Outra esquerda é possível

No Brasil, reina a melancolia. Mas em países como Inglaterra e Estados Unidos, uma postura claramente anti-neoliberal está permitindo à esquerda reconectar-se com a sociedade e sacudir o cenário político

Por Antonio Martins | Vídeo: Gabriela Leite – Outras Palavras

Você quer optar por manter-se melancólico – e crer que o duro esforço de recriar a esquerda é inútil, porque o mundo tornou-se definitivamente conservador. Nesse caso, olhe para a Alemanha, onde o partido de extrema-direita voltou ao Parlamento, pela primeira vez desde o nazismo. É uma perspectiva sombria e real; por isso, é legítimo escolhê-la. Mas, por favor, não diga que é a única, nem a mais atual. (mais…)

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Boaventura reexamina as formas de luta

O que diferencia revolução, luta institucional, rebeldia e desobediência civil? Por que, nas últimas décadas, a ciência política esqueceu este debate? Vale a pena retomá-lo?

Por Boaventura de Sousa Santos – Outras Palavras

Há temas que, apesar de serem uma presença constante na vida da grande maioria das pessoas, ora aparecem ora desaparecem do radar daqueles a quem compete refletir sobre eles – seja no plano científico, cultural ou filosófico. Alguns dos temas hoje desaparecidos são, por exemplo, a luta social (mais ainda, a luta de classes), a resistência, a desobediência civil, a rebeldia, a revolução e, subjacente a todas eles, a violência revolucionária. Ao longo dos últimos cento e cinquenta anos estes temas tiveram um papel central na filosofia e na sociologia políticas porque sem eles era virtualmente impossível falar de transformação social e de justiça. Hoje em dia, a violência está onipresente nos noticiários e nas colunas de opinião, mas raramente é referida aos temas anteriores. A violência de que se fala é a violência despolitizada, ou como tal concebida: a violência doméstica, a criminalidade, o crime organizado. Por outro lado, é sempre de violência física que se fala, raramente de violência psicológica, cultural ou simbólica e, nunca, de violência estrutural. Os únicos contextos em que a violência é, por vezes, referida como política é a violência nos países “menos desenvolvidos” ou “Estados falidos” e a violência terrorista, considerada (e bem) como um modo inaceitável de luta política. (mais…)

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Por que governos da América Latina são ditaduras e o quarto mandato de Merkel não?

Para Paola Estrada, as concepções de que governos latino-americanos são ditaduras é fruto dos interesses financeiros

José Eduardo Bernardes, Brasil de Fato

Ao contrário do tratamento dado para alguns governos latino-americanos, o quarto mandato da chanceler, Angela Merkel, não levantou questionamentos de críticos e veículos da imprensa acerca da existência de uma “ditadura” na Alemanha. (mais…)

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O panoptismo de estar constantemente conectado às redes sociais. Entrevista especial com Olaya Fernández Guerrero

Por Patricia Fachin, no IHU On-line

A noção de panoptismo, discutida por Foucault há 40 anos, “permite compreender muitas das situações que vivemos atualmente em nossas sociedades, nas quais, sob o pretexto da segurança global, intensificaram-se as medidas de vigilância e controle que se aplicam sem exceção a toda a população e que, às vezes, implicam um corte preocupante das liberdades civis”, diz a filósofa Olaya Fernández Guerrero à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por e-mail. (mais…)

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Ex-guerrilheira Lucía Topolansky é a nova vice-presidente do Uruguai

Casada com o ex-presidente Mujica, Lucia ficou presa por 13 anos durante a ditadura; em 2014, foi a senadora eleita com maior número de votos do Uruguai.

Por Nocaute 

Raúl Sendic renunciou ao cargo de vice-presidente do Uruguai no sábado (9) e foi substituído por Lucía Topolansky, 72 anos, resistente da ditadura militar uruguaia (1973-1985). Ex-guerrilheira, é casada com o ex-presidente José Mujica. (mais…)

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Em livro lançado na França, Jacques Rancière faz diagnóstico preciso da atualidade

No IHU

“O raciocínio desmascara a retórica dos que proclamam as vantagens do neoliberalismo como remédio contra a corrupção (como se não tivessem o exemplo recente de uma crise mundial provocada pela voracidade de bancos e mercados desregulados), quando no fundo apenas combatem a igualdade. Não é o Estado, mas o Estado de direito que mais os incomoda”, escreve Bernardo de Carvalho, romancista, em artigo publicado por Folha de S. Paulo, 03-09-2017. Eis o artigo: (mais…)

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Os Estados Unidos e a apropriação militar da antropologia

Entrevista com o antropólogo mexicano Gilberto López y Rivas, realizada pela jornalista venezuelana María Fernando Barreto. Tradução e apresentação: Ricardo Cavalcanti-Schiel

No Outras Palavras/GGN

Em fevereiro de 2013, o reconhecido antropólogo Marshall Sahlins renunciou à sua cadeira na Academia Nacional de Ciências (NAS) dos Estados Unidos, e um dos motivos era seu protesto contra a instrumentalização, pelos interesses das Forças Armadas norte-americanas, das pesquisas em ciências sociais fomentadas por aquela eminente instituição.

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Especialistas em EUA explicam a ascensão da extrema direita estadunidense

A estátua de um general confederado desencadeou manifestações de extrema-direita que uniu desde republicanos até neonazistas e isso pode ser apenas a ponta do iceberg

Por Voyager

Na segunda parte da nossa série sobre a ascensão da extrema-direita estadunidense (confira a primeira parte aqui), entrevistamos dois especialistas sobre EUA que nos ajudarão a compreender esse fenômeno. (mais…)

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Água: as cidades contra a privatização

Em Paris, por economia; em Berlim, após luta social e plebiscito. Centenas de municípios europeus, norte-americanos e africanos estãoreestatizando o abastecimento — ao contrário do que quer Temer aqui

Por Heloisa Villela, no Viomundo

A DMAE (empresa de água e esgoto de Porto Alegre) é mais uma companhia da lista de serviços públicos brasileiros que pode parar na mão da iniciativa privada. A empresa é bem gerida, tem um desempenho exemplar e está prontinha para dar lucro a algum empresário. “É uma das melhores empresas de água e saneamento do mundo”, diz o canadense David McDonald, fundador do da organização Projeto de Serviços Municipais, uma rede de pesquisa que reúne acadêmicos de diversos países para analisar o desempenho das empresas públicas nos setores de eletricidade, saúde, água e saneamento básico — e estudar as consequências das privatizações nesses setores, especialmente na África, na Ásia e na América Latina. (mais…)

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Somos líquidos… ou viscosos? Artigo de Eduardo Gudynas

IHU On Line

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman criou uma metáfora poderosa ao descrever as sociedades atuais como “líquidas”. Mas na América Latina, mesmo no século XXI, continuamos a viver em países, em cidades, em sociedades que ainda têm muito de “sólidos” e onde aparecem apenas traços e faixas de “liquidez”. A realidade nos diz que vivemos em sociedades “viscosas”. A análise é de Eduardo Gudynas, em artigo publicado por revista Envío, 24-08-2017. A tradução é de André Langer. Eis o artigo. (mais…)

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