No UOL
A seleção masculina argentina fez, outra vez, o impossível em campo. Perdendo para os ingleses, parecendo não conseguir mais encontrar força física para correr, ela foi buscar uma virada improvável, heroica, emocionante, dramática. Em campo, esse time deixa o que tem, o que não tem, o que vem da Terra e o que cai do céu. Toda bola vale a vida. Toda bola vale a honra. Toda bola vale o mundo.
A Argentina nunca deixou de ser dentro de um campo de futebol o que é culturalmente. Ao contrário do Brasil, que pratica o entreguismo filosófico de sua cultura futebolística imitando europeus de forma triste e vulgar, a Argentina, mesmo perdendo, segue sendo o que seu povo quer que ela seja. Facilita, claro, ter Messi em campo. Mas poderíamos também ter alguém genial vestindo a nossa 10 se não tivéssemos deixado de formar meias ou aberto mão da criatividade, da coragem, da ousadia, do drible, do Brasil verdadeiro. Neymar não cumpriu seu destino, que poderia ter sido chegar perto de ser Messi. Optou por jamais amadurecer, por não ser jogador tático, por virar celebridade.
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