Posts tagged: Mata Atlântica

Descaso com nascentes e rios ameaça o Pantanal

Por , 08/02/2012 14:21

Estudo inédito englobando Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina aponta áreas que precisam de mais atenção para garantir a sobrevivência da maior planície alagável do planeta, de populações e de economias ?

A conservação da Bacia do rio Paraguai[1] e a sobrevivência do Pantanal estão ameaçadas, principalmente pela degradação de nascentes e barramento de rios que fluem de áreas de planalto (Cerrado) para a planície pantaneira.

Por isso, a inédita Análise de Risco Ecológico da Bacia do Rio Paraguai[2] é lançada junto ao Dia Mundial das Áreas Úmidas (2 de fevereiro), evidenciando que metade da bacia pantaneira está sob alto e médio risco ambiental, e que 14% dela necessitam ser protegidos com urgência, por sua grande capacidade de fornecer água e manter os ciclos de cheias e vazantes que dão vida ao Pantanal.

O estudo contou com mais de 30 especialistas dos quatro países e exigiu três anos de esforços, evidenciando também que essas áreas estão majoritariamente em porções elevadas nas bordas da bacia e são as maiores fornecedoras de água à planície, área que ainda apresenta boas condições ecológicas. “Conhecendo a “saúde” do Pantanal podemos nos antecipar a problemas futuros, como o das mudanças climáticas, mas a saúde pantaneira está ameaçada por ações em curso, no presente”, ressaltou Glauco Kimura, coordenador interino do Programa Água para a Vida do WWF-Brasil.

As principais ameaças à Bacia do rio Paraguai são o desmatamento e o manejo inadequado de terras para agropecuária, causadores de erosões e sedimentação de rios, por exemplo. Barramentos hidrelétricos estão alterando o regime hídrico natural do Pantanal. O crescimento urbano e populacional é seguido por mais obras de infraestrutura, como rodovias, barragens, portos e hidrovias, colocando em risco o frágil equilíbrio ambiental pantaneiro. Continue lendo… 'Descaso com nascentes e rios ameaça o Pantanal'»

Mata Atlântica terá 320 pontos estudados no próximo ano

Por , 21/12/2011 11:05

Flávia Villela, Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A partir de janeiro, a Mata Atlântica fluminense vai passar por um raio X . Durante todo o ano, cinco equipes formadas por cinco especialistas da Secretaria Estadual do Ambiente farão o inventário da biodiversidade de 320 pontos da floresta em todo o Estado. Segundo a superintendente de Biodiversidade e Florestas da secretaria, Alba Simon, o objetivo é determinar a situação real da Mata Atlântica para que possam ser implantadas políticas públicas mais efetivas de conservação da floresta.

“Vamos fazer a coleta do solo, da vegetação, a contagem de carbono no local e perguntar às comunidades próximas a esses pontos qual o uso pessoal e econômico que elas fazem dos recursos naturais da floresta, se usam a madeira para combustível, se usam ervas para a saúde. A conclusão do inventário nos dirá em que situação se encontra a Mata Atlântica”, disse Alba, ao explicar a pesquisa, que terá apoio de especialistas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

O material coletado do solo será enviado à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para análise e o da vegetação, para o Jardim Botânico. De acordo com Alba, os estudos mais atuais indicam que a Mata Atlântica tem hoje entre 21% e 27% de cobertura florestal. No entanto, são estudos feitos com base em imagens de satélite, o que dificulta  estabelecer com precisão o estado da floresta. Continue lendo… 'Mata Atlântica terá 320 pontos estudados no próximo ano'»

Incêndio criminoso, por Telma Monteiro

Por , 18/07/2011 13:44

No intervalo do incêndio quando achamos que o fogo tinha sido controlado

Os criminosos que atearam fogo nas divisas do nosso sítio, onde moramos há quinze anos, sabiam direitinho como nos colocar em risco e como o fogo se fecharia sobre nós vindo de duas frentes. Era sábado, as poucas pessoas da comunidade tinham ido à cidade e estávamos vulneráveis. A divisa oeste tem 1ooo metros para uma estrada secundária de terra e a divisa sul tem 1500 metros para a propriedade vizinha, onde não tem edificações e não mora ninguém. Ao longo das duas divisas foi possível achar os pontos onde estiveram os focos, muito bem planejados, que deram origem ao incêndio. Da parte mais alta do sítio era possível divisar um horizonte de mais de 20 quilômetros de mata, em 360°, sem uma fumacinha sequer. Só ardia o perímetro de nossa propriedade. Estávamos experimentando o horror de sermos alvos de um atentado.

Telma Monteiro

Era para ser um dia glorioso. Às 8 horas da manhã, o céu estava muito azul e a mata resplandecia com o pouco orvalho da madrugada em tempos secos. Muitos passarinhos anunciavam mais um sábado agradável no interior dessa maravilhosa e biodiversa Mata Atlântica do alto Vale do Ribeira, sul do estado de São Paulo.

Nossa rotina foi a mesma. Tomamos nosso café da manhã na varanda de frente para o leste onde a mata sobe uma encosta. No lado sul, onde a varanda faz um L, a mata se debruça sobre nossa casa para onde vêm os jacus, os tucanos, os esquilos e os passarinhos dos mais diversos matizes em busca de comida nas folhas das helicônias vermelhas e amarelas. Bordeando  a casa uma grande cigarreira, agora quase totalmente seca no inverno, se esgalha sobre o telhado deixando cair as últimas folhinhas. Continue lendo… 'Incêndio criminoso, por Telma Monteiro'»

Serra do Gandarela: segunda maior área de mata atlântica e maior área de campos rupestres sobre cangas de Minas Gerais enfrenta o cinismo, a ideologia perdulária e os negócios de Minas

Por , 31/03/2011 15:20

por Gustavo T. Gazzinelli  - Movimento pelas Serras e Águas de Minas

 

“As razões de Minas nos cobram mais inconformismo, mais inquietação e ousadia…”

Antonio Augusto Anastasia, 01/01/2011

É de se indignar o cinismo e a hipocrisia institucionalizados no Brasil, na sociedade brasileira e em Minas Gerais, em particular. As últimas hecatombes naturais, no Japão, na Serra do Mar ou no processo contínuo de desmatamento da Amazônia, do Cerrado, da Caatinga e da Mata Atlântica, parecem ser processos normais e desejáveis, como se nada tivéssemos a ver com isso.

No caso das nossas montanhas e águas, o que se vê é uma política deliberada de deixar fazer ou, no sentido literal da expressão, deixar desfazer o que a natureza levou milhões e bilhões de anos para construir. O argumento é primário: “minas está no nome”, “usamos carros, computadores, relógios e geladeiras – você queria o quê?”

Poucos se dão conta de que apenas um pequeno percentual do minério de ferro extraído de Minas Gerais é reprocessado pela indústria mineira e brasileira. Temos visto figuras de proa, como o ex-ministro Paulo Haddad, falar que a atividade mineral traz “desenvolvimento”. Sua empresa, Phorum, contratada pela Vale, está tentando convencer municípios da APA-Sul de Belo Horizonte a proceder à reformulação de seus Planos Diretores, que objetivam um desenvolvimento efetivamente sustentável e baseado no ecoturismo e na proteção de mananciais. O alvo é facilitar a entrada da mineração, pretendida por sua cliente, na segunda área em tamanho de Mata Atlântica e na maior área de campos rupestres ferruginosos ou campos rupestres sobre cangas de Minas Gerais – a Serra do Gandarela. Continue lendo… 'Serra do Gandarela: segunda maior área de mata atlântica e maior área de campos rupestres sobre cangas de Minas Gerais enfrenta o cinismo, a ideologia perdulária e os negócios de Minas'»

Secretário de Meio Ambiente nega licença ambiental para hidrelétrica com base na Lei da Mata Atlântica em Minas Gerais

Por , 27/02/2011 18:11

Pesquisadores e ambientalistas propõem centro de estudos ambientais no local

Ambientalistas celebram o indeferimento da Licença de Instalação para a pequena central hidrelétrica (PCH) Aiuruoca pelo Secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado de Minas Gerais, Adriano Magalhães Chaves, publicado no Diário Oficial da União no dia 22 de fevereiro de 2010. “O indeferimento da PCH Aiuruoca é um sinal importante para salvar os últimos remanescentes da Mata Atlântica, de cuja extensão original em Minas Gerais restam apenas 4%”, salienta Andréa Zhouri, coordenadora do GESTA (Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais) da UFMG.

O licenciamento da PCH Aiuruoca, planejada para ser instalada no município do mesmo nome, no Sul de Minas, foi polêmico desde os primeiros estudos ambientais, em 1999, devido a sua localização numa área protegida pela legislação ambiental vigente. Mesmo assim, em 2004, foi concedida a Licença Prévia pelo Conselho da Política Ambiental de Minas Gerais – COPAM. Isto aconteceu apesar de os pareceres técnicos e jurídicos emitidos pelo órgão ambiental responsável recomendarem a não aprovação da licença por causa da alta qualidade ecológica da área. Continue lendo… 'Secretário de Meio Ambiente nega licença ambiental para hidrelétrica com base na Lei da Mata Atlântica em Minas Gerais'»

Deputado quer desmatar o sertão mineiro

Por , 18/06/2010 11:28

É preciso lembrar que grande parte desta região é ocupada por populações tradicionais que possivelmente poderão ficar ainda mais vulneráveis às estratégias expropriatórias dos grandes latifundiários. RA

Projeto aprovado na calada da noite na Assembleia permite derrubada dos 48% que restam da chamada mata seca, no Norte do estado, para beneficiar agricultura e carvoarias

Ernesto Braga – Estado de Minas

Trecho do importante bioma, em estrada que liga Manga à divisa com a Bahia: vegetação é transição entre o cerrado e a caatinga - (Renato Lopes/EM/D.A. Press 31/08/2004 )

Em sessão extraordinária, e na calada da noite, 46 dos 77 parlamentares da Assembleia Legislativa de Minas Gerais se reuniram no plenário para votar, em segundo turno, o Projeto de Lei 4.057/2009, de autoria do deputado Gil Pereira (PP), que agride a cobertura vegetal do estado. O texto, que retira a mata seca da área de preservação ambiental da mata atlântica, foi aprovado por 45 deputados – apenas Fábio Avelar (PSC) foi contrário. Na prática, se a lei for sancionada pelo governador Antonio Anastasia (PSDB), permitirá que os 48% que restam da mata seca no Norte de Minas, até então protegidos pela legislação federal, sejam desmatados para a atividade agrícola e produção de carvão. O principal argumento é que a mudança abriria na região mais 250 mil postos de trabalho no campo. Mas uma pesquisa científica feita pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) aponta que apenas os latifundiários serão beneficiados.

O Estado de Minas telefonou quinta-feira várias vezes para o gabinete de Gil Pereira, mas ele não foi encontrado nem retornou as ligações. O projeto, que tramitou em caráter de urgência na Assembleia, a pedido do próprio deputado, foi criticado por autoridades e especialistas na área ambiental, que o consideram inconstitucional. A mata seca foi incluída na área de preservação ambiental da mata atlântica pelo Decreto Federal 6.660/2008, que regulamentou a Lei Federal 11.428/2006 (Lei da Mata Atlântica). A legislação proíbe que florestas nativas do bioma sejam desmatadas, a não ser por motivo de utilidade pública e interesse social. Ao retirar a mata seca desse estágio de preservação permanente, o PL 4.057/2009 permite o desmatamento de até 70% da área coberta pela vegetação. Continue lendo… 'Deputado quer desmatar o sertão mineiro'»

Programação feita por Ricardo Álvares, utilizando uma versão modificada do tema Panorama, criado por Themocracy.