12 anos de lixão: povo Akroá Gamella conquista vitória contra Prefeitura de Viana (MA)

Por Agência Tambor, com edição de Carlos Henrique Silva (Comunicação CPT Nacional)

A Justiça Federal condenou a Prefeitura de Viana por manter, durante mais de uma década, um lixão a céu aberto dentro do Território Indígena Taquaritiua, do povo Akroá Gamella. A decisão, resultado de ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF), determina o encerramento definitivo da área, a recuperação ambiental e a elaboração de uma política municipal de gestão de resíduos sólidos.

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Luta sem fim: região de Zumbi vive disputa por terra e dignidade

Séculos depois do Quilombo de Palmares, o ICL Notícias esteve na mesma região que desafiou o sistema colonial e que continua testemunhando uma batalha existencial por cidadania

Por Jamil Chade/ acampamento Che Guevara, Serra da Barriga, Alagoas, do ICL Notícias, em MST

“Enxada é para quem tem coragem”. Com suas mãos calejadas e numa cadeira de balanço em ruínas e enferrujada, seu Adelino da Silva contempla a Serra da Barriga, uma espécie de terra sagrada da própria história da invenção do Brasil.

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Literatura afro-brasileira e sua contribuição para o debate antirracista no imaginário coletivo. Entrevista especial com Luciany Aparecida

“Escritoras como Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo geram movimentos de representatividade indispensáveis para a saúde antirracista e feminista do país”, afirma a escritora

Por: Luana de Oliveira, em IHU

A hegemonia de um país também se decifra nas palavras escritas na literatura. De acordo com o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea da Universidade de Brasília (UnB), cerca de 2,5% dos livros publicados no Brasil são de autoria de autores pretos ou pardos, algo completamente absurdo em um país onde 56% de sua população é predominantemente preta ou parda. O racismo estrutural assola corpos onde os espaços ainda são limitados por um sistema patriarcal dominado pela branquitude e pelo masculino. É nesse contexto que a literatura afro-brasileira emerge quebrando barreiras, impulsionando vozes negras em um cenário global. Contar histórias é ultrapassar o limite das entrelinhas e reescrever seu espaço na história, de forma a inspirar novas gerações de pessoas a conquistarem seus espaços de representação. Escritoras como Maria Firmina dos Reis (primeira romancista negra da América Latina) são uma inspiração para escritoras negras que partilham as histórias, a partir de uma literatura potente que produz novos imaginários. A sociedade ainda precisa compreender a importância dessas obras, de tal modo que elas não sejam discutidas e tiradas das prateleiras apenas em novembros de Consciência Negra.

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Aluguel: Assim Mamdani enfrenta a crise de moradia

Cidade congela valor para locação de um milhão de imóveis. Como inquilinos se organizaram e desmascararam a especulação. A aposta do prefeito na educação cidadã para enfrentar a burocracia municipal. E as novas lutas por moradia digna que podem emergir

Por Tara Raghuveer*, no The New York Review | Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

Em junho de 2026, o Conselho de Diretrizes de Aluguel de Nova York (Rent Guidelines Board, RGB) aprovou por sete votos a um o congelamento dos aluguéis (rent freeze), uma das principais promessas de campanha do prefeito democrata Zohran Mamdani, um jovem socialista de apenas 34 anos e origem muçulmana que assumiu o cargo em janeiro. Com uma campanha vibrante e arrojada, propôs saídas ao altíssimo custo de vida em Nova York e prometeu tornar a cidade mais acessível aos trabalhadores, com três bandeiras centrais: implantar a tarifa zero, universalizar o acesso à creche e congelar o preço dos alugueis. Agora, esta última sai do papel: a partir de outubro, os aluguéis regulado não poderão ser reajustados nos contratos que começarem ou forem renovados até setembro de 2027. A medida alcança cerca de um milhão de apartamentos. A atuação dos movimentos de inquilinos foi crucial — entre eles, o Housing Justice for All, coalizão estadual de organizações de inquilinos e pessoas sem moradia de Nova York da qual o próprio Mamdani militou.

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Cidades: o porquê de uma mobilidade feminista

Marcado pela ideia do homem provedor, transporte urbano prioriza trajeto casa-emprego. Rotas do trabalho reprodutivo seguem negligenciadas. Quais são elas? Como desenhar ambientes seguros e cidades que acolham mulheres e o Cuidado?

Por Jovana Božović*, no Eurozine | Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

O ambiente urbano nunca foi neutro em termos de gênero. Nas discussões críticas sobre a desigualdade de gênero, a divisão binária do espaço em esferas pública e privada frequentemente surge como um tema central. Os assuntos públicos – e, portanto, a esfera pública e a mobilidade – são dominados por homens desde a antiguidade, enquanto a esfera privada tem sido vista predominantemente como o domínio das mulheres e da vida familiar. Segundo a teoria urbana feminista, essa compreensão do espaço tanto ilustra quanto reproduz as tradicionais relações de poder baseadas no gênero.

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Para enfrentar a grita por “novo ajuste fiscal”

Mídia e economistas neoliberais alardeiam: dívida do Estado está se tornando “insustentável”; é preciso cortar radicalmente o gasto público. Para enfrentar esta campanha interesseira, vale examinar o papel da moeda e das relações econômicas e sociais que sua emissão produz

Por Luiz Martins de Melo*, em Outras Palavras

A dívida estatal é, na verdade, a riqueza financeira do setor privado. A contenção de gastos sem investimentos reais paralisa a economia. Portanto, temos que começar a derrubar os mitos sobre moeda, dívida pública e política fiscal disseminados todos os dias na mídia.

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Lula e a Defesa: proteger o país sem atiçar o militarismo

Invasão da Venezuela expõe vulnerabilidade do Brasil e importância do reaparelhamento militar. Mas precisa vir acompanhada de reforma das Forças Armadas, para não fortalecer nem os privilégios castrenses, nem possíveis aventuras antidemocráticas

Por Márcio Ferreira*, em Outras Palavras

Durante boa parte da redemocratização brasileira, a esquerda tratou o tema da defesa nacional com evidente desconforto. O trauma produzido por vinte e um anos de ditadura militar transformou qualquer aproximação com as Forças Armadas em terreno politicamente sensível. A defesa passou a ser percebida, muitas vezes, como pauta pertencente ao campo conservador, enquanto a esquerda concentrou suas energias nas agendas de direitos sociais, redistribuição de renda e ampliação da cidadania.

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Onde está o SUS nos programas dos candidatos?

O que as plataformas eleitorais revelam (e escondem) sobre o futuro da Saúde? Propostas variam de promessas de ampliação de serviços a entrega total ao setor privado. Resta uma questão: como ampliar o sistema público se o Brasil segue amarrado pelo ajuste fiscal?

Por Glauco Faria, em Outra Saúde

Em sua fala durante a realização da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em Niterói, no final de julho deste ano, a professora da UFRJ Ligia Bahia refletiu sobre o detalhamento das plataformas eleitorais de candidatos em eleições passadas e aquilo que é feito depois que os vencedores tomam posse. Segundo ela, esses documentos teriam pouca importância prática para os governos, pois nem todos os compromissos ali elencados se tornam realidade. Mas, para a pesquisadora, eles são reveladores pelo que não dizem. “O que não está previsto na plataforma não acontecerá”, pontuou na ocasião.

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Justiça suspende reintegração de posse após identificar sobreposição com aldeia Kapinawá em PE

Decisão da Vara Única de Ibimirim impede retirada de famílias da Aldeia Igrejinha até que Funai e Incra esclareçam situação fundiária

Cimi Regional Nordeste

A Justiça de Pernambuco suspendeu o cumprimento de uma ordem de reintegração de posse que poderia atingir famílias do povo Kapinawá na Aldeia Igrejinha, Terra Indígena (TI) Kapinawá, em Ibimirim, no Sertão do Estado. A decisão, assinada em 18 de agosto pelo juiz Daniel Luís de Oliveira, da Vara Única da Comarca de Ibimirim, determinou a interrupção imediata do mandado e proibiu qualquer remoção de famílias ou destruição de moradias, cercas, plantações e benfeitorias até nova deliberação.

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Impunidade após seis anos do massacre nos rios Abacaxis e Mari-mari (AM) é relatada à Organização das Nações Unidas

A organização internacional Human Rights Watch (HRW) apresentou Carta ao Relator Especial sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias das Nações Unidas, relatando o abuso dos policiais

Por Lígia Apel, do Cimi Regional Norte I

Há seis anos, no estado do Amazonas, acontecia um dos mais cruéis ataques contra a vida dos povos indígenas e ribeirinhos, executado por pessoas nas engrenagens do poder público e que abusam dessa posição. Um contingente de pelo menos 11 policiais chegou de forma hostil nas comunidades dos rios Abacaxis e Mari-mari, município de Nova Olinda do Norte, e, com requintes de crueldade, torturaram, assassinaram, ocultaram cadáveres e congelaram em um freezer uma criança de apenas seis anos. À época, o comando da Polícia Militar do estado era assumido pelo ex-comandante Ayrton Ferreira do Norte, pelo ex-secretário de Segurança Pública e coronel, Louismar Bonates, pelo tenente Moacir Gama Menezes e pelo investigador da polícia civil Eberth Ribeiro da Silva.

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