No Brasil, há uma distorção da premissa de soberania popular, fundamental às democracias. O exercício da cidadania tornou-se uma ficção jurídica. E a estrutura legal do país, moldada para blindar a captura financeira. Por que enfrentá-la é mais que um desafio econômico?
Por Luiz Carlos Rodrigues de Souza*, em Outras Palavras
A premissa fundamental de uma democracia é a soberania popular, na qual as instituições públicas devem operar em benefício da maioria. Contudo, a realidade concreta desenha um cenário distinto, no qual o poder político e o orçamento da União parecem capturados por uma elite financeira dominante. Longe de ser um espaço de neutralidade técnica, a engrenagem macroeconômica atual funciona como uma ciranda financeira que perpetua a desigualdade. Sob o pretexto de garantir a estabilidade, o mecanismo da dívida pública, alimentado por taxas de juros persistentemente elevadas, transformou-se em um dreno invisível que transfere a riqueza produzida pela classe trabalhadora diretamente para os cofres de uma minoria rentista.
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