Categoria: Migrantes

Relatório aponta que 1.267 migrantes foram sequestrados em seis meses no país

Por racismoambiental, 31/08/2010 18:12
Karol Assunção *

Adital – O massacre de 72 indocumentados ocorrido na semana passada em San Fernando, Tamaulipas, no México, chamou atenção de autoridades e sociedade para um risco vivido por migrantes que cruzam o país para tentar entrar nos Estados Unidos: ser alvo grupos criminosos. A violação aos direitos dos migrantes não é uma situação nova nem difícil de acontecer em território mexicano. Prova disso é que, em seis meses, 1.267 pessoas foram vítimas de sequestro no país.

A informação foi divulgada ontem (30), pela Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) do México no relatório “Informe especial sobre os casos de sequestro contra migrantes em território mexicano” e refere-se a dados colhidos no ano passado. No documento, a Comissão ressalta que são “constantes e graves os feitos de sequestro de que são vítimas os migrantes em seu trajeto pelo território mexicano”. Continue lendo… 'Relatório aponta que 1.267 migrantes foram sequestrados em seis meses no país'»

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Uma resposta à discriminação na Europa e EEUU

Por racismoambiental, 02/03/2010 07:44

Imigrante

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Deus é negra e sem documentos

Por racismoambiental, 24/02/2010 10:23
Helena Maleno Garzón
Adital -
Tradução: ADITAL
Tánger, 16 de fevereiro de 2010
“Imagina que deste à luz no domingo passado, em um hospital público marroquino. Um menino lindo!
Imagina que te deram alta no dia seguinte, segunda-feira.
Imagina que voltaste para casa cansada, sangrando do pós parto; ainda com dores no útero, que luta para voltar ao seu lugar.
Imagina que em casa te esperam tua filha de dois anos e dois meses e teu esposo.
Imagina que nessa manhã, enquanto banhavas o bebê, começaste a ver que ele tinha dificuldade para respirar.
Imagina que correste para o hospital público marroquino.
Imagina que te disseram que não podiam atender-te.
Imagina que voltaste duas vezes.
Imagina que na terceira vez teu bebê deixou de respirar quase na porta do hospital.
Imagina que pediste que pediste ajuda por teu bebê morto.
Imagina que ele foi levado ao necrotério do hospital.
Imagina que tu, tua filha e teu esposo foram levados à delegacia.
Agora, imagina-te retorcendo-se de dor nas entranhas, a dor amarga da morte de teu filho, a dor de um útero que te recorda que estás recém parida, a dor de um leite que sobre para teus seios duros como pedras. Porém, imagina-te NEGRA; imagina-te AFRICANA; imagina-te POBRE; imagina-te SEM DOCUMENTOS.
Estás sentada, dobrada sobre teu ventre naquele escritório sujo de uma delegacia, com policiais que vão e vêm e te falam em uma língua que não entendes. Lá te vejo e tento traduzir para ti as perguntas que me parecem estúpidas, cruéis e desumanas.
Querem saber o que fazes em seu reino; como entraste e há quanto tempo estás aqui. Querem saber como se chamam, como se chamam seus pais e porque vieram.
Teu esposo grita e pede piedade. Sabem que todas as perguntas vão dirigidas para justificar uma deportação para o deserto. Teu esposo grita e te tranqüiliza, chamando-te “honey”.
Tua filha sorri; brinca com seu gorro e canta “haleluya”.
A polícia busca um intérprete de árabe para inglês, para fazer o processo e levá-los ao Tribunal.
Me dizes que se te deportam para o deserto e lá te violentam não crês que aguentarás a dor, porque estás recém parida.
Um policial se aproxima de mim e pergunta: Por que fazes isto? Por prazer? Esse amável policial designa como “isto” o acompanhamento que tento fazer a uns pais sumidos na dor, o fato de comprar um pouco de comida para uma criança que passou todo um dia sem comer nem um bocadinho e por tentar trazer um pouco de humanidade ou de bom tratamento a essa maldita delegacia.
Então, olho para ele; me horroriza sua frieza, e lhe respondo que o fazemos por amor. Vejo nele esses seres que comem, cagam e posam de polícia para continuar comendo e cagando. Sinto pena.
Detêm ao teu esposo na delegacia e me dizem que, como caso humanitário, te deixarão dormir em casa. Amanhã terás que passar no Tribunal juntamente com teu marido.
Te encolhes. É a primeira vez que te vejo endireitar esse ventre que dói. Gritas e choras até que um policial manda que te cales.
Não o suporto; peço-lhe por favor que entenda que teu filho morreu hoje; que estás recém parida; que te doem as entranhas.
Me respondem com desprezo que nesse reino existem leis; que se faz o que diz o procurador do rei e que tu és uma NEGRA CLANDESTINA.
Amanhã iremos ao Tribunal; amanhã, um homem deste reino decidirá se te atiram com tua filha no deserto, na madrugada. A partir daí, a sorte decidirá se serás violentada; se tua filha será raptada ou violentada também.
Imagina que tudo isso aconteceu hoje.
Imagina que todas sentimos dores nas entranhas”.
* Assim o recebi. Assim o reenvio. E continuarei ajoelhando-me, porque hoje vi Deus em negro e sem documentos.
+ Fr. Santiago Agrelo Martínez
Arcebispo de Tánger
[Enviado por Eclesalia Informativo].
Helena Maleno Garzón
Tradução e postagem: ADITAL
Tánger, 16 de fevereiro de 2010.
“Imagina que deste à luz no domingo passado, em um hospital público marroquino. Um menino lindo!
Imagina que te deram alta no dia seguinte, segunda-feira.
Imagina que voltaste para casa cansada, sangrando do pós parto; ainda com dores no útero, que luta para voltar ao seu lugar.
Imagina que em casa te esperam tua filha de dois anos e dois meses e teu esposo.
Imagina que nessa manhã, enquanto banhavas o bebê, começaste a ver que ele tinha dificuldade para respirar.
Imagina que correste para o hospital público marroquino.
Imagina que te disseram que não podiam atender-te.
Imagina que voltaste duas vezes.
Imagina que na terceira vez teu bebê deixou de respirar quase na porta do hospital.
Imagina que pediste ajuda por teu bebê morto.
Imagina que ele foi levado ao necrotério do hospital.
Imagina que tu, tua filha e teu esposo foram levados à delegacia.
Agora, imagina-te retorcendo-se de dor nas entranhas, a dor amarga da morte de teu filho, a dor de um útero que te recorda que estás recém parida, a dor de um leite que sobre para teus seios duros como pedras. Porém, imagina-te NEGRA; imagina-te AFRICANA; imagina-te POBRE; imagina-te SEM DOCUMENTOS. Continue lendo… 'Deus é negra e sem documentos'»
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Itália: violência racial contra os imigrantes da África

Por racismoambiental, 12/01/2010 10:58
O surto de violência racial na Itália aviva o debate sobre os imigrantes
Já não há africanos à vista em Rosarno (Calábria, no sul da Itália). As escavadeiras demoliram ontem uma das fábricas abandonadas onde, há 20 anos, instalavam-se, durante meses, os temporários subsaarianos que colhiam tangerinas. A calma voltou ao povo depois que três dias de revolta, disparos e matilhas humanas. Resultou em cerca de 100 feridos, quatro deles graves (todos eles africanos) e o êxodo de aproximadamente 1.500 imigrantes. Agora, a Itália trata de digerir o sucedido.
A reportagem é de Miguel Mora e publicada pelo jornal El País, 11-01-2010. A tradução é de Vanessa Alves.
O final abrupto de uma convivência precária, baseada, há duas décadas, em uma relação de atroz desigualdade; a confirmação que, na Calábria, há mais máfia que Estado, e as imagens de violência racista vistas durante aproximadamente 72 horas envergonharam muitos italianos.
A solidariedade com os imigrantes abre passagem a partir de diferentes frentes, e depois da manifestação de condenação, o sábado em Roma, com um ferido, a ideia de uma greve geral de imigrantes vai tomando proporção através da Internet. A proposta é que se realize, no dia 1 de março, coincidindo com a que se organiza na França.
Mas, paradoxalmente, os fatos parecem ter conformado outros italianos. Ou, mais exatamente, a solução do problema. Alguns jornais, como Il Fatto, batizaram o exercício de “limpeza étnica” como o “primeiro ato eleitoral da Liga do Norte perante as eleições regionais de março”. A política firme e autoritária do ministro do Interior, Roberto Maroni, era ontem elogiada de forma unânime pelos meios da direita.
E, paradoxalmente, por muitos cidadãos do sul. Alguns dos vizinhos calabreses mais ativos na perseguição de africanos mostraram sua admiração pela Liga e por Maroni, quem atribuiu as desordens a anos de “excessiva tolerância”, assinalando com o dedo um centro-esquerda incapaz de distinguir-se frente à complexidade do fenômeno migratório.
Maroni foi criticado por quase legitimar a violência quando, em plena crise, deixou transpassar sua compreensão com os vizinhos rebelados. Antes que defender o direito ao trabalho dos imigrantes, o Governo preferiu escavar o problema de ordem pública e de higiene, desalojando todos os africanos, legais e não, até os centros de alojamento mais pertos, Bari e Crotone.
“Todos os ilegais serão expulsos”, prometeu ontem o ministro. Logo depois, seu gabinete anunciou que concederá a permissão de residência por motivos humanitários aos imigrantes feridos (alguns deles eram já asilados políticos).
Laura Boldrini, porta-voz do Alto Comissionado para Refugiados da ONU, lembrou que muitos africanos abandonaram Rosarno sem cobrar seus pagamentos. “Boa parte deles são legais e há muitos sob proteção internacional. Esperamos que o Estado lhes ajude a encontrar trabalho e não sigam abandonados na exploração e degradação”.
Se Rosarno ensinou algo, é que a católica e acolhedora Itália não se reconhece já a si mesma. Enquanto em Roma, o papa Bento XVI pedia “respeito” para os imigrantes e lembrava que “têm os mesmos direitos” que os demais, no povo, durante a missa, o pároco dom Pino foi mais longe: “Os descartamos. Se não temos a força de nos rebelar contra a injustiça e exercemos a violência contra os mais débeis, é melhor que não venhamos mais à igreja”.
Ao analisar os fatos, vários diários recorrem hoje a um símbolo da liberdade: Primo Levi, o cientista e escritor judeu que sobreviveu a Auschwitz. “Se estes são homens”, titula Barbara Spinelli seu artigo em La Stampa, enquanto La Repubblica publica o poema de Adriano Sofri “E agora decidam se este é um homem. O fundador do jornal La Repubblica, Eugenio Scalfari, comenta a implicação da ‘Ndrangheta na violência racista e a exploração dos trabalhadores, e pergunta às autoridades: “Não sabiam de nada? Não sabiam que a colheita de fruta nessa terra se deixava a cargo de 20.000 imigrantes, a maioria sem papéis, administrados por capatazes e pagos por baixo dos panos? Não sabiam como viviam? Não tinham a obrigação de intervir?”.
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=28864

De: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=28864

O surto de violência racial na Itália aviva o debate sobre os imigrantes

Já não há africanos à vista em Rosarno (Calábria, no sul da Itália). As escavadeiras demoliram ontem uma das fábricas abandonadas onde, há 20 anos, instalavam-se, durante meses, os temporários subsaarianos que colhiam tangerinas. A calma voltou ao povo depois que três dias de revolta, disparos e matilhas humanas. Resultou em cerca de 100 feridos, quatro deles graves (todos eles africanos) e o êxodo de aproximadamente 1.500 imigrantes. Agora, a Itália trata de digerir o sucedido. A reportagem é de Miguel Mora e publicada pelo jornal El País, 11-01-2010. A tradução é de Vanessa Alves. Continue lendo… 'Itália: violência racial contra os imigrantes da África'»

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