Regimes militares na América Latina atingiram particularmente as mulheres. Estupros em massa, gravidezes forçadas, esterilizações e servidão sexual foram usados para disciplinamento social. Muitas calaram sobre o que viveram, por medo de represálias e do descrédito
Por Claudia Bacci*, para a coluna da Biblioteca Virtual do Pensamento Social
Edição: Maurício Ayer (TEL/UnB), Projeto Caminho de Formiga.
A elaboração de memórias coletivas dolorosas na América Latina se reativa a cada aniversário dos golpes de Estado e dos conflitos armados que atravessaram a região nas décadas de 1960 a 1980. No Cone Sul, esses marcos recentes incluem os 60 anos do golpe no Brasil (1964-1985), os 50 anos dos golpes no Chile (1973-1990) e no Uruguai (1973-1985), e neste ano, os 50 anos do golpe na Argentina (1976-1983). Os regimes de terror político-social e de espoliação econômica impostos pelas ditaduras militares –com ativa participação de setores civis– deixaram marcas profundas em nossas sociedades e continuam produzindo disputas públicas. No que segue, vou apresentar um dos nós do passado ditatorial na região: a violência de gênero no tratamento dos crimes das ditaduras.
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