Paraisópolis: a dinâmica de uma favela que pode inspirar metrópoles a serem mais cidades. Entrevista especial com Eduardo Pizarro

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

favela de Paraisópolis, em São Paulo, está nas manchetes de todo o Brasil em decorrência da morte de nove jovens depois de uma ação da polícia militar num chamado em um baile funk ao ar livre. O triste episódio revela a esquizofrenia das ações policiais em regiões onde vivem populações mais pobres das grandes cidades. Como questão de fundo, fica o desafio de compreender as dinâmicas sociais próprias desses espaços.

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Rio de Janeiro, espelho narcísico do Brasil, é um caldeirão único. Entrevista especial com Luciane Soares

IHU On-Line

As políticas de segurança pública implementadas no Rio de Janeiro nos últimos governos “acabaram naufragando diante da sua fragilidade institucional”, diz a socióloga Luciane Soares à IHU On-Line. Ao comentar os altos índices de criminalidade no estado carioca, as disputas envolvendo o tráfico de drogas e a polícia, a expansão das milícias e as tentativas governamentais de enfrentar esses problemas, Luciane lembra que a cada novo governo “o Rio de Janeiro vai oscilando entre uma política e outra”.

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Rio de Janeiro. A guerra contra os pobres: militarização e violência estatal

Em um estudo comparativo entre a realidade das favelas do Rio e os territórios palestinos ocupados, a pesquisadora Gizele Martins reflete: “O que os moradores do conjunto de favelas da Maré viveram durante a Copa do Mundo de Futebol não é muito diferente do que vivem os palestinos. A militarização da vida é algo constante e assustador. Lá são os caças que atravessam diariamente a vida das pessoas, aqui, são os caveirões aéreos (helicópteros blindados e armados). O trágico é perceber que há uma naturalização mundial da violência que ambos os povos sofrem por parte dos poderes estatais e militares”.

por Alberto Azcárate, em El Salto / IHU On-Line*

De fato, existem várias relações e analogias que autorizam a comparação: o Batalhão de Operações Especiais Carioca treina em Israel. O Brasil é o quinto maior comprador mundial de armas israelenses. Os carros blindados que rodam nas grandes cidades brasileiras são da mesma procedência. O Rio de Janeiro, como a Palestina, ostenta seu “muro da vergonha”, construído em 2009 para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, perto do complexo de favelas da Maré. As autoridades o chamaram de “barreira acústica”, argumentando que era para preservar seus habitantes do ruído dos carros – a favela existe desde 1940. Ninguém duvida que o muro foi levantado para evitar que os estrangeiros, que assistiram os eventos, soubessem que – para muitas pessoas – a cidade estava longe de ser ‘maravilhosa’.

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A estúpida guerra às drogas

A política de repressão, sob nome de s‘guerra às drogas’ não para de assombrar e exterminar as populações mais pobres

Hempadão / CartaCapital

O argumento da “necessidade de combater o crime” é simplista demais para justificar a forma como o tráfico de drogas é reprimido por forças policiais. Um elemento desta questão é bem didático e serve para explicar o problema: Operações que não desarticulam o narcotráfico, mas são celebradas pela apreensão de drogas ou morte de suspeitos são o pior retrato de uma política enxuga-gelo.

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“A favela não é o problema, é a solução para a habitação no Brasil”. Essa afirmação não vale mais para o Brasil de hoje. Entrevista especial com Alba Zaluar

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

“Foram erros políticos que abriram a passagem para todo tipo de aventureiro que vinha com uma solução mágica, despótica e, essa sim,  militarizada”, diz a antropóloga Alba Zaluar à IHU On-Line ao comentar as mudanças na política de segurança pública no Rio de Janeiro e a eleição do governador carioca Wilson Witzel. Na avaliação dela, até o ano de 2013, “o Rio de Janeiro havia experimentado uma política que conseguiu baixar tanto a taxa de homicídios quanto o que se convencionou chamar de ‘letalidade policial’, ou seja, as mortes provocadas por policiais”. Essa política, pontua, “foi interrompida em 2013, após a morte de Amarildo, o que aumentou as resistências já existentes, inclusive em grande parte da esquerda, sobre as Unidades de Polícias Pacificadoras – UPPs, consideradas como a ‘militarização da favela’”.

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Vai na Web: Empoderamento Através da Programação nos Prazeres e Alemão #RedeFavelaSustentável

por Ben Bildsten, em RioOnWatch

O Morro dos Prazeres e o Complexo do Alemão exemplificam as muitas diferenças geográficas, demográficas, econômicas e culturais entre as numerosas favelas cariocas. Construído em uma encosta, com ângulo de 55 graus, do bairro de Santa Teresa, o Morro dos Prazeres—que abriga aproximadamente 10.000 habitantes, segundo os moradores—tem poucas ruas formais e está entre as áreas urbanizadas situadas nas maiores altitudes do Rio. Apesar da proximidade geográfica do bairro com o Centro do Rio, os moradores dos Prazeres relatam acesso precário a empregos estáveis, um cenário agravado pelo relativamente limitado comércio local e acesso ao transporte público, na área.

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“Não gosto do helicóptero porque ele atira para baixo e as pessoas morrem”

Crianças do Complexo de Favelas da Maré descrevem horror da vida sob fogo cruzado em mais de 1.500 cartas enviadas para a Justiça do Rio, que restabelece regras mínimas para operações policiais no local. Seis jovens morrem nos últimos cinco dias em outras comunidades fluminenses

por Felipe Betim, em El País

A favela sangra. “Não gosto do helicóptero porque ele atira para baixo e as pessoas morrem”, escreveu uma criança, que não especifica nome ou idade, para os desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O colorido desenho que acompanha a mensagem mostra um helicóptero da polícia com agentes armados atirando em direção ao solo, onde há um traficante mas também crianças. Elas correm. No desenho e na vida real. “Isso é errado”, completou o pequeno morador do Complexo de Favelas da Maré, um conjunto de 16 comunidades pobres da zona norte da capital onde cerca de 140.000 pessoas moram. Mais de 1.500 cartas e desenhos foram reunidos pela ONG Redes da Maré e entregues à Justiça na última segunda-feira junto com a petição de que fosse restabelecida uma Ação Civil Pública que regula e restringe as operações policiais no lugar. Aceita pela Justiça no segundo semestre de 2017, ajudou a diminuir todos os índices de violência ao longo de um ano. Mas acabou suspensa em junho de 2019. Diante do apelo dos moradores, acabou revalidada nesta quarta-feira, restabelecendo parâmetros mínimos para as ações, como a exigência da presença de uma ambulância e o veto a operações durante o horário de entrada e saída de alunos das escolas.

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A luta que pode ressurgir das periferias

Nas metrópoles brasileiras, multidões vivem em favelas. Esquecidos pelos serviços públicos, são os principais afetados pelo neoliberalismo. É aí que podem surgir movimentos tão surpreendentes como foi, nos anos 1970, o Custo de Vida

por Maister F. da Silva, em Outras Palavras

Segundo o Censo 2010 do IBGE, o Brasil tinha cerca de 11,4 milhões de pessoas morando em favelas e cerca de 12,2% delas (ou 1,4 milhão) estavam no Rio de Janeiro. Considerando-se apenas a população desta cidade, cerca de 22,2% dos cariocas, ou praticamente um em cada cinco, eram moradores de favelas. No entanto, ainda em 2010, Belém era a capital brasileira com a maior proporção de pessoas residindo em ocupações desordenadas: 54,5%, ou mais da metade da população. Salvador (33,1%), São Luís (23,0%) Recife (22,9%) e o Rio (22,2%) vinham a seguir. No entanto, o IBGE só realiza estudos sobre o aumento demográfico desses conglomerados a cada 10 anos, levando a crer que seguramente desde o ano de 2010 esse número aumentou significativamente.

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Famílias oriundas do Metrô-Mangueira lutam pela permanência no MCMV ao terem promessas quebradas pela Prefeitura

por Tyler Strobl, em RioOnWatch

Antes de 2010, os moradores do Metrô-Mangueira, favela próxima ao estádio Maracanã na Zona Norte do Rio, foram abordados por supostos funcionários da prefeitura—com a alegação que estavam no local para colher dados de quem precisava do Bolsa Família. Ansiosos para receber assistência, muitos moradores da comunidade “se inscreveram, dando suas informações pessoais para os ‘assistentes sociais’”. Mal sabiam eles que essa missão de coleta de informações não era para o propósito de registrar famílias para o programa federal; em vez disso, o processo de inscrição iniciaria um período de vários anos de remoção em massa da comunidade.

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