De la Espriella assume a presidência num país polarizado. Seu discurso é de paranoia e paramilitarismo. Ostenta vida de luxo num dos países mais desiguais do mundo. E insufla a virilidade e o machismo como virtudes máximas. Como venceu?
Por Juliana Marín Taborda e Alejandro Giraldo Quintero, no Lundimatin | Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras Palavras
Desde a contestada ascensão de Abelardo de la Espriella à presidência da Colômbia, jamais o país parecera tão dividido [1], tendo a metade da população votado a favor daquele que se apresentava como defensor de uma “Pátria Milagre” e que propunha tanto a “bombardear e pulverizar com venenos os campos de coca” [2] quanto a eliminar o “inimigo interno” que, em sua visão, constituem o comunismo e o “petrismo” (em referência ao presidente de esquerda Gustavo Petro), supostamente manchados pelo “sangue dos cidadãos indefesos assassinados pelas bombas dos terroristas que Iván Cepeda [o candidato de esquerda à sucessão de Petro, oposto a Abelardo de la Espriella na eleição de 2026] e Petro protegeram […]”. “A democracia não perecerá diante do terror dos exércitos de Cepeda e Petro” [3], brada a todo vapor o novo “presidente” colombiano de extrema-direita. Durante uma conversa telefônica com o candidato Abelardo, o presidente argentino populista libertário Javier Milei concordava a respeito de Cepeda: “vamos com tudo, você tem que derrotar esse esquerdista filho da puta” [4]. Assim, o presidente recém-eleito tem como primeiro projeto “desmembrar a esquerda” [5] e declara que “aqueles que não quiserem se submeter ao império da lei deverão cair sob o fogo das armas do Estado” [6].
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