Favelas do Brasil: acreditar em si mesmo é a única alternativa. Entrevista especial com Renato Meirelles

Por: Ricardo Machado, em IHU On-Line

A produção e a circulação econômica das favelas do Brasil ultrapassam a ordem de R$ 119,8 bilhões por ano, o que corresponde a uma grandeza maior que o Produto Interno Bruto – PIB de Honduras. Vivendo, na maior parte dos casos, no hiato das políticas públicas e das benesses sociais do  capitalismo, o empreendedorismo de si torna-se não propriamente uma alternativa, mas a única saída para muitos moradores. “Se por um lado é verdade que ela [a população da favela] é vítima do sistema [capitalista], de outro não parecem existir muitas alternativas a não ser acreditar em si mesmo. Esses brasileiros já entenderam que não há outro jeito de ir para frente se não for com as próprias forças”, relata o pesquisador Renato Meirelles, um dos autores da pesquisa Economia das favelas. Renda e consumo nas favelas brasileiras, em entrevista por e-mail à IHU On-Line.

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A potência sufocada das periferias brasileiras

Não falta dinheiro: mudanças de impacto custariam 0,2% do PIB. Nem saídas: também os bairros medievais da Europa foram favelas. Duro é romper a lógica da segregação, e enfrentar os preconceitos de neoliberais e desenvolvimentistas

Por Ion de Andrade*, em Outras Palavras

A tragédia de Paraisópolis nos traz, num flash, um cenário devastado. Ele mostra, para além do massacre de nove jovens, uma vida cheia de precariedades e sofrimentos. Pela tragédia vêm aos jornais notícias sobre a qualidade de vida no bairro, os conflitos étnicos com a comunidade bem-nascida próxima e detalhes sobre o teatro de operações. Sabemos, então, que o baile funk era o único espaço de lazer para a juventude, não a de Paraisópolis, mas a de toda a região.

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‘Porto Maravilha’: o maior projeto de revitalização urbana do Rio, 10 anos depois

Por Tara Nelson, no Rio On Watch

Lançado em 2009, antes dos Jogos Olímpicos de 2016, o Porto Maravilha é o maior projeto carioca de revitalização urbana das última décadas. Descrito como uma oportunidade de transformar a antiga Região Portuária da cidade em um polo comercial próspero e um ponto turístico importante, o projeto foi firmado para “garantir que a população se beneficie da requalificação para melhorar sua qualidade de vida sem sair da área”, de acordo com o site oficial do Porto Maravilha. A lei complementar que instituiu o projeto (Lei Municipal 101/2009) requeria que o governo implementasse ações que promovessem desenvolvimento social e econômico para a população local. O projeto foi marcado, porém, por tentativas de remoções, falta de transparência, mau uso das verbas públicas, e ficou incompleto.

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Até 30% dos moradores da Rocinha correm risco de remoção se o Plano de Reurbanização do Governo avançar

Por Camila Piccolo, no Rio On Watch

No dia 14 de dezembro, um grupo de 30 moradores da favela da  Rocinha,  Zona Sul, se reuniu na paróquia local, Nossa Senhora da Boa Viagem. A maioria estava preocupada. Muitos temiam remoções em meio aos ambiciosos planos de desenvolvimento do governo. Pelo terceiro mês consecutivo, o Rocinha Sem Fronteiras, um grupo comunitário que se reúne mensalmente para discutir questões de moradores, se reuniu para debater o provável impacto massivo do programa Comunidade Cidade, proposto pelo estado.

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Paraisópolis: a dinâmica de uma favela que pode inspirar metrópoles a serem mais cidades. Entrevista especial com Eduardo Pizarro

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

favela de Paraisópolis, em São Paulo, está nas manchetes de todo o Brasil em decorrência da morte de nove jovens depois de uma ação da polícia militar num chamado em um baile funk ao ar livre. O triste episódio revela a esquizofrenia das ações policiais em regiões onde vivem populações mais pobres das grandes cidades. Como questão de fundo, fica o desafio de compreender as dinâmicas sociais próprias desses espaços.

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Rio de Janeiro, espelho narcísico do Brasil, é um caldeirão único. Entrevista especial com Luciane Soares

IHU On-Line

As políticas de segurança pública implementadas no Rio de Janeiro nos últimos governos “acabaram naufragando diante da sua fragilidade institucional”, diz a socióloga Luciane Soares à IHU On-Line. Ao comentar os altos índices de criminalidade no estado carioca, as disputas envolvendo o tráfico de drogas e a polícia, a expansão das milícias e as tentativas governamentais de enfrentar esses problemas, Luciane lembra que a cada novo governo “o Rio de Janeiro vai oscilando entre uma política e outra”.

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Rio de Janeiro. A guerra contra os pobres: militarização e violência estatal

Em um estudo comparativo entre a realidade das favelas do Rio e os territórios palestinos ocupados, a pesquisadora Gizele Martins reflete: “O que os moradores do conjunto de favelas da Maré viveram durante a Copa do Mundo de Futebol não é muito diferente do que vivem os palestinos. A militarização da vida é algo constante e assustador. Lá são os caças que atravessam diariamente a vida das pessoas, aqui, são os caveirões aéreos (helicópteros blindados e armados). O trágico é perceber que há uma naturalização mundial da violência que ambos os povos sofrem por parte dos poderes estatais e militares”.

por Alberto Azcárate, em El Salto / IHU On-Line*

De fato, existem várias relações e analogias que autorizam a comparação: o Batalhão de Operações Especiais Carioca treina em Israel. O Brasil é o quinto maior comprador mundial de armas israelenses. Os carros blindados que rodam nas grandes cidades brasileiras são da mesma procedência. O Rio de Janeiro, como a Palestina, ostenta seu “muro da vergonha”, construído em 2009 para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, perto do complexo de favelas da Maré. As autoridades o chamaram de “barreira acústica”, argumentando que era para preservar seus habitantes do ruído dos carros – a favela existe desde 1940. Ninguém duvida que o muro foi levantado para evitar que os estrangeiros, que assistiram os eventos, soubessem que – para muitas pessoas – a cidade estava longe de ser ‘maravilhosa’.

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A estúpida guerra às drogas

A política de repressão, sob nome de s‘guerra às drogas’ não para de assombrar e exterminar as populações mais pobres

Hempadão / CartaCapital

O argumento da “necessidade de combater o crime” é simplista demais para justificar a forma como o tráfico de drogas é reprimido por forças policiais. Um elemento desta questão é bem didático e serve para explicar o problema: Operações que não desarticulam o narcotráfico, mas são celebradas pela apreensão de drogas ou morte de suspeitos são o pior retrato de uma política enxuga-gelo.

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“A favela não é o problema, é a solução para a habitação no Brasil”. Essa afirmação não vale mais para o Brasil de hoje. Entrevista especial com Alba Zaluar

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

“Foram erros políticos que abriram a passagem para todo tipo de aventureiro que vinha com uma solução mágica, despótica e, essa sim,  militarizada”, diz a antropóloga Alba Zaluar à IHU On-Line ao comentar as mudanças na política de segurança pública no Rio de Janeiro e a eleição do governador carioca Wilson Witzel. Na avaliação dela, até o ano de 2013, “o Rio de Janeiro havia experimentado uma política que conseguiu baixar tanto a taxa de homicídios quanto o que se convencionou chamar de ‘letalidade policial’, ou seja, as mortes provocadas por policiais”. Essa política, pontua, “foi interrompida em 2013, após a morte de Amarildo, o que aumentou as resistências já existentes, inclusive em grande parte da esquerda, sobre as Unidades de Polícias Pacificadoras – UPPs, consideradas como a ‘militarização da favela’”.

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