Médicos são acusados de perseguir colegas e sugerir boicote a pacientes por posicionamento político: ‘Senti um alvo na minha cabeça’

Por Julia Braun, da BBC News Brasil em Londres

“Na hora que eu recebi a lista, fiquei sem chão. Senti um alvo na minha cabeça”.

A frase é de um médico anestesiologista ouvido pela BBC News Brasil após ter sido incluído em uma lista de profissionais “esquerdistas” divulgada em um grupo privado de médicos após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Quanto mais branco, mais flávio

Newsletter do Observatório da Branquitude

O Observatório da Branquitude cruzou os resultados do segundo turno da eleição presidencial com a composição racial da população dos municípios brasileiros segundo o IBGE.

O levantamento mostrou o seguinte:

  • em quase todas (97,7%) as 443 cidades brasileiras de ampla maioria branca (nas quais o grupo racial é superior a 80% dos habitantes), Flávio Bolsonaro (PL) venceu;
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Servidores são afastados após ameaçarem envenenar indígenas no MS

Por Karla Mendes, no Mongabay

Dois funcionários da prefeitura de Tacuru, no Mato Grosso do Sul, foram afastados após ameaçarem envenenar a água consumida por indígenas Guarani-Kaiowá na aldeia Sassoró, após a confirmação da reeleição do presidente Lula. Ativistas, no entanto, afirmam que a medida é insuficiente para coibir a violência contra os indígenas.

“Falar sobre envenenar a água no Mato Grosso do Sul não é só racismo verbal, não é só uma mensagem de ódio. Ela tem base concreta de inúmeros eventos onde isso foi uma tática recorrente contra os povos indígenas do estado”, disse Matias Benno Rempel, coordenador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no estado.

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‘Há uma retaliação por nossa campanha a Lula’, afirma Célia Xakriabá sobre violência contra indígenas

Deputada atua em dossiê enviado às autoridades após episódios de incêndios criminosos, ameaças e até assassinatos

No Brasil de Fato

A Polícia Federal (PF) foi acionada pelo Ministério dos Povos Indígenas para investigar casos de violência contra indígenas Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul. Nesta quinta-feira (29), uma casa de reza de uma aldeia na região de Jaguapiré, em Tacuru, foi incendiada. Na mesma cidade, um servidor público enviou um áudio estimulando o envenenamento de indígenas por meio da água. O funcionário foi afastado.

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Para o meu irmão bolsonarista

O bolsonarismo é como uma chaga, uma ferida aberta que atravessa a vida política e alcança nossas relações mais íntimas 

Por Maycon Dougllas, Le Monde Diplomatique

Passado o segundo turno das eleições, meu irmão deixou de me seguir nas redes sociais. Quis cortar relações porque, segundo ele, não fazia sentido eu estudar tanto e, nas suas palavras, “ser tão cego”. O requinte de crueldade veio quando ele disse que não considerava nenhum diploma meu. Não pretendo reduzi-lo ao rótulo de “pobre de direita”. Aliás, viemos de uma família com quase nenhum poder aquisitivo. No final dos anos 1990, meus pais, assim como tantos outros, deixaram o Nordeste e foram para Brasília em busca de uma vida melhor.  

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Nota Pública: Abrasco repudia perseguições e manifestações de antissemitismo no Brasil

Na Abrasco

No último domingo, 25 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente da República, após a realização do segundo turno das eleições presidenciais. Nos dias seguintes, foram divulgadas, em diferentes partes do país, listas de profissionais e empresas que deveriam ser boicotados por terem apoiado sua candidatura.

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‘Primavera Brasileira’: como ato de estudantes virou onda global contra extrema direita

Marcha em Niterói iniciou efeito borboleta progressista que contou com fandoms e Janones e hoje inspira outros países

Por Aldrey Olegario, Nicole Santos, Agência Pública

Na noite de 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 1.º turno das eleições, a seguinte mensagem chegou num grupo de WhatsApp de alunos da Universidade Federal Fluminense (UFF): “O momento pede ação”. Na noite seguinte, 5 de outubro, o Brasil assistiu ao primeiro ato dos jovens.

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MPF apura impacto discriminatório nas políticas de combate ao tabagismo

Investigação avalia se falhas na fiscalização, política tributária e falta de dados afetam desproporcionalmente grupos vulneráveis

Procuradoria da República no Rio de Janeiro

O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito civil para apurar o possível impacto discriminatório das políticas públicas federais de combate ao tabagismo. O objetivo é avaliar se as ações estatais de controle do tabaco distribuem de forma desigual a proteção pública, reproduzindo ou agravando desigualdades estruturais relacionadas à raça, renda, escolaridade, gênero, idade e território.

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Ganhamos a eleição disputando hegemonia democrática nas ruas e nas redes digitais. Por Cândido Grzybowski

No Sentidos e Rumos

 A disputa de hegemonia democrática é uma tarefa que nunca acaba. O modo de existir e agir de um processo democrático é a busca permanente da igualdade de direitos para todas e todos, convivendo entre diversos sem discriminações, cuidando de gente e da natureza, compartindo o território comum. Democracia nunca é um modo de viver acabado sem divergências porque sempre está em construção. Ganha em potência quando é capaz de enfrentar e resolver os desafios históricos que surgem nas diversas conjunturas, situações geracionais, conflitos socais e contradições nas relações entre diversos no modo de ser e viver. Sabemos também que muitos dos nossos contemporâneos priorizam seus interesses individuais ou de classe ou, ainda, seus privilégios como se fossem “direitos adquiridos” e portanto mérito e esforço próprio. Por isto são contra a democracia em busca de igualdade de direitos e, se necessário for, a limitam e até a destroem, impondo sistemas de poder autoritários e excludentes.

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MPF ajuíza ação contra empresa de gestão florestal BR Arbo e certificadora Verra por violações a indígenas e comunidades tradicionais no AM

Ação pede suspensão imediata do projeto Mejuruá de créditos de carbono em Carauari (AM) e indenização de R$ 6 milhões por violações e assédio a comunidades

Procuradoria da República no Amazonas

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação contra a empresa BR Arbo Gestão Florestal e a certificadora internacional Verra para proteger os direitos territoriais e de consulta de povos indígenas e comunidades tradicionais afetados pelo Projeto Mejuruá, desenvolvido no município de Carauari, no Amazonas. A medida judicial pede a suspensão imediata do projeto por violações territoriais, assédio a comunidades e falta de consulta prévia, livre, informada e de boa-fé às populações atingidas.

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