Escola Sem Pinto, por Eliane Brum [Imperdível!]

Como a tentativa de censura a um livro didático no norte do país mostra que, no Brasil atual, a ignorância não é apenas uma tragédia nacional, mas um instrumento político usado por milícias de ódio

No El País Brasil

No final de março, um grupo de pais de uma escola pública estadual da cidade de Ji-Paraná, no norte do Brasil, entregou um abaixo-assinado ao Ministério Público de Rondônia. Eles exigiam a retirada da sala de aula de um livro de ciências cujo conteúdo de educação sexual seria “impróprio” para alunos da oitava série do ensino fundamental. O desenho de um pênis ereto, usada pelas autoras da obra didática para explicar o funcionamento do órgão, é um dos principais motivos da tentativa de censura. O pinto duro não deveria estar lá. (mais…)

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“As esquerdas perderam votos na periferia quando deixaram de ser esquerdas”, diz pesquisador

Em entrevista à Pública, o sociólogo Gabriel Feltran, do Centro de Estudos da Metrópole, comenta a pesquisa que apontou a emergência de valores conservadores entre os moradores das periferias na cidade de São Paulo

por Marina Amaral, da Agência Pública

Professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), coordenador de Pesquisa do Centro de Estudos da Metrópole da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador do Núcleo de Etnografias Urbanas do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), o sociólogo Gabriel Feltran pesquisa a periferia de São Paulo desde 2001. É ele quem comenta a pesquisa qualitativa da Fundação Perseu Abramo, recentemente lançada, sobre o imaginário social dos moradores da periferia de São Paulo. Uma pesquisa importante, segundo o professor, mas que não levou em conta a diversidade entre os moradores da periferia. (mais…)

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Poder, religião e preconceito. A ascensão política dos evangélicos

Entrevista aborda o crescimento dos evangélicos no mundo político e discute seus significados

por Agência Pública

Criou polêmica nas redes sociais no final de semana uma denúncia do colunista do Jornal O Dia, Cid Benjamin, de que o Bispo Marcelo Crivella, prefeito do Rio de Janeiro, teria pedido a demissão do colega de jornal, Caio Barbosa, por conta de uma reportagem sobre a situação de postos de saúde em meio ao medo da febre amarela. Crivella negou. “É falsa a informação divulgada”, disse em nota. (mais…)

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“Nós somos a bola da vez dos golpistas”

Militante religiosa de matriz africana afirma que negros serão os mais prejudicados com as ofensivas do governo Temer

Por Raíssa Lopes, Brasil de Fato

Célia Gonçalves, a Makota Celinha, é jornalista, negra e líder religiosa de matriz africana. Makota é o nome usado no Candomblé para denominar um cargo feminino de grande importância na religião, a “zeladora” dos orixás. A militante esteve presente no último Encontro Mundial dos Movimentos Populares com o Papa, realizado no início de novembro, no Vaticano, e falou ao Brasil de Fato MG sobre a importância da liberdade religiosa em tempos de conservadorismo, racismo e golpe.  (mais…)

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David Harvey: ‘Não acredito que Temer e Macri vão ficar no poder por muito tempo’

David Harvey lamenta o recrudescimento conservador no Brasil e no mundo, mas confia que a força do neoliberalismo é passageira

Por Miguel Martins, Carta Capital

Como marxista, o geógrafo britânico David Harvey procura nas contradições do presente uma inspiração para o futuro, mas não tem sido uma tarefa fácil digerir a ascensão global do conservadorismo. “Eu tenho de confessar que tenho me sentido muito pessimista. É tão estranho, muito do que estamos vivendo é completamente louco, insano”, lamenta, para em seguida apegar-se a uma ponta de esperança. “Fico um pouco deprimido, mas acho que as pessoas vão voltar a cair na real.” (mais…)

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A PEC 241 é a contra-face da “defesa da família”

Todos os deputados que estão envolvidos nas proposições em tramitação que pretendem retirar o direito à união homoafetiva, retroceder décadas restaurando o “direito das famílias como entidades” e proibir o debate sobre igualdade de gênero nas escolas votaram a favor da PEC 241, isto é, votaram contra o direito à educação, à saúde e à assistência de brasileiras e brasileiros.

Por Flávia Biroli, no Blog da Boitempo

Fim de um ciclo democrático

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, aprovada em primeira votação na Câmara dos Deputados no dia 10 de outubro, concentra duas investidas fatais contra a democracia brasileira. A primeira é a retirada do orçamento do escopo das decisões democráticas, uma vez que a PEC, se aprovada, determinará a restrição do investimento em saúde, educação e assistência social por uma a duas décadas. Isso significa que as disputas eleitorais serão travadas ao largo de uma questão política central, que é a alocação de recursos. A segunda é o encerramento do patamar em que as disputas têm transcorrido desde 1988, que teve como referência os direitos sociais definidos na Constituição. (mais…)

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Existe “ideologia de gênero”?

Em entrevista à Pública, a doutora em Educação Jimena Furlani, que desenvolveu extensa pesquisa sobre o assunto, explica os equívocos do conceito

por , A Pública

O debate sobre a inclusão dos temas de gênero e sexualidade nos planos de educação (nacional, estaduais e municipais) foi um dos principais fatores de ascensão do Escola Sem Partido, como admite seu fundador Miguel Nagib: “A tentativa do MEC e de grupos ativistas de introduzir a chamada ‘ideologia de gênero’ nos planos nacional, estaduais e municipais de educação ‒ o que ocorreu, principalmente, no primeiro semestre de 2014 e ao longo de 2015 ‒ acabou despertando a atenção e a preocupação de muitos pais para aquilo que está sendo ensinado nas escolas em matéria de valores morais, sobretudo no campo da sexualidade”, disse o procurador em entrevista a Pública (a reportagem pode ser lida aqui). (mais…)

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Lançada Frente Nacional contra o Projeto Escola sem Partido

Entidades e movimentos sociais se unem contra projeto que está sendo considerado como “lei da mordaça” na educação. EPSJV/Fiocruz participa da iniciativa

Por Cátia Guimarães – EPSJV/Fiocruz

“Estudante na escola tem direito de pensar. Escola sem Partido é ditadura militar”. Puxado por grupos de alunos e militantes de diversas entidades do movimento estudantil, foram vários os momentos do encontro em que o grito tomou conta do ambiente. Eram centenas de pessoas espremidas num auditório lotado. Passavam de cem também as instituições e movimentos sociais representados — entre eles, a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz). Com enfoques os mais diversos, os discursos convergiam no apelo à unidade em prol de uma causa comum: o combate, nos parlamentos e nas ruas, ao projeto de lei que quer limitar conteúdos e práticas escolares para acabar com uma suposta “doutrinação” na educação brasileira. Batizado de ‘Escola sem Partido’ pelo movimento que o criou, por onde passa o projeto tem recebido outros nomes. Em Alagoas, por exemplo, foi aprovado na Assembleia Legislativa como ‘Escola Livre’. No evento que reuniu educadores, estudantes, sindicalistas e militantes da educação no Rio de Janeiro no último dia 13 de julho, o nome adotado foi um pouco diferente: ‘lei da mordaça’. (Leia mais sobre o projeto) (mais…)

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A admissibilidade do impeachment e o pragmatismo evangélico. Entrevista especial com Magali Cunha

“A crise política e a decorrente crise econômica que geraram a perda de credibilidade da Presidente durante o ano de 2015, provocando todos os protestos e fortalecendo a campanha pró-impeachment que permeou toda a discussão política neste ano, só fizeram ressaltar o pragmatismo entre os políticos evangélicos e as lideranças de suas igrejas, a ponto de a Igreja Universal do Reino de Deus, até então grande apoiadora, retirar-se do governo por meio da saída do PRB da base aliada”, afirma a pesquisadora.

Por Patricia Fachin, no IHU

O “pragmatismo” e o “jogo de interesses” se impõem na composição da Frente Parlamentar Evangélica – FPE, que fez campanha “a favor da abertura do processo de impeachment na bancada, revelando até mesmo antes da sessão apoio ao vice-presidente Michel Temer”, diz Magali Cunha à IHU On-Line. Segundo ela, depois de a FPE ter apoiado o governo Lula e o primeiro mandato da presidente Dilma, hoje está mais próxima do vice-presidente e já declarou “apoio formal” a um possível governo Temer, “apagando a memória de que estes mesmos religiosos conservadores fizeram campanha contra a chapa de Dilma Rousseff em 2010, acusando-a de ‘satanista’”. A postura da FPE, afirma, demonstra sua investida para “estar ao lado de quem se revela fortalecido, como de quem, certamente, favorecerá as pautas conservadoras tão caras aos evangélicos que se sentem à vontade hoje, no parlamento, para trabalhar retrocessos”. (mais…)

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