O lulismo e os riscos de evitar os confrontos

Será mesmo verdade que o avanço da ultradireita nada tem a ver com a moderação excessiva do governo, e a frustração de suas bases? Uma análise político econômica dos governos de esquerda pós-2002 mostra que esta hipótese é no mínimo muito questionável

Por Guilherme Backes*, em Outras Palavras

Em artigo recentemente publicado, Edgar dos Anjos problematiza a possível relação causal entre a moderação reformista dos governos petistas e o fortalecimento da extrema direita no Brasil. Segundo ele, a principal explicação para o apelo popular do atual populismo de direita não encontra respaldo nas malogradas tentativas de conciliação dos Governos Lula e Dilma com as elites econômicas e políticas do País. A variável explicativa estaria, antes de tudo, na força reativa dessas elites contra quaisquer inflexões políticas que possam desencadear, ainda que timidamente, mudanças na estrutura social brasileira.

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Ensino noturno: como reinventar a escola pública?

Modalidade permitiu conciliar estudo e emprego, mas expôs precarização e criou o senso comum do “desinteresse escolar”. Sua crise ultrapassa limites do currículo. A escola do século XXI deve ir além de ampliar matrículas e reconstruir sentidos pertencimento

Por Roberto Rafael Dias da Silva*, em Outras Palavras

Poucos espaços educacionais revelam de forma tão explícita as contradições da democratização da educação brasileira quanto o ensino médio noturno. Historicamente associado às juventudes trabalhadoras, às trajetórias escolares interrompidas e às camadas populares urbanas, o noturno constituiu uma das principais estratégias de ampliação do acesso à escolarização no Brasil contemporâneo. Entretanto, sua expansão também tornou visíveis os limites de uma democratização frequentemente construída mais pela ampliação quantitativa das matrículas do que pela efetiva transformação das condições de permanência, aprendizagem e reconhecimento dos estudantes.

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Como costurar os fios da reforma psiquiátrica?

Há mesmo um “furo” no processo que transformou políticas de saúde mental no Brasil? Sem dúvida, é preciso reforçar a escuta às novas demandas da cidadania. Mas a aposta em reimaginar permanentemente o cuidado está no coração da luta antimanicomial

Por Cláudia Braga*, para sua coluna, em Outra Saúde

“A Reforma Psiquiátrica é processo político e social complexo, composto de atores, instituições e forças de diferentes origens, e que incide em territórios diversos, nos governos federal, estadual e municipal, nas universidades, no mercado dos serviços de saúde, nos conselhos profissionais, nas associações de pessoas com transtornos mentais e de seus familiares, nos movimentos sociais, e nos territórios do imaginário social e da opinião pública. Compreendida como um conjunto de transformações de práticas, saberes, valores culturais e sociais, é no cotidiano da vida das instituições, dos serviços e das relações interpessoais que o processo da Reforma Psiquiátrica avança, marcado por impasses, tensões, conflitos e desafios” (Brasil, 2005).

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Uma “rendição humilhante”. Entrevista com José Luís Fiori

“Uma verdadeira guerra, com forte intervenção externa, sobretudo dos grandes grupos financeiros e tecnológicos de extrema-direita e associados à defesa dos EUA e de Israel. Porque apesar das sucessivas vitórias da extrema-direita na América do Sul, neste s últimos tempos, sempre com o apoio e a intervenção do governo Trump, e apesar de que todos estes novos governantes logo declarem seu apoio a Israel, a verdade é que todos eles individualmente são inteiramente irrelevantes, para a Grande Estratégia dos EUA e para as grandes disputas geopolíticas mundiais”

A entrevista com José Luís Fiori é de Eleonora de Lucena, da Tutaméia, em IHU.

José Luís Fiori é professor emérito da UFRJ e autor, entre outros livros, de O poder global e a nova geopolítica das nações (Boitempo).

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Diversidade e unidade entre o campo e a cidade marcam balanço da 23ª Jornada de Agroecologia

Evento aconteceu entre os dias 18 e 21 de junho, em Curitiba, e celebrou a diversidade e pluralidade da vida humana e da natureza

Da Página do MST

A 23ª Jornada de Agroecologia chegou ao fim neste domingo (21), em Curitiba (PR), consolidando-se mais uma vez como o maior encontro de agroecologia do Paraná e um dos maiores da América Latina. Durante quatro dias de intensa programação, o evento reuniu participantes de 24 estados brasileiros e de seis países: Venezuela, Paraguai, Colômbia, Argentina, França e Guatemala. A programação intensa trouxe debates, formação, atividades culturais, troca de experiências, feira e proposição de alternativas coletivas para superar a crise social e ambiental do presente.

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Copa da diáspora, dos encontros fugazes e das dificuldades de interação com a diferença. Entrevista especial com Arlei Damo

As críticas a esta edição da Copa do Mundo “sugerem a existência de movimentos políticos e pessoas preocupadas com outras questões que não só o futebol ou o lucro da copa, como é o caso da FIFA”, avalia o antropólogo

Por: Patricia Fachin, em IHU

O drama dos migrantes é um dos problemas civilizatórios centrais do século XXI. Associado a ele estão conflitos e instabilidades políticas e sociais, desigualdades econômicas, novos processos de colonização e mudanças demográficas e climáticas. Na Copa do Mundo, maior evento esportivo do planeta, a questão migratória é um dos dilemas sociais e antropológicos que chama atenção. “Trata-se da copa da diáspora, com 23% dos atletas representando países outros que não aqueles onde nasceram”, afirma Arlei Damo nesta entrevista concedida ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU por e-mail.

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Mãe denuncia ameaça a filho de 3 anos em escola militar no RS: ‘Chora com vontade, senão vou te dar um tiro’

Marina Rossi, da BBC News Brasil em São Paulo

A psicóloga Shaiane Costa achou estranho quando o filho de 3 anos começou a acordar de madrugada, aos prantos, perguntando se tinha que ir para a escola no dia seguinte.

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AL: MPF e DPU apuram avanço de resorts sobre terras de pescadores em Porto de Pedras

Inspeções de campo nas áreas de TAUS e mesa de mediação com o prefeito Allan de Jesus buscam frear restrições de acesso à praia impostas pelo turismo de luxo

Francês News

O avanço acelerado de empreendimentos imobiliários e hoteleiros sobre territórios historicamente ocupados por comunidades tradicionais acendeu o alerta das autoridades federais no Litoral Norte de Alagoas. Nos dias 22 e 23 de junho, o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) realizaram uma série de inspeções técnicas e audiências de mediação no município de Porto de Pedras para apurar os impactos do turismo de massa sobre a pesca artesanal.

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Justiça Federal atende a pedidos do MPF e determina consolidação da Terra Indígena Amanayé (PA)

Estado do Pará, Iterpa, União e Funai foram condenados ao pagamento de R$ 2,2 milhões em danos morais coletivos por omissão histórica

Procuradoria da República no Pará

O Ministério Público Federal (MPF) obteve decisão favorável na Justiça Federal que obriga a União, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o estado do Pará e o Instituto de Terras do Pará (Iterpa) a adotarem as providências necessárias para a formalização e a consolidação da Terra Indígena Amanayé (Reserva Amanayé), localizada em Goianésia do Pará.

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Bancadas do Cocar: movimento indígena lança 47 pré-candidaturas em 2026

Pré-candidatos são de 16 estados e do DF, nove partidos e buscam vagas no Congresso, assembleias e governo estadual

Por Wanessa Celina, Ludmila Pizarro | Edição: Bruno Fonseca, Agência Pública

Em 2022, o Brasil elegeu um Congresso Nacional cuja maioria, cerca de 72%, é formada por pessoas brancas. Entre 513 deputados e deputadas federais eleitos, apenas cinco se autodeclaram indígenas na atual legislatura, menos de 1% do total.

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