Boletim de Segurança Pública 2019 mostra crescente violência armada na Maré e contínua impunidade do Estado

Por Nadine Terasa e Pauline Beaumont, no Rio On Watch

As 16 favelas que compõem o Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, registraram 49 mortes resultantes de violência armada em 2019, mais do que o dobro do registrado em 2018. Dessas mortes, 34 ocorreram pelas mãos da polícia e 15 por grupos civis armados. Ao longo de 2019, o conjunto de favelas viveu 117 dias de tiroteios e quase 300 horas totais de operações policiais. Esses e outros indicadores do aumento da violência na Maré foram compilados no Boletim Direito à Segurança Pública na Maré 2019, um relatório anual produzido pela Redes da Maré e lançado em 14 de fevereiro.

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Museu das Remoções na Vila Autódromo inaugura percurso expositivo na 12ª Primavera dos Museus

Iniciativa reflete “política pública feita pela sociedade civil”

por Taísa Sanches, em RioOnWatch

Na tarde do dia 23 de setembro—que marcou o início da primavera—moradores da Vila Autódromo, ativistas apoiadores e cerca de 50 visitantes estiveram no evento Primavera dos Museus no Museu das Remoções, e colheram frutos de um trabalho que vem sendo construído há anos: o Percurso Expositivo do Museu das Remoções. Inaugurado no dia, o roteiro é formado por 22 pontos de memória que remetem a locais que foram muito importantes na história da Vila: um parquinho de crianças, as casas de ex-moradores, o local da antiga Associação de Moradores, a padaria, entre outros. Durante a visita guiada pela moradora Sandra Maria de Souza, as memórias sobre os pontos foram sendo resgatadas e reveladas—“na padaria sempre encontrávamos pão fresquinho e podíamos pagar fiado”, lembrou a ex-moradora Jaqueline Luduvice. “Se eu pudesse, voltava a morar aqui na minha casa”, disse Dona Denise Costa, que permaneceu morando na Vila, mas sente ainda muita falta da antiga residência e dos laços de vizinhança. (mais…)

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Slums: A História de Uma Injustiça Global

por Meg Healy, em RioOnWatch

Por mais de dois séculos, autoridades políticas, acadêmicas e culturais ao redor do mundo têm classificado bairros de baixa renda como “slums” (bairros sórdidos). A história deste termo e as comunidades nas quais ele foi imposto se estende para além dos lugares de sua aplicação original–ou seja, os cortiços das cidades industriais britânicas e americanas–para quase exclusivamente denotar uma paisagem urbana característica do Sul Global, como tradução preferida do inglês para “favela” entre os inúmeros outros termos nacionais e locais usados ao redor do mundo para bairros populares e informais. (mais…)

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‘E Quanto às Pessoas?’ Desenvolvimento Comunitário Sustentável no Rio, Parte 1—Definindo Resiliência

Esta é a primeira matéria, de uma série de duas partes, de uma resenha do livro ‘Social Sustainability, Climate Resilience and Community-Based Urban Development: What About the People?’ (Sustentabilidade Social, Resiliência Climática e Desenvolvimento Comunitário Urbano: E Quanto às Pessoas?), de Cathy Baldwin e Robin King, incorporando conceitos que contribuem para pensar sobre as favelas do Rio. Volte amanhã para a segunda parte

por Kimberly Farnham e Patricia Basile, em RioOnWatch

As favelas do Rio de Janeiro são cada vez mais reconhecidas como inovadoras em termos de seus projetos comunitários de base sustentável. No Vale Encantado, os moradores construíram biodigestores e hortas comunitárias e limitaram suas próprias construções para proteger o ambiente natural ao seu redor. Na Vila Autódromo, os moradores plantaram árvores para construir o ecossistema local, fornecer uma fonte natural de frutas e oferecer sombra aos pedestres. No Morro da Formiga, os moradores administram uma infraestrutura hídrica cooperativamente gerenciada, juntamente com iniciativas de horticultura e apicultura. No entanto, nem todas as favelas têm moradores proativos em iniciativas para o desenvolvimento comunitário e ambiental. O livro Sustentabilidade Social, Resiliência Climática e Desenvolvimento Comunitário Urban: E Quanto As Pessoas?, de Cathy Baldwin (Universidade de Oxford) e Robin King (Instituto de Recursos Mundiais), atribuiriam a diferença ao grau variado de sustentabilidade social entre as comunidades. (mais…)

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Favela Indiana realiza o 2º Fórum Anual na Luta Contra a Remoção: união é fundamental

por Sophy Chan, em RioOnWatch

No dia 12 de abril, a Comissão de Moradores e a Associação de Moradores da Comunidade Indiana uniram-se para realizar o Segundo Fórum Anual, no auditório da Fundação São Joaquim, localizado na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. Mais de 35 pessoas estavam presentes na reunião, incluindo moradores e líderes da comunidade, moradores de favelas vizinhas, ativistas e representantes de organizações sociais, como a Federação das Favelas do Rio de Janeiro (FAFERJ), e de instituições públicas, como o Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro (ITERJ). (mais…)

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Cineclubismo na Baixada: Cultivando Arte, Comunidade, Resistência

por Shawn Provost, no RioOnWatch

Apesar da chuva forte no dia 8 de março, a fila do Cine Odeon, na Cinelândia, Rio de Janeiro, saía das portas dianteiras e dava volta no quarteirão. Os espectadores vieram para assistir a pré-estreia de quinze curtas-metragens, cinco dos quais haviam sido dirigidos e produzidos por moradores da Baixada Fluminense, região composta por treze municípios ao norte da cidade do Rio e que abriga aproximadamente 23% da população do estado do Rio de Janeiro. Um dos filmes apresentados na noite, Cineclubismo na BF, dirigido por Carol Vilamaro, é um documentário que explora as origens e influências do robusto e inovador movimento de cineclubes da Baixada, e o importante papel que teve nas comunidades da região. (mais…)

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Carnaval e Resistência: Unidos de Manguinhos e a Retomada de um Sonho

Edilano Cavalcante e Renata Dutra – RioOnWatch

O carnaval do Complexo de Manguinhos, conjunto de favelas da Zona Norte do Rio de Janeiro, conta desde 1964 com a escola de samba Unidos de Manguinhos, ainda pouco conhecida dentre cariocas e apreciadores de carnaval. Em sua trajetória, a escola já teve muitas conquistas e agora busca, renovada, refazer seus passos mirando uma posição de destaque.

A Escola já soma 54 anos de vida e luta. Nos primeiros anos, batalhou para possuir uma estrutura e uma equipe de qualidade, até que em 1989 a Unidos de Manguinhos surpreendeu a todos, levando para a avenida cerca de 2.000 componentes, 15 destaques, 6 alegorias e uma bateria com 150 instrumentistas, dirigida pelos mestres Tererê e João. Nos carnavais posteriores, os seus enredos homenagearam sua madrinha, a Estação Primeira de Mangueira, e músicos como Ivo Meireles, Arlindo Cruz, entre outros enredos importantes. (mais…)

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Nem Todos Têm Um Preço, Parte 1: (Re)Introduzindo Favelas

Esta é a primeira matéria de uma série de sete, que compõe o capítulo intitulado ‘Nem Todos Têm Um Preço’ que conta a história de luta da Vila Autódromo. Escrito por Theresa Williamson, diretora executiva da Comunidades Catalisadoras,* o capítulo faz parte do livro Rio 2016: Olympic Myths, Hard Realities (Rio 2016: Mitos Olímpicos, Duras Realidades) organizado pelo economista Andrew Zimbalist. Como o livro foi publicado somente em inglês, pedimos permissão e agradecemos à editora Brookings por nos permitir publicar o capítulo na íntegra em português. Leia nossa resenha do livro Rio 2016 aqui.

Theresa Williamson – RioOnWatch

Foi exatamente há cento e vinte anos, como conta a história já completamente entrelaçada com lendas, que soldados oprimidos–assolados pela pobreza e feridos, após a longa e sangrenta batalha de Canudos, a guerra civil mais fatal do Brasil–se dirigiram da Bahia ao Rio de Janeiro que era a capital da nação na época. Os soldados, outrora escravos que haviam sido recém libertados e imediatamente recrutados para a luta, receberam promessas de terras na capital, por servirem em combate.1 (mais…)

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EDUCAP: Espaço Democrático e Abrangente do Alemão #RedeFavelaSustentável

Lucas Smolcic Larson – RioOnWatch

O Espaço Democrático de União, Convivência, Aprendizagem e Prevenção, conhecido como EDUCAP, é uma ONG comunitária localizada no Complexo do Alemão na Zona Norte do Rio de Janeiro. A educadora e organizadora, nascida e criada no Alemão, Lúcia Cabral, fundou a organização em 2008 para adotar uma gama de projetos com foco na saúde e educação dos moradores da favela. Nove anos depois, o EDUCAP ocupa uma colorida sede feita de contêineres empilhados na rua Canitar, construído em parceria com a Embaixada Britânica e inaugurada pelo Príncipe Harry. Lúcia tornou o EDUCAP um espaço de aprendizagem, eventos comunitários e parcerias produtivas com outras ONGs e projetos comunitários. (mais…)

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