Em São Paulo, construção de barragem ameaça quilombos
Quilombolas lutam desde a década de 1980 contra a construção da UHE Tijuco Alto, no Vale do Ribeira
Michelle Amaral
Na região do Vale do Ribeira, interior de São Paulo, ao menos dez comunidades quilombolas estão ameaçadas pela construção de quatro barragens no Rio Ribeira do Iguape. O projeto de construção das Usinas Hidrelétricas de Batatal, Funil, Itaóca e Tijuco Alto vem do final da década de 1980 e, desde então, os quilombolas, juntamente com caiçaras, indígenas e ribeirinhos, lutam para impedir a realização das obras, que trarão graves danos às comunidades e ao meio ambiente. Juntas, as barragens causarão a inundação de 11 mil hectares, afetando 26 municípios do estado de São Paulo e do Paraná.
André Luís Pereira de Moraes, militante do Movimento dos Ameaçados por Barragens (MOAB) e morador do Quilombo André Lopes, que fica no município de Eldorado, explica que os impactos que serão gerados pela construção das barragens são vários, desde ambientais, pela inundação de uma grande área, até sociais, pois trata-se de uma região que padece de infraestrutura básica e que terá, ainda, que abrigar os trabalhadores das hidrelétricas. “A construção das barragens não vai trazer geração de renda para a região, só trará mais problemas”, defende.
Além disso, Moraes ressalta que, conforme estabelece o artigo 68 da Constituição Federal, é garantido às comunidades quilombolas o direito à propriedade da terra tradicional. “De acordo com a Constituição Federal que dá o direito à propriedade [à essas comunidades], o Estado deve ter mais cautela quando se trata desse segmento da sociedade”, afirma. Continue lendo… 'Em São Paulo, construção de barragem ameaça quilombos'»
Lúcio Vaz – Correio Braziliense – 04/08/2010



Acompanhe no Facebook
Clique para baixar
Mapa de Conflitos Envolvendo Injustiça Ambiental e Saúde