Categoria: Racismo Ambiental

Cresce a Defesa dos Comuns pelo Mundo

Por , 27/11/2014 17:51
“A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas”, escreve Graciliano Ramos em ‘Vidas secas’. Hoje, porém, não se vê o êxodo em massa de camponeses. Foto: Leo Nunes (Wikimedia Commons – CC BY-SA 3.0)

“A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas”, escreve Graciliano Ramos em ‘Vidas secas’. Hoje, porém, não se vê o êxodo em massa de camponeses. Foto: Leo Nunes (Wikimedia Commons – CC BY-SA 3.0)

A falta de água em São Paulo e em outros estados do país, além da seca no Nordeste nos põem frente aos limites do planeta

Cândido Grzybowski, Canal Ibase

A prolongada seca na Região Sudeste do Brasil, além do evidente sofrimento causado pela falta de água, despertou um necessário debate entre nós sobre ela como bem comum. Estamos descobrindo o quanto não cuidamos deste comum essencial à vida,  dada a agressão que, como coletividade, fazemos ao ciclo ecológico da água com o desmatamento, a poluição, o uso predatório. Enfim, tomamos consciência de que existem limites naturais, onde o problema tem a ver com uso e gestão de um comum como a água, mesmo num território como o brasileiro, dotado das maiores reservas naturais de água doce do Planeta. Sem água não há vida!

Neste grande tema dos comuns, aqui gostaria de chamar a atenção para os territórios que compartimos, como comuns que sintetizam condições naturais dadas com história de ocupação humana e construção social ao longo de gerações, mais a vida e a ação no presente. Neste processo de trocas e convívios, longo e curto ao mesmo tempo, criamos os territórios como bens comuns, lugares em que organizamos nosso modo de viver, que se torna parte de nossa identidade, endereço, memória, cultura e muito mais. Aliás, a água é central nos territórios, mas eles comportam muitos elementos constitutivos do que são, pois combinam os bens naturais da geografia local tornados comuns e bens produzidos, materiais e simbólicos, como comuns. A discussão sobre os territórios como comuns, porém, ainda não ganhou a evidência e a importância que merece. É nos territórios que surgem as resistências mais emblemáticas ao modo predatório da civilização industrial-produtivista-consumista em que estamos mergulhados e que nos ameaça com a mudança climática. Por isto mesmo, as resistências nos territórios as tomo como trincheiras antissistêmicas. Continue lendo… 'Cresce a Defesa dos Comuns pelo Mundo'»

MPF/PA pede a suspensão da concessão da Floresta Nacional do Crepori, em Itaituba

logo mpfProcesso de licitação dos recursos florestais escondeu a existência de populações tradicionais e indígenas que vivem na área

MPF/PA
A concessão da Floresta Nacional (Flona) do Crepori, em Itaituba, no sudoeste do Pará, pode ser suspensa pela Justiça Federal, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), porque o processo de licitação dos recursos florestais escondeu a existência de populações tradicionais e indígenas vivendo no interior da área e utilizando a floresta. De acordo com o MPF, há flagrantes irregularidades no plano de manejo elaborado pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio), gestor da Flona. O vencedor do leilão foi a empresa Brasad’Oc Timber Comércio de Madeiras Ltda.

Quando o edital de licitação da Flona do Crepori foi divulgado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) em maio de 2013, o MPF identificou a irregularidade no plano de manejo, que mencionava a existência de pelo menos 213 pessoas morando e utilizando os recursos da área mas desconsiderava a presença de possível população tradicional e dos limites entre a Flona e a Terra Indígena Sawre Muybu, dos Munduruku, em fase de demarcação.

A partir da constatação das irregularidades, o SFB recebeu recomendação para suspender o processo de licitação, mas respondeu que não acataria a recomendação. O MPF solicitou perícia sobre a população da área, coordenada pelo pesquisador Maurício Torres, que já havia feito, a pedido do ICMBio, uma revisão populacional da área. A revisão mostrava claramente a existência de população tradicional, mas foi desconsiderada tanto pelo ICMBio (que não enviou o parecer), quanto pelo SFB. Continue lendo… 'MPF/PA pede a suspensão da concessão da Floresta Nacional do Crepori, em Itaituba'»

No RS, encontro dos “Kujã”, líderes espirituais Kaingang, reuniu representantes de 18 TIs

indigenas kaingangCimi Regional Sul – Entre os dias 21 e 23 de novembro Porto Alegre (RS) recebeu o V Encontro dos Kujã, líderes espirituais do povo Kaingang. Representantes de 18 Terras Indígenas (TIs) dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina participaram do evento, que aconteceu na TI Morro do Osso. Leia o documento assinado pelas comunidades:

O V Encontro dos Kujã

Nos dias 21, 22 e 23 de novembro de 2014, a capital do estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, região hidrográfica do Guaíba, originalmente com vegetação característica da Mata Atlântica e incidência de floresta ombrófila mista (floresta com araucária), na Terra Indígena Morro do Osso, um momento se fez. Marcado pelas narrativas, pelas memórias e reminiscências que compõem a figura dos Kujãs, líderes espirituais na sociedade indígena Kaingang, o V Encontro dos Kujã emerge no contemporâneo como um contraponto às assimetrias em relação aos direitos existenciais desse grupo indígena Jê Meridional.

As danças, as pinturas, os cantos enérgicos que ecoam a milênios no planalto meridional, hoje dão o tom de nossa existência enquanto continuidade, identidade e resistência de um povo que habita esse território a milhares de anos antes do presente, antes de senhores e escravos, de ricos e pobres, de patrões e empregados, quando vivíamos soberanos, absolutos, com dignidade e liberdade, numa lógica pautada no respeito com a natureza e sobrenatureza. Hoje queremos uma pauta concreta e própria, uma pauta que respeite nossa cosmologia. Afinal, historicamente fomos silenciados, oprimidos, tivemos nossos sagrados espaços apropriados pelos “visitantes” indesejados, onde a opção era a de aldeamentos diminutos ou a morte. Vimos nossas casas virarem cinza, nossas histórias e narrativas ridicularizadas e fomos entendidos como atrasados por quem pisava em nosso sagrado solo, nosso não no sentido patrimonial, mas como parte de nós. Continue lendo… 'No RS, encontro dos “Kujã”, líderes espirituais Kaingang, reuniu representantes de 18 TIs'»

II Congreso Nacional de ANAMURI: contra el capitalismo, el patriarcado y por los derechos

invitacion_anamuri

Mapuexpress – Los días 28, 29 y 30 de Noviembre de 2014 será la realización del II Congreso Nacional de la Asociación Nacional de Mujeres Rurales e Indígenas ANAMURI, la que tendrá espacios de transmisión vía señal de radio por Internet que cubrirá el  acto inaugural, la realización del mercado de productos y artesanías de las mujeres del campo, la presentación de oficios tradicionales de las labores agrícolas,  jornadas de expresiones culturales y el acto de clausura del congreso.

Este II Congreso Nacional se realizará en el Liceo Luis Galecio (Ex Liceo A-90) ubicado en la calle Dario Salas #5270, en la Comuna de San Miguel, Santiago.

La organización de este importante congreso señala: “Esperamos la participación de más de 500 delegadas provenientes de diferentes organizaciones desde Arica a Punta Arenas que se reunirán en este espacio de discusión y debate para fortalecer nuestras alianzas, compartir opiniones y de esta forma avanzar unidas en la construcción de alternativas para las mujeres rurales e indígenas, campesinas y asalariadas agrícolas”. Continue lendo… 'II Congreso Nacional de ANAMURI: contra el capitalismo, el patriarcado y por los derechos'»

Dnocs terá que ressarcir prejuízos às comunidades quilombolas por construção de barragem em Rio de Contas/BA

Construída na década de 70, a barragem inundou cerca de 50% das terras agricultáveis das comunidades Barra, Bananal e Riacho das Pedras, localizadas no município de Rio de Contas/BA.

MPF/BA

A Justiça Federal condenou o Departamento Nacional de Obras Contra Secas (Dnocs) a adotar medidas compensatórias por conta dos prejuízos causados às comunidades quilombolas de Barra, Bananal e Riacho de Pedras, localizadas no município de Rio de Contas/BA, sudoeste baiano. A sentença é resultado de ação do Ministério Público Federal (MPF) em Guanambi/BA e beneficia grupos que tiveram seus territórios alagados pela construção de uma barragem no Rio Brumado, na década de 70.

A decisão obriga o Dnocs a adotar diversas medidas compensatórias em benefício das comunidades, como construção de caixas d’água, perfuração de poços, adequação de canais de irrigação e barragens, promoção, pelo período de dez anos, de cursos de capacitação sobre técnicas agrícolas e disponibilização de mudas frutíferas que se adaptem ao solo e clima da região. O Dnocs tem um ano, a contar da publicação da sentença, para adotar as medidas compensatórias sob pena de multa mensal de dez mil reais.

De acordo com a sentença, o Açude Luiz Vieira (barragem do Rio Brumado) foi construído no fim da década de 70 pelo Dnocs como parte de um processo para tentar amenizar os efeitos da seca na localidade onde atualmente é o município de Rio de Contas. Com a obra, foram alagadas cerca de 50% das terras agriculturáveis das mencionadas comunidades, o que incluiu toda a área habitada pelos quilombolas da localidade de Riacho das Pedras. Como esses impactos não foram devidamente compensados, instalou-se um quadro de intensa pobreza e degradação das comunidades, levando a um processo de contínuo abandono dos modos tradicionais e à perda da conexão entre os quilombolas e suas terras. Durante quase quinze anos o MPF questionou o Dnocs para que adotasse medidas administrativas compensatórias, mas até hoje o órgão pouco fez a favor das comunidades.

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Indígenas Munduruku e ativistas protestam contra hidrelétrica no rio Tapajós, no PA

Com mensagem gigante, índios Munduruku e ativistas protestam contra a construção do Complexo Hidrelétrico do Tapajós, no oeste do Pará. Foto: Marizilda Cruppe, Greenpeace

Com mensagem gigante, índios Munduruku e ativistas protestam contra a construção do Complexo Hidrelétrico do Tapajós, no oeste do Pará. Foto: Marizilda Cruppe, Greenpeace

Manifestantes escreveram mensagem ‘Tapajós Livre’ na areia. Povo Munduruku diz não ter sido consultado sobre a obra.

G1 PA

Índios Munduruku e ativistas do Greenpeace protestaram na quarta-feira (26) contra a construção do Complexo Hidrelétrico do Tapajós, no Pará. Com pedras, os manifestantes formaram a mensagem gigante “Tapajós Livre” na areia de uma praia próxima à cachoeira de São Luiz do Tapajós, local previsto para receber a primeira das cinco hidrelétricas planejadas para a região amazônica.

A área a ser alagada abriga uma das principais porções de floresta nativa do país, afetando unidades de conservação e terras indígenas. A usina São Luiz do Tapajós chegou a ter seu leilão anunciado para o dia 15 de dezembro, apenas 150 dias após o governo ter requerido ao Ibama a licença ambiental prévia do empreendimento. Quatro dias depois, o Ministério de Minas e Energia teve que voltar atrás e adiar o leilão após pressão do povo Munduruku, que não teria sido devidamente consultado sobre a obra. Continue lendo… 'Indígenas Munduruku e ativistas protestam contra hidrelétrica no rio Tapajós, no PA'»

Aty Guasu: Comunidades Guarani e Kaiowá de Kurusu Amba estão realizando ritual de despedida

aty Guasu - ritual raro

Por Aty Guasu

Informativo triste de Aty Guasu: as comunidades Guarani e Kaiowa de Kurusu Amba estão realizando um ritual raro e extremamente pesado – esse ritual de resistência, sem medo mais de reagir, no ritual em que guerreiros e guerreiras se preparam para lutar e morrer, no momento em que os guerreiros e guerreiras Guarani e Kaiowa se separam e já se despedem das pessoas que vão sobreviver mais. As crianças e mulheres gestantes de Kurusu Amba estão se separando e se ajuntado distantes dos tiros dos pistoleiros/policiais.

Uma liderança comunica: “Após várias noites de rituais de resistência, a partir de hoje, recebemos ordem definitiva de rezador /líder espiritual para lutar até morrer para defender as nossas terras onde seremos enterrados com nossos antepassados; todos concordamos, dessa vez é para enfrentar os inimigos, reagir e lutar para proteger as crianças. Já chega de recuar e morrer pacificamente, já avisamos o governo federal, já avisamos o Juízes federais do STF”. Reafirmam lideranças de Kurusu Amba.

Diante desse fato, evidente que em qualquer instante haverá iminente confronto e resistência Guarani e Kaiowa. É preocupante essa decisão e declaração de povo Guarani e Kaiowa; todas as comunidades e as lideranças não conseguem mais dormir, preocupados com Kurusu Amba. Todos sabemos que tanto os pistoleiros como policiais federais preparam armas de fogo pesado para atacar os indígenas de Kurusu Amba, é uma luta desiguais. É lamentável, injustiça total, os pistoleiros e policiais federais continuarão massacrando e exterminado as comunidades Guarani e Kaiowa. O governo federal e justiça do Brasil será responsável pelo massacre e genocídio do povo Guarani e Kaiowa. O povo já perdeu a esperança de ver as terras tradicionais demarcadas pelo governo.

Povo indígena vence a seca e a desnutrição em Honduras

A reluzente cozinha de Estanisla Reyes, que ela e seu marido construíram trabalhando 15 dias das 6h às 18h. Dos novos fogões ecológicos saem os alimentos com que os tolupanes da comunidade de Pueblo Nuevo, no norte de Honduras, acabaram com a desnutrição infantil em apenas dois anos. Foto: Thelma Mejía/IPS

A reluzente cozinha de Estanisla Reyes, que ela e seu marido construíram trabalhando 15 dias das 6h às 18h. Dos novos fogões ecológicos saem os alimentos com que os tolupanes da comunidade de Pueblo Nuevo, no norte de Honduras, acabaram com a desnutrição infantil em apenas dois anos. Foto: Thelma Mejía/IPS

por Thelma Mejía, da IPS

Pueblo Nuevo, Honduras – No coração da montanha de Pijol, no departamento de Yoro, norte de Honduras, os tolupanes da comunidade de Las Vegas de Tepemechín de Pueblo Nuevo têm muito para comemorar: a fome deixou de ser um problema para eles e seus filhos menores de cinco anos foram resgatados das garras da desnutrição infantil.

Seus moradores, do povo indígena tolupan, se livraram das consequências da seca que este ano se estendeu por muitas regiões do país e afetou severamente a produção de grãos básicos, como feijão e milho, por causa da mudança climática e do fenômeno El Niño. Há dois anos, os tolupanes de Pueblo Nuevo contam com reservas de alimentos que armazenam em um local comunitário. Desapareceram os “junhos negros”, repetiam os habitantes da aldeia quando a IPS compartilhou um dia com eles.

“De junho a agosto, tínhamos uma fase muito dura, não tínhamos o que comer, comíamos raízes, era uma fase de subsistência, sempre dizíamos: aí vêm os junhos negros”, contou o líder da tribo, Tomás Cruz, de 27 anos e professor de profissão. “Mas agora podemos sorrir e dizer: desapareceram os junhos. Agora temos alimentos para nossa dieta e a de nossos filhos, que tinham sérios problemas de desnutrição porque não havia comida”, acrescentou. Continue lendo… 'Povo indígena vence a seca e a desnutrição em Honduras'»

Programação feita por Ricardo Álvares, utilizando uma versão modificada do tema Panorama, criado por Themocracy.