No momento em que país desperta para a perversidade da escala 6×1 e das jornadas exaustivas, possível decisão do Supremo pode eliminar décadas de conquistas, ampliar ainda mais a desigualdade e fabricar uma crise da Previdência
Por Glauco Faria, em Outras Palavras
Num país desigual, empobrecido e perigosamente desencantado da política, poucos temas despertaram tanta envolvimento popular quanto a crítica à escala 6×1. Há pouco mais de dois anos, Rick Azevedo, um jovem negro até então desconhecido, tornou-se campeão de votos para a Câmara Municipal do Rio ao defender o fim da jornada desumana. A deputada Érika Hilton transformou-se em seguida em referência nacional das lutas contra o sofrimento dos trabalhadores, ao empunhar a mesma bandeira. Ainda no final de 2025, o governo Lula conseguiu pautá-la no Congresso Nacional. Nada menos de 73% dos brasileiros a apoiam, segundo pesquisa do Instituto Nexus. Já o grande empresariado quer evitar que ela se torne tema do debate nacional e da democracia. Em 22/2, o jornal Valor Econômico revelou que a estratégia dos lobbies corporativos é postergar a tramitação do tema para depois das eleições – pois “não haverá como barrar a aprovação” se os “representantes” da sociedade tiverem que prestar contas de seus votos antes de pleito. (mais…)
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