Nos caminhos do tempo: Catarina e Félix. Por José Ribamar Bessa Freire

“Tem dia é muito bom de ver, está bem azul o mar”.  
(Catarina Kerexu, entrevista a Tupã Ra´y. 2017)

No TaquiPraTi

Quem assiste o documentário “Caminhos do Tempo” de Alberto Alvares Tupã Ra´y não pode deixar de admirar dona Catarina Kerexu e seu esposo Félix Karai Mirim, herdeiros da sabedoria guarani. O cineasta grava o relato da longa caminhada da família e de seus filhos, netos e bisnetos, que saem do Rio Grande do Sul, com paradas em aldeias de cinco estados, até chegar em Itaipuaçu, Maricá (RJ). Está tudo lá: o nascer da aldeia, a construção da casa de reza e da escola, a religião, a roça, a culinária, a música, a alegria das crianças, o mar azul, a aurora, o pôr do sol, a visão de mundo dos Guarani.

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Militar da Funai libera obra em terra indígena que atende ocupação ilegal . Por Rubens Valente

No Uol

Em um ofício enviado à prefeitura de São Félix do Xingu (PA), o coordenador regional da Funai no sul do Pará, o capitão da reserva do Exército Raimundo Pereira dos Santos Neto, “autorizou” a recuperação de uma estrada dentro de uma terra indígena sem consultar as lideranças indígenas. A obra beneficiará as famílias não indígenas que ocupam ilegalmente a Terra Indígena Apyterewa, no sul do Pará.

Kaworé Parakanã, presidente da Associação Tato’a, que representa os parakanãs de Apyterewa, disse que os indígenas não foram ouvidos sobre a obra e que o ofício do coordenador será denunciado ao Ministério Público Federal e à própria Funai. “Ele não pode estar autorizando. Não aceitamos. Eles são a favor dos invasores. Eles são aliados da prefeitura de São Félix. A gente não foi consultado sobre isso. Nem informação prévia nem nada. A invasão está muito feia, muito ruim. Cada vez mais está entrando mais pessoas lá dentro”, disse Kaworé.

O presidente da associação estima que há mais de 3 mil famílias ocupando irregularmente a Apyterewa.

A Apyterewa foi homologada pela Presidência da República em 2007 e reconhecida como território da etnia parakanã desde 1982. Um documento do governo fala em 5 mil invasores e 500 casas em apenas uma das vilas construídas dentro da terra indígena. Em um ponto do território o governo listou dois postos de gasolina, dois mercados, quatro igrejas, oficinais mecânicas, salão de beleza e até uma fábrica de beneficiamento de arroz.

O compromisso de o governo federal retirar essas famílias era uma condicionante judicial para que a União conseguisse a licença ambiental de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte (PA), inaugurada pela presidente Dilma Roussef em 2016. Parte das famílias foi retirada mas, em 2016, já no governo de Michel Temer, a União abandonou o plano.

O ritmo da invasão aumentou a partir da posse do presidente Jair Bolsonaro, segundo os indígenas, pois os invasores viram uma oportunidade de tentar reduzir a demarcação do território indígena, de 770 mil hectares. Várias hostilidades foram registradas contra equipes de fiscalização que tentavam reprimir a onda de desmatamento e destruição do patrimônio ambiental.

Em novembro do ano passado, um grupo de invasores cercou a base de fiscalização, na qual estavam agentes do Ibama, da Força Nacional e depredou veículos. No mesmo ano, a prefeitura ajuizou um pedido, acolhido pelo STF (Supremo Tribunal Federal), para supostamente tentar uma “conciliação” com os indígenas que envolveria a redução do território. O governo Bolsonaro faria parte dessa “conciliação” por meio da AGU (Advocacia Geral da União).

É nesse ambiente de tensão que o representante da Funai emite a “autorização” de uma obra que beneficiará os colonos.

Os indígenas da Associação Tato’a disseram à coluna que só ficaram sabendo da obra a partir de um vídeo que circulou em aplicativo de telefone celular. Na gravação, o prefeito de São Félix, João Cleber (MDB), entrega a “autorização” da Funai a um suposto representante das famílias de colonos que ocupam a terra Apyterewa. O vídeo registra um discurso público do prefeito ocorrido na presença do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB).

“Eu como prefeito provoquei a Funai porque vivem aqui, governador, mais de 3 mil familiares do Apyterewa. Vivem ali jogado à míngua. E eu provoquei a Funai através do Raimundo Neto e ele autorizou que o município pode entrar com máquinas, recuperar as estradas lá dentro do Apyterewa. Tá aqui já autorização, vou passar já para a associação do Apyterewa”, disse o prefeito no vídeo.

“E a gente assim que terminar os eixos principais, o município vai entrar com as máquinas e recuperar as vicinais da associação do Apyterewa”, afirmou Cleber, que em seguida chamou ao palco um líder dos ocupantes. “Betinho, queria te entregar para você, pode subir aqui, a autorização da Funai onde reconheceu realmente que você vive numa situação ali que tem que ser resolvida. Betinho, nosso parceiro [palmas]. Taí Betinho, a autorização.”

O ofício, assinado por Neto em 24 de junho último, diz que a recuperação da estrada “não cerceará o direito de ir e vir dos habitantes locais”. Afirma ainda que a obra na estrada “beneficiará os indígenas, os habitantes locais, a Funai, o Ibama, a Força Nacional, facilitando assim a trafegabilidade de suas viaturas em atividade de proteção, fiscalização e monitoramento territorial para recuperação e melhorias na vicinal do município”.

“O coordenador Regional dos Kayapós do Sul do Pará e ordenador de despesas da Apyterewa autoriza a realização da recuperação da vicinal na região do paredão (Apyterewa), próximo ao distrito da taboca”, diz o documento.

O ofício faz “ressalvas”, ao mencionar que a autorização “não inclui licença para uso de imagens, som de voz dos indígenas para além do objeto desta autorização, não inclui acesso ao conhecimento tradicional associado à biodiversidade, não inclui acesso ao patrimônio genético”. Por fim, diz que “fica expressamente proibida qualquer outra atividade dentro da terra indígena, que não aquela autorizada, não sendo permitida a exploração qualquer natureza sob pena de responsabilidade nas esferas administrativas, civil, penal e ambiental”.

A Funai em Brasília, o prefeito João Cleber e a prefeitura de São Félix do Xingu foram procurados pela coluna na manhã desta sexta-feira (23), mas não houve resposta a um pedido de esclarecimentos. Se houver manifestação, este texto será atualizado.

Grupo de invasores cercou, em novembro de 2020, a base de operações do Ibama e da Funai na Terra Indígena Apyterewa, no Pará. Imagem: Reprodução

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Aliança de golpe e eleição. Por Janio de Freitas

A Abin é sempre esquecida quando o golpe é citado, e esse é um erro

Na Folha

Um indicador visível e seguro dos efeitos do bolsonarismo nas Forças Armadas, segundo a parte mais notória da opinião pública, veio da opção de confiança depositada em duas repórteres ou no general de quatro estrelas e ministro da Defesa que as contestou, Walter Braga Netto. Mesmo sem possibilidade de oferecer prova do que noticiaram, as duas jornalistas viram-se acreditadas enquanto a nota contestatória do general-ministro ruía em desconsideração imediata e irremediável.

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A estética do ressentimento. Por Maria Rita Kehl

Considerações sobre personagens dominados pelo afeto do ressentimento.

No A Terra é Redonda

O ressentimento é um afeto de forte apelo dramático. Funciona bastante bem como elemento polarizador da ação, no cinema ou no teatro, e também para promover a identificação do espectador com alguns personagens, vistos como vitimados pelas circunstâncias ou, principalmente, pelos outros.

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Larissa Bombardi: “Pesquisadores vivem ameaças como na ditadura”

Radicada na Bélgica, professora da USP que estuda papel nocivo dos agrotóxicos na produção de alimentos diz que ficou impossível permanecer no Brasil em meio a “terrorismo psicológico”.

Por Edison Veiga, na DW

Foram dois anos em que a geógrafa brasileira Larissa Mies Bombardi, professora da Universidade de São Paulo (USP), não conseguia dormir em paz. O pesadelo começou com o lançamento, na Europa, da versão em inglês do seu atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia.

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Nota de Repúdio: Por uma Funai de Estado

A Indigenistas Associados – INA, associação de servidores da Funai, emite nota de repúdio sobre o áudio vazado no qual o Coordenador Regional da Funai do Vale do Javari (AM) incentiva indígenas a “meter bala” em grupos de indígenas isolados. Leia na íntegra a seguir ou baixe em PDF.

NOTA DE REPÚDIO: Por uma Funai de Estado

 Sobre a qualificação de cargos de confiança na estrutura do Indigenismo

A Indigenistas Associados – INA vem a público defender a exoneração imediata do Coordenador Regional do Vale do Javari da Fundação Nacional do Índio (Funai), Henry Charlles Lima da Silva, e que as autoridades competentes apurem se houve incitação ao crime de genocídio por parte deste Coordenador Regional, conforme o Art. nº 286 do Código Penal (“incitar, publicamente, a prática de crime”) e o Art. 6° do Estatuto de Roma, promulgado pelo Decreto n° 4.388/2002, que define o crime de genocídio como:

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Uma deputada da ultradireita alemã no Brasil

Dirigente da AfD, Beatrix von Storch se encontrou com Bia Kicis e Eduardo Bolsonaro em Brasília. Neta de um ministro do regime nazista, ela provocou escândalo em 2016 ao se manifestar favorável a atirar em refugiados.

Por Jean-Philip Struck, na DW

Na quinta-feira (22/07), a deputada de extrema direita Bia Kicis (PSL-DF) exibiu em suas redes sociais uma foto com a parlamentar alemã Beatrix von Storch, do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD). O registro foi feito durante um encontro em Brasília. Poucas horas depois, foi a vez de o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o filho “03” do presidente Jair Bolsonaro, fazer o mesmo.

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Complexificando a avaliação do Estatuto da Cidade: 20 anos de luta e captura. Por Raquel Rolnik

Confira o artigo de Raquel Rolnik, incluído na coletânea “20 anos de Estatuto da Cidade: experiências e reflexões”, organizado por Edésio Fernandes e publicado pela editora Gaia Cultural, em 2021

No Diplomatique Brasil

10 de julho de 2001. Há 20 anos, exatamente, estava sendo aprovado o Estatuto da Cidade. Para alguns, que têm se manifestado neste momento de balanço de duas décadas da aprovação, se trata de uma lei absolutamente fundamental, que conseguiu concretizar, através de instrumentos de intervenção na organização territorial da cidade, ideias que haviam sido lançadas na Constituição de 1988, como a função social da cidade, a função social da propriedade, a  obrigatoriedade de participação popular no planejamento urbano  além do  fundamental  reconhecimento do direito daqueles que vivem na cidade a poder ter acesso à moradia e à cidade. 

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Banditismo e gestão da força de trabalho: A inovadora parceria entre o iFood e as milícias

Considerável parte dos entregadores do iFood, principalmente em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, trabalha sob um sistema jagunço, em que banditismo e gestão da força de trabalho se cruzam 

Por Leo Vinicius Liberato, no Diplomatique Brasil

Talvez você, leitor, tenha conhecimento de parte da realidade de trabalho dos entregadores de aplicativo. É uma categoria de relativa visibilidade. Mas o que será exposto aqui, pela primeira vez, é uma realidade de ameaças a que os entregadores do iFood estão submetidos.

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Manifesto de 40 coletivos de igrejas evangélicas apoia o movimento “Fora, Bolsonaro”. Por Juan Arias

Toda uma série de grupos evangélicos levanta sua voz contra os abusos de um Governo e de um presidente que, dizendo-se cristão, age em total desacordo com os ensinamentos dos livros sagrados

El País

As igrejas evangélicas começam a abandonar Bolsonaro, que aposta na morte contra a vida. Mais de 40 movimentos e coletivos dessas igrejas assinaram, segundo o site Brasil 247, um manifesto denominado “Coalizão evangélica contra Bolsonaro”.

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