Precisamos voltar às bases. Por Luiz Fernando Horta

Quem abandonou o PT não foi o pobre — fiel por 23 anos —, mas a classe média que o partido criou, espremeu entre a Selic e o medo, e entregou ao fascismo que lhe devolveu a distinção

No A Terra é Redonda

Em 23 de outubro de 2018, nos Arcos da Lapa, com Chico Buarque e Caetano Veloso no palco e Fernando Haddad a cinco dias de perder a eleição, Mano Brown pegou o microfone e disse o que ninguém ali queria ouvir: “Se nós somos o Partido dos Trabalhadores, o partido do povo, nós temos que entender o que o povo quer. Se não sabe, volta para a base e vai procurar saber.”

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Tudo se decidirá em duas semanas. Por Valerio Arcary

Entre o STF, a chantagem dos EUA e um empate técnico, o desfecho eleitoral dependerá da capacidade de mobilizar pobres, nordestinos, negros e mulheres contra o avanço do bolsonarismo

No A Terra é Redonda

“Não repita as mesmas táticas que o levaram à vitória, mas
mude seus métodos de acordo com a infinita variedade de situações”
(Sun Tzu, A arte da guerra).

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Umas caras terrivelmente de pau. Por Hugo Souza

Há uma cena do filme Ausência de malícia, de 1981, que algum ministro antimáfia do STF deveria exibir no plenário do tribunal, numa próxima “sessão do fim do mundo”.

No Come Ananás

“Por que ele quer que eu vaze isso?” pergunta-se em voz alta a repórter Megan Carter, do Miami Standard, mas só quando o editor-chefe do jornal já trabalha na matéria toda ela estribada no vazamento — um vazamento ostensivamente facilitado por um promotor com rabo e couro de predador oportunista. A cena é do filme Ausência de malícia, de 1981. Enquanto decide se escreve “fontes informadas” ou “fontes confiáveis”, se tasca “principal suspeito”, “suspeito-chave” ou só “suspeito” para referir o alvo da informação passada às escondidas, o editor dá de ombros para o ceticismo tardio da repórter. “Por que ele quer que eu vaze isso?” preocupa-se Carter. O chefe responde: “não dá tempo de tentar entender”.

Após a matéria ser publicada, a informação vazada seria desmentida, refutada, revelou-se improcedente, convinha apenas aos métodos heterodoxos, por assim dizer, de um promotor em busca de prestígio.

Em outro momento do filme de Sydney Pollack, Megan Carter, interpretada por Sally Field, diz assim a Michael Gallagher, personagem de Paul Newman: “Tenho 34 anos, não preciso ser cortejada”. Nada obstante, a repórter que já não é nenhuma jovenzinha é usada não uma, mas duas vezes para servir a interesses particulares, cruzados e inconfessáveis: logo de cara por promotores arrivistas, depois pelo alvo do vazamento ardiloso, Gallagher, que dedica-se à vingança depois que a matéria desastrosamente incorreta do Miami Standard arrasa seu negócio e leva sua amiga de infância ao suicídio.

É terrível a cena em que Teresa Perrone (Melinda Dillon) corre descalça pelos jardins da vizinhança, de manhãzinha, recolhendo de porta em porta a edição do Miami Standard com a notícia do aborto que fizera em segredo meses antes, em Atlanta, a mil quilômetros do sul da Flórida. Ela, católica devota e funcionária de uma escola paroquial. Hoje, Teresa Perrone teria de contratar um super hacker de Araraquara para derrubar uma miríade de blogs, portais e contas no Discord, antes de cortar os pulsos com uma lâmina de barbear.

Falar em línguas

Paul Newman, Sydney Pollack e Melinda Dillon já morreram. Sally Field tem 79 anos e acaba de ganhar um Emmy por Criaturas extraordinariamente brilhantes. Sua Megan Carter, pela qual recebeu uma indicação ao Globo de Ouro de 1982, pode até lembrar um pouco uma repórter brasileira, mas não muito, porque do mal de Carter — ausência de malícia — a criatura extraordinariamente ardilosa não morre, não. A quem serve este ou aquele vazamento, ou melhor, este (providencial) e não aquele (inconveniente): desse metiê, desse “jogo de omertà”, ela entende muito bem.

Mas há uma cena de Ausência de malícia que algum ministro antimáfia do STF deveria exibir no plenário do tribunal, numa próxima “sessão-bomba” ou “sessão do fim do mundo”. É uma cena do fim do filme na qual o procurador-geral assistente dos EUA chega a Miami enquadrando geral. Ele olha duro para o promotor-vazador do Departamento de Justiça, que de resto incumbira um agente de espionar o promotor público local, e pergunta: “como é que você investiga o promotor sem avisar o departamento?”. O promotor federal responde que “era só preliminar. Não tinha um caso concreto”. Lembra alguém?

Seria mesmo magnitski exibir no plenário Victor Nunes Leal, num telão, o procurador-geral assistente dos EUA dando 30 dias para o terrivelmente descarado promotor do DoJ apresentar sua carta de demissão. Era capaz de o “pixuleco eleitoral” arrancar os folículos pilosos e citar algum parágrafo, inciso ou alínea das Tábuas da Lei — as de Moisés — na língua estranha dos anjos.

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A síndrome da impotência arrogante. Por José Luís Fiori

Da guerra no Irã à fuga secreta num contêiner, na Turquia, fracassos de Trump se acumulam. Antigos aliados afastam-se. Popularidade despenca e pode levar a desastre eleitoral. Ainda assim, multiplicam-se as explosões de cólera e onipotência…

No Outras Palavras

Existem pequenos “acidentes”, na história, que são emblemáticos e que conseguem sintetizar e desvelar – ao mesmo tempo – situações de enorme complexidade. Como foi o caso, por exemplo, do que aconteceu na cidade de Ancara, no dia 8 de julho de 2026, quando o presidente Donald Trump foi retirado às pressas do seu avião presidencial e levado, escondido num caminhão contêiner de refeições, para um outro aparelho militar menor e mais discreto que o retirou da Turquia e o transportou para Inglaterra. E, na cidade de Londres, foi recolocado no Air Force One, para que pudesse sair pela sua porta da frente, como se nada tivesse acontecido. Tudo isto logo depois de ter participado da reunião anual da OTAN, a organização militar mais poderosa do mundo, onde foi advertido pelo serviço secreto de Israel de que sofreria um atentado da parte do Irã.

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A eleição para evitar a catástrofe. Por Sylvia Debossan Moretzsohn

Uma luta anti-imperialista como nunca antes na história recente deste país exige explorar o medo para impedir a instalação do horror.

No Substack

“A eleição não é entre Lula e Flávio Bolsonaro. É entre Lula e Trump”.

Com esta singela frase, publicada no início da semana em sua página no Facebook, o professor Gilberto Maringoni resumiu o que está em jogo neste pleito: uma luta anti-imperialista como nunca antes na história recente deste país.

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Pessoas negras são alvo da maioria dos gastos com prisões em 25 estados e DF, diz estudo

Para advogada do Justa dado demonstra seletividade penal e políticas estaduais com lógica punitivista

Por Wanessa Celina | Edição: Ludmila Pizarro, Agência Pública

A cada R$ 10 gastos com prisões no ano passado, em 26 unidades federativas do país, R$ 6 foram dirigidos ao encarceramento de pessoas negras. Essa é uma das conclusões do estudo realizado pelo Centro de Pesquisa Justa sobre investimentos em segurança pública nos estados brasileiros. Segundo o levantamento, divulgado nesta quinta-feira, 17 de setembro, o investimento no sistema prisional dos estados chegou a R$ 22,3 bilhões, valor que não abrange apenas o Acre, que não forneceu os dados ao Justa. Desse total, R$ 13,7 bilhões foram gastos tendo como alvo pessoas pretas ou pardas.

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Documentário Usina Cambayba (RJ) movimenta debate sobre justiça de transição no MPF

Curta-metragem apresenta relatos sobre a ocultação e incineração de corpos de desaparecidos políticos na antiga usina de cana-de-açúcar em Campos dos Goytacazes (RJ)

Procuradoria da República no Rio de Janeiro

A busca por justiça, verdade e reparação, em defesa da preservação da memória dos mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar brasileira, foi tema da sessão-debate promovida pelo Ministério Público Federal (MPF). O evento, realizado no auditório do Memorial da Procuradoria da República no Rio de Janeiro na última terça-feira (15), exibiu o documentário Usina Cambayba, dirigido pelo cineasta Marcelo Fonseca.

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MPF pede reestruturação urgente da educação escolar para 3,5 mil crianças e jovens Yanomami em Roraima

Ação aponta falhas estruturais na educação de crianças, jovens e adultos e pede criação de grupo de trabalho para plano integrado de atendimento

Procuradoria da República em Roraima

“A gente não quer ouro, não quer cassiterita, a gente quer escola, quer que os nossos filhos aprendam”, afirmou uma moradora da aldeia Porakasi, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Outra indígena, da comunidade Watatase, destacou a importância das aulas para afastar os jovens da cooptação pelo garimpo ilegal: “Eu quero que os meninos estudem, para pararem de brigar e não aceitarem mais vender a terra nem serem cooptados”.

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Foz do Amazonas: MPF volta a pedir a suspensão de licença de petróleo para proteger povos e comunidades tradicionais do Pará

Órgão recorreu a tribunal contra envio do processo ao Amapá e cobra consulta prévia a comunidades tradicionais impactadas pelo projeto

Procuradoria da República no Pará

O Ministério Público Federal (MPF) pediu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), nesta quinta-feira (17), a suspensão imediata da licença de perfuração de petróleo concedida à Petrobras na Foz do Amazonas. O órgão defende que a ação permaneça na Justiça Federal do Pará para garantir os direitos de indígenas, quilombolas e pescadores artesanais que vivem na costa paraense.

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A pedido do MPF, Justiça ordena ações para regularizar território ribeirinho impactado pela Rodovia Liberdade (PA)

Incra, Embrapa e União têm 90 dias para delimitar área e apresentar plano de criação de assentamento agroextrativista

Procuradoria da República no Pará

A Justiça Federal atendeu a um pedido urgente do Ministério Público Federal (MPF) e determinou que o poder público adote medidas para regularizar o território de três comunidades ribeirinhas impactadas pela implantação da Rodovia Liberdade no Pará.

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