Branquidade e privilégio: o lacre social

“A liberação da identidade racial faz parte tanto da luta contra o racismo como da eliminação da discriminação racial e da desigualdade. Essa liberação envolverá uma revisão da política racial e uma transformação da diferença racial. Tornará a própria democracia muito mais radicalmente pluralista e a identidade muito mais um problema de escolha do que de atribuição. A medida que as lutas para alcançar esses objetivos forem reveladas, reconheceremos gradualmente que a racialização da democracia é tão importante quanto a democratização das raças.” (Howard Winant, Racial Condition, 1994. p. 169)

Joice Berth, no Justificando

Você pode achar, caro leitor, que o lacre ou lacry, expressão muito usada pelo feminismo negro para elogiar ou manifestar grande admiração, é tão somente isso, uma rasgação de seda entre pessoas deslumbradas que se acham as últimas bolachas do pacote. (mais…)

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Quando o racismo mora na esquerda

“A arte e a prática de amar começam com a nossa capacidade de nos conhecer e nos afirmar. (…)

A afirmação é o primeiro passo para cultivarmos nosso amor interno.” – bell hooks

Por Juliana Borges, no Justificando

O racismo é um elemento estruturador porque um mito fundador da sociedade brasileira. Um mito fundador é o que está constantemente se atualizando e se mantendo estruturalmente na sociedade, de modo que, como nos diz a filósofa Marilena Chauí, “quanto mais parece ser outra coisa, tanto mais é a repetição de si mesmo”. Ou seja, o racismo se atualiza e se reconfigura historicamente na sociedade brasileira, alcançando todos os campos das relações sociais, ou seja, político, institucional, cultural, social, físico, territorial e, também, psicológico. São estas amarras, por exemplo, que constituem complexamente o emaranhado racista, passando pela assimilação da cultura e da sociabilidade afro-brasileira, ao passo que os próprios negros negam a si mesmos. (mais…)

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Advogado negro é alvo de ataques racistas com símbolo da Ku Klux Klan

Em um poste na frente de seu escritório, os dizerem “negro, antifa, comunista e macumbeiro” se referiam ao advogado Marco Antonio André

por Victória Damasceno — CartaCapital

Perplexidade. Foi este o sentimento que tomou conta do advogado Marco Antonio André na segunda-feira 24 quando se deparou com um cartaz com os dizeres “Negro, comunista, antifa e macumbeiro” em frente ao seu escritório de advocacia em Blumenau (SC). Um símbolo da Ku Klux Klan (KKK), seita racista norte-americana, acompanhava os dizeres e dirigia a palavra diretamente a ele. (mais…)

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O segredo do sucesso: bata no negro

Edson Lopes Cardoso* – Brado Negro

A edição nº 17 do “Jornal do MNU”, de set./out./nov. de 1989, traz dois textos sobre passeata de adeptos da Igreja do Reino Universal (IURD) realizada em Salvador, no dia 14 de agosto de 1989. A passeata era uma manifestação política de grande hostilidade contra as religiões de matriz africana e tachava seus seguidores de “criminosos e infanticidas”. (mais…)

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Racismo à Portuguesa: “Há muito mais famílias que tiveram escravos.” Mas não se fala disso

Francisco Sousa considera-se “afro-beneficiário”. A sua família teve pessoas escravizadas. Choca-o não se falar sobre esse passado. O antropólogo António Tomás diz que falta fazer este debate. Portugal ainda está “em negação”, diz a artista Grada Kilomba. Capítulo final da série Racismo à Portuguesa.

Por Joana Gorjão Henriques, Público

Nos baús das famílias podem estar segredos escondidos. Quando Francisco Sousa, 34 anos, viu o arquivo familiar paterno andou duas semanas em estado de choque. Foi por acaso que se cruzou com uma lista do século XVIII onde estavam nomes de pessoas escravizadas, com o valor à frente, de acordo com a capacidade de trabalho. Tinham pertencido à sua família. (mais…)

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Em Meio à Crescente Violência Religiosa-Racial, Caminhada Reúne Milhares em Apoio à Tolerância Religiosa

Tyler Strobl – RioOnWatch

Milhares de pessoas foram às ruas de Copacabana no domingo, 17 de setembro, para participar da 10ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa e exigir tolerância religiosa e respeito à luz da violência contínua contra os praticantes e os locais de culto das religiões afro-brasileiras como Candomblé e Umbanda. Múltiplos grupos religiosos de toda a região metropolitana participaram para mostrar uma frente unida contra a intolerância e a violência baseada no ódio. “A passeata é para a gente poder mostrar nossa cara, combater a intolerância e fazer com que as pessoas saibam que cada um tem seu espaço, que ninguém é melhor nem pior que ninguém, e principalmente todos têm a liberdade para expressar seu dogma, sua religiosidade, sua forma de pensar”, refletiu Saulo D’Iemanjá, um praticante de Umbanda da Zona Norte do Rio. (mais…)

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Wòn kò lè gbà á lówó wa! O proselitismo racista não vai nos privar da nossa ancestralidade

Winnie Bueno e Marcela Lisboa* – Justificando

As expressões religiosas das tradições de matriz africana são atravessadas por um histórico de supressões de direitos, limitações e criminalizações que se inserem desde o período colonial até o auge daquilo que conhecemos por estado democrático de direito. No período colonial, as ordenações do reino criminalizavam com pena capital as tradições religiosas de matriz africana, bem como punia organizações festivas, associativas, políticas e religiosas dos escravizados. Já na vigência do Império, o código criminal elencava uma série de punições dispostas a frear a rebeldia dos negros e negras contra a escravidão, entre essas leis figuravam aquelas que puniam a existência de uma fé distinta da cristã de cunho católico, diretamente relacionada com a imagem universal de civilidade e humanidade. (mais…)

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Intolerância religiosa: a livre expressão do racismo brasileiro

Joice Berth* – Justificando

No Rio de Janeiro, umbandistas do Centro Espírita Irmãos Frei da Luz foram agredidos com pedradas pelos frequentadores de uma Iurd situada ao lado desse Centro, na Abolição. Uma adepta da Tenda Espírita Antônio de Angola, no bairro do Irajá, foi mantida por dois dias em cárcere privado numa igreja evangélica em Duque de Caxias, com o objetivo de que esta renunciasse à sua crença e se convertesse ao evangelismo. Em Salvador, […], uma iniciada no candomblé teve sua casa, no bairro de Tancredo Neves, invadida por trinta adeptos da Igreja Internacional da Graça de Deus, que jogaram sal grosso e enxofre na direção das pessoas ali reunidas durante uma cerimônia religiosa […] Em São Luís, capital maranhense, alguns fiéis da Assembleia de Deus residentes no bairro acusaram os chefes do Terreiro do Justino, localizado na Vila Embratel, de sequestro de um bebê, filho de um casal de frequentadores da igreja que residia na vizinhança. Acreditavam que o bebê teria sido raptado para ser sacrificado nos ritos do terreiro. […] O terreiro, fundado há 104 anos, é um dos mais antigos da cidade e vem sofrendo pressões por parte dos evangélicos do bairro para que seja transferido dali. […] Uma mãe-de-santo da Cidade Tiradentes em São Paulo reclamou de um carro de som, contratado por uma igreja neopentecostal das imediações, que parava ou circulava insistentemente em frente ao seu terreiro para anunciar em alto volume as “sessões de descarrego” realizadas na referida igreja. (SILVA, 2007, p. 12-14) (mais…)

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Racismo à portuguesa: As várias faces do activismo negro

Estamos num momento histórico do activismo anti-racista? Da violência policial à educação, do feminismo aos media, eis a diversidade do movimento. Penúltimo capítulo da série Racismo à Portuguesa.

Por Joana Gorjão Henriques, no Público

Em Dezembro, 22 associações uniram-se na plataforma Afrodescendentes Portugal para enviar uma carta ao Comité das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial. Objectivo: criticar o Estado por não reconhecer que são necessárias políticas específicas para estas comunidades e por fazer “um silenciamento político do racismo”. Sublinhavam a necessidade de recolha de dados étnico-raciais para conhecer a dimensão das desigualdades no país, como a própria ONU recomenda há anos. (mais…)

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