Morrer de sede em frente ao rio São Francisco

Na coluna Clima e Comunidade, a vida dos agricultores afetados pela transposição. Foram deslocados com a esperança de água abundante. Passados 15 anos, assentamentos são marcados por saúde mental deteriorada e poços secos

por Damião Ferreira Fernandes, em Outras Palavras*

Tudo começou em 1998 quando começaram  as primeiras especulações sobre um grupo de topógrafos que apareceram na comunidade de Riacho de Boa Vista (onde hoje está localizada a parede do Barragem de Boa Vista) para fazer estudo de solos e colher algumas amostras de terras e pedras pra análises. Chegaram dizendo que era um estudo para construir um açude, coisa que na época ninguém acreditou, e houve uma certa resistência por parte dos proprietários para deixar as maquinas entrarem em suas propriedades para perfurar o solo. Achavam que esse grupo estava atrás de minérios como ouro, diamante ou qualquer outro tipo de pedra preciosas. Acompanhei todo o processo, tinha oito anos na época. Nem de longe passou pela minha cabeça que ali seria um dos maiores reservatórios de barragem do sistema que, hoje, comporta o Projeto de Integração das Bacias do Rio São Francisco no Sertão Setentrional (PISF). O solo era perfurado, catalogado e depois embalado e enviado para Recife. Enfim, depois de concluídos os trabalhos, foram embora e ninguém nunca mais ouviu falar sobre o tal açude.

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Se o governo quiser resolver os problemas do Nordeste, terá que enfrentar a indústria da seca. Entrevista especial com João Abner Guimarães Júnior

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

A expectativa de que a nova gestão do governo federal pudesse tratar as pautas históricas do semiárido, como a gestão dos recursos hídricos do Nordeste e a seca, embasadas em critérios técnicos, rompendo com as políticas praticadas nos últimos anos, foi frustrada até o momento, porque a “máquina da indústria da seca está presente dentro do governo, com todos os seus agentes que formam uma grande rede de proteção que mantém essa política independentemente de quem seja o presidente”, lamenta João Abner Guimarães Jr, professor titular aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. Segundo ele, apesar de a maioria dos governos estaduais do Nordeste serem da oposição, “não parece haver nenhum conflito entre eles e o governo federal em relação a como proceder com as questões do semiárido”.

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Indústria da seca aflige a população nordestina e irriga os bolsos dos empreiteiros. Entrevista especial com João Abner Guimarães Júnior

Por: Ricardo Machado – IHU On-Line

Pelo sétimo ano consecutivo a estiagem no Nordeste dá as caras. Apesar de o período de chuvas ter iniciado regionalmente na última semana, durante o carnaval, os volumes de precipitação ainda são insuficientes. De acordo com o professor e pesquisador João Abner Guimarães Júnior, em entrevista por telefone à IHU On-Line, a barragem Armando Ribeiro Gonçalves, no Rio Grande do Norte, que tem capacidade para 260 milhões de metros cúbicos de água, recebeu apenas 3 milhões nesta última semana, isto é, 20 vezes menos do que o volume acumulado em fevereiro de 2017. O problema, contudo, não é só de captação, afinal a estação chuvosa está recém no início, mas de gestão da água. “Trabalha-se com gestão de recursos hídricos para abastecimento urbano há mais ou menos 100 anos e com irrigação há mais ou menos 20 anos. Esses dados nos mostram que a primeira coisa de que precisamos é gestão. O problema é que se ficar oferecendo água para irrigação, o nível dos reservatórios vai cair, e isso acontece em um período em que ocorre a maior seca em cem anos”, critica o pesquisador. (mais…)

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A crise hídrica no DF e a importância da Reforma Agrária Popular nesse cenário

É importante destacar que o problema da crise hídrica não se deve apenas às condições climáticas. Os parcelamentos irregulares do solo, a grilagem de terras e a enorme especulação imobiliária do DF são fatores que impactam o meio ambiente

Por Adriana Gomes e Bárbara Loureiro
Da Página do MST

Com quase seus 58 anos de existência oficial, o Distrito Federal enfrenta sua pior crise hídrica. As Regiões Administrativas do Distrito Federal vem enfrentando racionamento de água de um dia por semana, e a previsão é que para o ano de 2018 o racionamento se estenda para dois dias. Atualmente, os principais reservatórios de abastecimento do Distrito Federal operam com 28% (reservatório de Santa Maria) e 27% (reservatório do Descoberto, este responsável pelo abastecimento de dois terços dos moradores do DF) de capacidade total. (mais…)

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Programa Cisternas: um exemplo de política pública que teve origem na sociedade civil e que não pode ser interrompido. Entrevista especial com Valquíria Lima

Patricia Fachin – IHU On-Line

Na direção oposta aos projetos governamentais que apostam na construção de grandes obras como a solução para o enfrentamento da seca e dos problemas de abastecimento no Semiárido brasileiro, o Programa Cisternas, que nasceu de uma demanda e parceria entre a sociedade civil, organizações não governamentais e o Estado, foi premiado, no último dia 22 de agosto, como uma das políticas públicas mais relevantes no combate à desertificação. A escolha do Programa Cisternas foi feita pelo World Future Council em parceria com a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, e a cerimônia de premiação será realizada em setembro, durante a 13ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas, em Ordos, na China. (mais…)

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Os ‘campos de concentração’ da seca: uma história esquecida no Brasil

Por Carola Silé, AFP/Yahoo

Quase ninguém no Brasil se lembra ou sequer conhece esta história, mas ela existiu: no começo do século XX, quando o Nordeste vivia – como nos dias de hoje – terríveis secas, as autoridades construíram “campos de concentração” para evitar que agricultores famintos do Ceará migrassem em massa para a capital.

Os registros históricos e os jornais da época descrevem as construções como acampamentos, onde milhares de famílias do semiárido eram obrigadas a viver em condições sub-humanas: amontoadas, quase sem comida, em um espaço insalubre, cercado e custodiado por guardas. (mais…)

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Seca no semiárido nordestino se agravará até abril

Claudia Izique – Agência FAPESP

A seca no semiárido do Nordeste do país, que já dura seis anos, poderá se agravar até abril: há 75% de probabilidade de as chuvas ficarem na média e abaixo da média climatológicas entre os meses de fevereiro e abril, aponta o último relatório do Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal (GTPCS) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTI). (mais…)

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Um século de secas: o que mudou nas políticas no Semiárido brasileiro?

Por Catarina Buriti  e Humberto Barbosa, no Irpaa

Em 1930, Rachel de Queiroz estreava na literatura brasileira com o romance “O Quinze”. Uma contundente crítica social, a obra abordava a severa seca ocorrida no Nordeste do Brasil, mais precisamente no município de Quixadá (CE), em 1915. Apresentava as consequências devastadoras do silencioso desastre sobre pequenos produtores rurais, como migração, fome, sede, morte, falta de trabalho, entre outras. O romance também relatou o drama de personagens nos tenebrosos campos de concentração, espaços construídos pelo governo nos arredores das grandes cidades, incluindo da capital Fortaleza, para alojar “retirantes” ou “flagelados” que fugiam da seca e impedir que perturbassem os espaços urbanos. (mais…)

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Adeus às secas com milhões de mortos

A seca que, desde 2012, castiga a região semiárida do Nordeste do Brasil já é mais severa do que a registrada entre 1979 e 1983, a mais prolongada do século 20. Mas agora não causa as tragédias do passado. Não estão ocorrendo as mortes em massa por fome e sede, nem o êxodo de multidões castigadas pela falta de água, que invadiam cidades e saqueavam seus comércios, ou buscavam melhor sorte em terras distantes no centro-sul, região mais desenvolvida do país

Envolverde / CPT

A falta de chuvas, porém, está presente em tudo. A Caatinga, o bioma exclusivo da região do semiárido brasileiro, parece morta, com exceção de algumas árvores resistentes e áreas onde garoas recentes reverdeceram os arbustos. A represa de Tamboril, nos arredores de Ouricuri, cidade de 68 mil habitantes no oeste do Estado de Pernambuco, está seca há mais de um ano. Felizmente a cidade também conta com a água do rio São Francisco, que fica a 180 quilômetros, por meio de aquedutos. (mais…)

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