“A princípio, uma criança indígena rural pode ouvir: ‘Que queres ser no futuro?’ E, então, pode responder: ‘Eu quero ser presidente da Bolívia’. Isto é sumamente importante quando sabemos que há uns 30 anos a população indígena não podia aspirar a qualquer coisa porque era excluído de possibilidades”, é o que aponta Abraham Colque. O teólogo concedeu esta entrevista à IHU On-Line a partir de Dacar, quando participou do Fórum Social Mundial.
A identidade do indígena, seja no contexto da realidade boliviana, latino-americana ou global, além da ideia da Terra Madre e do Bem-viver comos projeto de futuro para a sociedade atual são ideias refletidas pelo teólogo. “Hoje a situação mudou, e acredito que se trata de uma das mudanças mais importantes. Um indígena, onde quer que tenha nascido, pode querer ser presidente, pode ter formação acadêmica, pode abrir uma empresa, pode ter participação política. E isto é muito valioso”, declarou.
Abraham Colque é formado em Teologia pela Universidad Bíblica Latinoamericana da Costa Rica e mestre pela Universidad Libre de Amsterdam (Holanda). É reitor do Instituto Superior Ecumênico Andino de Teologia – ISEAT (La Paz/Bolívia) e Secretário Executivo da Comunidad de Educación Teológica Ecuménica Latinoamericana y Caribeña – CETELA. Confira a entrevista.
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Andrea Lunt
Há mais de 200 anos atrás, um dos presidentes fundadores dos Estados Unidos, Thomas Jefferson, fez um famoso comentário: “Cada geração precisa de uma nova revolução”. Hoje, suas palavras são mais relevantes do que nunca, já que os jovens em todo o mundo marcam 2011 como um ano de mudanças.
A julgar pelas recentes revoltas no Egito e na Tunísia e pela forte participação na semana passada no Fórum Social Mundial (FSM), em Dakar, no Senegal, o ativismo está vivo e bem.
Para ter um panorama do FSM deste ano e algumas ideias sobre as revoltas recentes, IPS falou com Boaventura de Sousa Santos, autor e professor de sociologia da Universidade de Coimbra, em Portugal.
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Nós, sujeitos da informação alternativa e militantes que utilizamos a comunicação como uma ferramenta de transformação social
Constatando, num contexto mundial caracterizado:
- pela influência dos poderes políticos, econômicos e industriais sobre a comunicação e a instrumentalização da informação pelos Estados;
- pela negação, obstaculização e repressão à liberdade de expressão dos povos;
- por pouco ou nenhum acesso à informação garantido ao conjunto dos cidadãos;
- pela repressão violenta contra os cidadãos e sujeitos da informação;
- pela mercantilização e a uniformização da informação;
- pela desconfiança crescente da opinião pública em relação à informação veiculada pelas mídias tradicionais, Continue lendo… 'FSM: Declaração da Assembléia pelo direito à comunicação'»
Entre 6 e 11 de fevereiro de 2011, realizou-se em Dacar, no Senegal, a edição centralizada do FSM. Com mais de 50 mil participantes, de 130 países, foi um fórum que deixa suas marcas no processo iniciado em 2001, em Porto Alegre. Uma grande mobilização na volta do Senegal, com a organização de caravanas, garantiu a presença de importantes delegações de 12 países da África. Foi, no pleno sentido da palavra, um FSM africano, dada a presença de movimentos e organizações sociais de quase todos os países do continente. A destacar especialmente a forte presença magrebina, num momento de insurgência cidadã no países árabes. Aliás, as mudanças no mundo árabe deram aos participantes do Fórum Social Mundial deste ano a sensação mais concreta de estarem conectados com os processos de mudanças reais para que outro mundo seja possível. No entanto, foi, talvez, o FSM mais caótico em termos organizativos. A “ágora” virou cacofonia e muito desencontro, mas não deixou de ser inspiração e, ao seu modo, fortaleceu a determinação dos altermundialistas na luta cívica por mudanças.
Sobre o FSM 2011, quero destacar, antes de tudo, a importância simbólica e política de olhar o mundo a partir de Dacar. A diáspora africana, sob forma de tráfico negreiro de escravos, junto com a conquista, colonização e domínio de povos inteiros pelo mundo, é parte constituinte da civilização moderna, uma de suas condições históricas fundamentais da expansão capitalista, criando países ricos e pobres, desenvolvidos e subdesenvolvidos. A crise de civilização de hoje, neste sentido, não pode ser entendida sem ver como esta civilização industrial, produtivista e consumista, com mercantilização de tudo, em suas ondas sucessivas de globalização, gerou uma África inteira pobre e dependente. A diáspora, sob forma de migração, continua até hoje. O continente africano ainda é celeiro de mão de obra e seus imensos recursos naturais continuam sendo estratégicos aos olhos de grandes conglomerados capitalistas e dos governos imperialistas de plantão a seu serviço. Hoje, particularmente, a China no que tange os recursos naturais e a Europa em termos de mão de obra.
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Entre outros temas, o FSM 2011 discutiu a crise estrutural do capitalismo global e seus efeitos catastróficos para o meio ambiente. Essa agenda alternativa passa pela realização do Fórum Social Temático em Porto Alegre, em janeiro de 2012, que já conta com o apoio do governo do Rio Grande do Sul e das prefeituras da capital e da região metropolitana.
O texto é de Eduardo Mancuso, membro da Rede do Fórum de Autoridades Locais pela Inclusão Social e a Democracia, e publicado por Carta Maior, 20-02-2011. Eis o artigo.
“Aqueles que pregavam o “fim da história” assistem hoje o movimento inevitável dessa história que acreditavam morta. É o que se vê na América do Sul, na África, mas sobretudo nas ruas de Túnis e do Cairo e de tantas outras cidades africanas onde renasce a esperança de um mundo novo.” (Lula, 7 de fevereiro, FSM 2011 -Dacar)
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Esther Vivas é membro do Centro de Estudos sobre Movimentos Sociais de la Universitat Pompeu Fabra en Barcelona, ativista e co-autora de livros como Del campo al plato (Icaria editorial, 2009) o Supermercados, no gracias (Icaria editorial, 2007), entre outros.
O processo de articulação de redes e movimentos sociais têm tomado toda sua forma na penúltima jornada do Fórum Social Mundial (FSM), nesta quinta, 10 de fevereiro. Assembléas temáticas de mulheres, campesinos, economia solidária, contra a guerra, por justiça climática, etc. Aconteceram, asim como a celebração de uma massiva Assembléia de Movimentos Sociais, onde convergiram os setores mais ativistas do FSM.
A Assembléia de Movimentos Sociais, promovida pela Vía Campesina, o CADTM, a Marcha Mundial de Mulheres, entre outros, aprovaram, em uma multitudinária assembléia com cerca de tres mil participantes, uma declaração em que insta a convergencia das lutas e a ação em duas datas centrais de mobilização para este ano de 2011. Por um lado, se aprovado o 20 de março como jornada internacional de solidaridade com os processos revolucionários no mundo árabe e, por outro, o 2 de outubro como dia de ação global contra o capitalismo.
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Con el propósito de sintetizar propuestas que confluyan en una red de estrategias colectivas, ayer se reunieron diversas organizaciones indígenas, que conforman la Red Mundial por los Derechos Colectivos de los Pueblos, en el marco del Foro Social Mundial (FSM) 2011.
En el encuentro, la vicepresidenta de la Asociación Interétnica de Desarrollo de la Selva Peruana (Aidesep), Daysi Zapata Fasabi, denunció que la construcción de centrales hidroeléctricas en Perú afectará a cerca de 40 mil indígenas en el Perú.
Asimismo, señaló que las mujeres indígenas recién comienzan a reivindicar sus demandas específicas en las organizaciones y frente a sus comunidades. Por esas razones, manifestó que la lucha global tiene una importancia clave para sus comunidades.
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Dacar (Senegal) – O Fórum Social Mundial deveria intensificar a atividade política e aproveitar melhor as informações que estão em circulação, como as que vazam pelo sítio Wikileaks. A opinião é do pensador português Boaventura de Sousa Santos. “A comissão de Comunicação tem que ter um papel muito mais ativo, mais interveniente”, diz ele. “Precisamos de mais análise e organização profissional, produzindo anualmente um relatório econômico mundial, sobre o mundo que queremos e o mundo que não queremos, que não pode ser igual ao do Fórum Econômico Mundial ou o da ONU (Nações Unidas).”
Para Boaventura, o encontro, que já está na décima primeira edição, não pode perder suas características, mas deve se transformar. “É um ano de grande reflexão sobre as mudanças que têm que ocorrer dentro do próprio fórum. Penso que já há um consenso de que ele tem que ser esse espaço maravilhoso, aberto, de face à face, de encontros a cada dois anos, mas também tem que ser algo mais. Temos que intensificar a atividade política do fórum”.
Autor de mais de 30 livros, entre eles Renovar a Teoria Crítica e Reinventar a Emancipação Social; Refundação do Estado na América Latina; A Ascenção da Esquerda Global: O Fórum Social e Além; e Fórum Social Mundial: Manual de Uso, Boaventura acredita ser esta a hora de “intensificar as formas de educação e comunicação entre os movimentos. Ainda temos muitas dificuldades nessa articulação e na estratégia”. Como algo a ser criado, ele cita a Universidade Popular dos Movimentos Sociais, em termos continentais. Continue lendo… 'Boaventura, Grzybowski, Grajew e Gina Vargas elogiam maturidade do FSM'»
A julgar pelos temas de muitas das mesas de debate ocorridas até agora no Fórum Social Mundial deste ano, que começou no dia 6 e acaba no dia 11, percebe-se que uma das principais preocupações de movimentos sociais e sociedade civil de todo o mundo é o fenômeno conhecido como “apropriação de terras”: a compra ou a toma de vastos territórios de países do Terceiro Mundo por governos estrangeiros e, principalmente, corporações transnacionais, que vem ocorrendo massivamente nos últimos anos.
As diversas mesas que trataram do assunto denunciaram a estratégia desses atores e seus objetivos principais: especulação, produção de commodities agrícolas, biomassa, entre outros. E, para atingir tal meta, as corporações e governos lançam mão de diversas formas de atuação. Uma delas é a incidência no debate sobre as mudanças climáticas.
Aparentemente, o fracasso das negociações para o corte das emissões de gás carbônico é, sob o ponto de vista corporativo, o melhor cenário, pois, assim, vem à tona o plano B: novas tecnologias que supostamente mitigam as alterações no clima do planeta. Dessa forma, o padrão de consumo e desenvolvimento das potências ocidentais poderia permanecer intocado.
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Esther Vivas é membro do Centro de Estudos sobre Movimentos Sociais de la Universitat Pompeu Fabra en Barcelona, ativista e co-autora de livros como Del campo al plato (Icaria editorial, 2009) o Supermercados, no gracias (Icaria editorial, 2007), entre outros.
Passados mais de cinquenta anos da descolonização do continente, o Fórum Social Mundial (FSM) quis render homenagem aqueles que ontem lutaram contra o colonialismo reafirmando seu combate contra as políticas neoliberais e neocoloniais, asim como reflexionar sobre os processos migratórios, da África ao mundo, e sua diáspora.
Se no anterior FSM em Belém(Brasil), em 2007, os povos originários e seu compromisso em defesa da Pachamama, a mãe terra, ocuparam um papel central, nesta ocasão a África e sua diáspora tomaram o fórum. Tanto os dias prévios ao FSM como sua primera jornada, segunda-feira 7, estiveram dedicados, especialmente, a estas questões.
A ilha de Gorée, próximo a Dakar, onde partiram milhões de escravos para a América Latina, acolheu, justamente antes do evento, uma assembléa internacional de migrantes, principalmente de origen africano e vários deles vindos da América Latina, que culminou com a elaboração de uma Carta Mundial de Migrantes, uma declaração de princípios elaborada pelas mesmas pessoas migrantes com o lema de ‘Uma carta por um mundo sem muros’. Este proceso começou no ano 2006 e teria como objetivo reivindicar o direito universal a circular, viver e trabalhar livremente em qualquer lugar do planeta.
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Após a criação do Grupo de Reflexão e Apoio ao Processo Fórum Social Mundial (Grap), ativistas e intelectuais como Cândido Grzybowski, Susan George e Boaventura Santos realizam em Dacar atividades voltadas a montar uma “agenda de transformaçao social”, na qual a Rio+20 deve estar incluída.
Marcel Gomes
Dacar, Senegal – Diante da retomada – ainda que vacilante – da economia mundial após a fase mais aguda crise financeira, as organizações que trabalham com o tema ambiental começam a reforçar sua agenda de lutas e propostas para o próximo período. Um fator de aproximação deve ser a Rio+20, como é conhecida a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontecerá no Rio de Janeiro, em maio de 2012.
A Rio+20 marcará as duas décadas da ECO-92. A conferência discutirá a governança global na área do desenvolvimento sustentável, além de renovar o engajamento dos líderes mundiais para com o tema. Um grupo de ativistas e intelectuais bastante identificados com o encontro – entre eles Cândido Grzybowski, Susan George e Boaventura Sousa Santos – criou o Grupo de Reflexão e Apoio ao Processo Fórum Social Mundial (Grap) e tem realizado em Dacar uma série de seminários com o objetivo de montar uma “agenda de transformaçao social”, na qual a Rio+20 deve estar incluída. Continue lendo… 'Agenda ambiental do FSM dá destaque para Rio+20, em 2012'»
Entre 5 e 10 mil pessoas, a imensa maioria, africanas, abriram o Fórum Social Mundial na carona das revoltas no mundo árabe
Igor Ojeda, de Dacar (Senegal)
Como já se esperava, as cores, o ritmo e os cantos africanos predominaram na marcha de abertura do Fórum Social Mundial de Dacar, Senegal, neste domingo (6 de fevereiro). Danças típicas, muito batuque e vestimentas de todas as cores deram o toque especial do continente no maior evento da esquerda mundial.
Mas nem tudo foi festa. Organizações sociais de vários países africanos reivindicavam soluções para inúmeros problemas do continente e do mundo. Cerca de 50 manifestantes estendiam uma faixa exigindo direitos aos refugiados da Mauritânia no Senegal. Sindicalistas marroquinos demandavam “justiça e democracia”. Mulheres senegalesas, muitas das quais jovens, pediam igualdade de gênero em seu país. Continue lendo… 'FSM 2011 – Marcha de abertura explicita lutas da África'»
Começa neste domingo e prossegue até o dia 11 de fevereiro a edição centralizada do Fórum Social Mundial (FSM). Neste ano, o evento acontece em Dacar, no Senegal. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou sua participação e deve ser uma das estrelas do encontro na África. Lula irá acompanhado do ex-ministro Luiz Dulci e do ex-presidente do Sebrae Paulo Okamotto.
Em sua 11ª edição, o evento volta ao continente africano depois do encontro em Nairóbi, no Quênia, em 2007. No ano passado, o Fórum Social aconteceu de forma descentralizada. Uma das atividades ocorreu na Grande Porto Alegre e contou com a participação de Lula. Também está prevista a presença do presidente da Bolívia, Evo Morales, e da ex-presidenciável francesa Segolene Royal.
O governo federal já confirmou que irão ao Senegal os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), que representará a presidente Dilma Rousseff (PT), Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Luiza Bairros (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial). A prefeitura de Porto Alegre e o governo do Estado, que trabalham para trazer de volta à Capital gaúcha o evento centralizado em 2013 e que farão atividades descentralizadas no ano que vem, também terão representantes em Dacar. Continue lendo… 'Fórum Social Mundial abre neste domingo em Daca'»