Os dias de Iriana nas ruas de Recife: com um bebê e sem documentos

Reportagem acompanhou mulher em situação de rua por nove meses; seu filho nasceu junto com o governo Bolsonaro

Por Joana Suarez, Agência Pública

Magra, quase não dava para perceber que Iriana Elísio do Nascimento, de 31 anos, estava no sétimo mês da gravidez. Perto do parto, em dezembro do ano passado, a barriga cresceu e começou a ser vista – Iriana também. Gabriel chutava dentro dela e as pessoas passavam perguntando para quando era o parto, se era menino ou menina, doavam roupas e fraldas. Ela fez o enxoval completo na rua Sete de Setembro, no centro de Recife, onde instalou seu colchão e sua vida há mais de uma década. O filho já tinha conjunto novo para sair da maternidade. Por um bebê que vai nascer, muitos se sensibilizam.

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“Quem tá na rua nunca tá perdido”

Depressão e desemprego o empurraram para as calçadas de SP. Viveu o “regime penitenciário” de albergues. A violência policial. Chamado de “encrenqueiro” por recusar assistencialismo, hoje Edvaldo Souza é liderança da população de rua

Por Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

Não existe poprua perdido, bravateia Edvaldo Gonçalves de Souza, 49 anos, enquanto tenta encontrar, em uma cidade que não conhece, caminhando por paisagens que nunca vira, a direção do bar mais próximo. As ruas de Cidreiras, no Rio Grande do Sul, não dizem nada e ele também não se esforça em pedir informações aos poucos moradores que se assomam na varanda para tomar mate: só vemos casas e mais casas de veraneio. Mas Edvaldo tem, ou acredita ter, um sexto sentido de quem bateu muita perna por várias cidades ou grotões brasileiros, seja para trabalhar, para descolar um prato de arroz-com-feijão ou só de viração mesmo. Nesse momento, tanto ele quanto eu só queremos espantar o cansaço das mais de 24 horas de confinamento em um ônibus interestadual, vindo de São Paulo para o 4º Congresso Nacional da População em Situação de Rua – realizado nos em maio de 2018 — e tomar uma caninha em paz.

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PFDC participa de sessão solene pelo Dia Nacional em Defesa dos Direitos da População em Situação de Rua

Homenagem integra conjunto de ações que marcam mobilização em luta por direitos, promovida em Brasília até 22 de agosto

Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC)

Os desafios para a garantia e a proteção dos direitos foram lembrados nesta segunda-feira (19) na sessão solene realizada pelo Congresso Nacional para homenagear o Dia Nacional de Luta do Movimento Nacional em Defesa dos Direitos da População em Situação de Rua, celebrado hoje.

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Eles querem organizar a população de rua

Ignorados pela mídia e classe média, ativistas tentam articular um dos grupos sociais mais humilhados e onipresentes nas cidades. Eles denunciam a violência do Estado e pedem: basta de assistencialismo, queremos políticas públicas

por Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

Maloqueiros intelectuais

…você só presta atenção naquele carinha que te mangueia quando você tá na calçada de um bar — me diz ele, com a experiência das ruas, segurando o copo americano com cachaça — ou caminhando pro trabalho, com aquele discurso manjado de dá licença, boa noite, é que eu moro na rua, está faltando algumas moedas… Pessoas te abordando na rua: não quero dinheiro, não quero nada, só me paga um prato de comida pelo amor de Deus ou, já desencantadas, dizem logo é pra pinga mesmo, vou ser sincero.

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MPF apura políticas para população em situação de rua em Angra dos Reis (RJ)

Inquérito civil público verifica se, apesar de repasses federais, município se omite no tema

Ministério Público Federal na 2ª Região (RJ/ES)

O Ministério Público Federal (MPF) abriu apuração sobre o acesso da população em situação de rua de Angra dos Reis (RJ) a políticas públicas. O inquérito civil foi aberto após um cidadão se queixar de que o município estaria se omitindo no apoio à população de rua. Inicialmente, o caso foi arquivado em razão de não ter se verificado indícios de lesão a interesses da União. Ontem (3), o Núcleo de Direitos do Cidadão do MPF na 2ª Região (RJ/ES) decidiu manter a investigação por avaliar que pode ter sido violada a Política Nacional para a População em Situação de Rua (Decreto federal 7.053/2009) e que um dos objetivos da Constituição é a erradicação da pobreza e da marginalização.

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Projeto de lei quer educar para prevenir ódio e intolerância

Por Pedro Calvi / CDHM

Desde o início do ano, oito pessoas moradoras de rua foram queimadas vivas por causa do ódio e da intolerância. No Rio de Janeiro, comerciantes estariam pagando 30 reais a milícias para tirar quem vive na rua da frente dos seus comércios. A denúncia é de Leonildo Monteiro Filho. Ele faz parte da Comissão Permanente dos Direitos da População em Situação de Rua do Conselho Nacional de Direitos Humanos. Leonildo participou do debate realizado nesta terça-feira (14) sobre o Projeto de Lei Projeto de Lei 7582 de 2014, que propõe definir o que são crimes de ódio e intolerância e, dessa forma, prevenir, educar e responsabilizar de forma mais adequada.

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No Alerta de Ipanema, retratos do fascismo quotidiano

Por Priscila Figueiredo, em Outras Palavras

Desde o ano passado há uma campanha em página do Facebook, seguida por milhares de moradores da zona sul no Rio de Janeiro, para punir quem ajude a população de rua presente nessa região com o que quer que seja, comida, roupa e, claro, dinheiro, caso em que a sanção deve ser ainda maior.[1] A ideia é pegar no pulo, ou melhor, no grito, qualquer bom samaritano que se vir abrindo a bolsa. Frequento seu posto virtual habitualmente desde então, em especial o de Ipanema, acompanhei os passos da Intervenção Federal na cidade, vi o administrador da página pedindo que não se divulgassem fotos de ações de soldados, por mais estranhas que fossem, pois poderiam indispor a população contra eles, cujo trabalho seria para o bem de todos; deparei lá pelas tantas, ainda antes da intervenção e no dia seguinte a um grande tiroteio entre a polícia e o tráfico, com uma foto em que um policial puxava um carrinho de cimento no qual estavam deitados dois jovens negros e creio que mortos, e vi ainda a propósito da imagem alguns reclamarem que era muito pouco, ou que “a colheita foi pequena” dessa vez. Mas sempre há pessoas que manifestam estranhamento com o conteúdo da campanha, e como alguém disse certo dia: sim, dinheiro eu nunca dei por causa disso… mas um bom prato de comida etc. Não fora convencido pela explicação razoável, para não dizer silogística, do administrador: “(…) a Superintendência da Zona Sul e a Guarda Municipal do Rio de Janeiro têm retirado estas pessoas e encaminhado a abrigos, mas vocês percebem que eles sempre voltam? Não vão para Santa Cruz, nem para Nova Iguaçu, Campo Grande; eles vêm para Ipanema. Por que será? Nascer aqui eles não nasceram. Vêm porque tem algo de bom. Esse algo de bom são as pessoas que dão esmola e comida”. Nós os mandamos para longe, mas eles sempre voltam, como aqueles seres fabulosos, meio idiotas, meio geniosos – os atiramos pela janela e quando nos viramos estão sentados na nossa cama. Seria da ordem da maldição, como a Cracolândia, que sempre se refaz. (mais…)

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GCM invade espaço de convivência de moradores de rua e agride padre Júlio Lancelloti

Segundo Júlio Lancelloti, da Pastoral do Povo da Rua, guardas municipais entraram usando gás de pimenta e pistola de choque no local, onde diariamente almoçam cerca de 800 pessoas

por Luciano Velleda, da RBA

Cerca de 20 integrantes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) invadiram na manhã desta sexta-feira (14) o Centro Comunitário São Martinho de Lima, na Mooca, região central de São Paulo – um espaço de convivência diariamente usado por pessoas em situação de rua para fazer refeições e higiene pessoal. O tumulto começou com os policiais tentando recolher pertences das pessoas no local, o que causou revolta. (mais…)

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Júlio Lancellotti: ‘Há uma ação de extermínio dos moradores de rua’

Em entrevista em vídeo a CartaCapital, o padre da Pastoral do Povo da Rua denuncia ações violentas da GCM e a política higienista

por Tatiana Merlino, Carta Capital

As ações contra a população de rua estão cada vez mais truculentas, afirma o padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, que há mais de 30 anos trabalha com pessoas em situação de rua. Embora acredite que a política de higienização esteja presente em todas as gestões da prefeitura de São Paulo, ele afirma que a situação só piora. “Não há continuidade das ações, o que um começa o outro termina”, critica. (mais…)

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