federal concedeu uma liminar a uma ação civil do Ministério Público Federal de São Paulo e de seis organizações da sociedade civil contra a emissora por conta das seguidas violações aos direitos humanos, em especial dos homossexuais, no programa.</p>
<p style="text-align: justify;">Conforme relata o site da ONG Intervozes, uma das responsáveis pela ação: “a liminar suspendia imediatamente o programa e determinava a exibição de outro, em seu lugar, em caráter de contra-propaganda. A emissora não cumpriu a liminar, por isso, no dia 14 de novembro de 2005, pela primeira vez na história, uma emissora de TV comercial teve seu sinal retirado do ar por decisão da Justiça”.</p>
<p style="text-align: justify;">Para resolver o impasse, a Rede TV! propôs um acordo com as entidades e o MPF, levando à produção (pela sociedade civil) e à exibição da série “Direitos de Resposta“, que discutiu os direitos humanos no país, sendo considerado o primeiro “direito de resposta coletivo” concedido e realizado no Brasil. Foram 30 programas que substituíram durante um mês o “Tardes Quentes”, entre 12 de dezembro de 2005 e 13 de janeiro de 2006, das 17h às 18h.</p>
<p style="text-align: justify;">http://blogdosakamoto.uol.com.br/2012/01/19/feministas-pedem-ao-mpf-direito-de-resposta-no-caso-bbb/</p>
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		<title>MPF quer que &#8216;BBB&#8217; fale de direitos da mulher</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2012/01/mpf-quer-que-bbb-fale-de-direitos-da-mulher/</link>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 12:48:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[democratização da Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[direitos da mulher]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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<!-- AddThis Button END -->O Ministério Público Federal de São Paulo vai apurar a divulgação pela TV Globo de uma possível cena de estupro no Big Brother Brasil. A informação é do jornal O Estado de S.Paulo, 19-01-2012. A investigação, que não é criminal, visa a garantir que a Globo &#8220;não contribua para o processo de estigmatização da mulher&#8221;. [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;">O Ministério Público Federal de São Paulo vai apurar a divulgação pela TV Globo de uma possível cena de estupro no <strong>Big Brother Brasil</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">A informação é do jornal <em>O Estado de S.Paulo</em>, 19-01-2012.</p>
<p style="text-align: justify;">A investigação, que não é criminal, visa a garantir que a Globo &#8220;não  contribua para o processo de estigmatização da mulher&#8221;. O MPF pode  exigir que a emissora transmita durante o BBB esclarecimentos sobre  direitos da mulher. Há duas edições do programa, o MPF exigiu que a  emissora falasse sobre formas de transmissão da Aids após conversa sobre  o tema entre os participantes.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.ihu.unisinos.br/noticias/505897-mpfquer-quebbb-falededireitosdamulher</p>
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		<title>Artigo de Marcelo Guido, atribuído a Veríssimo, sobre o BBB</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2012/01/artigo-de-verissimo-sobre-o-bbb-publicado-em-janeiro-de-2011/</link>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 12:47:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[crítica ao capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[degradação]]></category>
		<category><![CDATA[impunidade]]></category>
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<!-- AddThis Button END -->Que me desculpem os leitores deste Blog, mas recebi uma dica, fui procurar e, na página indicada, o artigo abaixo tem como autor Marcelo Guido, ao contrário do que está postado na página que foi a fonte da informação abaixo. Para conferir, o endereço é http://www.vitalves.com/2011/01/artigo-sobre-o-bbb-luis-fernando.html. TP. Marcelo Guido (artigo publicado em 24 Janeiro 2011 por Vitalves) Que [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><span style="color: #b90404;">Que me desculpem os leitores deste Blog, mas recebi uma dica, fui procurar e, na página indicada, o artigo abaixo tem como autor Marcelo Guido, ao contrário do que está postado na página que foi a fonte da informação abaixo. Para conferir, o endereço é http://www.vitalves.com/2011/01/artigo-sobre-o-bbb-luis-fernando.html. TP.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Marcelo Guido (artigo publicado em 24 Janeiro 2011 por Vitalves)</p>
<p style="text-align: justify;">Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. [...] Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.</p>
<p style="text-align: justify;">[...] Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. <a name="more"></a>Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? <span id="more-40008"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.<br />
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.</p>
<p style="text-align: justify;">Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).</p>
<p style="text-align: justify;">Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.<br />
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a &#8220;entender o comportamento humano&#8221;. Ah, tenha dó!!!</p>
<p style="text-align: justify;">Veja o que está por de tra$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.</p>
<p style="text-align: justify;">Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores). Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.</p>
<p style="text-align: justify;">Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa&#8230;, ir ao cinema&#8230;, estudar&#8230; , ouvir boa música&#8230;, cuidar das flores e jardins&#8230; , telefonar para um amigo&#8230; , visitar os avós&#8230; , pescar&#8230;, brincar com as crianças&#8230; , namorar&#8230; ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">www.vitalves.com</p>
<p style="text-align: justify;">http://pt-br.paperblog.com/artigo-sobre-o-bbb-luis-fernando-verissimo-60926/</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Para refletir: &#8220;A servidão moderna&#8221; (legendado)</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2012/01/para-refletir-a-servidao-moderna-legendado/</link>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 14:31:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[alienação]]></category>
		<category><![CDATA[consumismo]]></category>
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<!-- AddThis Button END -->De la Servitude Moderne. França/Colômbia, 2009, 52min. Direção: Jean-François Brient Comentário do site oficial: A servidão moderna é uma escravidão voluntária, consentida pela multidão de escravos que se arrastam pela face da terra. Eles mesmos compram as mercadorias que os escravizam cada vez mais. Eles mesmos procuram um trabalho cada vez mais alienante que lhes [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p><object width="640" height="480"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/B7hSxm67izU?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="480" src="http://www.youtube.com/v/B7hSxm67izU?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
<p><em>De la Servitude Moderne</em>. França/Colômbia, 2009, 52min. Direção: Jean-François Brient</p>
<p style="text-align: justify;">Comentário do site oficial: A servidão moderna é uma escravidão voluntária, consentida pela multidão de escravos que se arrastam pela face da terra. Eles mesmos compram as mercadorias que os escravizam cada vez mais. Eles mesmos procuram um trabalho cada vez mais alienante que lhes é dado, se demonstram estar suficientemente domados. Eles mesmos escolhem os mestres a quem deverão servir. Para que esta tragédia absurda possa ter lugar, foi necessário tirar desta classe a consciência de sua exploração e de sua alienação. Aí está a estranha modernidade da nossa época.<span id="more-39888"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Contrariamente aos escravos da antiguidade, aos servos da Idade média e aos operários das primeiras revoluções industriais, estamos hoje em dia frente a uma classe totalmente escravizada, só que não sabe, ou melhor, não quer saber. Eles ignoram o que deveria ser a única e legítima reação dos explorados. Aceitam sem discutir a vida lamentável que se planejou para eles. A renúncia e a resignação são a fonte de sua desgraça.</p>
<p style="text-align: justify;">Créditos:<br />
1- Site oficial:</p>
<p>http://www.delaservitudemoderne.org/</p>
<p>2- Legendas em português:</p>
<p>http://docverdade.blogspot.com/2010/01/da-servidao-moderna-de-la-servitude.html</p>
<p style="text-align: justify;">Enviada por José Carlos.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Castells debate os dilemas da internet</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2012/01/castells-debate-os-dilemas-da-internet/</link>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 11:21:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[crítica ao capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[direito à comunicação e informação]]></category>
		<category><![CDATA[Direito ao Conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade de expressão e de opinião]]></category>

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<!-- AddThis Button END -->Para sociólogo, breve todo planeta estará conectado; Google e Facebook não são ameaça. Grande desafio é manter liberdade na rede. Entrevista a Sergio Martin, Rádio Europa Aberta. Tradução: Daniela Frabasile e Gabriela Leite Martins Nos Estados Unidos, o Congresso examina leis (SOPA e PIPA) que podem impedir a troca de conteúdos em rede — e, se adotadas, atingirão internautas em muitos [...]]]></description>
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<div addthis:url='http://racismoambiental.net.br/2012/01/castells-debate-os-dilemas-da-internet/' addthis:title='Castells debate os dilemas da internet ' class="addthis_toolbox addthis_default_style ">
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><em>Para sociólogo, breve todo planeta estará conectado; Google e Facebook não são ameaça. Grande desafio é manter liberdade na rede. </em>Entrevista a Sergio Martin, Rádio Europa Aberta. Tradução: Daniela Frabasile e Gabriela Leite Martins</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Nos Estados Unidos, o Congresso examina leis (SOPA e PIPA) que podem impedir a troca de conteúdos em rede — e, se adotadas, atingirão internautas em muitos países. Na China, a campanha anunciada pelo presidente Hu Jintao para “promover a identidade cultural” do país inclui endurecer a censura sobre certos conteúdos que circulam pela rede. Mas em todo o mundo, ela continua a ligar seres humanos sem intermediações de governos ou empresas — e, em casos cada vez mais numerosos, a viabilizar mobilizações que derrubam ditaduras e desafiam o poder econômico. Qual o futuro da internet, em meio a tendências tão contraditórias?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>No início de janeiro, o sociólogo Manuel Castells concedeu ao programa Europa Abierta, da rádio e TV pública espanhola, uma entrevista de enorme importância para o debate destes temas. Conhecido por obras que estabeleceram novos conceitos (como a trilogia “A Era da Informação”) e, mais recentemente, por sua aposta na possibilidade de manter a internet como espaço de uma “cultura de liberdade”, Castells sustentou quatro pontos de vista essenciais:<span id="more-39855"></span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>&gt; Está surgindo uma era de “autocomunicação de massas”:</strong> Em suas análises anteriores, e nas de outros autores, já se falava numa “era de comunicação compartilhada”, que substituiria, a “comunicação de massas”. Castells acrescenta, agora, um outro dado. Além de dispensar o conteúdo dos grandes meios, estabelecendo trocas conteúdos em pequenos grupos, os cidadãos estão se tornando capazes de falar às massas. As redes sociais permitem multiplicar mesmos mensagens transmitidas por pequenos grupos, quando estes são capazes de sensibilizar as sociedades. É o que ocorreu, por exemplo, nas revoluções tunisiana e egípcia.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>&gt; As grandes empresas com base na internet são aliadas, na luta pela liberdade — mas precisam ser reguladas:</strong> Google, Facebook e outros têm grande poder de influência sobre a rede. Porém, seu próprio modelo de negócio as leva a se oporem a medidas autoritárias de controle. Aprenderam a surfar na rede; precisam multiplicar a circulação de conteúdos, de todos os tipos, para ampliar sua receita. Ainda assim, Castells defende a criação de conselhos que regulem a internet em favor do interesse público. São eles que podem assegurar, por exemplo, a neutralidade da rede, impedindo que certos usuários tenham privilégios sobre os demais.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em></em><em><strong>&gt; A ideia de uma “internet elitista” não resiste aos fatos:</strong> 1,7 bilhão de pessoas estão conectadas — um quarto da população total do planeta. Nunca um meio de comunicação teve alcance tão maciço. Mas este número vai se ampliar novamente em breve, graças às tecnologias que levam a internet aos celulares, ou seja, a 4,7 bilhões de seres humanos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>&gt; Nada está garantido:</strong> No momento, mesmo os controles estabelecidos pelos governos sobre a rede (como a censura a certas palavras-chaves, na China) são frágeis. No entanto, a horizontalidade radical da internet é lógica intrínseca da autoridade — que é controlar informações. A única garantia para manter a rede livre é a permanente mobilização dos cidadãos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A entrevista completa vem a seguir e seu áudio completo, em castelhano, pode ser escutado <a href="http://www.rtve.es/alacarta/audios/europa-abierta/europa-abierta-manuel-castells/1286978/" target="_blank">aqui</a>. (<strong>A.M)</strong>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Num mundo que mudou muito, em pouco tempo, os meios de comunicação de massa estão se transformando ainda mais rapidamente. Qual sentido de suas transformações?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os meios de comunicação tornaram-se ao mesmo tempo globais e locais. Com a transmissão digital, podem-se recombinar meios diferentes. O que antes era uma comunicação muito local e em que havia poucos canais e poucas formas de difusão de mensagens, transformou-se numa enorme constelação que está em todo mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a grande transformação foi produzida nos últimos dez ou doze anos, quando começou a se difundir a comunicação horizontal. Ou seja, não mais aquela que vai de um a muitos — e sim a que vai de muitos a muitos. Com cada um emitindo e selecionando suas próprias mensagens a partir da internet. Isso abriu as fronteiras. Qualquer pessoa pode organizar seu próprio canal e suas próprias redes de comunicação.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, estamos em um sistema de comunicação duplo, em que os meios de comunicação de massa já não reinam sozinhos. Surgiu o que chamamos de a “auto-comunicação de massa” — a comunicação que nós mesmos selecionamos, mas que tem o potencial de chegar às massas, ou àquele grupo de pessoas que definimos em nossas redes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em <em>Comunicação e Poder</em>, um de seus livros mais inspiradores, você difunde a utopia de um mundo melhor graças à livre comunicação entre as pessoas. Porém, percebemos, pelos ataques que têm sido lançados à liberdade na rede. Por isso, pergunto: nada parece ser tão simples, não é?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">As coisas não são nada simples — mas não é difícil compreender a equação. Quem tem o poder, organiza a rede — seja poder econômico, midiático, político, qualquer um. E quem tem poder deseja mantê-lo, pois é a forma de assegurar que seus próprios interesses e valores estejam melhor servidos que os dos demais, na organização da sociedade. Por isso mesmo, quem tem poder rejeita as mudanças que ameaçam seu domínio.</p>
<p style="text-align: justify;">Conservar o poder requer manter o máximo controle possível sobre a informação, e assegurar,  sobretudo, que os canais de comunicação sejam verticais. Nessa lógica, alguns poucos devem controlar a comunicação dirigindo-se aos muitos que não a temos. Bem… isso é o que está mudando fundamentalmente!</p>
<p style="text-align: justify;">Mas dizemos que não é tão fácil porque, ainda que a internet e as redes móveis permitam que uma multiplicidade e uma horizontalidade da comunicação, as grandes empresas também possuem os mesmos canais. E os governos possuem uma certa capacidade — não decisiva, por sorte — de controlar e intimidar a livre circulação de ideias na internet e nos meios de comunicação móveis. Ou seja, a princípio a tecnologia permite uma abertura do mundo da comunicação, mas poderes econômicos, políticos e midiáticos seguem tentando controlá-la. O resultado de tudo isso varia segundo os momentos e os países, e depende sempre da capacidade que as pessoas têm de mobilizar-se para defender seu direito à liberdade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Poderia ser mera ilusão de ótica a sensação de que nossa capacidade de influência, e liberdade para nos informar, são agora muito maiores?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Creio que é uma ótima pergunta, mas não — claramente, não. Temos inúmeros estudos mostrando que as pessoas têm muitíssimo mais capacidade de intervir no espaço da comunicação, a partir da internet, que em qualquer outro momento na História. Tanto é assim que, falando concretamente, as grandes empresas de comunicação do mundo também usam as redes sociais</p>
<p style="text-align: justify;">As barreiras de entrada no mundo de comunicação da internet diminuíram muito. A tecnologia está ao alcance de qualquer estudante formado. E o capital necessário para criar um canal no Youtube, por exemplo, é relativamente pequeno. Portanto, há centenas e centenas e centenas de alternativas, e algumas são mais sofisticadas que outros. E se o Youtube pratica a censura, ou se o Facebook controla o que se diz ou não se diz, as pessoas simplesmente mudam-se para outra rede social e abandonam o que havia.</p>
<p style="text-align: justify;">É o que aconteceu com a primeira grande rede social de comunicação. Em sua época, o AOL.com, era o grande invento, a grande tecnologia. Quando a AOL tentou cortar a liberdade de expressão, simplesmente as pessoas abandonaram-na e ela praticamente acabou, em termos de rede. Então, de certo modo, para vender o que querem em termos de publicidade, em termos de obter dados sobre as pessoas, as empresas de internet têm de aceitar a liberdade de expressão. Porque é isso que as pessoas buscam: expressar-se, organizar-se e relacionar-se livremente.</p>
<p style="text-align: justify;">O mesmo com os governos. Os governos odeiam a internet. Porque é um desafio básico ao que sempre foi o fundamento de seu poder: o controle da comunicação e da informação. Os governos dizem: internet sim, mas para o que me servir. Sempre usam os mesmos pretextos: a pornografia infantil, o terrorismo — como se fossem fundamentalmente problemas da rede. Ora, são problema da sociedade. E os terroristas usam a internet, mais para propaganda, não para se organizar. É o que fazemos todos. Todos utilizamos a internet para tudo: para o bem e para o mal. E os governos odeiam que algo escape a seu controle. Mas não pode haver “um pouquinho” de internet. A rede existe ou não existe: por ela se transmite todo tipo de informações.</p>
<p style="text-align: justify;">Pode-se tentar controlar, como por exemplo na China, com meios muito potentes. Mas mesmo assim, não conseguem realmente controlar aquilo que as pessoas crêem. Como os governos fazem o controle da internet pelos governos? Por análise de conteúdo, com robôs: esses sistemas automáticos que buscam palavras-chave. Para escapar do controle, uma estratégia é não dizer nenhuma das palavras-chaves que um robô pode interpretar: democracia, Tian An Men, Tibete, Taiwan, pornografia, etc… Se nenhuma palavra de uma lista for usada, se não se comete nenhuma imprudência nesse sentido, os robôs não são capazes de controlar.</p>
<p style="text-align: justify;">Existem outros sistemas mais manuais de intimidar o webmaster, a pessoa que maneja cada site, mas isso é muito mais artesanal e muito menos eficaz. Ou seja, o que os governos fazem para controlar a internet é o que sempre fez a polícia: manter uma lista de suspeitos habituais e buscar controlar os correios eletrônicos e os web destes suspeitos.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas há uma mudança a mais: o email deixou de ser a forma de comunicação mais importante, e mesmo mais comum, na internet. Desde julho de 2009, o número de usuários das redes sociais de comunicação, tipo Facebook e outros, é muito maior que o de email.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ou o Twitter…</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Twitter também… mas ele não é o maior. E está estancado, de certo modo, porque não permite uma interação suficientemente rica, como em outras redes sociais. E sobretudo porque o bom do Twitter era que se podia (e segue sendo assim) interagir facilmente pelo celular. Mas agora entramos na época do iPhone e outros dispositivos móveis que podem entrar diretamente na internet. Pode-se estar no Facebook sem nenhum problema e é uma grande vantagem das redes sociais com maior amplitude de banda.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mas o controle de informação que os governos tinham não estará sendo transferido ao Google, por exemplo? É ele que seleciona o que se encontra e estabelece preferência de alguns sites sobre outros. Estaremos oferecendo a uma empresa privada o poder que tiramos do governo e das urnas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Bem, os governos legitimados pelas urnas possuem muitos condicionamentos e existem apenas em uma parte do mundo. O Google tem enorme poder, sobretudo tecnológico, e pode ser um veículo de controle. Mas, na batalha que vivemos no momento, ele é mais um aliado que um inimigo. Os que realmente estão tentando controlar — e os que podem controlar mais — são as empresas proprietárias dos canais de comunicação, por meio dos quais flui a rede. Porque nesse caso, o tipo de censura é muito mais direto: cortam seu acesso, a menos que haja uma intervenção judicial. Podem cortá-lo restringi-lo, diferenciá-lo da maneira que quiserem. Por isso, é tão importante a batalha pela neutralidade da rede.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos Estados Unidos isso é decisivo. O governo Bush caminhava para entregar entregando as redes às grandes empresas de telecomunicação, com seus critérios. Obama fez uma campanha muito grande para preservar a neutralidade da rede, e delegou isso ao novo presidente da comissão geral de comunicações, que está tentando mantê-la.</p>
<p style="text-align: justify;">O Google tem poder, naturalmente, à medida que é uma máquina de busca que utiliza seus próprios critérios. Dizem que os algorítmos são aleatórios, mas na realidade não é assim: eles utilizam seus próprios critérios e condicionam o que buscamos e o que não buscamos. Mas o que não podem fazer é controlar o acesso, controlar a comunicação, porque quanto mais tráfego, conteúdo e atividade na internet, melhor para eles. Eles vivem de incrementar a comunicação livre na internet, e não de limitar aquilo que ela nos entrega.</p>
<p style="text-align: justify;">Google é um negócio, não uma ideologia. Quanto mais internet e mais comunicação, mais negócios para o Google. De qualquer maneira, como você disse, é absolutamente necessária uma regulação séria, em benefício do interesse público. Uma regulação de toda a comunicação, e em particular da internet. Por exemplo, na Catalunha, temos o Conselho Audiovisual, que tem uma atividade bastante séria e em função do interesse público. Esses conselhos reguladores às vezes são especialmente politizados, mas é fundamental que regulem em função do interesse público, não em função dos interesses do governo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Os meios de comunicação passaram a transmitir fatos como o funeral de Michael Jackson via Facebook. Todos compartilhavam o que viam e compartilhavam seus sentimentos diretamente. Estaríamos vivendo uma globalização dos sentimentos, maior do que a já ocorrida até agora?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, efetivamente. Este é um exemplo excelente. De forma menos interativa (porque não havia Facebook), ocorreu no funeral de Lady Di, como um momento de comunhão geral do lamento de milhões de pessoas no mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas eu diria que mais importante que esse exemplo é a ideia da articulação dos meios de comunicação de massa tradicionais com os novos meios de comunicação pela internet. Ou seja, estamos em um processo de convergência tecnológica e também convergência comunicativa.</p>
<p style="text-align: justify;">Vemos dois mundos diferentes: o mundo da comunicação de massas e o mundo da auto- comunicação de massas, mas hoje em dia eles estão interagindo. Qualquer canal de televisão sabe que tem que contar com a interação dos meios de comunicação pela internet. Está surgindo um híbrido. Mas atenção: como a internet não é controlável, para que os meios de comunicação de massa realmente interajam com a comunicação que chega à rede, será preciso que diminuam o nível de controle em relação ao que eles próprios difundem. Isso seria uma revolução, que ainda não chegou aos meios de comunicação.</p>
<p style="text-align: justify;">O mesmo posso dizer em relação ao governos e políticos. Para que possam fazer uso eficiente da internet, precisam aceitar a autonomia dos cidadãos. Essa foi a genialidade de Obama e é difícil, pois quase nenhum político aceita liberar o sentimento dos cidadãos para que eles próprios se organizem. E mesmo Obama, desde que chegou à Casa Branca, limitou bastante o que os cidadãos podem e não podem fazer na internet.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse é o tema: a internet é um meio de comunicação livre. Qualquer tipo de articulação com a internet — seja política, midiática ou cultural — implica renunciar a boa parte do controle vertical que os meios de comunicação exercem. Esse, sim, é um processo de transformação que está acontecendo e que podemos ver no exemplo do funeral de Michael Jackson.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quem não está na internet já não existe?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na política, se alguém não está em comunicação — seja pelos meios de comunicação, ou pela internet –, não existe. As pessoas existem distantes da internet, é claro, mas limitam muito as possibilidades de relação e de informação. Os estudos mostram que quanto mais se está na internet, mais possibilidades de relações, mais amigos, mais atividade, mais informação social e política, mais informação cultural. O internauta é um ser ativo, a ideia de que a rede afasta as pessoas do mundo é refutada pela experiência empírica.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas eu diria que essa pergunta está começando a ficar um pouco velha. É como perguntar se existimos sem eletricidade. Sim, é claro que as pessoas podem viver felizes sem ela: em momentos na floresta, contemplando o correr do rio, lendo um livro… Por outro lado, a eletricidade é a base da civilização industrial que construímos.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos hoje 1,7 bilhão de usuários de internet no mundo (em 1996, havia aproximadamente 40 milhões…). Uma barreira para o desenvolvimento da rede era a falta de plataformas móveis: em 2012, a comunicação interpessoal já não se dá principalmente por meio de linhas fixas, mas a partir de dispositivos móveis, como os celulares. Pois bem: o número de linhas móveis passou de 16 milhões, em 1991, para 4,7 bilhões. O planeta está praticamente conectado — inclusive os países pobres. Essa plataforma puxará uma nova etapa de expansão e desenvolvimento da internet. Significa que a rede tem, hoje, o mesmo significado que a eletricidade representou para o desenvolvimento da sociedade industrial.</p>
<p style="text-align: justify;">A pergunta, portanto, perde sentido. Não vivemos na internet, mas com ela. É uma parte essencial da nossa vida, além de uma cultura de liberdade. Se existem pessoas que não querem a internet — gente de mais idade, por exemplo, que identificamos em algumas de nossas pesquisas –, elas têm todo o direito de sustentar essa opinião. Deveríamos assegurar, por exemplo, que os serviços públicos não sejam distribuídos apenas pela rede, pois as pessoas sempre precisam ter o direito de optar por outras tecnologias. Mas insisto, é o mesmo que poder optar por não ter eletricidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Internet, celulares, redes sociais são elementos que mudam as formas de nos relacionarmos, e também abrem um mundo novo de oportunidades, numa hora de crise. É hora de sondar as oportunidades de ocupação e negócio por meio da rede?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Certamente. O que não é se sustentará é o modelo de capitalismo financeiro global que tínhamos. O núcleo deste sistema derreteu. Todo o crescimento econômico dependia de uma demanda atrelada a crédito fácil, crédito com capital inventado a partir de manipulações matemáticas dos mercados financeiros. Isto acabou, e surge um reflexo de contração total da economia, que os governos tentam reparar para logo dizer “voltamos ao que era antes, ao mesmo tipo de economia”.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos economistas, em todo o mundo — e eu estou entre eles –, não acreditam ser possível ou viável voltar ao mesmo modelo. Não significa dizer que o capitalismo acabou, mas sim, este tipo de capitalismo especulativo financeiro. A saída, dentro dos marcos da economia de mercado não passa pelo estímulo da demanda, nem por contraí-la ainda mais — e sim por estimular um novo tipo de oferta, a produção de mais por menos. Consumir menos, com uma economia menor e mais dinâmica, com mais tempo livre, de modo o motor da produção não seja a demanda, mas a inovação, a capacidade de produzir coisas novas. Aqui temos a internet e mais amplamente todo o mundo da cultura e da produção digital. Esse é o elemento-chave, sobretudo se ligado a novas formas de mercado e à aplicação das novas tecnologias informáticas ao mundo da biogenética, da investigação biomédica.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que aqui está, hoje, a oportunidade de criar pequenas empresas, empreendimentos com muitos empresários jovens potenciais que têm conhecimentos, sabem e podem encontrar nichos de mercado. O problema é que, na Espanha e em toda a Europa, as instituições financeiras não aceitam trabalhar com a ideia do risco. Relacionam-se com os empreendedores com a ideia de que capital de risco é capital para o banco — e risco para o empreendedor…</p>
<p style="text-align: justify;">Creio que há uma possibilidade aberta. Se conseguíssemos superar a cultura burocrática do governo e a cultura de controle bancário — especulam com nosso dinheiro, mas não arriscam o deles — será possível começar uma economia com bases mais sãs que as que vimos cair.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.outraspalavras.net/2012/01/17/castells-debate-os-dilemas-da-internet/</p>
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		<title>Porque o BBB tem que ser proibido</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2012/01/porque-o-bbb-tem-que-ser-proibido/</link>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 09:08:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[democratização da Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[deveres inerentes à concessão pública]]></category>
		<category><![CDATA[direito à dignidade]]></category>
		<category><![CDATA[mercantilização da vida]]></category>

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<!-- AddThis Button END -->Luis Nassif Intimidade e privacidade são bens indisponíveis. Isto é, não é dado a outras pessoas invadirem esse tipo de bem jurídico. É um direito individual, inalienável e intransferível. Somente a própria pessoa – por ela própria (não por meio de outro) &#8211; pode abrir mão desse direito. Exemplificando. A legislação não pune a autolesão. [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;">Luis Nassif</p>
<ol style="text-align: justify;">
<li>Intimidade e privacidade são bens indisponíveis. Isto é, não é dado a outras pessoas invadirem esse tipo de bem jurídico. É um direito individual, inalienável e intransferível. Somente a própria pessoa – por ela própria (não por meio de outro) &#8211; pode abrir mão desse direito.</li>
<li>Exemplificando. A legislação não pune a autolesão. Mas pune quem induz ou pratica a lesão em terceiros, mesmo com sua autorização. Não pune a tentativa de suicídio, mas quem induz. Não proíbe a prática de prostituição, mas pune quem explora. Esses princípios derrubam a ideia de que basta a pessoa autorizar para que sua intimidade possa ser exposta por terceiros de forma degradante.</li>
<li>Tem um caso clássico na França do lançamento de anões. Um bar tinha uma atração que consistia em lançamento de anões. A prática passou a ser questionada nos tribunais. O depoimento de um dos anões foi de que dignidade era ter dinheiro para sustentar a família. A corte decidiu que a dignidade humana deveria prevalecer e proibiu a prática explorada pelo estabelecimento.</li>
</ol>
<p style="text-align: justify;">A análise do BBB deve ser feita a partir desses pressupostos:<span id="more-39850"></span></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li>Não poderia ser questionado juridicamente alguém que coloque em sua própria casa uma webcam e explore sua intimidade.</li>
<li>No caso do BBB, no entanto, a exploração é feita por terceiros de forma degradante. É como (com o perdão da comparação) o papel da prostituta e do cafetão. E não é qualquer terceiro, mas o titular de uma concessão pública obrigado a seguir os preceitos éticos previstos na Constituição &#8211; que não contemplam o estímulo ao voyeurismo.</li>
</ol>
<p style="text-align: justify;">http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/porque-o-bbb-tem-que-ser-proibido.</p>
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		<title>O que move o partido-imprensa</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2012/01/o-que-move-o-partido-imprensa/</link>
		<comments>http://racismoambiental.net.br/2012/01/o-que-move-o-partido-imprensa/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 12:21:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[crítica ao capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[privatização]]></category>

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<!-- AddThis Button END -->Merval Pereira, Miriam Leitão, Sardenberg, Eliane Catanhede, Dora Kramer e outros mais necessitam ser analisados pelo que são: intelectuais orgânicos do totalitarismo financeiro. O conteúdo de suas colunas representa a tradução ideológica dos interesses do capital financeiro. Gilson Caroni Filho A leitura diária dos jornais pode ser um interessante exercício de sociologia política se tomarmos [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><em>Merval Pereira, Miriam Leitão, Sardenberg, Eliane Catanhede, Dora Kramer e outros mais necessitam ser analisados pelo que são: intelectuais orgânicos do totalitarismo financeiro. O conteúdo de suas colunas representa a tradução ideológica dos interesses do capital financeiro.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Gilson Caroni Filho</p>
<p style="text-align: justify;">A leitura diária dos jornais pode ser um interessante exercício de sociologia política se tomarmos os conteúdos dos editoriais e das principais colunas pelo que de fato são: a tradução ideológica dos interesses do capital financeiro, a partitura das prioridades do mercado. O que lemos é a propagação, através dos principais órgãos de imprensa, das políticas neoliberais recomendadas pelas grandes organizações econômicas internacionais que usam e abusam do crédito, das estatísticas e da autoridade que ainda lhes resta: o Banco Mundial (BIrd), o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização Mundial do Comércio (OMC). É a eles, além das simplificações elaboradas pelas agências de classificação de risco, que prestam vassalagem as editorias de política e economia da grande mídia corporativa.</p>
<p style="text-align: justify;">Claramente partidarizado, o jornalismo brasileiro pratica a legitimação adulatória de uma nova ditadura, onde a política não deve ser nada além do palco de um pseudo-debate entre partidos que exageram a dimensão das pequenas diferenças que os distinguem para melhor dissimular a enormidade das proibições e submissões que os une. É neste contexto, que visa à produção do desencanto político-eleitoral, que deve ser visto o exercício da desqualificação dos atores políticos e do Estado. Até 2002, era fina a sintonia entre essa prática editorial e o consórcio encastelado nas estruturas de poder. O discurso &#8220;modernizante&#8221; pretendia &#8211; e ainda pretende &#8211; substituir o &#8220;arcaísmo&#8221; do fazer político pela &#8220;eficiência&#8221; do economicamente correto. Mas qual o perigo do Estado para o partido-imprensa? Em que ele ameaça suas formulações programáticas e seus interesses econômicos?<span id="more-38880"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O Estado não é uma realidade externa ao homem, alheia à sua vida, apartada do seu destino. E não o pode ser porque ele é uma criação humana, um produto da sociedade em que os homens se congregam. Mesmo quando ele agencia os interesses de uma só classe, como nas sociedades capitalistas, ainda aí o Estado não se aliena dos interesses das demais categorias sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">O reconhecimento dos direitos humanos, embora seja um reconhecimento formal pelo Estado burguês, prova que ele não pode ser uma instituição inteiramente ligada aos membros da classe dominante. O grau maior ou menor da sensibilidade social do Estado depende da consciência humana de quem o encarna. É vista nesta perspectiva que se trava a luta pela hegemonia. De um lado os que querem um Estado ampliado no curso de uma democracia progressiva. De outro os que só o concebem na sua dimensão meramente repressiva; braço armado da segurança e da propriedade.</p>
<p style="text-align: justify;">O partido-imprensa abomina os movimentos sociais os sindicatos (que não devem ter senão uma representatividade corporativa), a nação, antevista como ante-câmara do nacionalismo, e o povo sempre embriagado de populismo. Repele tudo que represente um obstáculo à livre-iniciativa, à desregulamentação e às privatizações. Aprendeu que a expansão capitalista só é possível baseada em &#8220;ganhos de eficiência&#8221;, com desemprego em grande escala e com redução dos custos indiretos de segurança social, através de reduções fiscais.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando lemos os vitupérios dos seus principais articulistas contra políticas públicas como Bolsa Família, ProUni e Plano de Erradicação da Pobreza, dentre outros, temos que levar em conta que trabalham como quadros orgânicos de uma política fundamentalista que, de 1994 a 2002, implementou radical mecanismo de decadência auto-sustentada, caracterizada por crescentes dívidas, desemprego e anemia da atividade econômica.</p>
<p style="text-align: justify;">Como arautos de uma ordem excludente e ventríloquos da injustiça, em nome de um suposto discurso da competência, endossaram a alienação de quase todo patrimônio público, propagando a mais desmoralizante e sistemática ofensiva contra a cultura cívica do país. Não fizeram- e fazem- apenas o serviço sujo para os que assinam os cheques, reestruturam e demitem. São intelectuais orgânicos do totalitarismo financeiro, têm com ele uma relação simbiótica. E é assim que devem ser compreendidos: como agentes de uma lógica transversa.</p>
<p style="text-align: justify;">Merval Pereira, Miriam Leitão, Sardenberg, Eliane Catanhede, Dora Kramer e outros mais necessitam ser analisados sob essa perspectiva. É ela que molda a ética e o profissionalismo de todos eles. Sem mais nem menos.<br />
&#8211;</p>
<p style="text-align: justify;">*Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5396</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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