Indígenas de cinco povos ocupam sede da Funai em São Luís (MA) exigindo demarcações de terras

Por  Cimi

A sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) em São Luís, capital do Maranhão, amanheceu nesta segunda-feira, 6, ocupada por volta de 100 indígenas dos povos Akroá-Gamella, Krenyê, Gavião, Pychobyh e Tremembé. O protesto tem como objetivo visibilizar o descaso do órgão indigenista com relação à demarcação do território tradicional do povo Gamella, além de demandas fundiárias e sociais envolvendo os Krenyê, Tremembé e Gavião. A ocupação não tem prazo de duração. Lideranças quilombolas estão com os indígenas, em solidariedade. (mais…)

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Os interesses econômicos por trás (ou debaixo) da lama de rejeitos da mineração

Os dois anos do maior crime socioambiental do país provocado por uma empresa minerária revelam o lobby de um setor altamente lucrativo junto aos poderes Legislativo e Judiciário

Katia Machado – EPSJV/Fiocruz

Novembro de 2017: em meio a incertezas sobre a possibilidade de retorno ao antigo modo de vida, moradores dos distritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, região central de Minas Gerais, atingidos há dois anos pela lama da mineradora Samarco e suas acionistas BHP Billiton e Vale, ainda vivem em casas alugadas em Mariana (MG). Tampouco a construção das novas vilas que irão abrigar as famílias começou. Não bastasse a morosidade na reparação dos danos, até hoje as principais multas impostas à mineradora pelos órgãos ambientais dos governos federal e dos dois estados afetados — Minas Gerais e Espírito Santo — ainda não foram pagas. De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), das 68 penalidades aplicadas, que totalizam quase R$ 552 milhões, 67 estão em fase de recurso. Apenas uma, parcelada em 59 vezes, começou a ser quitada: o valor corresponde a 1% do total. A isso se soma a suspensão da ação penal movida para punir os responsáveis pelas mortes do maior crime socioambiental do Brasil. A decisão que põe em banho-maria o processo movido contra 22 funcionários e diretores da Samarco e suas controladoras, bem como da VogBR, que inspecionava a barragem na ocasião, foi tomada pela Justiça Federal em Ponte Nova, na Zona da Mata, para análise da alegação da defesa sobre suposto uso de prova ilícita na ação penal. A impressão — ou a certeza — que se tem é que o rompimento da Barragem do Fundão, que matou 19 pessoas, destruiu centenas de casas, deixou um milhão de famílias sem água e trabalho e acabou com a biodiversidade da bacia do Rio Doce, ao derramar quase 40 bilhões de litros de rejeitos de minério, não tem um fim. (mais…)

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Esquerda e direita disputam regimes de verdade. Entrevista especial com Rosana Pinheiro-Machado

Por Patricia Fachin, na IHU On-Line

As disputas entre direita e esquerda vão além do campo econômico, e hoje os dois espectros políticos disputam “padrões de verdade”, diz a socióloga Rosana Pinheiro-Machado à IHU On-Line. Segundo ela, “o que nós estamos assistindo hoje no mundo é uma disputa por regimes de verdade, no sentido foucaultiano, ou seja, grandes padrões de verdades, noções de civilização, globalização, universalismo, direitos humanos etc. que estão sendo disputados. É o cerne de grandes debates ocidentais que estão sendo disputados pela direita, algo bastante grandioso e que mexe com valores e noções que vinham se sedimentando por muito tempo”. (mais…)

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MST e CPT alertam: Mais de 2 mil famílias perderão suas casas e plantações em operação de despejo autorizada pela Vara Agrária de Marabá

Cerca de 8 mil pessoas entre homens, mulheres e crianças, estão sendo expulsas de suas casas e tendo suas  plantações destruídas em uma mega operação de despejo que iniciou em Marabá no início da semana passada. Por ordem do Governo do Estado, 115 policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar, permanecerão na região por tempo indeterminado, para cumprir liminares em 20 fazendas localizadas nos municípios próximos de Marabá. As liminares foram expedidas pelo juízo da Vara Agrária de Marabá e pelo Tribunal de Justiça do Estado.  A operação atende aos pedidos dos fazendeiros da região que nos últimos meses vem exigindo do Governo do Estado e do Juiz da Vara Agrária de Marabá, o cumprimento das liminares e o despejo das famílias. (mais…)

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A seca no São Francisco que salga o café e adoece moradores em uma cidade de Alagoas

Com crise hídrica, mar invade foz do rio e saliniza água em Piaçabuçu, a 135 km de Maceió. Casos de hipertensão e doenças de pele aumentam nos postos de saúde da região

Por Marina Rossi, El País Brasil

No município alagoano de Piaçabuçu, a 135 quilômetros de Maceió, tomar um simples cafezinho pode ser um evento difícil de engolir. “Já experimentou o nosso café, moça?”, perguntou à reportagem o pescador Marcos Antônio Batista dos Santos, 39. Ele atribui o estranho sabor da bebida à qualidade da água que abastece a cidade de cerca de 18.000 habitantes. “Aqui, água para beber e cozinhar, só comprando água mineral. Você precisa ver o gosto do café como fica [com a água da torneira fervida]”, diz. (mais…)

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III Conferência Triangular dos Povos: Em declaração, povos afirmam Não ao ProSavana

Reuniram-se na Cidade de Maputo, na III Conferência Triangular dos Povos, organizada pela campanha Não ao ProSavana, nos dias 24 e 25 de Outubro de 2017, cerca de 200 pessoas dentre as quais camponeses, camponesas, representantes de movimentos sociais, organizações não-governamentais, organizações de fé, acadêmicos, estudantes, ativistas, pessoas de boa-fé e membros da Campanha Não ao ProSavana dos três países (Moçambique, Brasil e Japão) com objetivo de refletir de forma profunda e democrática o modelo de desenvolvimento de Moçambique.

Por MPA Brasil, na CPT

A conferência decorre num contexto em que o governo de Moçambique tem priorizado o modelo de desenvolvimento assente no sector privado particularmente “parcerias público-privadas” que, consequentemente, tem suscitado a entrada e implementação de grandes investimentos, nacionais e estrangeiros nos sectores de agricultura com foco para o agronegócio, mineração e hidrocarbonetos nos principais corredores de desenvolvimento. (mais…)

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APIB participa da 23ª Conferência do Clima na Alemanha

APIB participa, entre os dias 06 a 17 de novembro, da 23 Conferência do Clima da ONU, que acontecerá em Bonn, na Alemanha. Com a presidência de Fiji, pequena ilha do Oceano Pacífico cuja existência é ameaçada pela elevação dos mares, a COP 23 estará focada no chamado “livro de regras” do Acordo de Paris.

O acordo entrou em vigor no ano passado e estabelece limites de emissão de gases do efeito estufa, para que as mudanças climáticas sejam controladas. (mais…)

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Rio Doce: a lama oculta

Dois anos exatos após o maior crime ambiental do Brasil, mídia esconde outro crime: as manobras de duas mega-corporações globais para esconder sua responsabilidade e permanecer irresponsáveis como sempre

Reportagem de Arthur Viana* – Outras Palavras

A moto de Paula rasgava as ruas de Bento Rodrigues uma última vez; logo não haveria mais nada ali. Corre que a barragem estourou!, gritava ela, junto ao barulho de sua buzina e a outro que parecia turbina de avião – o som da lama chegando para varrer o pequeno distrito do mapa[1]. Era pouco mais de quatro da tarde, porém a história do rompimento da barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, cidade de Mariana, estado de Minas Gerais, Brasil, não começa nem ali e nem naquele momento. Afinal, para a lama descer, a barragem teve que romper e uma barragem não rompe facilmente – ou ao menos não deveria. Contudo, essa, a do Fundão, responsabilidade da empresa Samarco S.A., estourou em 5 de novembro de 2015, configurando um dos maiores crimes socioambientais da história da humanidade, o maior já registrado no Brasil e o maior envolvendo mineração no mundo. Ao subir o morro no qual se refugiou após salvar sabe-se lá quantas vidas desavisadas, é isso que Paula viu, e faça o esforço de imaginar: 62 milhões de metros cúbicos de lama com rejeitos de minério, quantidade que se estima ter escorrido dos depósitos rompidos da Samarco[2], indo em direção a casas, animais, à cidade toda. Assustador. A quem teve tempo, restou correr – mas correr para onde? (mais…)

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Em Mariana, a vida resiste

Um olhar sobre o cotidiano dos atingidos pelo grande crime ambiental; e o papel da Universidade, para combater a propaganda das empresas que falam em “acidente”

Por Ananda Martins Carvalho* – Outras Palavras

A tarde daquela quinta-feira corria como outra qualquer. Crianças na escola começavam a se agitar para o fim da aula, o senhor de idade levantava do seu costumeiro repouso, trabalhadores retornavam da jornada. Porém, de maneira abrupta, aquilo que alguns temiam se realizou. Por volta das 15 horas e 30 minutos, no município de Mariana, a estrutura da barragem de rejeitos minerários de Fundão, de propriedade da Samarco (Vale/ BHP Billiton) rompeu-se e aproximadamente 40 milhões de metros cúbicos de lama invadiram o leito dos rios Gualaxo do Norte, Carmo e Doce. Em meio a muita poeira e barulhos estrondosos as famílias que moravam à jusante receberam o anúncio. Em questão de minutos, viram a aproximação de uma montanha de lama, que arrombava as portas das casas, derrubava as paredes, arrastava as árvores e os carros. Quem conseguiu, correu com a roupa do corpo para o lugar mais alto que podia alcançar. Para trás foram deixados animais, plantações, casas, documentos, algum retrato de família, algum brinquedo de infância, um objeto de sorte, uma carta de amor. (mais…)

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