“É preciso perguntar que segurança as pessoas desejam, quais experiências de injustiça viveram, como compreendem a autoridade e o que esperam de um governo. Essas perguntas precisam ser respondidas por pesquisas e conversas, não por atribuições antecipadas de consciência política”, adverte a antropóloga
Por: Patricia Fachin, em IHU
À luz da psicanalise e de pesquisas antropológicas nas favelas cariocas, com destaque para a comunidade da Maré, a antropóloga Kátia Sento Sé Mello analisa as eleições deste ano a partir de uma dimensão simbólica e afetiva da vida social. A enxurrada de votos na extrema-direita no primeiro turno e a virada de Lula no segundo, exemplifica a pesquisadora, apontam para a complexidade e os dilemas envolvidos na decisão eleitoral. “Uma pessoa pode valorizar políticas de redistribuição de renda e, simultaneamente, defender concepções conservadoras sobre família ou segurança pública. Pode desejar maior presença do Estado e, ao mesmo tempo, desconfiar profundamente de suas instituições. É justamente essa complexidade que precisamos levar a sério”, diz na entrevista a seguir, concedida ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU por videochamada.
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