A morte do outro não importa

Elaine Tavares – Palavras Insurgentes

O mundo ocidental se move por uma premissa que vem da cultura grega: o ser é, o não-ser não é. E o que significa essa frase tão enigmática? Que só é reconhecido como ser aquele que é igual. O outro, esse não existe. Não-é. Não tem importância. Sendo assim o que é para o mundo ocidental europeu/estadunidense? Aquele que é igual a eles: branco, rico, capitalista, guardião da ordem e da moral. Tudo o que sai desse script não-é. E, não sendo pode ser destruído sem dó. Sobre a morte desse outro que não-é, não se fala, porque não importa. (mais…)

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E a psicometria eleitoral chega ao Brasil

Cambridge Analitica, que criou métodos manipulatórios para Trump e o Brexit, associa-se a marqueteiro no país. Ele diz que trabalha “no limite da ética” e está negociando com Dória

Por Marina Rossi e Flávia Marreiro, no El País/Outras Palavras

“Eu comprei uma praia e não quero que as pessoas entrem. Qual é a melhor placa para eu fincar na areia?”, perguntou o marqueteiro André Torretta, enquanto mostrava duas fotos em uma apresentação de Power Point em seu MacBook. “Essa, dizendo que a praia é privada, ou essa, dizendo que a praia tem tubarão? A que tem tubarão funciona mais”, disse, sorrindo, em seu escritório, um coworking colorido e ostensivamente descolado em um bairro nobre de São Paulo. E se não houver tubarão na praia será uma mentira, certo? “Se não tiver tubarão, então é uma fake news”, concedeu. “Eu não vou fazer isso, mas isso existe, é possível e dá para ser feito, no limite da ética”. (mais…)

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Boaventura: a ilusória “Desglobalização”

Não nos enganemos: vitória de Trump e Brexit expressam uma nova fase de globalização – mais dramática, mais excludente e talvez capaz de eliminar a democracia

Por Boaventura de Sousa Santos, no Outras Palavras

Em círculos acadêmicos e em artigos de opinião nos grandes meios de comunicação tem sido frequentemente referido que estamos entrando num período de reversão dos processos de globalização que dominaram a economia, a política, a cultura e as relações internacionais nos últimos cinquenta anos. Entende-se por globalização a intensificação de interações transnacionais para além do que sempre foram as relações entre Estados nacionais, as relações internacionais, ou as relações no interior dos impérios, tanto antigos como modernos. São interações que não são, em geral, protagonizadas pelos Estados, mas antes por agentes econômicos e sociais nos mais diversos domínios. Quando são protagonizadas pelos Estados, visam cercear a soberania do Estado na regulação social, sejam os tratados de livre comércio, a integração regional, de que União Europeia(UE) é um bom exemplo, ou a criação de agências financeiras multilaterais, tais como o Banco Mundial e o FMI. (mais…)

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Big Data e a espoliação algorítmica dos dados: novos meios para uma velha dominação

A esquerda precisa perceber que, muito além de uma mera ferramenta tecnológica, o Big Data representa uma verdadeira ameaça, sutil e refinada, de renovada exploração e dominação da massa dos trabalhadores, a nível mundial.

Por Alexandre Pinto & Leandro Módolo, no blog da Boitempo

Quando Jean Lojkine escreveu sua já clássica A revolução informacional, em 1992, algumas das tecnologias de informação ainda engatinhavam e, mesmo assim, grande parte dos intelectuais da esquerda anticapitalista assistiam assustados aos desdobramentos e às consequências delas no metabolismo social. Infelizmente, foi apenas de modo reativo que a esquerda passou a discutir e a investigar o fenômeno que já corria nas bocas e nos corredores da política e da tecnociência do mainstream. É certo que, sob os holofotes, em sua maioria eram discursos apologéticos que ressoavam – e ainda ressoam diariamente – os porta-vozes do Vale Silício e de outros clusters de inovações capitalistas. Ora para capturar investimentos e manter a circulação e acumulação de capital, ora para se legitimar ideologicamente mediante uma nova utopia tecnocientificista na qual as TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) resolveriam os problemas da sociedade globalizada. (mais…)

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Mensagem de Rosa Luxemburgo ao século 21

Uma nova biografia (agora em quadrinhos) destaca a revolucionária que defendeu a liberdade com paixão, criticou a esquerda endurecida, viu potência no feminismo e nos índios e entregou-se ao amor, ao sexo e à arte

Por Isabel Loureiro, no Outras Palavras 

Por que em um momento de derrota da esquerda na América Latina e em todo o mundo ainda falamos de Rosa Luxemburgo? O que fez essa revolucionária judia-polaca-alemã para que, cem anos depois de seu assassinato, em janeiro de 1919, suas ideias ainda nos interpelem? (mais…)

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Mészáros: “O capital não é o simples desfrute das coisas pelos capitalistas”

Por Haroldo Ceravolo Sereza, em Opera Mundi

Com a morte de István Meszáros (1930-2017), autor de Para além do capital, revi trechos do Roda Viva que o entrevistou em 2002 (a bancada era formada por Ricardo Antunes, Emir Sader, Maria Orlanda Pinassi, Luiz Gonzaga Belluzzo, Carlos Nelson Coutinho e eu: gente que, provavelmente, está num índex qualquer da Fundação Padre Anchieta… (mais…)

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Boaventura: a Catalunha e a esquerda

Embora sem poder definitivo, plebiscito expressa o desejo de autonomia, contra um governo alinhado com as piores políticas da União Europeia. Até o Podemos omitiu-se sobre isso

Por Boaventura Sousa Santos* – Outras Palavras

O referendo da Catalunha deste domingo vai ficar na história da Europa, e certamente pelas piores razões. Não vou abordar aqui as questões de fundo, as quais podem ser lidas, consoante as perspectivas, como uma questão histórica, territorial, de colonialismo interno ou de autodeterminação. São estas as questões mais importantes, sem as quais não se compreendem os problemas atuais. Sobre elas tenho uma modesta opinião. Aliás, é uma opinião que muitos considerarão irrelevante porque, sendo português, tenho tendência para ter uma solidariedade especial para com a Catalunha. No mesmo ano em que Portugal se libertou dos Filipes, 1640, a Catalunha fracassou nos mesmos intentos. Claro que Portugal era um caso muito diferente, um país independente há mais de quatro séculos e com um império espalhado por todos os continentes. Mas, apesar disso, havia alguma afinidade nos objetivos e, aliás, a vitória de Portugal e o fracasso da Catalunha estão mais relacionados do que se pode pensar. Talvez seja bom lembrar que a Coroa de Espanha só reconheceu a “declaração unilateral” de independência de Portugal 26 anos depois. (mais…)

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