‘A utopia foi privatizada’, afirmou Zygmunt Bauman em entrevista inédita

Quando eu e o diretor de fotografia Jacob Solitrenick tocamos a campainha da casa de Zygmunt Bauman, já estávamos com todo o equipamento pronto para iniciar a entrevista. Ao entrarmos, porém, o sociólogo não deixou que começássemos a trabalhar: fez questão de nos servir um lanche com frutas, papear um pouco, como quem reduz a velocidade a que estamos acostumados no cotidiano, abre uma brecha de humanidade na produtividade. Não que ele estivesse sem o que fazer: precisava arrumar as malas para uma conferência fora do país, tinha que deixar uma lista de e-mails respondida, entre outros assuntos. Mas não pôde deixar de abrir uma pausa na urgência, um desses gestos pequenos e gigantes ao mesmo tempo, lição de adequação entre o pensamento e o cotidiano: não basta criticar o tempo que vivemos, é preciso vivê-lo de outra maneira

Daniel Augusto – O Estado de S. Paulo / IHU On-Line

Bauman nasceu na Polônia em 1925, mas residia na Inglaterra, onde foi professor titular da Universidade de Leeds. No decorrer da sua trajetória, publicou dezenas de livros, traduzidos para diversas línguas. Aliava uma vasta observação do mundo contemporâneo com uma escrita acessível ao leitor não-especializado: seu conceito de modernidade líquida, por exemplo, suscitou debates nas universidades, mas também na imprensa, nas artes, assim por diante. (mais…)

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Roberto Tardelli: “MP abraçou punitivismo para ganhos de classe e entrou em túnel sem saída”

Por Fernando Martines, no Consultor Jurídico

O ex-procurador de Justiça Roberto Tardelli considerava-se um outsider no Ministério Público de São Paulo. Pode parecer paradoxal, já que foi um dos rostos mais conhecidos do MP, fama adquirida ao cuidar da acusação de Suzane Von Richthofen e dos irmãos Cravinhos. A sensação de ovelha negra vem do posicionamento contra o punitivismo — visão que ele garante ser dominante na instituição.

Nesta entrevista à ConJur, concedida no final de janeiro em seu escritório, que ocupa a cobertura de um prédio no bairro de Higienópolis, Tardelli argumenta que os partidos políticos, o MP, as polícias e outras instituições não conseguiram ocupar o vazio político deixado após o fim da ditadura. (mais…)

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A Casa Grande, os R$ 45 bi dos bancos; e os 12 milhões de escravos libertos sem trabalho

Por Mauro Lopes, no Outras Palavras

Há dois recursos discursivos que as elites usam para enrolar os pobres do país, tratando-os sempre como crianças: o primeiro é dizer que os assuntos são complicados demais e que não dá para entender, como acontece no caso dos juros da dívida pública; o segundo é simplificar e distorcer para agitar fantasmas no imaginário das pessoas, como é o caso da história tosca de que a economia do país seria como a de uma família. Na verdade, há um terceiro recurso discursivo, para situações extremas: a Polícia Militar e agora, como o demonstra o Espírito Santo, o exército. (mais…)

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Sobre cavalos e homens

Por Patrick Mariano, no Justificando

Um dos textos mais impactantes que já pude ler é um que foi publicado em 1999 por Marcos Frenete na revista Caros Amigos. Sobre cavalos e homens narra a história de um camponês de sangue espanhol muito embrutecido pelas circunstâncias da vida na roça que certo dia, ao arar a terra junto com a companheira e o seu cavalo, teve uma profunda experiência transformadora.

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Toni Negri: impressões de uma visita ao Brasil

As confusões sobre 2013. O PT diante de seus impasses. Juventude negra, eterno alvo da segregação. Como construir nova esquerda, sem desprezar a experiência histórica?

Por Antonio Negri | Tradução: Fundação Rosa Luxemburgo – Outras Palavras

Como pensador, Toni Negri tem apresentado novas interpretações sobre as atuais configurações de poder e estrutura das sociedades. Aos 83 anos, tornou-se referencia para análises de fenômenos bastante atuais, que vão da ascensão de um novo tipo de direita, mais agressiva e sofisticada, às mobilizações catárticas de resistência, tais como o movimento Occupy, nos Estados Unidos, os levantes da Primavera Árabe ou mesmo as mobilizações de junho de 2013 no Brasil. Entre as ideias que defende está a de que as formas tradicionais de organização política, como partidos e sindicatos, perderam importância em um cenário complexo marcado por alterações estruturais na produção e divisão de trabalho nas metrópoles. É nas ruas que surge a resistência mais ativa às novas ofensivas capitalistas de privatização de bens comuns, corpos, afetividades. Entender como se dá o fenômeno e saber lidar com a diversidade das multidões e suas demandas é fundamental para enfrentar a onda conservadora que assola o planeta e reorganizar a resistência em favor de uma sociedade mais democrática e justa. É a partir desse prisma que Negri faz sua leitura sobre a crise institucional que se abateu sobre o Brasil. Ele esteve em São Paulo em outubro de 2016, a convite da editora Autonomia Literária e FFLCH-USP, e teve oportunidade de conhecer e conversar com integrantes de diferentes correntes da esquerda e de movimentos sociais, além de acadêmicos, estudantes e ativistas. Neste artigo, compartilha suas dúvidas e conclusões após a visita. (mais…)

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Big Data: Toda democracia será manipulada?

Bem-vindo Psicometria — o método usado por empresas e políticos para traçar em detalhes seu perfil, a partir de “likes” no Facebook. Como ele elegeu Trump e ameaça reduzir as eleições a jogos de marketing

Por Hannes Grassegger e Mikael Krogerus, no Outras Palavras

No dia 9 de novembro, por volta das 8h30, Michal Kosinski acordou no Hotel Sunnehus em Zurique. O pesquisador de 34 anos estava ali para dar uma palestra no Instituto Federal Suiço de Tecnologia (ETH, na sigla em inglês) sobre os perigos do Big Data e da revolução digital. Kosinski fala sobre esse assunto regularmente, em todo o mundo. Ele é um especialista em psicometria, um sub-ramo da psicologia baseado em dados. Quando ligou a TV naquela manhã, contrariamente às previsões de todos os principais estatísticos, viu que a bomba explodira: Donald J. Trump fora eleito presidente dos Estados Unidos. (mais…)

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O escancarar da violência de gênero tem relação com o quadro de desmanche social

Por Valdete Souto Severo, no Justificando

Ontem, assisti a um filme que aqui no Brasil recebeu o nome de Mundos Opostos. Narra a história recente da Grécia, com destaque especial para a xenofobia e o desespero diante do desemprego supostamente gerado por uma circunstancial crise econômica. O clima de guerra civil, e de divisão entre os bons e maus cidadãos, é o cenário em que três histórias de amor são narradas. Enquanto muitos querem a expulsão dos estrangeiros e o sucesso econômico das empresas, a qualquer custo, outros lutam para sobreviver em um ambiente que lhes é hostil, teimando em apostar nos laços de afeto. Todos demasiadamente humanos. Todos perdidos na infinita solidão da vida contemporânea. Todos irremediavelmente dependentes do afeto do Outro, mas por vezes incapazes de reconhecer a alteridade. (mais…)

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De Olho em Paraty: ambiente e território são temas-chave no caso Teori

De Olho TV’ estreia novo formato com vídeo sobre Teori Zavascki e Carlos Filgueiras, a relação entre ambos e o contexto ambiental

No De Olho nos Ruralistas

Por que a imprensa já se esquece de Paraty? Com quem voava o ministro Teori Zavascki? Quem era o empresário – e fazendeiro – Carlos Alberto Filgueiras? Por que ele tinha uma ilha, se as ilhas pertencem à União? Por que a mídia não fala de uma fazenda do empresário, em Paraty, que também pertenceria à Marinha? As conexões entre o ministro e Filgueiras eram estritamente republicanas? O que tem a ver o ambiente – e Paraty – com a tragédia que chocou o país no dia 19 de janeiro? E qual a relação do acidente com o tema deste observatório sobre agronegócio, a questão agrária? (mais…)

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Michael Löwy: O jovem Marx e o furto de madeira

“Todo o artigo de Marx sobre os furtos de madeira é uma defesa corajosa, inflamada e indignada dos miseráveis perseguidos e explorados pelos proprietários das florestas”

No Blog da Boitempo

Por ocasião do lançamento do livro Os despossuídos, obra inédita de Marx no Brasil, que documenta “debates sobre a lei referente ao furto de madeira” e a resposta intelectual de Marx a uma das mais importantes experiências políticas de sua juventude, o Blog da Boitempo publica aqui, com exclusividade, um trecho do livro “A teoria da revolução no jovem Marx”, de Michael Löwy, que trata do tema. 21º título da coleção Marx Engels, da Boitempo, a obra vem acrescida de um longo prefácio de autoria de Daniel Bensaid que contextualiza os artigos de Marx historicamente e no interior da obra marxiana como um todo, além de atualizar as questões apresentadas nos textos traçando um paralelo forte com os impasses políticos do presente diante das privatizações e da globalização capitalista nos dias de hoje. Boa leitura! (mais…)

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Dicionário expõe pensamento de Gramsci em mais de 600 verbetes

O pensamento de Antonio Gramsci, destrinchado em uma enciclopédia com mais de 600 verbetes, elaborados por alguns dos mais importantes estudiosos de sua obra no mundo

No blog da Boitempo

Em seus últimos dez anos de vida, Antonio Gramsci reflete, na prisão, sobre a derrota do movimento comunista e a falência da revolução no Ocidente. Reelabora as questões de base de sua precedente atividade política, repensa as respostas dadas e as experiências vividas. Formula um verdadeiro léxico para expressar sua teoria política e todo um mundo de conceitos destinados a influenciar os mais diversos campos do saber. É uma linguagem que, com frequência, inventa ou reinventa palavras, enriquecendo-as com novos significados: americanismo e fordismo, hegemonia, filosofia da práxis, molecular, nacional-popular, Oriente-Ocidente, revolução passiva, vontade coletiva e tantas outras. Ao combinar, em seus mais de 600 verbetes, rigor científico e clareza textual, esta obra visa a divulgar com precisão o pensamento de um dos maiores teóricos marxistas da modernidade. (mais…)

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