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	<title>Combate ao Racismo Ambiental &#187; Migrantes</title>
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	<description>A serviço do GT Combate ao Racismo Ambiental</description>
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		<title>Livro levanta poeira racista na Alemanha</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 21:17:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Por: Flavio Aguiar
Na Europa é moda conservadora ser &#8220;cautelosamente&#8221; antimuçulmano.
Thilo Sarrazin tem 65 anos, e fez uma carreira burocrática que pode ser chamada de exemplar. Descendente de franceses (daí o nome, Sarrazin, parecido com Sarrasin, “Sarraceno”), Thilo foi alto funcionário da Deutsche Bahn (Empresa Ferroviária), foi Ministro das Finanças (nós diríamos Secretário) da Câmara (aqui [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignright" style="width: 290px"><img src="http://www.redebrasilatual.com.br/multimidia/blogs/blog-do-velho-mundo/livro-levanta-poeira-racista-na-alemanha/image_preview" alt="Livro levanta poeira racista na Alemanha" width="280" height="187" /><p class="wp-caption-text">Banqueiro conhecido por posições racistas, Thilo Sarrazin publicou livro atacando judeus, bascos e muçulmanos (Foto: Eigenes Werk/wikipedia)</p></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">Por: Flavio Aguiar</div>
<p style="text-align: justify;"><em>Na Europa é moda conservadora ser &#8220;cautelosamente&#8221; antimuçulmano</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Thilo Sarrazin tem 65 anos, e fez uma carreira burocrática que pode ser chamada de exemplar. Descendente de franceses (daí o nome, Sarrazin, parecido com Sarrasin, “Sarraceno”), Thilo foi alto funcionário da Deutsche Bahn (Empresa Ferroviária), foi Ministro das Finanças (nós diríamos Secretário) da Câmara (aqui Senado) de Berlim, trabalhou para o governo federal, e faz pouco tempo foi indicado para o Conselho Diretor do Bundesbank, Banco da República, o Banco Central alemão. Além disso, há tempos é filiado ao SPD, o Partido Social Democrata alemão, que é descrito na mídia convencional como de “centro-esquerda”.</p>
<p style="text-align: justify;">Faz tempo que Sarrazin é uma figura conhecida por suas declarações bombásticas e conservadoras. Já disse, por exemplo, que um dos “desafios” de Berlim são os membros da “geração de 68”, assim como o “desleixo” dos berlinenses quanto à vestimenta e a aparência.<span id="more-6411"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, tornou-se mais conhecido por suas declarações contra a imigração estrangeira, particularmente a dos muçulmanos, e em especial, a dos turcos – e seus descendentes. Freqüentemente acusou-os de “resistirem à integração” e de, por isso, resistirem também à educação. Criticou-os também por não terem iniciativa, por serem importantes economicamente apenas no “setor de frutas e verduras”, de não contribuírem com “mais-valia” (sic) para o Estados alemão, de passarem tempo demais recebendo seguro-desemprego, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse comportamento já lhe valeu problemas. Teve de abdicar da pretensão de ser vice-presidente do Banco, teve seu gabinete invadido por estudantes. Tornou-se, enfim, uma figura polêmica, conhecida e reconhecida por opiniões bizarras.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, porém, Sarrazin atravessou o Rubicão, provocando uma chusma de críticas e declarações veladas de apoio, mesmo que parcial, às visões que levanta.</p>
<p style="text-align: justify;">Sarrazin acaba de lançar um livro – Deutschland schafft sich ab – A Alemanha se autodestroi – onde avança teses (que lembram as versões mais conservadoras do malthusianismo sobre a proliferação dos mais pobres) segundo as quais a Alemanha está submergindo diante das altas taxas de natalidade dos imigrantes muçulmanos – novamente os turcos em particular.</p>
<p style="text-align: justify;">Para ele também a mixagem entre essas populações “recém-chegadas” e os “autóctones” está produzindo um crescente “emburrecimento” do país, pelo pouco interesse e fraco desempenho dos imigrantes e seus descendentes em termos escolares.</p>
<p style="text-align: justify;">(Penso que os que se lembrarem do filme “O leitor” – e do romance, que é mais interessante – e  da dificuldade da protagonista em reconhecer seu analfabetismo, terão uma medida da delicadeza do tema nas terras de Goethe, Hegel, Schiller, Thomas Mann etc.)</p>
<p style="text-align: justify;">Até aí poderíamos estar vendo o caso de uma personalidade polêmica, um tanto atraída pela fama, a controvérsia, e a “proteção das classes superiores e dos valores tradicionais”. Como ser antimuçulmano está na moda entre os conservadores na Europa e no mundo, teríamos aí o caso de um autor em busca de polêmica promoção para seu livro, mobilizando temas e opiniòes algo odiosas, é verdade.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, não satisfeito com isso, Sarrazin abriu a metralhadora giratória, e atirou em todas as direções. Em entrevista no fim de semana, confrontado com perguntas sobre um possível teor racista de suas opiniões, ele negou a acusação, dizendo que ele tratava de assuntos “culturais”, e emendou que isso de raças era um assunto, afinal, genético. “Todos os judeus”, disse ele, “têm um gene comum, assim como os bascos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Aí o caldeirão ferveu, porque ele pôs o dedo – e fundo – na ferida que paira sobre e sob toda a história da sociedade alemã.</p>
<p style="text-align: justify;">As reações foram imediatas. Embora na maioria dos casos elas esquecessem “os bascos”, e citassem apenas “os judeus”, apontaram que ele estava levantando teses racistas negadas pela ciência. O Conselho Judaico Alemão e o Muçulmano se uniram no repúdio ao livro. O SPD, que já tentara se livrar do polêmico personagem no passado, reabriu o processo de expulsão contra ele – o que na Alemanha é complicado e pode até depender de uma decisão judicial. Até a Chanceler Ângela Merkel veio a público dizer que as declarações de Sarrazin eram inaceitáveis, e que ele deveria deixar o Banco Central ou ser demitido do Conselho.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, houve reações mais contemporizadoras, sobretudo na mídia conservadora, dizendo que o tom era equivocado, as teses genéticas também, mas que o controvertido autor levantava problemas “reais”. Ou seja, que há mesmo o temor que a “vaga muçulmana” transforme a Alemanha numa Atlântida moderna.</p>
<p style="text-align: justify;">Pior: em todas as frentes acenderam-se luzes de preocupação com a possibilidade do livro tornar-se um best-seller. Isso, 65 anos depois de Mein Kampf – Minha Luta – de Adolf Hitler, ser proibido na Alemanha, com o fim da Segunda Guerra Mundial.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se sabe ainda o que vai acontecer. Estava prometida uma leitura pública (coisa muito do gosto local), junto com o lançamento do livro, que não se realizou, “por razões de segurança”, uma vez houve protestos em frente à livraria. O Banco Central convocou o autor para esclarecimentos junto a uma reunião especial do Conselho Diretor, e reconheceu que as suas declarações “feriam a reputação do Banco”. O SPD – preocupado com a hipótese de perder apoio entre os imigrantes e seus descendentes – vai levar a ferro e fogo a proposta de expulsão. A Chanceler, premida pela impopularidade de seu governo e em busca de apoios e teses populares, certamente vai aumentar a pressão, nos bastidores e fora deles para que Sarrazin seja dispensado do Banco Central.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas e se o livro e seu autor se tornarem também populares? Afinal, ele mobiliza preconceitos que, como disse antes, estão na moda, e sem o ranço das manifestações neo-nazis. Para muitos ele parece ser “apenas” um funcionário de carreira meticulosa e cheia de zelos pelo seu país, com idéias ousadas e “algo extravagantes”, mas não destituídas completamente de “alguma razão”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais ou menos como os funcionários que no passado, também zelosamente, trabalharam para e com os nazis.<br />
PS – Esse tema da “inundação muçulmana” não é privilégio da Alemanha. Ele atravessa toda a Europa, os Estados Unidos e até a América Latina, inclusive o Brasil, onde já pululam clipes nos youtubes da vida anunciando o “fim da civilização cristã ocidental”.</p>
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		<title>&#8220;Os novos escravos do capitalismo&#8221;, de Patrick Herman &#8211; resenha</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 20:03:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo Ambiental]]></category>
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		<category><![CDATA[desigualdade]]></category>
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		<description><![CDATA[Jean-Pierre Leroy

O camponês jornalista francês Patrick Herman, com a experiência adquirida no início dos anos 90, quando trouxe a público o escândalo escondido da contaminação pelo amianto, inicia em 2002 uma investigação que o leva a descobrir e fazer “emergir” “um mundo até então invisível”. Fruto dessa pesquisa, ele publica em 2008 “Les nouveaux esclaves [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Jean-Pierre Leroy</p>
<p style="text-align: justify;">
<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">O camponês jornalista francês Patrick Herman, com a experiência adquirida no início dos anos 90, quando trouxe a público o escândalo escondido da contaminação pelo amianto, inicia em 2002 uma investigação que o leva a descobrir e fazer “emergir” “um mundo até então invisível”. Fruto dessa pesquisa, ele publica em 2008 “Les nouveaux esclaves do capitalismo”1, ainda não traduzido para o português. Esse mundo é o da produção intensiva no sul da Europa e, secundariamente, no norte da África, de frutas e legumes, com seus trabalhadores assalariados migrantes: “os novos escravos do capitalismo”. À busca deles, o autor transporta o leitor em ambientes que o turista nunca encontrará, no sudeste da França, na Provença; na Andaluzia, na província de Almeria e em Huelva; e no Rif, no Marrocos, regiões de clima mediterrâneo, propícias à produção agrícola – frutas e legumes &#8211; fora de estação.</div>
<p style="text-align: justify;">Algumas décadas atrás, o consumidor europeu, situado majoritariamente em países temperados ou frios, caracterizados por estações bem definidas, contentava-se com os legumes e frutas produzidos cada um na sua hora, que começava com a primavera. O saber do produtor e sua localização, que o beneficiava com micro-climas ou com facilidades de transportes, faziam com que conseguisse se antecipar a produção. Ervilhas, morangos ou batatas chegavam ao mercado e ao consumidor endinheirado com dias ou semanas de antecedência ao mercado. Fruto de um conjunto de fatores analisados ao longo do livro, essa tendência explodiu. O consumidor espera agora encontrar a sua disposição nas gôndolas do seu supermercado frutas e legumes na maior parte do ano e, até mesmo, no inverno.<span id="more-5558"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A centenas e mesmo milhares de quilômetros deste consumidor, o autor nos faz encontrar os artífices desse luxo: homens, vindo em particular de Marrocos, mas também da Tunísia, do Mali, da Costa do Marfim e outros países da África negra; mulheres do Marrocos e, da Europa do Leste, polonesas, búlgaras, romenas; e, mais recentemente, latino-americanos, em particular colombianos e equatorianos. Com persistência, Patrick Herman levanta o véu que os mantém numa cômoda invisibilidade. Quem gostaria de ser reconhecido como Senhor de escravos ou cúmplice da moderna escravidão?</p>
<p style="text-align: justify;">O que caracteriza a sua situação, da sobre-exploração do trabalho ao trabalho escravo? São empregos sazonais. Mesmo quando estes se transformam em trabalho permanente ou semipermanente, mantém-se a ficção da sazonalidade, para manter o trabalhador em situação precária, o que facilita a sua docilidade. Pois, é como aqui com os cortadores de cana vindos do Maranhão ou do Jequitinhonha ou os desbravadores da Amazônia, pois lhes parece melhor aceitar condições sub-humanas de vida e de trabalho do que voltar ao seu país.</p>
<p style="text-align: justify;">O leitor brasileiro, a par minimamente do que acontece no Brasil, não demora em se sentir em terreno conhecido. Os contratos de trabalho não são respeitados: roubo das horas trabalhadas, horas extras não pagas, trabalho sem dias de descanso, retenção abusiva sobre o salário para alojamento, comida; ferramentas a serem compradas pelo trabalhador etc. Predominam segregação habitacional, condições de moradia indignas, falta de acesso à água potável, falta de equipamentos para proteção contra os pesticidas, vigilância armada, não declaração dos acidentes, não reconhecimento das doenças. Há retenção de passaporte, devolvido somente no fim da colheita e mesmo empréstimo de trabalhador por um patrão a outro, mediante “certificado de liberdade”. Se o trabalhador se endividou com o patrão, pagou somas importantes que endividaram sua família na sua terra natal; isto o mantém preso a seu contrato e a seu patrão mais seguramente do que se fossem grilhões. Enfim, o autor menciona que jovens mulheres da Europa do Leste, escolhidas por sua aparência (jovens e bonitas), são presas fáceis para a prostituição.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora a mídia atraia a nossa atenção sobre a imigração clandestina através do mundo, a maioria desses trabalhadores e trabalhadoras chega com contratos oficiais. Na realidade, esses contratos assumem a precariedade do seu estatuto. São marcadas as diferenças com os direitos trabalhistas e sociais dos trabalhadores franceses ou espanhóis. O autor e os estudiosos, que cita, falam de “exclusão jurídica”. Os trabalhadores migrantes vêem-se presos num emaranhado de normas e leis que reforçam essa exclusão. Entre eles e elas, há muitos ilegais, ou porque seu contrato terminou ou porque chegaram como clandestinos. Essa situação de abundância da oferta de mão de obra interessa aos patrões e se beneficia da cumplicidade do poder público.</p>
<p style="text-align: justify;">Num episódio que nos remete ao assassinato até hoje impune de inspetores do trabalho em Minas Gerais, o autor nos relata o fuzilamento, em 2004, de dois inspetores, sendo uma inspetora do Trabalho, realizado por um produtor, na França. Na ocasião, o ministro da agricultura francês evocou “as dificuldades extremas do mundo agrícola”, o que seria uma circunstância atenuante. Ao longo do livro, o autor ressalta a cumplicidade do poder público com a situação de escravidão ou semi-escravidão dos migrantes, o que, mais uma vez, nos lembro do “corpo mole” do governo frente ao escândalo da não aprovação da lei que desapropriaria os fazendeiros culpados de usar trabalho escravo. Os eleitos localmente representam os interesses dessa agricultura e atuam mancomunados com os lobbies dos produtores. Eles não hesitam em ameaçar publicamente – e com sucesso &#8211; de ações violentas o poder público. Este retribui com ajudas e facilidades a essa agricultura industrial. Ironia e hipocrisia: a vinda de trabalhadoras da Europa do Leste permitiu na Espanha que a União Européia atribuísse subvenções para a “gestão ética da imigração sazonal”!</p>
<p style="text-align: justify;">Como se chegou a essa situação? O autor desmonta a lógica da acumulação capitalista no campo a partir dos anos 60 e 70, com a promoção do mercado global, sob a lei férrea de Planos de ajuste estrutural. A agricultura se moderniza. “Mecanização, intensificação do modo de produção, aumento do tamanho das propriedades”, especialização das produções voltadas não mais para o abastecimento local, mas para o mercado regional ou mundial levam à hemorragia do campo e à substituição do camponês pelo empresário rural, seja pessoa física ou empresa. Vale notar que no caso dos produtores de Almeria, mantiveram-se os produtores familiares, especializando-se e conseguindo se desenvolver às custas primeiramente da exploração da mão de obra familiar, e, posteriormente, graças aos imigrantes. A melhoria das técnicas de circulação da informação e do transporte e a multiplicação dos supermercados facilitaram o consumo de frutas e legumes não produzidos localmente.</p>
<p style="text-align: justify;">Paralelamente, a concentração na distribuição (o autor sublinha que 5 grupos de distribuição controlam a venda de mais de 90% dos produtos de grande consumo na França), junto com o peso das grandes redes de supermercados forçam a “diminuição constante dos preços pagos ao produtor  e o esmagamento dos salários dos operários agrícolas”. As áreas de produção na Europa mediterrânea (Itália, França e Espanha) entram em concorrência não só entre elas, mas com os países da África do Norte e até com a América Latina. Na produção agrícola industrial, como na indústria, a deslocalização faz parte do jogo do mercado.</p>
<p style="text-align: justify;">No Marrocos, visitado pelo autor em busca das origens dos imigrantes , trata-se de “ter desempregados de menos e divisas a mais”. Em 1983, sob a pressão do FMI e do Banco Mundial, o Marrocos inicia um Plano de Ajuste Estrutural: prioridade à exportação e abertura dos mercados. A produção local não resiste ao trigo europeu e norte-americano. Os camponeses migram em massa para a cidade. O país perde a auto-suficiência alimentar. Consolida-se um desemprego maciço, não só no campo (é assim que ocorre nas estufas de Almeria; ao lado de camponeses, encontram-se agrônomos e licenciados em direito). Empresas espanholas se instalam, reproduzindo no Marrocos, o mesmo sistema de produção e  exploração da mão de obra.</p>
<p style="text-align: justify;">A análise de Patrick Herman não é abstrata. Ele nos faz encontrar homens e mulheres, apesar do clima de violência e de ameaças que cerca os visitantes. Conhecemos com ele em particular duas mulheres: a marroquina Naïma, na Provença, e, em Almeria, Mercedes, espanhola que milita na defesa dos migrantes. Pois, se são poucos e poucas, há pessoas e algumas organizações, dos próprios migrantes ou que se colocam ao seu lado, numa luta sempre desigual. Violência e racismo permeiam as histórias de vida desses homens e mulheres, que estão à margem de qualquer estado de direito. O autor nos remete aos tempos do colonialismo, como nós aqui nos reportamos aos tempos da escravidão. E, com ele, podemos dizer que o capitalismo moderno se combina muito bem com os séculos passados. Mais do que isso, ele se perpetua porque incorpora esses tempos e produz neocolonialismo e uma nova escravidão.</p>
<p style="text-align: justify;">Para terminar, vale mencionar a questão ambiental que permeia o livro. Este modelo de agricultura industrial é extremamente dependente de sementes industriais, de insumos químicos e de água. Os trabalhadores são as primeiras vítimas do uso de agrotóxicos. Como aqui, menciona-se o uso de produtos químicos proibidos; a pulverização, área ou manual, na hora da colheita; a não declaração de doenças devidas ao contato com esses produtos. Não são somente os e as trabalhadoras que são as vítimas desse sistema de produção. A água é preciosa nessas áreas já submetidas a um grande estresse hídrico. A exigência de agrotóxicos e de água cresce, preparando a decadência, e, mais do que isso, a contaminação e a desertificação futura das zonas de produção. Quanto aos consumidores, somente a propaganda, mentirosa, mas altamente eficiente, tanto a que promove, como aquela que esconde, e o boicote às alternativas, pode conseguir o objetivo de perpetuar esse tipo de agricultura.</p>
<p style="text-align: justify;">É uma luta desigual. Mas contra a profunda injustiça ambiental e a negação dos direitos fundamentais, sofridos pelos novos escravos do capitalismo, e contra um sistema de produção, que vitima toda a sociedade, ergue-se como única alternativa a retomada do campo pelo campesinato e, com ele, de uma agricultura de proximidade com o consumidor, amistosa com o meio ambiente. Patrick Herman, ao falar da Europa, fala do Brasil, fala do mundo.</p>
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		<title>Os órfãos da cana</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 19:50:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo Ambiental]]></category>
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Até 2014, o corte manual será eliminado dos canaviais paulistas. O problema: o que farão 140.000 cortadores que dependem desse trabalho para sustentar sua família no Nordeste? A reportagem é de Nicholas Vital e publicada pela Exame, 06-08-2010.
O sol nem bem raiou e milhares de homens já estão espalhados pelos canaviais da cidade de Leme, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://fetaeg.org.br/netmanager/imagens/upload/Cortador%20de%20Cana.jpg" alt="" width="240" height="362" /></p>
<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">Até 2014, o corte manual será eliminado dos canaviais paulistas. O problema: o que farão 140.000 cortadores que dependem desse trabalho para sustentar sua família no Nordeste? A reportagem é de Nicholas Vital e publicada pela Exame, 06-08-2010.</div>
<p style="text-align: justify;">O sol nem bem raiou e milhares de homens já estão espalhados pelos canaviais da cidade de Leme, um dos muitos polos produtores de cana-de-açúcar do estado de São Paulo. Com equipamentos de segurança rudimentares no corpo e foices afiadas nas mãos, os trabalhadores cortam enormes feixes de cana queimada a cada golpe. Eles têm pressa. Sabem que sua remuneração está diretamente ligada à produtividade. Os melhores cortadores chegam a empilhar até 8 toneladas de cana-de-açúcar num único dia de trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">A jornada é dura e desgastante, mas o contracheque médio de 1.100 reais serve de estímulo para esse grupo de trabalhadores, formado em sua maioria por migrantes nordestinos. O dinheiro ganho em São Paulo garante a sobrevivência de famílias inteiras no Nordeste e faz prosperar a economia de pequenas cidades encravadas no sertão. Nos últimos tempos, porém, um clima de tensão tem pairado sobre os canaviais paulistas.<span id="more-5448"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Desde 2007, quando um acordo firmado entre as usinas produtoras de etanol e o governo estadual antecipou de 2021 para 2014 o fim das queimadas nos canaviais, os homens têm perdido espaço para as máquinas. Nas últimas três safras, o número de vagas tem caído em média 15% ao ano. No mesmo período, a quantidade de colheitadeiras em atividade quadruplicou. Hoje existem cerca de 140 000 cortadores de cana em São Paulo, número que cairá para zero em quatro anos.</p>
<p style="text-align: justify;">É ótimo que as queimadas sejam eliminadas e que um trabalho degradante desapareça. É assim que o país evolui, tanto social quanto ambientalmente. Mas o fato é que, sem qualificação, os trabalhadores hoje envolvidos no corte de cana dificilmente conseguirão manter o já modesto padrão de vida de sua família. O exemplo do paraibano Antônio Sabino, de 38 anos, reflete bem o drama. Nascido em Princesa Isabel, município distante 450 quilômetros de João Pessoa, Sabino trabalha há 12 anos no corte de cana em Leme. Todo ano embarca em um dos muitos ônibus que transportam a mão de obra de pequenas cidades nordestinas até as usinas paulistas. A passagem custa 300 reais, mas o retorno é garantido. Com um salário de 1 500 reais por mês &#8211; conquistado graças a um desempenho muito acima da média -, ele sustenta os pais, a mulher e dois filhos na Paraíba e consegue economizar até 400 reais por mês.</p>
<p style="text-align: justify;">Terminada a safra, Sabino receberá a rescisão contratual e a participação nos lucros da usina, o que deverá lhe render o equivalente a quatro salários. Em novembro, voltará para casa com mais de 10 000 reais no bolso, uma fortuna para os padrões da região. &#8220;A economia de Princesa Isabel é movida pelo dinheiro da cana paulista&#8221;, diz o prefeito Thiago Pereira. &#8220;São mais de 2 000 pessoas daqui que partem para São Paulo todo ano. A mecanização das lavouras vai nos trazer grandes problemas.&#8221; Uma pesquisa elaborada pela engenheira Márcia Azanha, da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo, mostra que quase 20% dos cortadores de Leme vêm de Princesa Isabel. Segundo Pereira, a expansão do setor sucroalcooleiro nos últimos anos surgiu como uma tábua de salvação para a economia local, já que na cidade não há indústrias e a grande maioria vive de emprego público e de programas sociais do governo federal.</p>
<p style="text-align: justify;">Num pequeno sítio na zona rural de Princesa Isabel, as mulheres da família Sabino estão apreensivas. Neste ano, além de Antônio, outros cinco homens da família embarcaram rumo aos canaviais de São Paulo. A matriarca, Maria Cristina, de 77 anos, sabe que a atividade que hoje garante o sustento de todos está com os dias contados. Sem disfarçar a preocupação com o futuro, lembra-se dos tempos difíceis em que a agricultura local era a única fonte de renda e da ascensão social conquistada na última década graças à cana.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Construímos tudo o que temos com o dinheiro que os meninos trazem no fim do ano&#8221;, diz Maria Cristina, apontando as três casas erguidas por seus filhos no sítio. Os comerciantes locais também lamentam. Nos últimos anos, o número cada vez menor de vagas disponíveis para o corte tem afetado as vendas, especialmente no final do ano &#8211; embora não haja estatísticas, pois o comércio é majoritariamente informal. &#8220;É só perguntar. Todos os lojistas da cidade já estão sentindo a queda nas vendas&#8221;, afirma Manoel Francisco Santos Neto, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Princesa Isabel.</p>
<p style="text-align: justify;">Por mais que afete a vida de milhares de brasileiros, a mecanização do setor sucroalcooleiro é um processo inevitável &#8211; e, olhado à distância de dramas pessoais, extremamente positivo. Assim como já ocorreu com a indústria automobilística a partir dos anos 70 e, mais recentemente, com as lavouras de soja brasileiras, o uso desse tipo de tecnologia é fundamental para aumentar a competitividade do produto final. No caso específico do etanol, é ainda mais importante, pois serve para atestar a sustentabilidade do combustível, uma vez que as queimadas lançam todos os anos milhões de toneladas de monóxido de carbono na atmosfera.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde 2007, quando o Protocolo Agroambiental Paulista foi assinado, cerca de 2,6 milhões de hectares de cana deixaram de ser queimados, evitando a emissão de 7,6 milhões de toneladas de monóxido de carbono &#8211; volume equivalente à emissão de uma frota de 23 000 ônibus movidos a óleo diesel durante um ano. Na atual safra, 54% do total colhido no estado já está mecanizado. Nas últimas quatro safras, o número de máquinas em operação nos canaviais passou de 645 para 2 031.</p>
<p style="text-align: justify;">Estima-se que cada máquina que chega ao campo tire o emprego de até 100 homens. Por outro lado, gera 18 vagas para trabalhadores mais qualificados, como operadores, mecânicos, eletricistas e soldadores, que recebem um salário até três vezes maior. O grande problema é a falta de qualificação da maioria dos cortadores. &#8220;Mais de 90% dessas pessoas não sabem sequer ler e escrever&#8221;, afirma Sandoval Brito, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Leme. &#8220;Não somos contra a mecanização, mas é preciso mais tempo para treinar esse pessoal.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Para a união da indústria da Cana- de-Açúcar de São Paulo (Unica), no entanto, o prazo é suficiente. Em 2009, a Unica lançou um programa de qualificação que pretende formar até 7 000 homens por ano. A ideia é transformar os cortadores em trabalhadores qualificados não só para as usinas mas também para a construção civil, setor que tem vivido um crescimento acima da média nos últimos anos e que carece de mão de obra. &#8220;Quando lançamos o protocolo, já sabíamos do problema do desemprego.</p>
<p style="text-align: justify;">Os programas visam reduzir o impacto social, dando a possibilidade de crescimento profissional ao trabalhador&#8221;, afirma Marcos Jank, presidente da Unica. Os projetos devem dar ênfase aos moradores do estado de São Paulo, deixando de fora os cortadores nordestinos, cerca de 40% do total. O governo federal nem sequer possui estatísticas sobre a migração temporária no campo, o que evidencia a falta de políticas públicas para encarar o problema. No Nordeste, um cortador de cana não ganha mais que 2 reais por dia de trabalho. Para muitos, a saída será partir para outras culturas, como a de café ou a de mandioca, bem menos rentáveis que a de cana. Outros cortadores, no entanto, têm usado os últimos momentos em São Paulo para juntar o máximo de dinheiro possível e tentar montar um negócio próprio perto da família.</p>
<p style="text-align: justify;">É o caso de Alex Laurindo, de apenas 19 anos, morador da cidade serrana de Triunfo, em Pernambuco. Franzino, seu biótipo em nada se parece com o de um cortador de cana padrão. Com um português impecável, conta que terminou o ensino médio há dois anos e foi obrigado a partir para São Paulo por falta de oportunidades. Este é seu segundo ano em Leme. Em 2009, juntou quase 10 000 reais, o suficiente para comprar uma moto &#8211; sonho de consumo de dez entre dez cortadores. Desta vez, a meta é mais ousada: ao lado do irmão Claudecir, que também trabalha nas lavouras de Leme, quer comprar a casa onde moram seus pais e o terreno ao lado do imóvel, avaliado em 1 500 reais, onde pretendem iniciar uma lavoura de milho e feijão.</p>
<p style="text-align: justify;">O pai, Cleidinaldo Laurindo, de 44 anos, um ex-cortador que teve de abandonar a profissão devido a problemas nos joelhos causados pelas longas jornadas nos canaviais, afirma que essa é a única forma de viver dignamente em Triunfo. &#8220;Aqui não existe emprego&#8221;, diz. &#8220;Meus dois filhos mais velhos estão na cana por falta de emprego. Minha outra filha vai fazer 18 anos e também não tem trabalho. O fim do corte manual vai prejudicar muita gente por aqui.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo o prefeito de Triunfo, Luciano Bonfim, mais de 2 000 dos 17 000 habitantes deixam a cidade todos os anos atrás do dinheiro da cana. Quando voltam, fazem a alegria dos comerciantes locais. &#8220;O mês de dezembro é uma loucura aqui. Eles chegam de São Paulo e aquecem o comércio&#8221;, diz o prefeito. Josélia Fonseca, dona da única concessionária Honda da cidade, conta que vende em média 20 motos por mês durante o ano. A partir de novembro, no entanto, o número sobe para 120 unidades. &#8220;Se tivesse mais motos, venderia ainda mais&#8221;, afirma. &#8220;Agora, não sei como vai ficar.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">A esperança recai justamente sobre os ex-cortadores que já conseguiram montar um negócio e se estabelecer em definitivo na cidade. Leandro Bezerra, de 27 anos, é um exemplo de sucesso. Com o dinheiro que ganhou trabalhando na região de Novo Horizonte entre 2006 e 2009, montou um bar. Hoje, fatura em média 1 500 reais por mês e emprega uma funcionária.</p>
<p style="text-align: justify;">O caso de Ginaldo Patriota, de 32 anos, é ainda mais intrigante. Nascido em Serra Talhada, cidade na divisa entre Pernambuco e Paraíba, partiu para o corte em São Paulo aos 18 anos. Não tinha sequer o dinheiro para comer nos três dias de viagem a Leme. Nove safras depois, havia juntado 130 000 reais, o suficiente para comprar, à vista, um ônibus de turismo que hoje usa para transportar os cortadores de cana do Nordeste para São Paulo. &#8220;Agora sou um empresário do setor de transportes&#8221;, diz ele, que cobra 240 reais a passagem e só neste ano já levou quase 1 000 trabalhadores para as usinas paulistas.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Tenho contatos em São Paulo e conheço muita gente aqui em Pernambuco. Faço o recrutamento do pessoal e entrego direto nas usinas.&#8221; Em 2014, Patriota, o &#8220;headhunter do sertão&#8221;, terá de encontrar um novo itinerário para seu ônibus. Os milhares de nordestinos que hoje trabalham nos canaviais de São Paulo também.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=35172</p>
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		<title>Ribeirão Preto, SP: Migrantes contratados para corte de cana-de-açúcar são submetidos a condições de trabalho arcaicas e precárias</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 12:01:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo Ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Migrantes]]></category>
		<category><![CDATA[saúde e meio ambiente]]></category>
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“Eles são tratados de forma até pior que os escravos, pois os senhores preservavam os escravos porque eram uma propriedade, eram um bem”.
Nos anos 80 do século passado, foram inúmeros os movimentos para melhoria das condições de trabalho dos cortadores da cana-de-açúcar. De lá para cá, pouca coisa mudou nessas condições e esses movimentos diminuíram, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" src="http://espaber.uspnet.usp.br/jorusp/wp-content/uploads/2010/06/cana_trabalho_escravo.jpg" alt="Migrantes contratados para corte de cana-de-açúcar são submetidos a condições de trabalho arcaicas e precárias" width="355" height="250" /></p>
<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;"><em>“Eles são tratados de forma até pior que os escravos, pois os senhores preservavam os escravos porque eram uma propriedade, eram um bem”.</em></div>
<div style="text-align: justify;">Nos anos 80 do século passado, foram inúmeros os movimentos para melhoria das condições de trabalho dos cortadores da cana-de-açúcar. De lá para cá, pouca coisa mudou nessas condições e esses movimentos diminuíram, ou pelo menos saíram do foco da imprensa nacional. Na primeira década deste século, ganharam destaque apenas as denúncias da Pastoral do Migrante de Guariba ao Ministério Público Federal, sobre a ocorrência de mortes desses trabalhadores por exaustão, dada a insalubridade do trabalho nos canaviais da região de Ribeirão Preto. Segundo a Pastoral, ocorreram entre 2004 e 2008 nada menos que 21 mortes de cortadores de cana-de-açúcar nas usinas da região, grande parte delas atribuídas a paradas cardiorrespiratórias.</div>
<p style="text-align: justify;">A diminuição dos movimentos de melhoria das condições do trabalho pode ser explicada pela abundância de mão-de-obra e pelo perfil do trabalhador contratado pelas usinas da região. Eles são predominantemente homens, jovens, com baixa escolaridade e de boa conduta, o que na visão do empregador significa subordinação, assiduidade e boa saúde. A maioria é de migrantes, que vêm das regiões Norte e Nordeste do País em busca de melhores condições de trabalho. Esses migrantes representam 80% da força de trabalho no corte da cana, ou mais de 70 mil pessoas, só na região de Ribeirão Preto, de acordo com a irmã Inês Facioli, da Pastoral de Guariba.<span id="more-3193"></span></p>
<p style="text-align: justify;">É esse o cenário desenhado pelas conclusões da pesquisa de iniciação científica do estudante Leandro Amorim Rosa, do curso de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, e de parte do mestrado do cientista social André Galiano, também da FFCLRP.</p>
<p style="text-align: justify;">Para a pesquisa de Leandro Rosa foram entrevistados 13 trabalhadores rurais empregados no corte da cana, um membro da Pastoral do Migrante, o presidente do Sindicato dos Empregados Rurais de Guariba e dois psicólogos do setor de recursos humanos de uma usina pertencente ao mesmo grupo da que emprega os trabalhadores entrevistados. O objetivo foi conhecer o perfil desses trabalhadores, os critérios para sua contratação e as condições de trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Galiano, por sua vez, pesquisa a situação dos jovens que trabalham no corte da cana para compreender como eles são atraídos para esse tipo de trabalho e conhecer, sobretudo, como essa atividade repercute na saúde física e psíquica deles. Entrevistou 13 cortadores de cana em Pradópolis. Parte dos resultados dessa pesquisa, seu mestrado em andamento, foi apresentada no 6º Congresso da Associação Latino-Americana de Sociologia do Trabalho, no final de abril, e ganhou o prêmio de melhor pôster do evento. A orientação dos dois trabalhos é da professora Vera Navarro, do Departamento de Psicologia e Educação da FFCLRP.</p>
<p style="text-align: justify;">Boa conduta – Além de traçar o perfil do trabalhador migrante na cana-de-açúcar, Leandro Rosa entrevistou o pessoal de recursos humanos de uma das usinas contratantes. Segundo o pesquisador, nessa entrevista foi recorrente a fala sobre a humanização. “Mas fica claro que, para a usina, ela só se justifica quando traz melhor produção.” Rosa identificou ainda que boa moradia, ao invés de ser responsabilidade da usina que o contrata, passou a ser item que o qualifica para a vaga. “Para evitar problemas com os órgãos de fiscalização, a usina e o ‘turmeiro’, aquele que faz as contratações e é uma espécie de fiscal, deixaram de oferecer moradia e passaram a responsabilidade para o próprio trabalhador.”</p>
<p style="text-align: justify;">Para o pesquisador, esse é um fator agravante na relação de trabalho, pois, além de se preocupar com as despesas com o transporte que o trouxe até a região e com a alimentação, também há a questão do aluguel, da produção e, ainda, da manutenção da saúde. “Manter o trabalho precarizado parece que ainda é mais produtivo. O salário por produção, por exemplo, também passa a responsabilidade do ganho para os trabalhadores. Nesse cenário, a força política desses trabalhadores desaparece, sem contar que eles, ainda, têm que ter dinheiro para mandar para a família e para se sustentar na entressafra”, lembra.</p>
<p style="text-align: justify;">Os trabalhadores relataram também o caso de um colega demitido dois dias antes de acabar a experiência, mesmo com boa produtividade. “Esse migrante demitido havia incitado os colegas a não entrarem no ônibus que os transportavam até o canavial por questões óbvias, o veículo não tinha freio nem faróis. Esses passam a constar de uma lista negra (sic), segundo os migrantes. A usina admite a existência de uma lista de não retorno, com outras justificativas e vincula a questões de produtividade, evidentemente.”</p>
<p style="text-align: justify;">Outro fator que pode levá-los para essa lista é o número de atestados médicos. “Eles trabalham até a exaustão, os mais velhos são os que mais reclamam de dores no corpo, cãibras e dificuldades para dormir.” Para contornar os problemas físicos causados pelo excesso de trabalho, algumas usinas oferecem uma espécie de energético que, para Rosa, é um investimento para aumentar a produção, mas que, para os trabalhadores, é uma ajuda. “O corpo já dá sinais de exaustão e o energético faz com que ele aguente um pouco mais, mas, quando vem a doença, é avassaladora. Prova disso são as 21 mortes contabilizadas pela Pastoral do Migrante de Guariba”, lembra o pesquisador. Rosa ficou impressionado com o fato de a usina mais uma vez potencializar a produção no campo e ainda ser vista como bem-feitora.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao serem perguntados sobre greve, eles são taxativos, diz o acadêmico. “Eles têm muito medo porque não querem correr o risco, dizem que é melhor o trabalho ruim do que nada.”</p>
<p style="text-align: justify;">Criar porcos – Em sua pesquisa, Galiano entrevistou jovens entre 16 e 24 anos. “Percebemos que os jovens, quando retornam para sua cidade, ganham certo status por ter enfrentado desafios e ainda por ter conseguido dinheiro para enviar para a família, além de bens materiais”, explica.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo Galiano, eles são de famílias numerosas, muito humildes. “Na escola onde estudavam o assunto é fazer a migração. Como eles têm sonhos, como todos os jovens, com bens de consumo a que normalmente não têm acesso, vêm sem pensar.”</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, na face de alguns desses jovens a decepção com o mundo idealizado emocionou o pesquisador. “Quando chegam e se deparam com outras funções com que não estão acostumados, como lavar, passar e, ainda, arcar com despesas que não esperavam, o mundo deles desaba. Um dos entrevistados, desde a infância, já realizava trabalhos no campo, mas este foi seu primeiro contato com o corte da cana, e desabafou toda sua indignação: ‘Dói tudo, tudo. Desse jeito, não. Eu prefiro trabalhar cinco anos plantando feijão e milho a ficar mais um ano cortando cana’.”</p>
<p style="text-align: justify;">Quando questionado sobre o futuro, o jovem cortador manifestou seu sonho de trabalho: “O único serviço que é o meu sonho… o meu sonho mesmo é cuidar de porco. Porque eu tenho amor em granja de porco”.</p>
<p style="text-align: justify;">Exploração e desgaste – Para a professora Vera Navarro, a conjuntura atual é muito diferente da década de 80, quando os sindicatos eram mais atuantes e os movimentos sociais cobravam mais. Segundo ela, a mudança na forma de se produzir, de plantar e colher a cana e que intensificou o aumento do trabalho é o nó dessa questão. ”O trabalho por produção aumenta esse tipo de exploração e o desgaste do trabalhador.”</p>
<p style="text-align: justify;">A professora aponta a questão da queimada como outro problema. “No sistema atual de queima da cana, muitos morrem e, se não morrem, as queimaduras são bastante graves; essas coisas aparecem de forma muito velada, não têm números nem estatísticas. Isso revela que o trabalho no corte da cana continua bastante desumano.”</p>
<p style="text-align: justify;">Vera diz que, com a força de trabalho abundante, o migrante pode ser descartado. Ela lembra as citações da professora Maria Aparecida de Moraes Silva, pesquisadora da Unesp: “Eles são tratados de forma até pior que os escravos, pois os senhores preservavam os escravos porque eram uma propriedade, eram um bem”.</p>
<p style="text-align: justify;">Além da relação precária de trabalho, a professora diz que eles enfrentam uma realidade muito diferente também em relação ao meio social e até ao clima. “Eles passam frio, principalmente nessa época do ano. Estranham a convivência com pessoas de outras origens, de diferentes culturas e, ainda, se sentem excluídos em relação aos ‘da casa’.” Ela lembra que o preconceito em relação a esses migrantes é muito grande e todos são chamados de “baianos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Para a professora, mesmo com cerca de 50% da colheita da cana mecanizada, chegando a 90% em algumas usinas, a situação ainda é grave. Nessa conjunção, de corte mecanizado e corte manual, o trabalhador fica com a pior área, onde a máquina não entra e nem dá para queimar, segundo Vera. “Alta tecnologia para a produção e, para o trabalhador, relações arcaicas e precárias.”</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo Vera, a questão não é simples de ser resolvida, pois eles migram por questões de sobrevivência. A resolução do problema, diz a professora, passa pela questão da reforma agrária, pela manutenção desse pessoal no campo, no seu local de origem. Como saída em curto prazo, a melhoria e o cumprimento da legislação de proteção ao trabalhador, através de ações fiscalizadoras que sejam constantes e efetivas. Uma atuação mais ofensiva dos sindicatos na defesa dos interesses dos trabalhadores, no sentido de lutar pela manutenção e também pela ampliação dos direitos trabalhistas e por melhorias salariais.</p>
<p style="text-align: justify;">A professora não esquece o papel das universidades nesse processo. “É importante a participação das universidades e institutos de pesquisa, no sentido de orientar sua produção de forma a gerar conhecimento que possa contribuir na elucidação desses problemas.”</p>
<p style="text-align: justify;">Mas ela afirma que somente em uma sociedade onde o trabalho não seja um meio por excelência de exploração, de dominação de uma classe sobre a outra, é que se poderá construir uma nova sociabilidade firmada como fonte de criação, de prazer, de humanização. “Uma formação social onde não haja espaço para aceitação dessas formas vis de exploração”, conclui.</p>
<p style="text-align: justify;">Reportagem de Rosemeire Soares Talamone, do Jornal da USP, publicada pelo EcoDebate, 21/06/2010</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.ecodebate.com.br/2010/06/21/ribeirao-preto-sp-migrantes-contratados-para-corte-de-cana-de-acucar-sao-submetidos-a-condicoes-de-trabalho-arcaicas-e-precarias/</p>
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		<title>“Direitos humanos nunca serão os mesmos no mundo todo”</title>
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		<pubDate>Tue, 18 May 2010 12:52:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Direitos humanos]]></category>
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[Unisinos] - Além de idiomas distantes, Ocidente e Oriente têm dificuldade em negociar devido às compreensões diferentes de vocabulário. Quando um brasileiro pensa no maior valor humano, diz “liberdade”, enquanto um chinês talvez diga “harmonia”. A importância da diferença semântica é ressaltada por uma das mais respeitadas filósofas da atualidade, a belga Chantal Mouffe. Para ela, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste"><img class="alignright" src="http://bordersofeurope.janvaneyck.nl/photos/mouffe.jpg" alt="" width="277" height="323" /></div>
<div style="text-align: justify;">[Unisinos] - Além de idiomas distantes, Ocidente e Oriente têm dificuldade em negociar devido às compreensões diferentes de vocabulário. Quando um brasileiro pensa no maior valor humano, diz “liberdade”, enquanto um chinês talvez diga “harmonia”. A importância da diferença semântica é ressaltada por uma das mais respeitadas filósofas da atualidade, a belga Chantal Mouffe. Para ela, o mundo nunca chegará a um consenso sobre quais são os direitos humanos e como defendê-los, e o Ocidente não pode impor os seus ao resto do mundo. Autora de livros como O Paradoxo Democrático, ela conversou com a Gazeta do Povo há dez dias, quando esteve em Curitiba para falar a um grupo de estudantes da UniBrasil.</div>
<p style="text-align: justify;">Chantal Mouffe é professora de Teoria Política da Universidade de Westminster. A entrevista é de Helena Carnieri e está publicada no jornal Gazeta do Povo, 17-05-2010. Eis a entrevista.</p>
<p style="text-align: justify;">A senhora defende uma “democracia radical”. Em que ela difere daquela em que vivemos?</p>
<p style="text-align: justify;">Não é uma diferença de natureza, por exemplo, que exija passar da democracia liberal a outra totalmente diferente. Meu projeto é radicalizar a democracia liberal, guardando os princípios mais importantes desta. Por liberal não entendo a democracia capitalista. É verdade que na maior parte dos casos o modelo de democracia pluralista vem no modo de produção capitalista, mas não há relação necessária. Muitos teóricos liberais como Norberto Bobbio aceitam isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas pode-se fazer a radicalização dentro do capitalismo?</p>
<p style="text-align: justify;">Certamente podemos começá-la, mas é possível que no processo haja momentos em que a reforma democrática coloque em questão algumas formas do capitalismo. Enfim, ela não é uma alternativa completamente diferente. O princípio da democracia liberal é liberdade e igualdade para todos, e não sei como encontrar princípio mais radical. O problema com nossa sociedade é que eles não são colocados em práticas.<span id="more-2031"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Um exemplo de democracia radical seriam os protestos na Grécia contra o arrocho econômico?</p>
<p style="text-align: justify;">Não, são protestos, mas não uma forma de democracia radical. Compreendo que os gregos estão descontentes, mas esses que estão recusando as medidas propostas, o que propõem como solução? E ainda há muitos na Grécia que entendem que as reformas são necessárias.</p>
<p style="text-align: justify;">A senhora advoga o pluralismo. Por esse viés, enxerga exagero em condenações a países orientais, como foi o caso da execução de um britânico na China no ano passado?</p>
<p style="text-align: justify;">É preciso lembrar que os EUA também têm execuções, então nisso os chineses têm razão quando dizem: “Vocês vêm nos dar lições, mas comecem a colocar ordem na casa de vocês”. Os direitos humanos também não são respeitados nos países ocidentais.</p>
<p style="text-align: justify;">Seria possível haver uma mesma noção de direitos humanos no mundo todo?</p>
<p style="text-align: justify;">Não, é preciso aceitar que eles se expressam de formas diferentes. A forma ocidental é muito individualista, e não corresponde necessariamente a outras culturas. Essa é a minha concepção, pluralista.</p>
<p style="text-align: justify;">Qual seria um exemplo dessa diferença?</p>
<p style="text-align: justify;">A diferença entre liberdade e harmonia. É a diferença entre uma cultura fundamentalmente individualista e outra mais comunitária. A visão ocidental é focada no indivíduo. Já a chinesa, a indiana e a muçulmana pensam que a comunidade é importante. E, realmente, não podemos pensar o respeito à pessoa unicamente em termos de autonomia.</p>
<p style="text-align: justify;">A senhora cita em seus textos o “bom regime político”. O que seria?</p>
<p style="text-align: justify;">Não há um só, apesar de a teoria política pretender definir isso. Mas eu sou pluralista, acho que é preciso aceitar que há mais de uma boa resposta, mais de um bom regime.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso abre espaço para o relativismo?</p>
<p style="text-align: justify;">Não, porque então tudo seria bom mas não haveria um bom regime. Eu digo que não há apenas um.</p>
<p style="text-align: justify;">Como a senhora vê a guerra em nome dos direitos humanos?</p>
<p style="text-align: justify;">Essa é uma coisa que considero horrível, a guerra humanitária, quando pensamos que haja só uma concepção de direitos humanos, e que é a nossa, e que ainda tenhamos o dever de impô-la. É preciso abandonar essa ideia de que o ocidente tem vocação de impor o direito dos homens mesmo pela força. Impor direitos humanos pela guerra é uma aberração.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos problemas humanitários no Brasil são as prisões lotadas e desumanas. Alguns chegam a defender libertação de presos. Nessa hora, é mais importante defender a segurança?</p>
<p style="text-align: justify;">É uma questão difícil. Acho que, como em muitas coisas na política, é preciso ter uma atitude pragmática, porque a segurança obviamente é importante, mas não podemos também dar tal prioridade à segurança a ponto de destruir os outros valores. É o que em inglês se define como “trade off”, tentar achar um equilíbrio.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso interessa à ciência política?</p>
<p style="text-align: justify;">É um dilema que a sociedade ocidental encontra, porque em nome da defesa contra o terrorismo estão destruindo valores e direitos que são constitutivos da democracia. Mas não podemos dizer também que não se deva fazer nada. É preciso encontrar um balanço pragmático.</p>
<p style="text-align: justify;">Já nos países desenvolvidos a polêmica é sobre a criminalização do imigrante. Existe a tendência à radicalização?</p>
<p style="text-align: justify;">Não se pode criminalizar, mas, de outro lado, não podemos ter fronteiras completamente abertas. É preciso que haja medidas de controle. O europeu precisa se perguntar o que empurra todas essas pessoas da África subsaariana para a Europa por qualquer meio. Por que eles não são capazes de continuar a viver em seus países? Porque a política europeia e americana – e até certa medida, brasileira – é de exportar e até destruir as indústrias nativas.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=32518</p>
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		<title>A violência institucionalizada: ausência do Estado e do poder público. Entrevista especial com Julio Jacobo Waiselfisz</title>
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		<pubDate>Thu, 06 May 2010 14:38:45 +0000</pubDate>
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[Unisinos] &#8211; Uma das questões colocadas pelo coordenador do estudo Mapa da Violência 2010 – Anatomia dos Homicídios no Brasil Julio Jacobo Waiselfisz, durante a entrevista que concedeu à IHU On-Line, realizada por telefone, foi que a má distribuição de renda é um dos principais fatores para o aumento da violência no mundo. Segundo ele, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" src="http://www.ihu.unisinos.br/uploads/entrevistas/1272026440.7166F.jpg" alt="" width="120" height="124" /></p>
<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">[Unisinos] &#8211; Uma das questões colocadas pelo coordenador do estudo Mapa da Violência 2010 – Anatomia dos Homicídios no Brasil Julio Jacobo Waiselfisz, durante a entrevista que concedeu à IHU On-Line, realizada por telefone, foi que a má distribuição de renda é um dos principais fatores para o aumento da violência no mundo. Segundo ele, esse fator impacta muito mais os jovens do que os adultos. “Se pensa ainda hoje que a pobreza é o fator explicativo dos índices de violência e homicídios. Se fosse desta forma, os países mais pobres do mundo deveriam ser os mais violentos, e isso não acontece. Os estados mais violentos do Brasil deveriam ser aqueles com elevados índices de pobreza, e, no entanto, são estados como Rio de Janeiro, Distrito Federal, e várias regiões metropolitanas que são os epicentros da violência”, detectou.</div>
<p style="text-align: justify;">O mapa aponta ainda que homens, entre 15 e 24 anos, negros e pobres são as maiores vítimas da violência no Brasil. “Os estados muito violentos são aqueles que oferecem grande contraste entre riqueza e pobreza, onde a riqueza mora no meio da pobreza. Esta contradição marca, por um lado, elevados índices de violência, e, por outro, afeta diretamente a juventude”, falou.</p>
<p>Julio Jacobo Waiselfisz é diretor de pesquisas do Instituto Sangari. Confira a entrevista.<span id="more-1628"></span></p>
<p style="text-align: justify;">IHU On-Line – Uma das conclusões do ‘Mapa da Violência 2010’ é a de que homens com idade entre 15 e 24 anos, negros e pobres são as maiores vítimas de violência no Brasil. Há um indicativo das razões de porque tantos jovens são assassinados?</p>
<p style="text-align: justify;">Julio Jacobo Waiselfisz – Trabalho com certidões de óbito. Faço a tabulação a partir dos dados fornecidos pelo sistema de informação de mortalidade, do Ministério da Saúde, que não indica as razões que levaram aos homicídios. Neste sistema, é informado, apenas, que uma pessoa, com uma determinada idade, local e instrumento letal, morreu. Mas, fazendo algumas associações e correlações, como fizemos em outros trabalhos como o Mapa da Violência na América Latina: Juventude, violência e cidadania, Relatório de Desenvolvimento Juvenil etc., se podem inferir algumas questões para explicar este fenômeno.</p>
<p style="text-align: justify;">Em primeiro lugar, a América Latina parece um local propício para este tipo de intervenção juvenil na área da violência. É a área do planeta onde mais se concentram índices de homicídios. Enquanto que, na Europa e Ásia, o índice de homicídios não chega, em muitos casos, a um em cem mil habitantes, na América Latina passa de 15. Isto indica que há uma cultura na qual a vida não tem muito valor, principalmente a vida do próximo. E, também, que há uma cultura de levar o conflito até suas últimas consequências. Uma segunda questão que foi possível detectar é que uma das maiores causas para explicação desse fenômeno da violência no mundo, e fizemos uma análise de 70 países, é a concentração de renda. Isto é, se pensa ainda hoje que a pobreza é o fator explicativo dos índices de violência e homicídios. Se fosse desta forma, os países mais pobres do mundo deveriam ser os mais violentos, e isso não acontece. Os estados mais violentos do Brasil deveriam ser aqueles com elevados índices de pobreza, e, no entanto, são estados como Rio de Janeiro, Distrito Federal, e várias regiões metropolitanas que são os epicentros da violência. Isso indica uma questão: os estados muito violentos são aqueles que oferecem grande contraste entre riqueza e pobreza, onde a riqueza mora no meio da pobreza. Esta contradição marca, por um lado, elevados índices de violência, e por outro, afeta diretamente a juventude. Historicamente, a juventude manifestou sua rebeldia de forma mais acentuada contra as injustiças sociais. Neste caso, também parece que a concentração de renda impacta muito mais os jovens do que os adultos.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma terceira questão significativa é que se trata de uma faixa etária que ainda não está totalmente inserida na sociedade, que mais se vê afetada pela exclusão social e a falta de acesso a estudo, trabalhos etc. em nossa sociedade. Nossa sociedade atual demanda símbolos de riquezas, mas não oferece, principalmente ao jovem, oportunidades de chegar a essa riqueza.  Por isso mesmo que o jovem é o que mais se rebela e está mais afetado por esses índices de violência.</p>
<p style="text-align: justify;">IHU On-Line – O que mais lhe chamou a atenção na interpretação dos dados do Estudo Mapa da Violência 2010?</p>
<p style="text-align: justify;">Julio Jacobo Waiselfisz – São várias questões. A primeira é a tendência à interiorização da violência. No início da década de 1990, os pólos de crescimento da violência eram os pólos dinâmicos do crescimento econômico. Eram as grandes regiões metropolitanas, onde havia trabalho nas indústrias e para onde fluíam as migrações de população. Junto com esse fluxo migratório veio a violência, tornando as regiões metropolitanas pólos de violência. Isto começou a partir de um processo migratório de investimentos rumo ao interior. Começou a se oferecer incentivos fiscais, não havia sindicatos tão fortes no interior que demandavam salários mais elevados etc. Assim, os investimentos foram migrando para as cidades pólo do interior. Isso atraiu população e violência. Grande parte dos investimentos em segurança pública do Governo Federal, do Plano Nacional de Segurança Pública e do Fundo Nacional de Segurança Pública se dirigiu a capitais de regiões metropolitanas muito violentas. Isso originou uma maior eficiência policial, uma melhoria dos aparelhos de segurança, que tornou a delinquência muito mais custosa, pelo qual, vendo que havia pólos do interior não tão protegidos pelo Estado e que, nas capitais, havia proteção, muito dessa criminalidade mudou para o interior.</p>
<p style="text-align: justify;">Podemos observar que, nos últimos anos, enquanto, nas regiões metropolitanas, os índices de violência vêm caindo, caíram aproximadamente 20% desde o ano 2000, o único local onde está aumentando é no interior dos estados. Aí se observam cinco tipos de configurações diferentes que explicam essa interiorização. Primeiro foram os pólos de crescimento, que atraem população, dinheiro e a marginalidade. Um segundo tipo, emergente na última década, é a cidade de fronteira, por onde passa o contrabando, o narcotráfico. Esta também é a área de grandes empresas criminais, de contrabando de armas, drogas, de pirataria etc., onde há disputa de território altamente violenta. Um terceiro tipo é o arco do desmatamento amazônico, que vai de Mato Grosso ao Pará, e ao atrair grandes empresas agrícolas que precisam de áreas, incentivam as madeireiras ilegais, o trabalho escravo e o extermínio de populações indígenas. Os municípios no arco do desmatamento são áreas extremamente violentas e sem lei. Outra área típica seria a área de fronteira que atrai turismo predatório, que incentivam a violência. Isso acontece em várias áreas litorâneas e marítimas, que são exemplo de violência. Por último, o quinto tipo são as regiões de pistoleiragem tradicional, como Pernambuco.</p>
<p style="text-align: justify;">O segundo fenômeno que mais chamou a atenção foi o crescimento violento, nos últimos cinco anos, da vitimização da população negra. Em 2002, primeiro ano que trabalhamos, havia aproximadamente 47% a mais de vítimas negras do que brancas. Em 2005, isso pula para 70% e em 2007, para 107%. Isto é, proporcionalmente, um crescimento vertiginoso da vitimização negra e, por outro lado, as vítimas negras duplicam o número de vítimas brancas em homicídios.</p>
<p style="text-align: justify;">IHU On-Line – Na semana passada, foi divulgado o relatório dos conflitos no campo 2009 que destaca que a região norte do Brasil é a que mais sofre com a violência. O Mapa da Violência 2010 aponta altas taxas de homicídios nesta mesma região. Como o senhor vê essa relação?</p>
<p style="text-align: justify;">Julio Jacobo Waiselfisz – Isto tem a ver com o arco do desmatamento na região amazônica. É uma terra sem lei, onde a presença do Estado é muito tênue e onde os interesses privados são aliados a grandes interesses econômicos e políticos. Por exemplo, em uma cidade altamente violenta, a população começou a expressar, através da mídia, que não existia nada disso. Obviamente, em pouco tempo, descobriu-se que toda a população local deste pequeno município era conivente, porque esta criminalidade das madeireiras ilegais e dos grandes empreendimentos tem seu interesse econômico. Hotéis e restaurantes começam a ter sua sobrevivência com base neste fluxo econômico que origina a criminalidade. Eles não são criminosos, mas vivem do fluxo da violência. Um caso típico é zona de fronteira, cujas populações locais lucram, direta e indiretamente, com a ilegalidade do contrabando. Eles não são contrabandistas, mas vivem em função disso. Quando o fluxo migratório muda, muda seus lucros econômicos. O interesse imediato é a existência e a sobrevivência da criminalidade.</p>
<p style="text-align: justify;">IHU On-Line – Estados como o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul têm as maiores taxas de violência. De quem é a responsabilidade por esses índices nessas regiões?</p>
<p style="text-align: justify;">Julio Jacobo Waiselfisz – É muito difícil atribuir responsabilidades neste caso, onde há responsabilidades coletivas nos diversos níveis de governo. Há um nível de participação federal, outro estadual e outro municipal. Começamos a fazer o mapa dos municípios brasileiros, porque descobrimos muito rapidamente que a saída histórica para o enfrentamento da violência, tanto a nível nacional como internacional, é o município e a participação municipal. Todos os eventos históricos que tivemos nestes últimos anos indicam isso. Por exemplo, na Colômbia, que era a excelência na área de violência por muitos anos, os índices estão caindo por diversas atividades em províncias do município, como em Bogotá, onde a violência despencou para 50% em poucos anos, através de reordenamento urbano e uma série de medidas que foram tomadas pelas autoridades.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Começamos a fazer o mapa dos municípios brasileiros, porque descobrimos muito rapidamente que a saída histórica para o enfrentamento da violência, tanto a nível nacional como internacional, é o município e a participação municipal&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">No Brasil, os poucos exemplos que temos de enfrentamento da violência foram através de políticas municipais, como as dos municípios da região metropolitana de São Paulo, Diadema, Guarulhos etc. Diadema é um exemplo de políticas municipais, como Lei Seca, Polícia Comunitária Armada, Infocrime, Inteligência Policial etc. Diadema, que, em 2002, era um dos municípios mais violentos do Brasil, com uma taxa de 147 homicídios em cem mil habitantes, agora está em 50 homicídios. Ainda não está bem, pois esses índices são muito altos, mas esta queda foi um esforço notável.</p>
<p style="text-align: justify;">IHU On-Line – Em relação à América Latina, qual é a posição do Brasil em taxas de homicídios?</p>
<p style="text-align: justify;">Julio Jacobo Waiselfisz – Há uns três anos, o Brasil, que tinha uma taxa de 25 homicídios a cada cem mil habitantes, era o segundo país com maior taxa depois da Colômbia, que estava disparado com uma taxa de cem homicídios. A taxa do Brasil permaneceu mais ou menos constante nos últimos anos, em 24 ou 25 homicídios. A taxa da Colômbia foi caindo, está mais ou menos entre 30 ou 35, ainda está acima do Brasil, mas está se aproximando rapidamente. A explosão de violência foi no centro da América, em países como El Salvador, Guatemala, Nicarágua, onde houve todo um fenômeno, nos últimos dez anos, de incentivo enorme à violência, principalmente a juvenil, de gangs juvenis.</p>
<p style="text-align: justify;">IHU On-Line – E o que está contribuindo para o crescimento dessas gangs?</p>
<p style="text-align: justify;">Julio Jacobo Waiselfisz – Na década de 1990, o enorme fluxo migratório de jovens para os Estados Unidos, pelas guerras em vários países, como Nicarágua e El Salvador. Eles se erradicaram em cidades como Chicago, Boston, onde criaram bandos juvenis que se chamavam Marabuntas, nome de uma formiga africana que ataca em bandos e arrasta sua “vítima”. Para subsistirem no meio inóspito, eles fizeram espécies de gangs para proteção territorial a si próprios. A gang que se destacou foi os Salvatruchas, jovens salvadorenhos que formavam o grupo mais violento. Os americanos começaram a expulsar esses jovens por recapitular o esquema territorial de existência dos Estados Unidos.</p>
<p style="text-align: justify;">IHU On-Line – O senhor afirmou à Time que “interesses econômicos estão ligados à posse de terras e qualquer um que se oponha a isso está em perigo”. Então, em sua opinião, o que é preciso fazer para reduzir a criminalidade no Brasil?</p>
<p style="text-align: justify;">Julio Jacobo Waiselfisz – A presença do Estado e do poder público na área de conflito. Também, é preciso aumentar o acesso a benefícios sociais por parte da população, como saúde, educação, renda etc. Essa é uma das partes. Por outro lado, deve se enfrentar esses territórios sem lei, fazendo chegar a lei nestes territórios.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=31745</p>
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]]></content:encoded>
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		<title>Mapa reúne denúncias de conflitos ambientais e de saúde no Brasil</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2010/04/mapa-reune-denuncias-de-conflitos-ambientais-e-de-saude-no-brasil/</link>
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		<pubDate>Sat, 10 Apr 2010 19:45:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Socializar informações, dar visibilidade a denúncias e permitir o monitoramento de ações e projetos que enfrentem situações de injustiças ambientais relacionadas à saúde em diferentes territórios e populações das cidades, campos, florestas e zonas costeiras são os principais objetivos do Mapa de conflitos envolvendo injustiça ambiental e Saúde no Brasil. O projeto é resultado de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignleft" style="width: 152px"><img class=" " src="http://www.ensp.fiocruz.br/informe-images/mapa_injustica_informe.jpg" alt="" width="142" height="83" /><p class="wp-caption-text">Principais conflitos do Rio de Janeiro</p></div>
<p style="text-align: justify;">Socializar informações, dar visibilidade a denúncias e permitir o monitoramento de ações e projetos que enfrentem situações de injustiças ambientais relacionadas à saúde em diferentes territórios e populações das cidades, campos, florestas e zonas costeiras são os principais objetivos do Mapa de conflitos envolvendo injustiça ambiental e Saúde no Brasil. O projeto é resultado de um trabalho desenvolvido em conjunto pela Fiocruz e pela ONG Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), sob a coordenação geral do pesquisador da ENSP Marcelo Firpo Porto e coordenação executiva de Tania Pacheco. O lançamento, no Rio de Janeiro, acontecerá na quarta-feira (14/4), no Auditório do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da ENSP, sala 32, às 14 horas.</p>
<p style="text-align: justify;">O objetivo principal do mapa, que tem apoio do Departamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, é participar da luta de inúmeras populações e grupos atingidos em seus territórios por ações governamentais e projetos de desenvolvimento que impactam desigualmente grupos sociais vulnerabilizados pelo preconceito e pela desigualdade social. Os conflitos foram levantados tendo por base, principalmente, as situações de injustiça ambiental discutidas em diferentes fóruns e redes a partir do início de 2006, em particular a Rede Brasileira de Justiça Ambiental e seus grupos de trabalho. <span id="more-948"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Segundo o coordenador geral do projeto, o mapa não se reduz a listar territórios onde riscos ambientais afetam diferentes populações, mas sim tornar públicas e ampliar as vozes nas lutas por justiça ambiental de populações frequentemente discriminadas e invisibilizadas pelas instituições e pela mídia. Foram reunidos cerca de 300 casos distribuídos por todo o país e georreferenciados. A busca dos conflitos pode ser feita por unidade federativa (UF) ou por palavra-chave. &#8220;O mapa está disponibilizado na internet com um sistema georrefenciado e de buscas vinculado ao GoogleEarth, de tal forma que qualquer cidadão possa ter acesso a detalhes sobre a situação de injustiça ambiental, sobre a região ou tema específico que lhe interessar, como o estado ou município, o tipo de população, o processo produtivo, o problema de saúde etc.&#8221;, revelou.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" src="http://www.ensp.fiocruz.br/informe-images/m_firpo_informe.jpg" alt="" width="85" height="109" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ainda de acordo com os pesquisadores, a própria população poderá auxiliar seu crescimento. &#8220;Não consideramos o mapa &#8216;fechado&#8217;. Ele pertence a todos os interessados na construção de uma sociedade socialmente justa e ambientalmente sustentável, e é o momento inicial de um novo espaço para denúncias, para o monitoramento de políticas públicas e, ainda, de desafio para que o Estado, em seus diversos níveis, responda às necessidades da cidadania&#8221;, destacou. Além disso, o mapa estimula, a partir de casos concretos, a pensar nos desafios e alternativas para a construção de um novo modelo de desenvolvimento baseado no respeito à natureza e à dignidade humana.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;O atual modelo, inserido no capitalismo globalizado e baseado no agronegócio e cadeias de produção de commodities rurais (como a soja e a cana para etanol) e metálicas (como o minério e o aço), atende critérios econômicos de curto prazo e favorece grandes corporações e atores econômicos. Em outras palavras, desenvolvimento para quê e para quem? Por exemplo, para quê, para quem e de que forma produzir e exportar aço ou petróleo, ao mesmo tempo em que as cidades se poluem e se congestionam, os pescadores deixam de ter seu sustento em rios e baías degradados, como nas baías de Sepetiba ou da Guanabara, e bairros de periferia sem infraestrutura básica são formados nesses territórios? Se o desenvolvimento vulnerabiliza os mais vulneráveis e degrada a natureza, qual seu sentido? Não se trata de uma gestão ambiental mais eficaz, mas, acima de tudo, mais cidadã e solidária. E isso significa também que voltemos aos princípios da Saúde Coletiva na construção, ainda contra-hegemônica, de uma prática científica mais popular, crítica e solidária. É nesse contexto que se insere o mapa&#8221;, acrescentou.</p>
<p style="text-align: justify;">O lançamento terá a presença do vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz (VPAAPS/Fiocruz), Valcler Rangel Fernandes; do diretor da Escola Nacional de Saúde Pública, Antônio Ivo de Carvalho; dos coordenadores do mapa, Marcelo Firpo e Tania Pacheco, do diretor do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador da Secretaria de Vigilância em Saúde do MS, Guilherme Franco Netto; da diretora da Fase, Fátima Mello; além de alguns representantes de movimentos sociais e populações atingidas. O evento será aberto ao público.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/materia/?origem=1&amp;matid=21024</p>
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		<title>Enemigos éxtimos &#8211; El racismo en la sociedad contemporánea</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2010/04/enemigos-extimos-el-racismo-en-la-sociedad-contemporanea/</link>
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		<pubDate>Thu, 08 Apr 2010 13:26:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos humanos]]></category>
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Por Jacques-Alain Miller *
El autor –apelando al concepto de “extimidad”– sostiene que el racismo moderno es “el odio al goce del Otro: se odia la manera particular en que el Otro goza”; y, para esta cuestión, “el discurso universal de la ciencia no tiene respuesta, aunque se trate de hacerlo responder”.
El término “inmigración”, relativamente nuevo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://www.pagina12.com.ar/fotos/thumb/232/20100408/notas/na37fo01.jpg" alt="/fotos/20100408/notas/na37fo01.jpg" width="232" height="158" /></p>
<p>Por Jacques-Alain Miller *</p>
<div id="_mcePaste" style="padding-left: 270px;"><em>El autor –apelando al concepto de “extimidad”– sostiene que el racismo moderno es “el odio al goce del Otro: se odia la manera particular en que el Otro goza”; y, para esta cuestión, “el discurso universal de la ciencia no tiene respuesta, aunque se trate de hacerlo responder”.</em></div>
<p style="text-align: justify;">El término “inmigración”, relativamente nuevo, significativamente contemporáneo de la Revolución Industrial, es decir, de la perturbación que introdujo la aplicación con fines productivos de los resultados de la ciencia: a partir de ella, establecerse en un país extranjero se extendió a escala masiva. Se trata entonces de un hecho nuevo, de un hecho moderno.</p>
<p>Debemos decir que ser un inmigrante es el estatuto mismo del sujeto en el psicoanálisis. El sujeto como tal, definido por su lugar en el Otro, es un inmigrante. No definimos su lugar en lo Mismo porque sólo tiene hogar en lo del Otro. El problema del sujeto precisamente es que ese país extranjero es su país natal. Algo significa que el psicoanálisis haya sido inventado por alguien que tenía con el estatuto de inmigrante, de extimidad (ver aparte) social, una relación originaria. Y es que este estatuto pone en tela de juicio el círculo de la identidad de este sujeto, lo condena a buscarla en los grupos, los pueblos y las naciones.</p>
<p>Se nos reprocha ser antihumanistas, y es que el humanismo universal no se sostiene. No me refiero al humanismo del Renacimiento, que está muy lejos de ser un humanismo universal. Hablo de este humanismo contemporáneo que no encuentra más soporte que el discurso de la ciencia –del derecho al saber, hasta de la contribución al saber–, de este humanismo universal cuyo absurdo lógico (no hay otra palabra) sería pretender que el Otro sea semejante. Este humanismo se desorienta por completo cuando lo real en el Otro se manifiesta como no semejante en absoluto. Hay entonces sublevación. Entonces surge el escándalo. Ya no se tiene más recurso que invocar no sé qué irracionalidad; es decir que se supera singularmente el concepto del Otro aséptico que nos hemos forjado.<span id="more-909"></span></p>
<p>De hecho, este humanismo universal hace oír sus pretensiones justo cuando el Otro tiene una singular propensión a manifestarse como no semejante –a lo que se esperaba–. Esto desorienta al progresismo, que cuenta con el progreso del discurso de la ciencia como universal para obtener una uniformización, y especialmente del goce. El problema es que, en la medida en que la presión del discurso científico se ejerce en el sentido de lo uniforme, hay cierto disforme que tiende a manifestarse, sobre todo de un modo grotesco y horrible, y que está ligado a lo que se llama progreso.</p>
<p>La ciencia no debe quedar exonerada de racismo aun cuando haya una caterva de científicos que expliquen hasta qué punto es antirracista. Sin duda es posible hacer caso omiso de las elucubraciones seudocientíficas del racismo moderno, que, como se constata, no se sostienen. Resulta fácil constatar que en sus consecuencias técnicas la ciencia es profundamente antisegregativa, pero es porque su discurso mismo explota un modo muy puro del sujeto, un modo que puede llamarse universalizado del sujeto. El discurso de la ciencia está hecho para y por –potencialmente por– cualquier hijo de vecino que piense &#8230;luego soy; es un discurso que anula las particularidades subjetivas, que las echa a perder. Entonces, está la vocación de universalidad de la ciencia, que en este sentido es antirracista, antinacionalista, antiideológica, puesto que sólo se sostiene poniendo el cuantificador universal para todo hombre.</p>
<p>Aunque resulta muy simpático, en la práctica esto conduce a una ética universal que hace del desarrollo un valor esencial, absoluto, y hasta tal punto que todo (comunidades, pueblos, naciones) se ordena según esta escala con una fuerza irresistible. De resultas, es porque las comunidades, los pueblos y las naciones se encuentran bajo esta escala, por lo que hay enseguida un buen número al que se califica de subdesarrollado. En el fondo, todo está dicho en ese término, hasta tal punto que no hay más que subdesarrollados en esta tierra. Francia, por ejemplo, tiembla por saber si está en verdad suficientemente desarrollado en varios campos. Se siente en la pendiente de la decadencia respecto de esta irresistible exigencia de desarrollo.</p>
<p>Debe admitirse también que esto se encarnó en la fachada –por otra parte, en general humanitaria– del colonialismo, del imperialismo moderno. En esa época no se decía: cada uno en su casa. Por el contrario, se iba a ver de cerca para imponer el orden y la civilización. Resulta divertido constatar que en nuestra época vivimos el retorno al interior de todo esto, el retorno de extimidad de este proceso. Y resulta tanto más sabroso cuanto que son los mismos que querían afrancesar pueblos enteros los que hoy no pueden soportarlos en el subterráneo.</p>
<p>Hay que reconocer que este desarrollo del discurso de la ciencia tiene como efecto bien conocido –y la protesta, llegado el caso, es reaccionaria– deshacer las solidaridades comunitarias, las solidaridades familiares. Como saben, el estatuto moderno de la familia es extremadamente reducido. Grosso modo, lo que resumimos como discurso de la ciencia tiene un efecto dispersivo, desegregativo, que puede llamarse de liberación, por qué no; se trata de una liberación estrictamente contemporánea con la mundialización del mercado y de los intercambios.</p>
<p>A quienes sólo son sensibles a la vocación de universalidad de la ciencia, mientras rezongan ante algunas de sus consecuencias económicas y hasta culturales, Lacan les señala el hecho de que a esta desegregación responde la promoción de segregaciones renovadas, que son en conjunto mucho más severas que lo que hasta ahora se vio. El lo dice en futuro, de forma profética: “Nuestro porvenir de mercados comunes será balanceado por la extensión cada vez más dura de los procesos de segregación” (los remito a la página 22 de la “Proposición del 9 de octubre de 1967 sobre el psicoanalista de la Escuela”).</p>
<p>Los procesos de segregación son justamente lo que se discute bajo el sentido común del racismo. En el fondo, esto implica que el discurso de la ciencia no es en absoluto abstracto, sino que tiene efectos sobre cada uno, tiene efectos significantes sobre todos los grupos sociales porque introduce la universalización. No se trata de un efecto abstracto, sino de una apuesta permanente.</p>
<p>El modo universal –que es el modo propio según el cual la ciencia elabora lo real– que parece no tener límites, pues bien, los tiene. Me encontraba junto a un biólogo encantador empeñado en sostener que desde el punto de vista de los genes no hay raza: reconozcamos que este tipo de fórmula, de discurso, es completamente inoperante. Se puede repetir tanto como se quiera “nosotros los hombres&#8230;”, y se constatará que no tiene efectos. No los tiene porque el modo universal que es el de la ciencia encuentra sus límites en lo que es estrictamente particular, en lo que no es universal ni universalizable y que podemos llamar, con Lacan, de manera aproximada, modo de goce. Soñar con una universalización del modo de goce caracterizó a toda utopía social, de las que fue pródigo el siglo XIX. Por supuesto, es preciso distinguir el goce particular de cada uno y el modo de goce que se elabora, se construye y se sostiene en un grupo, por lo general no muy amplio. Allí se está a nivel de cada uno. No de cada hijo de vecino, sino de cada uno en su cadaunería.</p>
<p>“Odio tu manera de gozar”</p>
<p>Dado el modo universal en que se desarrolla, el discurso científico no puede responder nada a la pregunta que se plantea como consecuencia de esta respuesta que es el imperativo de goce, del que cada uno es esclavo.</p>
<p>Se sabe que el discurso universal de la ciencia no tiene respuesta, aunque se trate de hacerlo responder. Se hacen, por ejemplo, manuales de educación sexual, lo que constituye una tentativa de actuar de modo que el discurso científico, que se supone tiene respuesta para todo, pueda responder al respecto, y se verifica que fracasa. Por su profesión, el biólogo cree en la relación sexual porque puede fundarla científicamente, pero a un nivel que no implica que ésta se apoye en el inconsciente. Y nada de lo que verifica a nivel del gen dice lo que hay que hacer con el Otro sexo en el nivel donde eso habla. Aun cuando el biólogo verifique el modo en que los sexos se relacionan uno con otro, lo hace en un nivel donde eso no habla.</p>
<p>Hacer responder a la ciencia paradojas del goce es un intento cuyo final no vimos. Estamos sólo al comienzo. Es una industria naciente. Pero quizá desde ya podamos saber que es en vano. En todo caso, por ahora el discurso universal no tiene siquiera la eficiencia que han tenido los discursos de la tradición, los discursos tradicionales, relativamente inertes, de una sabiduría sedimentada, que en las agrupaciones sociales anteriores permitían enmarcar el modo de goce. Nótese que estos discursos tradicionales –como el de la familia ampliada, según la llamamos, porque la nuestra es reducida–, que en determinado momento elaboraban cómo hacer con el otro, son los que el discurso de la ciencia objetó, arrasó; el discurso de la ciencia y lo que lo acompaña, a saber, el discurso de los Derechos del Hombre.</p>
<p>Me parece que esto es lo que debe captarse para situar el racismo moderno, sus horrores pasados, sus horrores presentes, sus horrores por venir. No basta con cuestionar el odio al Otro, porque justamente esto plantearía la pregunta de por qué este Otro es Otro. En el odio al Otro que se conoce a través del racismo es seguro que hay algo más que la agresividad. Hay una consistencia de esta agresividad que merece el nombre de odio y que apunta a lo real en el Otro. Surge entonces la pregunta que es en todo caso la nuestra: ¿qué hace que este Otro sea Otro para que se lo pueda odiar en su ser? Pues bien, es el odio al goce del Otro. Esta es la fórmula más general que puede darse de este racismo moderno tal como lo verificamos. Se odia especialmente la manera particular en que el Otro goza.</p>
<p>Cuando cierta densidad de poblaciones, de diferentes tradiciones, de culturas diversas, se expresan, resulta que el vecino tiende a molestarlos porque, por ejemplo, no festeja como ustedes. Si no festeja como ustedes, significa que goza de otro modo, que es lo que ustedes no toleran. Se quiere reconocer en el Otro al prójimo, pero siempre y cuando no sea nuestro vecino. Se lo quiere amar como a uno mismo, pero sobre todo cuando está lejos, cuando está separado.</p>
<p>Cuando el Otro se acerca demasiado, se mezcla con ustedes, como dice Lacan, y hay pues nuevos fantasmas que recaen sobre el exceso de goce del Otro. Una imputación de goce excedente podría ser, por ejemplo, que el Otro encontrara en el dinero un goce que sobrepasaría todo límite. Este exceso de goce puede ser imputar al otro una actividad incansable, un gusto demasiado grande por el trabajo, pero también imputarle una excesiva pereza y un rechazo del trabajo, lo que es sólo la otra cara del exceso en cuestión. Resulta divertido constatar con qué velocidad se pasó, en el orden de estas imputaciones, de los reproches por el rechazo del trabajo a los que “roban trabajo”. De todas maneras, lo constante en este asunto es que el Otro les saca una parte indebida de goce. Esto es constante.</p>
<p>La cuestión de la tolerancia o la intolerancia no alcanza en absoluto al sujeto de la ciencia o a los Derechos del Hombre. El asunto se ubica en otro nivel, que es el de la tolerancia o la intolerancia al goce del Otro, en la medida en que es esencialmente aquel que me sustrae el mío. Nosotros sabemos que el estatuto profundo del objeto es haber sido siempre sustraído por el Otro. Si el problema tiene aspecto de insoluble, es porque el Otro es Otro dentro de mí mismo. La raíz del racismo, desde esta perspectiva, es el odio al propio goce. No hay otro más que ése. Si el Otro está en mi interior en posición de extimidad, es también mi propio odio.</p>
<p>Simplemente, se confiesa que se quiere al Otro siempre que se vuelva el Mismo. Cuando se hacen cálculos para saber si deberá abandonar su lengua, sus creencias, su vestimenta, su forma de hablar, se trata de saber en qué medida él abandonaría su Otro goce. Esto es lo único que se pone en discusión.</p>
<p>En esta línea me vi llevado a admitir la validez del término “sexismo”, que se construye sobre “racismo”. Hombre y mujer son dos razas –tal es la posición de Lacan–, no biológicamente, sino en lo que hace a la relación inconsciente con el goce. En este nivel se trata de dos modos de goce. Sabemos hasta qué punto nos ocupamos de contener el goce femenino: cómo se intentó taponar, canalizar, vigilar este exceso de goce. Saben el cuidado que se tomó –constituyó un tema filosófico, durante siglos– en la educación de las muchachas. Resulta divertido ver progresar las tentativas de uniformización del discurso de la ciencia. Podemos regocijarnos al ver la promoción femenina, mujeres a la cabeza de sociedades multinacionales norteamericanas, por ejemplo, que hoy ocupan lugares como el de tesorero general, lo que es bastante afín a la posición de la burguesa en la casa.</p>
<p>La tolerancia a la homosexualidad depende de la misma rúbrica. Se producen efectos de segregación, si no voluntarios al menos asumidos. Existen rincones reservados, en Los Angeles o San Francisco, donde se reúne una comunidad que ocupa un tercio de la ciudad. Se trata de una forma asumida, jugada, de segregación. Y como comunidad de segregación tiene derecho de palabra y de actuación en la conducción de la ciudad.</p>
<p>¿El antirracismo es negar las razas? Creo que es inoperante plantear que no hay razas. Para que no hubiera razas, para que se pudiera decir “nosotros los hombres&#8230;”, haría falta que hubiera el Otro del hombre. Se necesitarían seres hablantes de otro planeta para que pudiéramos por fin decirlo. De ahí el carácter finalmente tan optimista de la ciencia ficción, ya que da una especie de existencia fantasiosa al “nosotros los hombres&#8230;”. Para Jacques Lacan, una raza se constituye por el modo en que se trasmiten, por el orden de un discurso, los lugares simbólicos. Es decir que las razas, esas que están en actividad entre nosotros, son efectos de discurso, lo que no significa simplemente efectos de blablablá. Significa que estos discursos están ahí como estructuras, y que no alcanza con soplarlos para que se vuelen.</p>
<p>* Director del Instituto del Campo Freudiano. Texto extractado del libro Extimidad, de reciente aparición (Ed. Paidós).</p>
<p>Link a la nota: http://www.pagina12.com.ar/imprimir/diario/psicologia/9-143452-2010-04-08.html</p>
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		<title>MPT confirma trabalho escravo e degradante em Bom Jesus/RS</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Mar 2010 08:27:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
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A Procuradora do Trabalho em Caxias do Sul/RS, Priscila Boaroto, informou que foi confirmada situação de trabalho escravo e degradante com um grupo de 23 trabalhadores, no município de Bom Jesus, localizado no Nordeste do RS. Ela tomou conhecimento do caso, após receber um telefonema de auditores fiscais que realizavam uma fiscalização de rotina na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.ecodebate.com.br/foto/pec.jpg" alt="PEC do trabalho escravo" /></p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A Procuradora do Trabalho em Caxias do Sul/RS, Priscila Boaroto, informou que foi confirmada situação de trabalho escravo e degradante com um grupo de 23 trabalhadores, no município de Bom Jesus, localizado no Nordeste do RS. Ela tomou conhecimento do caso, após receber um telefonema de auditores fiscais que realizavam uma fiscalização de rotina na região. O caso foi descoberto no dia 6 de março.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">De acordo com a Procuradora, houve aliciamento de mão de obra, uma vez que os trabalhadores para fazerem a colheita da batata, foram trazidos para o local por uma pessoa, conhecida por Maria, que faz este tipo de intermediação no Interior do estado de São Paulo. O produtor local, por intermédio dessa pessoa, fez a contratação dos trabalhadores, homens e mulheres, na sua grande maioria oriundos do estado de Maranhão, sem registro em carteira e, portanto, sem nenhuma regularização do direito trabalhista. Os contratados, além disso, estavam expostos a situação de trabalho degradante, uma vez que as condições de trabalho, tanto no local da colheita como nos alojamentos, eram, segundo a procuradora, totalmente inadequados. “Eles estavam dormindo no chão, sem banheiro e sem refeitório adequado”. Devido à gravidade do fato, foi necessário a intervenção dos Ministérios Público Federal e do Trabalho e, também, a participação da Polícia Federal.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A Procuradora Priscila Boaroto disse que o acordado entre o contratante e os trabalhadores era de que eles não teriam a carteira de trabalho registrada e, dessa forma, receberiam por comissão. Cada empregado receberia R$ 14,00 por bag, uma espécie de unidade de medida (sacola). Cada trabalhador consegue colher entre quatro e cinco bags por dia. Boaroto ressaltou que o agravante é que o valor não era pago diretamente do produtor para o empregado. O valor era pago para a pessoa que fazia a intermediação, que por sua vez fazia o pagamento, mas antes retirava uma comissão de R$ 4,00 por bag colhida. Dessa forma os trabalhadores ganhavam menos do que o produtor pagava por haver uma pessoa lucrando sobre a mão de obra alheia.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O aliciamento de trabalhadores é previsto pela legislação brasileira como crime passível de detenção. Como o Ministério Público do Trabalho não atua na parte criminal, o documento será enviado para o Ministério Público Federal para que sejam tomadas as medidas na esfera penal.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A Procuradora informou que, em relação ao produtor envolvido, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), prevendo uma série de obrigações, entre elas a de se abster de contratar empregados sem registro na carteira, se abster de contratar empregados por intermédio de outras pessoas, cumprir a NR 31 que trata sobre a segurança e a saúde do trabalhador e respeitar os limites de jornada de trabalho, concedendo intervalos para descanso e para refeição. Boareto disse que os empregados trabalharam além da jornada máxima permitida. Caso o TAC não seja cumprido é previsto uma multa de R$ 30 mil por obrigação descumprida. Também está previsto no TAC uma indenização por dano moral causado aos trabalhadores.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Os 23 trabalhadores tiveram seus contratos rescindidos, receberam as verbas rescisórias e tiveram o retorno ao local de origem assegurado.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Informe da PRT 4ª Região/ Rio Grande do Sul, publicado pelo EcoDebate, 16/03/2010</div>
<p>A Procuradora do Trabalho em Caxias do Sul/RS, Priscila Boaroto, informou que foi confirmada situação de trabalho escravo e degradante com um grupo de 23 trabalhadores, no município de Bom Jesus, localizado no Nordeste do RS. Ela tomou conhecimento do caso, após receber um telefonema de auditores fiscais que realizavam uma fiscalização de rotina na região. O caso foi descoberto no dia 6 de março.</p>
<p>De acordo com a Procuradora, houve aliciamento de mão de obra, uma vez que os trabalhadores para fazerem a colheita da batata, foram trazidos para o local por uma pessoa, conhecida por Maria, que faz este tipo de intermediação no Interior do estado de São Paulo. O produtor local, por intermédio dessa pessoa, fez a contratação dos trabalhadores, homens e mulheres, na sua grande maioria oriundos do estado de Maranhão, sem registro em carteira e, portanto, sem nenhuma regularização do direito trabalhista. Os contratados, além disso, estavam expostos a situação de trabalho degradante, uma vez que as condições de trabalho, tanto no local da colheita como nos alojamentos, eram, segundo a procuradora, totalmente inadequados. “Eles estavam dormindo no chão, sem banheiro e sem refeitório adequado”. Devido à gravidade do fato, foi necessário a intervenção dos Ministérios Público Federal e do Trabalho e, também, a participação da Polícia Federal.<span id="more-617"></span></p>
<p>A Procuradora Priscila Boaroto disse que o acordado entre o contratante e os trabalhadores era de que eles não teriam a carteira de trabalho registrada e, dessa forma, receberiam por comissão. Cada empregado receberia R$ 14,00 por bag, uma espécie de unidade de medida (sacola). Cada trabalhador consegue colher entre quatro e cinco bags por dia. Boaroto ressaltou que o agravante é que o valor não era pago diretamente do produtor para o empregado. O valor era pago para a pessoa que fazia a intermediação, que por sua vez fazia o pagamento, mas antes retirava uma comissão de R$ 4,00 por bag colhida. Dessa forma os trabalhadores ganhavam menos do que o produtor pagava por haver uma pessoa lucrando sobre a mão de obra alheia.</p>
<p>O aliciamento de trabalhadores é previsto pela legislação brasileira como crime passível de detenção. Como o Ministério Público do Trabalho não atua na parte criminal, o documento será enviado para o Ministério Público Federal para que sejam tomadas as medidas na esfera penal.</p>
<p>A Procuradora informou que, em relação ao produtor envolvido, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), prevendo uma série de obrigações, entre elas a de se abster de contratar empregados sem registro na carteira, se abster de contratar empregados por intermédio de outras pessoas, cumprir a NR 31 que trata sobre a segurança e a saúde do trabalhador e respeitar os limites de jornada de trabalho, concedendo intervalos para descanso e para refeição. Boareto disse que os empregados trabalharam além da jornada máxima permitida. Caso o TAC não seja cumprido é previsto uma multa de R$ 30 mil por obrigação descumprida. Também está previsto no TAC uma indenização por dano moral causado aos trabalhadores.</p>
<p>Os 23 trabalhadores tiveram seus contratos rescindidos, receberam as verbas rescisórias e tiveram o retorno ao local de origem assegurado.</p>
<p>Informe da PRT 4ª Região/ Rio Grande do Sul, publicado pelo EcoDebate, 16/03/2010</p>
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		<title>Mapa de Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil está no ar!</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Mar 2010 13:35:09 +0000</pubDate>
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É com imenso prazer que anunciamos a vocês o lançamento do Mapa de Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil, que terá seu primeiro lançamento oficial público na Reitoria da Universidade Federal do Ceará, na noite do dia 16 de março.
Como você verão, é possível pesquisar por UF, por palavras (quilombolas, agrotóxicos, ribeirinhos, Ceará carcinicultura, Goiás amianto, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-614" href="http://racismoambiental.net.br/2010/03/mapa-de-injustica-ambiental-e-saude-no-brasil-esta-no-ar/mapa_conflitos-2/"><img class="aligncenter size-full wp-image-614" title="mapa_conflitos" src="http://racismoambiental.net.br/wp-content/uploads/2010/03/mapa_conflitos1.jpg" alt="mapa_conflitos" width="688" height="535" /></a></p>
<p>É com imenso prazer que anunciamos a vocês o lançamento do <strong>Mapa de Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil, </strong>que terá seu primeiro lançamento oficial público na Reitoria da Universidade Federal do Ceará, na noite do dia 16 de março.</p>
<p>Como você verão, é possível pesquisar por UF, por palavras (quilombolas, agrotóxicos, ribeirinhos, Ceará carcinicultura, Goiás amianto, por exemplo) ou por &#8220;frase inteira&#8221; (Belo Monte, Santo Amaro da Purificação, Vale do Rio Doce), sempre lembrando de respeitar acentos e maiúsculas, quando for o caso. Na página Metodologia, quem estiver interessad@ poderá saber um pouco sobre como ele foi construído.</p>
<p>Solicitamos a vocês que não só o divulguem, como colaborem, preenchendo a página “Fale conosco”, dedicada a comentários, críticas, complementações e/ou correções de informações, assim como novas denúncias e sugestões.</p>
<p>O Mapa é de tod@s nós. Mas, para que isso se torne uma realidade de fato e de direito, é fundamental que nos apropriemos dele e que, de agora em diante, ele se torne uma construção coletiva a serviço da justiça ambiental, da cidadania, da democracia e contra todo tipo de abuso, de exploração e de racismo.</p>
<p>O endereço do Mapa é <a href="http://www.conflitoambiental.icict.fiocruz.br/">http://www.conflitoambiental.icict.fiocruz.br/</a>.</p>
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