A subordinação da esquerda brasileira ao neoliberalismo e o abandono da Teoria da Dependência. Entrevista especial com Carlos Eduardo Martins

Patricia Fachin – IHU On-Line

Com origem nos anos 1960, as “Teorias da Dependência surgiram como crítica às teses nacionais-desenvolvimentistas que apontavam que, com a industrialização, Brasil e América Latina superariam seus problemas de subdesenvolvimento, desemprego, instabilidade política e falta de autonomia, criando formações sociais com soberania tecnológica, consumo de massas, predomínio das camadas médias e estabilidade política democrática”, resume o sociólogo Carlos Eduardo Martins à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por e-mail. (mais…)

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Neoliberalismo: a “grande ideia” que engoliu o mundo

A palavra se tornou uma arma retórica, mas ela nomeia adequadamente a ideologia de nossa era – uma ideologia que venera o mercado e afasta as coisas que nos torna humanos

Por Stephan Metcalf – Voyager

No verão passado, pesquisadores do FMI chegaram ao consenso de uma longa e amarga contenda e debate sobre o “neoliberalismo”: eles admitiram que ele existe. Três economistas sênior do FMI, uma organização não conhecida por seus descuidos, publicou um artigo questionando os benefícios do neoliberalismo. Ao fazê-lo, eles colocaram por terra que a palavra não era nada mais que uma gíria política ou um termo sem nenhum peso analítico. O estudo, gentilmente, acusou uma “agenda neoliberal” de estar desregulando economias ao redor do mundo, por forçar a abertura de mercados nacionais para negócios e capital e por obrigar que governos se encolham através de pacotes de austeridade ou privatizações. Os autores citaram evidências estatísticas da disseminação das políticas neoliberais desde os anos 1980 e sua correlação com o crescimento anêmico, ciclos de boom-and-bust [crescimento rápido, seguido de graves crises ou crash] e desigualdade. (mais…)

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Boaventura: a esquerda sem imaginação

Por não ousar novas formas de Democracia, Estado e Economia; e por não enfrentar articuladamente as três faces da dominação, ela tem sido incapaz de deter a ofensiva brutal do sistema

Por Boaventura de Sousa Santos – Outras Palavras

A dominação social, política e cultural é sempre o resultado de uma distribuição desigual do poder, nos termos da qual quem não tem poder ou tem menos poder vê as suas expectativas de vida limitadas ou destruídas por quem tem mais poder. Tal limitação ou destruição manifesta-se de várias formas, da discriminação à exclusão, da marginalização à liquidação física, psíquica ou cultural, da demonização à invisibilização. Todas esta formas podem-se reduzir a uma só – opressão. Quanto mais desigual é a distribuição do poder, maior é a opressão. (mais…)

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Quem é o inimigo?

Mulher e soldados têm algo em comum: são trabalhadores, da mesma classe

Elaine Tavares – Palavras Insurgentes

O sistema capitalista de produção é uma máquina de ódio e sobre esse sentimento se sustenta. Sua principal arma – que mantém a maioria das gentes sob seu comando – é a invenção de que o inimigo de cada um é outro. A pobreza, a miséria, a dor, a desgraça, a fragmentação, a doença, nada disso tem a ver com a forma como a sociedade se organiza. Tudo é culpa do outro. O outro passa a ser aquele a quem cada um e cada uma tem de eliminar. (mais…)

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O ciclo progressista na América Latina acabou? Entrevista especial com Julio Gambina

Patricia Fachin – IHU On-Line

Apesar das críticas recentes aos governos progressistas que governaram alguns países da América Latina na última década, ainda “é prematuro falar de fim de um ciclo”, diz o sociólogo argentino Julio Gambina à IHU On-Line. Na avaliação dele, “o que há e continua a ocorrer é uma disputa entre a ofensiva capitalista, o neoliberalismo, e diversos processos críticos com a pretensão mais ou menos decidida de organizar outra ordem socioeconômica”, porque “as classes dominantes locais e mundiais pretendem reinstalar em ‘nossa América’ a agenda da liberalização como forma de superação da crise capitalista, emergente desde 2007/2008”. (mais…)

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“A alternativa ao neoliberalismo é… romper com o neoliberalismo!” Entrevista especial com Marcelo Carcanholo

Patricia Fachin – IHU On-Line

Quando o assunto é a discussão de qual seria o melhor modelo de desenvolvimento econômico para o Brasil e qual corrente teórica poderia servir de base para pensar o futuro econômico e social do país, “é preciso dizer que existe muita confusão nessas clivagens que, pretensamente, dividem o pensamento econômico”, especialmente em relação ao que se entende por pensamento ortodoxo e heterodoxo, adverte o economista e presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política, Marcelo Carcanholo, à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por e-mail. (mais…)

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Pouco tempo para evitar a grande barbárie

O capitalismo está em crise global, mas os atores que poderiam oferecer uma alternativa parecem enfraquecidos e dispersos. Rosa Luxemburgo e Marcuse serão capazes de insinuar uma saída?

Por Eduardo Mancuso* – Outras Palavras

I.

Há pouco mais de uma década ainda se falava de um mundo unipolar. O colapso da União Soviética e o fim da Guerra Fria, no início dos anos 1990, haviam dado o domínio absoluto da globalização capitalista e da geopolítica mundial aos EUA, como única superpotência existente. A grande preocupação das potências ocidentais era com o acelerado crescimento econômico global da China, já que a Rússia, isolada pelo avanço e cerco da OTAN em sua antiga área de influência do Leste Europeu, ainda se recuperava da transição selvagem ao capitalismo conduzido pelo FMI, e da crise financeira de 1998. (mais…)

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As privatizações como um dos aspectos da recente dominação burguesa, por João Paulo de Oliveira Moreira

“A construção do consenso privatista: a ação dos intelectuais orgânicos no Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), entre 1976-1990” é o nome do livro de João Paulo de Oliveira Nascimento que será lançado sábado, 29, a partir das 10 horas, no Quilombo do Grotão (Engenho do Mato – Niterói). A escolha do local tem objetivo coerente: “garantir que discussões sobre política e economia, que tanto são necessárias à população, não fiquem apenas reservadas ao ambiente acadêmico da universidade”. Mas não só: o evento se estenderá até as 17 horas, com espaço também para “um bom samba e uma boa feijoada, com a preservação de nossa cultura!”. Para as pessoas que acompanham o Combate em outros estados, João Paulo escreveu o texto abaixo, que também instiga a comparecer ao lançamento (que se repetirá em outros locais) e à leitura da obra. (Tania Pacheco)  (mais…)

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“Alimentamos nosso povo e construímos movimento para mudar o mundo”

A conferência, que acontece a cada quatro anos, é o encontro é o espaço mais importante da tomada de decisões da Via Campesina

Da Página do MST 

Terminou no último dia 24 de julho a 7ª Conferência Internacional da Via Campesina. Cerca de 450 movimentos camponeses de todas as partes do mundo se reuniram para continuar a luta contra o capitalismo e propor medidas concretas para construir um mundo alternativo baseado na dignidade e na soberania alimentar. (mais…)

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