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	<title>Combate ao Racismo Ambiental &#187; democracia</title>
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	<description>Dedicado por Tania Pacheco ao GT Combate ao Racismo Ambiental e às suas lutas</description>
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		<title>Informação é bem comum</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 19:03:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;">A lei de acesso à informação entrou em vigor ontem (16/5). Ela permite que os cidadãos tenham acesso à todo tipo de informação que diz respeito a processos e trâmites do governo. Ou seja, agora qualquer pessoa pode pedir documentos e informações sobre gastos financeiros, ações, obras e projetos – sem precisar explicar o motivo. A informação pública tornou-se, enfim, bem comum. A lei vale para os três níveis de poder – executivo, legislativo e judiciário – e pode influenciar diretamente a vida de cada indivíduo.</p>
<p style="text-align: justify;">No vídeo abaixo, a Unesco elucidou o tema, numa entrevista com Guilherme Canela, assessor regional de Comunicação e Informação para o Mercosul. Canela coloca em questão os principais avanços e problemas que acompanham a nova legislação.</p>
<p><object width="460" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ADf5FcV_KSQ?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="460" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/ADf5FcV_KSQ?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de ter sido sancionada em novembro do ano passado com um prazo de 180 dias para os governos se prepararem até que a lei entrasse em vigor, muitos órgãos públicos apresentaram despreparo diante das solicitações dos cidadãos.<span id="more-53626"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim, não se pode negar que a lei é “um imenso avanço na democracia brasileira”, afirmou José Moroni, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), entidade membro do Comitê Facilitador da Sociedade Civil Brasileira para a Rio+20. Em entrevista à redação da Cúpula, Moroni disse que, apesar de o Brasil ser um dos últimos países democráticos a criar uma lei de acesso à informação, ela vai mudar a relação do cidadão comum com o poder público.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a lei, o Brasil se junta a outros 91 países que regulamentaram o acesso de cidadãos a informações públicas, que, dessa forma, podem exercer livremente seus direitos.</p>
<p style="text-align: justify;">Passa a haver critérios que determinam o motivo de um documento ser sigiloso, bem como um tempo específico para cada tipo de sigilo. “Mas nenhum documento que envolva desrespeito aos direitos humanos pode ser considerado sigiloso”, explica Moroni. “Isso é um ponto bastante positivo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, há quem seja cético à medida. Em entrevista ao jornal<em> O Globo</em>, o cientista social canadense Gregory Michener diz não acreditar que a sociedade civil vá fazer uso das informações que serão disponibilizadas. Para Michener, apesar de todo esse esforço, a nova medida não deve tomar grandes proporções.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Impactos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">“O impacto da lei vai acontecer em médio e longo prazo”, pondera Moroni, por sua vez. Para ele, uma grande mudança é a lógica do exercício do poder.</p>
<p style="text-align: justify;">“Quem está no poder, trata daquele espaço como privado e pensa que não precisa dar satisfações para a população. Agora, qualquer funcionário de órgãos públicos está sujeito a ter de prestar informações e ser criticado. O espaço público começa a ser visto como público de fato”.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra questão importante, segundo Moroni, é a possibilidade de acesso a informações de como decisões públicas são tomadas. Por exemplo, agora é possível entender por que um deputado ou senador incorporou determinada sugestão num projeto de lei. “Vou poder ter acesso a todas as propostas a uma determinada lei e também às razões do parlamentar de aceitar algumas e não outras”, explica o filósofo. Além disso, a própria lei afirma que o Estado deve realizar uma campanha educativa para que a população tenha conhecimento da lei e saiba como utilizá-la.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como funciona a lei</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A Constituição Federal garante o direito à informação pública. No entanto, até ontem (15/5), o cidadão só poderia solicitar informações que lhe diziam respeito e elas eram concedidas apenas se a chefia dos órgãos envolvidos permitisse. “O direito à informação pública era um ‘não-direito’”, explica Moroni. Com a nova legislação, cada órgão público ficará responsável por criar um Serviço de Informação ao Cidadão (SIC) para garantir que a lei será aplicada e que a transparência nas informações seja concretizada. O governo federal, por exemplo, criou um portal on-line pelo qual o cidadão pode fazer seu pedido de acesso a qualquer informação.</p>
<p style="text-align: justify;">Além dos órgãos públicos, todas as fundações, empresas privadas sem fins lucrativos e autarquias que recebem ou já receberam dinheiro público também têm por obrigação tornar públicas as informações requeridas e de forma gratuita. O servidor público que se recursar a fornecer tais informações pode ser responsabilizado em nível civil, penal ou administrativo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Problemas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se é praticamente um consenso de que a lei é um avanço na democracia brasileira, há alguns pontos considerados ainda falhos. Um deles é o fato de que não foi criado um órgão independente responsável pela implementação e aplicação da lei. Em outros países onde a lei de acesso à informação pública é considerada um sucesso – o México e o Chile, por exemplo –, um órgão como esse facilitou e melhorou seu funcionamento.</p>
<p style="text-align: justify;">No Brasil, cada órgão público fica responsável pela formulação de vias de acesso do cidadão às suas informações (internet, fax, telefone etc.), em torno dos Serviços de Informação ao Cidadão (SICs). “Se você entrar com o pedido de acesso a determinada informação e ela não for prestada no tempo estabelecido, o seu recurso é a própria Controladoria Geral da União (CGU), que não é autônoma em relação ao governo. Isso pode se tornar um problema”, argumenta Moroni.</p>
<p style="text-align: justify;">http://cupuladospovos.org.br/2012/05/informacao-e-bem-comum/?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=Feed%3A+CupulaDosPovosNaRio20+%28C%C3%BApula+dos+Povos+na+Rio%2B20%29</p>
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		<title>Lei de Acesso à Informação entra em vigor hoje, 16 de maio</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 10:07:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
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<!-- AddThis Button END -->Daniella Jinkings*, Repórter da Agência Brasil Brasília &#8211; A Lei de Acesso à Informação entra em vigor hoje (16) com o objetivo de garantir aos cidadãos brasileiros acesso aos dados oficiais do Executivo, Legislativo e Judiciário. Cada órgão público terá um Serviço de Informação ao Cidadão (SIC) para garantir a transparência dos dados públicos. Com isso, [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;">Daniella Jinkings*, <em>Repórter da Agência Brasil</em></p>
<p style="text-align: justify;">Brasília &#8211; A Lei de Acesso à Informação entra em vigor hoje (16) com o objetivo de garantir aos cidadãos brasileiros acesso aos dados oficiais do Executivo, Legislativo e Judiciário. Cada órgão público terá um Serviço de Informação ao Cidadão (SIC) para garantir a transparência dos dados públicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Com isso, o Brasil passa a compor, com outros 91 países, o grupo de nações que reconhecem que as informações guardadas pelo Estado são um bem público. Além dos gastos financeiros e de contratos, a lei garante o acompanhamento de dados gerais de programas, ações, projetos e obras. Os <em>links</em> nas páginas do governo federal que dão ao cidadão pleno acesso às informações são identificados por um selo em forma de balão amarelo de quadrinhos, com a letra &#8220;i&#8221; em verde.</p>
<p style="text-align: justify;">Além de órgãos e entidades públicas dos três níveis de governo, as autarquias, fundações, empresas públicas e entidades privadas sem fins lucrativos que recebem recursos públicos devem colocar as informações à disposição do cidadão de forma gratuita.</p>
<p style="text-align: justify;">Antigamente, o cidadão só podia solicitar informações que lhe diziam respeito. Cabia à chefia dos órgãos decidir sobre a liberação dos dados. Segundo a cartilha da Controladoria-Geral da União (CGU), feita para informar os servidores sobre a nova lei, na chamada “cultura do segredo”, a informação era muitas vezes retida ou até perdida.<span id="more-53396"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Com a lei, o cidadão pode solicitar a informação sem necessidade de justificativa. De acordo com a CGU, são estabelecidas regras claras e procedimentos para a gestão das informações. Além disso, os servidores estão sendo capacitados para atuar na implementação da política de acesso à informação. Foi elaborado um formulário próprio para o pedido, que pode ser preenchido diretamente no órgão ou pela internet. Para ter acesso à informação, o cidadão deve se identificar e especificar o pedido.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos entraves para a operacionalização das novas regras de acesso à informação é a regulamentação da lei, que ainda não foi concluída. De acordo com o ministro da CGU Jorge Hage, a regulamentação faz falta para a orientação que o órgão deve dar aos ministérios. Segundo ele, a CGU, que é responsável pela implementação da lei, recebe perguntas que dependem da regulamentação para serem respondidas.</p>
<p style="text-align: justify;">A nova lei também dá fim ao sigilo eterno de documentos oficiais. Pela nova regra, o prazo máximo de sigilo foi limitado a 25 anos para documentos ultrassecretos, 15 anos para os secretos e cinco para os reservados. Os documentos ultrassecretos poderão ter o prazo de sigilo renovado apenas uma vez.</p>
<p style="text-align: justify;">O servidor público que se recusar a fornecer informação requerida, a fornecê-la intencionalmente de forma incorreta, incompleta ou imprecisa e impor sigilo à informação para obter proveito pessoal ou de terceiro poderá ser responsabilizado civil, penal ou administrativamente.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>*Colaborou a repórter Beatriz Arcoverde, do Radiojornalismo//Edição: Graça Adjuto</em></p>
<p style="text-align: justify;">http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-05-16/lei-de-acesso-informacao-entra-em-vigor</p>
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		<title>El extraño caso del doctor Sanguinetti y el señor Hyde</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2012 19:37:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
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<!-- AddThis Button END --><div style="text-align: justify;">Por Aníbal Corti</div>
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<div style="text-align: justify;">Julio María Sanguinetti fue el principal ideólogo y el conductor de la salida democrática uruguaya; proceso que el propio Sanguinetti y otros –dentro y fuera de Uruguay– consideran ejemplar, pero que dejó abiertas heridas que todavía no han sanado. Un reciente libro de su autoría aborda el tema* desde una perspectiva que pretende ser imparcial pero que no lo es.</div>
<div>
<p style="text-align: justify;">El doctor Julio María Sanguinetti, político de larga trayectoria, dos veces presidente de la República, hombre culto, periodista, escritor, pintor y coleccionista de arte, columnista de la agencia efe y de El País de Madrid, entre otras actividades públicas, es una figura notoria dentro y fuera de fronteras. Su faceta de hombre letrado, de pensador humanista, de político de ideas liberales y democráticas, de heredero y continuador de la tradición colorada y batllista, alterna, sin embargo, con otra faceta, una dimensión de su personalidad oscura y ligeramente siniestra, aunque no por ello menos pública que la anterior.</p>
<p style="text-align: justify;">La existencia de otro Sanguinetti, álter ego inquietante del primero, mucho menos liberal, mucho menos sensible y mucho menos humanista que su contraparte culta, refinada y tolerante, no es algo que vaya a ser revelado –como si fuera una novedad que no es– a través de la lectura de este libro, pero sí es algo que se hace evidente en varias de sus páginas.<span id="more-51631"></span></p>
<p style="text-align: justify;">UNA OBRA DE TESIS. Este volumen, que fue presentado la semana pasada en el hotel Radisson por los ex presidentes Luis Alberto Lacalle y Jorge Batlle, e indirectamente (a través de una misiva) por el vicepresidente Danilo Astori, viene a completar el relato de los hechos de nuestra historia reciente que el autor iniciara con <em>La agonía de una democracia. Proceso de la caída de las instituciones en el Uruguay (1963-1973)</em>, un libro publicado en 2008 por la misma editorial.</p>
<p style="text-align: justify;">Sanguinetti considera, así lo ha dicho en varias oportunidades, que los historiadores profesionales uruguayos se han dedicado a hacer política, a distorsionar el pasado (sobre todo el pasado reciente) con objetivos partidistas, de modo que los políticos se han visto obligados a incursionar en la historia y a ofrecer un relato riguroso y no distorsionado de los hechos. El objetivo de esta obra (los dos tomos) es, pues, ofrecer un relato riguroso del pasado reciente uruguayo. &#8220;Que se conozcan los hechos y que los hechos hablen por sí mismos&#8221;, dijo el autor en la presentación del libro.</p>
<p style="text-align: justify;">El problema es que los hechos rara vez hablan por sí mismos y, cuando lo hacen, dicen muy poco. En los relatos históricos los hechos &#8220;hablan&#8221; porque son interpretados; hablan porque se los hace hablar. A pesar de lo que diga el autor, los libros de Sanguinetti no son una excepción en ese sentido. Es verdad que, para manipular el pasado o por simple ceguera, los hechos pueden ser ocultados o distorsionados, incluso hasta grados absurdos. Pero los libros de Sanguinetti tampoco son una excepción en este sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">Sanguinetti escribe &#8220;con intención de verdad&#8221;, dice citando al filósofo francés Paul Ricoeur, pero también lo hace con intención de defender una tesis: que el país perdió el rumbo democrático como consecuencia de la acción desestabilizadora de la izquierda y que volvió a encontrarlo gracias a la acción de los partidos tradicionales. De la primera parte (de la pérdida de la democracia por la acción de la izquierda) trata el primer volumen, y de la segunda (de la recuperación de la democracia a pesar de la izquierda y de sus acciones irresponsables y revanchistas) trata el segundo. Es verdad que en esta segunda parte el líder histórico del Frente Amplio, el general Liber Seregni, es alineado con los buenos, pero ello es más bien a título individual.</p>
<p style="text-align: justify;">En el relato de Sanguinetti los partidos tradicionales, los partidos que forjaron la nación, pese a haberse equivocado aquí o allá, estuvieron siempre en la primera línea de defensa de las instituciones democráticas. Resistieron cuanto pudieron durante la crisis y luego fueron artífices de la reconquista democrática. La izquierda, en cambio, puede haber tenido aciertos (como participar del pacto del Club Naval), pero, en líneas generales, siempre transitó el camino de la deses­tabilización y de la inmadurez.</p>
<p style="text-align: justify;">En fin, nada que resulte sorprendente. Es una versión del pasado que hace hincapié en algunos hechos, al tiempo que otros pasan a un segundo plano. La resistencia de la izquierda a la dictadura, por ejemplo, ya no sólo no es heroica (como ocurre en los libros testimoniales escritos por militantes), sino que es directamente inexistente. No se habla de ella. No es ciertamente una versión equilibrada de la historia, como el autor pretende, pero hasta cierto punto era inevitable que ese desbalance se produjera. Sucede con todos los relatos históricos y más aun cuando están en juego hechos tan cercanos, tan dolorosos y (en algunos casos) tan poco documentados. No es en la tónica general del relato donde aparece la mano del segundo Sanguinetti, su álter ego oscuro e inquietante, sino en varios pasajes puntuales.</p>
<p style="text-align: justify;">LAS BAJEZAS. Además del problema que suponía llevar ante la justicia a los responsables y ejecutores de las políticas represivas de la dictadura –un problema que se le presenta a toda democracia recién recuperada–, el gobierno legítimo que se instalara el 1 de marzo de 1985, cualquiera fuera su orientación, tenía que lidiar con una consecuencia terrible de las características específicas que tuvo la represión en el Río de la Plata: la existencia de personas desaparecidas, algunos de ellos niños. Es en el tratamiento de este tema sensible, y en general en el tratamiento de todos los temas que tienen que ver con la violación de derechos humanos durante la dictadura, que el álter ego monstruoso de Sanguinetti toma las riendas del relato.</p>
<p style="text-align: justify;">El libro presenta (en forma muy breve) dos casos de niños desaparecidos y su resolución; no los únicos, ciertamente, pero quizás sí los más emblemáticos: Mariana Zaffaroni y Simón Riquelo. Esto es lo que dice del último de ellos: &#8220;El otro caso era el del hijo de Sara Méndez y Gerardo Gatti (sic), también dirigentes del PVP, detenidos en el siniestro establecimiento de Orletti, en Buenos Aires, del que pocos salieron con vida. Allí había desaparecido Gatti, en tanto que Sara Méndez fue traída a Montevideo con un grupo de uruguayos que fueron reclamados por el teniente coronel Gavazzo y liberados más tarde en Montevideo. Sara Méndez insistía en que su hijo era un joven llamado Gerardo Vázquez, adoptado legalmente por sus padres, que vivía en Montevideo. El joven se negó durante años a realizarse la prueba de adn y cuando finalmente la realizó, luego de que el entonces presidente Batlle lo convenciera para ello, se comprobó que no era el muchacho buscado. Durante ese lapso, tanto él como su familia adoptiva vivieron un brutal acoso psicológico por la persecución de Sara Méndez. Finalmente, en 2002, apareció en Argentina el verdadero Simón&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Gerardo Gatti fue un histórico militante anarquista (posteriormente del PVP), dirigente del sindicato gráfico y fundador de la CNT, secuestrado en Buenos Aires el 9 de junio 1976 y desa­parecido desde entonces. Pero Gerardo Gatti no es el padre de Simón Riquelo. El padre es su hermano menor Mauricio, que, por razones fortuitas, no estaba en su casa cuando su hijo fue secuestrado, logró escapar al cerco represivo en Argentina y se exilió en Europa. Mauricio Gatti retornó al país con la democracia y vivió en Uruguay hasta su fallecimiento, el 11 de abril de 1991.</p>
<p style="text-align: justify;">Sanguinetti confunde a los hermanos Gatti. Nadie que escribe un libro de este porte, 529 páginas de minucioso repaso de hechos históricos, está a salvo de cometer un error. Le podría pasar a cualquiera. El problema no es ese. El problema es el conjunto del relato en el cual ese error está inserto. Así como no es verdad que Gerardo Gatti sea el padre de Simón Riquelo, tampoco es verdad que Sara Méndez, tras su secuestro en Buenos Aires, haya sido liberada en Montevideo, como dice el libro. En este caso, sin embargo, no se trata de un mero error, sino de algo más feo.</p>
<p style="text-align: justify;">Sara Méndez fue secuestrada el 13 de julio de 1976 en Buenos Aires, en un operativo comandado en forma conjunta por el oficial del Ejército uruguayo José Nino Gavazzo y el paramilitar argentino Aníbal Gordon, cuya base de operaciones era el centro clandestino de reclusión conocido como Automotores Orletti. Sara Méndez formó parte de un contingente de más de veinte militantes del PVP que fueron trasladados a Montevideo en forma clandestina, recluidos primero en una casa del barrio Punta Gorda que se usaba como centro de detención de prisioneros políticos y después en la propia sede del Servicio de Información y Defensa (sid) en la calle Bulevar Artigas. Lejos de ser liberados, como dice Sanguinetti, fueron retenidos y sometidos a las torturas de rigor. Su suerte fue debatida entre los propios militares y finalmente se les ofreció una opción para salvar sus vidas. A cambio de su cooperación en una farsa montada para fingir un operativo de invasión al país desde Argentina, los prisioneros serían blanqueados y procesados por la justicia militar. Tal cosa se hizo, la farsa se montó, la prensa se hizo eco de ella y los trasladados fueron procesados y condenados por la justicia militar. Sara Méndez fue recluida en el penal de Punta de Rieles y recuperó la libertad en 1981.</p>
<p style="text-align: justify;">Para tratarse de una obra en la que Sanguinetti pretende dejar que &#8220;los hechos hablen por sí mismos&#8221;, hay que decir que la presentación de estos hechos deja bastante que desear. Pero eso no es todo. Lo peor es lo que sigue. Después de ser liberada, Sara Méndez empezó a buscar a su hijo, del cual no tenía noticias desde 1976. Tras la restauración democrática surgió una pista que a la postre se reveló falsa; la pista que Sanguinetti señala. Sara Méndez y Mauricio Gatti contactaron a los padres del niño que pensaban podía ser Simón. Ninguna de las primeras instancias de negociación fue pública, pero la negativa de los padres –y posteriormente del propio joven, cuando ya fue mayor– a habilitar los estudios que pudieran confirmar su identidad hizo que el tema terminara en la justicia. Inevitablemente, el asunto tomó estado público. Es indudable que todo el episodio fue muy doloroso y quizás haya habido presiones indebidas sobre la familia del chico que se creía era Simón, pero describir este hecho en los términos en que lo hace Sanguinetti es simplemente canallesco. Decir que Sara Mendez &#8220;persiguió&#8221; a esa familia es un abuso, y no meramente un abuso de lenguaje.</p>
<p style="text-align: justify;">Por otra parte, si la familia del chico no aceptaba los estudios por no tener garantías suficientes (como era el caso), el propio Sanguinetti se las podría haber ofrecido. Tuvo dos oportunidades para hacerlo. Si durante su primera presidencia el tema todavía era objeto de negociaciones en la órbita privada, es innegable que durante su segunda presidencia ya era un tema público. No era tan difícil. A Jorge Batlle le bastó una entrevista con el muchacho para solucionar el problema. El entonces presidente Sanguinetti, el liberal, el humanista, el demócrata ejemplar, el columnista de El País de Madrid, no hubiera tenido mayores dificultades para hacer, antes, lo mismo que hizo su sucesor unas pocas semanas después de recibir la banda presidencial de sus propias manos.</p>
<p style="text-align: justify;">Si no fuera porque no es algo nuevo, podría llamar la atención la dureza de lenguaje con que el ex presidente Sanguinetti, devenido historiador, habla de las conductas de Sara Méndez, una mujer a la que le arrebataron a su hijo veinte días después de nacido y lo mantuvieron un cuarto de siglo desaparecido; dureza de lenguaje que contrasta de forma notable con la falta de epítetos de igual contundencia para caracterizar las conductas de aquellos que no sólo perpetraron el secuestro, sino que permanecieron durante todos esos años en el más absoluto silencio, permitiendo que se siguiera en vano una pista falsa. Para los que mantuvieron en secreto el destino de Simón y todavía hoy mantienen en secreto el destino de la mayoría de los desaparecidos, Sanguinetti no tiene palabras duras en su libro. Para las madres y los familiares que buscaron y que todavía buscan a sus seres queridos, sí. De ellos dice que alimentan rencores, que acosaron brutalmente, que persiguieron, que echaron leña a la hoguera, que caldearon los ánimos, etcétera.</p>
<p style="text-align: justify;">Dicen que se avecina un invierno gélido. Por tan sólo 380 pesos editorial Taurus, del grupo Alfaguara, le proporciona este libro del ex presidente Sanguinetti sobre la transición democrática, que lo mantendrá caliente durante varios meses.</p>
<p style="text-align: justify;">* Julio María Sanguinetti, <em>La reconquista. Proceso de la restauración democrática en Uruguay (1980-1990)</em>, editorial Taurus, Montevideo, 2012.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.brecha.com.uy/inicio/item/10259. Enviada por Maria Eugenia Bertiz.</p>
</div>
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		<title>Noam Chomsky escreve – e fala – sobre o Occupy</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Apr 2012 18:37:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
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<!-- AddThis Button END -->Entrevistado ao lançar novo livro, ele debate perspectivas do movimento, Primavera Árabe, crise da democracia, internet e como os EUA produziram seu próprio declínio Entrevista a Joshua Holland, do Alternet &#124; Tradução: Daniela Frabasile No ano passado o movimento Occupy espalhou-se espontaneamente por inúmeras cidades dos Estados Unidos. Mudou radicalmente o discurso e fustigou a elite econômica com sua desafiante defesa das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<!-- AddThis Button BEGIN -->
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><em>Entrevistado ao lançar novo livro, ele debate perspectivas do movimento, Primavera Árabe, crise da democracia, internet e como os EUA produziram seu próprio declínio</em></p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 314px"><img class=" " src="http://www.outraspalavras.net/files/2012/04/120427-Occupy2-e1335570294345.jpg" alt="" width="304" height="149" /><p class="wp-caption-text">Outubro de 2011: em Nova York, manifestantes do Occupy protestam fantasiados de zumbis, diante da Bolsa</p></div>
<p style="text-align: justify;">Entrevista a Joshua Holland, do <em>Alternet</em> | Tradução: Daniela Frabasile</p>
<p style="text-align: justify;">No ano passado o movimento <em>Occupy</em> espalhou-se espontaneamente por inúmeras cidades dos Estados Unidos. Mudou radicalmente o discurso e fustigou a elite econômica com sua desafiante defesa das maiorias. Foi, para Noam Chomsky, “a primeira grande resposta pública a trinta anos de guerra de classes”. Em seu livro mais recente, <em>Occupy, </em>Chonsky debate os principais temas, questões e reivindicações que estão levando cidadãos comuns a protestar. Como se chegou a tal ponto? De que modo o 1% de mais ricos influencia as vidas dos outros 99%? Como se pode separar Política de Dinheiro? Que seria uma eleição genuinamente democrática?</p>
<p style="text-align: justify;">Na semana passada, Chomsky foi entrevistado na web-rádio do site <em>Alternet. </em>Eis uma transcrição, levemente editada por motivos de clareza, de sua fala. A gravação original (em inglês) pode ser ouvida <a href="http://www.alternet.org/newsandviews/article/907298/alternet_radio:_noam_chomsky_on_ows,_the_arab_spring_and_america's_waning_influence%3B_progressivs_push_back_against_alec/" target="_blank">aqui</a>.  <span id="more-51368"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img class="alignleft" src="http://www.outraspalavras.net/files/2012/04/120427-OccupyChomsky1.jpg" alt="" width="210" height="407" />Joshua Holland:</strong><strong>Eu queria perguntar sobre algumas tendências que moldam nosso discurso político. Eu li muitos de seus livros, e um que eu achei importante foi </strong><em><strong>O consenso fabricado, </strong></em><strong>do final dos anos 1980. D</strong><strong>esde então, houve grandes mudanças. A mídia dominante está mais consolidada mas temos, ao mesmo tempo, uma proliferação de outras formas de mídia. Você acha que o alcance do que é considerado um discurso aceitável foi ampliado ou restringido?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Noam Chomsky:</strong> Na verdade, Ed Herman e eu lançamos uma segunda edição desse livro uns dez anos atrás, com uma nova (e longa) introdução. Na época, não víamos muitas mudanças, mas se fôssemos fazer de novo, certamente abordaríamos o que você mencionou. Lembro que estávamos falando sobre a mídia dominante. Em relação a isso, acho que praticamente a mesma análise se sustenta, apesar de meu sentimento ser de que, desde 1960, houve abertura no <em>mainstream </em>– como efeito do ativismo da década de 60, que mudou as percepções, atitudes, e civilizou o país de muitas maneiras. Assuntos que são discutidos abertamente hoje eram invisíveis, e, se visíveis, não eram mencionados há cinquenta anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, muitos jornalistas são, eles mesmo, gente cuja formação se deu no ativismo dos anos 60 ou nos seus desdobramentos. Essas mudanças estão se dando por um longo tempo. Com relação às mídias alternativas, elas certamente proporcionam uma grande variedade de opções que não existiam antes – o que inclui o acesso à mídia estrangeira. Por outro lado, a internet é, de certa forma, como entrar na Biblioteca do Congresso. Tudo está lá, mas você tem que saber o que esta procurando. Do contrário, você pode não ter acesso nenhum à biblioteca, porque daria no mesmo. Por exemplo, não é suficiente entrar na biblioteca de Biologia de Harvard para tornar-se biólogo. Você tem que ter as bases para o entendimento, uma concepção do que é importante e do que não é; do que faz sentido ou não faz. Não uma base rígida que nunca se modifica, mas você precisa ao menos ter algum tipo de base.</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente, isso é bem raro, quando faltam movimentos ativistas que atraiam uma parte substancial da população para interação, intercâmbio – o tipo de coisa que ocorria na comunidade do Occupy por exemplo. Na ausência disso, a maioria das pessoas fica meio à deriva, na internet. Sim, é possível encontrar coisas de valor, mas você tem que saber procurar por elas e ter as bases de análise e percepção que permitam separá-las do lixo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> Separar o joio do trigo&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Chomsky</strong>: Sim – o que exige organização e ativismo. É o tipo de coisa que tem que ser feita com outras pessoas. Você tem que ser capaz de testar ideias e obter reações. Você tem que apurar suas percepções. Isso realmente não ocorre sem uma organização substantiva. Existe um intercâmbio na internet, mas ele tende a ser superficial.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vamos voltar ao seu livro. Chama-se <em>Occupy, </em>é uma leitura boa e rápida. Você faz um ótimo trabalho explicando a guerra de classes promovida pela elite econômica nos últimos trinta ou quarenta anos. Mas a pobreza é relativa: americanos vivendo na linha de pobreza ainda possuem uma riqueza maior que 80 ou 90 % da população mundial. Poucas pessoas passam fome nesse país, e a atual tendência [para a desigualdade] não é algo novo. Qual foi o ponto de virada? A gravidade da recessão? O que mais ajudou a abrir os olhos das pessoas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Chomsky: </strong>Você está certo ao dizer que estamos melhor que a maior parte do mundo. Antes de falar com você, eu conversava com uma mulher da Índia, que vive e trabalha há muitos anos em vilas localizadas numa das áreas mais pobres do país. Ela descria suas atividades: seus sucessos e fracassos. É um mundo radicalmente diferente. As pessoas aqui não vivem em condições comparáveis às da idade da pedra. Eles se comparam com o que está disponível para uma vida decente na sociedade em que vivem. Esse é o país mais rico e poderoso de toda a história do mundo. Isso tem vantagens extraordinárias. Comparando com o que está disponível aqui, e, dadas as circunstâncias, com o que está disponível para a maioria da população – o imaginário dos 99% do movimento Occupy – existe um abismo enorme.</p>
<p style="text-align: justify;">Por exemplo, não temos o tipo de sistema de saúde que outras sociedades comparáveis têm. Não temos infra-estrutura equivalente. Nos últimos trinta anos – mesmo sem contar com a última recessão – houve uma relativa estagnação da grande maioria da população. O que realmente aconteceu está muito bem contado em um pequeno livro que foi publicado depois do meu. E uma recente publicação do Economic Policy Institute, que tem sido a fonte principal de dados confiáveis nos últimos 30 ou 35 anos. Chama-se <em>Failure by Design</em> [“Fracasso Projetado”]. É uma leitura fácil e que vale a pena. O título é bastante preciso. Estamos [nos Estados Unidos] em meio a um fracasso, na medida que grande parte da população não viveu essencialmente progresso nenhum, ainda que uma riqueza substancial tenha sido produzida. A própria economia é muito menos produtiva do que deveria ser. A produção do tipo de bens de que as pessoas precisam é menos ainda. É claro que uma pequena parte da população – os 0,1% – obteve sucesso espetacular.</p>
<p style="text-align: justify;">É um fracasso baseado na diferença de classes, e foi projetado. Esse é o fato crucial. Existiram e ainda existem outras opções disponíveis. As coisas não precisam acontecer assim. Por isso, acumulam-se tantos temores, raivas, frustrações. Tudo isso está visível nas pesquisas. Há ódio às instituições e desconfiança por todo o país, e isso tem aumentado há um bom tempo. O movimento Occupy conseguiu capturar o sentimento e cristalizá-lo. É assim que os movimentos populares crescem.</p>
<p style="text-align: justify;">Tomemos como exemplo o movimento de direitos civis. Ele existiu por décadas, mas poucas coisas produziram desenvolvimento importantes. Por exemplo, a atitude Rosa Parks, ou estudantes negros sentando nas lanchonetes em Greensboro, na Carolina do Norte. As coisas acontecem de repente e, do nada, surge um movimento popular. O mesmo aconteceu no movimento contra a guerra, os movimentos feministas, os ambientalistas, ou o movimento por justiça global.</p>
<p style="text-align: justify;">O Occupy eclodiu no momento em que era mais necessário, e acho sua estratégia brilhante. Se tivessem me perguntado, eu não a teria recomendado. Nunca pensei que fosse funcionar. Por sorte, eu estava errado. Funcionou muito bem. Dois grandes processos se deram, em minha opinião, e se puderem ser mantidos e ampliados, será extremamente importante. Um foi simplesmente mudar o discurso, colocando na agenda temas que estavam fervendo nos bastidores, mas nunca eram o foco principal – como a desigualdade, a corrupção financeira, a fragmentação do sistema democrático, o colapso da economia produtiva. Estes assuntos tornaram-se comuns. Isso foi muito importante.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro fenômeno que surgiu, e é difícil de medir, foi a criação de comunidades. As comunidades do Occupy foram extremamente valiosas. Formaram-se espontaneamente, com base no auxílio mútuo, intercâmbio público e outras coisas que fazem muita falta, em uma sociedade pulverizada como a nossa, onde as pessoas estão sozinhas. A unidade social por que o mundo dos negócios luta é apenas uma díade, um par. Você e sua televisão e seu computador. O Occupy quebrou isso de forma extremamente significante. A possibilidade de cooperação, solidariedade, apoio mútuo, discussão pública e participação democrática é um modelo que pode inspirar as pessoas. Muitas pessoas participaram disso, pelo menos de forma periférica.</p>
<p style="text-align: justify;">Se estas duas conquistas puderem ser mantidas e expandidos, poderá haver um impacto de longo prazo. Não será fácil, há existem desafios imensos. As táticas terão que ser ajustadas, como sempre, mas o que aconteceu foi um ponto de virada. Se você pensar no que aconteceu em apenas alguns meses, é surpreendente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vamos mudar de assunto um pouco. Você falou e escreveu muito sobre a chamada Primavera Árabe. Parece que esse “despertar” tem sido desigual, assim como a reação do governo dos Estados Unidos a ele, nos vários países. O governo hesitou, mas de certa forma apoiou a revolução no Egito, usou a força na Líbia, e ao mesmo tempo fecha os olhos enquanto a Arábia Saudita e outras forças defenderam o regime no Bahrain – um movimento que estranhamente coloca os governos dos Estados Unidos e do Irã no mesmo campo. Como podemos entender essas contradições… ou desenvolvimentos desiguais?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Chomsky:</strong> Em primeiro lugar, acho que a política dos Estados Unidos tem sido bastante consistente, o que é verdade também em relação à Inglaterra e à França. A França é muito influente na parte ocidental da África e no norte do continente: a Tunísia era como um protetorado francês. As potências imperiais tradicionais têm uma posição muito consistente: elas opõem-se às tendências democratizantes em qualquer, lugar nessa região.</p>
<p style="text-align: justify;">Você afirma que os Estados Unidos apoiaram, hesitantes, a derrubada da ditadura no Egito, mas isso é parcialmente verdade. O que vimos foi um padrão muito tradicional de atitude. O ditador preferido torna-se cada vez mais difícil de apoiar. No fim, o exército volta-se contra ele. Nesses casos, e existem dezenas deles, existe um tipo de conduta que é seguido rotineiramente. Apoia-se o ditador e o regime tanto quanto possível. Quando isso se torna impossível – por exemplo, se o exército volta-se contra o ditador, como no Egito – então, os EUA mandam-no embora, declaram seu amor à democracia e tentam restabelecer tanto do regime antigo quanto possível. Foi basicamente o que aconteceu.</p>
<p style="text-align: justify;">O maior sucesso da Primavera Árabe é, até agora, a Tunísia. Os franceses apoiaram a ditadura, mesmo quando o levante popular era maciço. Continuaram a apoiá-la, até que finalmente se afastaram. Tem havido uma real participação popular na Tunísia, que muda muito as coisas. Há vários problemas, mas houve progressos consideráveis. No Egito, que é o país mais importante e onde coisas muito animadoras aconteceram, houve vários retrocessos. Muito do antigo regime está de volta. Os grupos islâmicos que se organizaram sob a ditadura, em favelas urbanas e nas áreas rurais, agora têm uma grande estrutura organizacional, que lhes permite – particularmente à Irmandade Muçulmana – manter influência dominante em qualquer espaço político formal existente hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Os Estados Unidos podem viver com eles. A liderança da Irmandade Muçulmana é neoliberal. Ela basicamente aceita a estrutura das políticas globais estadunidenses. Os Estados Unidos não têm objeção ao domínio islâmico. A Arábia Saudita, que é um grande aliado, é o estado mais extremamente fundamentalista islâmico do mundo, e um dos mais opressivos. Os Estados Unidos não têm problemas com isso. Pode ser islâmico ou qualquer outra coisa, desde que aceite as estruturas do poder global dos Estados Unidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Não tenho tempo de ir de caso em caso, mas acho que, se você observar, irá concluir que todos os casos são essencialmente iguais neste padrão – os Estados Unidos e seus aliados temem um progresso democrático real, e tentam bloqueá-lo. Existe uma razão muito simples para tanto. Examine as pesquisas. Existem amplas sondagens de opinião pública, feitas pelos Estados Unidos e por organizações árabes confiáveis. Todas indicam que naquela região as sociedades veem, como maior ameaça, os Estados Unidos e Israel.</p>
<p style="text-align: justify;">Eles não gostam do Irã, bastante impopular. Isso vem da tensão entre persas e árabes. As tensões entre sunitas e xiitas também vêm de longa data. O Irã é impopular, mas poucos o veem como uma ameaça. Na última pesquisa, há algumas semanas, eram 5%. A oposição à política dos Estados Unidos é tão forte que a maioria – e em alguns países, a grande maioria – pensa que a região estaria melhor se o Irã tivesse armas nucleares. Eles não gostariam que houvesse armas nucleares lá, mas querem compensar o poder dos Estados Unidos e de Israel. Uma recente pesquisa do Gallup mostra que mais de 80% dos egípcios querem rejeitar a ajuda dos Estados Unidos, porque se opõem ao país e têm medo de ameaças.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas não são posturas que os Estados Unidos e seus aliados desejam, obviamente. Se você tem uma democracia que funciona, a opinião pública influencia a política. Por isso, Washington se opõe à democracia. Você não lê isso na mídia e nos jornais. Fala-se sobre nosso amor à democracia e sobre nossa suposta inconsistência: por que aqui sim, e lá não? Na verdade, há muito pouca inconsistência. Aliás, isso é confirmado pelos estudiosos mais sérios, que reconhecem, meio que lastimosamente, o apoio dos Estados Unidos à democracia, apenas como estratégia e por objetivos econômicos. É verdade na América Latina, é verdade no Oriente Médio, é verdade em qualquer lugar. É verdade aqui em casa, também. É completamente inteligível, não deveríamos alimentar ilusões sobre isso. Pode não ser o que as pessoas nos Estados Unidos querem, mas aqui, e em outros países, há, entre a opinião pública e as políticas um grande hiato, um sinal de não funcionamento da democracia. É, aliás, uma das razões para o enorme um antagonismo da população para com o Congresso. A aprovação do Congresso está na casa em um dígito. Acho que nunca foi menor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Numa pesquisa recente, 11%.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Chomsky: </strong>É praticamente invisível. O mesmo é verdade em relação a instituições que atuam no exterior. Grandes corporações, bancos, ciência, várias coisas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Apenas o exército ainda aparece bem, em termos de confiança das pessoas nas instituições. Elas ainda confiam no exército.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Chomsky: </strong>Você tem razão. Nada disso é saudável – na verdade, tudo é muito perigoso. Reflete basicamente o desgaste do funcionamento da democracia, que vem de muito tempo. O fato de as eleições serem essencialmente compradas tornou-se tão evidente que é difícil de esquecer.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Falando sobre tendências internacionais, o que você acha da crescente visão de que os Estados Unidos são um império em declínio? De um lado, certamente parece que nosso chamado <em>soft-power</em> está diminuindo, mas é preciso contrastar isso com nosso crescente domínio militar na era pós-Guerra Fria e especialmente em seguida ao 11 de Setembro. Estamos realmente em declínio?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Chomsky:</strong> Sim, estamos. Os Estados Unidos estão em declínio desde 1945. No final da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos estavam em uma posição de poder fenomenal. Tinham metade da riqueza do mundo. Tinham segurança total. Controlavam o hemisfério ocidental. Controlavam os dois oceanos e as margens opostas dos dois oceanos. Tinham objetivos muito ambiciosos de controlar a maior parte do mundo e assegurar que não houvesse objeções a esse domínio. Isso era muito explícito e amplamente implantado. O país entrou em declínio muito rápido.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1949, houve um grande evento, que é chamado aqui de a “perda” da China. Significa que o país tornou-se independente. Isso é uma enorme fonte de controvérsias e conflitos nos Estados Unidos desde então – as pessoas perguntam quem é responsável pela “perda” da China… Logo depois disso, começaram a se preocupar com a “perda” da Indochina, que espalhou a preocupação de que haveria a “perda” do sudeste asiático. O conceito de “perda” é interessante. É uma pretensão tácita de que são basicamente… nossos.</p>
<p style="text-align: justify;">A situação se desfez ao longo dos anos. Em 1970, o percentual da riqueza mundial nos Estados Unidos era aproximadamente 25% – o que ainda é colossal, mas não é 50%. O mundo já estava se tornando mais diverso. Na última década, a América do Sul adquiriu substancial independência. Vimos isso recentemente na Conferência de Cartagena, na Colômbia. Os EUA mantiveram-se em posição isolada em todos os grandes temas: drogas, Cuba e outros. É um sinal de significativa perda de poder e influência. Agora, ocorre no Oriente Médio. É outra razão pela qual os Estados Unidos e seus aliados estão tão preocupados com a ameaça da democracia e da independência. .</p>
<p style="text-align: justify;">Você tem razão ao dizer que o poder militar não declinou. Na verdade, pode ter se ampliado, em comparação com o resto do mundo. Os Estados Unidos são responsáveis por quase metade dos gastos militares do mundo. O único país com centenas de bases e com a habilidade de se projetar em qualquer lugar. Novas tecnologias de destruição e assassinato – <em>drones</em>, por exemplo. Estão muito à frente do resto do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Você também citou o chamado soft-power. Isso é importante. A capacidade de influência continuou a cair, como tem acontecido desde 1945. Uma forma de ver isso são os vetos na ONU. Até meados da década de 1960, o mundo estava tão sob controle que os Estados Unidos não vetaram nenhuma resolução no Conselho de Segurança. Desde então os Estados Unidos são o líder em vetar resoluções. A Inglaterra, um estado-cliente dos EUA, fica em segundo. Nenhum outro país chega perto. Esse é um reflexo do declínio de capacidade e poder, o que significa a habilidade de influenciar e controlar.</p>
<p style="text-align: justify;">Parte desse declínio é auto-infligida. O que o Economic Policy Institute chama de “fracasso projetado” enfraqueceu significantemente os Estados Unidos, e irá continuar – a não ser que aconteçam grandes mudanças. Mudanças que beneficiariam a população aqui e no mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Há uma espécie de conclusão comum deste raciocínio que supõe uma futura hegemonia chinesa. Deveríamos ser cautelosos quanto a isso. O crescimento chinês tem sido espetacular, mas a China ainda é um país muito pobre – incomparavelmente mais pobre que os Estados Unidos. A China cresceu como um enorme centro industrial, mas principalmente para montagem. É principalmente uma plataforma de montagem para países de indústria sofisticada e multinacionais ocidentais como a Apple ou outras. Isso irá mudar com o tempo, mas é um percurso longo. A China enfrenta problemas reais: ecológicos, demográficos e muitos outros. É um desenvolvimento significativo, mas acredito que deveríamos olhá-lo com algum ceticismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, esses processos estão sem dúvida ocorrendo. Eles são parcialmente projetados. Um setor da sociedade está incrivelmente bem – em especial, o ligado ao capital financeiro. Para o público em geral, a história é diferente. É por isso que você vê revoltas em toda a parte.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.outraspalavras.net/2012/04/27/noam-chomsky-escreve-%E2%80%93-e-fala-%E2%80%93-sobre-occupy/</p>
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		<title>Indígenas reivindicam papel pela democracia nas Américas</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Apr 2012 13:52:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo Ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[direitos indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[povos indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[território]]></category>

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<!-- AddThis Button END -->Líderes indígenas de 14 países do continente americano reivindicaram nesta quarta-feira, no Fórum Social prévio à 6ª Cúpula das Américas, seu papel de atores sociais e políticos para deixar de ser o &#8220;folclore&#8221; das democracias continentais. Os 150 representantes dos povos indígenas iniciaram seu dia em Cartagena das Indias com uma homenagem à folha de [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;">Líderes indígenas de 14 países do continente americano reivindicaram nesta quarta-feira, no Fórum Social prévio à 6ª Cúpula das Américas, seu papel de atores sociais e políticos para deixar de ser o &#8220;folclore&#8221; das democracias continentais.</p>
<p style="text-align: justify;">Os 150 representantes dos povos indígenas iniciaram seu dia em Cartagena das Indias com uma homenagem à folha de coca como símbolo sagrado &#8220;de vida e não de morte&#8221; e um ritual de agradecimento à Mãe Terra.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, imediatamente depois, passaram a exercer seu papel social e político em uma série de debates nos quais anteciparam sua mensagem para a Organização dos Estados Americanos (OEA) e para os chefes de Estado de 33 países que se reunirão neste final de semana na cidade colombiana.</p>
<p style="text-align: justify;">O peruano Miguel Palacín, líder da Coordenadora Andina de Organizações Indígenas (CAOI), expôs em entrevista coletiva seu desejo de que a cúpula traga a inclusão dos povos nas sociedades, não só &#8220;para ser o folclore das democracias, mas para garantir uma participativa ação em sua formação&#8221;.<span id="more-49490"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O caminho para isso é, segundo o presidente da Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC), Luis Evelis Andrade, que se abram espaços reais para o diálogo com os países e que se aprove urgentemente a Declaração Americana dos Direitos Indígenas, na qual a OEA trabalha há mais de seis anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse documento, como sustentou Andrade durante um encontro com o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, &#8220;não pode estar abaixo do padrão de uma declaração similar das Nações Unidas&#8221; aprovada em 2007.</p>
<p style="text-align: justify;">Insulza lamentou a demora na aprovação do texto que, segundo assegurou, ganha complexidade e dimensões com o tempo, até o ponto de estar projetado como um tratado.</p>
<p style="text-align: justify;">Todas estas reivindicações fazem parte do documento de conclusões &#8220;Tecendo alianças pela defesa da Mãe Terra&#8221;, que os índios apresentarão na sexta-feira e no qual fazem várias recomendações aos países a respeito dos cinco eixos temáticos oficiais da cúpula.</p>
<p style="text-align: justify;">São estes a segurança, a luta contra a pobreza, a prevenção e resposta a desastres naturais, o fomento do uso e acesso à tecnologia e a integração física mediante monumentais obras de infraestrutura no continente.</p>
<p style="text-align: justify;">É este último ponto o que mais preocupa os povos aborígines, na medida em que está associado com a extração de recursos naturais localizados em seus territórios.</p>
<p style="text-align: justify;">Por esse motivo, Palacín pediu aos governos que se comprometam com os diferentes tratados internacionais que assinaram para que não executem megaprojetos &#8220;se não são plenamente consultados&#8221; com os povos locais.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, a voz dos indígenas não só observa os temas oficiais, mas também põe o foco em um dos assuntos que tratarão de forma informal os chanceleres e os chefes de Estado, que é a discussão sobre novas estratégias de luta contra o narcotráfico, alternativas a um modelo que se considera fracassado.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Nós estamos de acordo com que se debata e se busquem mecanismos mais efetivos&#8221;, disse Andrade, antes de pedir &#8220;o compromisso dos governos para não satanizar a folha de coca&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Precisamente foi Andrade o encarregado de entregar à chanceler da Colômbia, María Ángela Holguín, um maço de folha de coca, após esclarecer que lhe oferecia &#8220;uma folha sagrada que deve contribuir ao desenvolvimento e não às violações&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Também os representantes de organizações civis reunidos hoje no marco do Fórum Social se referiram a este debate, mas foram além, ao sugerir descriminalizar a posse e o consumo pessoal de maconha, e que o uso de qualquer tipo de droga seja tratado como um assunto de saúde pública e não penal.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora esteja previsto que as atuais políticas antidrogas sejam debatidas pelos líderes na cúpula, Insulza já adiantou que não cabe esperar que haja conclusões nem acordos, dado que o debate terá um caráter informal.</p>
<p style="text-align: justify;">http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5714275-EI294,00.html</p>
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		<title>Um texto de Saramago sobre a Justiça, para o FSM 2010, que continua cada vez mais atual</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Apr 2012 11:02:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[crítica ao capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[democratização da Justiça]]></category>

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<!-- AddThis Button END -->Este belíssimo texto foi postado por Antônio Martins, no Outras Palavras, em 2010. Agradecemos a José Carlos pela sua recuperação e envio. TP. Começarei por vos contar em brevíssimas palavras um facto notável da vida camponesa ocorrido numa aldeia dos arredores de Florença há mais de quatrocentos anos. Permito-me pedir toda a vossa atenção para [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><span style="color: #b90404;">Este belíssimo texto foi postado por Antônio Martins, no Outras Palavras, em 2010. Agradecemos a José Carlos pela sua recuperação e envio. TP.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Começarei por vos contar em brevíssimas palavras um facto notável da vida camponesa ocorrido numa aldeia dos arredores de Florença há mais de quatrocentos anos. Permito-me pedir toda a vossa atenção para este importante acontecimento histórico porque, ao contrário do que é corrente, a lição moral extraível do episódio não terá de esperar o fim do relato, saltar-vos-á ao rosto não tarda.</p>
<p style="text-align: justify;">Estavam os habitantes nas suas casas ou a trabalhar nos cultivos, entregue cada um aos seus afazeres e cuidados, quando de súbito se ouviu soar o sino da igreja. Naqueles piedosos tempos (estamos a falar de algo sucedido no século XVI), os sinos tocavam várias vezes ao longo do dia, e por esse lado não deveria haver motivo de estranheza, porém aquele sino dobrava melancolicamente a finados, e isso, sim, era surpreendente, uma vez que não constava que alguém da aldeia se encontrasse em vias de passamento. Saíram portanto as mulheres à rua, juntaram-se as crianças, deixaram os homens as lavouras e os mesteres, e em pouco tempo estavam todos reunidos no adro da igreja, à espera de que lhes dissessem a quem deveriam chorar. O sino ainda tocou por alguns minutos mais, finalmente calou-se. Instantes depois a porta abria-se e um camponês aparecia no limiar.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, não sendo este o homem encarregado de tocar habitualmente o sino, compreende-se que os vizinhos lhe tenham perguntado onde se encontrava o sineiro e quem era o morto. “O sineiro não está aqui, eu é que toquei o sino”, foi a resposta do camponês. “Mas então não morreu ninguém?”, tornaram os vizinhos, e o camponês respondeu: “Ninguém que tivesse nome e figura de gente, toquei a finados pela Justiça, porque a Justiça está morta”.<span id="more-48537"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Que acontecera? Acontecera que o ganancioso senhor do lugar (algum conde ou marquês sem escrúpulos) andava desde há tempos a mudar de sítio os marcos das extremas das suas terras, metendo-os para dentro da pequena parcela do camponês, mais e mais reduzida a cada avançada. O lesado tinha começado por protestar e reclamar, depois implorou compaixão, e finalmente resolveu queixar-se às autoridades e acolher-se à protecção da justiça. Tudo sem resultado, a espoliação continuou. Então, desesperado, decidiu anunciar <em>urbi et orbi</em> (uma aldeia tem o exacto tamanho do mundo para quem sempre nela viveu) a morte da Justiça.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez pensasse que o seu gesto de exaltada indignação lograria comover e pôr a tocar todos os sinos do universo, sem diferença de raças, credos e costumes, que todos eles, sem excepção, o acompanhariam no dobre a finados pela morte da Justiça, e não se calariam até que ela fosse ressuscitada. Um clamor tal, voando de casa em casa, de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, saltando por cima das fronteiras, lançando pontes sonoras sobre os rios e os mares, por força haveria de acordar o mundo adormecido… Não sei o que sucedeu depois, não sei se o braço popular foi ajudar o camponês a repor as extremas nos seus sítios, ou se os vizinhos, uma vez que a Justiça havia sido declarada defunta, regressaram resignados, de cabeça baixa e alma sucumbida, à triste vida de todos os dias. É bem certo que a História nunca nos conta tudo…</p>
<h3 style="text-align: justify;">Esses sinos novos são os múltiplos movimentos de resistência e acção social que pugnam por uma nova justiça distributiva e comutativa</h3>
<p style="text-align: justify;">Suponho ter sido esta a única vez que, em qualquer parte do mundo, um sino, uma campânula de bronze inerte, depois de tanto haver dobrado pela morte de seres humanos, chorou a morte da Justiça. Nunca mais tornou a ouvir-se aquele fúnebre dobre da aldeia de Florença, mas a Justiça continuou e continua a morrer todos os dias. Agora mesmo, neste instante em que vos falo, longe ou aqui ao lado, à porta da nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira quotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exacto e rigoroso sinónimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo. Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida, sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação espontânea da própria sociedade em acção, uma justiça em que se manifestasse, como um iniludível imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas os sinos, felizmente, não tocavam apenas para planger aqueles que morriam. Tocavam também para assinalar as horas do dia e da noite, para chamar à festa ou à devoção dos crentes, e houve um tempo, não tão distante assim, em que o seu toque a rebate era o que convocava o povo para acudir às catástrofes, às cheias e aos incêndios, aos desastres, a qualquer perigo que ameaçasse a comunidade. Hoje, o papel social dos sinos encontra-se limitado ao cumprimento das obrigações rituais e o gesto iluminado do camponês de Florença seria visto como obra desatinada de um louco ou, pior ainda, como simples caso de polícia.</p>
<p style="text-align: justify;">Outros e diferentes são os sinos que hoje defendem e afirmam a possibilidade, enfim, da implantação no mundo daquela justiça companheira dos homens, daquela justiça que é condição da felicidade do espírito e até, por mais surpreendente que possa parecer-nos, condição do próprio alimento do corpo. Houvesse essa justiça, e nem um só ser humano mais morreria de fome ou de tantas doenças que são curáveis para uns, mas não para outros. Houvesse essa justiça, e a existência não seria, para mais de metade da humanidade, a condenação terrível que objectivamente tem sido. Esses sinos novos cuja voz se vem espalhando, cada vez mais forte, por todo o mundo são os múltiplos movimentos de resistência e acção social que pugnam pelo estabelecimento de uma nova justiça distributiva e comutativa que todos os seres humanos possam chegar a reconhecer como intrinsecamente sua, uma justiça protectora da liberdade e do direito, não de nenhuma das suas negações.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho dito que para essa justiça dispomos já de um código de aplicação prática ao alcance de qualquer compreensão, e que esse código se encontra consignado desde há cinquenta anos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aqueles trinta direitos básicos e essenciais de que hoje só vagamente se fala, quando não sistematicamente se silencia, mais desprezados e conspurcados nestes dias do que o foram, há quatrocentos anos, a propriedade e a liberdade do camponês de Florença. E também tenho dito que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, tal qual se encontra redigida, e sem necessidade de lhe alterar sequer uma vírgula, poderia substituir com vantagem, no que respeita a rectidão de princípios e clareza de objectivos, os programas de todos os partidos políticos do orbe, nomeadamente os da denominada esquerda, anquilosados em fórmulas caducas, alheios ou impotentes para enfrentar as realidades brutais do mundo actual, fechando os olhos às já evidentes e temíveis ameaças que o futuro está a preparar contra aquela dignidade racional e sensível que imaginávamos ser a suprema aspiração dos seres humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Acrescentarei que as mesmas razões que me levam a referir-me nestes termos aos partidos políticos em geral, as aplico por igual aos sindicatos locais, e, em consequência, ao movimento sindical internacional no seu conjunto. De um modo consciente ou inconsciente, o dócil e burocratizado sindicalismo que hoje nos resta é, em grande parte, responsável pelo adormecimento social decorrente do processo de globalização económica em curso. Não me alegra dizê-lo, mas não poderia calá-lo. E, ainda, se me autorizam a acrescentar algo da minha lavra particular às fábulas de La Fontaine, então direi que, se não interviermos a tempo, isto é, já, o rato dos direitos humanos acabará por ser implacavelmente devorado pelo gato da globalização económica.</p>
<h3 style="text-align: justify;">Continuamos a falar de democracia como se se tratasse de algo vivo, quando dela pouco mais nos resta que um conjunto de formas ritualizadas, os inócuos passes e os gestos de uma espécie de missa laica</h3>
<p style="text-align: justify;">E a democracia, esse milenário invento de uns atenienses ingénuos para quem ela significaria, nas circunstâncias sociais e políticas específicas do tempo, e segundo a expressão consagrada, um governo do povo, pelo povo e para o povo? Ouço muitas vezes argumentar a pessoas sinceras, de boa fé comprovada, e a outras que essa aparência de benignidade têm interesse em simular, que, sendo embora uma evidência indesmentível o estado de catástrofe em que se encontra a maior parte do planeta, será precisamente no quadro de um sistema democrático geral que mais probabilidades teremos de chegar à consecução plena ou ao menos satisfatória dos direitos humanos. Nada mais certo, sob condição de que fosse efectivamente democrático o sistema de governo e de gestão da sociedade a que actualmente vimos chamando democracia. E não o é. É verdade que podemos votar, é verdade que podemos, por delegação da partícula de soberania que se nos reconhece como cidadãos eleitores e normalmente por via partidária, escolher os nossos representantes no parlamento, é verdade, enfim, que da relevância numérica de tais representações e das combinações políticas que a necessidade de uma maioria vier a impor sempre resultará um governo.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isto é verdade, mas é igualmente verdade que a possibilidade de acção democrática começa e acaba aí. O eleitor poderá tirar do poder um governo que não lhe agrade e pôr outro no seu lugar, mas o seu voto não teve, não tem, nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a única e real força que governa o mundo, e portanto o seu país e a sua pessoa: refiro-me, obviamente, ao poder económico, em particular à parte dele, sempre em aumento, gerida pelas empresas multinacionais de acordo com estratégias de domínio que nada têm que ver com aquele bem comum a que, por definição, a democracia aspira. Todos sabemos que é assim, e contudo, por uma espécie de automatismo verbal e mental que não nos deixa ver a nudez crua dos factos, continuamos a falar de democracia como se se tratasse de algo vivo e actuante, quando dela pouco mais nos resta que um conjunto de formas ritualizadas, os inócuos passes e os gestos de uma espécie de missa laica.</p>
<p style="text-align: justify;">E não nos apercebemos, como se para isso não bastasse ter olhos, de que os nossos governos, esses que para o bem ou para o mal elegemos e de que somos portanto os primeiros responsáveis, se vão tornando cada vez mais em meros “comissários políticos” do poder económico, com a objectiva missão de produzirem as leis que a esse poder convierem, para depois, envolvidas no açúcares da publicidade oficial e particular interessada, serem introduzidas no mercado social sem suscitar demasiados protestos, salvo certas conhecidas minorias eternamente descontentes…</p>
<p style="text-align: justify;">Que fazer? Da literatura à ecologia, da fuga das galáxias ao efeito de estufa, do tratamento do lixo às congestões do tráfego, tudo se discute neste nosso mundo. Mas o sistema democrático, como se de um dado definitivamente adquirido se tratasse, intocável por natureza até à consumação dos séculos, esse não se discute. Ora, se não estou em erro, se não sou incapaz de somar dois e dois, então, entre tantas outras discussões necessárias ou indispensáveis, é urgente, antes que se nos torne demasiado tarde, promover um debate mundial sobre a democracia e as causas da sua decadência, sobre a intervenção dos cidadãos na vida política e social, sobre as relações entre os Estados e o poder económico e financeiro mundial, sobre aquilo que afirma e aquilo que nega a democracia, sobre o direito à felicidade e a uma existência digna, sobre as misérias e as esperanças da humanidade, ou, falando com menos retórica, dos simples seres humanos que a compõem, um por um e todos juntos. Não há pior engano do que o daquele que a si mesmo se engana. E assim é que estamos vivendo.</p>
<p style="text-align: justify;">Não tenho mais que dizer. Ou sim, apenas uma palavra para pedir um instante de silêncio. O camponês de Florença acaba de subir uma vez mais à torre da igreja, o sino vai tocar. Ouçamo-lo, por favor.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.outraspalavras.net/2010/06/21/de-jose-saramago-para-o-forum-social-mundial/</p>
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		<title>Anistia não é amnésia</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2012/04/anistia-nao-e-amnesia/</link>
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		<pubDate>Wed, 04 Apr 2012 10:37:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direito ao Conhecimento]]></category>
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<!-- AddThis Button END -->&#8220;Se jogar luz no buraco cria problemas para alguns, aumentam as razões para empreender tal tarefa&#8221; Cândido Grzybowski, Diretor do Ibase e sociólogo É imanente ao viver humano entrelaçar o presente com o futuro e o seu passado. A aventura e a plenitude do viver é um processo experimentado no cotidiano, renovado a cada dia. [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><em>&#8220;Se jogar luz no buraco cria problemas para alguns, aumentam as razões para empreender tal tarefa&#8221;</em></p>
<p style="text-align: justify;">Cândido Grzybowski, Diretor do Ibase e sociólogo</p>
<p style="text-align: justify;">É imanente ao viver humano entrelaçar o presente com o futuro e o seu passado. A aventura e a plenitude do viver é um processo experimentado no cotidiano, renovado a cada dia. Seu caldo temperado mistura o presente, desde tarefas repetidas diariamente até desafios inesperados, com o futuro desejado e possível, bem como com o passado vivido e pensado. Alegrias e dores, lembranças boas e ruins, todas se misturam com sonhos e desejos de um futuro diferente. E nesse turbilhão pensamos, analisamos, criamos significações, adotamos princípios e valores éticos, nos relacionamos e agimos, aqui e agora. Como destino e experiência coletiva, mas extremamente diversos, em termos de territórios, condições, funções e posições, transformamos isso tudo em contraditórias lutas sociais, que se exprimem tanto em processos e estruturas sociais, como em teorias e pensamentos em permanente disputa política.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta introdução me parece indispensável para ressaltar o quanto é bem-vindo para a democratização do Brasil o atual debate político sobre a Anistia, de 1979. Por mais contradições latentes que desperte, devemos enfrentá-lo coletivamente, pois está em jogo uma espécie de concertação sobre a nossa história passada, para que possamos sonhar com outro futuro desejável para nossos filhos e netos e pensar o que devemos fazer no presente para torná-lo possível. Diferenças e contradições profundas que nos separaram e ainda dividem não devem impedir tal busca da apropriação da história como expressão do que fizemos junto e da responsabilidade de cada lado.<span id="more-48534"></span><br />
A verdade elementar e imanente para humanos é que sem memória do passado não há futuro possível. Resgatemos nossa memória! A democracia precisa disso. É inaceitável, como pensam certos setores, que anistia é igual a amnésia. Anistia é perdão político generoso em vista de um bem comum maior a alcançar coletivamente. Não é esquecimento e, menos ainda, perdão do que não pode ser perdoado porque eticamente injustificável, como a tortura e a morte, em qualquer circunstância. Não basta a lei política que perdoa, como nossa Lei da Anistia. Leis assim sempre são bem-vindas e necessárias. Mas tais leis são insuficientes para esquecer o passado, para extrair dele forças para a transformação do presente e para pensar o futuro. Para uma verdadeira anistia, os sujeitos sociais envolvidos precisam anistiar, simplesmente falando perdoar, e ter capacidade de recomeçar, ou seja, de usar seu passado como força pessoal e coletiva para um futuro diferente. Não é o que está acontecendo. Por quê?</p>
<p style="text-align: justify;">Não se trata simplesmente de buscar a verdade e estabelecer uma memória do passado da ditadura, da luta contra ela e da repressão a ela, e então enterrar tudo, para sempre. A memória é importante, pois é a nossa história, história coletiva, dos que usurparam o poder e estabeleceram uma ditadura, dos que a apoiaram, dos que a ela se opuseram e contra ela lutaram. Muitos até morreram nesse confronto, muitos mais viveram na clandestinidade política ou se refugiaram em outros países. Enfim, muito mais gente do que se sabe até aqui sofreu nesse período obscuro de nossa história comum. Estamos falando de um momento trágico recente. Mais do que isso, estamos refletindo como tratar tal tragédia, que a todos e todas concerne, para imaginar e definir estratégias de construção de um outro futuro.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos um buraco obscuro que dificulta pensar o futuro. Se botar luz em tal buraco cria problemas políticos para alguns, aumentam as razões para empreender tal tarefa. Afinal, a democracia como método de construção radical, em vistas do possível em termos de justiça social, ambiental e participação cidadã, só funciona se os fundamentais conflitos constituintes de qualquer sociedade, todos os conflitos, vierem à luz e se tornarem, eles mesmos, a agenda democrática a ser tratada. Os conflitos sociais constroem democracias e sociedades justas, desde que princípios como transparência, verdade e memória não atropelem os princípios fundamentais da liberdade, igualdade, diversidade, solidariedade e participação. A discordância sobre a ditadura militar em si, seus atos e agentes, pode ajudar-nos, se formos a fundo, e transformar esse nosso enigma – afinal, muitos apoiaram a ditadura e lhe deram legitimidade – em uma nova base para o futuro, não repetindo os autoritarismos do passado.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, a democracia brasileira, exige um profundo repensar do passado para imaginar o futuro. A Lei da Anistia é um parâmetro legal polêmico, fixado 33 anos atrás. Ela condiciona a busca da verdade e da memória, ou, ao menos, reconheçamos, constrange a busca. Só que para que o perdão – a dimensão fundamental da anistia política – transforme e supere o passado, é fundamental o resgate da memória. Afinal, o que pode ser perdoado e devemos perdoar? Isso implica em perguntar: afinal, o que não podemos e não devemos perdoar? Sem essas respostas, não temos como avançar na democratização e superar nosso trágico passado.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.ibase.br/pt/2012/04/anistia-nao-e-amnesia/</p>
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		<title>Kabengele Munanga: vida e ideias de um pensador anti-racista</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2012/03/kabengele-munanga-vida-e-ideias-de-um-pensador-anti-racista/</link>
		<comments>http://racismoambiental.net.br/2012/03/kabengele-munanga-vida-e-ideias-de-um-pensador-anti-racista/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 Mar 2012 20:20:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[concepção de mundo]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[discriminação]]></category>
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<!-- AddThis Button END -->Numa entrevista em vídeo, antropólogo e professor congolês fala de sua longa atuação no Brasil, e sua caminhada como pesquisador e militante por um país livre do racismo Por Jean Mello Acadêmico, antropólogo, professor titular da Universidade de São Paulo, Kabengele não nega suas origens. Fala do complexo com simplicidade. Raramente o ouvi mencionar os doutores que orientou, [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><em>Numa entrevista em vídeo, antropólogo e professor congolês fala de sua longa atuação no Brasil, e sua caminhada como pesquisador e militante por um país livre do racismo</em></p>
<p style="text-align: justify;">Por <strong>Jean Mello</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Acadêmico, antropólogo, professor titular da <em>Universidade de São Paulo</em>, Kabengele não nega suas origens. Fala do complexo com simplicidade. Raramente o ouvi mencionar os doutores que orientou, os títulos internacionais que abundam em seu currículo ou a importância de sua presença e contribuição ao movimento negro.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das entrevistas mais completas quanto ao pensamento e história de <em>Kabengele Munanga</em> &#8211; especialista em Antropologia Africana e primeiro antropólogo a ser formado na Universidade Oficial do Congo –  é a que anuncia que o racismo brasileiro é um crime perfeito.<em><span id="more-47957"></span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2012/03/kabengele-munanga.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-47961" title="kabengele munanga" src="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2012/03/kabengele-munanga.jpg" alt="" width="260" height="211" /></a>Nela, revelam-se detalhes da atuação do professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, junto aos movimentos negros. Também escancaram-se as estruturas que sustentam o preconceito silencioso brasileiro. Além de trazer a tona sua vida enquanto cientista social, Kabengele relata episódios de preconceito consigo e com seus filhos, num país que até pouco tempo atrás anunciava ao mundo harmonia entre as diferentes pessoas de cores de pele distintas.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos episódios de polêmica mais ácida em sua carreira foi o debate que travou, em 2009, com o geógrafo Demétrio Magnoli. Este o acusou, num artigo intitulado <a href="http://www.robertafragosokaufmann.com/2009/10/o-embate-demetrio-magnoli-x-kabengele.html">Monstros Tristonhos</a>, de ser um dos líderes do projeto de racialização do Brasil. Além disso, sustentou que duas universidades federais — as de Santa Maria e São Carlos, haviam criado tribunais raciais e cancelado as matrículas de jovens mestiços.</p>
<p style="text-align: justify;">Na <a href="http://www.geledes.org.br/em-debate/colunistas/1517-kabengele-munanga-responde-a-demetrio-magnoli" target="_blank">réplica</a>, Kabengele apresenta-se como alguém que milita intelectualmente para que outros negros, índios e brancos pobres tenham as mesmas oportunidades que ele. O texto foi reproduzido por<em> </em>uma infinidade de sites alternativos. Nele, o antropólogo sustenta que “um dos maiores problemas da nossa sociedade é o racismo, que, desde o fim do século passado, é construído com base em essencializações sócio-culturais e históricas, e não mais necessariamente com base na variante biológica ou na raça”. Considera, ainda que “não se luta contra o racismo apenas com retórica e leis repressivas, não somente com políticas macrossociais ou universalistas, mas também, e, sobretudo, com políticas focadas ou específicas em benefício das vítimas do racismo numa sociedade onde este é ainda vivo”. O debate reacendeu a polêmica em torno das cotas raciais.</p>
<p style="text-align: justify;">No vídeo anterior e em sua continuação, a seguir, está recente entrevista cedida ao programa <em>Trajetória</em>, da TV USP, que procura tornar público o pensamento de professores e pesquisadores da instituição, fazendo um paralelo entre vida acadêmica e pessoal.</p>
<p style="text-align: justify;">Kabengele não nasceu no Brasil. Porém, conhecer seu pensamento e o que viveu no continente africano é valioso para enxergar melhor a complexidade e particularidades da sociedade brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;"><object width="480" height="360"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/aNNx4Qrynp4?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="360" src="http://www.youtube.com/v/aNNx4Qrynp4?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/2012/03/29/kabengele-munanga-trajetoria-tv-usp/</p>
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		<title>RJ &#8211; Convocação para o Ato contra a Comemoração do Golpe de 64 &#8211; 29/03/2012</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2012/03/rj-convocacao-para-o-ato-contra-a-comemoracao-do-golpe-de-64-29032012/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Mar 2012 20:56:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da Verdade]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Direito à luta]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>

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<!-- AddThis Button END -->O Cineasta Silvio Tendler convoca a população para o ato: Dia 29/03/2012 (quinta feira) Local: Em frente ao Clube Militar, na Cinelândia. Av. Rio Branco, 251 &#8211; Rio de Janeiro]]></description>
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<p>O Cineasta Silvio Tendler convoca a população para o ato:</p>
<p>Dia 29/03/2012 (quinta feira)<br />
Local: Em frente ao Clube Militar, na Cinelândia.<br />
Av. Rio Branco, 251 &#8211; Rio de Janeiro</p>
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		<title>General Comandante Militar do Sudeste assegura: ditadura militar, nunca mais</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2012/03/general-assegura-ditadura-militar-nunca-mais/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Mar 2012 14:17:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da Verdade]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[Forças Armadas]]></category>
		<category><![CDATA[TFP]]></category>

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<!-- AddThis Button END -->Por José Carlos Ruy Em palestra perante um auditório de extrema direita e de dirigentes da TFP, o comandante militar do Sudeste, general Adhemar da Costa Machado Filho afasta a possibilidade de intervenção militar para barrar o desenvolvimento democrático. Uma notícia de grande importância quase não foi notada no ultimo final de semana: o comandante [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2012/03/adhemar_da_costa_machado_filho.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-46972" title="adhemar_da_costa_machado_filho" src="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2012/03/adhemar_da_costa_machado_filho.jpg" alt="" width="201" height="140" /></a>Por José Carlos Ruy</p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>Em palestra perante um auditório de extrema direita e de dirigentes da TFP, o comandante militar do Sudeste, general Adhemar da Costa Machado Filho afasta a possibilidade de intervenção militar para barrar o desenvolvimento democrático.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma notícia de grande importância quase não foi notada no ultimo final de semana: o comandante militar do Sudeste, general Adhemar da Costa Machado Filho, assegurou em palestra perante a cúpula da TFP e de uma parte significativa da extrema direita brasileira que ditadura militar, “nunca mais”.</p>
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<p style="text-align: justify;">A palestra foi relatada em artigo do repórter Roldão Arruda em O Estado de S. Paulo (“Caserna longe da crise com o governo”, 17 de março), e a afirmação do general confirma o profissionalismo e o espírito cívico e constitucionalista que prevalece entre os oficiais das Forças Armadas, desautorizando as vozes saudosas da ditadura militar que se manifestam (em documentos assinados inclusive por oficiais acusados de tortura) contra a apuração dos crimes cometidos pela repressão durante os governos militares de 1964 a 1985.</p>
<p style="text-align: justify;">A palestra foi promovida em São Paulo pelo Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, que reúne uma parcela considerável da organização ultradireitista Tradição Família e Propriedade. Entre as 200 pessoas que ouviram o general estavam altos dirigentes daquela entidade reacionária, como o príncipe d. Bertrand de Orleans e Bragança (que se apresenta como herdeiro da monarquia brasileira), e o empresário Adolpho Lindenberg, presidente do instituto.<span id="more-46971"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A descontração do general contrastou com a tensão na plateia, diz a reportagem. É compreensível: enquanto aquele comandante enfatizou questões como o profissionalismo dos militares e a modernização das Forças Armadas, o objetivo de seus ouvintes conservadores era outro, claramente político. Como no passado, a extrema direita mantém a esperança de uma intervenção dos militares num quadro político em que a influência conservadora é declinante.</p>
<p style="text-align: justify;">A plateia direitista ouviu o que não quis. A frase do general foi provocada por um bilhete vindo da plateia, que dizia: &#8220;O que mais tenho ouvido é elogio ao período militar, em comparação com a situação atual. Urge uma intervenção. Caso contrário seguiremos nessa senda nefasta em direção à ditadura da qual nos livramos em 1964.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">A resposta jogou água fria nas esperanças golpistas insinuadas no bilhete, registrou a reportagem: O general juntou as mãos e, após breve silêncio, respondeu: &#8220;Dias atrás me perguntaram: &#8216;General, quando os senhores voltam?&#8217; Respondi: &#8216;Nunca mais. O Brasil mudou&#8217;.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">E enfatizou, para não deixar dúvida: as Forças Armadas são &#8220;um instrumento do Estado brasileiro a serviço do governo eleito democraticamente&#8221;. E foi além. Sem citar explicitamente a Comissão da Verdade, disse: &#8220;Nós olhamos para o futuro. Não olhamos pelo espelho retrovisor&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">As palavras do general Adhemar da Costa Machado Filho precisam ser registradas. Elas revelam uma inflexão política fundamental ocorrida nas últimas décadas, com o crescimento entre os militares da consciência democrática, legalista e profissionalista, e também da compreensão de que as Forças Armadas são instrumentos constitucionais para a afirmação da soberania nacional. &#8220;Somos o quinto país em extensão territorial e a sexta economia do mundo. Um país como esse precisa de Forças Armadas à altura da posição que ocupa&#8221;, disse ele, com razão.</p>
<p style="text-align: justify;">A experiência brasileira desde final da Segunda Guerra Mundial foi marcada pela intensa intervenção militar na política e pelo embate entre duas correntes militares. Uma, nacionalista e democrática, lutou pela soberania do país, pelo desenvolvimento econômico e pelo bem estar dos brasileiros. A outra, que unia fascistas, conservadores, autoritários e chefes militares alinhados com os EUA, acabou prevalecendo com o golpe militar de 1964. Sob seu comando a democracia foi eliminada, o desenvolvimento nacional autônomo foi abandonado e o alinhamento automático com os EUA comprometeu gravemente a soberania nacional. O general Castelo Branco, que inaugurou depois do golpe de 1º de abril de 1964 a série de generais presidentes foi explícito nessa afronta à soberania nacional em um discurso pronunciado no Itamarati, em 31 de julho de 1964, quando estava no comando da presidência da República: “no presente contexto de uma confrontação de poder bipolar, com radical divórcio político ideológico entre os dois respectivos centros, a preservação da independência pressupõe a aceitação de certo grau de interdependência, quer no campo militar, quer no econômico, quer no político”. Isto é, pregava abertamente o abandono da soberania nacional, afrontando abertamente a missão constitucional e histórica das Forças Armadas, que é justamente a defesa intransigente da soberania e da independência do país.</p>
<p style="text-align: justify;">A influência dos generais sobre o governo manteve-se até o final do mandato do presidente José Sarney que, particularmente durante o período da elaboração da Constituição de 1988, ficou sob a tutela do então ministro do Exército, o general Leônidas Pires Gonçalves. Um oficial conservador que, entre 1974 e 1977, foi chefe do Estado Mario do então I Exército (no Rio de Janeiro), ao qual o DOI-Codi carioca estava subordinado. Ele estava nessa função quando ocorreu, em São Paulo, em dezembro de 1976, o Massacre da Lapa, articulado por militares da repressão sediados no Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Com Fernando Collor de Mello, que sucedeu a Sarney na presidência da República, teve início o desmonte das Forças Armadas, dentro do projeto de desmonte do Estado Nacional e submissão do Brasil aos ditames das potências imperialistas. Esse projeto foi aprofundado durante os mandatos de Fernando Henrique Cardoso, sucateando as Forças Armadas brasileiras, chegando ao vexame de muitos quartéis e instalações militares não terem sequer como alimentar os recrutas, que passaram a ser liberados para fazer suas refeições em casa.</p>
<p style="text-align: justify;">Este foi o resultado nefasto da vitória da corrente antidemocrática que levou à ditadura militar, aos crimes cometidos pela repressão e, no limite &#8211; durante os governos civis neoliberais dirigidos pelas mesmas forças da direita que prevaleceram durante a ditadura militar &#8211; à ameaça de desmantelamento das Forças Armadas, abrindo mão deste instrumento fundamental para a defesa e afirmação da soberania do país.</p>
<p style="text-align: justify;">O profissionalismo e o sentimento democrático dos oficiais contemporâneos decorrem dessa dupla experiência: primeiro, do aprofundamento das conquistas democráticas no país (“o Brasil mudou”, disse o general) e do alinhamento dos novos oficiais a seus deveres legais e constitucionais. A outra experiência, de caráter corporativo, decorre da ameaça de desmonte enfrentada nos governos neoliberais.</p>
<p style="text-align: justify;">No passado, os políticos conservadores e golpistas que rodeavam os quartéis em busca da intervenção militar eram designados como “cassandras” ou “vivandeiras” &#8211; intrigueiros que buscavam o uso da força armada para objetivos particulares, invariavelmente ilegais ou inconstitucionais. Na última quinta-feira, as cassandras contemporâneas, ao fazerem apelo semelhante a um alto comandante do Exército, ouviram um sonoro não. Mais um sinal do declínio da direita fascista e golpista (que combina com o declínio eleitoral dos partidos conservadores, como o DEM, por exemplo), que aponta para a consolidação e fortalecimento institucionais no Brasil. Quem ganha com isso é a democracia.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.rededemocratica.org/index.php?option=com_k2&amp;view=item&amp;id=1542:general-assegura-ditadura-militar-%E2%80%9Cnunca-mais%E2%80%9D. Enviada por Rodrigo de Medeiros Silva.</p>
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		<title>Articulação de Comitês Populares exige da Câmara dos Deputados rejeição da “Lei da Copa”</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Mar 2012 11:25:44 +0000</pubDate>
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<!-- AddThis Button END -->A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa do Mundo e Olimpíadas enviou ontem carta aos deputados federais, manifestando-se pela rejeição do Projeto de Lei 2330, de 2001, que estabelece mudanças na legislação brasileira para acatar os desejos da FIFA, sem considerar as comunidades que serão afetadas e ferindo a própria Constituição. Leia abaixo. TP. [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><em>A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa do Mundo e Olimpíadas enviou ontem carta aos deputados federais, manifestando-se pela rejeição do Projeto de Lei 2330, de 2001, que estabelece mudanças na legislação brasileira para acatar os desejos da FIFA, sem considerar as comunidades que serão afetadas e ferindo a própria Constituição. Leia abaixo. TP.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;É com profundo sentimento de indignação que a sociedade brasileira, por meio dos Comitês Populares da Copa do Mundo e Olimpíadas, organizados nas 12 cidades-sede dos jogos, vem novamente manifestar-se contrária às atuais propostas de mudança de nossa legislação contidas no Projeto de Lei (PL) 2330/2011, a chamada Lei Geral da Copa, a qual encontra-se na iminência de ser votada no plenário desta Casa.</p>
<p style="text-align: justify;">Sinteticamente, tal iniciativa é o carro-chefe de uma plataforma de ameaças a direitos e garantias arduamente conquistados pelo povo brasileiro, tais como os direitos do consumidor, o direito ao trabalho e o direito de ir e vir. O PL 2330 ofende também o devido processo legal e fere o patrimônio público e cultural do país. Como amplamente denunciado, o projeto chega a prever a criação de novos crimes, apenas para garantir monopólio de mercado à FIFA.<span id="more-46913"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A nosso ver, toda a concepção da Lei Geral é em si mesma um grande equívoco, tanto do ponto de vista político como jurídico. Em primeiro lugar, <strong>ela é ilegítima</strong>, porque, baseada meramente em contratos estabelecidos entre o Brasil e uma entidade privada, tem pouco ou nada a ver com o atendimento do interesse público. O <strong>Caderno de Garantias e Responsabilidades,</strong> que tem servido como sua principal justificativa, foi entregue em 2007 à FIFA , sem qualquer respaldo, discussão ou conhecimento da população. Até hoje esses documentos de compromisso não encontram-se publicizados, não se tem  acesso a seu conteúdo integral e não se sabe afinal o que eles nos obrigam e nem a quem estamos &#8220;vinculados&#8221; por meio deles.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, <strong>esses compromissos são inválidos</strong>, uma vez que nem mesmo os membros do Poder Legislativo foram ouvidos, servindo agora de meros avalistas para um cheque-em-branco assinado há anos pelo governo, sem considerar suas conseqüências. Nossa Constituição Federal estabelece claramente, em seu art. 49, I, a competência exclusiva do Congresso Nacional para &#8220;resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional&#8221;. Não é outro o caso dos acordos entre Brasil e FIFA, especialmente diante de exigências como a responsabilidade objetiva da União Federal por &#8220;danos e prejuízos&#8221; causados durante os jogos prevista nos arts. 22 a 24 do PL 2330/2011. O Congresso Nacional, contudo, não foi convocado nem antes, nem após a assinatura desses contratos para apreciar seu conteúdo.</p>
<p style="text-align: justify;">Como se não bastasse, a Lei Geral da Copa, bem como demais projetos (PLs n. 394/2009 e n. 728/2011), <strong>são também inconstitucionais</strong>, na medida em que pretendem restringir, extinguir ou flexibilizar direitos já regulamentados infra-constitucionalmente. Essa tentativa afronta não apenas a soberania nacional e popular, mas também viola a vedação de retrocesso social, que impede a descaracterização dos avanços históricos em matéria de direitos fundamentais, outra das nefastas conseqüências do PL 2330/2011, caso seja aprovado.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse sentido, encaminhamos em anexo aos(às) senhores(as) nossa compreensão formulada em Nota Pública (<a title="Link permanente para Lei Geral da Copa: um “chute no traseiro” do povo brasileiro" rel="bookmark" href="http://racismoambiental.net.br/2012/03/lei-geral-da-copa-um-%e2%80%9cchute-no-traseiro%e2%80%9d-do-povo-brasileiro/">Lei Geral da Copa: um “chute no traseiro” do povo brasileiro</a>) sobre a gravidade da matéria disciplinada pelo projeto de Lei Geral da Copa, conclamando a todos(as) para sua responsabilidade diante do povo brasileiro e exigindo que o mesmo seja enfaticamente rejeitado por esta Casa, a qual, inclusive, foi recentemente objeto de desrespeitosas manifestações de agentes da FIFA. A sociedade brasileira, atenta e mobilizada, certamente saberá cobrar a seus representantes pela omissão e compactuação com interesses escusos e francamente anti-democráticos como esses.</p>
<p style="text-align: justify;">Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, 20 de março de 2012.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa do Mundo e Olimpíadas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Enviada por Thiago Hoshino.</p>
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		<title>Nota de Aton Fon Filho sobre o Boletim USP Destaques n.6</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Mar 2012 10:29:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[falácia]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
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<!-- AddThis Button END -->Tendo em vista a divulgação, pela Reitoria da Universidade de São Paulo, de informações falsas a respeito dos alunos vitimados com expulsão do corpo discente da USP em dezembro do ano passado, na condição de advogado da maioria deles, vejo-me do imperativo de esclarecer a manipulação da verdade perpetrada: O boletim “USP Destaques”, n. 56, [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;">Tendo em vista a divulgação, pela Reitoria da Universidade de São Paulo, de informações falsas a respeito dos alunos vitimados com expulsão do corpo discente da USP em dezembro do ano passado, na condição de advogado da maioria deles, vejo-me do imperativo de esclarecer a manipulação da verdade perpetrada:</p>
<p style="text-align: justify;">O boletim “USP <em>Destaques</em>”, n. 56, de 9 de março de 2012, editado pela Assessoria de Imprensa da Reitoria, em quadro destacado com o título “Sobre ações de alunos desligados por invasão do Bloco G da Coseas impetradas na Justiça”, lança mão de inverdades para tentar justificar a eliminação de alunos, afirmando diferentemente do que se tratou no processo administrativo instaurado contra eles.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora me abstenha aqui de tecer comentários sobre algumas dessas afirmações em virtude de já estarem sendo discutidas em juízo, com relação a uma delas, pela qual se busca inovar no campo fático, impõe-se repelir e demonstrar a artimanha empregada e a aleivosia que disso decorre.</p>
<p style="text-align: justify;">Afirma a Reitoria, por sua assessoria de imprensa, naquele citado boletim:<span id="more-46285"></span></p>
<p style="padding-left: 60px; text-align: justify;">“O processo administrativo disciplinar, concluído em dezembro do ano passado, <strong><em>não apurou simplesmente a ocupação, mas sim outras ações graves, como desaparecimento de prontuários com informações sigilosas da saúde e da família de alunos da Universidade e de crianças e adolescentes alunos da Escola de Aplicação, além de desaparecimento e danos de patrimônio público</em></strong>.”</p>
<p style="text-align: justify;">O processo administrativo a que faz referência o boletim USP Destaques n. 56 foi instaurado mediante a portaria GCC-06, de 26 de março de 2010, expedida pela Profa. Dra. Rosa Maria Godoy Serpa da Fonseca, Coordenadora de Assistência Social da Universidade de São Paulo, que dizia considerar:</p>
<p style="padding-left: 60px; text-align: justify;">“- <strong>a invasão e ocupação das dependências da Divisão de Promoção Social da Coordenadoria de Assistência Social</strong> (&#8230;), ocorrida no dia 18 de março de 2010, por volta das 1h15min. nos termos do Boletim de Ocorrência n. 861/2010, do 93º Distrito Policial;”</p>
<p style="text-align: justify;">Vê-se, portanto, que não tem nenhuma compatibilidade com a verdade a afirmação da Reitoria de que outros fatos, igualmente mendazes, tivessem sido atribuídos aos alunos submetidos à perseguição administrativa, e que tivessem sido objetos de apuração.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo porque o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado de São Paulo, em que se buscou o procedimento adotado pela Comissão Processante, dispõe, no artigo 277, que processo administrativo será instaurado por portaria, e que,</p>
<p style="padding-left: 60px; text-align: justify;">§ 1º &#8211; Da portaria deverão constar o nome e a identificação do acusado, <strong>a infração que lhe é atribuída, com descrição sucinta dos fatos</strong>, a indicação das normas infringidas e a penalidade mais elevada em tese cabível.</p>
<p style="text-align: justify;">Tendo, portanto, a Portaria inicial do processo administrativo limitado a acusação à ocupação do prédio da COSEAS, não poderá a Reitoria, agora, acusar os alunos pelos fatos que lançou no boletim 56.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim limitado na origem, o processo administrativo mostrou sua limitação também no seu ato final, quando cumpriu sua missão de recomendar a punição dos alunos, afirmando serem “verdadeiros os fatos que lhe são imputados <strong><em>quanto a invasão e ocupação das dependências da Divisão de Promoção Social da COSEAS no dia 18.03.2010</em></strong>, como se pode comprovar das imagens anexas (preservadas outras pessoas). [Nota deste Blog: as imagens em questão são irreproduzíveis].</p>
<p style="text-align: justify;">É, portanto, como se vê, a própria Comissão Processante que denuncia a falsidade do que diz a Reitoria da USP em seu boletim <strong><em>USP Destaques</em></strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Tem, porém, um objetivo o intento daquele Boletim. É que a punição imposta aos alunos, sobre não ter sido devidamente motivada, foi evidentemente exacerbada, ainda que se admitisse, para fins de argumentação, que alguma sanção fosse possível. E já antevê a Reitoria, na decisão concessiva da liminar que lhe tira o sono, o reconhecimento da nulidade de todo o processo administrativo, motivo pelo qual tenta, agora, pendurar novas acusações nos pescoços de seus bodes expiatórios.</p>
<p style="text-align: justify;">Sabemos que a manchete principal de uma publicação deve guardar relação com seu conteúdo.</p>
<p style="text-align: justify;">Encima a primeira página do boletim USP Destaques 56, a frase “A democracia na USP”. Relacionando essa manchete principal com as afirmações que se vem de examinar, chegamos a uma conclusão inarredável:</p>
<p style="text-align: justify;">A democracia na USP é uma mentira!</p>
<p style="text-align: justify;">ATON FON FILHO &#8211; advogado</p>
<p style="text-align: justify;">Enviada por Rodrigo de Medeiros Silva.</p>
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		<title>Importante: Manifesto por uma OAB Ceará atuante e transparente</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Mar 2012 11:00:55 +0000</pubDate>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><span style="color: #b90404;">Como diz o Manifesto, a OAB já desempenhou papéis decisivos em momentos duros da nossa História. Por isso mesmo, não merece estar se apequenando e amesquinhando como vem acontecendo em alguns estados, traindo inclusive seu próprio Estatuto, como pode ser visto em trechos grifados por este Blog. Pela OAB passa a escolha do chamado &#8220;quinto constitucional&#8221;, onde são escolhidos Ministros dos Tribunais Superiores e desembargadores, muitos dos quais ultimamente temos visto cumprindo tristes papéis de subserviência ao capital e legitimando violações dos direitos das populações. E a própria OAB é composta, vale lembrar, por Comissões diversas, como as de Direitos Humanos, do Municipal e Urbanístico e de Meio Ambiente, fundamentais para as nossas lutas. Só podemos, pois, apoiar o Manifesto do Ceará e esperar que seu exemplo seja seguido por outros estados, advogados e entidades. Que a OAB volte a ser parceira e motivo de orgulho para tod@s que lutam pela democracia, em lugar de arena corporativista de disputa de benesses e privilégios. TP.</span></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Os(as) advogados(as), estudantes, organizações da sociedade civil e de direitos humanos e demais integrantes da sociedade em geral, que assinam este manifesto, vêm apresentar o desejo de terem a Ordem dos Advogados do Brasil Secção Ceará / OAB-CE, novamente, como instrumento da sociedade para a efetivação de direitos humanos e justiça social, como determina seu Estatuto (art. 44, I). A OAB, por diversos episódios da nossa história, colocou-se ao lado da população, inspirada por princípios democráticos e republicanos. Esta deve ser a tônica da Instituição.</p>
<p style="text-align: justify;">Para tanto, isto não só passa pela valorização da advocacia, mas deve ir além. Infelizmente, vivemos numa democracia formal e muito temos que avançar. Grande parte da população está excluída dos bens necessários à sobrevivência, isto porque uma parcela maior ainda está distante das decisões políticas. Reflexo disto é que obras e empreendimentos são propostos e realizados, violando a legislação pertinente, sem que os estudos necessários tenham sido elaborados, e, o mais importante, não ouvindo a população impactada.<span id="more-45278"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A nossa juventude é assassinada (39,7% das mortes de jovens são causadas por homicídio<a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_edn1">[i]</a>) ou encarcerada (o número de jovens internados aumentou 360%<a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_edn2">[ii]</a> de 1996 a 2006) representando uma reprodução de preconceitos e estigmas sociais já existentes (houve aumento de 20,2% dos homicídios de pessoas negras e baixa no índice da população branca<a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_edn3">[iii]</a>). A violência e a opressão sobre as mulheres ainda corroem a nossa sociedade (o Ceará teve um aumento de 75% da taxa de homicídio de mulheres<a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_edn4">[iv]</a>) A homofobia é realidade que assombra as pessoas, cerceadas em seu direito de amar. Os(as) trabalhadores(as) têm, sistematicamente, pela Justiça, o seu direito de greve tolhido<a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_edn5">[v]</a>. A cultura é colocada como algo não prioritário<a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_edn6">[vi]</a>, o que desconstrói a identidade das nossas cidades<a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_edn7">[vii]</a>, dos povos e das comunidades tradicionais<a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_edn8">[viii]</a> e originárias. Ademais, está-se ainda longe de termos uma justiça fundiária, pela falta de uma reforma agrária efetiva e de demarcação das terras das culturas populares, dos nossos povos indígenas e quilombolas.</p>
<p style="text-align: justify;">O Brasil está vivendo um ciclo de forte crescimento econômico, que deve ser convertido em benefício de toda a sociedade, com respeito à sustentabilidade ambiental, à democracia participativa, às vocações locais e às reais necessidades da população.</p>
<p style="text-align: justify;">O próximo triênio de gestão da OAB-CE viverá isto de forma intensa, com a vinda da Copa do Mundo<a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_edn9">[ix]</a> (com a escolha de Fortaleza para sediar jogos em 2014) e a anunciada exploração de urânio e ferro, aqui no Ceará. Isto requer uma OAB-CE forte, vigilante e atuante, para que a população tenha voz, contrabalanceando a força dos interesses econômicos de poucos. Os Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais não podem ser flexibilizados, relativizados ou suprimidos ao alvedrio de interesses privados.</p>
<p style="text-align: justify;">A ética social que aqui propugnamos para a OAB não é uma ética vazia de sentido, mas voltada ao seu escopo, qual seja: “<span style="text-decoration: underline;">defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático de Direito, os Direitos Humanos, a Justiça Social, e pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas</span>”. Defende-se, desde as eleições, a observância desses critérios.</p>
<p style="text-align: justify;">O processo eleitoral da OAB não pode distanciar-se do que é previsto na legislação eleitoral pátria e de princípios que devem nortear qualquer processo eletivo, como a publicidade, a transparência e a democracia. Assim, para que a categoria saiba quais são os compromissos de cada chapa, o grau de envolvimento de certos setores da sociedade com quem assumirá a Instituição, deve haver prestação de contas públicas, periódicas, durante a campanha, posto que “<span style="text-decoration: underline;">A OAB não está voltada exclusivamente a finalidades corporativas. Possui finalidade institucional.</span>” (<strong> </strong>ADI 3026/2006, STF)</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, estes(as) estudantes, profissionais do Direito e integrantes da sociedade em geral, abaixo-assinados(as), manifestam-se por um sistema de justiça que realmente atue segundo o seu escopo, saia da retórica. As instituições não podem mais existir pra si e/ou só para seus integrantes. As instituições que compõem o sistema de justiça têm sua razão de ser no serviço prestado à sociedade. Nisto que deve se pautar o debate sobre a sucessão da OAB-CE. Neste intuito, é que se convida os(as) colegas a se somar a este movimento por uma Ordem que retorne à posição de destaque, a serviço da população cearense, para que oportunize ao(à) advogado(a) cumprir com sua função social, prevista em lei.</p>
<ol style="text-align: justify;">
<li>Adriana Oliveira Pinto OAB-CE      19.149</li>
<li>Ana Virgínia Porto de Freitas      OAB-CE 9.708</li>
<li>Arnaldo      Fernandes, Advogado OAB/CE 24.987, militante de Direitos Humanos, Reforma      Urbana e Ambientalista.</li>
<li>Assis Aderaldo, advogado OABCE      14.873</li>
<li>Bárbara Lia Gomes de Melo OAB-CE      18.811</li>
<li>Brunna Grasiella Matias Silveira OAB-CE      25.099</li>
<li>Carlos Augusto M. de Aguiar Júnior.      OAB 20.155</li>
<li>Cyntia Oliveira Tanimoto OAB-CE      25.100</li>
<li>Daniella      Alencar Matias, OAB-CE 17.714</li>
<li>Davi      Aragão Rocha OAB-CE 21.452</li>
<li>David Oliveira Barbosa OAB-CE 16.161</li>
<li>Émille Rabelo de Oliveira OAB-CE      21.329</li>
<li>Eric Gomes da Mota OAB-CE 25.341</li>
<li>Ésio Feitosa Lima OAB-CE 11.075</li>
<li>Francisco Carlos Mourão Neto OAB-CE      23.967</li>
<li>Francisco Cláudio Oliveira Silva      Filho OAB-CE 20.613</li>
<li>Gabriela Gomes Costa OAB-CE 22.956</li>
<li> George Felicio Gomes de      Oliveira OAB-CE 16.759</li>
<li>Henrique      Botelho Frota OAB-CE 18.477</li>
<li>Homero Bezerra      Ribeiro OAB-CE 22.622</li>
<li>Igor Moreira de      Sousa Pinto OAB-CE 15.449</li>
<li>Ingrid Viana      Soares OAB-CE 19.296</li>
<li>Isabelle de Castro      Maciel OAB-CE 18.323</li>
<li>Jacqueline Alves      Soares OAB-CE 17.532</li>
<li>Jairo Rocha Ximenes Ponte OAB-CE      15869</li>
<li>João Alfredo Telles Melo, Vereador,      Professor e Advogado – OAB-CE 3.762</li>
<li>Jordanna Monteiro Sant&#8217;Ana e      Siqueira OAB-CE 25.134</li>
<li>José Arlindo Nogueira de Moura      Júnior  OAB-CE 23.320</li>
<li>José      Ilton Lima Moreira Junior OAB-CE 19.777</li>
<li>Jousyane Lavor Costa OAB- CE      22.604</li>
<li>Larissa Maria Fernandes Gaspar da      Costa OAB-CE 19.345</li>
<li>Luanna Marley de Oliveira e Silva-      advogada</li>
<li>Marcelo      Pessoa Pontes OAB- CE 17.715</li>
<li>Márcio Alan Menezes Moreira OAB-CE      18.728</li>
<li>Márcio José de Souza Aguiar OAB-CE      15.941</li>
<li>Maria Filomena de Castro Maciel      OAB-CE 11671</li>
<li>Maria Gabriela Lima OAB-CE 23.220</li>
<li>Maria Isabel Rocha Bezerra Sousa,      feminista, OAB CE 24.903</li>
<li>Maria de Lourdes Vieira Ferreira      OAB 19.807</li>
<li>Marília Passos Apoliano Gomes,      OAB-CE 24.336</li>
<li>Mário Ferreira de Pragmácio Telles      OAB-CE 19.624</li>
<li>Nadja      Furtado Bortolotti OAB-CE 16.514</li>
<li>Natasha Raíssa Souza Bandeira,      OAB-CE 25.557</li>
<li>Patricia Kelly Campos de Sousa OAB-CE      12.930</li>
<li>Patrícia Oliveira Gomes OAB-CE 20.594</li>
<li>Pedro de Albuquerque Neto OAB-CE      16.224</li>
<li>Renato Roseno de      Oliveira OAB-CE 14.906</li>
<li>Rodrigo de Medeiros Silva OAB-CE      16.193</li>
<li>Rodrigo Vieira Costa OAB-CE  20.101</li>
<li>Stella Maris Nogueira Pacheco      OAB-CE 25.643</li>
<li>Talita Araújo Maciel 19.502</li>
<li>Tassiana Lima Alves OAB-CE 16.628</li>
<li>Toinha Rocha OAB-CE 9.429</li>
<li>Verônica Camila Lima Maia OAB-CE      24747</li>
<li>Vitor Melo Studart OAB-CE 24.825</li>
<li>Zaneir Gonçalves Teixeira OAB-CE 12.638</li>
<li>Walber      Nogueira da Silva OAB-CE 16.561</li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><strong>MOVIMENTOS/ORGANIZAÇÕES/ ENTIDADES DA SOCIEDADE CIVIL</strong></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li>Articulação dos Povos      e Organizações Indígenas do      Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo – APOINME/MR Ceará</li>
<li>Associação Civil Alternativa Terrazul</li>
<li>Associação 64/68 Anistia</li>
<li>Cáritas Arquidiocesana de Fortaleza</li>
<li>Cáritas      Brasileira Regional Ceará</li>
<li>Centro      de Assessoria Jurídica Universitária CAJU- UFC</li>
<li>Centro      de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará/CEDECA-CE</li>
<li>Comissão      Pastoral da Terra do Ceará, CPT-CE</li>
<li>Coordenação      das Organizações e Povos Indígenas      do Ceará – COPICE</li>
<li>Escola      de Formação Política e Cidadania- ESPAF</li>
<li>Fórum      Cearense de Mulheres</li>
<li>Instituto      Terramar</li>
<li>Movimento      Ibiapabano de Mulheres- MIM</li>
<li>Movimento      de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas no Ceará/MLB-CE</li>
<li>Movimento      dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Ceará/MST-CE</li>
<li>Pastoral      do Menor- Nordeste</li>
<li>Serviço      de Assessoria Jurídica Universitária Popular, SAJU/Ceará</li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><strong>SOCIEDADE EM GERAL</strong></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li>Alessandra Guerra- Liberdade de Amor entre as      Mulheres- LAMCE</li>
<li>Bruna Gurgel Barreto de      Oliveira, estudante de Direito da UNIFOR</li>
<li>Caio      Anderson Feitosa Carlos, Cientista Social e metrando em Sociologia pela      UFC</li>
<li>Carlos      Wendel Feitoza de Araújo­, estudante de Direito da Unifor­</li>
<li>Cristiane      Faustino, militante do Fórum Cearense de Mulheres</li>
<li>Dillyane      Ribeiro, estudante de Direito da UFC</li>
<li>Emília      Lopes &#8211; profa. de Direito da Infância e da Juventude (Unifor) e mestranda em Direito Constitucional      (Unifor)</li>
<li>Fernando      Antonio Silva Carvalho, biólogo e professor da Rede Municipal de      Fortaleza.</li>
<li>Francerina Ferreira,      assistente social, movimento de infância</li>
<li>Helena      Martins, jornalista</li>
<li>Jackson      Dnajá Nobre Figueiredo, SAJU/CE, estudante de Direito da UNIFOR</li>
<li>Jessica      Fontenele Sales, estudante de Direito, UFC</li>
<li>Jorge      Tabajara, Liderança Indígena Tabajara, estudante de Direito da FGF</li>
<li>Josael      Lima, economista, ecologista e professor</li>
<li>Karoenna      Vieira Saraiva Casimiro, estudante de Direito da UNIFOR.</li>
<li>Lia      Bezerra Araújo Souza, estudante de direito da UFC, NAJUC</li>
<li>Luciana      de Souza Queiroz, engenheira de pesca e ambientalista</li>
<li>Maria      Glória Carvalho, mestre em Administração Rural e Desenvolvimento UFLA</li>
<li>Mariana      Rosa, bacharel em Direito da UNIFOR, assessoria jurídica do MST-CE</li>
<li>Mário      Albuquerque, Conselheiro da Comissão Federal de Anistia</li>
<li>Mayara      Moreira Justa, Estudante de Direito da UFC e Membro do Núcleo de      Assessoria Jurídica Comunitária &#8211; NAJUC</li>
<li>Monyse      Ravenna de Sousa Barros, jornalista, UFC</li>
<li>Naiara      Braz Sidrim, bacharel em       Direito UFC</li>
<li>Natália      Martinuzzi Castilho, mestrado UNISINOS e bacharel em Direito UFC</li>
<li>Odete      Oliveira Pereira, bacharel em Direito na  UNIFOR</li>
<li>Patrícia      Amorim Teixeira Loureiro, assistente social, UECE</li>
<li>Pryscila      Saturnino de Oliveira, estudante de Direito UFC</li>
<li>Raphael      Fernando Braga Gonçalves, médico-veterinário (UECE), mestre em ciências      veterinárias (UECE), estudante de Direito (UFC)</li>
<li>Rogério      Costa, psicólogo e ambientalista</li>
<li>Rosella      Régis de Albuquerque Isacksson, educadora física</li>
<li>Talita      de Fátima Pereira Furtado Montezuma, estudante de Direito da UFC</li>
<li>Thiago      Valentim Pinto Andrade, Educador Popular e Coordenador Regional da CPT CE</li>
<li>Valéria      Pinheiro, mestrado IPPUR/UFRJ e bacharel em Direito UFC</li>
<li>Weibe      Tapeba, Liderança Indígena Tapeba, estudante de Direito da FGF</li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><strong>OUTRAS ADESÕES</strong></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li>Tania Pacheco, integrante do GT Combate ao Racismo Ambiental</li>
</ol>
<div style="text-align: justify;">
<hr size="1" />
<div>
<p><a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_ednref1">[i]</a> Mapa da Violência de 2011.</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_ednref2">[ii]</a> Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_ednref3">[iii]</a> Mapa da Violência de 2011.</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_ednref4">[iv]</a> Mapa da violência 2011.</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_ednref5">[v]</a> Greve dos professores do Município de Fortaleza em 2011 foi considerada ilegal (acessado em <a href="http://politika.jangadeiroonline.com.br/fortaleza/justica-decreta-ilegalidade-da-greve-dos-professores/">http://politika.jangadeiroonline.com.br/fortaleza/justica-decreta-ilegalidade-da-greve-dos-professores/</a>, disponível em 05/02/12). Greve dos professores do Estado do ceará em 2011 foi considerada ilegal (acessado em <a href="http://politika.jangadeiroonline.com.br/fortaleza/justica-decreta-ilegalidade-da-greve-dos-professores/">http://politika.jangadeiroonline.com.br/fortaleza/justica-decreta-ilegalidade-da-greve-dos-professores/</a>, disponível em 05/02/12). A greve dos motoristas de ônibus de Fortaleza foi considerada ilegal em 2010 (acessado em <a href="http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4621798-EI8139,00-TRT+ordena+reajuste+salarial+para+motoristas+de+onibus+no+CE.html">http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4621798-EI8139,00-TRT+ordena+reajuste+salarial+para+motoristas+de+onibus+no+CE.html</a>, disponível em 05/02/12).</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_ednref6">[vi]</a> Sítios Arqueológicos do Cumbe, Aracati-CE, foram retirados para a UFRN, para dar prioridade as obras do PAC, com energia eólica.</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_ednref7">[vii]</a>Farmácia Oswaldo Cruz, da Praça do Ferreira ameaçada (acessada em <a href="http://diariodonordeste.globo.com/noticia.asp?codigo=333074&amp;modulo=966">http://diariodonordeste.globo.com/noticia.asp?codigo=333074&amp;modulo=966</a>, disponível em 05/02/12). Chácara Flora, em processo de tombamento em Fortaleza, foi demolida. (acessado em <a href="http://www.jangadeiroonline.com.br/fortaleza/predio-em-processo-de-tombamento-e-demolido-em-fortaleza/">http://www.jangadeiroonline.com.br/fortaleza/predio-em-processo-de-tombamento-e-demolido-em-fortaleza/</a>, disponível em 05/02/12).</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_ednref8">[viii]</a>O Estudo de Impacto Ambiental da obra da Barragem Figueiredo, na Região do Jaguaribe, não observou o patrimônio histórico, cultural e arqueológico das comunidades locais (acessado em <a href="http://blogs.diariodonordeste.com.br/valedojaguaribe/cultura/justica-federal-ordena-paralisacao-das-obras-na-barragem-figueiredo/">http://blogs.diariodonordeste.com.br/valedojaguaribe/cultura/justica-federal-ordena-paralisacao-das-obras-na-barragem-figueiredo/</a>, disponível em 05/02/12).</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Users/User/AppData/Local/Microsoft/Windows/Temporary%20Internet%20Files/Content.Outlook/ZDO0FE9X/Manifesto%20sobre%20OAB%20(1).doc#_ednref9">[ix]</a> Até 170 mil pessoas podem ser removidas com as obras da Copa no Brasil (acessado em <a href="http://www.gazetadopovo.com.br/copa2014/estrutura/conteudo.phtml?id=1202503">http://www.gazetadopovo.com.br/copa2014/estrutura/conteudo.phtml?id=1202503</a>, disponível em 05/02/12).</p>
</div>
</div>
<p style="text-align: justify;">Enviada por Rodrigo de Medeiros Silva.</p>
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