Livro mostra que, diante das classificações psiquiátricas, seríamos todos “doentes mentais” e alerta para a medicalização da vida cada vez mais cedo – transformando o ser humano da pós-modernidade numa espécie de “homo automaticus”
Eliane Brum
Os primeiros robôs da ficção tinham um conflito: eles eram criados e programados para dar respostas automáticas e objetivas, mas queriam algo vital e complexo. Em algum momento, às vezes por uma falha no sistema, eles passavam a desejar. E desejar algo que lhes era negado: subjetividade. Condenados às respostas previsíveis, revoltavam-se contra a sua natureza de autômato. Humanizar-se, sua aspiração maior, significava sentir angústia, tristeza, amor, raiva, alegria, dúvida e confusão. Os robôs da modernidade queriam, portanto, a vida – com suas misérias e contradições. Ao entrar em conflito e ao desejar, os robôs já não eram mais robôs, mas um algo em busca de ser. Um ser humano, portanto. A partir desta premissa, grandes clássicos da ficção científica da modernidade foram construídos, como O Homem Bicentenário, de Isaac Asimov, que depois virou o filme estrelado por Robin Williams.
Hoje, a pós-modernidade nos encontra em uma situação curiosa: os humanos querem se tornar robôs. Cada vez um número maior de pessoas se oferece em sacrifício, imolando sua vida humana, ao deixar-se encaixar em alguma patologia vaga do manual das doenças mentais e medicalizar o seu cotidiano para se enquadrar em uma pretensa normalidade. E assim dar as respostas “certas”. Continue lendo… 'Os robôs não nos invejam mais'»

Memória prestes a virar pó: casa dará lugar à loja e depósito Foto: Roberto Moreyra / Extra
Thamyres Dias
A estrutura metálica já está pronta para receber o telhado do novo galpão que vai ocupar o número 30 da Rua Floriano Peixoto, em Neves, São Gonçalo. Dentro do terreno, uma casinha centenária aguarda a demolição marcada, segundo o proprietário, ainda para esta semana. Poderia ser uma simples obra, não fosse um detalhe: a casa rosa, com a pintura já castigada pelos anos, é a última testemunha do nascimento da umbanda.
Foi no imóvel — que ocupava o centro de uma chácara, no início do século 20 —, que Zélio Fernandino de Moraes, então com 17 anos, dirigiu a primeira sessão da religião. Era 16 de novembro de 1908. A umbanda é a única manifestação religiosa 100% brasileira.
— A demolição nos deixa muito decepcionados, pois perdemos uma referência da chegada da mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas — diz Pedro Miranda, presidente da União Espiritista de Umbanda do Brasil, em referência à entidade que orientou Zélio a fundar a religião. Continue lendo… 'Casa onde foi fundada a umbanda, em São Gonçalo, será demolida esta semana'»
Implantar o cuidado integral à saúde dos povos indígenas observando as práticas e os cuidados da medicina tradicional.
Esse foi o desafio apontado pela diretora de Atenção à Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Irânia Marques, nesta sexta-feira (22), em Florianópolis, durante o primeiro Seminário Sul/Sudeste de Saúde Indígena Subsistema de Atenção à Saúde Indígena: onde estamos e para onde vamos. “Temos que entender a importância dos pajés, da parteira tradicional, dos xamãs e dos curandeiros na prática da medicina no dia-a-dia”, ressaltou.
Segundo a diretora, até o final do ano a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) elaborará um projeto para qualificação de profissionais de saúde para garantir o respeito às especificidades culturais. “Nós temos realmente que avançar para que não apenas as equipes multidisciplinares tenham esse treinamento, mas também as equipes que são referências para saúde indígena nas maternidades e nos hospitais”, afirmou. Continue lendo… 'Respeito à medicina tradicional indígena é discutido em seminário em Florianópolis'»
Por Egon Heck
O azul do céu e uma leve brisa envolveram Campo Grande no último domingo,10 de julho. Se uniram aos milhares de fiéis que vieram dar as boas vindas a dom Dimas Lara Barbosa durante sua posse como arcebispo de Campo Grande. Dom Vitório, depois de estar por 25 anos a serviço desta igreja local, se despediu emocionado, entre lágrimas e aplausos. Foram mais de três horas de ritual, com a presença de quase duas dezenas de bispos, do regional Oeste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e de outros estados, especialmente do Rio de Janeiro, onde dom Dimas era bispo auxiliar. Além da multidão de fiéis vibrantes, várias autoridades civis e militares se fizeram presentes na celebração de posse.
Dom Dimas chega com grande esperança e entusiasmo para a Arquidiocese de Campo Grande. Seu carisma, experiência como bispo e secretário geral da CNBB (2007-11), tem visão ampla da missão da Igreja, compromisso com a caminhada de toda a igreja local, com especial atenção pelos “rostos que nos interpelam”, como lembra a Conferência de Aparecida. “Rostos doloridos, dos povos indígenas, dos quilombolas, dos à beira da estrada, dos desprotegidos de seus direitos”. A eles certamente dom Dimas devotará especial atenção e amor, no seu ardor profético a partir de seu compromisso com o Evangelho. Em sua fala dom Dimas ainda deixou claro que, coerente com seu lema, buscará ser uma presença de “portas escancaradas”, num permanente “servir, com alegria”. Continue lendo… 'Dom Dimas – Servir com alegria'»
Ontem foi um dia muito especial para mais um passo na batalha pela defesa da liberdade religiosa e contra a intolerância. Pela primeira vez desde 1920, representantes das religiões de matrizes africanas participaram da comemoração da Páscoa Militar, organizada pela representação do Exército em Salvador (a VI Região Militar).
O evento foi no Quartel da Mouraria e contou com a participação de sacerdotes e sacerdotisas ilustres das religiões afro-brasileiras em Salvador, como Tata Anselmo do Mokambo; Babá PC do Oxumaré; Ebomi Nice de Oyá da Casa Branca; professor Jaime Sodré; Tata Eurico; Tata Esmeraldo Emetério, dentre muitos outros. Dentre os representantes de outras religiões, destaque para o querídissimo pastor Djalma Torres, que tem um belíssimo trabalho na área de promoção do diálogo interreligioso, e o pastor Fernando Carneiro que segue este caminho também. Continue lendo… 'Exército abre espaço para religiões de matriz africana e indígenas'»
A Secretaria de Estado da Cultura, por meio da Coordenação de Culturas Populares e da Diversidade Cultural, setores da diretoria da Cidadania Cultural, junto com a Comissão organizadora do Mês da Consciência Negra da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, apresentou à presidente da câmara, vereadora Sofia Cavedon, o projeto Quilombo Central, nessa terça-feira (05).
A proposta é uma ação compartilhada com as instituições públicas, privadas e sociedade civil organizada, para o evento multidisciplinar numa reflexão como marco histórico de 2011: Ano dos Afro-decendentes no Mundo, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O Quilombo Central propõe integrar as diferentes manifestações culturais num evento multifacetário com recortes nas culturas étnico-raciais, em especial as culturas das comunidades Quilombolas. Para o coordenador das Culturas Populares, da diretoria de Cidadania Cultural da Sedac, Sandro Santos, essa ação vai formular uma ampliação dos processos participativos das comunidades negras nas políticas públicas do estado. Continue lendo… 'Projeto Quilombo Central apresentado à Presidência da Câmara de Vereadores de Porto Alegre'»
Por Gilberto Vieira dos Santos
“Os Estados celebrarão consultas e cooperarão de boa-fé com os povos indígenas interessados, por meio de suas próprias instituições representativas, a fim de obter seu consentimento livre e informado antes de aprovar qualquer projeto que afete suas terras ou territórios e outros recursos, particularmente em relação ao desenvolvimento, utilização ou à exploração de recursos minerais, hídricos ou de outro tipo”.
É com essa redação que se apresenta o Artigo 32 da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas,sob medida para os tempos atuais em que vemos os mais diferentes setores rasgarem qualquer legislação ou similar que se refira aos direitos destes povos.
As inúmeras hidrelétricas nos rios Juruena, Aripuanã, rio das Mortes, Teles Pires, rio Araguaia, Xingu são apenas alguns indicativos do desastre anunciado para Mato Grosso. As reuniões ‘técnicas’ da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, são sinais de como o governo pretende continuar tratando os povos que se ponham no caminho de seu ‘Programa de Aceleração do Capitalismo’, como já rebatizaram o PAC: informações incompletas, superficiais, desrespeitosas frente à diferencialidade dos povos, mentirosas. Continue lendo… '“Imã ngô bêjê kim ket kumrej”'»
Por Beatriz C. Maestri e Vanessa Ramos
O povo Pankararé é originário do nordeste da Bahia, da região desértica do Raso da Catarina. Sua vinda para São Paulo e municípios vizinhos em busca de trabalho iniciou-se na época da seca de 1955. Desde então, há um constante fluxo migratório entre o seu território de origem e a região metropolitana de São Paulo. Na Grande São Paulo, os Pankararé concentram-se em maior número na cidade de Osasco, onde vivem 38 famílias. Em outras regiões como Guarulhos, Embu e nas periferias da Zona Leste de São Paulo vivem outras famílias perfazendo um total de aproximadamente 500 Pankararé na Grande São Paulo.
Foi a partir de 2005 que se iniciou uma mobilização maior com envolvimento dos indígenas Pankararé que vivem em Osasco. Nesta época, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em conjunto com a Pastoral Indigenista, organizou encontros com o grupo Pankararé, no sentido de contribuir com sua articulação e fortalecimento cultural. Um ano antes, algumas lideranças deste povo haviam participado em outro encontro promovido pela Pastoral Indigenista e que reuniu diferentes etnias da Grande São Paulo.
A partir do contato com essas entidades de apoio e animadas por conquistas de outros povos vivendo no meio urbano, algumas lideranças Pankararé buscaram assessoria para um processo de aproximação junto aos órgãos públicos de Osasco. Alaíde Pereira Xavier Feitosa, uma das lideranças que despontavam, sonhava há mais tempo com a possibilidade de um espaço específico, na cidade de Osasco, onde o grupo pudesse se encontrar e retomar as atividades culturais como as danças, o artesanato, dentre outros aspectos. Continue lendo… 'Nasce o Fórum Permanente Intersetorial Indígena de Osasco'»
Empresas, cooperativas, organizações não governamentais e instituições terão até o dia 8 de julho para apresentar suas propostas e concorrer ao edital do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), que visa à contratação de entidades para elaborar planos de manejo florestal e promover assistência técnica em atividades florestais para assentamentos na Caatinga.
Os interessados devem realizar a oferta pela internet e quem vencer a licitação prestará serviços para cinco assentamentos no Piauí, Estado que tem a terceira maior taxa de desmatamento do Nordeste, segundo levantamento divulgado em junho pelo Ministério do Meio Ambiente. A expectativa é que mais de 300 famílias sejam beneficiadas, em uma área que pode chegar a 1.000 hectares.
O Serviço Florestal, que já atua em Pernambuco e na Paraíba, através do Edital, passará a beneficiar três, dos seis estados do Nordeste que sofrem com a perda da sua cobertura vegetal.
O edital encontra-se no link http://www.mma.gov.br/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=95&idMenu=7383&idConteudo=11294
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&lang=PT&cod=57999
No período das férias acadêmicas, o Núcleo de Estudos e Pesquisas das Populações Indígenas da Universidade Católica Dom Bosco (Neppi/UCDB) segue com suas atividades. De 11 a 13 de julho o coordenador do Programa Kaiowá Guarani, Dr. Antonio Brand, participa da IX Reunião de Antropologia do Mercosul (RAM), na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. No dia seguinte, 14 de julho, o professor Brand participa de uma mesa-redonda na 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia. Em ambos os eventos apresentará pesquisas desenvolvidas no Neppi.
No dia 8, o professor Brand participa da banca de doutorado do índio Terena, que cursou graduação e mestrado na UCDB, Wanderley Dias Cardoso. A defesa será na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS). Enquanto isso, os demais pesquisadores do Neppi encerram mais um ciclo de pesquisas, orientando os acadêmicos de iniciação científica, que entregam seus artigos e relatórios até o dia 5 de agosto. São oito acadêmicos dos cursos de História, Jornalismo, Filosofia e Pedagogia. Continue lendo… 'Neppi segue com as atividades durante férias acadêmicas'»
Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba e Distrito Federal estiveram representados em reunião na terça feira (28), realizada pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), com o objetivo de agilizar a segunda fase do Projeto A Cor da Cultura.
A ideia é subsidiar o setor educacional desses estados na implementação da Lei 10.639/2003, que prevê o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas, a partir da formação e da oferta de ferramentas áudio-visuais para essa finalidade.
Segundo a secretária de Políticas de Ações Afirmativas da SEPPIR, Anhamona de Brito, os pólos foram escolhidos em função dos altos índices de vitimização da população negra que apresentam, em particular os verificados no Mapa da Violência 2011, pesquisa realizada pelo Instituto Sangari por solicitação do Ministério da Justiça. “Entende-se que a intervenção no campo educacional e os esforços para a plena implementação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, possam contribuir para a reversão do quadro de violência nesses estados”, declarou a gestora. Continue lendo… 'SEPPIR convoca cinco estados para segunda fase do projeto “A Cor da Cultura”'»
No final de novembro do ano passado se lançava ao chão uma semente sagrada. Assuncion acolhia algumas centenas de Guarani de Brasil, Argentina, Paraguai e Bolivia. Era o 3º. Encontro Continental Guarani no qual eles constituem um instrumento de protagonismo na caminhada de união e articulação do povo presente em maior extensão territorial da América do Sul. O Conselho Continental da Não Guarani nasce do jeito de ser e lutar desse povo – sem formalidade ou burocracia. Simplesmente é lançada ao chão a semente, regada com muita sabedoria e profunda mística e espiritualidade.
Passado meio ano, se realiza a primeira reunião, novamente em Assuncion. Nos mesmos dias estão nesta cidade os presidentes das repúblicas do Mercosul. Esse espaço de articulação dos “mercados” gostaria de ter os Guarani como enfeite cultural, pois seria uma bela embalagem para seus produtos ganharem o mundo. Porém esse povo resistente e altivo, já manifestou seu não a essa intenção ao afirmar em seu documento do último encontro “A Nação Guarani não formará parte da estrutura do MERCOSUL, e que se empenhará para o fortalecimento de suas organizações de base e o Conselho Continental”(Documento de Jaguaty, resolução quatro). Continue lendo… 'Conselho Continental da Nação Guarani. Cresce a semente'»

Criança na Escola Oziel Pereira e Roça Gouveia, no assentamento 17 de abril, em Eldorado dos Carajás, no Pará
Mais de 24 mil escolas no campo brasileiro foram fechadas no meio rural desde 2002. O fechamento dessas escolas demonstra o drástico problema na vida educacional no Brasil, especialmente no meio rural.
Após décadas de lutas por conquistas no âmbito educacional, cujas reivindicações foram atendidas em parte – o que permitiu a consolidação da pauta – o fechamento das escolas vão no sentido contrário do que parecia cristalizado.
Nesse quadro, o MST lançou a Campanha Nacional contra o Fechamento de Escolas do Campo, que pretende fazer o debate sobre a educação do campo com o conjunto da sociedade, articular diversos setores contra esses retrocessos e denunciar a continuidade dessa política.
“O fechamento das escolas no campo nos remete a olhar com profundidade que o que está em jogo é algo maior, relacionado às disputas de projetos de campo. Os governos têm demonstrado cada vez mais a clara opção pela agricultura de negócio – o agronegócio – que tem em sua lógica de funcionamento pensar num campo sem gente e, por conseguinte, um campo sem cultura e sem escola”, afirma Erivan Hilário, do Setor de Educação do MST. Continue lendo… '“Fechamento de 24 mil escolas do campo é retrocesso”, afirma dirigente do MST'»