<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Combate ao Racismo Ambiental &#187; globalização</title>
	<atom:link href="http://racismoambiental.net.br/tag/globalizacao/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://racismoambiental.net.br</link>
	<description>A serviço do GT Combate ao Racismo Ambiental</description>
	<lastBuildDate>Thu, 09 Sep 2010 19:25:00 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.9.2</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>O Assassino da Economia</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2010/08/o-assassino-da-economia/</link>
		<comments>http://racismoambiental.net.br/2010/08/o-assassino-da-economia/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 15:12:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[crítica ao capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[globalização]]></category>
		<category><![CDATA[território]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://racismoambiental.net.br/?p=6192</guid>
		<description><![CDATA[
Uma breve e ilustrada explicação sobre como os países pobres são reféns das super elites globalistas, os quais vão inevitavelmente impor um governo mundial facista e escravizante das sociedades de todo planeta. Em 3 minutos tudo foi muito bem colocado.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="640" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/TyEISlnd9AE?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="385" src="http://www.youtube.com/v/TyEISlnd9AE?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">Uma breve e ilustrada explicação sobre como os países pobres são reféns das super elites globalistas, os quais vão inevitavelmente impor um governo mundial facista e escravizante das sociedades de todo planeta. Em 3 minutos tudo foi muito bem colocado.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://racismoambiental.net.br/2010/08/o-assassino-da-economia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Os problemas causados pela soja em livro: &#8220;Der Soja-Wahn&#8221; (&#8220;A loucura da soja&#8221;)</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2010/08/os-problemas-causados-pela-soja-em-livro-der-soja-wahn-a-loucura-da-soja/</link>
		<comments>http://racismoambiental.net.br/2010/08/os-problemas-causados-pela-soja-em-livro-der-soja-wahn-a-loucura-da-soja/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 18 Aug 2010 13:03:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[agrotóxicos]]></category>
		<category><![CDATA[camponeses]]></category>
		<category><![CDATA[globalização]]></category>
		<category><![CDATA[saúde e meio ambiente]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://racismoambiental.net.br/?p=5692</guid>
		<description><![CDATA[O jornalista Norbert Suchanek, companheiro de luta desde a realização do I Seminário Brasileiro contra o Racismo Ambiental, principalmente na defesa dos Povos Indígenas do Nordeste brasileiro, lança dia 1 de setembro, na Alemanha, seu novo livro: &#8220;A loucura da soja&#8221;.
Na obra, Norbert demonstra que a soja não é um perigo apenas para o meio ambiente, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" src="http://lh6.ggpht.com/_8rU9yxIQjjM/THFwwp3m9FI/AAAAAAAAACk/GJQWVEgIS1U/s576/Norbert.jpg" alt="" width="308" height="415" />O jornalista Norbert Suchanek, companheiro de luta desde a realização do I Seminário Brasileiro contra o Racismo Ambiental, principalmente na defesa dos Povos Indígenas do Nordeste brasileiro, lança dia 1 de setembro, na Alemanha, seu novo livro: &#8220;A loucura da soja&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Na obra, Norbert demonstra que a soja não é um perigo apenas para o meio ambiente, mas &#8220;para os povos e ecossistemas do Brasil e do resto da América Latina, assim como da África, ameaçando diretamente a nossa saúde&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo ele, &#8220;a expansão da soja mundial começou antes de segunda guerra mundial, na medida em que foi importante especialmente para a Alemanha de Hitler e para os Estados Unidos produzirem dinamite, de uma lado, e, de outro, para substituir a manteiga por margarina industrializada para o povo&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Diz Norbert: &#8220;O sucesso do <em>business</em> da soja não depende só da ajuda e da manipulação de vários governos. O s<em>oja-Business</em> também está manipulando a ciência, especialmente no que diz respeito aos nossos alimentos&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">A imagem ao lado é uma reprodução da revista <em>Verlagsvorschau, </em>anunciando o livro, que esperamos venha a ser traduzido em breve para o Português.</p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://racismoambiental.net.br/2010/08/os-problemas-causados-pela-soja-em-livro-der-soja-wahn-a-loucura-da-soja/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>&#8220;Os novos escravos do capitalismo&#8221;, de Patrick Herman &#8211; resenha</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2010/08/os-novos-escravos-do-capitalismo-de-patrick-herman-resenha/</link>
		<comments>http://racismoambiental.net.br/2010/08/os-novos-escravos-do-capitalismo-de-patrick-herman-resenha/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 20:03:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo Ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[camponeses]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[globalização]]></category>
		<category><![CDATA[Migrantes]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho escravo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://racismoambiental.net.br/?p=5558</guid>
		<description><![CDATA[Jean-Pierre Leroy

O camponês jornalista francês Patrick Herman, com a experiência adquirida no início dos anos 90, quando trouxe a público o escândalo escondido da contaminação pelo amianto, inicia em 2002 uma investigação que o leva a descobrir e fazer “emergir” “um mundo até então invisível”. Fruto dessa pesquisa, ele publica em 2008 “Les nouveaux esclaves [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Jean-Pierre Leroy</p>
<p style="text-align: justify;">
<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">O camponês jornalista francês Patrick Herman, com a experiência adquirida no início dos anos 90, quando trouxe a público o escândalo escondido da contaminação pelo amianto, inicia em 2002 uma investigação que o leva a descobrir e fazer “emergir” “um mundo até então invisível”. Fruto dessa pesquisa, ele publica em 2008 “Les nouveaux esclaves do capitalismo”1, ainda não traduzido para o português. Esse mundo é o da produção intensiva no sul da Europa e, secundariamente, no norte da África, de frutas e legumes, com seus trabalhadores assalariados migrantes: “os novos escravos do capitalismo”. À busca deles, o autor transporta o leitor em ambientes que o turista nunca encontrará, no sudeste da França, na Provença; na Andaluzia, na província de Almeria e em Huelva; e no Rif, no Marrocos, regiões de clima mediterrâneo, propícias à produção agrícola – frutas e legumes &#8211; fora de estação.</div>
<p style="text-align: justify;">Algumas décadas atrás, o consumidor europeu, situado majoritariamente em países temperados ou frios, caracterizados por estações bem definidas, contentava-se com os legumes e frutas produzidos cada um na sua hora, que começava com a primavera. O saber do produtor e sua localização, que o beneficiava com micro-climas ou com facilidades de transportes, faziam com que conseguisse se antecipar a produção. Ervilhas, morangos ou batatas chegavam ao mercado e ao consumidor endinheirado com dias ou semanas de antecedência ao mercado. Fruto de um conjunto de fatores analisados ao longo do livro, essa tendência explodiu. O consumidor espera agora encontrar a sua disposição nas gôndolas do seu supermercado frutas e legumes na maior parte do ano e, até mesmo, no inverno.<span id="more-5558"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A centenas e mesmo milhares de quilômetros deste consumidor, o autor nos faz encontrar os artífices desse luxo: homens, vindo em particular de Marrocos, mas também da Tunísia, do Mali, da Costa do Marfim e outros países da África negra; mulheres do Marrocos e, da Europa do Leste, polonesas, búlgaras, romenas; e, mais recentemente, latino-americanos, em particular colombianos e equatorianos. Com persistência, Patrick Herman levanta o véu que os mantém numa cômoda invisibilidade. Quem gostaria de ser reconhecido como Senhor de escravos ou cúmplice da moderna escravidão?</p>
<p style="text-align: justify;">O que caracteriza a sua situação, da sobre-exploração do trabalho ao trabalho escravo? São empregos sazonais. Mesmo quando estes se transformam em trabalho permanente ou semipermanente, mantém-se a ficção da sazonalidade, para manter o trabalhador em situação precária, o que facilita a sua docilidade. Pois, é como aqui com os cortadores de cana vindos do Maranhão ou do Jequitinhonha ou os desbravadores da Amazônia, pois lhes parece melhor aceitar condições sub-humanas de vida e de trabalho do que voltar ao seu país.</p>
<p style="text-align: justify;">O leitor brasileiro, a par minimamente do que acontece no Brasil, não demora em se sentir em terreno conhecido. Os contratos de trabalho não são respeitados: roubo das horas trabalhadas, horas extras não pagas, trabalho sem dias de descanso, retenção abusiva sobre o salário para alojamento, comida; ferramentas a serem compradas pelo trabalhador etc. Predominam segregação habitacional, condições de moradia indignas, falta de acesso à água potável, falta de equipamentos para proteção contra os pesticidas, vigilância armada, não declaração dos acidentes, não reconhecimento das doenças. Há retenção de passaporte, devolvido somente no fim da colheita e mesmo empréstimo de trabalhador por um patrão a outro, mediante “certificado de liberdade”. Se o trabalhador se endividou com o patrão, pagou somas importantes que endividaram sua família na sua terra natal; isto o mantém preso a seu contrato e a seu patrão mais seguramente do que se fossem grilhões. Enfim, o autor menciona que jovens mulheres da Europa do Leste, escolhidas por sua aparência (jovens e bonitas), são presas fáceis para a prostituição.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora a mídia atraia a nossa atenção sobre a imigração clandestina através do mundo, a maioria desses trabalhadores e trabalhadoras chega com contratos oficiais. Na realidade, esses contratos assumem a precariedade do seu estatuto. São marcadas as diferenças com os direitos trabalhistas e sociais dos trabalhadores franceses ou espanhóis. O autor e os estudiosos, que cita, falam de “exclusão jurídica”. Os trabalhadores migrantes vêem-se presos num emaranhado de normas e leis que reforçam essa exclusão. Entre eles e elas, há muitos ilegais, ou porque seu contrato terminou ou porque chegaram como clandestinos. Essa situação de abundância da oferta de mão de obra interessa aos patrões e se beneficia da cumplicidade do poder público.</p>
<p style="text-align: justify;">Num episódio que nos remete ao assassinato até hoje impune de inspetores do trabalho em Minas Gerais, o autor nos relata o fuzilamento, em 2004, de dois inspetores, sendo uma inspetora do Trabalho, realizado por um produtor, na França. Na ocasião, o ministro da agricultura francês evocou “as dificuldades extremas do mundo agrícola”, o que seria uma circunstância atenuante. Ao longo do livro, o autor ressalta a cumplicidade do poder público com a situação de escravidão ou semi-escravidão dos migrantes, o que, mais uma vez, nos lembro do “corpo mole” do governo frente ao escândalo da não aprovação da lei que desapropriaria os fazendeiros culpados de usar trabalho escravo. Os eleitos localmente representam os interesses dessa agricultura e atuam mancomunados com os lobbies dos produtores. Eles não hesitam em ameaçar publicamente – e com sucesso &#8211; de ações violentas o poder público. Este retribui com ajudas e facilidades a essa agricultura industrial. Ironia e hipocrisia: a vinda de trabalhadoras da Europa do Leste permitiu na Espanha que a União Européia atribuísse subvenções para a “gestão ética da imigração sazonal”!</p>
<p style="text-align: justify;">Como se chegou a essa situação? O autor desmonta a lógica da acumulação capitalista no campo a partir dos anos 60 e 70, com a promoção do mercado global, sob a lei férrea de Planos de ajuste estrutural. A agricultura se moderniza. “Mecanização, intensificação do modo de produção, aumento do tamanho das propriedades”, especialização das produções voltadas não mais para o abastecimento local, mas para o mercado regional ou mundial levam à hemorragia do campo e à substituição do camponês pelo empresário rural, seja pessoa física ou empresa. Vale notar que no caso dos produtores de Almeria, mantiveram-se os produtores familiares, especializando-se e conseguindo se desenvolver às custas primeiramente da exploração da mão de obra familiar, e, posteriormente, graças aos imigrantes. A melhoria das técnicas de circulação da informação e do transporte e a multiplicação dos supermercados facilitaram o consumo de frutas e legumes não produzidos localmente.</p>
<p style="text-align: justify;">Paralelamente, a concentração na distribuição (o autor sublinha que 5 grupos de distribuição controlam a venda de mais de 90% dos produtos de grande consumo na França), junto com o peso das grandes redes de supermercados forçam a “diminuição constante dos preços pagos ao produtor  e o esmagamento dos salários dos operários agrícolas”. As áreas de produção na Europa mediterrânea (Itália, França e Espanha) entram em concorrência não só entre elas, mas com os países da África do Norte e até com a América Latina. Na produção agrícola industrial, como na indústria, a deslocalização faz parte do jogo do mercado.</p>
<p style="text-align: justify;">No Marrocos, visitado pelo autor em busca das origens dos imigrantes , trata-se de “ter desempregados de menos e divisas a mais”. Em 1983, sob a pressão do FMI e do Banco Mundial, o Marrocos inicia um Plano de Ajuste Estrutural: prioridade à exportação e abertura dos mercados. A produção local não resiste ao trigo europeu e norte-americano. Os camponeses migram em massa para a cidade. O país perde a auto-suficiência alimentar. Consolida-se um desemprego maciço, não só no campo (é assim que ocorre nas estufas de Almeria; ao lado de camponeses, encontram-se agrônomos e licenciados em direito). Empresas espanholas se instalam, reproduzindo no Marrocos, o mesmo sistema de produção e  exploração da mão de obra.</p>
<p style="text-align: justify;">A análise de Patrick Herman não é abstrata. Ele nos faz encontrar homens e mulheres, apesar do clima de violência e de ameaças que cerca os visitantes. Conhecemos com ele em particular duas mulheres: a marroquina Naïma, na Provença, e, em Almeria, Mercedes, espanhola que milita na defesa dos migrantes. Pois, se são poucos e poucas, há pessoas e algumas organizações, dos próprios migrantes ou que se colocam ao seu lado, numa luta sempre desigual. Violência e racismo permeiam as histórias de vida desses homens e mulheres, que estão à margem de qualquer estado de direito. O autor nos remete aos tempos do colonialismo, como nós aqui nos reportamos aos tempos da escravidão. E, com ele, podemos dizer que o capitalismo moderno se combina muito bem com os séculos passados. Mais do que isso, ele se perpetua porque incorpora esses tempos e produz neocolonialismo e uma nova escravidão.</p>
<p style="text-align: justify;">Para terminar, vale mencionar a questão ambiental que permeia o livro. Este modelo de agricultura industrial é extremamente dependente de sementes industriais, de insumos químicos e de água. Os trabalhadores são as primeiras vítimas do uso de agrotóxicos. Como aqui, menciona-se o uso de produtos químicos proibidos; a pulverização, área ou manual, na hora da colheita; a não declaração de doenças devidas ao contato com esses produtos. Não são somente os e as trabalhadoras que são as vítimas desse sistema de produção. A água é preciosa nessas áreas já submetidas a um grande estresse hídrico. A exigência de agrotóxicos e de água cresce, preparando a decadência, e, mais do que isso, a contaminação e a desertificação futura das zonas de produção. Quanto aos consumidores, somente a propaganda, mentirosa, mas altamente eficiente, tanto a que promove, como aquela que esconde, e o boicote às alternativas, pode conseguir o objetivo de perpetuar esse tipo de agricultura.</p>
<p style="text-align: justify;">É uma luta desigual. Mas contra a profunda injustiça ambiental e a negação dos direitos fundamentais, sofridos pelos novos escravos do capitalismo, e contra um sistema de produção, que vitima toda a sociedade, ergue-se como única alternativa a retomada do campo pelo campesinato e, com ele, de uma agricultura de proximidade com o consumidor, amistosa com o meio ambiente. Patrick Herman, ao falar da Europa, fala do Brasil, fala do mundo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://racismoambiental.net.br/2010/08/os-novos-escravos-do-capitalismo-de-patrick-herman-resenha/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Mundo: Unesco pide invertir más en las culturas indígenas como mecanismo de desarrollo social</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2010/08/mundo-unesco-pide-invertir-mas-en-las-culturas-indigenas-como-mecanismo-de-desarrollo-social/</link>
		<comments>http://racismoambiental.net.br/2010/08/mundo-unesco-pide-invertir-mas-en-las-culturas-indigenas-como-mecanismo-de-desarrollo-social/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 19:50:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo Ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[globalização]]></category>
		<category><![CDATA[miséria]]></category>
		<category><![CDATA[povos indígenas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://racismoambiental.net.br/?p=5555</guid>
		<description><![CDATA[
Servindi, 14 de agosto, 2010.- La Organización de las Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura (Unesco) pidió esta semana en Guatemala que los gobiernos inviertan más recursos en las culturas indígenas para el desarrollo de los pueblos originarios.
“Invertir en la cultura es rentable porque produce riqueza” y contribuye a disminuirla pobreza [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" src="http://www.oei.es/noticias/IMG/gif/1.gif" alt="" width="250" height="309" /></p>
<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">Servindi, 14 de agosto, 2010.- La Organización de las Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura (Unesco) pidió esta semana en Guatemala que los gobiernos inviertan más recursos en las culturas indígenas para el desarrollo de los pueblos originarios.</div>
<p style="text-align: justify;">“Invertir en la cultura es rentable porque produce riqueza” y contribuye a disminuirla pobreza en que vive la mayoría de los habitantes de los pueblos originarios, sostuvo Edgar Montiel, representante de la Unesco en Guatemala.</p>
<p style="text-align: justify;">Tales declaraciones se efectuaron durante la presentación del informe mundial “Invertir en la diversidad cultural y el diálogo intercultural“.<span id="more-5555"></span></p>
<p style="text-align: justify;">El documento, que reúne una serie de recomendaciones para “explorar y renovar” las estrategias de desarrollo de los pueblos indígenas y originarios del mundo a partir de sus expresiones culturales, fue presentado en el marco de la celebración del Día Internacional de los Pueblos Indígenas.</p>
<p style="text-align: justify;">Según Montiel, las expresiones culturales de los indígenas son “altamente productivas” ya que se ha comprobado que “se puede hacer mucho con poco”, “se incrementa la creatividad”, se obtiene “un valor agregado que produce riqueza” y se “subsidia” al sector del turismo.</p>
<p style="text-align: justify;">A nivel mundial, según datos de la Unesco, habitan más de 400 millones de personas pertenecientes a los pueblos originarios, de los cuales más de 90 millones habitan el continente americano, la mayoría de los cuales “viven en condiciones de pobreza y pobreza extrema, exclusión y desigualdad”.</p>
<p style="text-align: justify;">A pesar de ello, aseguró Montiel, la cultura indígena aporta un promedio anual del 7,26 por ciento del Producto Interno Bruto (PIB) de los países donde habitan los pueblos originarios, y genera una contribución del 7,14 por ciento de la Población Económicamente Activa.</p>
<p style="text-align: justify;">Si se obtiene el compromiso de los gobiernos para incrementar la inversión en la cultura el aporte anual al PIB de los países podría elevarse al 10 por ciento en los próximos años, señaló el especialista.</p>
<p style="text-align: justify;">Según cifras oficiales, en Guatemala más del 42 por ciento de sus 13 millones de habitantes pertenece a un pueblo indígena (hay 23 en el país) y cerca del 73 por ciento de esos guatemaltecos viven en condiciones de pobreza o pobreza extrema.</p>
<p style="text-align: justify;">Por otro lado, la alta representante de la Unión Europea para Asuntos Exteriores y Política de Seguridad, Catherine Ashton, emitió un pronunciamiento en el que celebró el reconocimiento de los derechos de los pueblos indígenas.</p>
<p style="text-align: justify;">La funcionaria admitió que el reto sigue siendo ponerlos en práctica debido a que “la discriminación y el trato desigual hacia los indígenas continúan en todo el mundo”, afirmó.</p>
<p style="text-align: justify;">Eduardo De León, de la Fundación Rigoberta Menchú, expresó que esos son síntomas de que en el último año se han producido pocos avances y muchos retrasos para los pueblos originarios.</p>
<p style="text-align: justify;">La diputada Otilia Lux recordó que en el Congreso hay dieciséis leyes pendientes relacionadas con asuntos indígenas, que no han avanzado en esta legislatura.</p>
<p style="text-align: justify;">La Coordinadora Nacional Indígena y Campesina denunció el abandono en que están muchas comunidades en el país, así como la renovación del contrato petrolero a Perenco y el incumplimiento de las medidas de cierre de la mina Marlin.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.servindi.org/actualidad/29816?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=Feed:+Servindi+(Servicio+de+Informaci%C3%B3n+Indigena)</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://racismoambiental.net.br/2010/08/mundo-unesco-pide-invertir-mas-en-las-culturas-indigenas-como-mecanismo-de-desarrollo-social/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista &#8211; Thalita Ary: Globalização facilita o tráfico de pessoas</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2010/08/entrevista-thalita-ary-globalizacao-facilita-o-trafico-de-pessoas/</link>
		<comments>http://racismoambiental.net.br/2010/08/entrevista-thalita-ary-globalizacao-facilita-o-trafico-de-pessoas/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 12:58:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[globalização]]></category>
		<category><![CDATA[tráfico de pessoas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://racismoambiental.net.br/?p=5340</guid>
		<description><![CDATA[Tatiana Félix *
Adital &#8211; Além dos esforços de governos e movimentos sociais para combater e prevenir o tráfico de seres humanos, considerado a escravidão dos tempos modernos, estudiosos e pesquisadores, também têm se interessado em pesquisar sobre o assunto.Um exemplo é o da advogada Thalita Carneiro Ary, defensora dos Direitos Humanos, que resolveu investigar sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">Tatiana Félix *</div>
<p style="text-align: justify;">Adital &#8211; Além dos esforços de governos e movimentos sociais para combater e prevenir o tráfico de seres humanos, considerado a escravidão dos tempos modernos, estudiosos e pesquisadores, também têm se interessado em pesquisar sobre o assunto.Um exemplo é o da advogada Thalita Carneiro Ary, defensora dos Direitos Humanos, que resolveu investigar sobre a evolução e a realidade deste crime incorporado ao cenário internacional, em sua pesquisa de mestrado, para o Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais, da Universidade de Brasília (UnB), intitulada de &#8220;O Tráfico de pessoas em três dimensões: evolução, globalização e a rota Brasil-Europa&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das conclusões da pesquisadora é que &#8220;o crime do tráfico de pessoas se apresenta como parte de um contexto no qual a globalização propicia e facilita a ação da criminalidade transnacional, transformando-o num assunto de extrema relevância para a comunidade internacional&#8221;. Confira a entrevista.<span id="more-5340"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Adital &#8211; Por que você resolveu dedicar um trabalho acadêmico ao tema do tráfico de seres humanos?</p>
<p style="text-align: justify;">Thalita Ary &#8211; Eu sempre gostei da temática dos Direitos Humanos, tendo me dedicado a desenvolver projetos científicos nessa área durante a faculdade, além de ter estagiado na Corte Interamericana de Direitos Humanos. Como minha trajetória acadêmica sempre abordou esse assunto, resolvi seguir a mesma linha no Mestrado. Escolhi o Tráfico de Seres Humanos porque, além da atualidade do tema, é uma questão que afeta diretamente minha cidade, Fortaleza (CE), e já tinha conhecido pessoas que trabalhavam e pesquisavam sobre a matéria.</p>
<p style="text-align: justify;">Adital &#8211; Em sua pesquisa, você faz uma análise entre os anos 1990 e 2008. Quais documentos e fontes serviram de base para o trabalho?</p>
<p style="text-align: justify;">Thalita Ary &#8211; As fontes primárias utilizadas foram os relatórios do Ministério da Justiça, dados fornecidos diretamente pela Polícia Federal, inquéritos e processos policiais; além de relatórios das Nações Unidas e UNODC; e dados obtidos nos sítios eletrônicos dos órgãos da União Europeia. Ademais, a pesquisa bibliográfica, através de livros e artigos científicos, foi vastamente utilizada.</p>
<p style="text-align: justify;">Adital &#8211; Em seu trabalho você afirma que a globalização seria a grande facilitadora do tráfico de pessoas. De que forma a globalização pode ter impulsionado a ocorrência deste crime?</p>
<p style="text-align: justify;">Thalita Ary &#8211; O processo conhecido como globalização modificou alguns parâmetros relativos à mobilidade de pessoas entre as fronteiras dos países. A livre circulação de capitais e mercadorias também foi acompanhada pela maior liberdade na circulação de pessoas. Com isso, a ação de grupos organizados transnacionais acabou sendo facilitada, uma vez que passou a ser mais simples a execução do segundo estágio do crime: o transporte das vítimas para sua posterior exploração.</p>
<p style="text-align: justify;">Adital &#8211; A globalização não poderia ter alertado e tornado mais visível a ocorrência deste crime, ao invés de simplesmente ter estimulado a sua prática?</p>
<p style="text-align: justify;">Thalita Ary &#8211; A globalização é um fenômeno que transformou uma realidade anterior e que foi propiciado pelos avanços tecnológicos advindos da Terceira Revolução Industrial. Nesse sentido, não se pode falar em globalização alertando a ocorrência de certos crimes que vieram a se tornar mais visíveis por conta dela.</p>
<p style="text-align: justify;">O que acontece atualmente é um movimento que se desenvolve na contramão dessa plena liberalização das fronteiras a partir do recrudescimento de medidas migratórias, principalmente por parte de Estados Unidos e União Européia. Portanto, a resposta para se combater tanto o crime da migração ilegal quanto do tráfico de pessoas tem sido políticas de migração restritivas, o que, em minha opinião, não é a melhor solução para se enfrentar o problema.</p>
<p style="text-align: justify;">Adital &#8211; De acordo com seu estudo, o número de inquéritos policiais para investigar o tráfico de pessoas era de apenas 1 em 1990, ultrapassando os 100 a partir de 2005. A que se deve esse crescimento no número de inquéritos sobre o tráfico humano?</p>
<p style="text-align: justify;">Thalita Ary &#8211; Pelo fato de o Brasil figurar na desonrosa lista de um dos principais países de origem para as vítimas do tráfico de pessoas, as Nações Unidas firmaram parceria estratégica com o governo brasileiro para tratar da questão em três esferas: a repressiva, preventiva e de assistência às vítimas. Esse projeto foi a base para a política brasileira de combate ao tráfico de pessoas. Portanto, o aumento de inquéritos e o importante trabalho do Ministério Público, na seara repressiva do tráfico de seres humanos, se deve tanto à notoriedade do tema em âmbito internacional quanto aos esforços mencionados no cenário interno.</p>
<p style="text-align: justify;">Adital &#8211; Você também compara a quantidade de inquéritos entre estados brasileiros, como Goiás e Ceará, e diz que a análise por estado aponta para uma forte desigualdade que é atribuída a fatores locais. Quais seriam estes fatores locais?</p>
<p style="text-align: justify;">Thalita Ary &#8211; Apontar as razões pelas quais tais Estados são os principais pontos de origem das vítimas do tráfico perpassa razões atinentes apenas à desigualdade social. Quanto à Fortaleza, um importante fator impulsionador do crime é a proximidade ao continente europeu, principal destino das vítimas brasileiras. O que tem sido feito no cerne do Plano Brasileiro de Combate ao Tráfico de Pessoas é a criação de centros regionais, para que os objetivos contidos no plano sejam descentralizados e atinjam os Estados que apresentam os números mais alarmantes. A tendência é que esses centros venham a ser criados em todos os Estados da federação, pois colocaria em prática a vertente preventiva até mesmo nas localidades onde não exista a ocorrência do referido crime.</p>
<p style="text-align: justify;">* Jornalista da Adital</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.adital.com.br/hotsite_trafico/noticia.asp?lang=PT&amp;cod=50001</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://racismoambiental.net.br/2010/08/entrevista-thalita-ary-globalizacao-facilita-o-trafico-de-pessoas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Compra de terra por estrangeiro será rastreada</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2010/07/compra-de-terra-por-estrangeiro-sera-rastreada/</link>
		<comments>http://racismoambiental.net.br/2010/07/compra-de-terra-por-estrangeiro-sera-rastreada/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 13:39:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[globalização]]></category>
		<category><![CDATA[território]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://racismoambiental.net.br/?p=4145</guid>
		<description><![CDATA[Por Marta Salomon e Felipe Recondo. O Estado de S. Paulo, 14-07-2010.
Empresas brasileiras com capital estrangeiro terão as operações de compra de terras rastreadas no Brasil. A corregedoria do Conselho Nacional de Justiça determinou ontem que os cartórios de notas e de registro de imóveis repassem informações sobre esse tipo de negócio a cada três [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">Por Marta Salomon e Felipe Recondo. O Estado de S. Paulo, 14-07-2010.</div>
<p style="text-align: justify;">Empresas brasileiras com capital estrangeiro terão as operações de compra de terras rastreadas no Brasil. A corregedoria do Conselho Nacional de Justiça determinou ontem que os cartórios de notas e de registro de imóveis repassem informações sobre esse tipo de negócio a cada três meses.</p>
<p style="text-align: justify;">A medida aumenta o controle do avanço estrangeiro sobre o território brasileiro. Atualmente, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) registra apenas a compra de terras diretamente por pessoas físicas ou empresas estrangeiras.</p>
<p style="text-align: justify;">O dado mais recente, de maio, aponta em mãos de estrangeiros o equivalente a quase três vezes o tamanho da cidade de São Paulo. O domínio estrangeiro se concentra nos Estados de Mato Grosso, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Bahia, de acordo com o cadastro, considerado precário até pelas autoridades.<span id="more-4145"></span></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Hoje não existe controle sobre a compra de terras em mãos de empresas brasileiras controladas por estrangeiros&#8221;, observou o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, que participa do estudo de novas medidas de restrição à compra de terras por estrangeiros. &#8220;A medida ajuda, mas não resolve a falta de controle sobre terras em mãos de estrangeiros.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com o entendimento da corregedoria, as operações de compra de terras por empresas brasileiras controladas por estrangeiros devem respeitar a lei 5.071, de 1971, que restringe a compra de terras por estrangeiros. As aquisições de terra poderão ser anuladas, caso sejam comprovadas irregularidades nos limites impostos pela legislação, determinou o CNJ.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;É preciso ter um mínimo de informação, um cadastro do que existe de compra de terras por empresas brasileiras com capital estrangeiro&#8221;, comentou o corregedor nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp. &#8220;Se houver abuso (ilegalidade), caberá aos demais interessados, como Ministério Público, Incra ou qualquer outro interessado, as providências que entenderem necessárias.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">A confusão na aplicação da lei de 1971 começou com o parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) de 1998, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. O parecer equiparou empresas brasileiras com capital estrangeiro &#8220;em qualquer porcentual&#8221; às brasileiras e as liberou do controle. Também foi dispensada autorização prévia para a compra de imóveis rurais.</p>
<p style="text-align: justify;">Levantamento:</p>
<p style="text-align: justify;">34,3 mil imóveis estão registrados no Incra em nome de estrangeiros<br />
4,3 milhões de hectares é o tamanho da área nas mãos de estrangeiros</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=34324</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://racismoambiental.net.br/2010/07/compra-de-terra-por-estrangeiro-sera-rastreada/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Copa: futebol, racismo e política</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2010/07/copa-futebol-racismo-e-politica/</link>
		<comments>http://racismoambiental.net.br/2010/07/copa-futebol-racismo-e-politica/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 20:16:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[crítica ao capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[globalização]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://racismoambiental.net.br/?p=4041</guid>
		<description><![CDATA[Quando Lúcio, o aplicado capitão da seleção canarinho, leu mensagem condenando o racismo antes daquela fatídica partida contra a Holanda, talvez não pudesse medir o grande alcance de seu gesto, que nos obriga a recuperar um fase da história recente. Condenar ali mesmo o racismo era imperioso pois era respeitar aquele povo e também alertar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;"><em>Quando Lúcio, o aplicado capitão da seleção canarinho, leu mensagem condenando o racismo antes daquela fatídica partida contra a Holanda, talvez não pudesse medir o grande alcance de seu gesto, que nos obriga a recuperar um fase da história recente. Condenar ali mesmo o racismo era imperioso pois era respeitar aquele povo e também alertar para as novas expressões racistas que estão se projetando em outros países, inclusive países que estavam ali disputando o certame. O artigo é de Beto Almeida.</em></div>
<p style="text-align: justify;">Beto Almeida (*)</p>
<p style="text-align: justify;">Vai chegando ao final a primeira Copa do Mundo de Futebol realizada na África. Talvez a frustração da torcida brasileira, combinada com uma destrambelhada cobertura midiática, &#8211; que exortou sentimentos racistas contra paraguaios e de hostilidade gratuita contra argentinos &#8211; não tenha permitido compreender que o simples fato da Copa ter sido na África do Sul é uma grande vitória contra o racismo internacional e contra as grandes potências capitalistas que tentaram boicotar ou desmoralizar os africanos. Mas, sobretudo, é a vitória de um país e de um povo que sequer participou da Copa. Cuba, que ao derrotar o exército racista sul-africano em Cuito Cuanavale, Angola, para onde enviou 400 mil soldados, deu o passo fundamental para a libertação da África do Sul. “A Batalha de Cuito Cuanavale foi o começo do fim do apartheid. E isto devemos a Cuba”, disse Mandela, após ser liberado de 27 anos de prisão. A torcida mundial deveria ser amplamente informada destas verdades. <span id="more-4041"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Quando Lúcio, o aplicado capitão da seleção canarinho, leu mensagem condenando o racismo antes daquela fatídica partida contra a Holanda, talvez não pudesse medir o grande alcance de seu gesto, que nos obriga a recuperar um fase da história recente. Condenar ali mesmo o racismo era imperioso pois era respeitar aquele povo e também alertar para as novas expressões racistas que estão se projetando em outros países, inclusive países que estavam ali disputando o certame.</p>
<p style="text-align: justify;">Sob o apartheid não haveria Copa na África do Sul</p>
<p style="text-align: justify;">O certo é que a Copa do Mundo só estava se realizando ali em território sul-africano porque milhares de seres humanos deram suas vidas contra o animalesco regime do apartheid, que com o apoio de países como Estados Unidos e Inglaterra, principalmente, massacrou de maneira cruel a pátria de Mandela. A África do Sul racista, imperialista, ditatorial, que foi recebendo sanções internacionais quanto mais crescia a resistência popular em seu interior e mundo a fora, levando-a a receber algumas sanções internacionais, jamais poderia ser a sede de uma Copa do Mundo se estivesse sob o apartheid.</p>
<p style="text-align: justify;">Queremos, portanto, estender a oração do capitão Lúcio para fazer justiça a um povo que não estava disputando a Copa, mas que foi fundamental para que a Copa ali se realizasse para alegria e orgulho da nova África do Sul. A declaração de Lúcio tem raízes na história da solidariedade revolucionária que Cuba ofereceu á África, a começar pelo envio de médicos para a apoiar a Revolução na Argélia, onde esteve trabalhando o próprio Che Guevara.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto Mandela ainda estava preso, Cuba já estava apoiando os vários processos de libertação em território africano. Libertação que veio a receber um grande impulso a partir da Revolução dos Cravos, em Portugal, liderada por jovens capitães, muitos deles egressos das então colônias portuguesas em território africano, onde aprenderam muitas lições de dignidade por parte daqueles povos a quem deveriam esmagar. Houve capitães que mais tarde relataram que em território angolano se convenceram que a razão da história estava com os guerrilheiros angolanos. Por isso mesmo, chegavam a organizar certas incursões pelas selvas, onde deixavam deliberadamente suas armas para serem recolhidas pelos soldados do Movimento Popular para a Libertação de Angola, simulando que haviam sido desarmados, quando estavam a dizer, com aquele gesto, que apoiavam a causa da libertação africana.</p>
<p style="text-align: justify;">Estes gestos dos militares portugueses floresceram em Cravos Vermelhos pelas ruas de Lisboa, após soarem os primeiros acordes da canção “Grândola, Vila Morena”. A razão histórica venceu! Não sei se o capitão Lúcio, na sua juventude de uma vida dedicada ao futebol, teve oportunidade de informar-se sobre isto antes de ler aquela importante declaração contra o racismo, num gesto de grandeza da nossa seleção.</p>
<p style="text-align: justify;">Cuito Cuanavale: começo do fim do apartheid</p>
<p style="text-align: justify;">Quando Cuba atendeu ao chamado do presidente angolano, o médico, poeta e guerrilheiro Agostinho Neto, para que enviasse ajuda militar para assegurar a libertação de Angola, conquistada em 11 de novembro de 1975, com pronto reconhecimento de Brasil e óbvia contrariedade dos EUA, abria-se uma nova página na história da África, mas também da solidariedade internacional.</p>
<p style="text-align: justify;">A hipocrisia e a malignidade intrínseca da mídia comercial não deu a conhecer aos milhões de torcedores do mundo inteiro de olhos magnetizados no televisor uma linha sequer desta luta heróica para derrotar o apartheid e permitir, afinal, não apenas a libertação de Angola e da Namília, mas também de Nelson Mandela e a erradicação total do regime racista, derrotado no campo militar em Cuito Cuanavale e, mais tarde, novamente derrotado pelos votos que elegeram Mandela seu primeiro presidente da república, o primeiro com legitimidade!</p>
<p style="text-align: justify;">Não tínhamos nenhuma dúvida da bravura e da grandeza do gesto do povo cubano ao fazer a travessia do Atlântico no sentido contrário àquela rota feita pelos navios negreiros que vieram para o Brasil e também para o Caribe, nos unindo para sempre na dor, no sangue, na música, na cultura e também no compromisso de saldar esta imensa dívida que toda a humanidade tem para com os povos africanos. Porém, Cuba decidiu pagar antes de todos e para lá enviou 400 mil homens e mulheres, negros e brancos, inclusive a brancura da filha de Che Guevara, que também já havia lutado em Cabinda, enclave angolano próximo ao Congo. O médico brasileiro Davi Lerer estava exilado em Angola naquele período, ensandecido de solidariedade e de compromisso com a libertação angolana. Foi quando começou a perceber que alguns dos feridos de guerra por ele tratados, falavam espanhol. Era fruto da Rota do Atlântico feita no sentido contrário, no sentido da libertação. Todos devemos à Mama África. Mas, só Cuba teve a audácia de pagar esta dívida com armas nas mãos!</p>
<p style="text-align: justify;">Armas nucleares contra Cuba</p>
<p style="text-align: justify;">A nobreza do gesto provocou o instinto assassino das chamadas democracias imperialistas. Acaba de ser divulgado que Israel ofereceu armas nucleares à África do Sul para serem lançadas sobre as tropas cubanas no sul de Angola. Com o apoio dos aviões Migs de fabricação soviética, as tropas do exército racista da África do Sul foram enxotadas de território angolano, postas para correr também do território da Namíbia, cujas forças revolucionárias também formavam aquele formidável exército de libertação. Chegou-se a discutir nas forças de libertação a ida até Pretória!. Por isto os imperialistas cogitaram o uso de armas nucleares contra o exército cubano, pois o seu exemplo de internacionalismo proletário era por demais poderoso à humanidade! Tudo isto resultou no agravamento da crise do regime de Botha, na libertação de Mandela, no fim do apartheid, nas eleições diretas, e, por fim, na conquista da realização da Copa do Mundo, pela primeira vez, em território africano!. Vitória da humanidade, após tantas vitórias que abrilhantam a linda história de justiça da humanidade, unindo a Revolução Cubana à Revolução dos Cravos de Portugal! As armas nucleares na foram utilizadas daquela vez. Não se atreveram! Não se sabe se as utilizarão agora contra o Irã.</p>
<p style="text-align: justify;">Racismo nos países imperialistas</p>
<p style="text-align: justify;">A condenação ao racismo lida pelo nosso capitão, é atualíssima. Tem endereço. Depois da desclassificação das seleções dos EUA e da França, vimos pipocar novamente manifestações de racismo contra negros, imigrantes, árabes, hispânicos, sobretudo nestes dois países. Há os que considerem a França uma democracia exemplar, mas não querem prestar atenção nas declarações de Zidane, o craque da seleção francesa de origem argelina. Contrariando a tese dos acadêmicos pouco atentos, ele questiona a democracia francesa: “Eu posso ser campeão do mundo com a camisa da França, orgulho nacional, mas não posso eleger o presidente?” Agora o deselegante técnico da seleção francesa atira a culpa pelo fracasso aos jogadores de origem africana, à cultura dos bairros de periferia das grandes cidades francesas. Nenhum questionamento ao sistema político francês que é tão duramente combatido pelos jovens das periferias pobres na França, sem perspectiva de estudo ou de emprego!</p>
<p style="text-align: justify;">Nos EUA não foi muito diferente. Buscam-se justificativas para a desclassificação, mas, as vozes racistas voltam a falar alto, sobretudo contra hispânicos, asiáticos e afro-descendentes. A gigantesca contradição política vivida pelos Eua só tende a se agravar, certamente de forma dramática, já que o presidente Obama tem sido pressionado pelo complexo militar-industrial a reforçar sua presença armada mundo afora. Já mandou mais 30 mil soldados para o Afeganistão, continua a ordenar bombardeios de povoados matando crianças e destruindo alvos civis naquele país empobrecido. Esqueceu-se das torturas de Guantânamo? Manda uma frota nuclear para as proximidades da costa do Irã. Multiplica o orçamento do Pentágono. O prêmio Nobel da Paz vai se revelando o Prêmio Nobel da Guerra e continua colecionando cadáveres e mais cadáveres!</p>
<p style="text-align: justify;">Na linha inversa, o Brasil aprova o seu Estatuto da Igualdade Racial e cria a Universidade Lusoafricana Brasileira (Unilab), na cidade cearense de Redenção, a primeira em extinguir o escravagismo no Brasil. Lá teremos professores e studantes africanos, estudando gratuitamente. É a forma brasileira de também começar a apagar a enorme dívida que temos para com os povos africanos, como assinalou Lula. É verdade que estes dois gestos concretos nos chegam com 112 anos de atraso. Há muito ainda para caminhar, mas a linha é a de continuar a abrir espaços para que os negros sigam aumentando sua presença qualificada nas universidades, para que os Territórios dos Quilombos sejam definitivamente escriturados em nome dos remanescentes dos escravos, que as políticas públicas de habitação contemplem as necessidades da população negra, ainda alvo de desumana discriminação no mercado de trabalho, recebendo ainda os piores salários, ocupando as piores funções, e, ainda por cima, confinada à invisibilidade nos meios de comunicação, salvo as honrosas exceções da comunicação das tvs públicas e comunitárias, que registram alguma justiça racial televisiva.</p>
<p style="text-align: justify;">Rivalidades exageradas são contra a cooperação</p>
<p style="text-align: justify;">O mau exemplo vem exatamente das tvs comerciais. Ofendem gratuitamente ao povo paraguaio ou insuflam uma exagerada hostilidade contra argentinos, certamente, fazendo um tipo de jornalismo de desintegração, exatamente quando nós latino-americanos estamos a organizar e por em prática, por meio de vários governos, políticas públicas de integração econômica, energética, comercial, cultural educacional. Seguindo as orientações dos que querem impedir que sejamos solidários e cooperativos entre nós &#8211; por acaso, as mesmas nações imperiais que antes apoiaram o apartheid e recentemente tentaram boicotar a realização da Copa na África &#8211; cria-se um clima para uma rivalidade exacerbada, agressiva, verdadeira hostilidade, por exemplo contra argentinos e paraguaios.</p>
<p style="text-align: justify;">Basta recordar o comportamento do capitão da seleção uruguaia, Obdúlio Varela, que ,em 1950, fez o Brasil todo chorar quando derrotarem a equipe canarinha em pleno Maracanã. Varela sentiu tanta segurança e confiança no caráter amistoso do povo brasileiro que foi comemorar a vitória uruguaia com brasileiros na noite carioca, sendo tratado com fraternidade e nobreza olímpicas pelos nosso povo. Diante de comportamento tão elevado dos brasileiros, certos narradorestelevisivos de hoje, apesar de frequência em certames internacionais, revelam-se verdadeiramente torpes e ineptos para alcançarem um padrão de jornalismo desportivo minimamente olímpico, tal como a Grécia Antiga &#8211; não a atual induzida á falência pela oligarquia financeira &#8211; legou à humanidade. Querem animalizar, embrutecer, despertar baixos instintos, estando portanto, em choque frontal com os princípios e valores que a Constituição pauta para os meios de comunicação, exigindo que sejam educativos, respeitosos aos mais nobres valores humanos e destinados à elevação cultural da sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">As nações imperiais sabem perfeitamente da utilidade destas rivalidades fomentadas, muitas vezes artificialmente. Sobretudo contra povos que possuem grande potencial de cooperação entre si, como é o caso de Brasil e Argentina, cuja integração das bases produtivas poderia acelerar e encurtar sobremaneira os prazos históricos para a integração da América Latina. Por isto fazem o jornalismo da desintegração. Pela mesma razão, são incapazes, como meios de comunicação, de informar sobre o papel que Cuba desempenhou na história recente de libertação da África.</p>
<p style="text-align: justify;">Jornalismo de integração</p>
<p style="text-align: justify;">As nossas tvs públicas precisam fazer o contraponto. A diversificação e a pluralidade informativas, neste episódio, seriam extremamente válidas. Sobretudo se permitisse ao povo brasileiro conhecer quanta história existe por detrás da declaração contra o racismo que o capitão Lúcio fez naquele estádio repleto de sul-africanos libertos do regime do apartheid. E também conhecer quanta manipulação se faz do esporte, em nome de causas mesquinhas e anti-civilizatórias, como as que pretendem reviver o racismo e o impedimento ideológico da cooperação e da solidariedade entre os povos que tem um destino comum. O da unidade, da cooperação e da solidariedade.</p>
<p style="text-align: justify;">(*) Beto Almeida é diretor de Telesur</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16792&amp;boletim_id=727&amp;componente_id=12204</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://racismoambiental.net.br/2010/07/copa-futebol-racismo-e-politica/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A África real</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2010/07/a-africa-real/</link>
		<comments>http://racismoambiental.net.br/2010/07/a-africa-real/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 20:08:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[África]]></category>
		<category><![CDATA[crítica ao capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[globalização]]></category>
		<category><![CDATA[território]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://racismoambiental.net.br/?p=4038</guid>
		<description><![CDATA[É fundamental que o Brasil leve em consideração o fato de que a questão dos chamados Estados falidos está intimamente associada a uma disputa exacerbada entre as grandes potências e, se quiser ter uma atuação que vá além da realização de seus interesses, é fundamental levar em consideração que o espaço geopolítico da África é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;"><em>É fundamental que o Brasil leve em consideração o fato de que a questão dos chamados Estados falidos está intimamente associada a uma disputa exacerbada entre as grandes potências e, se quiser ter uma atuação que vá além da realização de seus interesses, é fundamental levar em consideração que o espaço geopolítico da África é composto por vários centros de poder, de natureza funcional distinta (militar, econômica, ideológica) com uma ampla variedade de problemas e prioridades que não se vinculam as dinâmicas pautadas exclusivamente às regras formalmente estabelecidas pela comunidade internacional. O artigo é de Reginaldo Nasser.</em></div>
<p style="text-align: justify;">Reginaldo Nasser (*)</p>
<p style="text-align: justify;">Desde o início de seu governo, não há uma única viagem internacional de Lula ao Oriente Médio ou a África que não mereça crítica virulenta da oposição. De uma forma geral as críticas batem nas mesmas teclas: “ilusão terceiro-mundista”, “amigo dos ditadores” ou “cooperações ineficientes”.</p>
<p style="text-align: justify;">As imagens mais freqüentes evocadas por esses críticos são as de um continente imerso em uma mescla de corrupção, doenças, guerras e pobreza. Porém, antes de qualquer definição a respeito das estratégias de ação internacional é preciso reconhecer que o continente africano é um verdadeiro mosaico composto por uma grande variedade de sociedades de matriz religiosa, cultural, étnica e política muito diversa; o que torna praticamente impossível definir o que seja “África”.<span id="more-4038"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Em dezembro de 2005 foi constituída uma força tarefa pelo “Council on Foreign Relations”, que teve por missão elaborar um diagnóstico sobre a África e determinar quais os principais desafios e as estratégias de oportunidade os EUA deveriam adotar. Esta comissão, integrada por 34 personalidades americanas ligadas ao meio acadêmico, político, militar e da sociedade civil, produziu um documento intitulado “More Than Humanitarianism: A Strategic U.S. Approach Toward Africa”; em que chama atenção para o fato de que ao se dedicar exclusivamente aos aspectos da ajuda humanitária, os EUA se descuidaram dos aspectos econômicos e financeiros. O relatório aponta para a necessidade de uma estratégia de aproximação econômica ao mercado global e um maior pragmatismo na conquista dos recursos minerais</p>
<p style="text-align: justify;">Dambisa Moyo, economista da Goldman Sachs, – que com certeza não tem “visão terceiro-mundista” – observou, recentemente, que é possível notar certo renascimento econômico no continente africano. O PIB do continente duplicou desde os anos 80, de 130 a 300 bilhões de dólares em 2008, com crescimento anual de 7% (2% nos 90). Essa avaliação é corroborada pelo McKinsey Global Institute – que também não é terceiro mundista &#8211; que acrescenta ainda a informação de que, além da alta dos preços do petróleo, minerais e outras commodities que ajudaram a elevar o PIB desde 2000, as mudanças estruturais internas, relacionadas à governança foram essenciais para impulsionar a economia doméstica (a corrupção está diminuindo, o sistema financeiro africano está amadurecendo e os fluxos de investimento privado estão em ascensão). Guerras e catástrofes naturais podem vir a impedir, ou mesmo reverter, esses ganhos, mas as tendências internas e externas indicam que as perspectivas econômicas em África são consistentes no longo prazo.</p>
<p style="text-align: justify;">Evidentemente que não se pode negar que a África tenha problemas gravíssimos, mas deve-se evitar que a constatação desses problemas ofusquem os êxitos alcançados, além do que sabe-se que esses problemas não são exclusivos da África e muito menos de sua inteira responsabilidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A chamada comunidade internacional ataca sistematicamente os líderes africanos, mas não reconhece suas responsabilidades nesse processo. De acordo com classificação do Instituto Fund for Peace, 7 dos 10 Estados considerados mais frágeis do mundo estão na África. Com péssimas pontuações nas áreas de injustiças coletivas e direitos humanos esses Estados não controlam grande parte de seu território. Mas o que esses institutos não mencionam é que a incapacidade de um Estado em se tornar um ator internacional legitimo está, em grande medida, intimamente relacionada às ações das grandes potências.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao intervir diretamente ou indiretamente na política interna de um Estado, as grandes potências tornam-se responsáveis por seu enfraquecimento e, o mais grave é que almejam mantê-lo nessa condição bastante conveniente para expandir sua área de influência. É preciso, pois perguntar: Onde estão os lugares convenientes para ocultar dinheiro pilhado? Quem sustenta os lideres corruptos de países que fornecem recursos naturais valiosos? De onde provêm os armamentos que alimentam as guerras civis? Onde são depositadas as enormes fortunas que são geradas mediante a venda de petróleo, diamantes e drogas? Quem são os principais responsáveis pelo suborno das autoridades nos países pobres? (sobre essas questões ver NASSER, R. M. . Estados Falidos: Ameaças e oportunidades. In: Reginaldo Mattar Nasser. (Org.). Conflitos Internacionais em Múltiplas Dimensões. 1a ed. São Paulo: Edunesp)</p>
<p style="text-align: justify;">É fundamental que o Brasil leve em consideração o fato de que a questão dos chamados Estados falidos está intimamente associada a uma disputa exacerbada entre as grandes potências e, se quiser ter uma atuação que vá além da realização de seus interesses, é fundamental levar em consideração que o espaço geopolítico da África é composto por vários centros de poder, de natureza funcional distinta (militar, econômica, ideológica) com uma ampla variedade de problemas e prioridades que não se vinculam as dinâmicas pautadas exclusivamente às regras formalmente estabelecidas pela comunidade internacional. Muito embora ainda não esteja clara a forma pela qual o Brasil decidirá seu engajamento no continente africano, se quiser adquirir credibilidade e legitimidade nas questões comerciais, políticas e estratégicas; não deve desconsiderar as ações humanitárias. É preciso evitar duas avaliações recorrentes. Aquela que supõe que a África pode ingressar num processo de desenvolvimento e para isso deve trilhar os caminhos delineados pelas potências ocidentais. Ou uma outra que supõe haver certas &#8220;especificidades&#8221; africanas (leia-se irracionalidade) que tornam impossível qualquer tipo de cooperação internacional. O desafio é encontrar a melhor forma de obter resultados mais eficazes, tanto para os beneficiários como para os contribuintes do país doador, mas não se pode simplesmente condenar a ajuda humanitária (Proposta das consultorias citadas acima: Goldman Sachs e McKinsey Global Institute).</p>
<p style="text-align: justify;">(*) Professor de Relações Internacionais da PUC/SP</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16793&amp;boletim_id=727&amp;componente_id=12203.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://racismoambiental.net.br/2010/07/a-africa-real/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>‘Quem vier depois de mim terá de fazer mais pela África’, diz Lula</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2010/07/%e2%80%98quem-vier-depois-de-mim-tera-de-fazer-mais-pela-africa%e2%80%99-diz-lula/</link>
		<comments>http://racismoambiental.net.br/2010/07/%e2%80%98quem-vier-depois-de-mim-tera-de-fazer-mais-pela-africa%e2%80%99-diz-lula/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 04 Jul 2010 13:56:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[globalização]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://racismoambiental.net.br/?p=3722</guid>
		<description><![CDATA[De olho no objetivo de encerrar seu mandato tendo visitado 25 países africanos, o presidente Luis Inácio Lula da Silva disse neste sábado que a decisão de “se reencontrar com o continente africano” não é dele nem de nenhum ministro, e que o próximo ocupante do Planalto vai ter de fazer “ainda mais” para aproximar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;"><em>De olho no objetivo de encerrar seu mandato tendo visitado 25 países africanos, o presidente Luis Inácio Lula da Silva disse neste sábado que a decisão de “se reencontrar com o continente africano” não é dele nem de nenhum ministro, e que o próximo ocupante do Planalto vai ter de fazer “ainda mais” para aproximar os países dos dois lados do Atlântico.</em></div>
<p style="text-align: justify;">A reportagem é de Pablo Uchoa e publicado pela BBC Brasil, 04-07-2010.</p>
<p style="text-align: justify;">O presidente, que durante sua visita deve formalizar o perdão da dívida de Cabo Verde com o Brasil, no valor de US$ 3,5 milhões, fará um giro por outros cinco países: Guiné Equatorial, Quênia, Tanzânia, Zâmbia e África do Sul.</p>
<p style="text-align: justify;">Iniciando a viagem, o presidente discursou na abertura de uma cúpula entre o Brasil e a comunidade econômica do oeste africano – CEDEAO, formada por 15 países – e arrancou aplausos quando pediu licença à plateia para improvisar o que será uma de suas últimas participações como presidente brasileiro em uma reunião internacional de líderes africanos.</p>
<p style="text-align: justify;">“O Brasil, não apenas pela vontade do presidente Lula, tomou uma decisão política de se reencontrar com o continente africano”, disse. “Nós não temos como pagar, nós não temos como mensurar em dinheiro a dívida histórica que o Brasil tem com o continente africano.”</p>
<p style="text-align: justify;">“Quando eu pedi perdão à África em nome do brasileiro (em 2005), é muito mais do que uma frase de efeito. É um sentimento de um cidadão brasileiro, governante do Brasil, que reconhece que o Brasil não seria o que é se não fosse a participação de milhares de africanos na construção de nosso país”, prosseguiu o presidente. “Independentemente de o Lula ser presidente do Brasil, quem vier depois de mim está moralmente, politicamente e eticamente comprometido a fazer muito mais.”<span id="more-3722"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Abrindo espaços</p>
<p style="text-align: justify;">Tradicionalmente, o presidente bate na tecla de que a cooperação entre a África e o Brasil é particularmente positiva para o continente africano, porque tal relação se dá sobre uma base de solidariedade. É com esse caráter que o Brasil procura se diferenciar do que já é oferecido pelos países desenvolvidos e até mesmo países emergentes, como a China.</p>
<p style="text-align: justify;">Os chineses são de longe os que alimentam relações comerciais mais intensas com a África. O comércio entre a China e os países africanos já supera US$ 100 bilhões, cerca de quatro vezes mais que o Brasil. A seu favor, o governo brasileiro cita um crescimento estelar nos últimos sete anos – os da era Lula. Entre 2002, início do governo, e 2009, o comércio saltou de US$ 6 bilhões para US$ 24 bilhões entre o Brasil e o continente.</p>
<p style="text-align: justify;">Em particular com o grupo de 15 países do oeste africano, o comércio foi de US$ 1,8 bilhão para US$ 6,8 bilhões no mesmo período. Além do quê, em várias ocasiões porta-vozes dos países africanos expressaram sua indignação com o fato de a China investir em projetos no continente, mas importar a mão-de-obra requerida para os empreendimentos – anulando assim um dos benefícios mais evidentes do investimento externo, a criação de empregos.</p>
<p style="text-align: justify;">Já o Brasil, como lembrou o presidente, está criando na cidade de Redenção, no Ceará, uma universidade para 10 mil alunos – 5 mil brasileiros e 5 mil africanos – que deverá capacitar jovens africanos com o objetivo de que eles voltem para o continente e engrossem “os quadros de que a África tanto precisa” para se desenvolver.</p>
<p style="text-align: justify;">O presidente também citou parcerias na área agrícola, incluindo 35 projetos que o escritório da Embrapa, a agência agrícola brasileira, desenvolve em 16 países africanos, totalizando US$ 10 milhões. O representante regional da Embrapa em Acra, Gana, Leovegildo Lopes de Matos, disse à BBC Brasil que a transposição de experiências do Brasil para a savana africana “mudará a forma como os países africanos veem a cooperação agrícola”.</p>
<p style="text-align: justify;">As parcerias neste setor inauguraram o que o governo brasileiro já chama de “diplomacia sul-sul-norte”, na qual recursos de países desenvolvidos alimentam as iniciativas acertadas entre países em desenvolvimento. Ao falar durante o encontro entre o Brasil e os países africanos, o presidente da comissão executiva da CEDEAO, James Victor Gbeho, disse que as parcerias com o Brasil são “sem precedentes”.</p>
<p style="text-align: justify;">“Entretanto, o relacionamento não pode ser apenas sentimental”, afirmou. “Desejamos uma relação dinâmica que melhore os padrões de vida de nossos povos.”</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=33998</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://racismoambiental.net.br/2010/07/%e2%80%98quem-vier-depois-de-mim-tera-de-fazer-mais-pela-africa%e2%80%99-diz-lula/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Um sexto da humanidade consome 78% de tudo que é produzido no mundo</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2010/07/um-sexto-da-humanidade-consome-78-de-tudo-que-e-produzido-no-mundo/</link>
		<comments>http://racismoambiental.net.br/2010/07/um-sexto-da-humanidade-consome-78-de-tudo-que-e-produzido-no-mundo/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 03 Jul 2010 12:56:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[globalização]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://racismoambiental.net.br/?p=3686</guid>
		<description><![CDATA[
O dado é do relatório &#8220;Estado do Mundo &#8211; 2010&#8243;; versão em português lançada na quarta-feira (30/6) já está disponível em PDF
O Instituto Akatu e o Worldwatch Institute (WWI), organização com sede em Washington, lançaram na manhã de quarta-feira (30/6), a versão em português do relatório “Estado do Mundo – 2010”. O documento é uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://www.akatu.org.br/banco-de-imagens/Capa_Estado_Mundo.JPG/image_mini" alt="Estado_Mundo" width="152" height="200" /></p>
<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;"><em>O dado é do relatório &#8220;Estado do Mundo &#8211; 2010&#8243;; versão em português lançada na quarta-feira (30/6) já está disponível em PDF</em></div>
<p style="text-align: justify;">O Instituto Akatu e o Worldwatch Institute (WWI), organização com sede em Washington, lançaram na manhã de quarta-feira (30/6), a versão em português do relatório “Estado do Mundo – 2010”. O documento é uma das mais importantes publicações periódicas mundiais sobre sustentabilidade. Clique<a href="http://www.akatu.org.br/central/noticias_akatu/2010/resolveuid/0e742446c7623c1825db14a01dbf72a1"> aqui </a>para baixar o arquivo na íntegra.</p>
<p style="text-align: justify;">Produzido pelo WWI, o “Estado do Mundo” traz anualmente um balanço com números atualizados e reflexões sobre as questões ambientais. Este ano, em parceria com a WWI, o Akatu fez a tradução do documento para o português.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos dados que mais chama atenção no relatório é que ele aponta que apenas um sexto da humanidade consome 78% de tudo que é produzido no mundo. E conclui “sem uma mudança cultural que valorize a sustentabilidade em vez do consumismo, nada poderá salvar a humanidade dos riscos ambientais e de mudanças climáticas.<span id="more-3686"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Realizado no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura, em São Paulo, o lançamento do anuário contou com um debate sobre o tema foco do relatório de 2010: “Transformando Culturas – do Consumismo à Sustentabilidade”. Participaram da discussão mediada por Hélio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, Eduardo Athayde, diretor da WWI, Ricardo Abramovay, professor titutar da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e presidente do Conselho Acadêmico do Instituto Akatu e Lívia Barbosa, diretora de pesquisa do centro de Altos Estudos da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e membro do Conselho Acadêmico do Instituto Akatu. Erik Assadourian, diretor da pesquisa, participou do evento por teleconferência, a partir de Washington, nos Estados Unidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Barbosa começou parabenizando a iniciativa do Akatu e da WWI pelo “corajoso” desafio de editar um documento que relacione o consumo à cultura. “Foi o que mais me chamou atenção no relatório, pois, os vários exemplos citados, possibilitam juntar a cultura ao cotidiano das sociedades, fazendo com que o tema sustentabilidade saia das esferas dos governos e outras entidades e chegue è mesa da nossa cozinha”.</p>
<p style="text-align: justify;">Abramovay revelou que já usa o relatório há muitos anos. “Em minhas aulas, eu cito dados dos relatórios sobre o estado do mundo para que meus alunos – que são os futuros economistas – saibam que o mundo não é feito apenas de números e preços. Ele é composto de outros fatores importantes como as pessoas e as fontes de recursos”.</p>
<p style="text-align: justify;">O professor também chamou atenção para o cuidado que se deve ter ao discutir o consumo. Para ele, nem sempre as elevações dos padrões do consumo, sobretudo nos países mais pobres, significam mais impactos negativos sobre o uso dos recursos. “A troca do fogão à lenha por um que funcione a gás implica em impactos ambientais menores”, exemplificou.</p>
<p style="text-align: justify;">Mattar concluiu recomendando a leitura do documento que considera &#8220;primordial&#8221; para todos aqueles que têm alguma intenção de cooperar com a preservação do planeta. “O material impulsiona a todos os que têm acesso a ele a agirem em benefício da Terra”.</p>
<p style="text-align: justify;">O Relatório</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo dados do relatório, na última década, a humanidade aumentou seu consumo de bens e serviços em 28%. Somente em 2008, foram vendidos no mundo 68 milhões de veículos, 85 milhões de refrigeradores, 297 milhões de computadores e 1,2 bilhão de telefones celulares.</p>
<p style="text-align: justify;">Para produzir tantos bens, é preciso usar cada vez mais recursos naturais. Entre 1950 e 2005, a produção de metais cresceu seis vezes, o consumo de petróleo subiu oito vezes e o de gás natural, 14 vezes. Atualmente, um europeu consome em média 43 quilos em recursos naturais diariamente – enquanto um americano consome 88 quilos, mais do que o próprio peso da maior parte da população.</p>
<p style="text-align: justify;">Além de excessivo, o consumo é desigual. Em 2006, os 65 países com maior renda, que somam 16% da população mundial, foram responsáveis por 78% dos gastos em bens e serviços. Somente os americanos, com apenas 5% da população mundial, abocanharam uma fatia de 32% do consumo global. Se todos vivessem como os americanos, o planeta só comportaria uma população de 1,4 bilhão de pessoas. Atualmente já somos quase sete bilhões, e projetam-se nove bilhões para 2050.</p>
<p style="text-align: justify;">A pior notícia é quem nem mesmo um padrão de consumo médio, equivalente ao de países como Tailândia ou Jordânia, seria suficiente para atender igualmente todos os habitantes do planeta. A conclusão do relatório não deixa dúvidas: sem uma mudança cultural que valorize a sustentabilidade e não o consumismo, não haverá esforços governamentais ou avanços tecnológicos capazes de salvar a humanidade dos riscos ambientais e de mudanças climáticas.</p>
<p style="text-align: justify;">A edição do Estado do Mundo em português e o evento de lançamento são patrocinados pelo Itaú, parceiro pioneiro do Instituto Akatu.</p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo, algumas das conclusões do relatório:</p>
<p style="text-align: justify;">Economia e Negócios</p>
<p style="text-align: justify;">No âmbito da economia e negócios, uma dos aspetos fortemente recomendados pelo relatório é a “reavaliação do papel das grandes corporações”. O documento considera o poder de alcance do setor: “em 2006, as 100 maiores companhias transnacionais empregavam 15,4 milhões de pessoas com um volume de vendas de US$ 7 trilhões — o equivalente a 15% do produto mundial bruto” e conclui que “um sistema econômico sustentável dependerá de convencer as companhias, por meio de um conjunto de estratégias, de que a condução de seus negócios seja efetuada de maneira sustentável”.</p>
<p style="text-align: justify;">No âmbito social, empresarial e pessoal, a compreensão e a adoção de práticas de sustentabilidade são limitadas. Mudar uma organização costuma ser um processo ainda mais longo do que o da mudança pessoal.</p>
<p style="text-align: justify;">Muito se pode aprender com empresas que foram além das mudanças superficiais para abraçarem plenamente a sustentabilidade e que, assim, determinaram mudanças profundas em sua cultura organizacional. Para essas companhias, a sustentabilidade tem papel fundamental como um conjunto de valores que integram a prosperidade econômica, a gestão ambiental e a responsabilidade social, ou seja: lucro, planeta e pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">Para alcançar esse nível de mudança, os líderes devem apresentar visões arrojadas e devem envolver suas organizações em discussões diversas, mais profundas, sobre o objetivo e a responsabilidade da empresa em oferecer valor verdadeiro para os clientes e a sociedade. Além disso, o engajamento de toda a empresa é essencial.</p>
<p style="text-align: justify;">Educação</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo o relatório, uma pesquisa anual com alunos de primeiro ano de faculdades nos Estados Unidos investigou durante mais de 35 anos as prioridades de vida dos alunos. No transcorrer desse tempo, a importância atribuída a ter boa situação financeira aumentou de pouco mais de 40% para quase 80%, enquanto a importância atribuída à construção de uma filosofia de vida plena de sentido diminuiu de 75% para pouco mais de 45%. E “este não é um fenômeno apenas americano”, ressalta o documento.</p>
<p style="text-align: justify;">Para romper com o padrão do consumismo, todos os aspectos da educação terão de ser pautados pela sustentabilidade. Hábitos, valores, preferências – todos são, em grande medida, formados na infância. E durante a vida, a educação pode ter um efeito transformador sobre quem aprende. Portanto, explorar essa instituição poderosa será essencial para redirecionar a humanidade para culturas de sustentabilidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Nenhum sistema educacional é isento de valores, pois todos ensinam e são orientados por um determinado conjunto de ideias, valores e comportamentos, quer seja o consumismo, comunismo, crenças religiosas, ou sustentabilidade</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto mais a sustentabilidade puder estar integrada aos sistemas escolares atuais, maior será o número de pessoas que internalizarão os ensinamentos da sustentabilidade desde a infância. Dessa forma, as ideias, valores e hábitos se tornarão “naturais”. A partir de então, a educação funcionará como ferramenta poderosa para criar sociedades sustentáveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Mídia</p>
<p style="text-align: justify;">A maior parte da mídia ainda reforça o consumismo, mas existem esforços no mundo todo para que seu vasto poder e alcance seja utilizado para promover culturas sustentáveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo o relatório, 83% das residências no mundo têm aparelhos de televisão e 21 em cada 100 pessoas têm acesso a internet. Entretanto, a maior parte da mídia ainda reforça o consumismo, apesar de existirem esforços no mundo todo para que seu vasto poder e alcance seja utilizado para promover culturas sustentáveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Por meio de ações publicitárias globais, o setor de água engarrafada, por exemplo, ajudou a criar a impressão de que água na garrafinha é mais saudável, mais saborosa e está mais na moda do que a boa e velha água “torneiral”, mesmo quando estudos demonstram que algumas marcas de água engarrafada são menos seguras do que água da rede e custam de 240 a 10 mil vezes mais. A indústria de água engarrafada movimenta hoje US$ 60 bilhões e vendeu 241 bilhões de litros de água em 2008, mais que o dobro da quantidade vendida em 2000.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.akatu.org.br/central/noticias_akatu/2010/um-sexto-da-humanidade-consome-78-de-tudo-que-e-produzido-no-mundo</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://racismoambiental.net.br/2010/07/um-sexto-da-humanidade-consome-78-de-tudo-que-e-produzido-no-mundo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
