O Ministério Público dos humanos direitos

Análise sobre a desidratação de um modelo de MP comprometido com uma sociedade justa

Por Julio José Araujo Junior e Jorge Luiz Ribeiro de Medeiros, no Jota

No artigo “O Ministério Público monocular”, apontamos que o desequilíbrio no exercício das atribuições institucionais do Ministério Público, com visível ênfase ao combate à corrupção, tem acarretado reflexos na mentalidade da instituição e na alocação de recursos materiais e humanos. Naquela oportunidade, pudemos constatar que há uma tendência crescente em tratar as atuações criminais e de combate à corrupção como as “verdadeiramente” obrigatórias – quando não prioritárias ou mais importantes –, em paralelo à pouca atenção ao papel de órgão capaz de provocar a concretização de direitos fundamentais. (mais…)

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Mészáros: “O capital não é o simples desfrute das coisas pelos capitalistas”

Por Haroldo Ceravolo Sereza, em Opera Mundi

Com a morte de István Meszáros (1930-2017), autor de Para além do capital, revi trechos do Roda Viva que o entrevistou em 2002 (a bancada era formada por Ricardo Antunes, Emir Sader, Maria Orlanda Pinassi, Luiz Gonzaga Belluzzo, Carlos Nelson Coutinho e eu: gente que, provavelmente, está num índex qualquer da Fundação Padre Anchieta… (mais…)

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Por que governos da América Latina são ditaduras e o quarto mandato de Merkel não?

Para Paola Estrada, as concepções de que governos latino-americanos são ditaduras é fruto dos interesses financeiros

José Eduardo Bernardes, Brasil de Fato

Ao contrário do tratamento dado para alguns governos latino-americanos, o quarto mandato da chanceler, Angela Merkel, não levantou questionamentos de críticos e veículos da imprensa acerca da existência de uma “ditadura” na Alemanha. (mais…)

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“O crime mais organizado do Rio já está no poder. E é o PMDB”, por Leonardo Sakamoto

No blog do Sakamoto

”O crime mais organizado do Rio de Janeiro não disputa o poder, ele já está no poder. O crime organizado é o PMDB.”

A declaração, do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), pode parecer lugar-comum em um momento em que o ex-governador Sérgio Cabral, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, entre outros expoentes do PMDB carioca, encontram-se presos por conta de denúncias de corrupção e desvio de recursos públicos. Mas, como ele mesmo faz questão de ressaltar, vem repetindo isso há anos. Ele acredita que a tendência da situação no Estado é piorar: ”Você não tem governo no Rio de Janeiro. O Pezão [também do PMDB] é um ex-governador em exercício”. (mais…)

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O panoptismo de estar constantemente conectado às redes sociais. Entrevista especial com Olaya Fernández Guerrero

Por Patricia Fachin, no IHU On-line

A noção de panoptismo, discutida por Foucault há 40 anos, “permite compreender muitas das situações que vivemos atualmente em nossas sociedades, nas quais, sob o pretexto da segurança global, intensificaram-se as medidas de vigilância e controle que se aplicam sem exceção a toda a população e que, às vezes, implicam um corte preocupante das liberdades civis”, diz a filósofa Olaya Fernández Guerrero à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por e-mail. (mais…)

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Artigo: Não há arte possível para a gente de bem

A autocensura transformada em censura pelo Santander Cultural é um sinal dos dias sombrios que atravessamos

Por Daniela Name, em O Globo

Uma exposição que inflamou aquela cidade fria. Os cidadãos de bem comentavam, mesmo sem ter visto. As mães protegiam seus filhos daquelas telas, esculturas, fotografias e objetos, consideradas uma ameaça à família, ao espírito nacional, aos altos valores. Cada obra como um ataque premeditado à ordem; cada defensor desse tipo de arte como um pervertido, pedófilo, bandido ou prevaricador — talvez todos os atributos combinados. Uma patrulha civil, milícia da moral, de plantão do lado de fora, abordando e intimidando as pessoas. Afinal de contas, quem não é pelo bem compactua com o mal. Porto Alegre? MBL? Mostra queer? Não. Este texto começou em Munique, onde, há exatos 80 anos, em 1937, um certo Adolf Hitler transformou a mostra “Arte degenerada” em uma de suas principais peças de propaganda ideológica. (mais…)

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Reflexões de uma antropóloga e mãe: ‘O que aprendi com índios sobre educação infantil’

“Eu e o Martim fomos para a beira do rio, de onde havia saído uma canoa com crianças bem pequenas – quatro, cinco, seis anos – lá para o fundo. (Mas) começou uma ventania muito grande, o rio começou a ondular. De repente, vimos a canoa virar no meio do rio. Não tinha um adulto, ninguém. Subi correndo para avisar os adultos. Quando voltei, já tinha saído uma outra canoa, com outra turma (de crianças), resgatado as outras. Elas nadaram, viraram a canoa e voltaram para a beira. Estava tudo bem. Você vê que domínio sobre esse ambiente? É demais. Foi na aldeia Deia Tuba-Tuba, do povo Yudjá. São conhecidos como exímios navegadores.” (mais…)

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Violência, morte e direitos humanos: o genocídio da população negra como normalidade democrática

“Falta a certos discursos uma compreensão histórica do papel que a raça desempenha na construção da modernidade ocidental capitalista, de sua promíscua indissociabilidade”

Por Marcos de Jesus, no Buala

Embora exista um sem-número de importantes contribuições de pesquisadores/as para a compreensão do conflito e da violência na sociedade brasileira em suas mais diferentes manifestações e em suas múltiplas relações com fenômenos diversos, uma parte considerável dessa produção, sobretudo, as que ocupam o chamado mainstream acadêmico não leva “raça a sério”. Quer dizer, raça geralmente não ganha estatuto de categoria explicativa, aparecendo amiúde como uma variável que revela a distribuição desigual da violência e, portanto, como algo aditivo, e não constitutivo das relações sociais. Dessa perspectiva, W. E. B. Du Bois (1868-1963) e outros teóricos cuja aporte se destaca pela centralidade da raça na explicação das relações sociais teria muito mais ensinar sobre a realidade brasileira do que alguns daqueles que diretamente se debruçaram sobre ela. (mais…)

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O perigoso narcisismo de João Dória

Tudo é simulacro nas postagens obsessivas do suposto “trabalhador”. Mas desvincular imagem de realidade pode ser eficaz, em tempos de política do espetáculo

Por Fran Alavina* – Outras Palavras

Os leitores de OutrasPalavras lembram-se de que acompanhamos criticamente o “fenômeno” Doria desde a campanha para o último pleito municipal. Em sua primeira fase, nosso ovacionado prefeito notabilizou-se por unir na publicidade eleitoral duas figuras distintas: ele dizia ser tanto trabalhador, quanto gestor. Nestas duas figuras, preparadas para o consumo eleitoral mais imediato, não havia mais que a construção de simulacros: superficiais e de fraca densidade, porém de potência considerável, pois quanto mais baixa a densidade, mais fácil manipulá-los. (mais…)

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A lei não é para todos, por Eliane Brum

Como a Lava Jato reforça no país uma ideia perigosa: a de que prisão é justiça

No El País

A Operação Lava Jato, mesmo com todas as falhas e abusos cometidos, assim como a vaidade descontrolada de parte de seus protagonistas, presta um grande serviço ao Brasil ao revelar a relação de corrupção entre o público e o privado. Uma relação que atravessa vários governos e vários partidos e vários políticos de vários partidos. E a Operação Lava Jato presta também um grande desserviço ao Brasil ao reforçar uma das ideias mais perigosas, entranhadas no senso comum dos brasileiros, e realizada no concreto da vida do país: a de que prisão é sinônimo de justiça. Num país em que o encarceramento dos pobres e dos negros tornou-se uma política de Estado não escrita – e, paradoxalmente, acentuou-se nos governos democráticos que vieram depois da ditadura civil-militar (1964-1985), reforçar essa ideologia não é um detalhe. Tampouco um efeito colateral. É uma construção de futuro. (mais…)

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