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	<title>Combate ao Racismo Ambiental &#187; preconceito</title>
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	<description>Dedicado por Tania Pacheco ao GT Combate ao Racismo Ambiental e às suas lutas</description>
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		<title>Discriminação étnica ainda é forte na Bolívia</title>
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		<pubDate>Tue, 22 May 2012 20:47:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
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<!-- AddThis Button END -->Dia 24 de maio as gentes saem às ruas contra o racismo  Elaine Tavares, jornalista Alguém pode pensar que ser aymara, quéchua ou guarani, na Bolívia, não provoque nada demais, uma vez que eles juntos formam a esmagadora maioria da população daquele país. Apesar dos 500 anos de dominação, os invasores europeus não conseguiram dizimar [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><em>Dia 24 de maio as gentes saem às ruas contra o racismo</em></p>
<p style="text-align: justify;"> Elaine Tavares, jornalista</p>
<p style="text-align: justify;">Alguém pode pensar que ser aymara, quéchua ou guarani, na Bolívia, não provoque nada demais, uma vez que eles juntos formam a esmagadora maioria da população daquele país. Apesar dos 500 anos de dominação, os invasores europeus não conseguiram dizimar a população autóctone, que não só manteve seus núcleos étnicos como mesclou com os brancos, produzindo o mestiço. Mas, saber a quantidade certa de indígenas na Bolívia não é coisa fácil. Como lembrou a socióloga Silvia Cusicanqui, durante as Jornadas Bolivarianas de 2011, em Florianópolis, o censo varia conforme os desejos de quem o faz. “Há momentos em que somos mais de 50%, outros em que somos 30%, e isso com diferença de um ano entre os números. Hoje, fala-se em 68%, mas, o certo é que da cifra exata ainda não temos noção”. Quem já teve a possibilidade de circular pelo país não tem dúvida alguma quanto ao rosto indígena da Bolívia. Mesmo nas regiões da “Media Luna”, onde os brancos atuam como velhos capitães de escravos, arrotando uma superioridade racial, os originários assomam como maioria.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, parece estranho falar de racismo e discriminação. Mas, isso é coisa que prolifera, herança do passado colonial. E tanto que o governo de Evo Morales teve bastante dificuldade de fazer passar na Assembleia Nacional uma lei contra o racismo e toda a forma de discriminação, em outubro do ano passado.  A lei, além de criminalizar as manifestações de racismo, também colocava na berlinda os meios de comunicação, useiros e vezeiros em disseminar esse violento sentimento que leva à discriminação. E foi justamente a queda de braço com a mídia que arrastou a votação da lei por longos meses.<span id="more-54199"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de toda a batalha contra por parte da elite branca, foi a partir de muita luta que o povo boliviano conseguiu fazer aprovar e valer essa lei, que tem no seu capítulo V, denominado “Delitos contra a dignidade do ser humano”, o seguinte artigo, de número 28: “A pessoa que, arbitraria e ilegalmente, restrinja, anule, menospreze ou impeça o exercício de direitos individuais ou coletivos por motivo de raça, origem nacional ou étnica, cor, descendência, pertencimento a nações e povos indígenas originários, camponeses ou ao povo afroboliviano, ou por uso de vestimenta e idioma próprio, será sancionado com pena de privação da liberdade de três a sete anos. A pena será agravada em um terço do mínimo e com a metade do máximo, quando:</p>
<p style="text-align: justify;">a) O fato seja cometido por servidora ou servidor público.</p>
<p style="text-align: justify;">b) O fato seja cometido por um particular em prestação de serviço público.</p>
<p style="text-align: justify;">c) O fato seja cometido com violência”.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois foi justamente essa lei que o deputado do MAS (Movimento al Socialismo), Jorge Medina (primeiro deputado afroboliviano), foi buscar para referir-se ao que aconteceu na IX Marcha Indígena, promovida pelas comunidades da região do Parque Nacional, onde o governo quer abrir uma estrada. Segundo ele, os acontecimentos na cidade de San Ignacio, estado de Beni, podem ser enquadrados nessa lei e é necessário que se faça a denúncia. O que aconteceu foi que a marcha foi impedida de passar, por parte da população da cidade que instalou barricadas com paus e arames. O estado de Beni onde fica San Ignacio é conhecido pelo racismo e discriminação. Durante os conflitos que envolveram a região da meia-lua (parte leste da Bolívia), durante a formulação da nova Constituição, indígenas foram espancados e as cidades se cobriram de pichações racistas. Agora, de novo, os povos originários se viram envolvidos em protestos de caráter eminentemente racista, pois, além de terem a passagem interditada para dentro da cidade, quando passavam ao largo, recebiam xingamentos e insultos em velhas/novas humilhações.</p>
<p style="text-align: justify;">Como as marchas e os protestos indígenas continuam, o deputado Medina, que foi um dos impulsionadores da lei antirracista, está chamando a população a refletir sobre esses atos de discriminação. Segundo ele, os povos em marcha têm todo o direito de se manifestar e devem ser recebidos com respeito, ainda que não se concorde com suas causas.</p>
<p style="text-align: justify;">O mesmo deputado está convocando a população de todas as capitais das províncias a participarem da Marcha Nacional contra o Racismo que acontece agora, no dia 24 de maio, considerado lá na Bolívia como um dia de luta contra o racismo, em lembrança da profunda humilhação sofrida por 50 camponeses, na cidade de Sucre, em 2008, quando foram surrados em praça pública, também no âmbito da luta pela nova Constituição que refundou a república. “É preciso que venham todos os setores sociais, trabalhadores, lutadores. Na raiz desse abuso a gente chama a Marcha, para que coisas como essas nunca mais voltem a acontecer”.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, La Paz, assim como as demais capitais do país deverão se encher com as wipalas e bandeiras brancas, numa luta que ainda está muito longe de terminar. O racismo contra índios e negros, impregnado pela colonização predadora, é uma ação em constante reformulação e todos sabem que não é com uma lei que isso vai acabar. Há de passar muito tempo até que as pessoas consigam compreender que a escravidão negra e indígena não se deve a qualquer inferioridade nessas etnias, mas é uma exigência do sistema econômico capitalista que precisa de braços para fazer rodar a roda do lucro. No caso específico de “nuestra América” ou “Abya Yala”, os que garantiram a dominação eram brancos/europeus. E por aí seguiram impulsionando uma política de disseminação do racismo para que as etnias oprimidas passassem a se olhar como inimigas e não como companheiras capazes de virar o jogo e impulsionar um novo modo de organizar a vida, rebelando-se contra os opressores, sejam eles de qualquer cor. Afinal, o mal é o capitalismo.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&amp;conteudo_id=6283&amp;action=read</p>
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		<title>PB &#8211; Chico César: Uma gestão com ênfase na nordestinidade</title>
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		<pubDate>Tue, 22 May 2012 16:03:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[cultura e tradições]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[discriminação]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>

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<!-- AddThis Button END --> O cantor e compositor paraibano Chico César à frente da Secretaria da Cultura da Paraíba, desde 2011, avalia que o discurso tecnocrata das esferas de governo afastam as pessoas comuns. Para enfrentá-lo é preciso ter vontade política, pois o desejo de participação popular transcende e subverte. &#8220;Cada vez mais pessoas normais que não são descendentes [...]]]></description>
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<div id="attachment_54162" class="wp-caption alignright" style="width: 424px"><a href="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2012/05/chico_cesar_foto_kleide_teixeira_08.jpg"><img class=" wp-image-54162  " title="chico_cesar_foto_kleide_teixeira_08" src="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2012/05/chico_cesar_foto_kleide_teixeira_08.jpg" alt="" width="414" height="311" /></a><p class="wp-caption-text">A cultura produzida na Paraíba precisa ser reconhecida no estado. Foto: Kleide Teixeira</p></div>
<p style="text-align: justify;"> <em>O cantor e compositor paraibano Chico César à frente da Secretaria da Cultura da Paraíba, desde 2011, avalia que o discurso tecnocrata das esferas de governo afastam as pessoas comuns. Para enfrentá-lo é preciso ter vontade política, pois o desejo de participação popular transcende e subverte. &#8220;Cada vez mais pessoas normais que não são descendentes de famílias políticas, mas cidadãos, devem tirar um tempo do seu cotidiano para empregar na prática política&#8221;</em></p>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<div>
<p>O cantor e compositor paraibano Chico César está à frente da Secretaria da Cultura da Paraíba, desde 2011, convidado pelo governador Ricardo Coutinho (PSB), quando dirigia a Fundação Cultural de João Pessoa.</p>
</div>
</div>
<div>
<p style="text-align: justify;">Sobre sua gestão, o artista diz pautar-se pelas orientações do Ministério a partir de discussões amadurecidas nas conferências municipais, estaduais e nacionais de Cultura e trabalhar a valorização e divulgação dos artistas da terra. “O que sinto é que a cultura produzida na Paraíba precisa ser reconhecida no estado”, declara o secretário empenhado em concluir um levantamento das manifestações culturais do estado e identificar aquelas que se encontram mais fragilizadas precisam do apoio do Estado.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta entrevista à <em>Teoria e Debate</em>, Chico César fala da política nacional, de cultura popular e erudita, do fazer político, de sua militância e de suas prioridades à frente do cargo.<span id="more-54161"></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<strong>A maioria dos artistas tem certa dificuldade em fazer parte das esferas de governo. Sentem-se estranhos à burocracia estatal. Como é para você habitar esse mundo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Qualquer ser humano acostumado a uma vida civil sente dificuldade quando lida com a burocracia. Esse um dos principais entraves. Há uma certa tecnocracia, uma linguagem de poder, de exclusão. Ela existe para que as pessoas tenham medo de participar. Todo esse discurso de leis e procedimentos existe para espantar o cidadão comum da política. É como se dissessem: “Aqui não é lugar para você, deixe que nós cuidamos disso para você”. Esse nós trata-se de um grupo de técnicos a serviço de um sistema, de um jeito de fazer governo e gestão pública. É um desafio grande, não apenas para um artista, mas para um professor, atleta, dentista, para uma pessoa normal.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro é preciso haver o desejo político, legítimo, em todas as pessoas. Temos uma história recente e pioneira de um líder metalúrgico, nascido no interior do Nordeste, com baixo grau de escolaridade, que se tornou presidente da República. E estava tudo organizado para dizer: “Esse homem não pode ser presidente da República, ele é despreparado”.</p>
<p style="text-align: justify;">E a política não diz isso apenas através do discurso político, mas também pelo discurso burocrático, jurídico, fiscal. “Chegou no sindicato, fica aí mesmo&#8230; Deixe que a gente cuida disso”. Quem é a gente? São os tecnocratas. Mas o desejo de participação popular transcende e subverte. É por isso que temos na história recente a presença de Lula, eleito duas vezes, e Dilma, uma ex-presa política como a primeira mulher na Presidência do país.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos de trazer o cotidiano para dentro das decisões políticas e arejar a área técnica. As decisões são sempre políticas.</p>
<p><strong>Como você avalia e como se posiciona a respeito da gestão Gilberto Gil no Ministério da Cultura? Acompanhou, tem concordância com a orientação, faz uso de algumas dessas experiências?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A gestão de cultura do governo Lula é uma revolução não apenas do ponto de vista cultural, mas como política de inclusão econômica e política. Antes, imaginávamos que cultura era patrocinar orquestras, livros grossos, exposições e balé. E, de repente, a gestão de Gilberto Gil nos mostrou que política cultural era reconhecer a cultura viva, onde estivesse.</p>
<p style="text-align: justify;">Fui bastante reticente nos dois primeiros anos porque não sabia para onde é que apontava. Quando fui à primeira Teia, no Ibirapuera, na sacrossanta Bienal de São Paulo – sacrossanta porque era um espaço da manifestação reconhecidamente como cultura, arte – e ali estavam Pontos de Cultura do Brasil inteiro, Três Lagoas, Pelotas, Macapá, Catolé do Rocha, tive um choque e percebi que algo novo estava acontecendo. Algo que reconhece que há cultura no cotidiano, a diferença entre cultura e arte, entre arte e entretenimento, que há algo vivo no nosso dia a dia que é cultura; que a cultura pode ter uma dimensão econômica, cidadã, inclusiva, em que todos possam participar. Esse foi o grande legado das duas gestões de Gilberto Gil e do ministro Juca Ferreira: os Pontos de Cultura ainda estão aí.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse legado se impõe como um desafio para todos nós em qualquer das esferas de governo. O que é cultura? Como lidar com ela? Quem faz cultura? É o Estado? Não. O Estado tem de reconhecer que há uma cultura viva que precisa ser apoiada, estimulada, premiada, que não são apenas os artistas, mas é a sociedade.</p>
<p><strong>Como entrosar sua gestão estadual com as orientações nacionais do Ministério da Cultura?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Cabe à nova gestão radicalizar a discussão sobre o financiamento de cultura, a rediscussão da Lei Rouanet e a construção de um Sistema Nacional de Cultura, dentro do qual esteja o Fundo Nacional de Cultura, que se destine a repassar recursos para os fundos estaduais e municipais de modo a não manter concentrada a riqueza da cultura no eixo Rio-São Paulo, como vem acontecendo nesses vinte anos da lei.</p>
<p style="text-align: justify;">A Lei Rouanet teve um papel, foi importante reconhecer que havia algo a ser patrocinado, mas hoje vivemos um novo momento, a partir das gestões de Gilberto Gil e Juca Ferreira. Cabe ao Congresso aprovar definitivamente essas novas leis da cultura porque a sociedade já entendeu que a cultura é muito mais dinâmica do que o financiamento de alguns grupos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como é que você faz esse entrosamento?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ainda na gestão de Gil e depois na gestão de Juca Ferreira, quando eu ainda estava na Fundação de Cultura de João Pessoa, mantivemos contato com o secretário Peixe, seguindo a orientação do Ministério da Cultura de criarmos nosso Sistema Estadual de Cultura, inspirados nas Conferências Estaduais de Cultura.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Paraíba, estamos até bem avançados nesse aspecto. Não tínhamos um órgão gestor de cultura e hoje temos a Secretaria Estadual, criada pelo governador Ricardo Coutinho (PSB). Antes era uma subsecretaria ligada à Educação. Já tínhamos o Fundo de Incentivo à Cultura (FIC) e o Conselho Estadual de Cultura agora está nos moldes recomendados pelo MinC, em que os representantes da sociedade não sejam escolhidos pelo governo, mas por ela própria.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora estamos trabalhando para elaborar nosso Plano de Cultura, que queremos ter pronto até o final de 2012, para os próximos dez anos, um plano decenal. Não queremos com isso engessar os próximos gestores, mas o plano vai dar as linhas mestras da gestão cultural no estado.</p>
<p><strong>São orientações do Ministério ou você está criando no estado?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">São orientações do Ministério a partir de discussões amadurecidas nas conferências municipais, estaduais e nacionais de Cultura. Trata-se de um colegiado imenso que leva para uma conferência nacional algumas orientações básicas, como os conselhos terem representantes escolhidos pela própria sociedade, uma luta política, como também é com os núcleos de governos – Planejamento, Finanças, Tesouro – a criação de um percentual mínimo da arrecadação para a Cultura. Os governos, em geral, têm restrição à medida porque muitas vezes o orçamento já está engessado, um tanto para Educação, outro para Saúde, mais despesas de pessoal. “Se eu tiver mais um fixo previsto e imutável para a Cultura, fico sem ter como governar”, pensa o governante. É uma discussão política para ser feita com nossos parlamentares e gestores.</p>
<p><strong>Em sua opinião, a Paraíba dispõe de especificidades culturais que devem ser promovidas? E, nesse caso, quais?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Precisamos primeiro concluir o mapeamento cultural, que já estamos fazendo, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual. É preciso mostrar não de modo empírico, mas de fato, o que temos de cultura na Paraíba. Desde o vaqueiro aboiador, os grupos de dança, a rendeira do artesanato até o jovem que trabalha com tecnologia de ponta – e, assim, produz cultura.</p>
<p style="text-align: justify;">A partir desse mapeamento devemos eleger algumas prioridades. De um lado, há manifestações que já são apoiadas ou viabilizadas pelo mercado. Refiro-me a música de rádio, artistas que já estão nas galerias&#8230; Essas não serão prioridade para o estado, com relação a uma política de apoio. De outro, temos uma herança enorme da cultura popular. Essas manifestações se encontram mais fragilizadas e precisam mesmo da presença do Estado, como o aboio, o forró de pé de serra, os congressos dos violeiros, o repente, o cordel. Também é preciso apoiar as manifestações nascentes, dos jovens artistas, criadores, escritores, cineastas, porque eles também não têm ainda uma penetração no mercado. É papel do Estado, através dos seus editais, promover e fomentar essas manifestações culturais.</p>
<p><strong>Você ousaria dizer qual o ponto mais forte que representa a cultura paraibana?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Difícil dizer, porque a Paraíba, do ponto de vista de cultura, tem tudo que o Nordeste tem: maracatu, caboclinho, terno de pífanos, teatro forte, música. Temos de apoiar a cultura como um todo e deixar que a própria sociedade eleja suas prioridades. O fato é que vivemos uma ausência tão grande de políticas culturais, uma ausência histórica, que há um grande vazio e um terreno imenso a ser semeado. Essa semeadura não vai ser feita em dois, quatro anos, é um projeto de médio prazo.</p>
<p><strong>A Paraíba tem forte tradição na literatura de cordel. Para esse segmento, o que está sendo feito ou pensado?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A literatura de cordel é uma das nossas manifestações mais caras, que está ligada também à tradição do repente, andam um pouco juntas. Vamos trazer de volta este ano, em parceria com a Associação dos Poetas Cantadores, de Campina Grande, o Congresso dos Violeiros. Esse congresso teve aqui momentos fortes de arrebatamento e ficou um tempo parado. Esse primeiro ano não vai ser assim uma coisa grandiosa, mas vamos apoiar para que aconteça de forma digna. E junto com a prática da cantoria trazer a prática do cordel. Não apenas de fazer a literatura de cordel, mas de promover o contato dos jovens com essa manifestação.</p>
<p style="text-align: justify;">Este ano vamos levar para a escola o Ano Cultural do Forró, aproveitando o centenário de Luiz Gonzaga, essas manifestações de nordestinidade. Não posso nem dizer especificamente de paraibanidade, mas de nordestinidade, sabendo que temos especificidades nisso. Grandes cordelistas, grandes gravadores, xilogravadores. Em um projeto em parceria com a Secretaria de Educação, vamos levar para a sala de aula a discussão do que formou Gonzaga, a base do forró – o que influenciou o Rei do Baião e seus principais seguidores, Jackson do Pandeiro, Marinês, Sivuca –, para que o jovem estudante entre em contato com essa herança.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual sua posição pessoal sobre a relação entre cultura popular, erudita e indústria cultural?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em um estado que deu origem a Sivuca, que é ao mesmo tempo tudo isso junto, não temos outro caminho a não ser pensar isso realmente combinado. Não podemos pensar que uma orquestra sinfônica é para tocar apenas Bach, Beethoven, Mozart. E também não podemos pensar a literatura de cordel como algo separado. Na Paraíba isso funciona junto. Estamos agora começando as primeiras reuniões para a elaboração de uma espécie de Quebra-Nozes paraibano, envolvendo Bráulio Tavares, poeta e cordelista, e Liduíno Pitombeira, um dos maiores compositores da atualidade no Brasil. Isso é uma mostra prática de que na Paraíba as coisas andam encangadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse é o alerta que demos tanto ao maestro Alex Klein, que está à frente da Orquestra Sinfônica, e aos jovens quando propusemos o Programa de Inclusão através da Música e Arte (Prima). Não podemos abrir mão de uma herança de cultura popular, não podemos trazer os jovens das regiões carentes, aproximá-los da cultura erudita e afastá-los da cultura popular. Eles terão de manter, sempre, um contato com a herança ancestral, de ciranda, de coco, de aboio, que fará parte de seu cabedal de conhecimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">No futuro, quando um desses jovens for compositor, músico, ou simplesmente um cidadão, será um cidadão que teve acesso às matrizes da cultura popular e também da cultura erudita.</p>
<p><strong>Em João Pessoa, prefeitura e estado criaram uma Roda de Choro, programação aos sábados entre os prédios históricos do antigo Largo do Erário (atual Praça Rio Branco) que é sucesso de público. O que está sendo feito para ampliar o espaço e promover esse tipo de música no âmbito da Secretaria de Cultura estadual?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Essas manifestações, na verdade, a gente coloca um foguinho de palha e vira uma fogueira&#8230; Gasta-se pouco. As pessoas vêm, muitas trazem a própria cerveja, outro vende churrasquinho, pipoca, os bares e restaurantes abrem&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Todas as capitais do Brasil têm chorões. Isso é incrível. Os chorões são músicos que querem se encontrar para tocar de um modo que não seja para acompanhar cantor. E ali eles tocam as músicas que gostam, aparecem os cantores, e dão canja. E o chorinho vira uma seresta, uma manifestação muito bonita. Em São Paulo tem um espaço parecido na Praça Benedito Calixto. Sei que em São Luís do Maranhão o chorinho é uma tradição. O fato é que violão, bandolim, cavaquinho sempre vão se juntar e tocar.</p>
<p style="text-align: justify;">Começamos até sem muita pretensão, tínhamos acabado de restaurar a Praça do Erário&#8230; Quando se restaura ou instala um equipamento para a sociedade, é preciso ter planejado como será ocupado, para que não vire estacionamento, ponto de venda de crack, ainda mais sendo no centro da cidade&#8230; Resolvemos colocar chorinho, que se transformou num ponto de encontro forte na capital. Imaginamos que também com forró de pé de serra essa experiência possa ser ampliada. Na Feira de Campina Grande há, espontaneamente&#8230; Essas experiências devem ser apoiadas, espalhadas onde não houver.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando propomos o programa Fogueiras da Cultura, que leva palcos para o interior do estado e reúne dois grupos ou artistas daquela região com um artista de fora – pode ser da capital ou de Campina Grande –, a ideia era a prática do encontro em praça pública, motivada pela música, ela arte, em primeiro lugar. E percebemos que para juntar gente não precisa necessariamente ser nome conhecido. Se vier um Armandinho, traz um brilho, mas as pessoas se encontram pela música em si.</p>
<p><strong>Sobre a polêmica do Forró de Plástico, você se inspirou na política adotada por Pernambuco, que fez do frevo a referência autêntica de seu carnaval, fortalecendo sua cultura, seus ritmos, seus artistas? Podemos dizer que o ritmo da Paraíba é o forró?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, há uma organização muito forte que envolve grupos de música, empresários ou donos de banda, meios de comunicação muito bem contatados com gestões municipais ou de estados. As pessoas se acostumaram a pensar que a cultura era evento, entretenimento. Promovia-se uma grande festa numa cidade pequena, de 10 mil, 15 mil habitantes, gastava-se um absurdo e depois não sobrava nada para fazer pequenas ações no decorrer do ano.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando colocamos essa discussão, no ano passado, houve certa incompreensão. “Ah, é uma discriminação contra um estilo de música.” Na verdade, não. Esses grupos já são aquinhoados por parte do mercado. Não precisam do apoio do Estado para se apresentar, não precisam de fomento. O que entendemos que precisa ser fomentado, na época do São João, durante as festas juninas, é o forró de pé de serra. E o governo tem esse direito de arbitrar, foi eleito para escolher que tipo de serviço vai oferecer à sua população.</p>
<p><strong>A secretaria já tem uma programação para o São João?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">As programações são feitas pelos municípios e o estado apoia com estrutura, seja palco, som, segurança, Samu. Elaboramos em 2011 a programação do Fogueiras da Cultura e vamos repetir este ano em parceria com o Centro Cultural do Banco do Nordeste. Começará de maio para junho uma programação nas doze regiões administrativas da Cultura, onde promoveremos o encontro de artistas, antecedido por discussões nas escolas sobre a origem do forró e quem são os artistas de agora. Vamos de maio até dezembro, por volta do dia 13, quando celebraremos o centenário de Luís Gonzaga.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Está surtindo efeito essa política de valorização dos artistas da terra? Há sempre festivais no final do ano, no centro, na praia&#8230; Está exportando também os artistas para outros estados?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ainda não de modo contundente, eficiente. Nosso primeiro desejo é promover circulação interna. Fazer com que as pessoas da Caiana dos Crioulos, em Alagoa Grande, conheçam a arte de Dona Zabé da Loca, e vice-versa. As pessoas da região de Monteiro, do Cariri, conheçam essa manifestação da Caiana dos Crioulos de Alagoa Grande.<br />
O Fogueiras da Cultura tem bastante a ver com isso. No ano passado trouxemos de volta o Festival de Areia, programação que só tinha artistas paraibanos. Era um jeito de fazer a Paraíba em todas as áreas: no circo, no teatro, na música, na dança, no audiovisual. O foco foi fazer com que os artistas da Paraíba se apresentassem e as manifestações se reconhecessem. Levamos aproximadamente quarenta índios potiguaras e tabajaras em cortejo. Foi muito bonito e muito simbólico, pois as pessoas se perguntavam por que esses índios estavam ali. “Nós somos índios?” Não era um grupo folclórico, eram cidadãos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda em 2011, promovendo a produção local, em parceria com o Sesc Pompeia, fizemos em São Paulo o projeto Das Bandas de Lá, em que o Sesc contratou, transportou, hospedou, por sugestão nossa, seis artistas ou bandas paraibanas por um fim de semana. Foram Totonho, Escurinho, Beto Brito, Cabrueira, Cátia de França, Socorro Lira. Uma semana depois, por sugestão nossa, e com nossa parceria, levamos o Clã Brasil e Luizinho Calixto para fazer um projeto chamado Paraíba Puxa o Fole, no Auditório Ibirapuera.</p>
<p style="text-align: justify;">Foram dois fins de semana com forte presença da cultura paraibana em São Paulo. É lógico que acontecem num fim de semana na cidade pelo menos quatrocentos eventos. A presença da Paraíba ainda era tímida, mas de todo modo aconteceu e queremos repetir.</p>
<p style="text-align: justify;">O que sinto é que a cultura produzida na Paraíba precisa ser reconhecida no estado. Desde coisas que já aconteceram e se perenizaram na história, como Pedro Américo. Não sei se os jovens de Areia sabem que Pedro Américo, um dos maiores artistas da história do Brasil, nasceu na cidade. Este ano, no Festival de Areia, celebraremos os cem anos de lançamento do EU, livro de Augusto dos Anjos, para que os paraibanos, e não paraibanos, interajam com a obra desse grande escritor que tem linha própria e universal. Sua literatura não é, de modo nenhum, regionalista.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos artistas reconhecidos fora, Elba e Zé Ramalho, Adeildo Vieira, Escurinho, Pinto do Acordeon, Bilu de Campina, na música; Fernando Teixeira, Maiana Neiva, Nanego Lira, nas artes cênicas; Zé Rufino, nas artes plásticas, entre outros. Temos de fazer essa arte se tornar mais reconhecida pelos próprios paraibanos.</p>
<p><strong>Nos anos 80 você participou de greve de fome junto com outros companheiros na universidade. O que você reivindicava?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A ministra da Educação Ester de Figueiredo Ferraz, prima do então presidente ditador, João Batista de Figueiredo, cortou os subsídios do preço das refeições nos restaurantes universitários. Com esse corte, uma refeição de, por exemplo, R$ 1 subiu para R$ 11. Eu e outros colegas entendemos que a melhor forma de protestar contra o aumento do preços das refeições era fazer uma greve de fome. E passamos onze dias sem comer.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse protesto teve a participação de pessoas menos ligadas ao movimento estudantil em si. Eu era jornalista e estudante. Trabalhava no jornal O Norte, fui cobrir uma assembleia do movimento estudantil e acabei propondo e fazendo a greve de fome junto com meus colegas.</p>
<p><strong>Fazendo movimento&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É. Dom José Maria Pires prestou sua solidariedade e também ex-presos políticos.</p>
<p><strong>Você já pensava em entrar para a política nessa época?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Naquela época estávamos criando o Partido dos Trabalhadores, começo dos anos 1980. Queríamos exatamente isto, entrar na política. Queríamos que estudantes, médicos, bancários, vidraceiros, professores, metalúrgicos disputassem o espaço onde as coisas são decididas. A grande novidade era que o movimento que vinha do sindicalismo, das Comunidades Eclesiais de Base, das associações de moradores, da cultura alternativa, deu origem a um partido que trazia elementos diferentes da política tradicional. Mais do que entrar na política, queríamos trazer a política para o cotidiano.</p>
<p><strong>Você participava de algum grupo ativo, realmente político?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Trabalhei como secretário na sede do PT, em cima da Casa das Frutas. Fui filiado em João Pessoa e também ajudei na formação do partido em Catolé do Rocha. Fui de um movimento mais organizado até enquanto fui secundarista. Quando entrei na universidade estava mais ligado ao movimento cultural, como forma de contestação até, do que com o movimento político propriamente: o Movimento dos Escritores Independentes, o Jaguaribe Carne, o Fala Bairros, entre outros.</p>
<p><strong>E agora, você pretende se candidatar a algum cargo depois que sair da Secretaria de Cultura?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A experiência na gestão cultural, para mim, é suficiente. Na minha atividade cultural posso ser mais útil à política do que se me candidatasse a algum cargo. Trazer para a gestão um pouco dessa vivência de artista independente, que até conseguiu um diálogo com o mainstream da indústria cultural, está de bom tamanho.</p>
<p style="text-align: justify;">Não me imagino participando de eleição, de partido. O governador Ricardo Coutinho disse: “Chico César, que é filiado ao partido das artes&#8230;” Imagino que exista um partido da cultura e dele façam parte pessoas de diversos partidos e de nenhum.</p>
<p><strong>O que você pensa da política, do fazer político?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A melhor atividade do ser humano é a política, porque nela o ser humano deixa de pensar apenas nele, como indivíduo, para pensar na coletividade, isso do ponto de vista ideal. Pensar, por exemplo, “somos um grupo de lenhadores”. Esse grupo de lenhadores, para sobreviver, precisa derrubar uma floresta. Naquela floresta vivem vários animais silvestres. A árvore precisa ser derrubada, a madeira vira lenha para aquecer a cidade. É possível conseguir novas formas de produzir energia, de modo que essa coletividade consiga sobreviver de outra forma? E os animais e a floresta? Sobreviveriam?</p>
<p style="text-align: justify;">Então, a política é lidar com vários interesses que estão debaixo de um guarda-chuva maior, o interesse coletivo.</p>
<p style="text-align: justify;">É preciso que cada vez mais pessoas normais que não são descendentes de famílias políticas, mas cidadãos, tirem um tempo do seu cotidiano para empregar na prática política. A dona de casa que perdeu um filho de bicicleta atropelado em uma cidade sem ciclovia. É importante que essa mãe venha para a política. Precisamos fazer com que a política cada vez mais dê vez, voz e voto às pessoas que não estão organizadas.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8212;</p>
<p><strong>Maria José Béchade</strong> é jornalista, assessora de comunicação e mestranda em Direitos Humanos (CCJ/UFPB)</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.teoriaedebate.org.br/materias/cultura/uma-gestao-com-enfase-na-nordestinidade?page=full</p>
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		<title>BA &#8211; A repórter loira, o suposto negro estuprador e uma sequência nojenta</title>
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		<pubDate>Tue, 22 May 2012 10:01:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[crime]]></category>
		<category><![CDATA[discriminação]]></category>
		<category><![CDATA[humilhação]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><em>É preciso que se mova uma ação contra a concessionária pública que dá voz a uma repórter irresponsável como essa. É preciso que entidades de Direitos Humanos e da questão negra também se posicionem</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Renato Rovai</p>
<p style="text-align: justify;">O vídeo que segue do Brasil Urgente, da Band, da Bahia, é um exemplo de jornalismo pra lá de esgoto. Uma repórter loirinha, com rabinho de cavalo à la Feiticeria, coloca um jovem negro, com hematoma aparente de uma agressão recente, numa situação absolutamente constrangedora. Julga-o antes da Justiça, humilha-o por conta de sua ignorância em relação aos seus direitos e ao procedimento a se realizar num exame de corpo delito e acha isso tudo muito engraçado. Assista ao vídeo abaixo e veja se este blogueiro está exagerando. Trata-se de uma caso que exige uma ação urgente por parte da sociedade civil.</p>
<p style="text-align: justify;"><object width="560" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/F6VCbJHtzdc?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="560" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/F6VCbJHtzdc?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object><span id="more-54090"></span></p>
<p style="text-align: justify;">É preciso que se mova uma ação contra a concessionária pública que dá voz a uma repórter irresponsável como essa. Isso mesmo, irresponsável. Estou à disposição da Justiça para me defender em relação ao termo utilizado. A propósito, a concessionária é a Band.</p>
<p style="text-align: justify;">É preciso que entidades de Direitos Humanos e da questão negra também se posicionem. Também é urgente que entidades como o Sindicato dos Jornalistas da Bahia a Fenaj reajam a essa barbaridade.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/05/a-reporter-loira-o-suposto-negro-estuprador-e-uma-sequencia-nojenta.html?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=Feed%3A+PragmatismoPolitico+%28Pragmatismo+Pol%C3%ADtico%29</p>
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		<title>Campanha &#8216;Por uma infância sem racismo&#8217; do UNICEF é lançada em evento</title>
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		<pubDate>Mon, 21 May 2012 17:45:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[Combate ao Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[crime]]></category>
		<category><![CDATA[direito à infância e à adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[discriminação]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>

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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" title="campanha unicef" src="http://genesis.brasilportais.com.br/webroot/img/arquivos/images/4%20(4).jpg" alt="" width="360" height="208" />O evento que aconteceu nos turnos, da manhã e tarde contou com a participação ativa de dez escolas da rede municipal de ensino. E teve uma rica programação com a exposição dos resultados das pesquisas, oficinas vivas, apresentações culturais (dança, canto, teatro, capoeira, desfiles), rodas, lançamento de campanhas, palestras, homenagens e outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante II Festival de Cultura Afro Brasileira e Indígena foi realizado o lançamento da Campanha do UNICEF: “Por Uma Infância sem Racismo”. Com a finalidade de fazerem um alerta à sociedade sobre os impactos do racismo na infância e adolescência e a necessidade de uma mobilização social que assegure o respeito e a igualdade étnico-racial desde a infância.</p>
<p style="text-align: justify;">http://180graus.com/castelo-do-piaui/campanha-por-uma-infancia-sem-racismo-do-unicef-e-lancada-em-evento-526630.html</p>
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		<title>Para ver, ouvir e pensar: &#8220;Vidas secas &#8211; conversa com Walnice Nogueira Galvão&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 20 May 2012 21:34:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades tradicionais]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[território]]></category>

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<!-- AddThis Button END -->Vidas secas – conversa com Walnice Nogueira Galvão&#160; No acervo de fotografia do Instituto Moreira Salles encontram-se imagens relevantes do sertão de Minas Gerais e do Nordeste brasileiro. A convite do blog do IMS, a professora Walnice Nogueira Galvão – especialista em dois escritores que retrataram a geografia física e humana dessa região, Guimarães Rosa [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p><object id="player_12778433" width="640" height="360" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="wmode" value="window" /><param name="src" value="http://storage.mais.uol.com.br/embed_v2.swf?mediaId=12778433&amp;tv=2" /><embed id="player_12778433" width="640" height="360" type="application/x-shockwave-flash" src="http://storage.mais.uol.com.br/embed_v2.swf?mediaId=12778433&amp;tv=2" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" wmode="window" /><noscript><a href="http://mais.uol.com.br/view/12778433">Vidas secas – conversa com Walnice Nogueira Galvão</a></noscript>&nbsp;</object></p>
<p style="text-align: justify;"><em>No acervo de fotografia do Instituto Moreira Salles encontram-se imagens relevantes do sertão de Minas Gerais e do Nordeste brasileiro. A convite do blog do IMS, a professora Walnice Nogueira Galvão – especialista em dois escritores que retrataram a geografia física e humana dessa região, Guimarães Rosa e Euclides da Cunha – analisa um conjunto de fotos de Maureen Bisilliat, Alfredo Vila-Flor, Claude Santos, Jair Dantas, Flávio de Barros e Edu Simões. Segundo a professora, é possível identificar três módulos no conjunto que lhe foi apresentado: natureza, guerra e estética. Um outro elemento é ainda destacado: a figura do encourado. A professora ressalta, por fim, o valor do álbum de Flávio de Barros, único profissional que fotografou a Guerra de Canudos (1896-1897), recuperado pelo Instituto Moreira Salles.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Enviada por Ruben Siqueira com a observação abaixo, que este Blog endossa radicalmente:<span id="more-53955"></span></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;É oportuno e vale a pena ver este vídeo. É de inestimável valor pelas fotos históricas, sobretudo as de Canudos; em primeiro lugar, as de Flávio de Barros, e as da segunda cidade antes da inundação pela barragem de Cocorobó. Mas a visão da profa. Walnice, na conversa, sobre o sertão nordestino, o semi-árido brasileiro, o bioma caatinga, é lastimável! Reproduz e corrobora acriticamente a visão tradicional, interessada aos senhores de lá e de cá. Ignora que se é SEMI-árido não é só aridez, tudo &#8220;à beira da morte&#8221;, como ela diz&#8230;. Ora, se o chão é gretado é porque foi úmido, esteve sob água. E como é a vida natural e humana quando chove e, às vezes, abundantemente? É plena de vitalidade, intensa atividade de uma enorme profusão de espécies (mais de 1200 vegetais conhecidas, que podem ser até três vezes mais, 185 espécies de peixes, 44 lagartos, 47 cobras, 4 tartarugas, 3 crocodilos, 49 anfíbios, 350 pássaros e 80 mamíferos)! Como tantos anfíbios naquela sequidão, não é, profa.? Os &#8220;garranchos&#8221; estão só aparentemente mortos; rebrotam com os primeiros pingos das chuvas, que duram de quatro a seis meses, num verde matizado incrivelmente forte! É certo que os humanos se incorporam a este duplo fenômeno vital &#8211; e são, sim, antes de tudo fortes, como escreveu Euclides da Cunha.</p>
<p style="text-align: justify;">De uma intelectual importante e respeitada espera-se que seja melhor informada e informante!&#8221;</p>
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		<title>Artista baiano e assistente são barrados na Espanha</title>
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		<pubDate>Sun, 20 May 2012 15:09:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[discriminação]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Europa]]></category>
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<!-- AddThis Button END -->Menelaw Sete e seu assistente Paulo Coelho fazem parte do grupo de brasileiros impedidos de entrar no país europeu. Medida pode agravar a crise entre os dois governos. Bruna Sensêve Brasília – Na semana em que o chanceler espanhol José Manuel García-Margallo visitou o Brasil e firmou o compromisso de resolver a crise entre os [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><em>Menelaw Sete e seu assistente Paulo Coelho fazem parte do grupo de brasileiros impedidos de entrar no país europeu. Medida pode agravar a crise entre os dois governos.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Bruna Sensêve</p>
<p style="text-align: justify;">Brasília – Na semana em que o chanceler espanhol José Manuel García-Margallo visitou o Brasil e firmou o compromisso de resolver a crise entre os dois países, mais turistas brasileiros ficam retidos no Aeroporto de Bajaras, em Madri. Sem a permissão de seguir viagem pelo território europeu, o artista plástico baiano Menelaw Sete, de 47 anos, e seu assistente Paulo Coelho já estão de volta a Salvador. Ambos faziam parte do grupo de sete cidadãos do Brasil barrados, na última sexta-feira, sob a alegação de não terem a documentação necessária para entrada na Espanha. Desde o dia 2 de abril, a relação entre os dois países se tornou ainda mais espinhosa com a reciprocidade de tratamento aplicada pelo governo brasileiro aos turistas espanhóis que visitam o Brasil.</p>
<div>
<div style="text-align: justify;">
<div id="abanoticia">Na última quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, cobrou do colega espanhol um tratamento &#8220;correto e respeitoso&#8221; aos brasileiros que chegam àquele país. Como resposta, obteve o compromisso de Margallo de que as equipes espanholas trabalhariam, a partir daquele momento, para que as dificuldades fossem resolvidas de forma imediata. No entanto, não é essa a história que os familiares de Menelaw Sete relatam. O artista embarcou no Aeroporto Internacional de Salvador, na quinta-feira, às 21h50, com destino à cidade italiana de Milão, onde o pintor iniciaria uma temporada de exposições pela Europa.<span id="more-53906"></span></p>
<p>A mulher de Menelaw, Jaci Ramos, tomou conhecimento da situação às 9h de sexta-feira, ao receber uma ligação angustiada do marido, que se disse constrangido pela atitude das autoridades espanholas. &#8220;Há mais de 15 anos ele viaja à Europa para fazer exposições. Todas as vezes levou o mesmo documento, declarando que o Ezio seria a pessoa responsável pela estada. Desta vez ele não conseguiu passar, não sabemos o porquê&#8221;, conta Jaci. Menelaw e Paulo seguiriam para Domossola, na Itália, onde se encontrariam com o empresário Ezio Dellapiazza, que há anos recebe Menelaw na Europa.</p>
<p>Menelaw detalhou por telefone à mulher que o grupo de turistas impedidos de entrar no país foi mantido durante toda a sexta-feira em uma sala dentro do Aeroporto de Bajaras. Segundo as informações de Jaci, muitas pessoas choravam e o assistente de Menelaw teria sido impedido de tomar sua medicação para hipertensão. &#8220;O Menelaw disse que o Paulo sentiu alterações na pressão e não pôde tomar o remédio. Não foi permitido por eles. Só disseram isso.&#8221; Depois de Domossola, Menelaw iria expor em Milão e em Brisado, na Suíça. O retorno estava agendando somente para 19 de junho.</p>
<p><strong>Dificuldades</strong></p>
<p>O Ministério de Relações Exteriores do Brasil lamentou que fatos como esse continuem a ocorrer. O órgão reforçou que haverá uma reunião entre assessores dos dois países, em 4 de junho, em Madri, quando os acordos bilaterais que regulam o tema deverão ser revistos. De acordo com a assessoria do Itamaraty, a soberania de cada país permite que a Espanha escolha quem deverá ser admitido em seu território, porém a resposta brasileira de adotar as mesmas regras usadas pelo país ibérico poderá ser mantida se as dificuldades continuarem.</p>
<p>Desde que as medidas de reciprocidade entraram em vigor, no início de abril, turistas espanhóis precisam apresentar passagem de volta, reserva de hotel ou carta-convite (em caso de hospedagem em residência), para entrar no Brasil, além de um cartão de crédito com a última fatura para comprovar que o visitante dispõe de pelo menos o equivalente a R$ 170 para gastar por dia de permanência. Em 3 de abril, um médico espanhol foi o primeiro a não atender alguns requisitos para a entrada no país e precisou ser repatriado depois de tentar ingressar no Brasil pelo Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília.</p>
<p><strong>Repatriado</strong></p>
<p>A repatriação de um médico, em abril, foi o primeiro episódio derivado do endurecimento das regras de ingresso no Brasil para turistas espanhóis. Ele embarcou em um voo da companhia portuguesa TAP, em Madri, e aterrissou em Brasília por volta das 6h da manhã. No início da tarde, o médico foi enviado de volta à Espanha. A medida vinha sendo discutida devido ao alto número de turistas brasileiros barrados em aeroportos da Espanha. Em 2010, mais de 1,5 mil brasileiros foram impedidos de entrar no país ibérico sob a alegação de que os documentos que portavam eram insuficientes para comprovar que a estada seria legal.</p>
<p><strong>Entenda o caso</strong></p>
<p>Os conflitos entre Brasil e Espanha tiveram início em fevereiro de 2008. Nessa data, o governo espanhol afirmou que alojava 100 mil imigrantes brasileiros – 60% deles em situação irregular – e decidiu reforçar o controle de entrada para cidadãos do Brasil. A partir daí, o número de brasileiros barrados pela imigração espanhola aumentou 20 vezes.</p>
<p>As normas foram novamente reforçadas, em junho de 2011, com a imposição de multa equivalente a R$ 230 mil para quem desse abrigo, comida e trabalho a estrangeiros sem documentação.</p>
<p>A resposta do governo brasileiro chegou em fevereiro deste ano, ao anunciar que adotaria as mesmas medidas tomadas pela Espanha caso o país não mudasse o tratamento dispensado aos turistas brasileiros.</p>
<p>No mês seguinte, a idosa Dionísia da Silva permaneceu três dias no Aeroporto de Barajas, em Madri, após ser retida sem a documentação completa.</p>
<p>Em nome do princípio da reciprocidade, no mês passado entraram em vigor no Brasil as medidas anunciadas no início do ano. &#8211; Desde então, 31 espanhóis foram barrados nos aeroportos brasileiros.</p></div>
</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">http://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2012/05/20/interna_nacional,295317/artista-baiano-e-assistente-sao-barrados-na-espanha.shtml</div>
</div>
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		<title>EUA &#8211; Vítimas de esterilização compulsória lutam para receber indenizações</title>
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		<pubDate>Sun, 20 May 2012 14:41:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
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		<category><![CDATA[EUA]]></category>
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<!-- AddThis Button END -->Durante 74 anos, leis que autorizavam a esterilização compulsória de pessoas consideradas “incapazes” vigoraram nos Estados Unidos. Como resultado dessas políticas de eugenia, que miravam principalmente mulheres, negros e pessoas consideradas mentalmente incapacitadas, aproximadamente 60 mil norte-americanos foram privados do direito à reprodução. Amaparados por suas famílias, os sobreviventes dessas ações lutam agora pelo direito de [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><div id="attachment_53890" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2012/05/esterelizacao.jpg"><img class="size-medium wp-image-53890 " title="esterelizacao" src="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2012/05/esterelizacao-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Mulheres protestam contra política de esterilização nos anos 70 nos EUA; principais alvos eram negros e outras minorias</p></div>
<p style="text-align: justify;">Durante 74 anos, leis que autorizavam a esterilização compulsória de pessoas consideradas “incapazes” vigoraram nos Estados Unidos. Como resultado dessas políticas de eugenia, que miravam principalmente mulheres, negros e pessoas consideradas mentalmente incapacitadas, aproximadamente 60 mil norte-americanos foram privados do direito à reprodução. Amaparados por suas famílias, os sobreviventes dessas ações lutam agora pelo direito de serem indenizadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora muitos desses Estados tenham pedido formalmente desculpas por esse capítulo de suas histórias, até hoje, apenas a Carolina do Norte tem dado passos para compensar as vítimas financeiramente. Em janeiro, um grupo de trabalho do governo estadual recomendou um valor de 50 mil dólares para cada pessoa atingida, e o governador Bev Perdue separou 10,3 milhões de dólares para cobrir o custo. Cerca de 2 mil afetados que continuam vivos podem ser beneficiados.</p>
<p style="text-align: justify;">Ironicamente, esse Estado foi um dos principais aplicadores dessa política (cerca de 7.600 habitantes foram esterilizados entre 1929 e 1974 – muitos nem tiveram ciência de que estavam sendo submetidos a essas operações). Essas pessoas eram consideradas “deficientes mentais” e “impróprias para a reprodução”. Dentre eles, 48% eram mulheres e 40% eram negros ou índios.<span id="more-53889"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A prática já era aplicada e tolerada desde o século XIX, mas foi legalizada pela primeira vez na Pensilvânia em 1905 e abolida definitivamente em 1979, com a última revogação decretada no Estado da Virgínia. A Califórnia foi, de longe, o Estado que mais executou essa medida, em 20.108 habitantes, cerca de um terço das esterilizações em todo o país. No total, 32 Estados norte-americanos adotaram essa prática durante o século XX.</p>
<h3 style="text-align: justify;">Vítimas</h3>
<p style="text-align: justify;">Um dos casos mais dramáticos é o de Elaine Riddick, uma mulher negra com 60 anos. Ela testemunhou ao site Mother Jones que, em 1968, quando era apenas uma adolescente de 14, foi estuprada e engravidada por um vizinho. A comissão estadual de eugenia a declarou “intelectualmente débil” e “promíscua”. E, assim que deu à luz a seu único filho, foi esterilizada pelos médicos. Por ser menor de idade, era necessária uma permissão dos parentes. Coube à sua avó analfabeta assinar a permissão com um “X”. Para Tony, filho de Elaine, é como se ela tivesse sofrido um segundo estupro, só que cometido pelo Estado.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das últimas vítimas foi Janice Black, também negra, e residente de Charlotte. Quando ela era adolescente, sua família decidiu que ela não deveria ter filhos, e assistentes sociais ligados a ela a classificaram como “intelectualmente débil”. Em 1971, Janice só sabia assinar seu nome, e aceitou ser operada. Atualmente, ela trabalha na limpeza de equipamentos no mesmo hospital em que sua meio-irmã a levou para ser esterilizada, há 40 anos. “Sinto que não fui tratada honestamente, como se não fosse um ser humano”, protesta ao site.</p>
<p style="text-align: justify;">Charles Holt, branco, recebeu contra sua vontade uma vasectomia em 1968, enquanto vivia, ainda adolescente, em um abrigo do Estado para pessoas com problemas emocionais – devido ao julgamento feito por um assistente social. A comissão de eugenia o liberou quando ele fez 19 anos, logo depois que ele foi esterilizado. Seus pais concordaram como procedimento, mas Holt só soube anos depois que foi submetido à operação. “O médico disse que eu poderia voltar para a casa se eu fizesse uma operação”, afirmou, sem que tenham dito a verdadeira finalidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Um ano depois, ele se apaixonou e começou a ter planos para formar uma família, quando descobriu que era estéril. Entrou em depressão e sofreu de alcoolismo. Só se recuperou após ajudar a criar três crianças. Anos depois, ganhou deles oito netos. “Ele teria sido um pai (biológico) formidável, seus filhos teriam disciplina e educação. Ele sabe e sempre soube tomar conta de crianças: troca fraldas, cozinha, limpa e, mais importante, sabe amar”, diz Melissa Hyatt, uma de suas filhas adotadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Para ela, cada vítima mereceria pelo menos um milhão de dólares, já que cada um recebeu uma sentença perpétua. “Não ficaram 20 anos atrás das grades, mas sofreram cicatrizes mentais e emocionais pagando por algo que eles nunca fizeram”, protesta.</p>
<p style="text-align: justify;">Opera Mundi, Com informações do site Mother Jones.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/05/vitimas-de-esterilizacao-compulsoria-lutam-para-receber-indenizacoes.html?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=Feed%3A+PragmatismoPolitico+%28Pragmatismo+Pol%C3%ADtico%29</p>
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		<title>A internet e a farra dos comentários intolerantes 3: homofobia</title>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2012 14:54:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[crime]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[discriminação]]></category>
		<category><![CDATA[homofobia]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
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<!-- AddThis Button END -->Leonardo Sakamoto A Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República registrou uma média de 3,4 denúncias por dia de violência contra homossexuais no Brasil em 2011. Para relembrar que ainda precisamos caminhar horrores no combate à homofobia e ao machismo para sermos considerados minimamente civilizados, escolhi alguns comentários de leitores em posts meus que tratavam [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;">Leonardo Sakamoto</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República registrou uma média de 3,4 denúncias por dia de violência contra homossexuais no Brasil em 2011. </em><em>Para relembrar que ainda precisamos caminhar horrores no combate à homofobia e ao machismo para sermos considerados minimamente civilizados, escolhi alguns comentários de leitores em posts meus que tratavam de universalização de direitos. Não são os piores, acreditem. Após cada um deles, uma breve réplica deste humilde blogueiro. Esta é a terceira edição da democrática compilação “A internet e a farra dos comentários intolerantes”.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Aproveitei a comemoração do Dia Internacional contra a Homofobia e a Transfobia, nesta quinta (17), para publicar as pérolas (a</em><em>lgumas tiveram que ser resumidas – eram verdadeiras teses).</em> A data nasceu para relembrar que, há 22 anos, a Organização Mundial da Saúde finalmente retirou a homossexualidade de sua lista de doenças mentais (!). </p>
<p style="text-align: justify;"><em>Por essas e por outras, nunca é demais lembrar: Todo homem é um inimigo até que tenha sido devidamente educado para o contrário.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Queria ver você ter um filho homossexual.”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pode ser. Mas meu planejamento prevê filhos apenas um pouco mais para frente. Depois da Copa, talvez.<span id="more-53713"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Ainda bem que somos uma democracia e podemos falar, com liberdade, sobre como combater essas aberrações .”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tradução: “uma vez que não posso chicotear esses malditos sodomitas em praça pública, graças aos céus, a internet me garante a covardia do anonimato, com incisivos golpes digitais”. Parabéns, flipper! Seu IP está sendo fotografado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Vi dois caras se beijando na rua e tive que me segurar para não partir para cima. Tenho nojo.”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Poderíamos discutir aqui durante dias os motivos que levam alguém a um quadro de patologia social como essa (de querer o mal do seu semelhante mesmo sem o conhecer). Prefiro apenas acreditar que há cura para a homofobia. Tem que haver.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Um filho gay é culpa dos pais.”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tenho certeza que não. Mas e um filho preconceituoso e homofóbico, que não tem vergonha de postar aberrações em comentários de blogs, é culpa de quem?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Há sim uma imposição gayzista no mundo. Se existe homens que querem largar o homossexualismo, o governo Dilma não deixa, agora, se um heterossexual quiser assumir ser gay, para os gayzistas, isso é um ‘direito humano’. Ou seja, é uma verdadeira hipocrisia esse movimento gay!”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Afe. Nem sei por onde começo… Essa coisa de comparar movimentos contra o preconceito e a discriminação com o nazismo é grotesco. Imagino Hannah Arendt remexendo-se no túmulo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Tá na moda ser gay! Quando isso vai acabar, meu Deus?”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ser homofóbico, por outro lado, é tão brega que dá até arrepio. É o ó.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Quero dizer que o homossexualismo é fruto de uma sociedade totalmente desprovida de valores, de moral e entregue à devassidão.”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Faz favor? Me avise em que sociedade você vai estar para eu ir para a outra, ok?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Será que algum pai ou mãe quando seu filhinho nascesse diria a seguinte frase: ‘estou feliz, nasceu mais um gayzinho!’ Vou te falar, nenhum pai ou mãe diria isso, você acha q é discriminação, não é, se trata apenas da ordem natural das coisas.”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pergunta: como é que se descobre a orientação sexual no pós-parto? Sou todo ouvidos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Deus criou a mulher para ser companheira do homen. Esse negócio de homen com homen não passa de uma nojeira, me da ânsia de vômito.”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Meu caro, se não vomitar em cima de ninguém, você é livre para botar para fora o que quiser. Mas, se pensa dessa forma, é difícil imaginar que tenha uma companheira ao seu lado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Sakamoto, você é gay. Só gay defende gay.”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sou mulher também. E índio, quilombola, trabalhador rural, sem-teto. Somos um. E somos vários. Por culpa sua.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“A natureza criou o homem com pênis e a mulher com vagina para se unirem e procriarem. Ninguém nasce pelo ânus para dizer que ânus é sexo.”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Gênio! Descobriu isso sozinho ou leu num livro? Para garantir isso, vamos criar um departamento de fiscalização para monitorar o que cada pessoa faz com seu ânus na intimidade, o que acha? Sugiro até um nome legal: PODA (Polícia do Ânus Alheio).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sakamoto, o nível do teu ataque à família é tão baixo, mas tão baixo, mas tão baixo que coloca em dúvida o seu “doutoramento”. A questão não é julgar algo que não se escolhe, mas o problema é a campanha desmesurada pró-gay, como se isso fosse a salvação do mundo.? Ataca-se tudo e a todos os que não são a favor da cultura gay. E isso é quê? Ditadura, talvez? Você é um monstro, que hoje se refestela na tua “criação”. Vai ter o dia que você vai se arrepender amargamente disso tudo. Fique com Deus.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Monstro? Essa é nova. OK, me chame de Godzilla do Amor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“É um verdadeiro absurdo a forma com que tentam colocar o homossexualismo como normalidade. O que mais me impressiona é o objetivo de cativar os jovens visando criar uma geração tolerante ao modelo de relação que os pais condenaram!”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É… Isso tem nome: esperança.</p>
<p style="text-align: justify;">-</p>
<p style="text-align: justify;">http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2012/05/17/a-internet-e-a-farra-dos-comentarios-intolerantes-3-homofobia/</p>
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		<title>Me rendo ou luto contra o preconceito?</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2012/05/me-rendo-ou-luto-contra-o-preconceito/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2012 14:28:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo Ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades tradicionais]]></category>
		<category><![CDATA[discriminação]]></category>
		<category><![CDATA[população negra]]></category>
		<category><![CDATA[povos indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[quilombolas]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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<!-- AddThis Button END -->do blog Tatu Tatu Xamaraka Esta é a dúvida que persegue os indígenas universitários diariamente, seja nas salas de aula, nos corredores da instituição ou pelas ruas, quando são alvos da discriminação e do “preconceito de olhos azuis”. Ontem, na Universidade Estadual de Feira de Santana deu-se início ao 2º Seminário de Afro-Brasileiros e Indígenas [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><div id="attachment_53705" class="wp-caption aligncenter" style="width: 668px"><a href="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2012/05/sam_7160.jpg"><img class="size-full wp-image-53705 " title="sam_7160" src="http://racismoambiental.net.br/wp-content/upLoads/2012/05/sam_7160.jpg" alt="" width="658" height="493" /></a><p class="wp-caption-text">Esq / dir: Eduarda Tuxá (Direito), Renira Tuxá (Biologia), Bruna Tuxá (Administração), Lívia (Odontologia), Mayane Tuxá (Enfermagem), Maryane Tuxá (Odontologia)</p></div>
<p style="text-align: justify;">do blog Tatu Tatu Xamaraka</p>
<p style="text-align: justify;">Esta é a dúvida que persegue os indígenas universitários diariamente, seja nas salas de aula, nos corredores da instituição ou pelas ruas, quando são alvos da discriminação e do “preconceito de olhos azuis”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ontem, na Universidade Estadual de Feira de Santana deu-se início ao 2º Seminário de Afro-Brasileiros e Indígenas (8 a 10 de maio, Módulo 7, Auditório 5), um evento de grande importância para ambos os povos em questão. O pequeno auditório esteve lotado durante todo o dia, sendo palco de um momento único, onde estudantes indígenas, negros e simpatizantes puderam discutir questões sociais, políticas afirmativas e bolsas auxílios, se abrindo de coração para expressar o seu sentimento quanto estudante “diferente”, relatando os preconceitos vividos dentro da comunidade acadêmica, mostrando a decepção de encontrar neste ambiente, que no mínimo deveria ter uma maior compreensão quanto às singularidades e à diversidade cultural, o mesmo preconceito enraizado que se encontra nas ruas.<span id="more-53704"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Depois das falas da mesa e dos debates no período da manhã, alguns estudantes indígenas Tuxá da UEFS fizeram o seu tradicional ritual de dança, O TORÉ, passando a todos uma energia positiva e a certeza de que, embora haja diversos problemas, a cultura indígena e do povo Tuxá se mantém viva e expressa na garra e coragem destes universitários.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante a tarde, necessariamente às 17h , dá-se início a mesa 4, com o tema COTIDIANO DE DISCRIMINAÇÕES DAS IDENTIDADES NEGRA E INDÍGENA, com coordenação da Professora Patrícia Navarro, formada pelos Estudantes Indígenas Josevan Tuxá, Fabinho Arfer Juntá Tuxá e da Quilombola Luciene Paulo Cruz, além da presença ilustre da Professora Maria Rosário Gonçalves de Carvalho (Etinóloga  e Coordenadora do PINEB/UFBA).</p>
<p style="text-align: justify;">O Estudante Fabinho Tuxá apresentou os bordões mais conhecidos, que têm como escopo minimizar o Indígena, entre eles:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Porque não está pelado? Cadê sua oca? Você fala Tupi? Porque você tem pelos? Porque seu cabelo não é liso? Porque não volta pro mato? Lá vocês ficam pelados? O que é isso? É tatuagem? Lá as índias ficam peladas..? hum… Índio com celular, face…?&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Relatou também casos que ocorrem, desde o princípio, dentro da cidade onde se localiza a aldeia Tuxá, Rodelas &#8211; BA; casos dentro das escolas, onde os estudantes indígenas tinham de levar sua própria cadeira, pois na instituição as cadeiras eram apenas para os filhos de brancos, caso o índio se sentasse era imediatamente retirado do assento; a mesma ordem permanecia com a merenda escolar, os índios não podiam comer.</p>
<p style="text-align: justify;">O estudante conta também uma situação constrangedora que viveu dentro da UEFS com o estudante recém formado em história, Junior Tuxá: eles haviam recentemente participado de um evento com temática indígena, e estavam pintados de Jenipapo, quando foram jantar no Restaurante Universitário, vulgo Bandejão; quando se sentaram ao lado de uma estudante esta mudou sua feição ao vê-los, mostrou-se meio que enojada e/ou ameaçada, se levantou imediatamente e foi sentar-se em outro lugar.</p>
<p style="text-align: justify;">O estudante conta este episódio com um nó na garganta, ressentido. Fábio levanta um acontecimento muito comum a todos os estudantes indígenas, a falta de companheiros em sala de aula na construção de trabalhos ou seminários, fala que não entende se isto se deve ao fato de nos julgarem menos inteligentes ou incapazes ou pelo fato de nos verem como intrusos neste “mundo” elitista e muito “igual”; o próprio estudante fala que, de fato, se sente um intruso dentro deste espaço (“A universidade abriu suas portas, contudo, a forma como a comunidade acadêmica nos trata é como se fôssemos intrusos,diz ele), como um peixe fora da água, e termina brincando com a situação e se mostrando indiferente às discriminações, pois reconhece-se autossuficiente e diz: “Trabalho de grupo, ou se for de dupla, é TUPÃ E EU” .</p>
<p style="text-align: justify;">O Jovem universitário Josevan Tuxá dá inicio à sua fala perguntando aos presentes qual deles nunca foi pintado e enfeitado por penas de cartolina no dia do índio: todos (óbvio) levantam a mão e afirmam já ter vivenciado isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Josevan entra no assunto de Educação e faz um apelo para que estas coisas mudem, que a história dos indígenas seja mais bem vista e explorada nas aulas das escolas em geral, pois considera que esta é a única forma de dar fim à discriminação, ou seja, se as pessoas tivessem um melhor conhecimento sobre os indígenas e afrodescendentes, o respeito existiria. O estudante conta também um caso que viveu dentro da Universidade, quando o professor durante a chamada, no lugar de chamar o seu nome se direcionou a ela fazendo o famoso “uh- uh- uh- uh”.</p>
<p style="text-align: justify;">Existem diversos casos que comprovam o teor Elitista desta Universidade e do desrespeito que existe às diferenças, vindo dos estudantes e dos próprios professores, assim como conta a estudante indígena de Enfermagem, Leidiane Atikun, que presenciou sua professora de Anatomia falar que &#8220;Depois que se iniciou  a política de cotas, o nível da Universidade caiu bastante&#8221;; uma situação parecida aconteceu com a estudante Brenda Tuxá, também estudante de enfermagem, quando seu professor falou que &#8220;A Universidade Estadual de Feira de Santana só prestou enquanto não havia a política de Cotas&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal tema foi bem apresentado também pela Quilombola Luciene, que conta as dificuldades dos jovens da sua comunidade em ingressarem na Universidade e da dificuldade de permanecerem aqui dentro; a mesma apresenta uma reflexão interessante: &#8220;A universidade diz: Venham, vocês são bem-vindos, mas depois, quando estamos aqui dentro, a fala é: A porta da rua é a serventia da casa&#8221;. Por último a fala da professora Rosário, que reafirma muito bem tudo o que foi dito pelos estudantes, afirmando que é preciso o respeito e uma melhor compreensão quanto à diversidade cultural e suas singularidades.</p>
<p style="text-align: justify;">De toda forma, as lutas e enfrentamentos continuam, é preciso moldar a imagem nublada que a grande totalidade tem sobre as minorias, inclusive dos homossexuais, como sugere Jackson, negro e homossexual: &#8220;Toda discriminação é injusta e sem fundamento, e só vai ter fim quando se tiver um maior conhecimento do outrem e consequentemente, o respeito&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Concluo aqui, e acredito que cada estudante indígena que ingressa neste meio universitário é uma nova oportunidade para romper com estas falsas ideias de que índio bom é o índio distante, índio enfeitado na estante ou preso nas telas de um belo quadro, pois índio bom é aquele que luta e se mostra presente!</p>
<p style="text-align: justify;">Eduarda Arfer Juntá Tuxá</p>
<p style="text-align: justify;">9 de maio, 2012</p>
<p style="text-align: justify;">Feira de Santana- BA</p>
<p style="text-align: justify;">-</p>
<p style="text-align: justify;">http://uniaocampocidadeefloresta.wordpress.com/2012/05/17/me-rendo-ou-luto-contra-o-preconceito/</p>
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		<title>MPF vai recorrer da pena de racismo aplicada a estudante</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2012/05/mpf-vai-recorrer-da-pena-de-racismo-aplicada-a-estudante/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2012 13:31:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
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<!-- AddThis Button END -->Punição por ofensa a nordestinos no Twitter &#8211; pena de prisão convertida em serviço comunitário &#8211; foi considerada branda Ocimara Balmant &#8211; O Estado de S.Paulo O Ministério Público Federal (MPF) vai recorrer da decisão judicial que condenou a ex-estudante de Direito Mayara Petruso a 1 ano, 5 meses e 15 dias de reclusão por [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><em>Punição por ofensa a nordestinos no Twitter &#8211; pena de prisão convertida em serviço comunitário &#8211; foi considerada branda</em></p>
<p style="text-align: justify;">Ocimara Balmant &#8211; O Estado de S.Paulo</p>
<div>
<p style="text-align: justify;">O Ministério Público Federal (MPF) vai recorrer da decisão judicial que condenou a ex-estudante de Direito Mayara Petruso a 1 ano, 5 meses e 15 dias de reclusão por veicular mensagem de preconceito e discriminação contra nordestinos no Twitter.</p>
<p style="text-align: justify;">Para o MPF, a pena é insuficiente para punir a jovem que postou a seguinte frase em sua página: &#8220;Nordestino não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">A ofensa foi publicada no dia 31 de outubro de 2010, no domingo de votação do segundo turno da eleição presidencial, logo após a vitória eleitoral de Dilma Rousseff sobre José Serra. O Nordeste foi a região em que a petista abriu maior vantagem em relação ao tucano.</p>
<p style="text-align: justify;">Serviço comunitário. A pena foi definida pela juíza federal Mônica Camargo, da 9.ª Vara Federal Criminal em São Paulo. A punição, porém, foi convertida em prestação de serviço comunitário e pagamento de multa e indenização de R$ 500 à ONG Safernet, que atua na prevenção de crimes cibernéticos.<span id="more-53691"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Na sentença, a juíza diz que a jovem, no curso do processo, acabou sofrendo também uma punição moral.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Houve consequências especialmente graves para a própria M., que perdeu seu emprego, abandonou a faculdade, até hoje tem medo de dizer o nome da empresa na qual trabalha e que lhe abriu as portas, viveu seis meses reclusa em sua casa, com medo de sair à rua, situações extremamente difíceis e graves para uma jovem de sua idade.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">A magistrada sugeriu que a sentenciada seja encaminhada para &#8220;serviço em entidade que possa contribuir para seu processo pessoal de recuperação emocional&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante o processo, Mayara alegou que não tinha a intenção de ofender os nordestinos e não é preconceituosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Exemplo. A condenação de Mayara repercutiu na internet como exemplo de que a Justiça está atenta a esse tipo de crime.</p>
<p style="text-align: justify;">Ontem, na página do Twitter da Safernet, a ONG que receberá a indenização, um post comunicava: &#8220;Com essa condenação, a Justiça Federal e o MPF-SP deixam claro que racismo e preconceito nas redes sociais é coisa séria e traz consequências&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">-</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,mpf-vai-recorrer-da-pena-de-racismo-aplicada-a-estudante-,874493,0.htm</p>
<p style="text-align: justify;">Enviada por José Carlos.</p>
</div>
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		<title>Imperdível: ‘Não dá pra esperar o socialismo para garantir que o negro tenha acesso à universidade’</title>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2012 09:30:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[cotas]]></category>
		<category><![CDATA[crítica ao capitalismo]]></category>
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		<category><![CDATA[discriminação]]></category>
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		<category><![CDATA[STF]]></category>

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<!-- AddThis Button END -->Destaque deste Blog: &#8220;O racismo para nós é o elemento estruturante da desigualdade social do Brasil, fato que não é enfrentado nem pela direita nem pela esquerda&#8221;. Para nós também. TP. Por Gabriel Brito; colaboração de Valéria Nader No dia 26 de abril, o STF aprovou por votação unânime a validade das cotas raciais nas [...]]]></description>
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<div addthis:url='http://racismoambiental.net.br/2012/05/imperdivel-nao-da-pra-esperar-o-socialismo-para-garantir-que-o-negro-tenha-acesso-a-universidade/' addthis:title='Imperdível: ‘Não dá pra esperar o socialismo para garantir que o negro tenha acesso à universidade’ ' class="addthis_toolbox addthis_default_style ">
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><span style="color: #b90404;">Destaque deste Blog: &#8220;O racismo para nós é o elemento estruturante da desigualdade social do Brasil, fato que não é enfrentado nem pela direita nem pela esquerda&#8221;. Para nós também. TP.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Por Gabriel Brito; colaboração de Valéria Nader</p>
<p style="text-align: justify;"><em>No dia 26 de abril, o STF aprovou por votação unânime a validade das cotas raciais nas universidades públicas brasileiras, destinando 20% de suas vagas a estudantes afro-descendentes. Apesar de parecer um enorme avanço na correção das distorções sociais entre negros e brancos no país, é apenas uma medida, pois, como lembra Douglas Belchior, entrevistado pelo Correio da Cidadania, a decisão não institui, apenas legaliza as cotas.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>De toda forma, <strong>Belchior, membro da Uneafro (União de Núcleos de Educação Popular para Negras(os) e Classe Trabalhadora),</strong> afirma que a decisão contribui para “inaugurar um novo patamar da luta anti-racista”, que agora precisa transformar as cotas em força de lei. “São Paulo é o estado mais rico, mais desigual e mais racista do país. USP, UNESP e Unicamp já declararam dias depois do julgamento do STF que não adotarão cotas, pois esse não é um critério satisfatório”, destaca, em meio a uma entrevista na qual criticou setores da direita e esquerda que por distintas razões, se opuseram à política de cotas.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Questionado sobre a crítica dos citados setores de esquerda, de que um grande enfoque do movimento negro sobre as cotas distrairia seus membros da luta maior, contra o sistema que explora, oprime e cristaliza preconceitos, Belchior nega taxativamente tal visão. Em sua argumentação, a necessidade de cotas, numa República que adota políticas teoricamente universalizantes há mais de 100 anos, apenas desnuda mais ainda a perversidade do sistema e o grau de enraizamento do racismo no Brasil.<span id="more-53655"></span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Para ele, a esquerda precisa se desvencilhar de suas visões eurocêntricas de revolução e compreender um pouco mais as especificidades brasileiras, onde a escravidão foi um caso único de longevidade e até hoje as diferenças sociais entre negros e brancos são absolutamente indecentes. “Não dá pra esperar o socialismo para garantir que o negro tenha acesso à universidade. Se pegarmos os dados do próprio IBGE, conferimos que 72% da população mais pobre do país é negra. Temos a terceira maior comunidade carcerária do mundo e a maioria esmagadora dessa população é negra. A polícia mata três vezes mais preto do que branco no Brasil. Como os camaradas marxistas e de esquerda não vão defender cotas? Pelo amor de deus. A pobreza no Brasil tem cor, é caracterizada pela pele preta. Não tem jeito”.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Correio da Cidadania: Como analisa o resultado da votação realizada pelo STF na semana passada, aprovando por 10 votos a zero a manutenção e legalização das cotas raciais, que destinam 20% das vagas em instituições públicas de ensino superior para afro-descendentes?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Douglas Belchior:</strong> Para o movimento negro foi uma grande vitória, construída em vários anos de luta, na qual a direita brasileira se colocou na trincheira contrária ao avanço das políticas públicas de interesse da população negra. Sem dúvidas, o resultado coincidente tanto do placar quanto da justificativa de cada um dos 10 votos coloca a questão racial como elemento central responsável pelas desigualdades sociais no Brasil, uma reivindicação sempre feita pelo movimento negro, no sentido de que não é possível fazer leitura da sociedade, especialmente a partir das suas dificuldades e desigualdades, sem levar em conta a herança ainda muito presente da escravidão.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, isso ficou evidente para nós, não só no placar (10 x 0 é simbólico, ainda mais numa casa tão conservadora como o STF), mas também nas justificativas. Cria uma jurisprudência, muito importante, porque a partir de agora nenhuma universidade ou parlamento brasileiro poderá fingir que não existe tal precedente. E responde a todas as argumentações falaciosas que sustentam a negativa ao avanço da política de cotas e políticas de ações afirmativas. Nesse sentido, foi uma grande vitória para nós.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Correio da Cidadania: Que análise o movimento negro faz desse momento e da maneira como se travaram os debates sobre o assunto no país?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Douglas Belchior:</strong> Trata-se de uma vitória muito importante por revigorar a força do movimento para voltar às ruas em campanhas e ações contundentes no sentido de tornar concreto esse avanço. Inaugura-se um novo patamar da luta anti-racista, mas tal resultado não traz uma vitória concreta, real, não traz automaticamente os resultados dessa luta, uma vez que não obriga as universidades a instituírem as cotas. O que STF fala é que a política de cotas é legal, legítima, moral. Mas o que vai obrigar as universidades a adotarem tais políticas é o parlamento, através de leis. E está lá numa gaveta o projeto de lei, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que institui a política de cotas em todas as universidades públicas do país. Ou seja, o argumento que a própria CCJ e os parlamentares tinham para manter o projeto engavetado foi derrubado pela principal corte de justiça do país.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, o movimento deve deflagrar uma campanha imediata pela retomada desse projeto e sua aprovação total, no Congresso e na presidência. O outro viés dessa campanha é dirigido às universidades, que têm autonomia para implementar tal política, a partir de suas reitorias e conselhos. Algumas já implantaram com grande sucesso, o que inclusive embasou a apreciação do STF. Mas outras não, como as do estado de São Paulo, uma grande ilha de conservadorismo e racismo no país. É o estado mais rico, mais desigual e mais racista do país. Tanto USP como UNESP e Unicamp já declararam dias depois do julgamento do STF que não adotarão cotas, pois esse não é um critério satisfatório. Não aceitam e não querem adotar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Correio da Cidadania: São muitos os estudiosos e intelectuais que, em postura diametralmente oposta às críticas e racionalizações de cunho preconceituoso, são contrários à política de cotas, uma política que conformaria uma ‘discriminação positiva’, que apenas maquiaria a exclusão social inerente ao modo capitalista de produção. Não viria, portanto, de encontro efetivo aos princípios básicos de igualdade, pelo contrário, naturalizando a segregação social. O que pensa disto?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Douglas Belchior:</strong> É exatamente o contrário. Nossa avaliação é contrária a essa. Quando se assume que o Estado teoricamente democrático como o nosso, em que as políticas universais sempre foram implementadas, desde o início da República, ainda possui um recorte de desigualdade racial desse tamanho, está se expondo o problema; ao se ter uma política que visa equacionar o problema, expõe-se, como eles dizem, o capitalismo como monstro sugador e destruidor de seres humanos, inclusive no modelo vigente de democracia. A política de cotas não maquia nada, ao contrário, expõe o problema. Só é possível implementar tal política a partir do momento em que se assume que a política universal não dá conta, que há ainda uma desigualdade profunda.</p>
<p style="text-align: justify;">Para nós, esse argumento está invertido. O racismo para nós é o elemento estruturante da desigualdade social do Brasil, fato que não é enfrentado nem pela direita nem pela esquerda. Aliás, a direita sabe disso, sabe o quanto o racismo é explosivo e mobilizador de massas.</p>
<p style="text-align: justify;">Pensamos que, quanto mais política de cotas se faz, mais os negros vão ocupar lugares que nunca ocuparam. E mais, o racismo vai aparecer, porque, se os negros passam a ocupar lugares inéditos, estranhos a eles e aos demais, vai acontecer mais discriminação e o racismo deixará de ser velado. Ao aparecer, gera o conflito, e tal conflito também é de classe. É isso que aqueles que defendem a luta de classes deveriam reivindicar. A negativa do conflito de raças contribui para a negativa do conflito de classes. É esse entendimento que a esquerda brasileira tem dificuldade de alcançar. Na verdade, o debate racial é fundamental, em favor do povo brasileiro, dentro da luta de classes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Correio da Cidadania: Mas, neste sentido, um aspecto essencial das críticas destes estudiosos à política de cotas diz respeito ao fato de que ela desfocaria o movimento negro, e a própria classe trabalhadora, precisamente da luta maior e mais significativa desta classe, aquela que deve se voltar contra o sistema capitalista, o responsável maior pela opressão e discriminação.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Douglas Belchior:</strong> Pelo contrário, essa luta fortalece a classe trabalhadora, à medida que expõe o problema e coloca negros, majoritariamente pobres da classe trabalhadora, nos espaços da contradição. É isso que servirá de combustível para a revolução brasileira: o povo se rebelar conforme percebe que essa democracia é mentirosa, que não basta estar inserido nela de forma rebaixada. É um combustível que devemos alimentar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Correio da Cidadania: Você não acredita, de todo modo, que a luta pelo ensino universal, gratuito e de qualidade, assim como pela igualdade e justiça social, possa, de alguma forma, perder espaço com esse e outros debates de políticas segmentadas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Douglas Belchior:</strong> Não, pois em nenhum momento o movimento negro contrapôs a necessidade de se investir na educação como um todo, desde a base, às políticas de ação afirmativa. Isso é uma criação daqueles que defendem o contrário às cotas. A defesa do movimento por ações afirmativas, como as cotas, sempre vem acompanhada pela defesa de investimentos e prioridade à educação. Isso é argumento de quem quer criar subterfúgios para não defender cotas.</p>
<p style="text-align: justify;">O fato é que as políticas de cunho universal já são implantadas há mais de 100 anos no país. E não deram conta. Não dá pra esperar o socialismo para garantir que o negro tenha acesso à universidade, pelo amor de deus! Para nós, é descabida tal afirmação. Quando defendemos cotas nas universidades, estamos garantindo lugares para pobres e filhos de trabalhadores. A chance de colocar pobre na universidade é de 100% através desse artifício. Quando as cotas não são raciais, abre-se precedente para que os mais pobres tenham mais dificuldades de entrar. É o que acontece no Prouni, por exemplo. Tem cota pra negro, índio, deficiente, e tem cotas voltadas aos estudantes de escolas públicas, sem recorte racial. Mas aqueles que entram na universidade, provenientes das escolas públicas, não são os mais pobres da escola pública. São aqueles um pouco mais preparados, com um pouco mais de condições ao longo da vida. E sabemos que o perfil deste público não é o mais precarizado. Tanto é assim que ainda se faz necessário o recorte racial.</p>
<p style="text-align: justify;">Se pegarmos os dados do próprio IBGE, conferimos que 72% da população mais pobre do país é negra. Como os camaradas marxistas e de esquerda não vão defender cotas? Pelo amor de deus. A pobreza no Brasil tem cor, é caracterizada pela pele preta. Não tem jeito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Correio da Cidadania: O que diria sobre o exemplo da África do Sul pós-apartheid, citado por correntes críticas às cotas raciais como um exemplo da manutenção das opressões de classe, mesmo com o fim da segregação étnico-racial?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Douglas Belchior:</strong> É um paralelo complicado de ser feito, porque em todas as sociedades existe uma lógica de cooptação da classe trabalhadora promovida pela burguesia. No Brasil, existem experiências de trabalhador que chegou ao poder e depois oprimiu o próprio colega trabalhador. Isso não é exclusividade da população negra, pois está colocado na sociedade em geral. Essa colocação chega a ser maldosa, no sentido de desqualificar o debate da luta racial no Brasil, que tem uma especificidade única no mundo. Trata-se do maior caso de escravidão da humanidade, quase 400 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos uma situação de pós-abolição, República e democracia que não garantiu as condições de cidadania dessa população. Temos a terceira maior comunidade carcerária do mundo e a maioria esmagadora dessa população é negra. A polícia mata três vezes mais preto do que branco no Brasil. Enviesar o debate fazendo comparações com a África do Sul esconde que o problema não ocorre pelo fato de serem negros, e sim pelo fato de o homem explorar o próprio homem.</p>
<p style="text-align: justify;">É o mesmo perigo de pobres entrarem na universidade e reproduzirem a mesma lógica do sistema sobre os demais. O problema não está em serem ou não negros os beneficiários, e sim no modelo de sociedade. Os progressistas não conseguem mudar a correlação de forças no país, ora. Estamos perdendo a luta de classes no país há muito tempo, sem hegemonia, unidade. Não é problema racial, e sim social.</p>
<p style="text-align: justify;">Não dá pra aceitar essa colocação, é maldosa, descabida, sem fundamento. Se fosse fácil assim, o país viveria outro momento. Tivemos oito anos de governo Lula, agora Dilma, anos e anos de partido de esquerda e de trabalhadores, e o que de fato mudou na correlação de forças entre o capital e o trabalho no Brasil? Nada. E eu vou cobrar o Lula por ser nordestino ou a Dilma por ter sido guerrilheira? Não tem cabimento, a lógica não é essa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Correio da Cidadania: Mas ainda assim a concentração de tanta energia na luta pela consolidação das cotas não distrai o movimento de outras lutas igualmente prementes, uma vez que, no final das contas, só uma ínfima parte da população negra irá acessar a universidade pública?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Douglas Belchior:</strong> O que deu muita direção ao movimento negro nos últimos 10, 12, anos foi o debate em cima das cotas, porque a burguesia enfrentou muito essa política, é a luta à qual ela mais se opôs. Agora estamos em outra luta muito importante, pela efetivação da lei 10.639, que institui o ensino de História da África nas escolas. É uma luta difícil, porque é cotidiana. O Estado não propõe, não treina, não capacita profissionais, a universidade não forma educadores nesse sentido, portanto, fica muito a cargo do movimento negro preparar seus quadros e colocar tais conhecimentos em prática. O Estado não investe, não efetiva esse ensino. E a outra frente é a luta contra a violência, contra o que chamamos de genocídio da juventude negra, através da ação violenta da polícia dirigida a essa porção da juventude e dos negros. Temos vários números e estudos que atestam isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma luta leva conseqüências à outra. Nunca fazemos debates descolados. Por um lado, temos direitos legais, direito à universidade, escola de qualidade, moradia, saúde pública, oportunidade no mercado de trabalho; por outro lado, temos a ação violenta do Estado, que reprime o povo que mora na rua, não tem casa, sofre com o vício em drogas, o povo que por falta de alternativa e chance no mercado entra na criminalidade. Se, por um lado, o Estado nega direitos, joga na marginalidade uma grande população, por outro lado, o braço armado do Estado faz a limpeza étnica: ou mata ou prende.</p>
<p style="text-align: justify;">O debate nunca é descolado. A política de ação afirmativa, de cotas em universidades, em concursos públicos, em empresas, na mídia, é uma forma de desafogar uma parte dessa população que costuma ser jogada na marginalidade, que será reprimida pelo poder armado do Estado. Uma coisa não é deslocada da outra, ambos os debates seguem na linha de frente do movimento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Correio da Cidadania: Dados oficiais da República atestam que os afro-descendentes já se afirmaram como 50% + 1 da população, portanto, índice muito acima do que se pretende reservar a eles nos bancos das universidades públicas. O que você diria sobre essa aparente contradição, ainda é possível avançar mais sobre ela?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Douglas Belchior:</strong> Não tenho dúvidas, pois ainda existe gente que discute a questão racial como problema de minoria, o que não é verdade, pois somos uma maioria. Uma maioria oprimida por um sistema estrutural e culturalmente racista. Grande parte da população é educada nessa sociedade de forma que reproduz mentalidades e discursos de uma sociedade racista.</p>
<p style="text-align: justify;">De toda forma, existe um padrão na reivindicação da política de cotas, que está estabelecido no projeto ora engavetado na CCJ do Senado: que a cota seja, no mínimo, proporcional à presença negra nos estados da federação. Desse modo, caso aplicada tal norma, as universidades públicas de São Paulo teriam de obedecer a uma cota de aproximadamente 30%, de acordo com os dados do IBGE. Esse número variaria de acordo com os dados oficiais de cada estado. Na Bahia seria uma proporção bem maior; no Rio Grande do Sul e Paraná, menor. Basta aprovar a lei.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Correio da Cidadania: Como analisa, de um modo mais amplo, as políticas de promoção da igualdade étnica e racial, além da luta anti-racista, nos últimos governos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Douglas Belchior:</strong> Avançamos pouco. É verdade que avançamos, não se pode negar, mas não muito. O governo Lula e agora Dilma deram alguns passos importantes, mas que não saíram do patamar simbólico. Temos dois grandes exemplos: primeiro, a lei 10.639, acima citada, que se não me engano foi a primeira sancionada pelo Lula, em 2003. É uma lei federal, uma luta histórica do movimento negro, conseguimos essa vitória muito importante. Até que a lei se concretize é outro processo, uma vez que não percebemos o Estado brasileiro, em diversos níveis, se empenhar no sentido de tornar essa lei uma realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro símbolo deste momento é o Estatuto da Igualdade Racial, aprovado de maneira esvaziada, diferentemente da maneira que o movimento negro reivindicou. Apenas orienta, não determina, não garante implementação de políticas de ações afirmativas, não assegura as cotas com força de lei, esvazia a luta da população negra por saúde pública. Não previu cotas, por exemplo, na mídia, outro espaço extremamente embranquecido, formador de uma consciência racista que, mesmo assim, não sofreu uma interferência consolidada.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, apesar de evidentemente percebermos avanços, porque a política de governo propõe avanços, não tivemos políticas de Estado que nos deem confiança de que tudo irá se consolidar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Correio da Cidadania: No que se refere ao governo atual, como o movimento negro enxerga a Secretaria de Promoção de Políticas de Igualdade Racial (Seppir) e o papel até agora desempenhado?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Douglas Belchior:</strong> Considerando que o povo negro perfaz maioria absoluta da população brasileira, a Seppir tinha de ser um Ministério prioritário, com recursos de primeiro nível. Tinha que ser um Ministério do patamar do Ministério da Saúde, Educação, do Trabalho. E não é o que vemos. É um órgão que tem recursos limitados, ações limitadas, pessoal limitado, e que infelizmente tem uma política muito partidarizada, não consegue fazer ações coincidentes em todo o país.</p>
<p style="text-align: justify;">O resultado disso nós vemos, por exemplo, nos parcos resultados a respeito da titulação das terras quilombolas, onde a população remanescente de quilombos no país, mesmo após 10 anos de governo de esquerda, não tem sequer o direito à terra garantido. Assim como a reforma agrária, sem dúvidas, andou menos do que poderia e deveria, a titulação de terras quilombolas também andou muito pouco.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Correio da Cidadania: E agora se tenta, inclusive, uma ofensiva no Congresso contra essas populações, através da ação da bancada ruralista, com a PEC 215, que visa transferir do Executivo ao Legislativo (ou seja, da presidência para o parlamento habitado pela vasta bancada ruralista) a capacidade de titulação de terras indígenas e quilombolas.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Douglas Belchior:</strong> Sem dúvidas, estamos sendo muito atacados, e o governo segue uma lógica permissiva com o agronegócio. De novo vemos os negros perderem muito com isso. E de acordo com o último censo agrário, a maioria da população do campo também é negra. O problema da titulação das terras quilombolas e também da reforma agrária atinge, portanto, majoritariamente a população negra.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Correio da Cidadania: Não poderia existir uma maior articulação do movimento negro nas cidades com esses povos quilombolas, originários? Isso não fortaleceria toda a luta conjuntamente, talvez reforçando a própria consciência histórica e cultural dessa imensa maioria de negros que vive no Brasil urbano?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Douglas Belchior:</strong> O movimento negro ainda não conseguiu se afirmar como um movimento articulado nacionalmente. Infelizmente, vemos muita partidarização dos movimentos, que, assim como no campo sindical, atrapalha a articulação das lutas. E infelizmente não se consegue perceber o papel fundamental do racismo ideológico no sentido de nos articular.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas como podemos não ter luta racial em nível nacional como, por exemplo, têm as mulheres – que, mesmo com toda a partidarização, conseguiram alcançar alto patamar de organização? Assim, elas conseguiram pautar coisas importantes no Brasil, grandes mobilizações em escala nacional. E isso o movimento negro ainda não conseguiu, muito por conta de subserviência a partidos e projetos partidários que nem de longe são dirigidos por nós ou possuem nossa mentalidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Os partidos políticos no Brasil, da direita à esquerda, permanecem funcionando numa lógica eurocêntrica. Poder eurocêntrico e maneira de ver o mundo eurocêntrica. Não respeitam nossa ancestralidade, nossa cultura. E o movimento negro acaba sendo subserviente, limitando-se à ocupação de setoriais, de partidos e governos.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211;</p>
<p style="text-align: justify;">Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania; Gabriel Brito é jornalista.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=7129%3Amanchete110512&amp;catid=72%3Aimagens-rolantes&amp;</p>
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		<title>Para ler e pensar: &#8220;O ovo da serpente da linguagem racialista&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 21:57:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[discriminação]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[racialismo]]></category>

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<!-- AddThis Button END -->Por José Roberto Militão (enviado para o blog de Luis Nassif) “PRETO é cor; a “raça” é negra”? Alimentando o ovo da serpente No combate ao racismo é imperiosa a desconstrução da linguagem de pertencimento racial. No espaço de uma semana, em dois tópicos, sucessivos e concorridos debates na internet sobre racismo no portal LUIS [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;">Por José Roberto Militão (enviado para o blog de Luis Nassif)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“PRETO é cor; a “raça” é negra”? Alimentando o ovo da serpente</strong></p>
<p style="text-align: justify;">No combate ao racismo é imperiosa a desconstrução da linguagem de pertencimento racial. No espaço de uma semana, em dois tópicos, sucessivos e concorridos debates na internet sobre racismo no portal LUIS NASSIF ocorreu o uso abusivo em mais de duzentas vezes, da classificação racial dos pretos e pardos na condição racial de “negros” (`19/02, ´<a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/preconceito-sutil-e-mais-forte-e-perpetua-racismo">Preconceito sutil é mais forte e perpetua o racismo</a>´; e 18/02, ´O DNA dos “Negros” e Pardos brasileiros´).</p>
<p style="text-align: justify;">Ficou obvio o uso da linguagem racialista é fonte do racismo que queriam combater. O perfil dos debatedores, sem dúvida, é de humanistas não racistas. A maioria reconhece a contundência do racismo sutil, tão bem exposto no texto de ANA MARIA GONÇALVES denunciando o cartunista ZIRALDO, com provas textuais, da prática do racismo na linguagem que uniu, com o intervalo de um século, dois expoentes da literatura infantil: ZIRALDO do sutil ´Menino Marron´ resolveu sair às ruas no carnaval de 2011 determinado a propagar a defesa pública da literatura com odiosa pregação racista e eugenista de MONTEIRO LOBATO, mentor intelectual de um plano de genocídio da raça negra proposto no livro ´O Presidente Negro´, a “solução final” para erradicar a “raça inferior” (<a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/analiseMostrar.cfm?coluna_id=4967">leia aqui</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">Na condição de escritores para crianças, ambos utilizaram com maestria da poderosa arma da linguagem para a sedução às suas crenças, da fértil mente e frágil alma. ARISTÓTELES, em a Política, afirma: somente o humano é um &#8220;animal político&#8221;, isto é, social e cívico, porque somente ele é dotado de linguagem. Os outros animais possuem voz e com ela exprimem dor e prazer, mas o humano possui a palavra (logos) e, com ela, exprime o bom e o mau, o justo e o injusto. Exprimir e possuir em comum esses valores é o que torna possível a vida social e política e, dela, somente os humanos são capazes. É isso: a linguagem capacita o homem, para o bem ou para o mal. A identidade política da ´raça negra´, em vez da cor preta, expresso no slogan, é uso perverso e irresponsável da linguagem que consolida a crença racial, semente de mais e mais racismo. Qualquer identidade racial é odiosa.<span id="more-53648"></span></p>
<p style="text-align: justify;">No combate ao racismo é essencial o pressuposto da igualdade humana a partir da única espécie humana. Consiste, ainda, na negativa, reiterada, de qualquer ´raça´ humana. A espécie é única, formada por 6 bilhões de indivíduos diferentes. Por isso é assustador a naturalidade de quase todos, sem receio e sem respeito à linguagem, política e conceitualmente, corretas (LPCC), utilizarem-se da imposição arbitrária da alcunha racial “negros” para designação dos afro-brasileiros. Isso é alimentar o ovo da serpente. Essa designação racial não nasceu no meio e costumes dos afro-brasileiros. Ela foi construída na academia no século 20, sob a forte influência da eugenia, do racismo e da guerra-fria, influentes no meio intelectual.</p>
<p style="text-align: justify;">Os afro-brasileiros jamais praticaram a definição de uma identidade política como pertencentes à raça negra. A nossa narrativa histórica é de repudio a esse pertencimento racial. Basta ver, desde o século XVII, que a resistência e busca da liberdade não se fez por ´negros´. Não há registros de Quilombos ou Irmandades de “negros”. As terras ocupadas foram e ainda são “terras de pretos”. Na organização social foram milhares de Irmandades, Igrejas e Cemitérios de “HOMENS pretos”, “HOMENS pardos” e “Pretos Novos”. Na umbanda, a reverência é ao “preto-velho”. Nossos avós eram homens e mulheres de cor. Jamais foram “negros”. Essa é a verdadeira narrativa dos afro-brasileiros que merece respeito. Queremos e exigimos ações afirmativas para o combate às discriminações e a neutralização de exclusões injustas e almejamos a promoção estatal de oportunidades iguais, porém, sem o sacrifício do conceito da igualdade espécie humana e sem a violação da nossa própria dignidade. É isso o que pensam 2/3 dos afro-brasileiros conforme a única pesquisa específica realizada no Rio de janeiro em 2008 (CIDAN/IBPS), que por expressiva maioria de 63%, superior à que, sem questionamentos, elege líderes mundiais LULA, DILMA e OBAMA, rejeitam leis raciais (<a href="http://www.ibpsnet.com.br/descr_pesq.php?cd=83">leia aqui</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">A CRIAÇÃO DA ´RAÇA NEGRA´</p>
<p style="text-align: justify;">Em nossa língua histórica da palavra ´negro´ significa o acatamento da classificação racial: o escravo era de ´raça inferior´ e não significava a cor da pele. O “negro” poderia ter qualquer cor, por acaso conjuntural, foram os pretos. Até 1755 os índios eram “negros da terra”. A palavra define a atribuição aos pretos do pertencimento a uma raça inferior, assim designada pelo racismo no século 18. Todavia, os afro-brasileiros jamais acolheram a identidade “negra”. Contra essa linguagem há o império de princípio essencial da pesquisa antropologia: é que a narrativa do “nativo” nunca está errada. O observador não detém verdade superior para ser imposta: tem o dever de ouvir e, com humildade, respeitar e entender como verdade absoluta a narrativa e a consciência do grupo nativo. É a doutrina da neutralidade absoluta exigido na coleta de narrativas, palavras e expressões características da mentalidade do grupo para a compreensão da sua visão do mundo. O que a academia tem feito ao nos classificar como raça negra é violar tal princípio para impor aos afro-brasileiros auto-declarados pretos e pardos uma falaciosa classificação racial de “negros” que historicamente não narramos. Se, portanto, a condição de “negro” não tem a origem na narrativa do grupo é uma imposição exterior, artificial, falsa, uma fraude intelectual.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se trata aqui, de simples questão semântica. Nem se trata de super dimensionar a chatice da LPCC. Trata-se de reconhecer a linguagem como edificadora ou demolidora da pretensão política de ideais mais nobres e, os escritores, em especial os que semeiam para jovens, de LOBATO a ZIRALDO, cientes disso. JOAQUIM NABUCO, no prefácio de ´O Abolicionismo´ (1863) anuncia a sua aspiração maior: “Quanto a mim, julgar-me-ei mais do que recompensado, se as sementes de liberdade, direito e justiça, que estas páginas contêm, derem uma boa colheita no solo ainda virgem da nova geração” (p.2; abril de 1.863). A oposição ao racialismo estatal exige que na articulação de políticas públicas de combate ao racismo é preciso considerar essa poderosa força da linguagem. Nas referidas centenas de comentários no portal, os afro-brasileiros foram designados por ´negros´ para milhares de leitores que reproduzirão a falsidade. Se legitimada essa linguagem, o racialismo estará institucionalizado.</p>
<p style="text-align: justify;">Na internet, esses debatedores representam bem a síntese do Brasil mais lúcido e esclarecido, o que é agravante: são formadores de opinião e, pelo perfil, estão quase todos empenhados na edificação de uma sociedade mais justa e igualitária. Entretanto se utilizam de uma linguagem racista viciada pela designação imposta pelos ideais do racismo. Hoje, em qualquer trabalho acadêmico e nos reiterados discursos de defensores da raça estatal, manipulam-se as estatísticas e no grupo racial de “negros” está contida a arbitrária soma de brasileiros que se definem perante o IBGE como pretos e pardos. A tal “raça negra” é decisão burocrática distintas da narrativa. O grave disso é que está consagrado na Lei 12.288/10, ´Estatuto da Igualdade Racial´. Sobre o tema, DEMETRIO MAGNOLI denuncia: “Com que direito o Estado rouba-lhes a voz (de pretos e de pardos) e as declara “negros”? Há uma armadilha na linguagem. Ela consiste em batizar os indivíduos com o nome de uma raça. A prática, repetida à exaustão, cria a ilusão de que existem raças “branca” e “negra”, tanto quanto as montanhas, rios, lagos e espécies biológicas (<a href="http://noracebr.blogspot.com/2009/11/o-que-ha-num-nome.html">leia aqui</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">Entrementes, no livro, ´Uma Gota de Sangue´ (2009), MAGNOLI a despeito da convicta motivação de combate ao perigoso racismo estatal, nos designa como população “negra” com o atenuante de manter a palavra sob aspas. Como visto ao utilizar a linguagem racialista mesmo que seja com a saudável intenção de repúdio ao racismo, mesmo quem deseja destruí-lo, apóia-se, por descuido, na lógica semântica do racismo conceitual que alimenta a própria crença racial e sua hierarquia implícita.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro exemplo disso ocorre na literatura acadêmica ou não. Nos livros, traduz-se as palavras designativas da identidade dos afro-americanos, black people ou afro-americans, como se fosse a população ´negra´, palavras que não são sinônimas nem no inglês ou em português. Em nenhuma resenha se faz uma crítica para o erro crasso. Afinal, a palavra ´negro´ foi escolhida pelo racismo para definição da raça inferior pelo seu relevante e sinistro significado. Tem a mesma raiz etimológica de nekrós (sem vida, morte, cadáver = necro, necrotério, necrose, necrofilia etc) definidoras do que não tem vida, não tem luz ou é relativo à morte. “Negro” designava o escravo em geral, reservando aos índios serem “negros da terra” até o édito “Directório do Índio” (1.755) de Marquez do Pombal. Então, proibia a escravidão indígena e vedava sua designação por “negro”. O ato visava sua inclusão na sociedade civil e atendia a interesses do Rei, porém, já se fundava nas teorias do iluminismo sobre a origem e fundamento da igualdade humana (<a href="http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/artigos_frames/artigo_073.html">APEB, m.603, fl.20v</a>). Ao mesmo tempo a designação dos pretos pela alcunha de “negros”, servia ao racismo para restringir a força dos ideais iluministas não contemplando com direitos humanos essa “raça” inferior.</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, em nome do combate ao racismo exige-se da academia um esforço na correição disso: essa linguagem tem sido fonte do neo-racialismo que exige tanto esforço para ser contido. Não são os pretos e os pardos que se auto designam ´negros´. Primeiro foi o racismo em seu nascedouro. Depois o Estado acolheu, no auge da divisão racial dos humanos, através do ´Directório´ explicitando em seu artigo 10: ´negro´ é designação indigna, infamante e degradante, proibida de ser empregadas aos índios, a quem S. Majestade reconhecia a inteira humanidade, pois reservada aos ´pretos´ da Costa de África, diz a letra da lei pombalina. Até então os africanos traficados, eram humanos da cor preta, de quem o racismo vem retirar a humanidade e lhes atribuir a condição de raça negra, a raça inferior. Um dos primitivos sentidos da palavra “negro” era “escravo&#8221;. Por isso a palavra é ofensiva em países africanos e Estados Unidos, onde é empregada a palavra black que literalmente corresponde à palavra preto, ao invés de niger (negro).</p>
<p style="text-align: justify;">O ´OVO DA SERPENTE´</p>
<p style="text-align: justify;">A parábola do ´Ovo da Serpente´, consagrada em filme, refere-se ao período entre a 1ª e 2ª guerra mundial, em que as potências ocidentais flertaram e conviveram com a ameaça do nascimento do nazismo. Os ovos das serpentes são transparentes e basta colocá-los de frente à luz do sol, para ver os filhotes em formação: o nazismo e seu racismo estavam sob a luz do sol. Com a onda de pertencimento racial imposta aos afro-brasileiros estamos diante de ovos da serpente.</p>
<p style="text-align: justify;">A academia, após a 2ª guerra e os desafios do combate ao racismo nazi-fascista, foi quem introduziu nos livros, nas teses e nas pesquisas o ´negro´ como um objeto racial. A academia não o fez por mal, quase sempre. O fez, numa época em que se acreditava em raças e até mesmo que o pertencimento racial poderia ser uma manifestação política positiva. Florescia a guerra fria e a disputa entre os aliados vencedores da 2ª guerra. O império capitalista e o império comunista disputavam corações e mentes. FLORESTAN FERNANDES, marxista, considerava a identidade ´racial´ para compreensão da questão da exploração de ´Raça &amp; Classe´: “preconceito e a discriminação raciais estão presos a uma rede da exploração do homem pelo homem e que o bombardeiro da identidade racial é  o requisito da formação de uma população excedente destinada, em massa, ao trabalho sujo e mal pago&#8230;” (Florestan, 1989, p.28). CLOVIS MOURA, comunista, importante sociólogo afro-brasileiro, ideólogo do MNU nos anos 1970, acreditava na identidade racial para a consciência política de luta dos “negros”. No século 21, o antropólogo KABENGUELE MUNANGA e outros intelectuais abandonam a lição primaz da antropologia consagrada na absoluta neutralidade, contrariam a narrativa histórica dos afro-brasileiros, induzindo o equivocado entendimento da imposição da identidade racial, municiando ativistas do neo-racialismo estatal, alterando identidades censitárias e tripudiando sobre a mestiçagem, para se contrapor à verdade sociológica de Gilberto Freyre: a nossa mestiçagem é cordial. A doutora FATIMA DE OLIVEIRA, médica, afro-brasileira e militante contra o racismo, é categórica: “O BRASIL É UM PAÍS mestiço, biológica e culturalmente&#8230; No contexto da mestiçagem, ser negro possui vários significados, que resulta da escolha da identidade racial que tem a ancestralidade africana como origem (afro-descendente). Ou seja, ser negro, é, essencialmente, um posicionamento político, onde se assume a identidade racial negra.” (<a href="http://historiaemprojetos.blogspot.com/2008/11/neste-texto-mdica-feminista-ftima-de.html">Ser negro no Brasil</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">As universidades, através do uso irresponsável da linguagem racial, produziram uma monstruosidade: uma geração de afro-brasileiros militantes da raça estatal, alguns bem intencionados, brincando com a metáfora, alimentar o ovo da serpente através do uso político de uma identidade racial fraudada, sementes de ódios raciais. Para isso os defensores da identidade racial desconsideram a sabedoria do saudoso MILTON SANTOS, para quem, nos diferenciando da sociedade norte-americana, afirmava, assustado com os rumos tomados pelo movimento negro: “a nossa miscigenação e tolerância relativa é algo virtuoso e deveria ser um ponto de partida para os afro-brasileiros, o que não pode ser desprezado; não gosto do tratamento separado; quero ser apenas brasileiro como outro qualquer&#8230;” (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=xp9_fPuYHXc">ver aqui</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">PRETO É COR; a ´raça´ é NEGRA?</p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário do que pensam os racialistas, o combate ao racismo não tem vínculos ideológicos com a luta de classes sendo, portanto, desnecessária a tal ´identidade racial´ oriunda de guerra fria. Não há mal algum na designação da cor dos humanos: preto, branco ou pardo, é simplesmente a cor da pele. Isso não é raça. Se a pessoa de pele branca é designada ´branca´, por que não ´preta´ a pessoa da cor preta? O que não pode continuar é o uso dessa linguagem racial reprodutora da classificação racial, sendo praticado por quem, de fato, queira destruir a crença racial. Essa verdade está contida, de forma inversa, na campanha racialista conduzida por ONG´s de afirmação racial: ´preto´ é cor; a ´raça´ é negra. Essa campanha e outras, apoiadas nos vícios da academia e financiadas por Foudacion´s norte americanas, negam a humanidade da cor de pele e visam impor aos afro-brasileiros o pertencimento a uma identidade racial ´negra´ dissidente da narrativa do próprio grupo social.</p>
<p style="text-align: justify;">O fato é que HUMANOS DE COR é afirmação da humanidade. A atribuição da condição de “negro” é classificação racial sonegadora da nossa condição humana, o que configura na violação da própria dignidade humana. Estudos respeitáveis confirmam a nossa desconsideração racial. Em 1953, ORACY NOGUEIRA (Tanto preto Quanto branco, USP) já constatava a nossa identidade pela apenas pela cor (marca) e, em 2009 na UnB, para desencanto dos defensores da identidade racial e da própria autora, a doutora FRANCISCA CORDÉLIA (<a href="http://www.unb.br/noticias/bcopauta/index2.php?i=567">Brasileiros não reconhecem sua identidade racial</a>) chegava à mesma conclusão em suas pesquisas de doutorado. Nós, brasileiros, pretos e pardos, não temos e não queremos nenhuma identidade racial.</p>
<p style="text-align: justify;">A LINGUAGEM RACISTA e a DIGNIDADE HUMANA</p>
<p style="text-align: justify;">O objetivo da linguagem do racismo é dizer que a cor da pele indica um falacioso pertencimento de origem à inferioridade congênita da ´raça negra´. Quem aceita essa definição comunga com o ideal do racismo e sonega aos pretos e pardos a dignidade humana. Nessa questão da linguagem, não se pode levar em grande consideração o discurso de militantes racialistas afro-brasileiros, vítimas que são da Síndrome de Estocolmo ao assimilarem a lógica do opressor. Porém, parte significativa, constituída por uma rede de intelectuais seduzidos pelos financiamentos de Foudacion´s e de agências norte-americanas, organizados em ONG´s e em cargos públicos para a defesa do pertencimento à “raça negra” estatal, sabem o que estão fazendo na adoração aos ovos: eles precisam dos filhotes da serpente. Para as Foudacion´s, fertilizadoras dos ovos, o que interessa é nos dividir em “raças” e nos igualar ao que há de pior nos Estados Unidos, nos retirando aquilo que MILTON SANTOS diz ser condição virtuosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta questão da linguagem definidora da identidade dos afro-brasileiros a qualificação da narrativa étnico-antropológica, se racial, vai alterar a própria identidade nacional, cabendo, pois, à academia e intelectuais em geral, fontes propagadoras do conhecimento, zelar pela precisão da linguagem e do conceito nela contida. A academia há de reconhecer seu equívoco na construção desta “raça negra” num marco contextual de trauma e guerra fria, traduzido em pertencimento racial: a maioria de afro-brasileiros não queremos esse pertencimento racial.</p>
<p style="text-align: justify;">O resultado desse ovo da serpente com a crença ´racial´ e atitudes racistas, de lado a lado, será a violação da dignidade humana dos afro-descendentes, especialmente das crianças e adolescentes que aprendem e não acatam o pertencimento a uma ´raça inferior´. É o que se revela na tragédia social que está afetando aos afro-americanos, conhecida como o niilismo social, denunciada por intelectuais como THOMAS SOWELL, CORNELL WEST, KELVIN GRAY e BARACK OBAMA: neste 2.011, nos EUA, com um presidente afro-descendente, de 40 milhões de afro-americanos, 2,5 milhões de afro-americanos estão nas prisões ou sob custódia da justiça, ou seja 6% da população afro. Embora sejam apenas 12% da população, representam 65% dos presos. Entre os jovens de 16-28 anos a tragédia tem dimensão absurda: 50% dos jovens, do sexo masculino, estão presos ou cumprindo sentenças criminais. Entre a meninas, a gravidez adolescente, as afro-americanas representam 70%. Tais números revelam um futuro desastroso para os afro-americanos. Nós não podemos desejar isso a nossos filhos e netos. Em vez de ensinar o ódio, devemos lhes ensinar o amor, conforme NELSON MANDELA: &#8220;Ninguém nasce odiando outra pessoa  pela cor da pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.&#8221; (Nelson Mandela)</p>
<p style="text-align: justify;">Destarte, tal identidade e pertencimento racial, como mecanismo de políticas públicas raciais, são geradoras de ódios e inibidores de harmonia social. MALCOLM X, o mais radical ativista afro-americano, compreendeu isso e abandonou a luta racial para fazer a pregação politizada contra o racismo. Num de seus últimos discursos, ponderava: a estratégia do racismo foi nos retirar a inteira humanidade. Agora, lutemos pela reconstrução da nossa dignidade de humanos. Lutamos por nosso direito de humanos. Escreveu sua ´Carta de Meca´ renunciando à política da luta racial afirmando que, doravante, a luta seria contra a miséria e não a luta racial: &#8220;Eu estarei com qualquer um, não me importa a sua cor, desde que você queira mudar a condição miserável que existe nessa terra&#8221;. Foi executado por PRETOS racialistas. O doutor MARTIN LUTHER KING, reconhecido com o prêmio Nobel da Paz pregando a derrubada das leis de segregação de direitos raciais e lutando para que seus filhos fossem respeitados pelo caráter e não pela cor da pele tinha por fundamento um princípio ético fundamental contra o estado racialista: &#8220;Uma lei injusta é uma lei humana sem raízes na lei natural e eterna. Toda lei que eleva a personalidade humana é justa. Toda lei que impõe a segregação é injusta porque a segregação deforma a alma e prejudica a personalidade.&#8221; (1963, Carta da Prisão de Birminghan). Foi executado por BRANCOS que acreditavam em raças e em direitos separados.</p>
<p style="text-align: justify;">São Paulo, 22 de fevereiro de 2011.<br />
José Roberto F. Militão, advogado.<br />
Ativista contra o racismo de qualquer matiz.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-ovo-da-serpente-da-linguagem-racialista</p>
<p style="text-align: justify;">Enviada por Ruben Siqueira.</p>
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		<title>Lançado livro sobre direitos humanos e as práticas de racismo no Brasil</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 17:47:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[crime]]></category>
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		<category><![CDATA[população negra]]></category>
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<!-- AddThis Button END -->Por Daiane Souza Foi lançado na noite da terça-feira (15), na sede da Fundação Cultural Palmares (FCP) em Brasília, o livro Direitos Humanos e as Práticas de Racismo do sociólogo e especialista em igualdade racial e direitos humanos, Ivair Augusto Alves dos Santos. Resultado de sua tese de doutorado defendida na Universidade de Brasília (UnB), a obra apresenta [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;">Por Daiane Souza</p>
<p style="text-align: justify;">Foi lançado na noite da terça-feira (15), na sede da Fundação Cultural Palmares (FCP) em Brasília, o livro <em>Direitos Humanos e as Práticas de Racismo</em> do sociólogo e especialista em igualdade racial e direitos humanos, Ivair Augusto Alves dos Santos. Resultado de sua tese de doutorado defendida na Universidade de Brasília (UnB), a obra apresenta depoimentos de vítimas do racismo de todo o Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Para chegar aos casos citados, Santos analisou durante três anos, mais de 12.000 ocorrências. “São histórias tristes, mas que também representam lutas e resistência”, afirmou durante o lançamento. “É a celebração de homens e mulheres que disseram não ao racismo”, disse. Segundo ele, o livro mostra como as pessoas passaram de vítimas a vitoriosas a partir do momento em que denunciaram as violências sofridas.<span id="more-53608"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Para o sociólogo, o país vive um momento importante onde a população está mais ciente do que significa o racismo. “Os direitos humanos possibilitam uma visão mais ampla do que vem a ser considerado este crime e as pessoas perdem o medo de denunciar”, explica.</p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img title="Ivair Santos" src="http://www.palmares.gov.br/wp-content/uploads/2012/05/Lan%C3%A7.livro-do-Ivair-Santos-74.jpg" alt="" width="300" height="200" /><p class="wp-caption-text">Martvs das Chagas abre lançamento do livro Direitos Humanos e as Práticas de Racismo</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Propagação da informação -</strong> A obra que passa a fazer parte do acervo da FCP é de rara importância para todos os que pretendem conhecer os pontos de vista sobre os preconceitos a que está exposta a população negra. “Enquanto as pessoas que cometem este crime não forem penalizadas, continuarão fazendo sem culpas”, disse o diretor do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira (DPA), Martvs das Chagas. “Para enfrentar, é preciso ter conhecimento e é isso o que a obra proporciona”, completou.</p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com Ana Marques, representante da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, o conteúdo do material beneficiará o sistema de ensino com as informações e experiências do autor. Já para a deputada federal do Partido dos Trabalhadores (PT) no Estado de Goiás, Marina Santana, iniciativas como o apoio prestado pela FCP podem fazer uma importante diferença social. “Precisamos nos articular na luta pela igualdade e o papel das instituições é fundamental na propagação dos debates”, ressaltou.</p>
<p style="text-align: justify;">Para Alexandro Reis, diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro da FCP, o livro de Ivair Augusto Alves dos Santos tem três significados: contribuição singular para a promoção da igualdade racial, fortalecimento da luta do Movimento Negro e a civilização da sociedade para tolerância à diversidade. “Com sua obra, Santos cria condições para a superação das adversidades enfrentadas pela população negra”, concluiu.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Estudos de caso – </strong>Nos casos observados, Santos tratou das denúncias, pareceres e resultados a fim de apresentar a percepção pública quanto à intolerância e proporcionar a reflexão sobre o que vem ser casos de racismo. Confira alguns dos depoimentos tratados pelo autor no livro <em>Direitos Humanos e as Práticas de Racismo:</em></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><strong>“Ser negro bem vestido despertou o racismo<br />
</strong><strong>… </strong>MLGB, com a profissão de bancário, se dirigiu ao cartório do 6° Ofício de Registro de Imóveis… Após enfrentar a fila, foi atendido pela funcionária VKB que, segundo M, a princípio já o atendeu com agressividade [...] A princípio V não tinha troco para o que foi pago pelo serviço, tendo M esperado um bom tempo até que resolveu interpelar aquela perguntando se teria que esperar mais 40 minutos. Neste momento, V disse: ‘preto não pode vestir uma roupinha que pensa que é gente’[...]”.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><strong>“O pedreiro negro que lutou contra o racismo institucional do Judiciário<br />
</strong><strong>…</strong> NPR trabalhava como ajudante de pedreiro quando JPA, passando em frente ao local, passou a afirmar: ‘negro tem é que sofrer’, ‘preto nasceu para ser escravo’, e que o serviço realizado pela vítima só poderia ser concretizado por negro e que a vítima seria mais um dos malandros do bairro [...]”.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><strong>“Ser negro e representante da Parmalat despertou inveja e racismo<br />
</strong><strong>…</strong> A denúncia foi apresentada contra LFOM, pois ela se dirigiu ao escritório onde trabalha MAN e sem qualquer justificativa, perguntou à sua secretária onde estava o ‘negro safado’… ‘negro sem vergonha e sem futuro’, ainda não satisfeita arrematou dizendo ‘aproveite e diga que ele deveria estar trabalhando cortando cana-de-açúcar e não como representante comercial da Parmalat’ [...]”</p>
<p style="text-align: justify;">Para saber os desdobramentos destes e outros casos basta acessar à publicação que já está disponível à consulta pública, na Biblioteca Oliveira Silveira da FCP.</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.palmares.gov.br/?p=19984</p>
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