Quando o povo toma as ruas: o levante brasileiro e a resistência global ao extremismo

A democracia revelou sua força mais profunda: a capacidade de um povo se organizar, ocupar os espaços e enfrentar o medo

Por Henrique Menezes, Brasil de Fato

No dia 25 de outubro, não houve apenas uma eleição no Brasil. Houve um levante popular democrático, uma onda de indignação, esperança e resistência que já reverbera para além de nossas fronteiras.

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Nota Pública: Pela vida, pela democracia e pela proteção dos povos e territórios indígenas: basta de violência!

Na Abrasco

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) manifesta profunda indignação e repúdio diante das graves denúncias de violência contra povos indígenas no contexto posterior ao segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, realizado em 25 de outubro de 2026.

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Lula venceu e Flávio Bolsonaro fugiu. Por Valerio Arcary

O levante cívico-eleitoral que reverteu a iminente derrota combinou medo do poder total da extrema direita e esperança de vitória, mobilizando milhões em uma onda vermelha sem precedentes nas ruas e nas redes

Em A Terra é Redonda

“A história se repete, primeiro como tragédia depois como comédia” (Karl Marx).

1.

Lula venceu e Flávio Bolsonaro fugiu. A história acelerou, abruptamente. Nada será como antes. A virada era difícil, e até improvável, mas se confirmou, mais uma vez, que nada é impossível quando a classe trabalhadora se coloca em movimento, inspirando a maioria dos oprimidos, como nas Diretas Já, em 1984, e em 1992 na campanha Fora Collor.

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Caso Vale: MPF e instituições de Justiça ouvem comunidades em Juatuba e Betim (MG) atingidas por rompimento de barragem

Encontros reforçam a centralidade dos atingidos na reparação e fazem parte de ciclo de escutas que passará por outras regiões da Bacia do Rio Paraopeba

Procuradoria da República em Minas Gerais

O Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais (DPMG) e o Governo do Estado de Minas Gerais realizaram, na terça-feira (27), reuniões de escuta com a população atingida pelo rompimento, em 2019, da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG). As atividades ocorreram nos municípios de Juatuba e Betim, integrantes da Região 2 da Bacia do Rio Paraopeba. O objetivo dos encontros foi promover a escuta qualificada da população atingida, ampliar a transparência sobre as ações de reparação dos anexos do Acordo Judicial firmado a fim de reparar os danos do rompimento e fortalecer o diálogo direto entre os compromitentes e as comunidades de Juatuba e Betim.

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Da “causa perdida” ao indigenismo encarnado: livro sobre Egydio Schwade resgata luta indígena na ditadura e alerta para violências atuais

Lançado na PUC Minas na noite de ontem (28), obra do historiador Tiago F. dos Santos reconstrói a trajetória do indigenista entre 1972 e 1980 e reuniu gerações em noite de memória, denúncia e esperança

Por Cimi

A PUC Minas, em Belo Horizonte, recebeu na noite desta quarta-feira (28) o lançamento do livro “Da causa perdida ao indigenismo encarnado: a trajetória de Egydio Schwade nos anos de chumbo (1972–1980)”, do historiador Tiago F. dos Santos, professor e pesquisador do PPGICH/UEA e do PPGH/UFAM. O encontro reuniu o próprio Egydio Schwade, um dos fundadores do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), lideranças indígenas, religiosos, pesquisadores e estudantes. Para o autor, foi “uma noite histórica”, por colocar em diálogo gerações que viveram e que hoje estudam a transformação da sociedade civil brasileira e da política indigenista. O lançamento integra a programação do II Ciclo de Diálogo TEKOÁ, que acontece na capital mineira. Veja a programação. 

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MPF busca na Justiça direito à segurança de comunidade tradicional do Renascer, em Cabedelo (PB)

Ação ajuizada aponta que violência impede famílias de circular, trabalhar e permanecer no território

Procuradoria da República na Paraíba

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação para garantir o direito à segurança da comunidade tradicional do Renascer, em Cabedelo (PB), na região metropolitana de João Pessoa, diante de um quadro continuado de violência e controle territorial exercido por organizações criminosas. Segundo o MPF, a insuficiência das medidas adotadas pelo poder público tem comprometido a proteção das famílias e o exercício de direitos fundamentais, como a livre circulação, a moradia e o trabalho.

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MPF solicita informações sobre apuração de listas de boicote e perseguição política na Região Sul

PFDC pede aos procuradores-gerais de Justiça de RS, SC e PR dados sobre investigações cíveis e criminais contra a difusão de listas discriminatórias pós-eleições

Procuradoria-Geral da República

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão do Ministério Público Federal (MPF), enviou ofício aos procuradores-gerais de Justiça dos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul solicitando informações sobre as providências adotadas acerca da circulação de listas de boicote, perseguição e intimidação motivadas por posicionamento político pós-eleições. A medida foi tomada no âmbito de procedimento administrativo aberto pela PFDC para tratar do tema.

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MPF abre investigações sobre onda de violência e ataques contra comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) acionou órgãos federais após escalada de ameaças, assassinatos e suspeitas de envenenamento de água no Estado

O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF/MS) instaurou procedimentos para investigar uma série de acusações sobre ataques, hostilidades e intimidações contra comunidades indígenas no Estado. As apurações tiveram início após denúncias encaminhadas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) a órgãos federais, relatando o aumento de episódios de violência, atropelamentos, ameaças e suspeitas de contaminação de água após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Para apurar a veracidade das acusações e garantir a proteção dos territórios, o MPF/MS distribuiu frentes regionais de investigação em municípios do sul do Estado, obtendo conclusões importantes sobre os fatos relatados.

Naviraí: diligências descartam crime contra indígenas e revelam desinformação

No município de Naviraí, o procurador da República Marco Antonio Delfino de Almeida instaurou apuração para averiguar denúncias de supostos homicídios motivados por conflitos políticos na região. Contudo, uma investigação detalhada conduzida pela assessoria do 1º Ofício da PRM Dourados desmentiu os boatos:

  • Contatos com lideranças: Lideranças das comunidades Kurupi e Mboreviry negaram a ocorrência de ataques a seus integrantes, relatando apenas notícias genéricas sobre um crime na área urbana.
  • Apuração policial e judicial: Em resposta a pedidos de informação, a 4ª Promotoria de Justiça de Naviraí e a Prefeitura Municipal esclareceram que o caso registrado na cidade foi uma tentativa de duplo homicídio decorrente de um desentendimento familiar e interpessoal, sem qualquer motivação política ou étnica.
  • Uso distorcido de imagens: As autoridades confirmaram que fotos do crime interpessoal circularam na internet de forma adulterada e fora de contexto, sendo falsamente associadas a um suposto ataque contra indígenas.
  • Checagem de identidade: A análise dos documentos oficiais e a verificação no sistema interno do MPF (RADAR/SPPA) confirmaram que nem as duas vítimas (Junho Alves Fernandes e Renan Willian de Souza Vieira) nem seus genitores possuem histórico de pertencimento indígena. Por precaução, o MPF/MS expediu ofício à Secretaria de Saúde Indígena (SESAI/MS) para esgotar a checagem nos cadastros de assistência do órgão.

Tacuru: prazo de 48h para a prefeitura e recomendação de afastamento de servidores

Enquanto as denúncias em Naviraí foram esclarecidas como desinformação, no município de Tacuru as investigações seguem intensas sob a responsabilidade do 6º Ofício da Procuradoria da República em Dourados/MS. O foco recai sobre denúncias de atos de intimidação contra integrantes das comunidades indígenas locais, incluindo uma suposta ameaça de envenenamento da água consumida pelos indígenas.

Na esfera cível, o MPF/MS expediu ofício urgente com prazo de 48 horas para que a Prefeitura de Tacuru preste informações sobre:

  1. Apuração de áudios com ameaças: Averiguação da autoria, autenticidade e divulgação de gravações com intimidações direcionadas aos povos originários.
  2. Continuidade dos serviços públicos: Medidas adotas para garantir a segurança e a manutenção do atendimento essencial prestado às comunidades.

O MPF/MS recomendou ainda que, caso os levantamentos apontem indícios consistentes de autoria dos áudios por parte de servidores municipais, a Prefeitura promova a imediata abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e o afastamento cautelar dos investigados de suas funções, assegurando a lisura das apurações e a integridade das populações atingidas.


Assessoria de Comunicação
Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul

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Críticas do público fazem imprensa dar nome a golpismo de Bolsonaro, aponta Fabiana Moraes

Primeiros títulos dos jornais de hoje não chamaram carta de golpista

Por Amanda Audi | Edição: Bruno Fonseca, em Agência Pública

Assim que foi divulgada a carta golpista na qual o candidato derrotado Flávio Bolsonaro se autoproclamou “presidente” do Brasil, muitos jornais brasileiros divulgaram a fala como se fosse mais uma notícia, em tom declaratório, sem evidenciar seu teor golpista.

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O presente do irracionalismo

Revisionismo sobre os crimes da ditadura e o movimento antivacina, entre outras expressões de ignorância, é parte da destruição da razão e do retorno ao obscurantismo anticientífico. Muito mais que a ciência e a razão, reacionários temem a transformação

Por Michel Goulart da Silva*, em Outras Palavras

Os últimos anos foram marcados por ataques contra o conhecimento histórico, como parte do combate do irracionalismo contra os diversos campos da ciência.1 Cada área do conhecimento vem sentindo o impacto do negacionismo e do questionamento a suas bases epistemológicas mais básicas, sendo atacadas pelas aberrações produzidas pelo irracionalismo, entendido como uma forma de olhar o mundo que se funda “em um conhecimento intuitivo, que não requer nenhuma evidência ou comprovação”.2 O revisionismo sobre os crimes da ditadura e o movimento antivacina, entre outras expressões abomináveis de ignorância, são parte de um projeto de destruição da razão e de retorno ao obscurantismo anticientífico que remonta a antes do Renascimento. Os reacionários assim interpretam essa dinâmica:

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