Tela Brasil para além do óbvio

Por Alysson Oliveira, no blog da Boitempo

No começo desta semana, a plataforma de cinema nacional Tela Brasil anunciou os cinco filmes mais vistos nos primeiros quinze dias do streaming lançado pelo Ministério da Cultura. Sem muita surpresa, eles são: A hora da estrela, de Suzana Amaral; Deus e o Diabo na terra do Sol, de Glauber Rocha; Carandiru, de Hector Babenco; O menino e o mundo, de Alê Abreu; e O que é isso, companheiro?, de Bruno Barreto. Mas, entre os mais de 500 filmes disponíveis no serviço, há pérolas e curiosidades que merecem ser descobertas.

Continue lendo “Tela Brasil para além do óbvio”
Ler maisTela Brasil para além do óbvio

Trabalho: um mercado ainda mais hostil às mulheres

Apesar das contratações aquecidas, disparidade salarial entre mulheres e homens cresceu desde 2024. Elas possuem maior escolaridade, mas são submetidas a ocupações desvalorizadas e de alta rotatividade. E restrições ao trabalho são tratadas como “preferências individuais”

Por Erik Chiconelli Gomes, em Outras Palavras

A taxa de participação feminina no mercado de trabalho brasileiro oscila em torno de 53% desde 2019, sem que a recuperação econômica pós-pandêmica ou a expansão do emprego formal registrada entre 2023 e 2025 tenham produzido alteração significativa nesse patamar. A PNAD Contínua do quarto trimestre de 2024 registrou 48,5 milhões de mulheres na força de trabalho, o maior contingente absoluto da série histórica iniciada em 2012, ao passo que a taxa de participação de 53,1% permaneceu inferior ao pico de 54,6% atingido no terceiro trimestre de 2019. A dissociação entre o crescimento absoluto da força de trabalho feminina e a estagnação de sua proporção relativa impõe uma questão analítica que transcende o registro descritivo da conjuntura. O que está em jogo não é uma insuficiência temporária de postos de trabalho, mas a operação contínua de mecanismos estruturais que delimitam a inserção feminina no trabalho remunerado, mecanismos ancorados na divisão sexual do trabalho, nas hierarquias raciais, na segmentação ocupacional e na precariedade da provisão pública de cuidados. Esse conjunto de determinações configura um regime de participação feminina que combina inclusão quantitativa e subordinação qualitativa, regime que se reproduz mesmo em contextos de aquecimento do mercado de trabalho.

Continue lendo “Trabalho: um mercado ainda mais hostil às mulheres”
Ler maisTrabalho: um mercado ainda mais hostil às mulheres

Entre as ruínas, a Copa do Mundo vista em Gaza

Num café, uma pequena multidão reúne-se em torno da tela, alimentada por “gato”. Um ex-jogador profissional, afastado dos campos pela guerra, reúne os amigos para torcer. Ouvem-se os drones israelenses, todo o tempo. Mas o futebol atrai: “Seguimos em frente, apesar de tudo”

Por Dawoud Abu Alkas, Haseeb Al-Wazeer e Nidal Al-Mughrabi, em Outras Palavras

Fadi al-Arawi, jogador de futebol da Primeira Divisão da Faixa de Gaza, não consegue mais voltar a entrar em campo desde que as competições esportivas profissionais foram suspensas há mais de dois anos, por conta do genocídio que Israel comete no enclave.

Continue lendo “Entre as ruínas, a Copa do Mundo vista em Gaza”
Ler maisEntre as ruínas, a Copa do Mundo vista em Gaza

Brasil e Índia: duas vias para a soberania sanitária

No país asiático, “farmácia do mundo”, a indústria nacional da saúde é mais robusta e controle de patentes farmacêuticas mais rígido. Mas comparação exige cautela: entre outras diferenças, lá não há SUS. O que podemos aprender para pensar o PL 2583/2020?

Por Reinaldo Guimarães*, autor convidado em Outra Saúde

Um artigo recente publicado no jornal digital JOTA faz uma análise crítica à proposta do Ministério da Saúde (MS) expressa no PL 2583/2020, ora tramitando no Congresso. A iniciativa do ministério respondeu a uma recomendação da Advocacia Geral da União com vistas a fortalecer a segurança jurídica da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP). Essa política vem orientando a relação do SUS com o Complexo Industrial da Saúde desde 2008 e atualmente compõe a missão 2 da política industrial brasileira, a Nova Indústria Brasil.

Continue lendo “Brasil e Índia: duas vias para a soberania sanitária”
Ler maisBrasil e Índia: duas vias para a soberania sanitária

Polarização política brasileira e o extremismo disfarçado de encanto. Entrevista especial com Paolo Demuru

“Discursos desse tipo ameaçam a democracia de forma evidente, são discursos que criam desconfiança nas instituições, em um país como o Brasil, onde a democracia não voltou há muito tempo”, afirma o pesquisador

Por: Luana de Oliveira, em IHU

extremismo é uma característica vinculada às políticas de extrema-direita, algo que vemos repercutir com grande profundidade nos últimos anos. A questão central é que movimentos assim não surgem do nada. Normalmente, o fascismo se instaura em uma sociedade que já não se identifica com as políticas públicas de seu país, sendo parte de uma radicalização desesperada que mina aos poucos os resquícios de democracia existente em uma nação.

Continue lendo “Polarização política brasileira e o extremismo disfarçado de encanto. Entrevista especial com Paolo Demuru”
Ler maisPolarização política brasileira e o extremismo disfarçado de encanto. Entrevista especial com Paolo Demuru

Como a agropecuária devasta as áreas de floresta e de comunidades tradicionais no Brasil?

Com ações em torno do meio ambiente e denúncia do agronegócio, de 1 a 7 de junho, o MST realizou a Jornada Nacional em Defesa da Natureza e seus Povos; entenda como as pastagens do Agro destroem a natureza e o papel da agroecologia como alternativa concreta

Por Solange Engelmann, da Página do MST

A abertura de áreas de floresta tem sido uma prática adotada ao longo de décadas para dar lugar à agricultura, agropecuária, construções de centros urbanos, entre outros, mas principalmente para a produção de áreas de monoculturas, que invadem os territórios antes cobertos por diversos tipos de vidas, cultura e espécies. Essa prática se intensifica na década de 1970, com a “Revolução Verde”, e a abertura de novas fronteiras agrícolas pela ditadura militar, o avanço do capital e da mecanização no campo, que inclusive, tem como resultado a expulsão de agricultores a trabalhadores rurais do campo, criando a chamada categoria dos hoje “sem-terra”.

Continue lendo “Como a agropecuária devasta as áreas de floresta e de comunidades tradicionais no Brasil?”
Ler maisComo a agropecuária devasta as áreas de floresta e de comunidades tradicionais no Brasil?

Famílias ligadas ao MST ocupam área na Gleba Vila Amazônia e denunciam grilagem em Parintins (AM)

Por Mídia Cabocla e Rede de Notícias da Amazônia,
com informações da CPT Amazonas

Cerca de 60 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, no dia 30 de maio, uma área localizada na comunidade Nova Olinda, no km 23 do Assentamento Gleba Vila Amazônia, zona rural de Parintins (AM).

Continue lendo “Famílias ligadas ao MST ocupam área na Gleba Vila Amazônia e denunciam grilagem em Parintins (AM)”
Ler maisFamílias ligadas ao MST ocupam área na Gleba Vila Amazônia e denunciam grilagem em Parintins (AM)

Povo Kaiowá e Guarani volta a retomar área na TI Iguatemipeguá II: “Autoridades preferem que a gente morra lutando a demarcar”

No último dia 26 de abril, batalhões da PM já haviam realizado a retirada à força dos indígenas da Fazenda Limoeiro levando seis detidos

Cimi

Famílias Kaiowá e Guarani retomaram, na madrugada desta quarta-feira (17), a Fazenda Limoeiro, propriedade sobreposta ao tekoha Tapykora Korá — lugar onde se é —, parte da Terra Indígena (TI) Iguatemipeguá II. Ainda não há informações consolidadas, mas os Kaiowá relatam que, entre 15h e 16h (horário local), batalhões da Polícia Militar (PM) se dirigiram ao território para realizar o despejo.

Continue lendo “Povo Kaiowá e Guarani volta a retomar área na TI Iguatemipeguá II: “Autoridades preferem que a gente morra lutando a demarcar””
Ler maisPovo Kaiowá e Guarani volta a retomar área na TI Iguatemipeguá II: “Autoridades preferem que a gente morra lutando a demarcar”

Depois do fogo, o que será da Amazônia?

Como práticas de ocupação da Amazônia se repetem em diferentes momentos da história. Lúcio Flávio Pinto resgata um fato ocorrido em 1976 e, 50 anos depois, ele descreve como “os ocupantes das áreas amazônicas de floresta dão mais um passo para desafiar o poder público”

Por Lúcio Flávio Pinto, da Amazônia Real

Foi exatamente 50 anos atrás. Era 1976 e eu fazia reportagem sobre o projeto de colonização da construtora Andrade Gutierrez no sudoeste do Pará. Já havia obtido todas as informações sobre o empreendimento, que acabou não se consolidando nessa fase. Embora se declarasse disposta a não repetir os muitos erros da colonização oficial, dirigida pelo governo, quando os colonos começaram a derrubar árvores e procurar ouro, a Andrade desistiu do seu projeto.

Continue lendo “Depois do fogo, o que será da Amazônia?”
Ler maisDepois do fogo, o que será da Amazônia?

MPF recomenda que Colégio Militar do Rio suspenda concurso para professor e garanta vagas para cotistas em todas as especialidades

Recomendação decorre de investigações que constataram restrições ilegais na inscrição de candidatos negros, indígenas, quilombolas e com deficiência

MPF

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou ao Colégio Militar do Rio de Janeiro (CMRJ) a suspensão do concurso público voltado ao provimento de vagas da Carreira de Magistério do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT). Representações recebidas pelo MPF informavam a falta de opção de inscrição no certame para a opção por vagas reservadas a pessoas negras e o bloqueio do sistema eletrônico para a inscrição de cotistas em disciplinas sem vagas de reserva imediata.

Continue lendo “MPF recomenda que Colégio Militar do Rio suspenda concurso para professor e garanta vagas para cotistas em todas as especialidades”
Ler maisMPF recomenda que Colégio Militar do Rio suspenda concurso para professor e garanta vagas para cotistas em todas as especialidades