Posts tagged: desigualdade

Uma história do Brasil Sem Miséria

Por racismoambiental, 04/02/2012 11:39

No dia 11 de junho de 2011, numa noite fria do inverno de Porto Alegre, seu Valdir e sua cadela Princesa dormiram sob um teto e não mais sob a marquise que os abrigava até então. No dia 13 de setembro o Seu Valdir tocou o interfone. Estava trêmulo e com os olhos mareados. Tinha três folhas de papel em mãos e uma carta, da Previdência Social, com um texto que começava assim: “Em atenção ao seu pedido…informamos que foi reconhecido o direito ao Benefício de Prestação Continuada…”. Acionado em um desafio para dar vida nova a um morador de rua, o Estado brasileiro respondeu com políticas de carne e osso

Katarina Peixoto

Porto Alegre – Se os números apresentados pelo governo federal são verdadeiros, então qualquer pessoa deve poder pegar um morador de rua, ou uma pessoa em situação de risco, e inscrevê-la ao menos no Bolsa Família. Depois de pesquisar e acompanhar os dados sobre a redução da desigualdade, a entrada de mais de 30 milhões de pessoas na classe C e a saída de 28 milhões da extrema pobreza, eu pensei que poderia “ver” esses números encarnados. Trata-se de uma população maior que a de muitos países, então não deveria ser muito difícil “tirar alguém da rua”, por exemplo. Teria de ser ao menos possível e relativamente fácil; caso contrário, esses números necessariamente seriam falsificações. Continue lendo… 'Uma história do Brasil Sem Miséria'»

É pela paz que eu não quero seguir admitindo…Que o luto se faça luta

Por racismoambiental, 03/02/2012 17:59
Hoje foi um dia triste.

Choveu em Salvador. A polícia parou e o clima de insegurança começa a se instalar. O Pelourinho esteve mais silencioso do que de costume. Boa parte da equipe do Projeto Força Feminina estava em atividades externas.

Hoje foi um dia triste e senti um vazio.

Vazio porque hoje mais uma mulher morreu nessa cidade. Mais uma dentre várias. Hoje, mais uma mulher foi enterrada nessa cidade. Dentre várias. Hoje foi enterrada mais uma mulher que morreu por conta da violência contra as mulheres. Mais uma mulher foi espancada, violada… Mais uma mulher vítima de estupro – e isso não foi destaque na mídia nacional.

Ela era pobre, negra, não estudou, era usuária de crack, era prostituta. E o vazio no Pelourinho se fez eco… silêncio… ninguém gritou por essa morte. Nem mesmo sua filha, no enterro da mãe conseguia gritar… quem escutaria? Continue lendo… 'É pela paz que eu não quero seguir admitindo…Que o luto se faça luta'»

“Histórias Cruzadas” retrata racismo no cotidiano do sul dos EUA

O drama pretende retratar questões, como opressão e racismo de forma intimista

Destaque entre as estreias desta sexta-feira (3), “Histórias Cruzadas” (The Help) é o segundo longa de Tate Taylor. O filme é baseado na obra literária de Kathryn Stockett e já ganhou quatro indicações ao Oscar, de Melhor Filme, Melhor Atriz para Viola Davis e Melhor Atriz Coadjuvante para Octavia Spencer. O elenco feminino de peso, incluindo várias gerações, também conta com Emma Stone, Bryce Dallas Howard, Allison Janney e Sissy Spacek.

Ambientada no Mississipi dos anos 1960, a trama mostra três diferentes mulheres que constroem improvável amizade devido a projeto literário secreto que abala as regras da sociedade. Skeeter (Emma Stone) acabou de terminar a faculdade e sonha ser escritora e jornalista. A jovem põe a cidade de cabeça para baixo quando decide pesquisar e entrevistar mulheres negras que sempre cuidaram das ‘famílias do sul’. Continue lendo… '“Histórias Cruzadas” retrata racismo no cotidiano do sul dos EUA'»

Nota da AMNB sobre a Medida Provisória 557 de 26 de dezembro de 2011

Por racismoambiental, 02/02/2012 10:59
Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras – AMNB -, que tem como missão lutar contra o racismo, o sexismo, a opressão de classe, a lesbofobia e outras formas de discriminação, tendo em vista o conteúdo da MP 557 de 26.12.2011, manifesta o que segue:

- A morte materna é evitável na maior parte dos casos, mas tornou-se um grave problema da saúde pública no Brasil. Para nós, mulheres negras, a morte materna é vivenciada dramaticamente. Por termos em torno de nós toda uma comunidade a quem sustentamos econômica e afetivamente, a morte torna-se uma tragédia de amplo espectro. No Brasil, o risco das mulheres negras morrerem por causas relacionadas à gravidez, ao parto, ao pós-parto e ao abortamento é oito vezes maior do que o risco de mulheres brancas morrerem das mesmas causas. É fundamental destacar que por trás destes números está o racismo, que provoca descaso, negligência, falta de acesso a serviços e a informações para preservar nossa vida e nossa saúde.

- Nós, mulheres negras, somos, portanto, as principais interessadas em medidas governamentais que visem superar o racismo e a violência institucionais que nos atingem. Por isso, exigimos a implementação de ações, de programas, de projetos e de políticas que visem romper o ciclo de descaso e de ineficiência do Estado brasileiro no que concerne à promoção da nossa saúde e à prevenção da morte materna. Continue lendo… 'Nota da AMNB sobre a Medida Provisória 557 de 26 de dezembro de 2011'»

Expansão do ensino técnico federal não atinge professores

Por racismoambiental, 01/02/2012 17:52
Por Ademario

CHOQUE DE GESTÃO NÃO ATINGE PROFESSORES DO ENSINO TÉCNICO FEDERAL

Em meio à grande expansão (necessária) que aconteceu no ensino técnico federal, os novos professores são deixados à míngua. Diferentemente dos seus pares nas universidades federais – mas com mesmo grau de titulação – os novos professores não conseguem o enquadramento na carreira de acordo com sua titulação e nem conseguem optar pela dedicação exclusiva (DE), essencial para que possam se dedicar à pesquisa.

A confusão acontece porque os institutos federais, que sucederam as escolas técnicas federais, para além da expansão enorme que tiveram, agora têm também participação nos segmentos ensino técnico, graduação e pós-graduação. Os professores atuam de bom grado nos três segmentos, mas pós-graduação pressupõe pesquisa, juntamento com professores de maior titulação. E os mais novos em grande parte têm essa titulação, mas não recebem de acordo.

Muitos professores mais antigos, como eu, atingiram a titulação necessária já trabalhando nos institutos (ex-escolas técnicas) e são beneficiados, se já tinham optado pela dedicação exclusiva (DE) e por regras de enquadramento anteriores, que dão aos mais antigos os mesmos salários das universidades. Temos carga horária maior em sala de aula do que nas universidades, é verdade, mas eu também acho que a carga das universidades é muito pequena. Continue lendo… 'Expansão do ensino técnico federal não atinge professores'»

Violência para todos: o novo mapa dos homicídios no Brasil

Por Raquel Rolnik*

Entre 2004 e 2007 morreram mais pessoas assassinadas no Brasil do que nos conflitos envolvendo israelenses e palestinos e mesmo na guerra do Iraque. Foram 538.324 homicídios em dez anos (2000 a 2010). Só no ano passado, foram 50 mil pessoas assassinadas em nosso país, mais de 130 por dia.

Estes números foram apresentados, em dezembro do ano passado, no “Mapa da violência 2012: os novos padrões da violência homicida no Brasil“. Utilizando a taxa de homicídios por 100 mil habitantes como parâmetro para medir a violência e com base nas estatísticas de mortalidade registradas pela rede de saúde no país, o estudo mostra a evolução do número de assassinatos na última década.

De acordo com o mapa, a taxa média brasileira — 26 homicídios por 100 mil habitantes — permaneceu estável nos últimos dez anos. Mas esta “estabilidade” oculta transformações profundas que ocorreram na distribuição das mortes violentas pelo país neste período. De forma geral, houve um movimento de forte diminuição nas taxas de homicídio nas regiões metropolitanas — principalmente São Paulo e Rio de Janeiro — e grande aumento no interior e nas regiões Norte e Nordeste. Continue lendo… 'Violência para todos: o novo mapa dos homicídios no Brasil'»

Programa Equidade Racial do Nordeste divulga selecionados

O Programa de Equidade Racial no Nordeste Brasileiro, desenvolvido em ação conjunta pela Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), o Instituto Cultural Steve Biko e o Instituto Mídia Étnica (IME), divulga as organizações e militantes selecionados para participar do Programa de Equidade Racial (2012 -2013).

O Programa, que tem como objetivo desenvolver ações efetivas que contribuam para mudanças estruturais no quadro de desigualdades da Região Nordeste, tem como principal foco o combate ao racismo e às desigualdades de gênero.

Foram selecionados: 10 projetos de organizações que receberão apoio financeiro e acompanhamento para o desenvolvimento de ações no campo do fortalecimento institucional, sob coordenação da CESE; e 30 militantes, que participarão de curso de formação com o objetivo de qualificar suas atuações na luta pela equidade racial. Esta formação será coordenada pelo Instituto Mídia Étnica (IME) e o Instituto Cultural Steve Biko.

As organizações selecionadas que receberão apoio da CESE serão contatadas para apresentação de ajustes necessários em suas propostas de fortalecimento institucional, assim como será observado o atendimento aos critérios de apoio a projetos da CESE.

Clique aqui para acessar as organizações e militantes selecionados no Programa.

Enviada por Edmilson Pinheiro.

Cresce número de denúncias de racismo

Em um ano, São Paulo viu crescer 46,8% os casos de denúncias de crimes de racismo formalizadas à polícia

Plínio Delphino

O número de queixas sobre discriminação por  raça, cor, etnia e procedência nacional na Delegacia de Crimes Raciais e de Intolerância (Decradi) aumentou 46,8% de 2010 para 2011. Para o advogado Hédio Silva Júnior, um dos mais importantes líderes do movimento negro, ex-secretário de Justiça e acadêmico da Faculdade Zumbi dos Palmares, os índices revelam coragem. “Não é a sociedade que está mais racista. São os cidadãos estão cada vez mais lutando por seus direitos. Pela igualdade”, destacou.

Em 2010, a delegacia especializada registrou 32 casos de discriminação por cor ou origem, enquanto que no ano passado foram computadas 47 queixas nesse sentido.

A delegacia detectou no crime de injúria (que ofende verbal, por escrito ou até fisicamente a honra e a dignidade de alguém) o maior número de instauração de inquéritos policial em 2010. A maioria se tratava de ofensas relacionadas a raça e etnia (46 %). Continue lendo… 'Cresce número de denúncias de racismo'»

Racismo é questão social e não um “desvio psicológico”

Por racismoambiental, 31/01/2012 12:39

Enviado por luisnassif

Por Weden
Racismo: O Brasil precisa acertar os ponteiros

O artigo do The Economist sobre a frágil criminalização do racismo no Brasil já é um indício importante de que o mundo começa a desconfiar de que o país é negligente em relação a esta questão. Em outras palavras, não somente aqui dentro, mas também lá fora, a fantasia da democracia racial não se sustenta mais.

Já escrevemos sobre isso, mas não custa repassar a hipótese de que, em relação ao racismo, já vivemos três fases, e precisamos caminhar para a quarta.

A primeira foi a prática do racismo de Estado, durante a escravidão (e mesmo depois da Abolição), quando a discriminação e a violência eram “legitimadas em lei” (ainda que pese a redundância). Naquele momento, o tráfico e a exploração (econômica, física, sexual) de crianças e mulheres, além dos próprios homens, era vista como natural à sociedade. Continue lendo… 'Racismo é questão social e não um “desvio psicológico”'»

Estudo destaca situação de vulnerabilidade de crianças indígenas

Karol Assunção

CHILE – “O pertencimento a um povo indígena põe as crianças e os adolescentes em uma situação de maior vulnerabilidade”. Essa é uma das conclusões destacadas pelo Ministério de Desenvolvimento Social do Chile e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no estudo Incluir, Somar e Escutar – Infância e Adolescência Indígena.

A publicação, elaborada em 2011, apresenta dados da Enquete de Caracterização Socioeconômica Nacional (Casen) referentes à população infantil e adolescente indígena e não indígena entre os anos de 1996 e 2009. As observações destacadas no estudo não são nada positivas para meninos e meninas indígenas, população que representa 8,7% do total de menores de 18 anos de idade no país.

Segundo a pesquisa, a pobreza é uma realidade presente na vida de 26,6% das crianças e dos adolescentes indígenas chilenas. Entre os não indígenas, essa porcentagem cai para 21,7%. O número de lares com crianças que se encontram abaixo da linha da pobreza também é maior entre a população indígena. De acordo com o estudo, 23,1% dos lares com presença da população infantil indígena estão abaixo da linha da pobreza, enquanto que essa situação faz parte da realidade de 17,6% das casas com crianças não indígenas. Continue lendo… 'Estudo destaca situação de vulnerabilidade de crianças indígenas'»

Conselheiros da igualdade racial definem plano de trabalho para 2012

Conselheiros pretendem definir, até hoje, um planejamento para a 3a Conapir

O monitoramento do Estatuto e do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial estão entre as ações propostas para a atuação do órgão este ano

As prioridades e o cronograma de trabalho do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) estão sendo decididos hoje (31), em Brasília, durante a 33ª reunião ordinária do órgão colegiado da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Entre as propostas de atuação até dezembro, estão o monitoramento da Lei 12.288/10, que institui o Estatuto e o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir). Os conselheiros pretendem definir também um planejamento para a 3ª Conferência sobre a temática, prevista para ocorrer em 2013.

Outra proposta prevê o monitoramento da implementação do orçamento do governo para a igualdade racial, tendo como base a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LOA 2012) e o Plano Plurianual (PPA 2012-2015). Em tramitação no congresso, que retoma as atividades nesta quarta-feira (1°), o PPA é o documento que orienta as ações do governo nos próximos quatro anos. Primeiro a ser elaborado sob a vigência do Estatuto da Igualdade Racial, o PPA 2012-215 incorpora 25 programas temáticos, que se desdobram em 63 objetivos com alguma meta ou iniciativa em que a promoção da igualdade racial é menciona de forma explícita. Continue lendo… 'Conselheiros da igualdade racial definem plano de trabalho para 2012'»

Crianças carentes do Norte de Minas fazem operação tapa-buraco na BR-251

Meninos disputam moedas jogadas pelos motoristas como pagamento pelo serviço

Eles chegam a juntar até R$ 50 por dia em moedas jogadas por motoristas

Luiz Ribeiro

Francisco Sá – Sob o sol forte, a menina M. I., de 11 anos, usa um balde de terra para tapar os buracos na rodovia. Logo em seguida, se arrisca no meio dos caminhões e carretas para catar moedas lançadas pelos motoristas como “pagamento”. Ela trabalha ao lado da amiga M. C., de 14. Um pouco mais adiante, um grupo de quatro meninos, entre 13 e 17 anos, faz o mesmo “serviço”, usando pás, travando uma verdadeira disputa no meio do asfalto quando as moedas são lançadas. As cenas foram flagradas pela reportagem do Estado de Minas entre os kms 470 e 480 da BR-251, em Francisco Sá, no Norte de Minas.

Enquanto a ação do governo não chega, são as crianças e moradores carentes da região que aliviam a vida dos motoristas que passam pela BR-251, um trecho de 300 quilômetros que liga Montes Claros à BR-116 (Rio-Bahia). Uma das rodovias federais mais movimentadas de Minas, com um tráfego diário de 10 mil veículos, a 251 também é uma das estradas em piores condições no estado. Continue lendo… 'Crianças carentes do Norte de Minas fazem operação tapa-buraco na BR-251'»

Expulsos da cracolândia, usuários de drogas invadem linha de trem em SP

Por racismoambiental, 29/01/2012 10:05

Para fugir da PM, eles se arriscam perto dos trilhos na Barra Funda; moradores reclamam do barulho

Artur Rodrigues – O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – Acuados pela presença ostensiva da Polícia Militar na cracolândia, usuários de droga passaram a se arriscar para fumar crack escondidos perto dos trilhos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. A CPTM afirma que aumentou a segurança na área para prevenir acidentes.

 - JF Diório/AE
Quem mora ou trabalha na região cortada pela linha férrea diz que quando escurece o problema toma proporções mais perigosas. Das janelas de prédios dos arredores, moradores podem ver o pisca-pisca dos cachimbos de crack sendo acesos.

Além do risco de acidentes, a presença dos viciados na linha do trem prejudica o sono da população ao redor. “Eles invadem os trilhos e os maquinistas dos trens de carga passam a noite buzinando para não atropelá-los”, afirma o porteiro Ícaro Chamarelli, de 24 anos, que trabalha em um prédio na Rua Capistrano de Abreu, na frente da linha férrea. Além de trens de carga, as Linhas 7-Rubi e 8-Esmeralda, da CPTM, também passam pelo local.

Estado presenciou vários usuários de crack pulando o muro da linha férrea em uma passarela que liga as Ruas Capistrano de Abreu e Luigi Greco. Eles se concentram nos matagais próximos dos trilhos para fumar. Continue lendo… 'Expulsos da cracolândia, usuários de drogas invadem linha de trem em SP'»

Programação feita por Ricardo Álvares, utilizando uma versão modificada do tema Panorama, criado por Themocracy.