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	<title>Combate ao Racismo Ambiental &#187; terras indígenas</title>
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	<description>Dedicado por Tania Pacheco ao GT Combate ao Racismo Ambiental e às suas lutas</description>
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		<title>Funai cria portal de mapas baseado em tecnologias livres</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Aug 2011 17:13:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo Ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[povos indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[terras indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[território]]></category>

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<!-- AddThis Button END -->A Fundação Nacional do Índio (Funai) acaba de lançar um site sobre terras indígenas. A novidade é que o portal foi inteiramente construído com tecnologias livres, pela Coordenação Geral de Geoprocessamento (CGGEO) e pela Diretoria de Proteção Territorial (DPT). O intuito dessa nova ferramenta é divulgar os dados e disponibilizar informações das terras indígenas regularizadas [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;">A Fundação Nacional do Índio (Funai) acaba de lançar um site sobre terras indígenas. A novidade é que o portal foi inteiramente construído com tecnologias livres, pela Coordenação Geral de Geoprocessamento (CGGEO) e pela Diretoria de Proteção Territorial (DPT).</p>
<p style="text-align: justify;">O intuito dessa nova ferramenta é divulgar os dados e disponibilizar informações das terras indígenas regularizadas no Brasil, para atender tanto órgãos de assistência e segurança aos povos indígenas, como a Polícia Federal e ONGs, e também ao público em geral.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo o analista de geoprocessamento da CGGEO, Bruno Rebello, a ferramenta também irá facilitar o uso dos dados geográficos por aqueles profissionais que não são especialistas na área. &#8220;Tanto no setor público quanto no mercado, o número de profissionais na área de geoprocessamento é muito restrito, o que dificulta a capacidade de atender a demanda de divulgação e tratamento dos dados geográficos para outras áreas de análise e tomada de decisão&#8221;, explica.<span id="more-24286"></span></p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com Rebello, o uso da tecnologia livre gerou grande economia no setor de geoprocessamento da Funai. &#8220;Seu código-fonte aberto propicia que este seja desenvolvido por programadores voluntários e empresas que reunidos em comunidades alcançam um número de técnicos que é difícil para as empresas de software proprietário reunir. Como passam a ter acesso ao código-fonte dos programas adquiridos, os técnicos do governo podem identificar e corrigir falhas de programação, aperfeiçoar o programa para adaptá-lo as suas necessidades, redistribuir sem restrição de cópias&#8221;, completa Rebello.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Entenda como foi feito o Portal &#8211; </strong>Bruno contou ao <em>Portal MundoGEO</em> os passos que foram seguidos pela CGGEO para a construção do site. Depois de um breve treinamento e uma série de estudos com os técnicos já familiarizados com programas proprietários, o desenvolvimento do site aconteceu da seguinte maneira:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;As bases de dados de terras indígenas foram digitalizadas originalmente em formato DGN. Atualmente, elas são exportadas para o formato shapefile utilizando o gvSIG, onde alguns mapas são elaborados. Para exportar os dados em shapefile para o banco de dados Postgresql, utilizamos o Qgis e a extensão Postgis. Como servidor de mapas web, é utilizado o Mapserver e para publicar os dados na internet utilizamos o i3geo. No Geonetwork publicamos características dos dados geográficos (metadados) disponíveis no i3geo&#8221;, explica o analista de geoprocessamento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Conhe</strong><strong>ç</strong><strong>a os softwares i3Geo, Geonetwork e gvSig &#8211; </strong>O i3geo é um software nacional e conta com sobre de instituições que auxiliam na análise espacial, como a Agência Nacional de Águas, o Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Já o GeoNetwork é a ferramenta recomendada para a implantação da Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (Inde), para carga e gestão de metadados geoespaciais no Brasil, de acordo com Bruno.</p>
<p style="text-align: justify;">Estes softwares possuem o código-fonte aberto, e por isso podem ser utilizados, estudados e modificados, sem restrição de disponibilização e redistribuição. &#8220;Essas três ferramentas interagem com a plataforma de banco de dados Postgresql. O i3Geo busca os dados dentro do Postgresql com o componente espacial PostGIS para criar os mapas online, o gvSIG acessa o serviço WMS do i3geo e também os dados geográficos e tabulares do Postgresql. Além disso, novos dados e informações podem ser criados no gvSIG e exportados para o banco de dados e, finalmente, disponibilizados no i3geo&#8221;, explica Rebello.</p>
<p style="text-align: justify;">Conheça o portal: http://mapas.funai.gov.br/</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=78665</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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		<title>Sedhuc participa de audiência pública que discutiu a realidade das comunidades quilombolas em Sergipe</title>
		<link>http://racismoambiental.net.br/2011/05/sedhuc-participa-de-audiencia-publica-que-discutiu-a-realidade-das-comunidades-quilombolas-em-sergipe/</link>
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		<pubDate>Tue, 10 May 2011 13:47:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo Ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[cultura e tradições]]></category>
		<category><![CDATA[quilombolas]]></category>
		<category><![CDATA[reivindicações]]></category>
		<category><![CDATA[terras indígenas]]></category>

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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><em><strong>Objetivo é fortalecer as comunidades quilombolas em suas lutas e reivindicações e chamar a atenção dos órgãos públicos</strong></em></p>
<div style="text-align: justify;">
<p>Com o objetivo de fortalecer as comunidades quilombolas em suas lutas e reivindicações e chamar a atenção dos órgãos públicos, nas diversas esferas de Governo para efetivação de políticas públicas que garantam a posse da terra, a identidade cultural e a dignidade dos remanescentes de quilombos em Sergipe, foi realizada na manhã desta sexta-feira, 29, no auditório do Sindicato dos Bancários, audiência pública promovida pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos de Sergipe (Mndh/SE) e pelo Comitê Gestor das Comunidades Quilombolas de Sergipe. A audiência reuniu integrantes de dezessete comunidades de remanescentes de quilombos, que puderam relatar a difícil realidade das populações quilombolas locais às autoridades presentes.</p>
<p>Para ouvirem os reclames das comunidades se fizeram presentes Carlos Alberto Júnior, ouvidor da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) da Presidência da República; Bruno Teixeira, ouvidor nacional da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; o Deputado Federal Domingos Dutra (PT/MA), vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados; Carlos Augusto Monteiro, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Sergipe (OAB/SE); Jorge Tadeu Correia, superintendente em Sergipe do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA); a deputada estadual Ana Lúcia Menezes (PT) e o secretário de Estado dos Direitos Humanos e da Cidadania, Iran Barbosa, que na ocasião também representou o governador Marcelo Déda.<span id="more-18483"></span></p>
<p>Participaram também da audiência Maria Normélia de Melo, representante do Comitê Gestor das Comunidades Quilombolas de Sergipe; Paulo Mary, coordenador Nacional das Comunidades Quilombolas de Sergipe (Conac-SE); Carlos Fontenele, do Incra/SE; e Robson Anselmo, do Instituto Braços.</p>
<p>Entre as várias demandas apontadas pelas comunidades quilombolas de Sergipe estão: regularização urgente de suas terras; com contratação de antropólogos pelo Incra para os estudos técnicos de reconhecimento das comunidades remanescentes de quilombo; construção de escolas e contratação de professores quilombolas; programas de saúde para as comunidades, assim como o combate à discriminação no atendimento nas unidades do SUS; estudo técnico para combate à desnutrição infantil; acesso a  recursos hídricos; construção de casas populares; projetos de fomento e fortalecimento da cultura quilombola; financiamentos e projetos de desenvolvimento para as comunidades, combate à discriminação e à violência contra os quilombolas; segurança às lideranças ameaçadas de morte, entre outras reivindicações.</p>
<p><strong>Posições</strong></p>
<p>Para Carlos Alberto Júnior, ouvidor da Seppir, há uma dívida grande de sua secretaria para com as comunidades quilombolas de Sergipe. Para ele, é preciso que o Programa Brasil Quilombola, do Governo Federal, seja efetivado no Estado.</p>
<p>“Isso será reparado, porque é inadmissível que das 17 comunidades já reconhecidas, nenhuma tenha sido ainda certificada. Vamos trabalhar para implementar o quanto antes as políticas necessárias para atender a essas comunidades e atuar de forma efetiva no combate ao racismo contra os quilombolas”, afirmou Alberto Júnior.</p>
<p>Bruno Teixeira, ouvidor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, lembrou que uma equipe da secretaria já esteve em Sergipe e coletou várias denúncias de ameaças a quilombolas e lideranças locais na região do Baixo São Francisco.</p>
<p>Segundo ele, a SNDH estará acompanhando os casos relatados e cobrando das autoridades públicas do Estado ações que dêem efetiva proteção às comunidades e que possam coibir e punir os abusos de quem quer que seja.</p>
<p>“Vamos fiscalizar e a Ouvidoria estará à disposição para receber qualquer denúncia. Para além disso, esperamos poder implantar em Sergipe o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos. Para isso, só dependemos de dotação orçamentária”, ressaltou.</p>
<p>O presidente da seccional Sergipe da OAB, Carlos Augusto Monteiro, colocou a Ordem à disposição da luta quilombola em Sergipe, e lembrou a tradição da OAB na defesa dos direitos humanos. “Podem contar com o nosso empenho efetivo para ver o cumprimento dos direitos dessas comunidades”, disse.</p>
<p>Carlos Fontenele, do Incra, lembrou que o importante é garantir, o quanto antes, a certificação das comunidades quilombolas e combater o processo de repressão que existe quando essas comunidades estão para conseguir a titularização das terras.</p>
<p>“Assim que estão para conseguir, os quilombolas passam a ter muito mais dificuldades de sobrevivência. O que já era difícil torna-se mais difícil ainda, e isso leva muitas vezes ao esmorecimento da luta quilombola. É preciso mostrar que essas comunidades não estão sozinhas, e neste sentido essa audiência ajuda. Mas é preciso para além de garantir o direito a terra, fazer com que as políticas públicas cheguem até as comunidades”, destacou.</p>
<p>A deputada Ana Lúcia lembrou que seu mandato sempre esteve envolvido na luta pela terra, na luta pelo reconhecimento dos quilombos e pelo respeito a suas comunidades. Mas ressaltou que de todas as lutas que acompanha e participa, a do movimento quilombola é a mais difícil. “Porque é onde os donos de terra reagem de forma mais violenta contras as comunidades”, disse.</p>
<p>“E o que está acontecendo hoje aqui, é fruto da organização e da luta de todos vocês, a partir da coragem de homens e mulheres de enfrentar os latifundiários. Graças a essa luta, hoje estamos movimentando forças em todo o Brasil para garantir os direitos quilombolas, e o meu mandato sempre estará à disposição dessa luta”, assegurou a deputada, parabenizando a todos os representantes de órgãos federais e estaduais pela presença na audiência.</p>
<p><strong>Direitos assegurados</strong></p>
<p>O vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, deputado Domingos Dutra, fez questão de ressaltar sua descendência quilombola e lembrou que todo e qualquer cidadão tem direitos assegurados pela Constituição, pelo Estatuto da Igualdade Racial e por leis específicas. “E não pode ser diferente para os quilombolas. Para além do direito à vida, à educação, saúde, e alimentação, nós temos direito a um território, que é diferente de terra. Porque o fazendeiro quer terra para dela só tirar lucro, desmatando, secando rios. Nós queremos um território, que nos garanta o direito de mantermos nossa vida e nossa cultura, preservando as nossas raízes e as nossas crenças”, defendeu.</p>
<p>Dutra destacou ainda que para que os quilombolas consigam assegurar seus direitos, é preciso conquistar a sociedade, os políticos, os governos e o judiciário, sendo este último o mais difícil. “Para isso, precisamos nos organizar e lutar. Porque só ganha quem luta, e aproveitar que temos, aqui em Sergipe e no Governo Federal, governos democráticos. Ter esses governos executivos a nosso favor certamente pode fazer essa luta avançar”, concluiu.</p>
<p>Para o secretário dos Direitos Humanos, Iran Barbosa, os governos e os poderes existem numa democracia para serem forças motoras capazes de transformar a realidade da população. Para Iran, o Governo de Sergipe vive um outro momento, a ponto de garantir, na estrutura de Estado, uma secretaria para lidar com os direitos humanos de forma conjunta e com transversalidade para incidir na política das demais secretarias.</p>
<p>“Entendo que, como ação de governo, a criação da Secretaria dos Direitos Humanos dá uma sinal, o de que precisamos fortalecer e ampliar os compromissos do Estado de Sergipe com as lutas sociais pelos direitos humanos e pela igualdade racial”, disse.</p>
<p>Iran lembrou que sempre teve uma identidade com as lutas quilombolas, desde o tempo de sindicalista. “E quando o governador me convidou, sabia que estava convidando alguém que, dentro do governo, já faz e vai fazer a disputa para que as políticas de igualdade racial tenham efetividade. Estamos inaugurando um novo momento nesta segunda parte do governo Déda, onde estamos implementando ações que se instituem como políticas de Estado, que depois desse governo continuarão existindo, e os movimentos poderão continuar cobrando de quem vier depois a continuidade dessas políticas”, enfatizou.</p>
<p>O secretário assegurou ainda que a Sedhuc será mais um espaço institucional para potencializar as demandas trazidas pelos movimentos sociais. “Não vamos operar diretamente sobre essas demandas, mas seremos a secretaria articuladora e que vai instruir e cobrar das demais secretarias que elas as demandas sejam resolvidas. Esse é o meu compromisso com as comunidades quilombolas. Na nossa secretaria vocês terão voz e espaço”, disse Iran Barbosa.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">http://africas.com.br/site/index.php/archives/11691?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=Feed%3A+com%2FZLVz+%28AFRICAS.com.br%29</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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		<title>Movimentos sociais em Altamira descartam participação no Comitê Gestor do PDRS Xingu</title>
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		<pubDate>Mon, 09 May 2011 15:58:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo Ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[povos indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[terras indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Xingu]]></category>

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<!-- AddThis Button END --><div style="text-align: justify;">Quarenta organizações lançam documento anunciando a não-participação no Comitê Gestor do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu (PDRS) Xingu. A decisão se baseia na negativa do governo de dialogar sobre denúncias de violações e irregularidades no licenciamento da usina, apresentados anteriormente. Publicado em 05 de maio de 2011. Por Xingu Vivo</div>
<p style="text-align: justify;">Movimentos sociais em Altamira, convocados pelo governo a indicar nomes para o Comitê Gestor do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu (PDRS Xingu), não irão compor o comitê e entregam hoje, em Brasília, abaixo-assinado sobre a questão.</p>
<p style="text-align: justify;">“Este órgão nada mais fará do que legitimar as ações autoritárias e ilegais que vem seguidamente se desenvolvendo ao longo de todo processo de Belo Monte”, afirmam as organizações.<span id="more-18400"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O documento, assinado por 40 entidades, foi entregue netsa quinta (5) pela coordenadora do Movimento Xingu Vivo Para Sempre (MXVPS), Antonia Melo, para a ministra Maria do Rosário, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, e para o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.</p>
<p style="text-align: justify;">A carta também será protocolada no gabinete da Presidência, no Ibama, no Ministério do Meio Ambiente e no Tribunal Regional Federal.</p>
<p style="text-align: justify;">Intitulada “Carta Aberta à sociedade e às autoridades públicas sobre o Comitê Gestor”, o documento aponta as contradições que envolveram tanto o processo de formulação do Plano, quanto de convocação do Comitê.</p>
<p style="text-align: justify;">Veja abaixo a íntegra da carta:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Carta aberta à sociedade e às autoridades públicas sobre o Comitê Gestor do PDRS/Xingu</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nós, movimentos sociais e entidades da sociedade civil, abaixo assinados, tornamos pública nossa posição a respeito do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu (PDRS Xingu). Especialmente, sobre a criação e processo de seleção de entidades que participarão de seu Comitê Gestor.</p>
<p style="text-align: justify;">De início, consideramos equivocada a posição da Secretaria-Geral da Presidência da República em encaminhar para o Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVPS) uma convocatória para a seleção de entidades a compor o Comitê, sem que, antes, o Governo respondesse à Carta Aberta à Presidente Dilma Rousseff<strong>, </strong>escrita por um conjunto de organizações que compõem a Aliança dos Rios da Amazônia. Esta carta denuncia a existência de graves equívocos nos processos de planejamento e construção de uma quantidade sem precedentes de grandes hidrelétricas na Amazônia, ao mesmo tempo em que apresenta propostas para superar os problemas identificados.</p>
<p style="text-align: justify;">Este documento foi entregue por lideranças, como o Cacique Raoni, no Palácio do Planalto, no dia 8 de fevereiro de 2011. Na ocasião, o representante da Secretaria-Geral da Presidência da República se comprometeu a encaminhar a carta para a Presidente e dar retorno em breve, como início de processo permanente de dialogo, coisa que jamais foi feita.</p>
<p style="text-align: justify;">O silêncio também ocorre em relação aos argumentos apresentados no documento elaborado pelo Painel de Especialistas, o que delimita bem a estratégia do Estado brasileiro de ignorar os espaços de debate promovidos pelos movimentos sociais e somente convidá-los para participar quando for de interesse próprio e as condições para participação já estejam previamente estabelecidas.</p>
<p style="text-align: justify;">As graves violações de direitos humanos relacionadas à UHE Belo Monte foram alvo de 10 ações judiciais do Ministério Público Federal e de uma representação junto a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA. Esta última teve como resultado a solicitação da paralisação das obras do Complexo, de modo que sejam garantidos os direitos dos povos indígenas de consulta e consentimento livre, prévio e informado, conforme o artigo 231 da Constituição Federal, a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho e a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre esta decisão, a postura do governo foi de negar a existência de irregularidades no licenciamento de Belo Monte, através de uma série de declarações arrogantes, cheias de informações distorcidas, feitas por autoridades do Itamaraty e outros órgãos federais, com ressonância de parlamentares da base aliada ao governo. No dia 26 de abril, o governo respondeu formalmente à OEA, afirmando que todas as solicitações do órgão já foram atendidas, o que demonstra a capacidade do governo federal de continuar mentindo, mesmo no plano internacional.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste contexto se insere o PDRS Xingu. Ele é parte da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), um plano de redução da desigualdade entre as regiões brasileiras e a promoção do desenvolvimento. Contudo, <strong>trata-se de uma política que se pretende “sustentável” para compensar grandes projetos hidrelétricos que produzem desigualdades sociais e degradações</strong> <strong>ambientais</strong> nos locais em que está em disputa para instalação. Esta contradição fica nítida na leitura do próprio decreto do PNDR, mais especificamente no artigo 3º, §6º, que especifica que são áreas de tratamento prioritário as<strong>“consideradas relevantes, a partir de impacto territorial previsível decorrente de investimentos estruturantes”, como da UHE Belo Monte no rio Xingu.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O PDRS foi elaborado pelo governo sem a efetiva participação da sociedade civil da região do Xingu. Cabe lembrar que o governo propõe implementar o Plano de forma sobreposta à parte da área de abrangência do Plano BR-163 Sustentável, uma experiência inovadora construída com forte protagonismo da sociedade civil, lançado em junho de 2006 e logo em seguida abandonado em favor do desenvolvimentismo convencional do PAC.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, o governo federal procura arregimentar movimentos sociais e organizações ambientais para compor o Comitê Gestor do PDRS Xingu. <strong>Este órgão nada mais fará do que legitimar as ações autoritárias e ilegais que vem seguidamente se desenvolvendo ao longo de todo processo de Belo Monte</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">A criação do Comitê Gestor ocorreu também sem a efetiva participação social na definição das diretrizes publicadas no Decreto N. 7.340/2010. É nítida a maneira como o governo pretende centralizá-lo politicamente ao definir, no artigo 6º, §2º do referido decreto, que sua coordenação-geral ficará a cargo apenas das vagas ocupadas pelos representantes do poder público das três esferas, alijando a pretensa paridade que poderia haver em sua composição e mostrando, mais uma vez, que <strong>a sociedade terá a função de apenas legitimar as decisões que serão tomadas pelo próprio governo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, a convocatória indica que “caberá a Secretaria-Geral da Presidência da República fazer a seleção dos 16 nomes que comporão o Comitê Gestor”, <strong>o que entra em contradição com o disposto no decreto de criação do Comitê. Seu artigo 5º, §3º define expressamente que os representantes e suplentes dos movimentos sociais e organizações ambientais “serão indicados de comum acordo pelas entidades representativas dos respectivos segmentos”, condição somente possível de ser alcançada se as entidades tiverem efetiva participação no processo de seleção, e não apenas esperarem passivamente a indicação unilateral da Secretaria-Geral.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sendo assim, informamos à sociedade brasileira e às autoridades públicas que <strong>não participaremos do Comitê Gestor</strong> <strong>do PDRS Xingu</strong>.  Reiteramos a nossa convicção de que a região do rio Xingu, para se desenvolver de maneira sustentável, não precisa de mega-projetos faraônicos e autoritários como UHE Belo Monte. Conforme a nossa carta enviada à Presidente Dilma, ainda sem resposta, o que esperamos do governo é apoio efetivo para iniciativas participativas de desenvolvimento local e regional na bacia do Xingu e de outros rios da Amazônia, voltadas para assegurar a qualidade de vida dos povos indígenas, ribeirinhos, pequenos agricultores, quilombolas e outros grupos do campo e da cidade, com geração de emprego e renda, respeitando a diversidade cultural e ambiental.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Assinam a presente Carta as seguintes entidades:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Movimento Xingu Vivo Para Sempre (MXVPS)<br />
Prelazia do Xingu<br />
Conselho Indigenista Missionário (CIMI)<br />
Comissão Pastoral da Terra (CPT)<br />
Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade do Estado do Pará (MMCC)<br />
Movimento e Mulheres Trabalhadoras de Altamira do Campo e Cidade (MMTACC)<br />
Movimento de Mulheres do Município de Placas (PA)<br />
Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal do Pará (Sintsep-PA)<br />
Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará – Subsede Altamira (Sintepp-PA)<br />
Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará – Regional Transamazônica e Xingu (Sintepp-PA)<br />
Associação do Povo Indígena Juruna do Km 17<br />
Associação dos Agricultores Ribeirinhos do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Itatá<br />
Associação dos Moradores da Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio<br />
Associação dos Moradores da Reserva Extrativista do Médio Xingu<br />
Associação de Pais e Mestres Instituto Maria de Mathias<br />
Associação de Mulheres de Altamira e Região (AMAR)<br />
Associação Pró-Moradia do Parque Ipê<br />
Associação dos Agricultores da Volta Grande do Xingu (Agrivox)<br />
Associação Rádio Comunitária Nativa<br />
Associação dos Agricultores e Ribeirinhos do PDS Tatá (AARPI)<br />
Associação dos Padres da Regional Xingu (APREX)<br />
Associação de Cultura Franciscana (ACF)<br />
Associação Franciscana (ASIRFRA-PCC)<br />
Associação da Rádio Comunitária de Altamira (ARCA)<br />
Associação de Mulheres do Pacajá (Asmup)<br />
Mutirão Pela Cidadania<br />
Fundação Tocaia<br />
União da Juventude Organizada do Xingu (UJOX)<br />
Comitê em Defesa da Vida das Crianças Altamirenses<br />
Movimento dos Pescadores de Altamira e Região do Xingu<br />
Centro de Formação do Negro e da Negra da Transamazônica Xingu (CFNTX)<br />
Centro Infantil do Bairro de Brasília<br />
Grupo Flor da Juventude<br />
Grupo de Mulheres do Bairro de Boa Esperança<br />
Grupo de Moradores do Bairro Sossego<br />
Grupo SOS Vida<br />
Grupo de Moradores da Vila Rica da Volta Grande do Xingu<br />
Verdiama propagação e Cultura<br />
CRB Núcleo Xingu<br />
Comissão Verbitas Jupic</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.xinguvivo.org.br/2011/05/05/movimentos-sociais-de-altamira-descartam-participacao-no-comite-gestor-do-pdrs-xingu/">http://www.xinguvivo.org.br/2011/05/05/movimentos-sociais-de-altamira-descartam-participacao-no-comite-gestor-do-pdrs-xingu/</a></p>
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		<title>Começa hoje o 8º Acampamento Terra Livre</title>
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		<pubDate>Mon, 02 May 2011 13:49:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Racismo Ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[direito à vida digna]]></category>
		<category><![CDATA[direitos indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[povos indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[terras indígenas]]></category>

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<!-- AddThis Button END -->Maior mobilização Indígena do Brasil retorna à capital federal A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) reúne em Brasília, entre os dias 2 e 5 de maio, mais de 800 lideranças na maior mobilização indígena do país, o Acampamento Terra Livre (ATL). Durante uma semana, representantes dos mais de 230 Povos Indígenas existentes, vindos [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;"><em><strong>Maior mobilização Indígena do Brasil retorna à capital federal</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) reúne em Brasília, entre os dias 2 e 5 de maio, mais de 800 lideranças na maior mobilização indígena do país, o Acampamento Terra Livre (ATL). Durante uma semana, representantes dos mais de 230 Povos Indígenas existentes, vindos de todos os cantos do Brasil, transformam a Esplanada dos Ministérios em uma grande aldeia. Em sua oitava edição, o ATL já se consolidou como um espaço privilegiado para troca de experiências, discussão de problemas e a proposição de soluções e novas perspectivas para o Movimento Indígena. É também o momento de um diálogo franco e aberto com a sociedade e o Governo Federal, a quem as lideranças apresentam as suas principais reivindicações relacionadas com o respeito aos direitos indígenas.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-17893"></span><br />
<strong>Entrevista Coletiva</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Para apresentar a programação e fazer um balanço preliminar da situação dos direitos indígenas, haverá uma entrevista coletiva à imprensa, no dia 2 de maio, na tenda da Plenária do evento, às 10h00. Estarão presentes dirigentes das organizações indígenas regionais que integram a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e membros do Fórum em Defesa dos Direitos Indígenas (FDDI), entidade composta por organizações indígenas e entidades indigenistas, tais como Cimi, Inesc e Anai. O ATL 2011 é uma realização da APIB em parceria com o FDDI e com o apoio da Embaixada Real da Noruega.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Objetivos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Este ano, o objetivo principal do evento é debater o quadro de violação dos direitos indígenas instalado no país e reivindicar do governo compromissos concretos para a superação dessa situação. Os debates em plenário e nos grupos de trabalho temáticos abordarão temas como direito à terra (demarcação, desintrusão, criminalização de lideranças e judicialização dos processos); consentimento prévio e grandes empreendimentos em Terras Indígenas (hidrelétricas, mineração, usinas nucleares e outros); saúde (implementação da Secretaria Especial de Saúde indígena); educação diferenciada, e articulações para aprovação no Congresso Nacional do novo Estatuto dos Povos Indígenas e do projeto que cria o Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI). Tratarão ainda da assinatura e publicação pelo Executivo do decreto do Plano Nacional de Gestão Ambiental em Terras Indígenas (PNGATI).</p>
<p style="text-align: justify;">No último dia 19 de abril, a APIB encaminhou à Presidente Dilma uma carta pública que apresenta uma série reivindicações que serão retomadas durante o ATL. Clique aqui para ler o texto da carta.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia 4, o ATL reserva tempo para as articulações no Congresso, onde estão programadas audiências públicas, e a recepção a parlamentares, no local do acampamento, para debate com as lideranças. Também está prevista para a quinta-feira, dia 5, audiência com a Presidente Dilma e demais autoridades federais. No período da tarde, por volta das 16 horas, um ato público encerra o encontro.<br />
Serviço</p>
<p style="text-align: justify;">O que: Acampamento Terra Livre 2011</p>
<p style="text-align: justify;">Quando: 2 a 5 de maio</p>
<p style="text-align: justify;">Onde : Esplanada dos Ministérios, Brasília, Distrito Federal</p>
<p style="text-align: justify;">Entrevista Coletiva :  dia 2 de maio,  às 10hs na Tenda Principal/Plenário</p>
<p style="text-align: justify;">Informações: Cleymenne Cerqueira (Cimi) – (61) 9979-7059 e Gustavo Macêdo (APIB) &#8211; (61) 81612500 / 30435070</p>
<p style="text-align: justify;">Email: imprensa@cimi.org.br e ascomapib@gmail.com</p>
<p style="text-align: justify;">http://www.cimi.org.br/?system=news&amp;action=read&amp;id=5506&amp;eid=411</p>
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		<title>2009: demarcação zero! E continua o processo genocida em Mato Grosso do Sul</title>
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		<comments>http://racismoambiental.net.br/2009/12/demarcacao-zero/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 15:24:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>racismoambiental</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[demarcações]]></category>
		<category><![CDATA[povos indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[terras indígenas]]></category>

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<!-- AddThis Button END -->Roberto Antonio Liebgott * Adital - O ano de 2009 vai terminando e os povos indígenas no Brasil não têm motivos para comemorações. A rigor, o único acontecimento significativo foi a conclusão do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da ação que pedia a revogação do decreto de homologação da terra Raposa Serra do Sol [...]]]></description>
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<!-- AddThis Button END --><p style="text-align: justify;">Roberto Antonio Liebgott *</p>
<p>Adital -</p>
<p style="text-align: justify;">O ano de 2009 vai terminando e os povos indígenas no Brasil não têm motivos para comemorações. A rigor, o único acontecimento significativo foi a conclusão do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da ação que pedia a revogação do decreto de homologação da terra Raposa Serra do Sol em área contínua. No entanto, mesmo a decisão da Suprema Corte, que julgou pela manutenção da homologação, não deve ser euforicamente comemorada, uma vez que, os ministros estabeleceram condicionantes às futuras demarcações de terras. Ao julgar este caso em particular, o STF introduziu condições a serem observadas nos procedimentos demarcatório, estabelecendo, assim, novos obstáculos às garantias constitucionais dos povos indígenas.<span id="more-213"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Não bastassem as referidas condicionantes, a União deixou de cumprir com suas responsabilidades concernentes à execução de ações e de serviços destinados aos povos indígenas. Vale ressaltar que é competência da União demarcar as terras, fiscalizá-las e protegê-las, bem como executar políticas adequadas de assistência em saúde, educação e atividades produtivas. Para esses serviços a União dispõe de estruturas administrativas como a Funai, vinculada ao Ministério da Justiça; a Funasa, ligada ao Ministério da Saúde e setores dos ministérios da Educação e Desenvolvimento Agrário. Contudo, pela falta de planejamento, de interação entre os diferentes setores da administração pública federal e por haver ainda uma estrutura física obsoleta, a política em curso é inadequada e incompatível com a realidade dos povos e comunidades indígenas. Agrava-se ainda mais esta situação quando o governo federal passa a tratar a questão indígena como um entrave ao seu programa de desenvolvimento.</p>
<p style="text-align: justify;">No âmbito do Congresso Nacional coabitam as principais forças políticas e econômicas do país articuladas contra as demarcações de terras. Nele são gerados projetos de emendas à Constituição Federal com o intento de modificar o Art. 231 e, com isso, impedir que os povos indígenas tenham amparo constitucional nas lutas pela demarcação de suas terras. Os parlamentares apresentam, também, propostas legislativas para viabilizar a exploração das terras e de seus recursos ambientais e minerais, além de projetos para que sejam expedidos decretos legislativos suspendendo os efeitos de portarias do Ministério da Justiça, como uma estratégia para impedir ou retardar procedimentos demarcatórios. Estas iniciativas são, na maioria dos casos, inconstitucionais, no entanto elas acabam por tumultuar os debates em torno dos interesses indígenas e geram uma predisposição contrária ao tema.</p>
<p style="text-align: justify;">As pressões geradas no Congresso Nacional influenciam o Poder Executivo, impedindo que sejam tomadas providências no sentido de resguardar os direitos indígenas. Influenciam ainda o Poder Judiciário, que deveria se distanciar destas disputas, mas acaba assimilando as pressões e, na maioria das vezes, tomando partido dos segmentos econômicos e privados. Conforme destaca Boaventura de Souza Santos, em recente artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, o Judiciário, que deveria &#8220;zelar pela sua independência&#8221;, em muitos casos passa a respaldar &#8220;demandas das elites político-econômicas e judiciais&#8221;. Longe de ser um fato isolado, ele observa que está em curso em vários países latino-americanos &#8220;um ativismo judiciário conservador que consiste em neutralizar, por via judicial, muito dos avanços democráticos que foram conquistados ao longo das duas últimas décadas pela via política, quase sempre a partir de novas Constituições&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, no balanço deste final de 2009, a análise aponta para os obstáculos impostos pelas três mais importantes estruturas do Estado: o Poder Executivo que cede às pressões oriundas de poderosos grupos econômicos (empreiteiras, mineradoras, fazendeiros, madeireiros, transnacionais das energias), bem como de parlamentares e de militares inviabilizando com isso, a efetiva aplicação dos direitos indígenas; o Poder Legislativo, que se tornou (não a casa do povo como deveria ser) o espaço prioritário para articulação de ações anti-indígenas e, por fim, o Poder Judiciário que tem sido contagiado pelas disputas econômicas, políticas e passa a interpretar a Constituição Federal com a intenção de agradar e/ou acomodar interesses privados, percorrendo com isso um caminho perigoso, porque quase extrapola os limites de suas funções.</p>
<p style="text-align: justify;">A conjunção das forças contrárias aos índios impõe as barreiras e delimita até onde o governo federal pode seguir com sua política indigenista. E, ao que tudo indica o presidente Lula, fiel aos limites impostos, estabeleceu uma meta para o ano que finda: 2009: demarcação zero! De fato, o ano termina sem que nenhuma terra tenha sido homologada ou registrada. Ao contrário daqueles que alegam que os procedimentos demarcatórios das terras indígenas estão quase concluídos, o Cimi insiste em afirmar que, das 988 terras indígenas, apenas 366 foram totalmente regularizadas, ou seja, estão registradas no Serviço de Patrimônio da União (SPU). As demais, 620, não tiveram seus procedimentos demarcatórios finalizados e, destas, 323 ainda estão sem qualquer tipo de providência administrativa.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Mato Grosso do Sul foi gerada uma verdadeira guerra contra os povos Guarani-Kaiowá e Terena que lutam pela demarcação de porções de terras dentro de seus territórios tradicionais, hoje ocupados por fazendas e canaviais. Diante de um quadro aterrador de violências e de preconceitos, o governo federal se omite, possibilitando que se estabeleça um processo genocida contra os indígenas. Entre os anos de 2005 e 2008, somente neste estado, 151 indígenas foram assassinados. Dados ainda parciais do Cimi mostram que em 2009 este Estado continuou sendo o mais violento, registrando 27 assassinatos dos 54 ocorridos no território nacional, o que corresponde a 50% das ocorrências. Além disso, nos últimos meses quatro acampamentos indígenas foram atacados e incendiados por milícias armadas. Em cada um dos ataques muitos indígenas acabaram feridos ou mortos.</p>
<p style="text-align: justify;">O Governo Federal não foi capaz de garantir nem mesmo a proteção e segurança dos Grupos de Trabalho (GTs) criados pela Funai em 2008 para proceder estudos de identificação e delimitação de terras dos Guarani-Kaiowá. Somente em dezembro, depois que organismos internacionais e entidades de direitos humanos, tal como a Anistia Internacional, realizaram inúmeras manifestações exigindo providências do governo federal no combate às violências, foi que os GTs retornaram aos trabalhos com a proteção da Força Nacional de Segurança.</p>
<p style="text-align: justify;">No âmbito da política de assistência, o ano de 2009 não foi nada animador. Desde o final de 2008 houve a promessa de que seria criada a Secretaria de Atenção Especial à Saúde Indígena e que os Distritos Sanitários Especiais teriam autonomia administrativa e financeira e, portanto, a proposta de um subsistema seria efetivamente colocada em funcionamento. Nada aconteceu. A Funasa permanece como responsável pela execução dos serviços de saúde, no entanto está desgastada devido às denúncias de desvios de recursos financeiros. Além disso, sofre em função do uso político que dela se faz, uma vez que, nas barganhas e disputas por cargos públicos, a Fundação foi entregue ao PMDB.</p>
<p style="text-align: justify;">No tocante à educação escolar indígena pode-se dizer que o quadro é vexatório. As denúncias de abandono e precariedade das escolas existentes e a falta de empenho da maioria dos estados e municípios em criar estruturas adequadas conduziram a um inevitável processo de reorganização da oferta de educação escolar indígena . Nesta direção, foi articulada uma Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena, mas este espaço de discussão e proposição foi convertido em um evento pró-forma. Enormes cifras do dinheiro público foram gastas para referendar uma proposta que estava decidida antes mesmo da realização das Conferências locais e regionais. Prova disto é que o decreto de criação dos &#8220;Territórios Etnoeducacionais&#8221; foi expedido no mês de maio, antes mesmo de serem realizados todos encontros preparatórios previstos. Os povos indígenas foram obrigados a aceitar a criação de um modelo de educação escolar que não ajudaram a formular e que, na prática, limita sua participação ao controle social, não alterando a lógica do modelo existente.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, é importante mencionar que, embora fragilizado, o movimento indígena exigiu mudanças na política, através de mobilizações nacionais (Terra Livre), regionais e locais. A CNPI (Comissão Nacional de Política Indigenista), por exemplo, insistiu em colocar na pauta das discussões as grandes demandas indígenas, tal como a aprovação de um novo Estatuto dos Povos Indígenas. No entanto, o governo federal não demonstrou interesse pela proposta dos índios, entregue à Câmara dos Deputados, e esta chegou a ser considerada &#8220;muito radical&#8221; pela Casa Civil.</p>
<p style="text-align: justify;">O balanço da política indigenista demonstra que o atual governo não considera prioritários os interesses dos povos indígenas. Por esta razão os direitos destes povos acabam sendo negociados e desconsiderados em âmbito nacional. Ainda que alguns mais otimistas considerem as cifras gastas em seminários, fóruns, oficinas, por exemplo, um sinal do compromisso do governo com a causa indígena, objetivamente estes investimentos estão longe de garantir uma política adequada e eficaz.</p>
<p style="text-align: justify;">Concretamente, nada mudou em 2009. Como consequência, as agressões contra as comunidades e lideranças indígenas são cotidianamente estimuladas por representantes do latifúndio, do agronegócio e por políticos. Nas disputas pela &#8220;propriedade privada&#8221; as práticas de violência acabam sendo naturalizadas. As reações e os discursos proferidos por autoridades e fazendeiros em Mato Grosso do Sul confirmam esta absurda realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora integrantes do governo federal (Ministério da Justiça, Funai, Presidência da República) continuem afirmando que cumprirão com suas obrigações constitucionais no tocante aos direitos indígenas, na prática priorizam as articulações para atender a base de sustentação política e para assegurar que o programa de &#8220;desenvolvimento&#8221; seja fielmente cumprido. Afinal, em 2010, haverá eleições. E nas disputas pelo poder político os povos indígenas representam um estorvo.</p>
<p style="text-align: justify;">Porto Alegre (RS), 07 de dezembro de 2009.</p>
<p style="text-align: justify;">* Vice-Presidente do Cimi.</p>
<p style="text-align: justify;">Publicado originalmente pela Adital em <a href="http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&amp;cod=43626" target="_blank">http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&amp;cod=43626</a></p>
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