Posts tagged: favelas

Rocinha e a Espetacularização da barbárie

Por , 23/11/2011 15:29

Morador é revistado. "Todos são suspeitos" / Foto: Naldinho Lourenço

Por Zé Rodolfo*

O que tem a ver a Rocinha, o Alemão, o Iraque e a espetacularização da ação policial? Recente publicação no wikileaks, comparava as UPP’s à tática de guerras imperialistas norte-americana. A velha máxima conservadora da defesa nacional, que até bem pouco reinava sem oponentes nos EUA, justifica “ocupações” de território pelo mundo. O filme fahrenheit9/11 (de Michael Moore) mostra  muito bem o uso que foi feito da ação ideologicamente.

No Brasil, a ideologia de “guerra às drogas” tem sido utilizada como mote para a intervenção policial nos territórios populares. O pedido que antes era relegado a loucos ou torturadores da política institucional, mas que ecoava no senso comum foi cumprido: “Bota o exército, pra subir o morro”.

O  que temos assistido é um processo perverso, onde o uso das forças armadas, a utilização de força desproporcional, armamentos pesados, revistas indiscriminadas e etc… produzem o espetáculo perfeito para na mais velha tradição “fascistóide”, criar unidade politica de todos em torno do inimigo comum, os traficantes. Continue lendo… 'Rocinha e a Espetacularização da barbárie'»

Nota Pública sobre a ocupação policial da Rocinha

Por , 13/11/2011 12:47

rocinha

Nós, organizações da sociedade civil do Rio de Janeiro, manifestamos a todos nossa preocupação com a situação que a Rocinha enfrenta neste momento. Exigimos do Governo do Estado e do Governo Federal que garantam que a ocupação policial de amanhã seja feita com total respeito aos direitos dos moradores e de suas famílias.

Há cerca de um ano, durante a ação da polícia no Complexo do Alemão, com apoio e participação das Forças Armadas, diversos crimes e abusos foram praticados por agentes públicos, no exercício de suas funções. No entanto, governantes, parlamentares, meios de imprensa e outras entidades ignoraram as denúncias feitas por moradores e por organizações da sociedade civil, e comprovadas posteriormente com a investigação feita pela Polícia Federal. Ainda hoje, casos de violações de direitos cometidas por soldados do Exército têm sido documentados no Alemão.

Acreditamos que todas as favelas e comunidades pobres do Rio de Janeiro têm o direito a uma vida com segurança plena garantida pelo Estado. No entanto, a presença estatal, obviamente, deve ser feita com o respeito absoluto a todos os direitos dos cidadãos que sempre viveram na Rocinha, e que não podem ser tratados como criminosos. Continue lendo… 'Nota Pública sobre a ocupação policial da Rocinha'»

Mais um incêndio em favela de São Paulo, mais famílias sem teto

Por , 08/11/2011 16:41

Assista ao vídeo que o pessoal do Cinema de Rua fez um dia depois do incêndio:

Por Raquel Rolnik*

Na noite do último sábado um incêndio atingiu duas favelas no Jaguaré, zona oeste de São Paulo. Não foi a primeira vez que isso aconteceu. Há dois anos, uma delas já tinha sido atingida por um incêndio.

Hoje de manhã, menos de três dias depois, uma construtora já está no local preparando o canteiro de obras para a construção de edifícios na área. Não deu tempo nem de terminar o rescaldo. Este edifícios fazem parte de um projeto de reurbanização do local, mas as famílias que foram atingidas pelo incêndio não estão incluídas entre os beneficiários destas novas moradias. Continue lendo… 'Mais um incêndio em favela de São Paulo, mais famílias sem teto'»

Desabafo e homenagem ao Dia da Favela: de reduto discriminado à terra de guerreiros

Por , 05/11/2011 12:13

Gizele Martins

Quem vai valorizar e passar o recado de que moradores de favelas são guerreiros é a mídia alternativa; a mídia comunitária. Aquela feita pelo povo e pelos amigos e defensores do povo!

A favela virou moda. É verdade sim, ela virou moda. Na verdade, ela sempre foi um grande espetáculo para os telejornais, jornais, seja lá qual mídia for. Mas é certo também que ela sempre esteve nas páginas mais sangrentas. Só, só nestas páginas, mais nada! Afinal, a favela, segundo esta sociedade capitalista neoliberal, é sinônimo de violência, de violência e violência!!! E para por aí.

O que não é por acaso. É preciso criminalizar quem mora nela. Já que apenas parte desta sociedade pode, neste sistema dominar, ter direitos, ser considerado gente! E para esta parte, nós favelados precisamos sumir, não podemos sequer existir.

É por isso que não temos direito à educação, à saúde pública, à segurança, à moradia, dentre diversos outros direitos. O nosso único direito, na verdade, é o de sermos escravos desta minoria.

O maior problema é que eles dominam tudo mesmo. Conseguem até fazer com que a gente negue a si próprio, negue e criminalize a nossa própria identidade. A nossa própria cultura, história, vida. Eles fazem a gente se sentir burro, preguiçoso e até criminoso. Continue lendo… 'Desabafo e homenagem ao Dia da Favela: de reduto discriminado à terra de guerreiros'»

Pela primeira vez, comunidades pobres assistem concerto no Theatro Municipal do Rio

Por , 16/10/2011 17:33

Flávia Villela, Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Theatro Muncipal, no centro do Rio, recebeu na manhã de hoje (16) um público bem diferente do habitual. Mais de 500 pessoas de 11 comunidades pobres da cidade, que receberam recentemente policiamento comunitário, assistiram pela primeira vez a um concerto da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). A iniciativa foi patrocinada pela concessionária de energia elétrica Light, em parceria com a OSB.

Crianças, adolescentes, adultos e idosos da Ladeira dos Tabajaras, de Santa Marta, do Morro dos Cabritos, Morro do Cantagalo, da Cidade de Deus, Babilônia, do Chapéu Mangueira, do Jardim Batan, Morro da Formiga, Morro do Borel e Morro dos Macacos puderam desfrutar de uma apresentação eclética, com repertório que incluiu Villa-Lobos, Tom Jobim, Piazzola e Haydn, tocado exclusivamente por jovens estudantes de música da OSB Jovem.

Moradora do Cantagalo, zona sul do Rio, Clemilda Ribeiro, 58 anos, levou o neto Mateus, 5 anos, para assistir ao concerto. “É a primeira vez que a gente vem aqui. Estou achando tudo lindo. Estou adorando”. Continue lendo… 'Pela primeira vez, comunidades pobres assistem concerto no Theatro Municipal do Rio'»

RJ – VII Seminário de Psicologia e Direitos Humanos: Segurança Pública e Direitos Humanos

Por , 12/10/2011 09:50

O VII Seminário de Psicologia e Direitos Humanos, que terá por tema “Segurança Pública e Direitos Humanos”, será realizado de 19 a 21 de outubro, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ.

O evento, que será gratuito e contará com intérprete de libras, acontecerá no  Auditório 71 (7º andar) do Bloco F do campus Maracanã da UERJ (Rua São Francisco Xavier, 524). Mais informações pelo telefone (21) 2139-5439.

A Mesa de Abertura será às 18 horas do dia 19m quarta-feira, com uma Conferência do deputado estadual Marcelo Freixo, Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, sobre a “Atual conjuntura das políticas públicas para segurança no Estado do Rio de Janeiro”.

Em seguida, haverá a apresentação de um trecho do espetáculo “Ô, Lili”, da Cia Marginal.

A seguir, a Programação dos outros dias: Continue lendo… 'RJ – VII Seminário de Psicologia e Direitos Humanos: Segurança Pública e Direitos Humanos'»

RJ – Video flagra homem sendo espancado por militares no Complexo do Alemão

Por , 03/10/2011 12:47

Imagens registradas no último fim de semana por nossa reportagem no Complexo do Alemão. A pessoa que aparece sendo espancada por militares é um homem de 42 anos que trabalha como açougueiro em uma rede de supermercados. Ele é morador da localidade conhecida como Largo da Vivi, no morro da Alvorada, onde as imagens foram registradas. Desde o início do mês, a equipe do jornal A Nova Democracia tem registrado inúmeras denúncias de abusos contra moradores cometidos pelas tropas do exército, que desde novembro do ano passado ocupam as 13 favelas do Complexo do Alemão.

Enviada por Renata Lira.

Na moda e fora dela

Por , 29/09/2011 10:09

Marcelo Araújo, morador Cantagalo: "Viver aqui está mais caro"

por Silvana Bahia e Thiago Ansel

Desde as primeiras Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) instaladas em favelas cariocas, entre o fim de 2008 e início de 2009, um novo tema passou, forçosamente, a ser incorporado aos mais variados debates sobre segurança pública: a pacificação de áreas antes dominadas por grupos criminosos armados. Desde então, foram implantadas 17 UPPs, que abrangem cerca de 60 favelas.

De lá pra cá – e até muito recentemente – assistiu-se, sobretudo, na grande mídia, ao pipocar de uma série de inflamados discursos entusiastas da nova política, celebrando-a como se ela fosse uma espécie de solução mágica para questões históricas ligadas a desigualdades de várias ordens.

O êxtase eufórico com as UPPs, apesar de ainda se sustentar, vem sendo confrontado por denúncias a respeito de suas inadequações, principalmente, em relação ao trato com os moradores das áreas pacificadas ou em processo de pacificação. Nesse contexto, dois tipos de críticas ao atual modelo têm persistido. A primeira tem a ver com o tipo de ocupação, centrada no controle policial do território, enquanto questões sociais são deixadas em segundo plano. A segunda, é sobre a concentração das UPPs em determinados territórios em detrimento de outros. Continue lendo… 'Na moda e fora dela'»

Universidade Favela começa capacitar lideranças comunitárias de favelas cariocas

Por , 17/08/2011 12:21

Nielmar de Oliveira, Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Com objetivo de capacitar 90 lideranças comunitárias da Vila Aliança e dos complexos de favelas da Maré e do Alemão, na zona norte da cidade, a Universidade Cândido Mendes deu início ontem (16) ao projeto Universidade Favela.

A aula inaugural foi feita pelo desembargador Geraldo Prado, militante da causa dos direitos humanos, e contou com a presença da secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki.

A ideia do projeto é de criar um espaço para a troca de conhecimento entre a universidade e os moradores das comunidades populares para a produção intelectual, social e política.

Os alunos terão aulas na Universidade Cândido Mendes, ao longo dos próximos quatro meses, na área de segurança pública e Justiça.

Ao fim do curso, os alunos receberão certificados de conclusão expedido pela Universidade Cândido Mendes, desde que tenham cumprido os requisitos necessários, como o que estipula uma frequência de 85% das aulas e a participação nas visitas guiadas a órgãos públicos.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-08-16/universidade-favela-comeca-capacitar-liderancas-comunitarias-de-favelas-cariocas

 

Prefeitura e UPP tomam praça na Providência para obras do teleférico e há protesto neste momento

Por , 19/07/2011 17:28

Funcionários da empreiteira contratada pela prefeitura do Rio de Janeiro contaram com a ajuda de policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) instalada no Morro da Providência, no Centro da cidade, para tomar a praça Américo Brum, situada no interior da comunidade. A praça ganhou repercussão pública em 2008, quando três jovens foram sequestrados por militares do exército, que então ocupavam a favela, e levados para outra comandada por uma facção rival, na qual foram mortos.

A área está sendo requerida pela prefeitura para ali ser instalada a base do teleférico que será construído na localidade, uma das obras inseridas no plano de reurbanização da comunidade, bem como no projeto “Porto Maravilha”, de revitalização da região portuária. Tal obra implicará na remoção de dezenas de famílias. Em conjunto com as moradias que a prefeitura alega estar em áreas de risco, o número das construções a serem removidas chega próximo de 700 construções. Continue lendo… 'Prefeitura e UPP tomam praça na Providência para obras do teleférico e há protesto neste momento'»

“Sangrando Chuva”, de Daniel Levi

Por , 09/07/2011 11:13

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RJ – A invenção das “ex-favelas”

Por , 09/06/2011 07:28
A moradora Gizele Martins: "Não é mudando apenas o nome que passo a me sentir cidadã".

A moradora Gizele Martins: "Não é mudando apenas o nome que passo a me sentir cidadã".

Por Thiago Ansel

Na última semana de maio, o Rio de Janeiro passou a ter menos 44 favelas. Esta parece ter sido a última de uma série de subtrações no número de favelas da cidade – que cai vertiginosamente desde agosto passado, de acordo com as contas oficiais. Para se ter idéia do tamanho da queda, em todo o município, a quantidade de favelas despencou de 1.020 para 582, em apenas dez meses. Os dados são do Instituto Pereira Passos (IPP).

Apesar da diferença na contagem e mesmo diante da recente febre de remoções de comunidades populares por conta dos megaeventos esportivos de 2014 e 2016, as 438 favelas a menos não sumiram da noite para o dia. Tudo indica que parte delas tenha apenas deixado de fazer parte dos cálculos oficiais, pelo menos, daqueles que se referem à categoria favela.

Os últimos 44 locais que deixaram de ser assim classificados, passaram a ser oficialmente chamados de “comunidades urbanizadas”. A mudança foi feita a partir de dados fornecidos pelo IPP e a Secretaria Municipal de Habitação (SMH). O critério básico adotado para a troca no nome foi a quantidade de serviços urbanos disponíveis nestes locais – que seria similar àquela fornecida em outros bairros da cidade, segundo o IPP e a SMH.

A nova classificação rendeu diversas manchetes nas editorias de cidade dos grandes jornais cariocas, que trataram de batizar as mais novas 44 “comunidades urbanizadas” de “ex-favelas”. Nas redes sociais, o termo “ex-favelado” – derivado da polêmica – pegou e foi motivo de piadas. Continue lendo… 'RJ – A invenção das “ex-favelas”'»

Seis anos de Chacina da Baixada

Por , 30/03/2011 14:32
A caminhada em 2009: em nenhum dos seis anos a chacina deixou de ser lembrada. Foto: Márcia Floreto / O Globo

A caminhada em 2009: em nenhum dos seis anos a chacina deixou de ser lembrada. Foto: Márcia Floreto / O Globo

Por Thiago Ansel

Nesta quinta-feira (31), familiares e amigos das vítimas da Chacina da Baixada, juntamente com movimentos e organizações de defesa dos direitos humanos, farão uma caminhada em memória do sexto ano do massacre. O crime entrou para história como a maior chacina do estado do Rio de Janeiro. As execuções aconteceram em 2005, quando policiais militares percorreram de carro as ruas dos municípios de Nova Iguaçu e Queimados, disparando contra pedestres. Pelo caminho os policiais deixaram 29 mortos e um ferido. Entre as vítimas fatais oito crianças e sete adolescentes.

“A passeata é uma lembrança para que o que aconteceu não fique esquecido. A mídia já esqueceu, as autoridades já esqueceram. Então, além de uma homenagem às vítimas é uma forma de dizer que ainda estamos na luta e que esta luta não é só nossa. Qualquer um, qualquer pessoa de qualquer família pode ser vítima”, diz uma das organizadoras do evento, Luciene Silva. Ela é mãe de Rafael Silva Couto, morto aos 17 anos no massacre. Continue lendo… 'Seis anos de Chacina da Baixada'»

Programação feita por Ricardo Álvares, utilizando uma versão modificada do tema Panorama, criado por Themocracy.