Economia política da desinformação é a principal ameaça à democracia. Entrevista especial com Rafael Zanatta

por João Vitor Santos, em IHU On-Line

A experiência da campanha eleitoral de 2018 e a enxurrada de notícias falsas postas em circulação via WhatsApp levaram muitas pessoas a questionar a validade do aplicativo. O pesquisador Rafael Zanatta é direto ao afirmar que “o WhatsApp não é, em si, uma ameaça à democracia”. E se é claro que não se pode demonizar a ferramenta, também não se pode cair no engodo de conceber uma espécie de crivo prévio das mensagens, o que colocaria a privacidade e liberdade de expressão em xeque em nome do combate às informações falsas. “Não é necessário quebrar a criptografia do WhatsApp para avançar em investigações”, defende. E acrescenta: “não precisamos colocar todo mundo em situação de risco em troca do acesso às comunicações de um pequeno grupo de criminosos”.

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Jornalismo, jornalistas e mentiras

por Elaine Tavares, em Palavras Insurgentes

A mídia brasileira foi pega de surpresa pelo presidente eleito nas últimas eleições quando este não quis saber de entrevistas nem de jornalistas para falar com seu eleitorado logo depois da vitória. Transmitiu suas palavras direto de casa, pelo celular, na sua rede social, sem mediações. Depois, nos dias que se seguiram chutou o pau da barraca de uma série de empresas de comunicação acusando os jornalistas de “fabricantes de mentiras”. Entre seus seguidores não há um que respeite a mídia. Os comentários são os mais estapafúrdios: a rede Globo é comunista, a Folha de São Paulo é do Lula. Ou seja: duas coisas que foram sistematicamente demonizadas durante a campanha eleitoral, comunismo e PT. A coisa beira ao surreal.  (mais…)

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A ‘violência política’ tem nome e número

Chamar as coisas pelo nome. Enquanto é tempo

Por Editorial da Ponte Jornalismo

Desde que a Ponte começou, em 2014, sempre nos preocupamos em chamar as coisas pelos seus nomes e chamar a atenção para conflitos que outros veículos de mídia preferiam escamotear. Tomamos o cuidado, por exemplo, de registrar a cor da pele das vítimas da violência no Brasil, de preferência no título, algo que até hoje incomoda algumas pessoas. Nesta semana, quando escrevemos, sem fazer juízo de valor, que um jovem ameaçado de linchamento por apoiadores do candidato Jair Bolsonaro era negro, houve quem se sentisse incomodado. “O rapaz cometeu um furto [algo que não ficou provado] e vocês vêm aí falando de etnia e política?”, perguntou um dos comentaristas no Twitter. (mais…)

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Entrevista Manchetômetro – Afonso de Albuquerque

Por Juliana Gagliardi, no Manchetômetro

Afonso de Albuquerque é professor do Departamento de Estudos Culturais e de Mídia e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense (UFF). Pesquisador do CNPq desde 1998, atua principalmente nas áreas de Comunicação Política, Jornalismo e Comunicação Comparada, nas quais publicou diversos artigos em revistas nacionais e internacionais de referência. (mais…)

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Salvador em Carrara, cinco séculos depois: O racismo no Brasil é patológico

Por Marcio José Silva, no Justificando

“Encontrei uma cidade de tijolos, deixei mármore”.

Teria dito o primeiro Imperador de Roma, Augusto. Provavelmente este regente fizesse referência a um dos materiais mais utilizados para conferir luxo e beleza às construções mesmo nos dias atuais: o mármore Carrara, material de alta qualidade e coloração normalmente branca, abundante na Itália. De fato, este mantém, mesmo atualmente, grande beleza e alto custo financeiro. (mais…)

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“O objetivo é criminalizar a luta pela terra”, afirma dirigente do MST sobre matéria da IstoÉ

Em entrevista, Marco Baratto, da direção nacional do MST, comenta a histórica dinâmica antidemocrática do campo no DF

Por Janelson Ferreira, na Página do MST

Em mais de 20 anos de atuação no Distrito Federal e Entorno, o MST sempre combateu a grilagem de terra na região. Fruto de uma relação espúria entre poder público e fazendeiros locais, a transformação irregular de terras públicas em latifúndios, contribuiu para um desenvolvimento desigual do campo nos arredores da capital federal. E a consequência dessa situação pode ser verificada nos dias atuais. O Movimento Sem Terra, buscando denunciar estas irregularidades, realizou, no último período, diversas ocupações em terras griladas. Defendendo a implementação de assentamentos e a construção da Reforma Agrária Popular, com produção de alimentos saudáveis. Diante dessa movimentação, o Movimento vem enfrentando forte pressão de setores conservadores do DF, ligados ao agronegócio e a especulação imobiliária. (mais…)

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Num país obstruído, há caminhos

A greve dos caminhoneiros foi um símbolo do Brasil com as entranhas à mostra. Mas os dias conturbados apontaram novas possibilidades de vida com menos carros, menos poluição, menos consumo e mais solidariedade 

Por Débora Nunes*, em Outras Palavras

Estamos engolindo sapos há anos, e em algum momento iríamos ter prisão de ventre ou uma diarreia monumental. A greve dos caminhoneiros foi esse momento em que nossas veias pátrias, as estradas, colapsaram, deixando de irrigar nosso organismo já adoentado. Tudo de ruim veio à tona numa energia nauseabunda em que até marchas pela intervenção militar puderam ser vistas. Nossas entranhas ficaram à mostra,  revelando suas sombras. (mais…)

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Série M: Lula, o Papa e a grande mídia brasileira

Por Juliana Gagliardi  e João Feres Júnior, no Manchetômetro

No dia 17 de maio dois eventos potencialmente significativos ocorreram. O maior jornal francês – Le Monde – publicou, na íntegra e com grande chamada de capa, uma carta de Lula em que reafirmava e explicava sua candidatura à presidência, mesmo estando preso. No mesmo dia, em homilia durante missa no Vaticano, o papa Francisco criticou o papel da mídia na difamação e, consequentemente, na ocorrência de golpes de estado. (mais…)

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