Posts tagged: escravidão no brasil

Diretora da OIT no Brasil pede aprovação da PEC do Trabalho Escravo

Por , 15/05/2012 17:00

Carolina Sarres, Repórter da Agência Brasil

Brasília – A diretora da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Andrea Bolzon, disse hoje (15) que as convenções da organização são “patamar mínimo” de direitos dos trabalhadores e que a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Trabalho Escravo seria um avanço que extrapolaria as convenções 29 (sobre Trabalho Forçado ou Obrigatório) e 105 (sobre a Abolição do Trabalho Forçado) – o que, para ela, é “desejável”.

A representante participou na manhã de hoje (15) de audiência pública sobre trabalho escravo, na Câmara dos Deputados.

“A OIT tem o olhar lançado sobre as condições de todos os países do mundo. Em um país como o Brasil, onde se tem ampla liberdade, espera-se que se evolua a partir do mínimo e se eleve o patamar a níveis mais altos de direitos. Além disso, a ratificação de uma convenção por um membro não pode ser usada como argumento para diminuir níveis de direitos mais amplos que querem ser estabelecidos no âmbito interno do Estado”, disse a diretora.

Sobre a possibilidade de alterações no Artigo 149 do Código Civil brasileiro para a tipificação de trabalho escravo e degradante – como pedem entidades patronais e parlamentares da bancada ruralista para a aprovação da PEC, que, segundo eles, é muito subjetiva -, a diretora da OIT argumentou que não há nenhuma contradição entre as convenções e o código. Continue lendo… 'Diretora da OIT no Brasil pede aprovação da PEC do Trabalho Escravo'»

Unesco lista lugares símbolo da memória da escravidão no Brasil

Por , 24/04/2012 11:03

Agência Brasil

Elaborada com base em uma pesquisa iniciada no ano passado, a lista é uma iniciativa do projeto Rota do Escravo: Resistência, Herança e Liberdade, criado em 1994 pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Com uma programação de oito filmes, o festival é uma mostra itinerante realizada anualmente em mais de dez cidades, de três continentes. O evento é organizado por uma rede internacional de pesquisa, da qual fazem parte as universidades de York e Laval, do Canadá, a École de Hautes Études em Sciences Sociales e o Centre National de la Recherche Scientifique, da França, e o Laboratório de História Oral e Imagem, da Universidade Federal Fluminense (UFF), do Brasil.

Um dos destaques da mostra, que tem curadoria das historiadoras Hebe Mattos e Martha Abreu, é o filme “Os Escravos de Ontem, Democracia e Etnicidade no Benin”, ganhador do prêmio do júri da edição festival realizada no ano passado no Museu do Quai Branly, em Paris. Também será lançada a caixa de DVDs “Passados Presentes”, com quatro filmes de pesquisa realizados com descendentes de escravizados das antigas áreas cafeeiras do Vale do Paraíba, no sul fluminense. Continue lendo… 'Unesco lista lugares símbolo da memória da escravidão no Brasil'»

Cativeiro e liberdade

Por , 07/04/2012 11:58

Pranchas do pintor alemão Rugendas (1802-1858) com desenhos dos tipos físicos dos africanos escravizados que chegaram ao Brasil

Livro de Andréa Lisly Gonçalves trata da experiência da alforria no quadro mais amplo da história social da escravidão e dá pistas importantes para pensar a formação do Brasil

Carlos Malaquias*

Mais de 10 milhões de africanos foram trazidos à América na maior e mais longa migração forçada da história. Seu destino comum era a escravidão, mas as formas como eles e seus descendentes foram integrados às sociedades locais variou muito no tempo e no espaço. No Brasil, que sozinho recebeu 40% dessas pessoas, 1 milhão apenas nos seus primeiros 30 anos de independência, constituíram a maior população negra das Américas, em grande parte por causa do costume dos senhores de libertar alguns escravos. Por que exatamente os senhores abriam mão de seus escravos é uma pergunta complicada. Porém, o hábito sempre existiu nas sociedades com escravos, em maior ou menor medida, de modo que aparentemente funcionava como uma válvula de escape. Por que no Brasil o costume foi mais disseminado do que em outras regiões é outra questão, ainda mais difícil.

A professora da Universidade Federal de Ouro Preto Andréa Lisly Gonçalves por muito tempo estudou esse costume, conhecido como alforria. O resultado desse trabalho é o livro ‘As margens da liberdade, estudo sobre a prática de alforrias em Minas colonial e provincial’, publicado pela Fino Traço Editora. Munida de ampla pesquisa documental e muita perspicácia, a historiadora interpela as ideias mais estabelecidas sobre nossa formação e mostra que a prática da alforria na América variava de acordo com as condições políticas e econômicas de cada região. Longe de ser sintoma da bondade dos senhores brasileiros, a maior parte das alforrias era comprada pelos escravos, beneficiava uma minoria e reforçava o poder senhorial. Continue lendo… 'Cativeiro e liberdade'»

A Bahia racista

Por , 29/02/2012 15:17

Mesmo sendo o segundo lugar no mundo com o maior número de afro-descendetes, a Bahia continua preconceituosa. De acordo com historiadores brasileiros, isso é o resultado de 400 anos de escravidão

Por quase quatro séculos, milhões de africanos foram sequestrados, vendidos, castigados e obrigados a trabalhar de graça para fazer girar a economia brasileira. Durante o período de escravidão os ideais eram claros: dominação, diferença e exclusão. Mesmo com a instituição da lei áurea, em 1888 a situação dos afro-descendentes não foi modificada. Grande parte da população que antes era escrava continua às margens da sociedade.

Segundo a historiadora baiana Marli Geralda, o racismo é um legado da escravidão na sociedade, muito forte devido ao tempo de duração do período no país. “Hoje o afro-descentende precisa superar quatrocentos anos de exclusão”, afirma. “Isso faz parte de um processo global que visa suprir a necessidade de integrar o negro como elemento ativo na sociedade brasileira”. Ela ainda acrescenta que o que existe é o resultado de um longo processo político de retomada de consciência dos movimentos negros. “Hoje não é elegante negar o racismo”, diz. Continue lendo… 'A Bahia racista'»

Complexo do Valongo: Ossos que falam

Por , 18/01/2012 14:21

Discurso silencioso – Tráfico de escravos é desencavado na região portuária do Rio de Janeiro

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Ecos da escravidão

Por , 15/06/2011 11:41

Cynara Menezes

Nunca o fosso entre a segurança de brancos e negros foi tão grande. Enquanto o número de assassinatos de uns cai, o dos outros segue em alta.

No anúncio de tevê feito para atrair turistas pelo governo da Bahia, o menino dizia que, quando crescesse, queria ser capoeirista como o pai. Por volta das 10 da noite de 21 de novembro do ano passado, Mestre Ninha, pai de Joel da Conceição Castro, chamou os filhos para dentro de casa, no instante em que a polícia fazia uma incursão pelo bairro onde mora a família, Nordeste de Amaralina, um dos mais violentos de Salvador. Segundos depois, o garoto foi atingido por uma bala perdida e morreu. Tinha 10 anos de idade.

A história do menino que não realizou seu sonho por não ter crescido, infelizmente, não é exceção. Como ele, cerca de outras 50 mil crianças, jovens e adultos, morrem vítimas de assassinato todos os anos no País, brancos e negros. Mas negros, como Joel, morrem em proporção muito maior. E o pior: a diferença tem aumentado nos últimos anos. Em 2002, foram assassinados 46% mais negros do que brancos. Em 2008, a porcentagem atingiu 103%. Ou, em outras palavras, para cada três mortos, dois tinham a pele escura. Quem maneja os dados preliminares de 2009 diz que a situação piorou ainda mais. Continue lendo… 'Ecos da escravidão'»

Trabalho escravo desafia lei na região

Por , 06/06/2011 10:36

No dia 13 de maio, data do aniversário de 123 anos da abolição da escravatura no Brasil, o Ministério Público Federal em Marabá (PA) encaminhou à Justiça nada menos que 23 denúncias de trabalho escravo. A reportagem é de Daniel Bramatti e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 06-06-2011.

As irregularidades foram constatadas em fazendas no sudeste do Pará. “É um dos nossos principais desafios”, disse Tiago Modesto Rabelo, um dos dois procuradores federais responsáveis pelos 38 municípios da região.
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Mentiras mais contadas sobre Trabalho Escravo

Por , 31/05/2011 11:05

A pedido da Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), a ONG Repórter Brasil enumerou as mentiras mais contadas por aqueles que não querem ver o problema resolvido e contou a verdade por trás delas. Confira. Continue lendo… 'Mentiras mais contadas sobre Trabalho Escravo'»

Ensaio polêmico sobre os escravos

Por , 10/06/2010 18:21
Obra que insiste no ”caráter benigno” da escravidão utilizou anúncios de jornais

Lilia Moritz Schwarcz – O Estado de S.Paulo

Fugiu Diogo, de nação Calabar, falta de cabelo no alto da cabeça e um joelho mais grosso que outro, resultado de castigos. Fugiu Benedito, crioulo, oficial de carpina, já velho e desdentado, com cabelos brancos na cabeça. Fugiu Catarina, de nação Congo, cozinheira, traz marcas de pegas e ganchos.

Os jornais brasileiros do 19 estão repletos de anúncios como esses, que noticiam fugas de escravos. Sem distinção de sexo ou idade, tais documentos representam prova substantiva de como o cativeiro foi naturalizado no Brasil, e da maneira como a violência do sistema não assustava; ao contrário, era utilizada como forma de identificação.

E não foram apenas os anúncios de fuga que escancararam a presença escrava no País. Se neles se pretendia descrever objetivamente o “cativo fujão”, de maneira a ajudar na recuperação; já nas inúmeras notícias de aluguel, venda, penhora ou seguro de escravos, a operação dava-se ao revés: tratava-se de exaltar as qualidades do “produto”. Continue lendo… 'Ensaio polêmico sobre os escravos'»

De Cazemiro@edu para Demóstenes.Torres@gov

Por , 10/04/2010 11:34

ELIO GASPARI

"Navio negreiro" de Johann Moritz Rugendas, 1830.
“Navio negreiro” de Johann Moritz Rugendas, 1830

Desde o século 19, o negro livre é uma encrenca para as nossas leis, eu que o diga

ILUSTRE SENADOR Demóstenes Torres,

Quem lhe escreve é Cazemiro, um Nagô atrevido. Faço-o porque li que o senhor, um senador, doutor em leis, sustenta que a escravidão brasileira foi uma instituição africana. Referindo-se aos 4 milhões de negros trazidos para o Brasil, vosmicê disse o seguinte: “Lamentavelmente, não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos, mas chegaram…”

Vou lhe contar o meu caso. Eu cheguei ao Rio de Janeiro em julho de 1821 a bordo da escuna Emília, junto com outros 354 africanos. O barco era português e o capitão, também. Fingia levar fumo para o Congo, mas foi buscar negros na Nigéria e, na volta, acabou capturado pela Marinha inglesa. Desde 1815, um tratado assinado por Portugal e Grã Bretanha proibia o tráfico de escravos pela linha do Equador.

Quando a Emília atracou no Rio, fomos identificados pelas marcas dos ferros. A minha, no peito, parecia um arabesco. Viramos “africanos livres”. Livres? Não, o negro confiscado a um traficante era privatizado e concedido a um senhor, a quem deveria servir por 14 anos. O Félix Africano, resgatado em 1835, penou 27 anos. Doutor Demóstenes, essa lei era brasileira.
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Programação feita por Ricardo Álvares, utilizando uma versão modificada do tema Panorama, criado por Themocracy.