Formado por um dos italianos que buscaram o Brasil no pós-guerra, Ruggero Jacobi, Fernando Peixoto pertenceu à revolucionária geração do Teatro Oficina e do Teatro de Arena, em São Paulo. Militante emérito e inspirador, batalhador incansável da democracia e da inteligência, deixou grande legado, por onde tenha passado. A cultura e o palco brasileiros ficaram mais pobres com sua partida
Flávio Aguiar
Por estes azares de viagens e desencontros, só agora tomei conhecimento da morte de Fernando Peixoto, ocorrida em 15 de janeiro, aos 74 anos de idade. A cultura e o palco brasileiros ficaram mais pobres.
Assim como o de Olavo Bilac, seu nome completo era um alexandrino perfeito, em dois hemistíquios, nele digno de Racine, desde que se fizesse um staccato entre o primeiro e o segundo:
Livro de Regina Zappa reconstrói a trajetória de Chico Buarque a partir de informações coletadas ao longo de décadas. Vida do artista carioca se mescla a grandes momentos da história brasileira
Lucilia de Almeida Neves Delgado*
Na vida e obra de Chico Buarque convivem o cidadão e o artista, que expressa as paixões do povo pela beleza, pelo amor, pelo futebol e pela liberdade.
Romantismo revolucionário é expressão cunhada pelo sociólogo Marcelo Ridenti para caracterizar diferentes manifestações, ações e expressões políticas e artísticas de múltiplos representantes de uma geração de brasileiros nascidos em meados da década de 1940. Na efervescente década de 1960 eram todos jovens, contaminados pela febre de criatividade, mudança e transgressão que varreu o mundo e pela convicção de que por sua ação o mundo ficaria menos desigual.
No campo das artes a euforia de uma inserção social que se fazia crítica e engajada – como se autodenominavam muitos jovens daqueles anos – desdobrou-se em um furor criativo diversificado e fértil que fez da década de 1960 e de 1968, seu ano síntese, um tempo emblemático que ficou gravado na história por palavras como utopia, revolução, pacifismo, antirracismo, feminismo, contracultura, movimento hippie, concretismo, existencialismo. Continue lendo… 'Olhos de uma geração'»
Quando penso em postar algo de Elis, é sempre uma mesma música, de uma mesma apresentação, a que me ocorre. Porque é a que mais me toca. O vídeo acima, entretanto, foi garimpado cuidadosamente, porque tem muito mais a ver com uma Elis pouco conhecida, assim como tem muito mais a ver com meu sentimento neste instante e com a temática subversiva deste blog. E é a partir dele que quero recordar e reverenciar Elis, ao meu jeito. Continue lendo… 'Um “Deus lhe pague” de ódio e revolta! (+ um brinde)'»
Onda de documentários sobre a região atrai produtoras independentes e universitários
Gustavo Fioratti
Se depender do cinema documental, o debate sobre a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte não vai esfriar em 2012; a começar por um extenso projeto da produtora LC Barreto, a “TV Belo Monte”, uma série de filmes sobre o empreendimento, feitos especialmente para a internet.
O projeto é custeado pela Norte Energia, empresa responsável pela construção da usina. Parte dos filmes já está no ar, no site www.tvbelomonte.com.br.
O lançamento pega embalo na onda de documentários realizados sobre a usina. Mas com uma diferença: a TV Belo Monte parece um pouco mais empenhada em apontar pontos positivos no empreendimento.
A contratação da LC Barreto, a mesma produtora que produziu o filme “Lula, o Filho do Brasil”, foi feita sem concorrência ou licitação – o que não é ilegal, uma vez que a Norte Energia é formada por um consórcio de empresas públicas e privadas. A Eletrobras, que é pública, tem 49,98% das ações. Continue lendo… 'Usina de Belo Monte é invadida por cineastas'»
Quinta-feira, dia 19, completaremos 30 anos sem Elis. Poderíamos dizer simplesmente que devemos isso à mistura álcool e cocaína. Poderíamos atribuir à intensidade com que ela vivia, explicitada nas interpretações que dava a músicas que jamais foram ou serão cantadas com o mesmo sentimento, como a Atrás da Porta do show “Elis Regina de Carvalho Costa”. Poderíamos até tentar explicar que 36 anos foi um prazo razoável, considerando a força da emoção que ela repassava para as pessoas que a ouviam e viam, como se estivesse compartilhando um pedaço de si mesma. Pois no que me diz respeito até hoje me sinto de alguma forma roubada, traída, com uma certa raiva por tudo ter terminado de forma tão absurda. E tenho a certeza de que não estou sozinha, nesse sentimento. Abaixo, a homenagem deste Blog a Elis. TP.
“Tudo o que sei é que eu não sou marxista”. Filósofo mais do que agitador, cientista mais do que ativista, amante da democracia. Eis quem realmente era o pai do Manifesto do Partido Comunista. Palavra de quem está arquivando a sua imensa obra ainda inédita: 114 volumes, o último dos quais será publicado em 2020. Em tempo, talvez, para entender em que mundo viveremos, como demonstra um trecho jamais lido do Capital, que parece ter sido escrito hoje.
A reportagem é de Andrea Tarquini, publicada no jornal La Repubblica, 08-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Agitador, revolucionário, profeta inflexível da luta de classes. Foi assim que ele permaneceu na memória do mundo. Mas não: ele foi acima de tudo teórico e cientista, politólogo e pensador crítico sempre curioso, muito atento até às ciências naturais e às novas tecnologias. Acreditava na democracia e na liberdade de expressão muito mais do que se pensa, considerava-as irrenunciáveis. E ele tinha previsto a seu modo a crise contemporânea do capitalismo atual, muito mais do que as ditaduras totalitárias real-socialistas transmitiram.
Ele surge do passado como um moderno new-labourista, um progressista alemão ou um liberal norte-americano, dos seus escritos de milhares de páginas amareladas, mas desempoeiradas cuidadosamente em um belo edifício neoclássico aqui de Berlim, no número 22/23 da Jaegerstrasse. Continue lendo… 'Marx 2020'»
A legenda do Youtube diz tratar-se da fala de um índio mexicano – Guaicaipuro Cautémoc – diante de uma platéia de autoridades europeias, por ocasião das comemorações dos 500 anos da “descoberta da América”. Nos comentários desmente-se tanto a existente de um índio com tal nome, como o discurso em si. Mas o texto vale!
A cantora cabo-verdiana Cesária Évora morreu neste sábado (dia 17), aos 70 anos, no Hospital Baptista de Sousa, na ilha de São Vicente, em Cabo Verde. Évora estava internada no local desde sexta-feira. A causa da morte é insuficiência cardiorrespiratória aguda e tensão cardíaca elevada, segundo disse o diretor do hospital ao site Sapo. A cantora havia encerrado a carreira em setembro deste ano, devido a complicações de saúde. Continue lendo… 'Cesária Évora morre aos 70 anos'»
Leia abaixo o “Manifesto em defesa do Cine Belas Artes”. Veja também no Facebook e compartilhe!
Manifesto em defesa do Cine Belas Artes, patrimônio cultural, artístico e afetivo de São Paulo e do Brasil
Amparados na Constituição Federal, que inclui as “edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais” entre os bens que “constituem o patrimônio cultural brasileiro” (inciso IV do Artigo 126), defendemos o imediato tombamento do prédio da Rua da Consolação, 2.423, esquina com a avenida Paulista, onde funcionava o mítico Cine Belas Artes. Também demandamos das autoridades que lancem mão de todos os instrumentos necessários para reabrir o cinema, inaugurado em 1967 pela Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC) e Companhia Serrador no mesmo prédio que antes abrigara o Cine Trianon, aberto em 1952.
Desde sua inauguração, o Cine Belas Artes manteve as características que demarcaram sua singularidade no circuito exibidor e tornaram-no fundamental para a cultura cinematográfica no Brasil. Ao longo de 44 anos, operou mais como um centro cultural formador de público do que mera sala exibidora, como atestam dois de seus aclamados projetos, o Cineclube e o Noitão, que, diferentemente das salas de shopping, promoviam uma atmosfera propícia à interação. Contou para isso com a preciosa contribuição de Ancona López, reconhecido internacionalmente como um dos melhores programadores de cinema e que teve Leon Cakoff como seu assistente. Soube, também, adaptar-se à nova tendência de complexos com salas pequenas e médias ao transformar seu espaço no mais significativo multiplex de rua do país. Continue lendo… 'São Paulo vai mesmo perder a sua esquina do cinema?'»
Alinhado aos objetivos do Plano Brasil Sem Miséria do Governo Federal, o seminário O Papel da Cultura Negra na Superação da Miséria a ser promovido pela Fundação Cultural Palmares nos dias 25 e 26 de novembro tem por objetivo debater temas relativos à cultura negra, à inclusão social e à cidadania cultural.
O evento encerrará um conjunto de atividades realizadas pela Palmares no mês de novembro, em celebração ao Dia Nacional da Consciência Negra – 20 de novembro – uma das datas mais importantes do calendário da cultura negra.
Tanto a cerimônia de abertura quanto a de encerramento trarão o melhor do samba, a fim de valorizar o patrimônio cultural afro-brasileiro. O ritmo, considerado o mais popular do País, representa a música brasileira em todo o mundo e simboliza a força do movimento negro para preservar uma de suas mais fortes expressões culturais.
Rio – No mês da Consciência Negra, o compositor e escritor Nei Lopes lança seu novo romance. ‘Essa árvore dourada que supomos’ (Editora Babel) conta a história de Vagner Adriano, negro casado com uma branca e que é vítima de preconceito por parte do sogro. O drama se agrava quando um dos três filhos do casal fica doente.
Informe: Como surgiu o livro?
Nei Lopes: Da constatação de que o racismo brasileiro ainda é terrível, algo que a gente não consegue curar. A estratificação do poder continua e os negros não têm acesso a ele. Quis contar a história de uma família mista de uma maneira bem humorada, leve e colorida. O pai da moça fez a árvore genealógica da família e acredita ser descendente de espanhóis. Mas, depois, descobrimos que não é bem assim. Continue lendo… 'Informe do Dia: ‘O racismo brasileiro é algo terrível’, diz Nei Lopes'»
Movimento Gota d’Água, liderado pelo ator Sérgio Marone, lança campanha para discutir o planejamento energético do país
A luta pela proteção do rio Xingu e de seus povos ganhou hoje um reforço de peso: artistas globais lançaram o vídeo “Gota d’Água+10” em que questionam a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Com direção de Marcos Prado (“Estamira”, “Ônibus 174” e “Os Carvoeiros”, e é produtor de “Tropa de Elite”), o vídeo traz um elenco de peso, com nomes como Ary Fontoura, Bruno Mazzeo, Carol Castro, Cissa Guimarães, Dira Paes, Elizângela, Eriberto Leão, Ingrid Guimarães, Isis Valverde, Juliana Paes, Letícia Sabatela, Maitê Proença, Malvino Salvador, Marcos Palmeira, Natalia Dill, entre outros. Continue lendo… 'Artistas se engajam na campanha pelo Xingu, sua biodiversidade e seus povos'»
“Chamamos de Racismo Ambiental às injustiças sociais e ambientais que recaem de forma implacável sobre grupos étnicos vulnerabilizados e sobre outras comunidades, discriminadas por sua origem ou cor”.