Posts tagged: transposição do São Francisco

Dilma diz que obra do Rio São Francisco foi subestimada

Yara Aquino – Repórter da Agência Brasil 

A presidenta Dilma Rousseff disse que as obras de integração do Rio São Francisco foram mal calculadas, porque é complexa e exige um tempo de maturação. A presidenta admitiu  que não é possível negar que houve atraso. Ao longo do dia, ela visitou obras do São Francisco na Paraíba, no Ceará e em Pernambuco.

“Eu acho que houve uma subestimação da obra. Vocês vejam que tem cinco anos. Eu não acredito que uma obra dessa em outro lugar do mundo leve dois anos para ser feita. Nem tampouco um ano, nem tampouco três. Ela é uma obra bastante sofisticada. Ela implica tempo de maturação”, disse.

Dilma admitiu atraso na obra. “Eu não estou negando que houve atrasos. Houve atrasos, porque, também, eu acho que se superestimou muito a velocidade que ela poderia ter, minimizando a sua complexidade. Tem esse lado também”, disse em entrevista a jornalistas em Jati, no Ceará. Continue lendo… 'Dilma diz que obra do Rio São Francisco foi subestimada'»

PE – Indígenas interditam BR-843 na visita de Dilma a Cabrobó

O líder Yssô Truká “pediu postura e respeito do governo em relação à comunidade indígena” e defendeu que o Brasil seja passado a limpo
Angela Lacerda, do Estadão

Protestos com interdição da BR-843 marcaram a visita da presidente Dilma Rousseff ao município de Cabrobó (PE), a 580 quilômetros de Recife, onde ela vistoriou obras de transposição do Rio São Francisco.

A presidente nada viu durante a sua rápida passagem de 25 minutos pelo local. Não fez discursos nem deu entrevista. Limitou-se a tirar fotos com alguns operários da obra.

O líder Yssô Truká, indignado, comandou uma dança Toré, de protesto, no quilômetro 27 da BR-843, a cerca de 3 quilômetros do local visitado pela presidente.

Ele “pediu postura e respeito do governo em relação à comunidade indígena” e defendeu que o Brasil seja passado a limpo.

“O poder judiciário deveria meter todo mundo na cadeia, inclusive a presidente Dilma. Quem cala consente.”

Contrário à transposição do São Francisco desde o seu anúncio, ele defende “políticas públicas que realmente ajudem o povo. A transposição só atende o agronegócio e os barões. Fomos traídos pelos governos Lula e Dilma. Os indígenas estão sendo massacrados pelas ações do governo federal”.

Para ele, “nenhum dos candidatos à Presidência merece crédito”. Continue lendo… 'PE – Indígenas interditam BR-843 na visita de Dilma a Cabrobó'»

Cinismo de mau gosto

enio silva

Enio Silva da Costa, ribeirinho

Enio Silva da Costa, no Blog do Geraldo José

Nos causa estranheza a notícia divulgada pela Codevasf, de que no dia 07/04/14 estará acontecendo um workshop na cidade de Petrolina, para debater a hidrovia no rio São Francisco, o texto divulgado em momento algum fala de projetos de revitalização do rio. Gostaria de estar lá para perguntar ao sr. Elmo Vaz (presidente da Codevasf) em que rio ele quer navegar? Ou com qual embarcação? Pois no rio São Francisco sem um projeto de revitalização e recuperação de todo o seu leito não existe possibilidade alguma de se retornar os grandes momentos da navegação do São Francisco. A navegação de pequenas embarcações já está comprometida. Outro dia navegando com uma pequena embarcação por diversas vezes encalhamos.

E a Codevasf tem imensas responsabilidades sobre tudo que vem acontecendo ao rio são Francisco, e para aumentar essa responsabilidade a presidente Dilma baixou decreto definindo a Codesvasf como operadora oficial do sistema de gestão do Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional (PISF). O decreto presidencial número 8.207, de 14/03/14, publicado no Diário Oficial da União. Ou seja, a Codevasf agora é responsável por emitir o atestado de óbito do rio.

Sem os cuidados com os afluentes não há o que se pensar sobre a perenidade do rio, vários afluentes estão morrendo, a exemplo do rio Salitre, em baixo do nariz da Codevasf, e nada foi feito para a recuperação e cuidados com o mesmo. E que hoje passa a ser confluente do rio, na perspectiva de atender ao agronegócio, enquanto a população bebe água de cisterna tratada com pastilhas de cloro. E sempre foi assim, a Codevasf tem objetivos e interesses claros com o agronegócio, e para eles que desenvolve os grandes projetos de irrigação, e vai ser para eles que irá administrar o malfadado projeto de transposição. Continue lendo… 'Cinismo de mau gosto'»

Central de captação de água é instalada, mas não funciona em SE

CBN Foz

Moradores de cinco povoados do município de Poço Redondo, região do Alto Sertão de Sergipe, continuam sem ter água encanada nas suas casas, apesar de morarem às margens do Rio São Francisco. No povoado Todos Iguais, cerca de 200 famílias nunca tiveram abastecimento de água potável. Inclusive algumas residências têm até torneiras.

A solução estava por vir com a instalação de reservatórios e uma estação de tratamentos para captação de água que foi construído a cerca de dois anos para atender uma média de 2 mil famílias, mas a estrutura nunca funcionou. O mato tomou conta dos reservatórios e no ponto onde a água devia ser captada a ferrugem predomina.

A obra custou mais de um milhão, oriundos do Projeto Água Para Todos, do Governo Federal.  Companhia do Vale do São Francisco explicou o não funcionamento da central de captação e admitiu o atraso de um ano na integra devido a falta da rede elétrica.

“A Energisa apresentou um orçamento que nós não concordamos e somente agora, em janeiro do corrente ano, houve um entendimento por parte da Energisa aceitando aqueles recursos que foram depositados pela Codevasf”, [disse o] superintendente da Codevasf, Paulo Viana.

A garantia é que agora a água chegue às casas até meados de abril. E a Energisa disse que somente recebeu o pagamento no mês passado, e que a sua parte será concluída até o início de abril.

Organização popular no Vale do Salitre: População lança Carta Política para órgãos públicos e sociedade

Foto: TV Salitre

Foto: TV Salitre

Por Gisele Ramos*, em  APSFV

O Vale do Salitre, no submédio São Francisco, é uma região conhecida pelos conflitos em relação ao acesso à água e a terra, mas essa nem sempre foi a realidade do povo salitreiro. Antes da chegada dos grandes produtores que se apossaram das terras indevidamente e nelas desenvolveram os projetos de irrigação, no rio Salitre corria água o ano todo, o que possibilitava prática da agricultura familiar agroecológica. Para discutir toda essa transformação sociocultural que se reflete no atual modelo de desenvolvimento agrário, a comunidade da Alfavaca sediou no dia 16 de março o seminário, Salitre: De onde viemos? Para onde vamos?.

O evento contou com a participação de aproximadamente 20 comunidades do Salitre, representantes da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF), Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Comitês de Bacia Hidrográfica do São Francisco e do Salitre, Câmara de Vereadores, órgãos públicos e sociedade civil. O evento foi pensado para reunir o povo salitreiro com o objetivo de refletir a realidade atual do Vale do Salitre a partir das histórias de vida e luta das comunidades.

Após a entrega da Arca das Letras e inauguração do Núcleo de Leitura D. José Rodrigues, projetos comunitários de incentivo à leitura, a salitreira Érica Daiane Costa, membro da Articulação São Francisco Vivo, fez uma abordagem histórica das políticas, projetos e programas públicos voltados para as comunidades do Vale. O Projeto Salitre, por exemplo, com uma área irrigável estimada de 31.305 hectares, foi apresentado pelo governo como um investimento em infraestrutura para garantir a agricultura irrigada e, desta forma, alcançar uma melhor qualidade de vida. “Esta, porém, não é a realidade que estamos acompanhando. Dos 255 lotes previstos no projeto, apenas onze são de moradores nativos do Salitre; quanto os outros, não sabemos de quem são e de onde vieram”, comentou. Continue lendo… 'Organização popular no Vale do Salitre: População lança Carta Política para órgãos públicos e sociedade'»

A gestão dos recursos hídricos, um problema constante

“A gestão dos recursos hídricos no País é um problema frequente e não pontual. O que pouco se fala é que, apesar de o Brasil ser privilegiado na disponibilidade desses recursos – o volume de água doce representa 12% da disponibilidade do planeta – a distribuição é desigual. Segundo levantamento do Ministério do Meio Ambiente, 68% dela está na região Norte, onde vivem apenas 8,5% da população”, afirma Martim Afonso Penna, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor), em artigo publicado por Envolverde. Eis o artigo

IHU On-Line – Diante de uma possível crise no abastecimento, o tema água virou uma constante nas rodas de discussões. Como sempre, a preocupação com o assunto aparece quando o risco do racionamento surge. Talvez por estar ao alcance da mão, basta girar a torneira e ela aparece, na maior parte do tempo, a questão da água é invariavelmente ignorada tanto pela população quanto pelos agentes públicos, e dificilmente notamos que a disponibilidade dela no Brasil é mais crítica do que geralmente aparenta.

A gestão dos recursos hídricos no País é um problema frequente e não pontual. O que pouco se fala é que, apesar de o Brasil ser privilegiado na disponibilidade desses recursos – o volume de água doce representa 12% da disponibilidade do planeta – a distribuição é desigual. Segundo levantamento do Ministério do Meio Ambiente, 68% dela está na região Norte, onde vivem apenas 8,5% da população.

Na outra ponta está o Nordeste, que possui a menor disponibilidade hídrica do País: 3%. O Centro-Oeste possui 16%; o Sul, 7%; e o Sudeste, que concentra 42% da população brasileira, dispõe de apenas 6%. Ou seja, em algumas regiões o potencial hídrico é grande enquanto em outras há falta de água. Continue lendo… 'A gestão dos recursos hídricos, um problema constante'»

A relação dos povos indígenas com as terras, florestas e águas do vale do Rio São Francisco

Meninas do povo Pipipan

Meninas do povo Pipipan

Terras sagradas 

Por Renata Bessi, especial para a Repórter Brasil

Cabrobró (PE) e Floresta (PE) – “Você pode mudar da sua casa para outra facilmente.  Mas os Truká e qualquer outro povo indígena não têm como levar seus encantados dentro de carro, de canoa ou guardar dentro de uma casa, porque eles estão lá na terra, na mata, na natureza”.  Foi assim que o cacique do povo Truká, Aurivan dos Santos Barros, o Neguinho Truká, explicou a relação de seu povo com a terra durante audiência para demarcação de seu território.  Questionado por um procurador de Pernambuco, que sugeriu como solução do impasse territorial a possibilidade de os indígenas mudaram-se para outras terras, ele falou sobre a relação sagrada entre o território e todos os elementos que o compõem, como rios, riachos, lameiros, barreiros, baixios, morros, serras.

“Eles estão lá e se a gente perder um território eles vão permanecer lá mesmo assim.  E se a gente for para qualquer outro lugar, vamos ter uma história para contar e não uma história para vivenciar.  Eles estão ali no nosso território… os encantados não são algo que se transporta como um sofá ou uma geladeira, porque eles ficam no espaço que é deles.”

O povo Truká, com sua maneira própria de construir sociabilidade e significar o mundo, vive na Ilha de Assunção, nas águas do rio São Francisco, em Cabrobó, sertão de Pernambuco, a 590 quilômetros de Recife.  A ilha é composta por 25 aldeias que levam nomes de pássaros, árvores, flores, sementes.  Até agora os indígenas conseguiram a demarcação de parte das suas terras.  Estão em processo do que chamam de retomada do seu território.   Continue lendo… 'A relação dos povos indígenas com as terras, florestas e águas do vale do Rio São Francisco'»

Especial Repórter Brasil: Transposição do São Francisco ameaça terras indígenas

Meninas do povo Pipipan

Meninas do povo Pipipan

Povos Truká e Pipipan sofrem impactos das obras e temem ver terras alagadas antes de demarcação oficial

Por Renata Bessi, especial para Repórter Brasil

Cabrobró (PE) e Floresta (PE) - Fincados na caatinga do semiárido pernambucano, em terras secas por onde andou o cangaceiro Lampião, estão os povos indígenas Truká e Pipipan. Vivem nas proximidades do Rio São Francisco, respectivamente nas cidades de Cabrobó e Floresta, distantes 94 quilômetros uma da outra e a cerca de 600 quilômetros da capital Recife. Não faltam a eles características em comum. Habitam terras herdeiras da violência do cangaço, vivem a pior seca dos últimos 50 anos, viram seu chão sendo submerso pela represa de Itaparica em fins da década de 1980, estão no chamado polígono da maconha com inúmeros conflitos agrários, e são vizinhos de Itacuruba, cidade para a qual o governo federal guarda projeto de construção de uma usina nuclear.

Em comum possuem também a ameaça à demarcação de suas terras, principal bandeira de reivindicação dos indígenas, pelas obras da transposição do São Francisco, uma das maiores obras de infraestrutura do governo federal. As duas tomadas de águas do rio, que serão levadas por dois canais sertão adentro, estão sendo construídas em territórios reivindicados pelos Truká e Pipipan em Cabrobó e Floresta.

Por um mês, a reportagem percorreu terras do sertão de Pernambuco e apurou questões enfrentadas por esses povos, como o conflito de terras e pela água, grileiros, desmatamento, problemas agravados com as obras da transposição. Clique nos links abaixo para navegar por esta reportagem especial. Continue lendo… 'Especial Repórter Brasil: Transposição do São Francisco ameaça terras indígenas'»

Programação feita por Ricardo Álvares, utilizando uma versão modificada do tema Panorama, criado por Themocracy.