Posts tagged: homenagem

CE – Uma história sobre os Cabeludos da Encantada

Por racismoambiental, 28/08/2010 07:28
Lagoa da Encantada

Lagoa Encantada

Lançamento da exposição Historiando os Jenipapo-Kanindé, etnia indígena que vive no litoral de Aquiraz-Ce, ocorrerá no dia 03 de setembro de 2010.

Os índios Jenipapo-Kanindé habitam as margens da Lagoa da Encantada, município de Aquiraz-Ce, desde tempos imemoriais. Até o início dos anos 1980, eram conhecidos como os “Cabeludos da Encantada” numa referência ao jeito particular de ser dos moradores.

No início da década de 1990, juntamente com os Pitaguary (Maracanaú e Pacatuba), protagonizaram um segundo momento no despertar das comunidades indígenas no Ceará, tendo sido reconhecidos oficialmente pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI) entre 1997 e 2002.

Ocupam um território belo e cobiçado, marcado por dunas, matas nativas, praias e a Lagoa da Encantada, fontes de sua sobrevivência física e cultural, espaços sagrados onde vivem seus mitos e encantos ancestrais. Continue lendo… 'CE – Uma história sobre os Cabeludos da Encantada'»

Bookmark and Share

15 anos sem Florestan Fernandes

Por racismoambiental, 10/08/2010 18:57
Há 15 anos, no dia 10 de agosto de 1995, morria Florestan Fernandes, uma referência continental no desenvolvimento metodológico e científico da sociologia. Paulista, nascido em 1920, filho de migrantes portugueses, o sociólogo deixou mais de 50 obras, foi deputado federal constituinte, eleito pelo Partido dos Trabalhadores e professor rigoroso.

De origem humilde, fez de tudo na vida, trabalhando e ajudando a sobrevivência familiar, até romper as barreiras elitistas da USP e tornar-se seu aluno, professor e mais tarde um mestre de referência.

Sempre manteve a coerência ideológica de compromisso com a classe trabalhadora. Continue lendo… '15 anos sem Florestan Fernandes'»

Bookmark and Share

Uma homenagem: relembrando Atahualpa

Por racismoambiental, 27/07/2010 07:22

Atahualpa ou Atahuallpa (quéchua Ataw Wallpa) (Quito, 20 de março de 1502 — Cajamarca, 26 de julho de 1533) foi o décimo terceiro e último Sapa Inca (Imperador) de Tahuantinsuyu, como era chamado o Império Inca.

Atahualpa era filho do Inca Huayna Capac com Tocto Pala, que fora uma princesa estrangeira (de Quito) que desposara o Inca Tupac Yupanqui, pai de Huayna e que do leito do pai passou para o do filho.

Por isto, o seu pai Huayna deixou-lhe como legado as terras de sua mãe (ao norte de Cuzco), designando seu meio irmão Huascar, como supa inca, fato que gerou a disputa sucessória pelo trono na qual Atahualpa, apoiado por grande exército e bons generais, venceu Huascar numa guerra sangrenta que durou vários anos.

Voltando para a cidade de Cuzco,a capital do império, para tomar posse do trono que recentemente conquistara, Atahualpa parou na cidade andina de Cajamarca, conduzindo um exército de cerca de 80000 guerreiros, quando foi traído e aprisionado pelo conquistador espanhol Francisco Pizarro, no dia 16 de novembro de 1532.

O episódio ocorreu quando Atahualpa, depois de aceitar um convide de Pizarro para jantar e conversar, veio à praça principal de Cajamarca, trazendo apenas um pequeno contingente de guardas de honra. Continue lendo… 'Uma homenagem: relembrando Atahualpa'»

Bookmark and Share

LANÇAMENTO DO CATÁLOGO QUE CELEBRA A HISTÓRIA E O PATRIMÔNIO DE MATRIZ AFRICANA DO MEMORÁVEL GANTOIS

Por racismoambiental, 13/07/2010 18:33

Bookmark and Share

Momento de arte e cultura em meio à luta contra o Racismo Ambiental

Por racismoambiental, 03/07/2010 13:29

Contrapondo a derrota na Copa do Mundo, um momento de arte e fraternidade, numa homenagem a franceses e argentinos. Nas ruas de Marselha, um grupo de músicos amadores franceses – La tipica de Marseille – toca Astor Piazzolla:   “Lo que vendrá”. TP.


Bookmark and Share

Homenagem atrasada aos 35 anos da CPT

Por racismoambiental, 23/06/2010 18:20

A Comissão Pastoral da Terra completou ontem  35 anos a serviço dos camponeses e camponesas no Brasil. Fundada em plena ditadura militar, como resposta à grave situação dos trabalhadores rurais, posseiros e peões, a CPT contribuiu na luta e reorganização dos camponeses e camponesas no Brasil, em um dos períodos mais nefastos da história brasileira.

Dentre as mensagens recebidas pela CPT e publicadas no seu saite, destacamos a de Dom Pedro Casaldáliga, numa homenagem dupla, embora 24 horas atrasada.

“Esse jubileu de 35 anos da nossa CPT é para agradecer, para fazer memória, para reassumir cada dia os desafios e as esperanças do povo da terra que a CPT de algum modo acompanha.

Agradecer ao Deus da Terra que temos ido descobrindo na caminhada. A CPT tem sido, é e será, prosseguindo uma presença e uma ação proféticas da Igreja de Jesus, nas lutas  do campo. Com as falhas da nossa limitação, tem sido bem maior  a generosidade, a coragem, a doação total de tantos irmãos e irmãs que têm dado vida à CPT doando até a própria vida. Neste Jubileu a memória dos nossos mártires nos alenta e nos garante o selo de identidade de uma pastoral a serviço dos pobres da terra. Celebrando o Jubileu dos 35 anos queremos renovar nossa doação pessoal e comunitária, autocrítica e atualizada sempre, ecumênica e solidária em companhia do movimento popular e de todas as pastorais pé no chão.

Contaremos sempre mais com o Deus da Vida, da Terra, da Água, com  todo o povo irmão, na procura da Terra Sem Males, já aqui na terra das lutas e da esperança”.

http://www.cptnacional.org.br/index.php/noticias/16-cpt/281-mensagem-de-dom-pedro-casaldaliga-pelos-35-anos-da-cpt

Bookmark and Share

“É urgente voltar à filosofia e à reflexão”

Por racismoambiental, 21/06/2010 17:31
É a melhor despedida que um escritor pode ter. Leitores e amigos de todos os cantos do mundo fazem suas homenagens, compartilhando a certeza de haverá sempre muito para ler e reler. E reler, como ensinou José Saramago, é uma das armas para enfrentar a presença e o avanço da barbárie no mundo. A melhor maneira de homenagear Saramago e honrar o seu legado é mantendo suas palavras vivas, circulando pelo mundo. É essa a homenagem que a Carta Maior quer prestar neste momento, dedicando o editorial desta semana à palavra e ao exemplo de vida deixado pelo escritor português. (Editorial – Carta Maior)

Assista ao vídeo da palestra feita por José Saramago no Fórum Social Mundial 2005, em Porto Alegre. (Acervo Carta Maior)

“Acho que na sociedade atual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objetivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objetivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem idéias, não vamos a parte nenhuma”.

Continue lendo… '“É urgente voltar à filosofia e à reflexão”'»

Bookmark and Share

Saramago, um camarada de todas as horas dos Sem Terra do Brasil

Por todo o mundo, se lamenta a morte do grande escritor comunista português José Saramago. A literatura universal perde um de seus maiores mestres. De origens camponesas, apesar de ter trabalhado em diversos ofícios antes de se dedicar à escrita, Saramago nos propõe, a partir de seus romances, que reflitamos sobre alguns dos principais dilemas humanos.

Logo naquele que é considerado seu primeiro grande livro, chamado Levantado do Chão, nos descreve tão bem a tragédia do camponês do sul de Portugal na luta para ver a terra dividida.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) sente profundamente a perda desse grande intelectual. Mas, acima de tudo, sentimos a perda de um amigo e camarada. A nota é do sítio do MST, 19-06-2010: Continue lendo… 'Saramago, um camarada de todas as horas dos Sem Terra do Brasil'»
Bookmark and Share

Imaginação e Direitos Humanos. Uma Breve Lembrança de José Saramago, artigo de Carlos Alberto Lungarzo

[EcoDebate] Sexta-feira, 18 de junho de 2010, a cultura universal e o humanismo tiveram seu dia mais aciago desde 15 de Abril de 1980, quando faleceu Jean-Paul Sartre, um dos intelectuais mais completos do século e um dos maiores ativistas da história. Foi anunciada a morte de José de Sousa Saramago, o mais celebrado escritor da língua portuguesa, pensador finíssimo e criativo, narrador original e intenso, a figura que fez a delícia de várias gerações de mentes sensíveis e progressistas.

Mas não tenho cacife nem faz parte de minha missão me referir ao grande mestre em sua qualidade de literato, filósofo e artista. Quero que esta nota (que deve ser breve, pela urgência de torná-la pública) se refira a seu aspecto mais importante: os direitos humanos.

Digo isto, porque, junto ou acima de sua lendária celebridade como escritor no mundo todo, nada foi mais importante que sua defesa da condição humana. Saramago não foi apenas um literato que expressou, através de sua arte, uma visão humanista e progressista do mundo. Foi um homem comprometido, um observador e um ator consciente e corajoso, um batalhador que assumiu riscos radicais, desde que emergeu, em sua juventude, de uma região do mundo dominada pelo fascismo e o obscurantismo, até anos recentes.

Diferente das outras duas figuras históricas com as quais possui grande afinidade, Sartre e Bertrand Russell (1872-1970), Saramago nasceu numa família que não provinha da burguesia intelectual francesa, nem, menos ainda, da nobreza britânica, mas de uma família de trabalhadores pobres que lutava contra a devastadora miséria das vielas da Freguesia de Azinhaga, e que se deslocou a Lisboa logo que fora possível.

Se Portugal foi um estado fascista até o começo da década de 70, podemos imaginar como se vivia naquele sofrido extremo da Europa quando Saramago se aproximava dos 15 anos, com a sangrenta imagem do falangismo espanhol batendo nas fronteiras de Portugal, e as atrocidades do Salazarismo em sua própria terra.

A vida de Saramago é pública e bem conhecida. Quero falar um pouco de minhas vivências sobre o grande escritor, a partir de minha condição de ativista dos Direitos Humanos. Continue lendo… 'Imaginação e Direitos Humanos. Uma Breve Lembrança de José Saramago, artigo de Carlos Alberto Lungarzo'»

Bookmark and Share

7 de maio – Nossa homenagem a todas e todos que foram e são atingidos pela mineração e aos que lutam contra ela

Por racismoambiental, 08/05/2010 08:32

Bookmark and Share

Fernanda Giannasi será premiada por seus 25 anos de luta contra o amianto

Por racismoambiental, 12/04/2010 09:53

No próximo sábado, uma guerreira brasileira – Fernanda Giannasi – receberá, em Chicago, o prêmio Inspiração 2010 ADAO. A ADAO é a equivalente norte-americana à Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (ABREA), fundada por Fernanda em 1995, com a finalidade de lutar pelo banimento desse material no Brasil e pelo apoio à suas vítimas. Além de trabalhar como auditora fiscal do Ministério do Trabalho, ela ainda coordena a Rede Virtual pelo Banimento do Amianto na América Latina.

Na justificativa pela premiação, a ADAO diz que “Fernanda combina compaixão e sentimento de justiça com rara competência técnica. Qualidades que fazem com que seja dura e constantemente atacada pela indústria e pelo lobby do setor. Ao mesmo tempo, (é) querida pelas milhares de vítimas e familiares do mineral assassino no Brasil e respeitada pelos especialistas e autoridades sérias na área da saúde”.

Banido (e substituído) em mais de 50 países do chamado Primeiro Mundo, o amianto continua a ser utilizado entre nós, principalmente pelas pessoas mais pobres, devido ao seu baixo custo. Embora em alguns estados seu uso já tenha sido proibido, telhas e caixas d’água marcam os tetos das nossas favelas, bairros pobres e, até, conjuntos habitacionais construídos por estados e municípios, apesar de simbolizarem uma condenação à morte para as pessoas que as fabricam e um risco cancerígeno para aquelas que as utilizam.

“O Brasil está entre os cinco maiores utilizadores e fornecedores de amianto do mundo, com uma produção média de 250.000 toneladas/ano, tendência esta que vem caindo ano a ano e ultimamente por força das campanhas anti-amianto. Esta redução no mercado interno tem feito com que o excedente (65%) esteja sendo exportado para países da Ásia, principalmente, e América Latina”, diz o sítio da ABREA. Para saber mais sobre o amianto e seus efeitos na saúde dos trabalhadores e da população que o utiliza, visite http://www.abrea.com.br/. Ou veja a entrevista com Fernanda, feita pela Universidade Unisinos (IHU On-line) em maio do ano passado, a seguir. Continue lendo… 'Fernanda Giannasi será premiada por seus 25 anos de luta contra o amianto'»

Bookmark and Share

Feliz Páscoa, juntos

Por racismoambiental, 01/04/2010 18:56

Unidos podemos mais!

‘Standy by me’ (Jonh Lennon)

Este belíssimo vídeo foi feito para uma campanha que poderíamos traduzir como “Por um mundo novo novo” (ou ‘Por mudanças’, no sentido literal). A letra não é de autoria de nenhum Chico Buarque (aliás, não conheço nenhum, na língua inglesa), mas seu sentido é claro: não importa o que aconteça, fiquemos unidos. E essa é a mensagem passada por esses artistas populares, a maioria dos quais se apresenta nas ruas, com seu indefectível chapéu esperando as moedas. E o GT Combate ao Racismo Ambiental também gostaria de repetir isso, para seus integrantes e para aquelas pessoas que, do Brasil e dos mais variados países, nos acompanham e nos apóiam: fiquemos unidos, sempre, na luta contra a injustiça e por um mundo melhor!

Para quem tiver interesse, de qualquer forma, na tradução, aí vai ela: ‘Quando a noite chegar/ E a terra ficar escura/ E o luar for a única/ Luz que se vê/ Não, não vou ter medo/ Não, não vou ter medo/ Enquanto você ficar comigo/ E querida/ Fique comigo, fique comigo/ Fique comigo/ Se o céu que contemplamos/ Despencar e cair/ E a montanha/ Se desmoronar para o mar/ Não vou chorar, não vou chorar/ Não, não vou derramar uma lágrima/ Enquanto você ficar/ Ficar comigo’/ E quando tiveres problemas/ Não terás, se estiveres comigo/ Fique comigo, fique comigo/ Fique comigo’.

Bookmark and Share

Mulheres do início do século XXI

Por racismoambiental, 08/03/2010 08:24

DSC07536

[EcoDebate] A primeira ideia que nos vem à mente quando pensamos em mulheres neste início do século XXI é a da mulher urbana, trabalhadora, realizada e feliz porque agora se viu livre do domínio machista que a condenava à inferioridade nas relações de gênero mantida por tantos séculos, inclusive a obrigação de gerar filhos.
Todavia, não podemos ser ingênuas acreditando existir um único tipo “ideal” de mulher, como se ele representasse de fato todas as mulheres de hoje, de idades variadas, com os diversos problemas que enfrentam em suas comunidades e territórios, e com todos os desafios que as fazem lutar por mais dignidade, seja nas relações afetivas, na família, no trabalho ou no meio político e social em que vivem.
Mesmo considerando que são algumas mulheres urbanas, esses seres que se fizeram autônomos por terem renda própria e por se desvencilharem dos tabus e das muitas armadilhas dos preconceitos morais, as que galgaram altos cargos públicos e privados, assumindo as mesmas profissões antes reservadas exclusivamente aos homens, e que por isso são as que melhor representam, ideologicamente, a emancipação feminina, não podemos nos esquecer de outras tantas mulheres, as que ainda hoje vivem sob o jugo dos pais, dos maridos2 , ou dos patrões nessa sociedade com resquícios patriarcais e da exploração capitalista desmedida, modo de vida que transformou tudo em mercadoria.
Penso nas mulheres que, mesmo tendo conquistado a emancipação frente ao machismo, estão sobrecarregadas com o ônus da própria emancipação conquistada, como a dupla ou até a tripla jornada de trabalho, com o sofrimento em face das doenças antes quase exclusivas do mundo masculino, com o fardo do provimento da prole, pelo simples fato de poderem agora romper com as relações afetivas falidas.
Foi a partir dos anos 60 do século passado que o movimento de libertação das mulheres desencadeou-se como parte integrante de um movimento cultural da juventude. No final do século XX, um número expressivo de mulheres entrou no mercado de trabalho, chegando mesmo a ser em número maior do que os homens em determinados setores, como são exemplos as universidades. Em algumas empresas, os quadros femininos passaram a atingir o topo da carreira.
A economia capitalista, baseada no estímulo e na criação incessante de novas necessidades, foi a que mais contribuiu para o crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho, de modo a que viessem a ser uma fonte suplementar de rendimentos, necessária para a realização dos sonhos da sociedade de consumo. Todavia, olhando bem, antes disso, as mulheres sempre trabalharam. Nas sociedades primitivas executavam as tarefas agrícolas e domésticas. Às mulheres, devemos a criação da agricultura, no neolítico, enquanto os homens incumbiam-se da caça e da pesca.
A partir da Revolução Industrial trabalharam nas fábricas e nas situações extremas, como no período das duas grandes guerras, trabalharam fora do lar. É de se notar, todavia, que as mulheres em todos esses momentos não deixaram de assumir a difícil tarefa das obrigações domésticas. Para justificar a dupla ou até a tripla jornada, essa “realidade” foi mascarada por uma cultura que valoriza a liberdade e o maior bem-estar individual e que vê no trabalho doméstico uma forma de submissão da mulher ao homem. A ideologia hegemônica forjou o reconhecimento social do trabalho feminino atrelado a ideias como o direito a uma “vida autônoma” e à independência econômica.
Os próprios homens tiveram de reconhecer a legitimidade do trabalho assalariado feminino como instrumento de autonomia e realização pessoal, a despeito de muitas vezes ser cristalino para todos que nem mesmo sob o aspecto econômico é compensatório para as famílias, e principalmente para a sociedade de modo geral, o sacrifício da venda de toda a força de trabalho de cada família no mercado. Quando ambos os cônjuges estão fora do lar, e por muitas horas de trabalho nas empresas, há irremediavelmente uma perda na qualidade de vida dos pais e dos filhos, que acabam sendo expostos à vulnerabilidade de uma sociedade que não tem mais tempo para os laços comunitários, para os momentos de mística, de intimidade familiar e de luta social.
Os maiores problemas, normalmente, tornam-se mais visíveis nos territórios de baixa renda, em vista de não disporem as famílias de creches, de escolas e de serviços necessários para compensar minimamente a falta da atenção materna e paterna no lar. Deparamo-nos diariamente com notícias de crianças e adolescentes entregues ao narcotráfico, de adolescentes grávidas e sem a mínima condição de ampararem os filhos gerados, perpetuando, deste modo, o círculo vicioso da pobreza e da exclusão, elas mesmas, essas mulheres, desde tenra idade, desamparadas pela sociedade.
E por que muitas mulheres, mesmo neste século XXI ainda estão longe das conquistas da emancipação feminina? Penso que isso ocorre em vista da hegemonia capitalista. Vivemos em uma sociedade que tem como fundamento a competição em todos os níveis. Assim, a primeira preocupação não é um lugar para cada um na sociedade.
O discurso hegemônico faz acreditar que todos podem se dar bem, desde que lutem isoladamente por isso. Cada um tenta de todas as formas conquistar um lugar melhor, mas de modo a se tornar um ser que consome mais. Todavia, quem embarca no consumismo se consome aos poucos. Na busca de um sonho inatingível as pessoas empenham suas forças sem ter muita consciência de que, na prática, estão contribuindo é para a manutenção de um sistema opressor, que absolutiza o lucro e que desconsidera as mazelas sociais e ambientais que provoca.
Deste modo, o nosso agir em sociedade, mesmo aparentemente emancipado, tem contribuído para o aumento das intervenções irresponsáveis no meio ambiente e para a destruição da cultura e dos bens naturais das comunidades tradicionais, nas quais ainda existem laços de fraternidade e de cultura camponesa. A cada minuto deixamos os nossos rastros na poluição do ambiente provocada pelos nossos automóveis, pelo consumo excessivo de mercadorias cada vez mais sofisticadas que exigem o uso crescente de energia, de água, de produtos de limpeza e de mais e mais embalagens. Exploramos trabalho e biodiversidade quando excedemos no uso de cosméticos, de produtos de higiene pessoal, de artigos de luxo, ou com tanta parafernália para manter a aparência e para nos manter em dia com as inovações tecnológicas. Tudo o que resulta da manipulação das necessidades humanas pelos meios de comunicação.
Vítimas deste modo de vida ocidental, construído sob a lógica de um poder dominado por homens e do qual participam inexoravelmente as mulheres urbanas modernas e as suas porta-vozes, as mulheres que na televisão e na mídia em geral são usadas para vender tudo, desde os cosméticos e bebidas até os automóveis e os imóveis de luxo. As mulheres subservientes do consumismo e as que vendem a sua imagem – escolhidas entre “as mais bonitas” – contribuem para lançar no mundo da exclusão, este já esquecido pelo capitalismo, outras mulheres que ainda têm muito a conquistar. São as meninas, grávidas ainda na adolescência, as mulheres marginalizadas que não encontrando outra forma de renda não podem realizar tarefa senão a venda do seu próprio corpo de uma outra maneira, as mulheres operárias que além da tripla jornada são as responsáveis pelo provimento do lar, mesmo condenadas aos salários mais baixos do que os dos homens.
Não quero com isso passar uma visão pessimista do ser feminino deste início de século XXI. Apesar de não terem as mulheres conseguido efetivamente se emancipar neste sistema-mundo5, mantido nas e pelas relações de competição e do individualismo, são elas, emancipadas economicamente ou não, as protagonistas de uma nova sociedade. No mundo inteiro, nos chamados movimentos antissistêmicos são as mulheres as que constroem na luta os caminhos contra toda forma de opressão. Temos visto isso nas Comunidades Eclesiais de Base, no Movimento dos trabalhadores Rurais sem Terra – MST -, no Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB -, na Via Campesina e em tantos movimentos populares sociais do Brasil e da América Latina.
No Brasil, nos núcleos urbanos pobres são as mulheres as que tomaram a decisão de construir a casa própria através do mutirão3 , como consequência da falta de políticas públicas adequadas e sob pena de verem as famílias vulnerabilizadas ainda mais pela falta de moradia e após se verem mais empobrecidas com o pagamento do aluguel ao longo do tempo. Para essas mulheres faço reverência, reconhecendo que sem elas correríamos o risco de perder a esperança de vida melhor para todas as nossas crianças. São as mulheres camponesas as que descobriram que não basta a conquista da terra, que é preciso conquistar a igualdade de direitos também nas conquistas, inclusive a superação do machismo ainda existente na militância. São elas que assumiram a liderança da luta pela reforma agrária em muitos casos4 e nas denúncias da apropriação capitalista dos bens naturais no campo, como foram exemplo as mil mulheres que no Rio Grande do Sul destruíram diversas mudas de eucalipto de uma empresa transnacional que impede o fortalecimento da agricultura familiar para a produção de alimentos e para a geração de renda para os pequenos agricultores. Lembro-me também daquela mulher indígena que teve a ousadia de num ato extremo apontar um facão para o engenheiro da Eletrobrás que usava diversas mentiras para justificar numa audiência pública a construção ilegal da hidrelétrica de Belo Monte no Rio Xingu.
Por tudo isso, parafraseando o grande poeta Drumond, digo que olho as minhas companheiras mulheres neste início de século XXI e vejo que estão muitas taciturnas, mas nutrem grandes esperanças. Entre todas, considero a enorme realidade. Porém, também como Drumond, não serei a cantora de uma mulher, de uma história. Proponho na diversidade a construção de uma sociedade em que vivam mulheres, de todas as idades, de todos os lugares, de todas as culturas, fazendo um outro mundo possível, onde o poder seja somente o do cuidado, na e da perspectiva feminina. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas em mais um 8 de março, o de 2010!
Notas: 1. Delze dos Santos Laureano é advogada e professora universitária, mestre em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da UFMG, doutoranda em Direito Internacional em Direitos Humanos pela PUC-MINAS, Integrante da RENAP – Rede Nacional de Advogados Populares; e-mail: delzesantos@hotmail.com
2. Para ilustrar essa afirmação basta ver o grande número de situações de violência doméstica amparadas pela Lei Maria da Penha.
3. Em Belo Horizonte são exemplos as Comunidades Camilo Torres e Dandara, com mais de 1.000 famílias de “sem-teto e sem-terra” que estão conquistando na luta e na garra moradia popular e cidadania. Nessas duas ocupações as lideranças femininas são fortes e decisivas.
4. Temos como exemplo o Assentamento Pastorinhas do MST em Brumadinho, MG, liderado por mulheres camponesas que além da conquista da terra tem contribuído para uma educação em agroecologia em toda a região metropolitana de Belo Horizonte, especialmente para estudantes do ensino médio e superior. Cf. www.pastorinhas.blogspot.com
5. Conceito criado por Immanuel Wallerstein para retratar o Universalismo Europeu
Colaboração de Gilvander Moreira, frei Carmelita, para o EcoDebate, 08/03/2010

Texto de Delze dos Santos Laureano

[EcoDebate] A primeira ideia que nos vem à mente quando pensamos em mulheres neste início do século XXI é a da mulher urbana, trabalhadora, realizada e feliz porque agora se viu livre do domínio machista que a condenava à inferioridade nas relações de gênero mantida por tantos séculos, inclusive a obrigação de gerar filhos.

Todavia, não podemos ser ingênuas acreditando existir um único tipo “ideal” de mulher, como se ele representasse de fato todas as mulheres de hoje, de idades variadas, com os diversos problemas que enfrentam em suas comunidades e territórios, e com todos os desafios que as fazem lutar por mais dignidade, seja nas relações afetivas, na família, no trabalho ou no meio político e social em que vivem.

Mesmo considerando que são algumas mulheres urbanas, esses seres que se fizeram autônomos por terem renda própria e por se desvencilharem dos tabus e das muitas armadilhas dos preconceitos morais, as que galgaram altos cargos públicos e privados, assumindo as mesmas profissões antes reservadas exclusivamente aos homens, e que por isso são as que melhor representam, ideologicamente, a emancipação feminina, não podemos nos esquecer de outras tantas mulheres, as que ainda hoje vivem sob o jugo dos pais, dos maridos2 , ou dos patrões nessa sociedade com resquícios patriarcais e da exploração capitalista desmedida, modo de vida que transformou tudo em mercadoria. Continue lendo… 'Mulheres do início do século XXI'»

Bookmark and Share

Utilizamos uma versão modificada do tema Panorama, criado por Themocracy