Dos afrodescendentes espera-se que não passem “da escolaridade obrigatória”

Uma sala de aula com filas atrás para os negros e à frente para os brancos. Uma professora com dificuldade em acreditar que a aluna merecia mesmo 18. “Obviamente que somos muito mais analisados, avaliados e escrutinados”

Por Joana Gorjão Henriques, no Público

Em São Domingos de Rana, na linha de Cascais, fica o bairro das Faceiras, construído no início dos anos 1980 para acolher população retornada das ex-colónias e famílias de origem cabo-verdiana. (mais…)

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Violência, morte e direitos humanos: o genocídio da população negra como normalidade democrática

“Falta a certos discursos uma compreensão histórica do papel que a raça desempenha na construção da modernidade ocidental capitalista, de sua promíscua indissociabilidade”

Por Marcos de Jesus, no Buala

Embora exista um sem-número de importantes contribuições de pesquisadores/as para a compreensão do conflito e da violência na sociedade brasileira em suas mais diferentes manifestações e em suas múltiplas relações com fenômenos diversos, uma parte considerável dessa produção, sobretudo, as que ocupam o chamado mainstream acadêmico não leva “raça a sério”. Quer dizer, raça geralmente não ganha estatuto de categoria explicativa, aparecendo amiúde como uma variável que revela a distribuição desigual da violência e, portanto, como algo aditivo, e não constitutivo das relações sociais. Dessa perspectiva, W. E. B. Du Bois (1868-1963) e outros teóricos cuja aporte se destaca pela centralidade da raça na explicação das relações sociais teria muito mais ensinar sobre a realidade brasileira do que alguns daqueles que diretamente se debruçaram sobre ela. (mais…)

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“O lá e o aqui”: o documentário que desconstrói o mito da democracia racial no Brasil

No Justificando

O documentário “O lá e o aqui”, quem tem estreia prevista para 16 de setembro, propõe uma reflexão acerca do mito da democracia racial no Brasil. O curta-metragem reuniu depoimentos de seis jovens oriundos de diversos países do continente africano que, com o objetivo de complementarem seus estudos e pesquisas, lançaram-se numa aventura em um Brasil idealizado.  (mais…)

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El racismo, un tema tabú dentro de la comunidad latina en EE.UU.

Por Robert Valencia – GlobalVoices / Servindi

5 de setiembre, 2017.- El pasado 24 de julio en Los Ángeles, California, un hombre hispano agredió a un vendedor ambulante mexicano en la calle y lanzó su carro de comida rápida al suelo. En un video amateur el agredido dijo que ese “pinche racista” había tirado su estante, a lo que el victimario respondió, “No soy racista, mongólico, soy argentino”. El video, con más de 8,8 millones de reproducciones, ha generado diversas reacciones. (mais…)

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A lei não é para todos, por Eliane Brum

Como a Lava Jato reforça no país uma ideia perigosa: a de que prisão é justiça

No El País

A Operação Lava Jato, mesmo com todas as falhas e abusos cometidos, assim como a vaidade descontrolada de parte de seus protagonistas, presta um grande serviço ao Brasil ao revelar a relação de corrupção entre o público e o privado. Uma relação que atravessa vários governos e vários partidos e vários políticos de vários partidos. E a Operação Lava Jato presta também um grande desserviço ao Brasil ao reforçar uma das ideias mais perigosas, entranhadas no senso comum dos brasileiros, e realizada no concreto da vida do país: a de que prisão é sinônimo de justiça. Num país em que o encarceramento dos pobres e dos negros tornou-se uma política de Estado não escrita – e, paradoxalmente, acentuou-se nos governos democráticos que vieram depois da ditadura civil-militar (1964-1985), reforçar essa ideologia não é um detalhe. Tampouco um efeito colateral. É uma construção de futuro. (mais…)

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Portugal: “Quero a oportunidade de provar que posso fazer igual aos brancos”

Em dez anos, 20% das queixas à Comissão contra a Discriminação Racial foram sobre situações laborais. Em circunstâncias iguais no emprego, há preferência pelos brancos, mostram estudos. Amélia Costa Injai conta que só foi chamada a entrevista de emprego por não saberem que era negra

Por Joana Gorjão Henriques, no Público

De todas as zonas em Portugal continental, o Alentejo é a área geográfica com menor diversidade. Em Reguengos quase não se vêem negros na rua, nem em serviços que impliquem interacção com clientes. (mais…)

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Portugal é dos países da Europa que mais manifestam racismo

Dados do European Social Survey mostram que há uma larga percentagem de portugueses a acreditar em racismo.

Por Joana Gorjão Henriques, no Público

Uma pessoa branca leva menos tempo a formar uma opinião sobre um negro do que sobre um branco, ou seja, despersonaliza os negros e mais rapidamente associa a pessoa a um grupo em vez de olhar para as suas especificidades. Isto mostram várias investigações, diz o psicólogo social Jorge Vala, que o confirma também num estudo que ainda não foi publicado, The Role of Egalitarian and Meritocratic Norms on the Depersonalization of Black People, do qual é co-autor com Marcus Lima e Cícero Pereira. O estudo experimental foi feito com 40 estudantes universitários portugueses. (mais…)

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Chico machista?, por Maria Rita Kehl

Da página de Maria Rita Kehl

Ouvi falar que algumas meninas da nova geração feminista (bravas lutadoras contra o abuso, contra o estupro, do lema “respeita as mina” e tantos outros) andam criticando Chico Buarque pelo verso “largo mulher e filhos e vou correndo pra te buscar” (ou te encontrar, não me lembro).

Gostaria de fazer uma defesa, não do Chico individualmente, mas da autonomia de qualquer obra de arte. E sobretudo, do livre direito ao uso da ironia. (mais…)

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Por que nos importamos com símbolos escravagistas dos EUA e ignoramos os do Brasil?

O debate sobre a permanência de monumentos em homenagem aos bandeirantes, sertanistas que a partir do século XVI traficavam e matavam indígenas, ainda passa ao largo do que se discute pelo mundo

Por Regiane Oliveira, no El País

Foi em uma escola pública convencional de São Paulo, há mais de 20 anos, que o índio guarani Jurandir Augusto Martim descobriu como o “jurua” (homem branco, na língua guarani mbya) contava a história dos bandeirantes. Os sertanistas que a partir do século XVI exploravam o interior do país à caça de indígenas para escravização, riquezas minerais e destruição de quilombos, eram apresentados como os nobres heróis nacionais, os desbravadores, responsáveis por levar a civilização aos rincões do Brasil e delimitar suas fronteiras. Ensinamentos muito diferentes daqueles que Martim aprendeu em casa por meio da tradição oral indígena. (mais…)

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