Pós-capitalismo: a dimensão sensível

Qualquer projeto político precisa propor, também, outros modos de sentir e desejar. Como superar a competição perpétua, acumulação obsessiva e banalização dos afetos que caracterizam o neoliberalismo?

Por Amador Fernández-Savater* Outras Palavras

Nos anos 70, o cineasta italiano Pier Paolo Pasolini propôs pensar o conflito político como uma disputa fundamentalmente antropológica: entre diferentes modos de ser, sensibilidades, ideias de felicidade. Uma força política não é nada (não tem nenhuma força) se não se enraíza em um “mundo” que rivalize com o dominante em termos de formas de vida desejáveis. (mais…)

Ler Mais

E o capitalismo morrerá de overdose?

Para Wolfgang Streeck, um dos grandes sociólogos contemporâneos, sistema tornou-se frágil ao eliminar adversários que o obrigavam a se reformar. Mas não há, ainda, projeto alternativo — por isso, virão tempos tensos…

Entrevista para Giuliano Battiston | Tradução: Inês Castilho – Outras Palavras

O diagnóstico de Wolfgang Streeck, diretor do Instituto Max-Planck de Colônia, é implacável: “A crise atual não é um fenômeno acidental, mas o auge de uma longa série de desordens políticas e econômicas que indicam a dissolução daquela formação social que designamos capitalismo democrático”. (mais…)

Ler Mais

Meirelles, o presidente invisível

Enquanto país se distrai com o futuro de Temer e a “agenda da corrupção”, um homem comanda, em nome da aristocracia financeira e da mídia, as contrarreformas que realmente importam ao Mercado

Por Samuel Pinheiro Guimarães – Outras Palavras

1. Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, ex-presidente do Bank of Boston e durante vários anos presidente do Conselho da J e F (de Joesley), de onde saiu para ocupar o ministério da Fazenda, procura, à frente de uma equipe de economistas de linha ultra neoliberal, implantar no Brasil, na Constituição e na legislação uma série de “reformas” para criar um ambiente favorável aos investidores, favorável ao que chamam de “Mercado”. (mais…)

Ler Mais

Poder e mercado contra a humanidade e o planeta

Cândido Grzybowski – Ibase

A reunião de líderes do G20 – governantes das 20 maiores economias do mundo –, em Hamburgo, na Alemanha, é daqueles eventos que nada de novo produzem, mas aparam eventuais arestas e afinam compromissos comuns no sentido de manutenção do status quo dominante. Arestas e até contradições existem em profusão, mas nada a por o sistema capitalista em colapso neste momento. Um evento que tem Trump e Putin como estrelas, sob a coordenação da anfitriã Merkel, a poderosa que banca a agenda mais neoliberal possível para a Europa, diz tudo. O que o Temer foi fazer lá nem precisa de maiores comentários. Dificilmente a gente encontra um entre os 20 governantes que não está mal nas pesquisas de avaliação nos seus próprios países. (mais…)

Ler Mais

Antidepressivos, alívio ou dependência?

Um grande estudioso brasileiro de saúde mental apresenta as obras e pesquisas internacionais que estão contestando a eficácia de alguns dos medicamentos mais lucrativos da indústria farmacêutica

Paulo Amarante, entrevistado por Eliane Bardanachvili, no site do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz

Não se pode medir depressão como se mede glicemia, anemia ou hipertensão. Por se tratar de problema para o qual não há um índice padrão de detecção, a depressão tornou-se um conceito maleável, posto a serviço dos interesses da indústria farmacêutica, para incrementar a venda de medicamentos. “Elegeu-se a depressão como doença a ser cada vez mais alargada, para abarcar situações da vida, como conflitos, desgosto, desemprego, separação, luto, e formatar como doença”, analisa nesta entrevista ao blog do CEE-Fiocruz o sanitarista Paulo Amarante, vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), pesquisador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Laps/Ensp/Fiocruz) e presidente honoris causa da Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme). (mais…)

Ler Mais

Quinhentos anos de solidão

Em cada jovem africano que busca o Ocidente, as pegadas do capitalismo: da escravidão negra à lógica que reduz o continente a eterno fornecedor de matérias-primas

Por Ignacio Ramonet* | Tradução: Inês Castilho – Outras Palavras

Com a chegada do verão europeu, voltamos a assistir aos repetidos e às vezes trágicos assaltos contra as muralhas alambradas de Melilla, levados a cabo com sofisticadas técnicas e artimanhas de assédio medieval, por disciplinadas colunas de jovens subsaarianos. Em outras zonas (Canárias, a ilha italiana de Lampedusa, as costas da Sicília, da Grécia, do Chipre, de Malta e a ilha francesa de Mayotte, perto de Madagascar), os “invasores” chegam quase sempre às praias à noite – quando não soçobram –, em silenciosas embarcações, como faziam outrora sem dúvida os vikings, normandos ou sarracenos. (mais…)

Ler Mais

Precarização, autorizada e legalizada

Por Clemente Ganz Lúcio*

O sistema capitalista está sempre se reinventando. A busca desenfreada pela competitividade – lucro maior, obtido cada vez mais rapidamente – desloca as plantas das empresas para locais onde a relação entre custo do trabalho, salários e produtividade é favorável para o negócio e promove profundas mudanças tecnológicas em todas as áreas de produção de bens e serviços. (mais…)

Ler Mais

Nossa Cidade

Cândido Grzybowski – Ibase

Minhas reflexões sobre paradigmas alternativos ao exacerbado capitalismo, com suas regras de livre mercado para vencer e acumular individualmente riquezas – verdadeira lei da selva de tudo para os tais 1% considerados os mais competentes, fortes, agressivos, corruptores até –, me têm levado a pensar mais e mais nos bens comuns nas nossas vidas. Nisto tem se destacado a intrigante questão das cidades como bens comuns. Afinal, falamos em nossa cidade naturalmente, em todas as ocasiões, todo tempo. O incrível é que afirmamos que a cidade é nossa mesmo em pleno capitalismo selvagem como este que nos está sendo restituído pela dupla Temer-Meireles. Será apenas uma contradição a mais no conjunto de contradições que constituem nosso viver no mundo de hoje? (mais…)

Ler Mais