Por que a CIA multiplicou os templos, sufocou a Teologia da Libertação e pariu o projeto de poder evangélico?

Relatórios desclassificados revelam como Washington instrumentalizou a liberdade religiosa na ditadura militar para criar um “anticorpo espiritual” contra o avanço da esquerda no Brasil

Por Wagner França, da Pátria Latina / Diálogos do Sul

Havia um método na multiplicação dos templos. Nas décadas de 1960 e 1970, enquanto a ditadura militar apertava os parafusos da repressão no Brasil, uma revolução silenciosa disputava corações e mentes nos grotões e nas periferias. Sob o véu da liberdade religiosa, cruzadas evangelísticas e o avanço do movimento evangélico brotavam por todo o país, mas os tijolos dessa expansão nem sempre vinham apenas de doações de fiéis. Documentos secretos, relatórios de inteligência e investigações independentes, reunidos aos poucos como peças de um quebra-cabeça que muitos queriam manter incompleto, apontam para um padrinho improvável por trás dos púlpitos: a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA).

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Nota Pública: Sobre o descarte ilegal e irresponsável de documentos no prédio do antigo IML do Rio de Janeiro

É com perplexidade e revolta que recebemos o vídeo compartilhado nas redes sociais de documentos oficiais das Polícia Civil do Rio de Janeiro sendo jogados pela janela do prédio onde funcionou o Instituto Médico Legal do Estado do Rio de Janeiro, na Rua dos Inválidos, no 152, na Lapa. Além disso, foi removido mobiliário por meio de um caminhão que também pode conter documentação relevante.

O prédio do antigo IML abriga documentos históricos produzidos pela Polícia Civil e pela Polícia Técnico-científica (Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal), assim como documentação administrativa, em condições de degradação, com fezes de animais, janelas quebradas, acúmulo de sujidade etc.

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MPF cobra julgamento da Marinha por ofensas ao legado de João Cândido

Ação alega que houve perseguição contínua contra o Almirante Negro

Isabela Vieiria, na Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) solicitou à Justiça Federal que antecipe o julgamento da ação civil pública movida contra a União por reiterados ataques da Marinha do Brasil à memória de João Cândido Felisberto.  No início do século 20, o marinheiro liderou a chamada Revolta da Chibata contra os castigos físicos a bordo dos navios da força militar.

Em novo requerimento apresentado, o MPF argumenta que os danos morais coletivos estão “demonstrados pelos próprios fatos reconhecidos na ação”. O órgão de defesa de direitos quer que a União pague R$ 5 milhões por ano de dano moral.

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Nota Pública da ABA em solidariedade à antropóloga Sheila Brasileiro

A ABA externa sua integral solidariedade à colega Sheila Brasileiro, que, na manhã de hoje, 14 de maio de 2026, foi objeto de uma ação policial de busca e apreensão. Nossa colega é Perita em Antropologia no Ministério Público Federal e goza, por parte de seus e suas colegas e desta Associação, da mais alta respeitabilidade acadêmica, funcional e técnica. Embora o teor integral da decisão judicial e da investigação da Polícia Federal ainda não seja oficialmente conhecido por esta entidade, a ABA manifesta profunda preocupação com suas implicações.

A medida ocorre em um contexto de extrema tensão e violência no Sul da Bahia, marcado por denúncias de assassinatos de lideranças indígenas e conflitos territoriais agudos. Nesse sentido, a ABA ressalta que apoia integralmente as investigações sobre crimes contra a vida e ataques às comunidades. O papel da antropologia no âmbito das relações estabelecidas com os povos indígenas é fundamentado na defesa de seus direitos constitucionais e na tradução científica de realidades históricas.

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Nota Pública contra a Criminalização da Antropologia e da Defesa dos Direitos Indígenas

As Procuradoras e Procuradores da República signatários expressamos nosso apoio ao trabalho antropológico desempenhado pelo competente quadro de peritos e peritas em Antropologia do Ministério Público Federal.

A criminalização das lideranças indígenas em razão da reivindicação de seus direitos, bem como a criminalização dos profissionais de antropologia e depois profissionais que atuam em defesa dos direitos indígenas é tema que preocupa, tendo em vista o caráter intimidatório e contrário aos comandos constitucionais.

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MPF convoca reunião pública para discutir projeto urbanístico da Praça XI e riscos ao direito à moradia no Rio

Encontro reunirá autoridades e sociedade civil para ampliar debate sobre os impactos sobre a região histórica da “Pequena África”

Procuradoria da República no Rio de Janeiro

O Ministério Público Federal (MPF) promoverá, na próxima segunda-feira (18), às 14h, reunião pública para discutir o Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 92/2025, que cria a Área de Especial Interesse Urbanístico (AEIU) Praça XI Maravilha, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). O encontro, organizado pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC/RJ), busca ampliar o debate público sobre os impactos urbanísticos, sociais e culturais da proposta, já aprovada em primeiro turno pela Câmara Municipal.

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Quando a farda estapeia a beca. Por Eugênio Bucci

A infâmia fardada que se abateu sobre a nossa instituição destroça todos os ideais que, há séculos, inspiram as melhores universidades do mundo

Em A Terra é Redonda

1.

Em licença-prêmio, eu estava fora do Brasil. Recebi relatos de docentes e estudantes da minha universidade. Foi aflitivo acompanhar, de longe, tamanho ultraje contra a Universidade de São Paulo.

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Filme Dark Horse é o Cavalo de Troia da candidatura de Flávio Bolsonaro

De churrasco da vitória a alvo de escândalo, as últimas semanas mostram a volatilidade da política

Por Thiago Domenici, Agência Pública

A divulgação de áudios e mensagens entre Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro pelo site The Intercept Brasil expôs uma fratura na pré-campanha do senador que tenta se consolidar na corrida para a presidência do país. O material irrefutável revelou uma negociação direta entre o parlamentar e o ex-banqueiro, preso pela Polícia Federal por envolvimento em um esquema de fraudes bilionárias.

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“Nossa selva era o concreto”. Entrevista com Lucía Topolansky

“Antes de morrer, Pepe nos pediu para poder ficar em casa, para morrer sem dor e para espalhar suas cinzas sob uma sequoia perto de nossa casa. Depositamos suas cinzas lá. As pessoas vêm, sentam e fazem reflexão. E nós deixamos todos entrarem, para que sintam que esse lugar pertence a todos.”

Por Andrea Cegna, do il manifesto, no IHU / tradução de Luisa Rabolini.

Você e Pepe compartilharam uma vida. Quais escolhas políticas melhor descrevem a trajetória de sua vida?

O Uruguai é um país pequeno que, em certo momento, começou a viver uma deterioração econômica progressiva, em parte devido à sua forte dependência do exterior e dos preços internacionais de referência. Esse processo teve início no final da Guerra da Coreia, portanto, no final da década de 1950. Até então, havia se desenvolvido um modelo baseado na indústria de substituição das importações e em um nível de bem-estar relativamente alto em comparação com o restante da América Latina. Mas aquele modelo rapidamente começou a entrar em crise. Isso gerou um clima de crescente conflito social. O impacto da Revolução Cubana na América Latina também se encaixa nesse mesmo contexto. O continente vinha de um longo histórico de ditaduras espalhadas na maioria dos países. O processo cubano indicou um caminho — que foi chamado de “via armada” — para alcançar mais rapidamente as mudanças consideradas necessárias para o progresso dos povos. Iniciou-se então um grande debate dentro da esquerda latino-americana: qual caminho seguir, o eleitoral ou o armado? A América Latina tentou ambos os caminhos, insistiu em ambos e, em ambos os casos, terminou sendo derrotada, porque nosso vizinho do norte promoveu golpes de Estado em todos os países, levando ao fim das democracias.

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