Em 1995, Belo Horizonte abrigou a primeira edição do Festival de Arte Negra (FAN) – um evento que, por suas características e foco específico na cultura afro-descendente, se impôs com ares de ineditismo, quebrando barreiras. No ano seguinte, com o lançamento do jornal O TEMPO, veio à luz a página “Blequitude”, dentro deste caderno Magazine, criada pelo jornalista Marco Antônio Lacerda, também com o intuito de quebrar barreiras no que diz respeito à questão racial – no caso, a barreira da invisibilidade do negro na mídia. Naquele mesmo ano de 1996 nascia a revista “Raça Brasil” e, a não ser por umas poucas publicações independentes e de circulação restrita, praticamente não havia veículos de comunicação com foco nas questões relacionadas aos afro-descendentes.
Os anos se passaram, o panorama mudou e, com a edição de hoje, a página “Blequitude” deixa de ser publicada. Os assuntos relacionados, que sempre encontraram espaço aqui, seguem pautando a edição de O TEMPO, só que, agora, sem a limitação de uma página temática, com dia específico para sair. Para encerrar este ciclo, ouvimos colaboradores, parceiros e pessoas que foram notícia na “Blequitude”, para que falassem justamente dessa mudança de panorama ocorrida ao longo da última década e meia. Continue lendo… '“Blequitude” se despede após 15 anos de publicação'»
1o de fevereiro foi aniversário de Bertold Brecht, que nasceu em 1898 em Berlim. A data (imperdoavelmente esquecida por este Blog) mereceu entretanto uma “comemoração” do interessante Robô Alcoólatra. Aí vai ela: um poema declamado por Antonio Abujamra: Se os tubarões fossem homens.
Duas décadas após lançado, documentário em que Chico Buarque lamenta fim do “homem cordial” sugere novos sentidos para o Brasil
Por Arlindenor Pedro*
O país da delicadeza perdida é o nome do documentário dirigido por Walter Salles e Nelson Mota sobre a carreira de Chico Buarque, feito especialmente para a televisão francesa FR3 e lançado em 1990, há 22 anos. O tema e a performance do compositor e cantor convidam a revê-lo, à luz da atualidade.
Na época, Walter Sales ainda não era o premiado diretor internacional de Terra Estrangeira (1995), Central do Brasil (1998), Abril Despedaçado, ou mesmo do internacional Diários de Motocicleta, sobre a odisseia do jovem Che Guevara nos confins da América Latina. Mas já demonstrava seu talento, trazendo para as telas contradições dos Brasis de Chico Buarque, que se expressavam através do seu repertório e sua visão sobre um novo país, que ali despontava. Continue lendo… 'Para reencontrar ‘O país da delicadeza perdida’'»
Formado por um dos italianos que buscaram o Brasil no pós-guerra, Ruggero Jacobi, Fernando Peixoto pertenceu à revolucionária geração do Teatro Oficina e do Teatro de Arena, em São Paulo. Militante emérito e inspirador, batalhador incansável da democracia e da inteligência, deixou grande legado, por onde tenha passado. A cultura e o palco brasileiros ficaram mais pobres com sua partida
Flávio Aguiar
Por estes azares de viagens e desencontros, só agora tomei conhecimento da morte de Fernando Peixoto, ocorrida em 15 de janeiro, aos 74 anos de idade. A cultura e o palco brasileiros ficaram mais pobres.
Assim como o de Olavo Bilac, seu nome completo era um alexandrino perfeito, em dois hemistíquios, nele digno de Racine, desde que se fizesse um staccato entre o primeiro e o segundo:
Livro de Regina Zappa reconstrói a trajetória de Chico Buarque a partir de informações coletadas ao longo de décadas. Vida do artista carioca se mescla a grandes momentos da história brasileira
Lucilia de Almeida Neves Delgado*
Na vida e obra de Chico Buarque convivem o cidadão e o artista, que expressa as paixões do povo pela beleza, pelo amor, pelo futebol e pela liberdade.
Romantismo revolucionário é expressão cunhada pelo sociólogo Marcelo Ridenti para caracterizar diferentes manifestações, ações e expressões políticas e artísticas de múltiplos representantes de uma geração de brasileiros nascidos em meados da década de 1940. Na efervescente década de 1960 eram todos jovens, contaminados pela febre de criatividade, mudança e transgressão que varreu o mundo e pela convicção de que por sua ação o mundo ficaria menos desigual.
No campo das artes a euforia de uma inserção social que se fazia crítica e engajada – como se autodenominavam muitos jovens daqueles anos – desdobrou-se em um furor criativo diversificado e fértil que fez da década de 1960 e de 1968, seu ano síntese, um tempo emblemático que ficou gravado na história por palavras como utopia, revolução, pacifismo, antirracismo, feminismo, contracultura, movimento hippie, concretismo, existencialismo. Continue lendo… 'Olhos de uma geração'»
Quando penso em postar algo de Elis, é sempre uma mesma música, de uma mesma apresentação, a que me ocorre. Porque é a que mais me toca. O vídeo acima, entretanto, foi garimpado cuidadosamente, porque tem muito mais a ver com uma Elis pouco conhecida, assim como tem muito mais a ver com meu sentimento neste instante e com a temática subversiva deste blog. E é a partir dele que quero recordar e reverenciar Elis, ao meu jeito. Continue lendo… 'Um “Deus lhe pague” de ódio e revolta! (+ um brinde)'»
Onda de documentários sobre a região atrai produtoras independentes e universitários
Gustavo Fioratti
Se depender do cinema documental, o debate sobre a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte não vai esfriar em 2012; a começar por um extenso projeto da produtora LC Barreto, a “TV Belo Monte”, uma série de filmes sobre o empreendimento, feitos especialmente para a internet.
O projeto é custeado pela Norte Energia, empresa responsável pela construção da usina. Parte dos filmes já está no ar, no site www.tvbelomonte.com.br.
O lançamento pega embalo na onda de documentários realizados sobre a usina. Mas com uma diferença: a TV Belo Monte parece um pouco mais empenhada em apontar pontos positivos no empreendimento.
A contratação da LC Barreto, a mesma produtora que produziu o filme “Lula, o Filho do Brasil”, foi feita sem concorrência ou licitação – o que não é ilegal, uma vez que a Norte Energia é formada por um consórcio de empresas públicas e privadas. A Eletrobras, que é pública, tem 49,98% das ações. Continue lendo… 'Usina de Belo Monte é invadida por cineastas'»
Quinta-feira, dia 19, completaremos 30 anos sem Elis. Poderíamos dizer simplesmente que devemos isso à mistura álcool e cocaína. Poderíamos atribuir à intensidade com que ela vivia, explicitada nas interpretações que dava a músicas que jamais foram ou serão cantadas com o mesmo sentimento, como a Atrás da Porta do show “Elis Regina de Carvalho Costa”. Poderíamos até tentar explicar que 36 anos foi um prazo razoável, considerando a força da emoção que ela repassava para as pessoas que a ouviam e viam, como se estivesse compartilhando um pedaço de si mesma. Pois no que me diz respeito até hoje me sinto de alguma forma roubada, traída, com uma certa raiva por tudo ter terminado de forma tão absurda. E tenho a certeza de que não estou sozinha, nesse sentimento. Abaixo, a homenagem deste Blog a Elis. TP.
“Tudo o que sei é que eu não sou marxista”. Filósofo mais do que agitador, cientista mais do que ativista, amante da democracia. Eis quem realmente era o pai do Manifesto do Partido Comunista. Palavra de quem está arquivando a sua imensa obra ainda inédita: 114 volumes, o último dos quais será publicado em 2020. Em tempo, talvez, para entender em que mundo viveremos, como demonstra um trecho jamais lido do Capital, que parece ter sido escrito hoje.
A reportagem é de Andrea Tarquini, publicada no jornal La Repubblica, 08-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Agitador, revolucionário, profeta inflexível da luta de classes. Foi assim que ele permaneceu na memória do mundo. Mas não: ele foi acima de tudo teórico e cientista, politólogo e pensador crítico sempre curioso, muito atento até às ciências naturais e às novas tecnologias. Acreditava na democracia e na liberdade de expressão muito mais do que se pensa, considerava-as irrenunciáveis. E ele tinha previsto a seu modo a crise contemporânea do capitalismo atual, muito mais do que as ditaduras totalitárias real-socialistas transmitiram.
Ele surge do passado como um moderno new-labourista, um progressista alemão ou um liberal norte-americano, dos seus escritos de milhares de páginas amareladas, mas desempoeiradas cuidadosamente em um belo edifício neoclássico aqui de Berlim, no número 22/23 da Jaegerstrasse. Continue lendo… 'Marx 2020'»
A legenda do Youtube diz tratar-se da fala de um índio mexicano – Guaicaipuro Cautémoc – diante de uma platéia de autoridades europeias, por ocasião das comemorações dos 500 anos da “descoberta da América”. Nos comentários desmente-se tanto a existente de um índio com tal nome, como o discurso em si. Mas o texto vale!
A cantora cabo-verdiana Cesária Évora morreu neste sábado (dia 17), aos 70 anos, no Hospital Baptista de Sousa, na ilha de São Vicente, em Cabo Verde. Évora estava internada no local desde sexta-feira. A causa da morte é insuficiência cardiorrespiratória aguda e tensão cardíaca elevada, segundo disse o diretor do hospital ao site Sapo. A cantora havia encerrado a carreira em setembro deste ano, devido a complicações de saúde. Continue lendo… 'Cesária Évora morre aos 70 anos'»
“Chamamos de Racismo Ambiental às injustiças sociais e ambientais que recaem de forma implacável sobre grupos étnicos vulnerabilizados e sobre outras comunidades, discriminadas por sua 'raça', origem ou cor”.