Editorial de A Terra é Redonda
As eleições presidenciais de 2026 são mais que apenas uma eleição. Trata-se de uma disputa entre os que querem a manutenção do Estado Democrático de Direito e as forças que pretendem colocar o Brasil como uma espécie de protetorado dos EUA, tentando devolver o país a uma condição neocolonial – como já está ocorrendo em outros países da América do Sul. O mundo vive uma onda avassaladora de contestação da democracia. Com a extrema direita à frente, o neofascismo apresenta-se aos eleitores como a restauração de uma antiga ordem em nome de “Deus, Pátria e Família”.
A extrema direita é, no entanto, o inverso de tudo o que apregoa. Sua transfiguração em “bem” resulta de operações de aplicação de técnicas de produção de imagem em tempos de pós-verdade e pós-vergonha, impulsionadas pela disseminação na internet. Ela faz com que uma parcela dos eleitores acredite que o mal é o bem, que a mentira é a verdade, que o mau é bom, que o ignorante é sábio. Técnicas antigas das disputas políticas, como atribuir seus próprios defeitos ao adversário, são empregadas à exaustão nas redes sociais.
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