A insegurança estrutural da juventude brasileira. Por Marcio Pochmann*

Ela é mais instruída que as gerações anteriores. Mas deprime-se nas telas, num país estagnado há 40 anos e em pouca esperança de vida florescente. Há duas saídas: ou o ultraindividualismo, ou um novo engajamento político, ainda por construir

Em Outras Palavras

A crescente incidência de sofrimento psíquico entre jovens brasileiros, registrada pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo IBGE com apoio dos ministérios da Saúde e da Educação, já não pode ser tratada como um problema isolado ou passageiro. Ela expressa uma mudança mais profunda na sociedade brasileira que resulta da perda de dinamismo econômico, enfraquecimento das promessas de mobilidade social e a transformação das formas de poder e de socialização.

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IA na saúde: sobre tecnologias e quem as controla

Sem estabelecer relação humana, um estetoscópio é apenas um colar. Lógica semelhante se dá com a inteligência artificial, que só existe em uso contínuo e nunca se completa. É hora de debater sob quem deveria estar seu controle – e para onde ela levará o SUS

Por Leandro Modolo*, em Outra Saúde

No fim do ano passado, tive a oportunidade de fazer de abertura, no IMS/UERJ, para uma oficina sobre “soberania popular em tecnologias em saúde” (uma realização do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com apoio do Ministério da Saúde. Nela estavam inúmeras autoridades oficiais, acadêmicos e nomes históricos do movimento da reforma sanitária, mas sobretudo compareceram diversos representantes de movimentos sociais contemporâneos. 

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É possível encarar os oligopólios alimentares?

Não são ruralistas os que dominam sistemas alimentares, mas os gigantes industriais – da transgenia a máquinas e fertilizantes. Conectados com big techs e rentismo, conseguem bloquear inovações. Brasil está na vanguarda de uma alternativa: os bioinsumos

Por Ricardo Abramovay e Luis Barbieri*, em Outras Palavras

Gigantes corporativos são eficientes na difusão de inovações tecnológicas, mas relutantes e lentos em abrir caminho para aquilo que coloque em questão suas práticas dominantes. As maiores empresas possuem a força financeira que lhes permitiria fazer apostas em ideias potencialmente disruptivas. Mas elas tendem a colocar a segurança em primeiro lugar. Quando contratam talentos que fizeram descobertas surpreendentes, estes se tornam menos inventivos do que nos períodos em que criaram e desenvolveram suas start-ups. Sistemas centralizados têm vantagens em levar adiante o que se mostra viável, mas sistemas descentralizados possuem maior aptidão para ultrapassar as fronteiras tecnológicas existentes.

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Escravidão: A reparação que a ONU deixou de fora

Resolução reconhece o tráfico de pessoas negras escravizadas como o pior crime já cometido contra a humanidade. Apesar de importante, é incompleta: falta apontar empresas e proprietários historicamente responsáveis. EUA se opõem; Europa se abstém

Por Paulo César Carbonari, em Outras Palavras

As violações de direitos humanos são presença permanente ao longo da história humana, assim como as lutas para enfrentá-las. Este longo e difícil processo é parte da contraditória luta por direitos humanos. A afirmação dos direitos humanos faz sentido, não para quem deles não precisa por ser dono de poder e dinheiro, mas exatamente para aqueles e aquelas que têm sido vítimas. Eles fazem sentido como processo de afirmação da dignidade humana, o que inclui denunciar quando ela está sendo violada. As nações do mundo deram uma demonstração de que ainda há a possibilidade de recuperar um tanto da humanidade que já se perdeu, particularmente aquela que foi atacada e violada pelos processos de escravização de negros e negras africanos/as.

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“Desculpem a nossa… falha”? Por Sylvia Debossan Moretzsohn

O maior escândalo do canhestro power point sobre as “conexões de Daniel Vorcaro” foi não ter sido imediatamente excluído assim que entrou no ar

No Substack

Qual deveria ser a reação de uma âncora de programa jornalístico quando anuncia um infográfico (ou um power point, ou uma “arte”) que está “errado e incompleto”? Continua a apresentá-lo normalmente, como se não contivesse “erros” e “lacunas” evidentes? Interrompe a transmissão, pede desculpas ao distinto público, chama os comerciais, retira-o do ar e retorna com informações corretas?

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STF barra lei que facilitava legalização de terras públicas com títulos suspeitos no Tocantins

CPT

Na última sexta-feira (27), o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7550, que questionava uma lei do estado do Tocantins que permitia a convalidação de título de propriedade sem cadeia dominial, e que ficou conhecida como “Lei da Grilagem do Tocantins”.

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Ceará lidera o desmatamento de restinga na Mata Atlântica

Relatório inédito realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com a Eco Nordeste apresenta panorama e dados exclusivos da supressão das restingas cearenses

Por Alice Sales, da Eco Nordeste

A restinga é a mata que se desenha entre o Oceano e o interior do continente. É aquela vegetação em torno das praias que torna a paisagem ainda mais bela e naturalmente paradisíaca. É em meio à restinga que floresce a salsa da praia. É lá que as tartarugas-marinhas e as corujas-buraqueiras fazem seus ninhos e é também onde descansam e se alimentam as aves migratórias após cruzar o hemisfério. Essa vegetação de Mata Atlântica é responsável por importantes serviços ecossistêmicos que mantém a vida pulsante entre dunas, arbustos retorcidos e flores que aprendem a nascer na areia. Ainda assim, a despeito de toda a relevância que esse ecossistema exerce, o Ceará lidera, por seis anos consecutivos, o desmatamento de restingas no Brasil.

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Mesmo com ação judicial, esgoto continua sendo despejado em território Mbya Guarani

Comunidade denuncia omissão estatal diante de contaminação que afeta o meio ambiente e a saúde na Tekoa Pindó Poty, em Porto Alegre (RS)

Cimi

Na manhã do dia 26 de março de 2026, durante vistoria realizada na Tekoa Pindó Poty, comunidade do povo Mbya Guarani localizada no bairro Lami, em Porto Alegre (RS), a equipe de Porto Alegre do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Regional Sul constatou a continuidade do despejo irregular de esgoto diretamente no interior do território indígena, apesar da judicialização do caso.

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Lucia Alberta Baré é anunciada como nova presidenta da Funai

Fundação Nacional dos Povos Indígenas

A nova presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Lucia Alberta Baré, foi anunciada na solenidade de transmissão do cargo de ministro de Estado dos Povos Indígenas. O evento aconteceu hoje, terça-feira (31), na sede do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), e anunciou ainda o novo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena.

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Sem o cancelamento do projeto da Belo Sun, mulheres indígenas ampliam pressão e vão a Brasília

Lideranças denunciam falta de consulta, questionam posicionamento do governo do Pará e articulam agenda nacional

Por Daniel Vinagre, Tapajós de Fato

A mobilização do Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu (MMIMX) contra o projeto da mineradora Belo Sun, na Volta Grande do Xingu, ganhou novos desdobramentos nos últimos dias, em Altamira. Além de reuniões com autoridades locais, o movimento articula uma agenda em Brasília e intensifica a pressão política e judicial contra o licenciamento ambiental do empreendimento que ameaça comunidades da região.

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