Artigo: Não há arte possível para a gente de bem

A autocensura transformada em censura pelo Santander Cultural é um sinal dos dias sombrios que atravessamos

Por Daniela Name, em O Globo

Uma exposição que inflamou aquela cidade fria. Os cidadãos de bem comentavam, mesmo sem ter visto. As mães protegiam seus filhos daquelas telas, esculturas, fotografias e objetos, consideradas uma ameaça à família, ao espírito nacional, aos altos valores. Cada obra como um ataque premeditado à ordem; cada defensor desse tipo de arte como um pervertido, pedófilo, bandido ou prevaricador — talvez todos os atributos combinados. Uma patrulha civil, milícia da moral, de plantão do lado de fora, abordando e intimidando as pessoas. Afinal de contas, quem não é pelo bem compactua com o mal. Porto Alegre? MBL? Mostra queer? Não. Este texto começou em Munique, onde, há exatos 80 anos, em 1937, um certo Adolf Hitler transformou a mostra “Arte degenerada” em uma de suas principais peças de propaganda ideológica. (mais…)

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Brasil: O racismo segue em ritmo acelerado para defender o capital [Opinião]

Por Thaiña Rodrigues, no Rio On Watch

Rio de janeiro, era julho e acontecia o Julho Negro –evento que promoveu encontros ao redor da cidade para debater o racismo em suas diferentes formas de existência– e presenciei duas cenas, em menos de 30 minutos no Centro da cidade que me deixaram perplexo. Ambos com objetivo de proteger o capital. (mais…)

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Portugal: “A presença de negros na academia é nula”

Professora universitária, Inocência Mata defende quotas para assegurar a representatividade racial em várias áreas. “Não é verdade que a classe social elimine o racismo. Vou a lugares onde sou a única negra e sou discriminada.”

Por Joana Gorjão Henriques, no Público

Inocência Mata é a única professora negra na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde lecciona desde 1990, no departamento de Literaturas Românicas. Está há três anos a dar aulas temporariamente em Macau. Isso não impede que quando chegue ao aeroporto de Lisboa seja chamada para ser revistada ou conduzida à fila dos passaportes não-europeus. Ainda há pouco tempo, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, andava à procura de uma secção, e a pessoa começou a descrever-lhe as direcções. “Quando vir uma placa a dizer consultas externas, vira — sabe ler?” (mais…)

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Dos afrodescendentes espera-se que não passem “da escolaridade obrigatória”

Uma sala de aula com filas atrás para os negros e à frente para os brancos. Uma professora com dificuldade em acreditar que a aluna merecia mesmo 18. “Obviamente que somos muito mais analisados, avaliados e escrutinados”

Por Joana Gorjão Henriques, no Público

Em São Domingos de Rana, na linha de Cascais, fica o bairro das Faceiras, construído no início dos anos 1980 para acolher população retornada das ex-colónias e famílias de origem cabo-verdiana. (mais…)

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7 de setembro: Diz que ama o país, mas pensa só em si e o resto que se dane, por Leonardo Sakamoto

No Blog do Sakamoto

Nunca consegui entender as pessoas que saem enroladas em bandeiras verde e amarelas. Amor ao país? Pode ser. Mas acho que o querer-bem a um determinado lugar se traduz através de ações individuais e coletivas para torná-lo melhor para se viver e não entulhando bandeirinhas no carro ou pendurando flâmulas na sacada da janela. (mais…)

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“O lá e o aqui”: o documentário que desconstrói o mito da democracia racial no Brasil

No Justificando

O documentário “O lá e o aqui”, quem tem estreia prevista para 16 de setembro, propõe uma reflexão acerca do mito da democracia racial no Brasil. O curta-metragem reuniu depoimentos de seis jovens oriundos de diversos países do continente africano que, com o objetivo de complementarem seus estudos e pesquisas, lançaram-se numa aventura em um Brasil idealizado.  (mais…)

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O Desmonte do Estado social

Por Makota Célia Gonçalves de Souza, no Brasil de Fato

O Brasil vive, há um ano, um estado de golpe à democracia, aos direitos e às conquistas das trabalhadoras e dos trabalhadores. O desmonte do Estado social patrocinado pelos golpistas de plantão demonstra claramente o que pretende a elite brasileira: o retorno a um país onde impera a fome, a miséria, o desemprego, a morte e a violência social. (mais…)

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El racismo, un tema tabú dentro de la comunidad latina en EE.UU.

Por Robert Valencia – GlobalVoices / Servindi

5 de setiembre, 2017.- El pasado 24 de julio en Los Ángeles, California, un hombre hispano agredió a un vendedor ambulante mexicano en la calle y lanzó su carro de comida rápida al suelo. En un video amateur el agredido dijo que ese “pinche racista” había tirado su estante, a lo que el victimario respondió, “No soy racista, mongólico, soy argentino”. El video, con más de 8,8 millones de reproducciones, ha generado diversas reacciones. (mais…)

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A lei não é para todos, por Eliane Brum

Como a Lava Jato reforça no país uma ideia perigosa: a de que prisão é justiça

No El País

A Operação Lava Jato, mesmo com todas as falhas e abusos cometidos, assim como a vaidade descontrolada de parte de seus protagonistas, presta um grande serviço ao Brasil ao revelar a relação de corrupção entre o público e o privado. Uma relação que atravessa vários governos e vários partidos e vários políticos de vários partidos. E a Operação Lava Jato presta também um grande desserviço ao Brasil ao reforçar uma das ideias mais perigosas, entranhadas no senso comum dos brasileiros, e realizada no concreto da vida do país: a de que prisão é sinônimo de justiça. Num país em que o encarceramento dos pobres e dos negros tornou-se uma política de Estado não escrita – e, paradoxalmente, acentuou-se nos governos democráticos que vieram depois da ditadura civil-militar (1964-1985), reforçar essa ideologia não é um detalhe. Tampouco um efeito colateral. É uma construção de futuro. (mais…)

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