Posts tagged: transposição do São Francisco

Transposição já é realidade para comunidades afetadas

transposição salgueiroMaurício Moraes, BBC Brasil

A água ainda não correu pelos canais da transposição do rio São Francisco, mas já transformou a vida de pelo 850 famílias, que deixaram ou estão por deixar suas casas no sertão nordestino.

O padre Sebastião Gonçalves, da Comissão Pastoral da Terra, costuma percorrer de motocicleta várias comunidades na zona dos canais. Segundo ele, é possível ver um impacto generalizado por onde passa a obra, mas, até o momento o maior legado do projeto é o “conflito”.

“No início dos trabalhos da obra havia uma credibilidade muito grande. O sertanejo nesta terra semiárida acolheu (a transposição) com uma esperança muito grande. Mas com as perdas (…) hoje o sertanejo está com o pé atrás”, disse, em frente a sua paróquia em Carnaubeira da Penha (PE). Continue lendo… 'Transposição já é realidade para comunidades afetadas'»

Meio ambiente para todos?

Crianças da comunidade quilombola Brejo dos Crioulos (MG): herança africana | Foto: João R. Ripper / Arquivo Asacom

Crianças da comunidade quilombola Brejo dos Crioulos (MG): herança africana | Foto: João R. Ripper / Arquivo Asacom

A falta de políticas públicas e a sobrexploração de recursos naturais no Semiárido atinge principalmente a maioria da população, de origem africana e indígena

Ronaldo Eli-ASACom

O Semiárido Brasileiro é visto, desde o século XIX, como uma região problemática, improdutiva, dependente de ajuda e incapaz de resolver seus próprios problemas. É também uma região onde a maioria da população é descendente de africanos e indígenas. Mas o desenvolvimento de políticas públicas, e mesmo a ação política de movimentos sociais no Semiárido, ainda enxerga muito pouco essa diversidade e seus efeitos, enquanto essas populações são as mais violentadas e marginalizadas da história do país.

Segundo a Sinopse do Censo Demográfico do Semiárido Brasileiro, que disponibiliza dados sobre a região baseados no Censo Demográfico realizado em 2010, 59,6% dos habitantes da região do Semiárido se declararam “pardos”, 7,15% se declararam “pretos” e 0,41% disseram ser “índios”. Juntos, somaram 67,16% da população da região. Dos 31,75% que se declararam brancos, 66,78% habitam as cidades. É o maior percentual de habitantes urbanos entre as raças. Essas marcas originárias são invisibilizadas na proposição e desenvolvimento de políticas públicas. Existe, aí, um indício de injustiça racial?

“Chamamos de Racismo Ambiental as injustiças sociais e ambientais que recaem de forma implacável sobre grupos étnicos vulnerabilizados e sobre outras comunidades, discriminadas por sua ‘raça’, origem ou cor.” A definição vem do site Combate Racismo Ambiental, criado pela pesquisadora e militante Tania Pacheco, do Rio de Janeiro, descreve esse tipo de injustiça ambiental, que é alvo da atuação de um Grupo de Trabalho da Rede Brasileira de Justiça Ambiental – RBJA. Continue lendo… 'Meio ambiente para todos?'»

MPF faz levantamento das comunidades tradicionais atingidas pela transposição

Imagem: Captura do site Bahia em Pauta

Imagem: Captura do site Bahia em Pauta

Ascom SFVivo

A procuradoria do Ministério Público Federal de Guanambi, no sudoeste da Bahia, está fazendo um levantamento de comunidades tradicionais que estejam sendo prejudicadas pela transposição do Rio São Francisco, em decorrência do Inquérito Civil nº 1.14.009.000252/2013-31.

Para contribuir neste levantamento, as organizações e movimentos sociais que atuam junto às comunidades da Bacia no Médio São Francisco devem informar à Coordenação de Políticas para as Comunidades Tradicionais, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado da Bahia, eventuais registros que chegam nas secretarias das entidades. A Comissão Pastoral da Terra e a Articulação Popular São Francisco Vivo já estão se organizando para enviar as denúncias registradas.

Os municípios abrangidos pelo levantamento são: Guanambi, Abaíra, Bom Jesus da Lapa, Boquira, Botuporã, Brotas de Macaúbas, Caculé, Caetité, Candiba, Carinhanha, Caturama, Érico Cardoso, Ibiassucê, Ibipitanga, Ibitiara, Igaporã, Ipupiara, Iuiú, Jacaraci, Jussiape, Lagoa Real, Licínio de Almeida, Livramento de Nossa Senhora, Macaúbas, Malhada, Matina, Morpará, Mortugaba, Novo Horizonte, Oliveira dos Brejinhos, Palmas de Monte Alto, Paramirim, Paratinga, Pindaí, Riacho de Santana, Rio de Contas, Rio do Antônio, Rio do Pires, Santana, Sebastião Laranjeiras, Tanque Novo, Urandi.

Dilma diz que obra do Rio São Francisco foi subestimada

Yara Aquino – Repórter da Agência Brasil 

A presidenta Dilma Rousseff disse que as obras de integração do Rio São Francisco foram mal calculadas, porque é complexa e exige um tempo de maturação. A presidenta admitiu  que não é possível negar que houve atraso. Ao longo do dia, ela visitou obras do São Francisco na Paraíba, no Ceará e em Pernambuco.

“Eu acho que houve uma subestimação da obra. Vocês vejam que tem cinco anos. Eu não acredito que uma obra dessa em outro lugar do mundo leve dois anos para ser feita. Nem tampouco um ano, nem tampouco três. Ela é uma obra bastante sofisticada. Ela implica tempo de maturação”, disse.

Dilma admitiu atraso na obra. “Eu não estou negando que houve atrasos. Houve atrasos, porque, também, eu acho que se superestimou muito a velocidade que ela poderia ter, minimizando a sua complexidade. Tem esse lado também”, disse em entrevista a jornalistas em Jati, no Ceará. Continue lendo… 'Dilma diz que obra do Rio São Francisco foi subestimada'»

PE – Indígenas interditam BR-843 na visita de Dilma a Cabrobó

O líder Yssô Truká “pediu postura e respeito do governo em relação à comunidade indígena” e defendeu que o Brasil seja passado a limpo
Angela Lacerda, do Estadão

Protestos com interdição da BR-843 marcaram a visita da presidente Dilma Rousseff ao município de Cabrobó (PE), a 580 quilômetros de Recife, onde ela vistoriou obras de transposição do Rio São Francisco.

A presidente nada viu durante a sua rápida passagem de 25 minutos pelo local. Não fez discursos nem deu entrevista. Limitou-se a tirar fotos com alguns operários da obra.

O líder Yssô Truká, indignado, comandou uma dança Toré, de protesto, no quilômetro 27 da BR-843, a cerca de 3 quilômetros do local visitado pela presidente.

Ele “pediu postura e respeito do governo em relação à comunidade indígena” e defendeu que o Brasil seja passado a limpo.

“O poder judiciário deveria meter todo mundo na cadeia, inclusive a presidente Dilma. Quem cala consente.”

Contrário à transposição do São Francisco desde o seu anúncio, ele defende “políticas públicas que realmente ajudem o povo. A transposição só atende o agronegócio e os barões. Fomos traídos pelos governos Lula e Dilma. Os indígenas estão sendo massacrados pelas ações do governo federal”.

Para ele, “nenhum dos candidatos à Presidência merece crédito”. Continue lendo… 'PE – Indígenas interditam BR-843 na visita de Dilma a Cabrobó'»

Cinismo de mau gosto

enio silva

Enio Silva da Costa, ribeirinho

Enio Silva da Costa, no Blog do Geraldo José

Nos causa estranheza a notícia divulgada pela Codevasf, de que no dia 07/04/14 estará acontecendo um workshop na cidade de Petrolina, para debater a hidrovia no rio São Francisco, o texto divulgado em momento algum fala de projetos de revitalização do rio. Gostaria de estar lá para perguntar ao sr. Elmo Vaz (presidente da Codevasf) em que rio ele quer navegar? Ou com qual embarcação? Pois no rio São Francisco sem um projeto de revitalização e recuperação de todo o seu leito não existe possibilidade alguma de se retornar os grandes momentos da navegação do São Francisco. A navegação de pequenas embarcações já está comprometida. Outro dia navegando com uma pequena embarcação por diversas vezes encalhamos.

E a Codevasf tem imensas responsabilidades sobre tudo que vem acontecendo ao rio são Francisco, e para aumentar essa responsabilidade a presidente Dilma baixou decreto definindo a Codesvasf como operadora oficial do sistema de gestão do Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional (PISF). O decreto presidencial número 8.207, de 14/03/14, publicado no Diário Oficial da União. Ou seja, a Codevasf agora é responsável por emitir o atestado de óbito do rio.

Sem os cuidados com os afluentes não há o que se pensar sobre a perenidade do rio, vários afluentes estão morrendo, a exemplo do rio Salitre, em baixo do nariz da Codevasf, e nada foi feito para a recuperação e cuidados com o mesmo. E que hoje passa a ser confluente do rio, na perspectiva de atender ao agronegócio, enquanto a população bebe água de cisterna tratada com pastilhas de cloro. E sempre foi assim, a Codevasf tem objetivos e interesses claros com o agronegócio, e para eles que desenvolve os grandes projetos de irrigação, e vai ser para eles que irá administrar o malfadado projeto de transposição. Continue lendo… 'Cinismo de mau gosto'»

Central de captação de água é instalada, mas não funciona em SE

CBN Foz

Moradores de cinco povoados do município de Poço Redondo, região do Alto Sertão de Sergipe, continuam sem ter água encanada nas suas casas, apesar de morarem às margens do Rio São Francisco. No povoado Todos Iguais, cerca de 200 famílias nunca tiveram abastecimento de água potável. Inclusive algumas residências têm até torneiras.

A solução estava por vir com a instalação de reservatórios e uma estação de tratamentos para captação de água que foi construído a cerca de dois anos para atender uma média de 2 mil famílias, mas a estrutura nunca funcionou. O mato tomou conta dos reservatórios e no ponto onde a água devia ser captada a ferrugem predomina.

A obra custou mais de um milhão, oriundos do Projeto Água Para Todos, do Governo Federal.  Companhia do Vale do São Francisco explicou o não funcionamento da central de captação e admitiu o atraso de um ano na integra devido a falta da rede elétrica.

“A Energisa apresentou um orçamento que nós não concordamos e somente agora, em janeiro do corrente ano, houve um entendimento por parte da Energisa aceitando aqueles recursos que foram depositados pela Codevasf”, [disse o] superintendente da Codevasf, Paulo Viana.

A garantia é que agora a água chegue às casas até meados de abril. E a Energisa disse que somente recebeu o pagamento no mês passado, e que a sua parte será concluída até o início de abril.

Organização popular no Vale do Salitre: População lança Carta Política para órgãos públicos e sociedade

Foto: TV Salitre

Foto: TV Salitre

Por Gisele Ramos*, em  APSFV

O Vale do Salitre, no submédio São Francisco, é uma região conhecida pelos conflitos em relação ao acesso à água e a terra, mas essa nem sempre foi a realidade do povo salitreiro. Antes da chegada dos grandes produtores que se apossaram das terras indevidamente e nelas desenvolveram os projetos de irrigação, no rio Salitre corria água o ano todo, o que possibilitava prática da agricultura familiar agroecológica. Para discutir toda essa transformação sociocultural que se reflete no atual modelo de desenvolvimento agrário, a comunidade da Alfavaca sediou no dia 16 de março o seminário, Salitre: De onde viemos? Para onde vamos?.

O evento contou com a participação de aproximadamente 20 comunidades do Salitre, representantes da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF), Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Comitês de Bacia Hidrográfica do São Francisco e do Salitre, Câmara de Vereadores, órgãos públicos e sociedade civil. O evento foi pensado para reunir o povo salitreiro com o objetivo de refletir a realidade atual do Vale do Salitre a partir das histórias de vida e luta das comunidades.

Após a entrega da Arca das Letras e inauguração do Núcleo de Leitura D. José Rodrigues, projetos comunitários de incentivo à leitura, a salitreira Érica Daiane Costa, membro da Articulação São Francisco Vivo, fez uma abordagem histórica das políticas, projetos e programas públicos voltados para as comunidades do Vale. O Projeto Salitre, por exemplo, com uma área irrigável estimada de 31.305 hectares, foi apresentado pelo governo como um investimento em infraestrutura para garantir a agricultura irrigada e, desta forma, alcançar uma melhor qualidade de vida. “Esta, porém, não é a realidade que estamos acompanhando. Dos 255 lotes previstos no projeto, apenas onze são de moradores nativos do Salitre; quanto os outros, não sabemos de quem são e de onde vieram”, comentou. Continue lendo… 'Organização popular no Vale do Salitre: População lança Carta Política para órgãos públicos e sociedade'»

Programação feita por Ricardo Álvares, utilizando uma versão modificada do tema Panorama, criado por Themocracy.