MP 759: Regularizar a exclusão

Por Raquel Rolnik

Está tramitando no Congresso Nacional uma Medida Provisória (MP 759/16) que trata de três questões muito importantes para o país: a regularização de terras envolvidas em projetos de assentamento de reforma agrária, a regularização fundiária urbana e a venda das terras públicas pertencentes à União. Os assuntos são extensos e complexos, apresentados em um juridiquês de difícil compreensão para a maioria dos cidadãos. Mas trata de um assunto fundamental no Brasil: o acesso à terra. (mais…)

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Anatomia de um crime

Repórter da Pública percorre a história do Maracanã, patrimônio cultural destruído com autorização do Iphan e abandonado pelo poder público depois de mais de R$ 1,3 bilhão gasto em obras suspeitas de alimentar a corrupção

por Rogério Daflon para a Agência Pública

O Maracanã era a casa coletiva dos cariocas e dos brasileiros apaixonados por futebol. O mítico templo do esporte bretão nunca intimidou o torcedor; ao contrário, era ali que ele se sentia à vontade. No dia 2 de junho de 2013, porém, o estádio mais popular do planeta – já reformado para acolher a próxima Copa do Mundo – se apresentou tão metamorfoseado que chocou frequentadores. “Fiquei catatônico”, disse o historiador e antropólogo Marcos Alvito à Pública. “Eu, que me sentia tão pertencente àquele lugar, de repente tive a sensação de estar perdido, deslocado. Minha então namorada me disse que fiquei cinco minutos calado e perplexo.” (mais…)

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Os refugiados do Hotel Cambridge: Veja o filme, leia o livro, alcance a vida, por Eliane Brum

“Era o Hotel Cambridge” rompe fronteiras e torna-se um acontecimento político-cultural capaz de expressar as tensões e a potência do Brasil atual

No El País Brasil

– A gente não tá podendo nem cuidar de nós, os brasileiros, e ainda temos que cuidar dos refugiados do Congo, refugiados da Colômbia, dos libaneses e palestinos… É difícil. (mais…)

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O discursinho do emprego e a revisão do Plano Diretor, por Raquel Rolnik

Raquel Rolnik

Não é de hoje que ouvimos o argumento de que a regulação urbanística que define o que pode ser feito em cada terreno da cidade limita a indústria da construção civil e o mercado imobiliário, que seriam grandes geradores de empregos. Essa ideia tem servido de pretexto para o anúncio, pela gestão do prefeito João Doria, de propostas de mudanças no Plano Diretor Estratégico de São Paulo, em vigor desde 2014 e com revisão programada apenas para 2030. (mais…)

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Até quando nós, mulheres, teremos medo de andar nas ruas?

Raquel Rolnik

É evidente em São Paulo, no Brasil e no mundo a emergência de um movimento feminista renovado e potente, que tem tomado as ruas em protestos como a Marcha das Mulheres contra Trump nos Estados Unidos. Na cidade de São Paulo, especialmente as mulheres negras têm protagonizado esse novo movimento, denunciando uma cultura machista e racista e mostrando as indissociáveis conexões entre elas. O lugar das mulheres na esfera da domesticidade – somos as “Rainhas do Lar”, como reiterado no desastroso discurso de Temer – é onipresente em nossa sociedade e conforma uma tensão permanente quando se trata da presença das mulheres na rua e nos espaços públicos. (mais…)

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Novos desafios do Feminismo: Direito à Cidade

As mulheres periféricas ganharam as ruas, mas estas — feitas por e para homens — ainda lhes são hostis. Qual a saída?

Por Cléo Manhas Outras Palavras

A proposta aqui é dialogar com outras pessoas sobre as cidades, a esfera pública e as mulheres, tendo como mote o Dia Internacional da Mulher. Bom momento de reflexão sobre o não reconhecimento e as interdições de gênero nos espaços públicos, que em geral são masculinos e tentam, a todo momento e a todo custo, constranger mulheres, devolvê-las ao espaço privado de onde aparentemente, para o machismo e o patriarcalismo, nunca deveriam ter saído. (mais…)

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A resistência dos sem-teto na avenida Paulista, por Guilherme Boulos

Na Folha/MST

Nesta quinta (2) completam-se 15 dias que centenas de pessoas acamparam na avenida mais famosa de São Paulo em luta por moradia popular. Vindos de diferentes ocupações –das zonas leste e sul, de Paraisópolis e da região metropolitana –os sem-teto têm resistido ao sol, à chuva e permanecem firmes em frente ao escritório da Presidência da República. (mais…)

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A “distribuição de cidade” contra a senzalização da metrópole. Entrevista especial com Erminia Maricato

João Vitor Santos – IHU On-Line

A urbanista Erminia Maricato se jogou em projetos democráticos para pensar uma cidade melhor para todos, com moradia digna para todos seus habitantes como um projeto de vida. Com a experiência de participações em governos ditos progressistas, ela destaca que as gestões Lula e Dilma trouxeram muitas conquistas para os mais pobres. Entre elas, o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Entretanto, todas as conquistas logo chegaram a um limite por não terem abarcadas mudanças estruturantes que o país precisava. “É preciso reconhecer que houve essa ampliação do acesso, mas isso com muito subsídio. E esse subsídio, que foi muito forte por parte do Governo Federal, como não houve reforma na base fundiária e mobiliária, foi parar no preço dos imóveis e da terra”, diz, destacando um dos pontos que fez aumentar as desigualdades no Brasil. (mais…)

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Atenção para quem vive na rua: os riscos da política higienista. Entrevista especial com Tiago Martinelli

João Vitor Santos – IHU On-Line

A recente divulgação de que a população adulta que vive nas ruas de Porto Alegre aumentou 75% nos últimos oito anos espantou muita gente. O dado consta de uma pesquisa realizada desde 2007 pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – IFCH da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS em convênio com a Fundação de Assistência Social e Cidadania – Fasc da prefeitura da capital gaúcha. O impacto de números como este leva a uma elaboração quase imediata: é preciso tirar essas pessoas da rua. No entanto, ações simplistas e imediatistas podem transformar a estatística em um problema maior ainda, já que não basta apenas “recolher” as pessoas e higienizar as ruas. (mais…)

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Grafite e pichação se alimentam da iconografia da periferia. Entrevista especial com Maria Amelia Bulhões

Vitor Necchi – IHU On-Line

Uma das primeiras atitudes do novo prefeito de São Paulo, João Doria, foi um golpe na expressiva e famosa arte urbana da maior metrópole brasileira. Como parte das ações compreendidas no projeto que batizou de Cidade Linda, ele mandou cobrir com tinta cinza o trabalho que grafiteiros realizaram na região da Avenida 23 de Maio. Recebeu apoio, mas a consequência mais visível de sua medida foi uma sucessão de críticas por eliminar da paisagem urbana uma das mais marcantes formas de expressão do mundo contemporâneo e, em grande parte, produzida por pessoas da periferia. (mais…)

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