Posts tagged: transposição do São Francisco

Desafios da transposição vão da burocracia à preservação ambiental

transposiçao canteiroEm 2007, o governo federal lançou os editais de licitação para as obras da transposição do rio São Francisco, cujo prazo inicial para conclusão era 2010.

Maurício Moraes, BBC Brasil

No ano seguinte, em 2008, as construtoras já estavam nos canteiros. Mas, por diversos motivos, a empreitada logo se mostrou mais complexa que o esperado, fazendo com o governo tivesse de renegociar todos os contratos, atrasando as obras – que até agora não terminaram.

Entre 2010 e 2011, uma das construtoras rompeu o contrato e abandonou o projeto. Para garantir sua continuidade, o governo teve de refazer o plano de gestão das obras, estabelecendo uma série de metas e estágios, o que levou às mudanças contratuais das demais empresas envolvidas.

Uma das razões admitidas pelo próprio governo para fazer essas mudanças foi que “as licitações iniciais foram todas realizadas em cima de projetos básicos”, e não a partir de projetos executivos detalhados, segundo explicou Frederico Meira, Coordenador Geral de Acompanhamento e Fiscalização de Obras do Ministério da Integração Nacional. Continue lendo… 'Desafios da transposição vão da burocracia à preservação ambiental'»

Transposição do São Francisco corre o risco de ficar para 2016

Frederico Meira diz que prazo de 2015 depende de condições climáticas (BBC Brasil)

Frederico Meira diz que prazo de 2015 depende de condições climáticas (BBC Brasil)

Um representante do Ministério da Integração Nacional admitiu à BBC Brasil que existe a possibilidade que a obra de transposição do rio São Francisco, cuja previsão de conclusão é de até 2015, só termine em 2016.

Maurício Moraes, BBC Brasil

Frederico Meira, Coordenador Geral de Acompanhamento e Fiscalização de Obras do Ministério da Integração Nacional, fez a afirmação em Salgueiro, cidade no sertão pernambucano, durante a realização de uma série de reportagens sobre a obra.

Meira disse que o prazo de conclusão para dezembro de 2015 é “factível e real”, mas admite que pode haver mais atrasos.

“Vamos dizer que a gente tenha um nível de chuva, como que a gente teve neste ano, no próximo ano. Se a gente mantiver, certamente compromete o ritmo da obra”, disse.

Questionado se as obras poderiam então se arrastar para 2016, reconheceu o risco.

“Pode acontecer, mas num intervalo pequeno de um, dois ou três meses, não mais do que isso. Mas infelizmente pode acontecer”, afirmou. Continue lendo… 'Transposição do São Francisco corre o risco de ficar para 2016'»

Distribuição da água após concluída a transposição ainda gera dúvidas

Seu Panda quer irrigar o plantio, mas terá de pedir autorização para a Agência Nacional de Águas (BBC)

Seu Panda quer irrigar o plantio, mas terá de pedir autorização para a Agência Nacional de Águas (BBC)

A obra de transposição do rio São Francisco, que a União promete entregar até 2015, deve permitir que a água do rio atravesse centenas de quilômetros, levando-a a reservatórios no sertão nordestino.

Maurício Moraes, BBC Brasil

Segundo o governo, o objetivo maior da transposição é a perenidade do abastecimento mesmo durante a seca. Os canais em construção pela União devem ter 13 grandes “portais”, que serão os pontos por onde a água será transferida para 23 açudes já existentes, além de 27 novas represas.

O grande desafio, no entanto, é o que vem a seguir – a distribuição da água recebida pelos estados beneficiados, que terão a tarefa de fazer essa água chegar às torneiras dos cidadãos. Continue lendo… 'Distribuição da água após concluída a transposição ainda gera dúvidas'»

Transposição já é realidade para comunidades afetadas

transposição salgueiroMaurício Moraes, BBC Brasil

A água ainda não correu pelos canais da transposição do rio São Francisco, mas já transformou a vida de pelo 850 famílias, que deixaram ou estão por deixar suas casas no sertão nordestino.

O padre Sebastião Gonçalves, da Comissão Pastoral da Terra, costuma percorrer de motocicleta várias comunidades na zona dos canais. Segundo ele, é possível ver um impacto generalizado por onde passa a obra, mas, até o momento o maior legado do projeto é o “conflito”.

“No início dos trabalhos da obra havia uma credibilidade muito grande. O sertanejo nesta terra semiárida acolheu (a transposição) com uma esperança muito grande. Mas com as perdas (…) hoje o sertanejo está com o pé atrás”, disse, em frente a sua paróquia em Carnaubeira da Penha (PE). Continue lendo… 'Transposição já é realidade para comunidades afetadas'»

Meio ambiente para todos?

Crianças da comunidade quilombola Brejo dos Crioulos (MG): herança africana | Foto: João R. Ripper / Arquivo Asacom

Crianças da comunidade quilombola Brejo dos Crioulos (MG): herança africana | Foto: João R. Ripper / Arquivo Asacom

A falta de políticas públicas e a sobrexploração de recursos naturais no Semiárido atinge principalmente a maioria da população, de origem africana e indígena

Ronaldo Eli-ASACom

O Semiárido Brasileiro é visto, desde o século XIX, como uma região problemática, improdutiva, dependente de ajuda e incapaz de resolver seus próprios problemas. É também uma região onde a maioria da população é descendente de africanos e indígenas. Mas o desenvolvimento de políticas públicas, e mesmo a ação política de movimentos sociais no Semiárido, ainda enxerga muito pouco essa diversidade e seus efeitos, enquanto essas populações são as mais violentadas e marginalizadas da história do país.

Segundo a Sinopse do Censo Demográfico do Semiárido Brasileiro, que disponibiliza dados sobre a região baseados no Censo Demográfico realizado em 2010, 59,6% dos habitantes da região do Semiárido se declararam “pardos”, 7,15% se declararam “pretos” e 0,41% disseram ser “índios”. Juntos, somaram 67,16% da população da região. Dos 31,75% que se declararam brancos, 66,78% habitam as cidades. É o maior percentual de habitantes urbanos entre as raças. Essas marcas originárias são invisibilizadas na proposição e desenvolvimento de políticas públicas. Existe, aí, um indício de injustiça racial?

“Chamamos de Racismo Ambiental as injustiças sociais e ambientais que recaem de forma implacável sobre grupos étnicos vulnerabilizados e sobre outras comunidades, discriminadas por sua ‘raça’, origem ou cor.” A definição vem do site Combate Racismo Ambiental, criado pela pesquisadora e militante Tania Pacheco, do Rio de Janeiro, descreve esse tipo de injustiça ambiental, que é alvo da atuação de um Grupo de Trabalho da Rede Brasileira de Justiça Ambiental – RBJA. Continue lendo… 'Meio ambiente para todos?'»

MPF faz levantamento das comunidades tradicionais atingidas pela transposição

Imagem: Captura do site Bahia em Pauta

Imagem: Captura do site Bahia em Pauta

Ascom SFVivo

A procuradoria do Ministério Público Federal de Guanambi, no sudoeste da Bahia, está fazendo um levantamento de comunidades tradicionais que estejam sendo prejudicadas pela transposição do Rio São Francisco, em decorrência do Inquérito Civil nº 1.14.009.000252/2013-31.

Para contribuir neste levantamento, as organizações e movimentos sociais que atuam junto às comunidades da Bacia no Médio São Francisco devem informar à Coordenação de Políticas para as Comunidades Tradicionais, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado da Bahia, eventuais registros que chegam nas secretarias das entidades. A Comissão Pastoral da Terra e a Articulação Popular São Francisco Vivo já estão se organizando para enviar as denúncias registradas.

Os municípios abrangidos pelo levantamento são: Guanambi, Abaíra, Bom Jesus da Lapa, Boquira, Botuporã, Brotas de Macaúbas, Caculé, Caetité, Candiba, Carinhanha, Caturama, Érico Cardoso, Ibiassucê, Ibipitanga, Ibitiara, Igaporã, Ipupiara, Iuiú, Jacaraci, Jussiape, Lagoa Real, Licínio de Almeida, Livramento de Nossa Senhora, Macaúbas, Malhada, Matina, Morpará, Mortugaba, Novo Horizonte, Oliveira dos Brejinhos, Palmas de Monte Alto, Paramirim, Paratinga, Pindaí, Riacho de Santana, Rio de Contas, Rio do Antônio, Rio do Pires, Santana, Sebastião Laranjeiras, Tanque Novo, Urandi.

Dilma diz que obra do Rio São Francisco foi subestimada

Yara Aquino – Repórter da Agência Brasil 

A presidenta Dilma Rousseff disse que as obras de integração do Rio São Francisco foram mal calculadas, porque é complexa e exige um tempo de maturação. A presidenta admitiu  que não é possível negar que houve atraso. Ao longo do dia, ela visitou obras do São Francisco na Paraíba, no Ceará e em Pernambuco.

“Eu acho que houve uma subestimação da obra. Vocês vejam que tem cinco anos. Eu não acredito que uma obra dessa em outro lugar do mundo leve dois anos para ser feita. Nem tampouco um ano, nem tampouco três. Ela é uma obra bastante sofisticada. Ela implica tempo de maturação”, disse.

Dilma admitiu atraso na obra. “Eu não estou negando que houve atrasos. Houve atrasos, porque, também, eu acho que se superestimou muito a velocidade que ela poderia ter, minimizando a sua complexidade. Tem esse lado também”, disse em entrevista a jornalistas em Jati, no Ceará. Continue lendo… 'Dilma diz que obra do Rio São Francisco foi subestimada'»

PE – Indígenas interditam BR-843 na visita de Dilma a Cabrobó

O líder Yssô Truká “pediu postura e respeito do governo em relação à comunidade indígena” e defendeu que o Brasil seja passado a limpo
Angela Lacerda, do Estadão

Protestos com interdição da BR-843 marcaram a visita da presidente Dilma Rousseff ao município de Cabrobó (PE), a 580 quilômetros de Recife, onde ela vistoriou obras de transposição do Rio São Francisco.

A presidente nada viu durante a sua rápida passagem de 25 minutos pelo local. Não fez discursos nem deu entrevista. Limitou-se a tirar fotos com alguns operários da obra.

O líder Yssô Truká, indignado, comandou uma dança Toré, de protesto, no quilômetro 27 da BR-843, a cerca de 3 quilômetros do local visitado pela presidente.

Ele “pediu postura e respeito do governo em relação à comunidade indígena” e defendeu que o Brasil seja passado a limpo.

“O poder judiciário deveria meter todo mundo na cadeia, inclusive a presidente Dilma. Quem cala consente.”

Contrário à transposição do São Francisco desde o seu anúncio, ele defende “políticas públicas que realmente ajudem o povo. A transposição só atende o agronegócio e os barões. Fomos traídos pelos governos Lula e Dilma. Os indígenas estão sendo massacrados pelas ações do governo federal”.

Para ele, “nenhum dos candidatos à Presidência merece crédito”. Continue lendo… 'PE – Indígenas interditam BR-843 na visita de Dilma a Cabrobó'»

Programação feita por Ricardo Álvares, utilizando uma versão modificada do tema Panorama, criado por Themocracy.