Compreender o antipetismo e (re)começar. Por Rodrigo de Faria

No A Terra é Redonda

A derrota de 4 de outubro de 2026 é o fim da República de 1988 e do lulopetismo, exigindo inflexão radical e reconstrução do campo progressista sem dependência messiânica

1.

O dia 4 de outubro de 2026 precisa ser entendido como fim. Mais que o fim de uma era na qual Lula foi um protagonista como poucos, certamente o fim da República falida na qual estamos desde a Constituição de 1988. Este dia será lembrado e analisado como o fatídico dia no qual, pelo voto, a população brasileira legitimou políticos e partidos fascistas.

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MPF questiona dados sobre abordagens no programa Tolerância Zero no Rio

Prefeitura apresentou à Justiça apenas números brutos e omitiu registros sobre grupos vulneráveis, apreensões e autos de infração

Procuradoria da República no Rio de Janeiro

O Ministério Público Federal (MPF) relatou à Justiça Federal que o município do Rio de Janeiro não cumpriu integralmente a determinação judicial de apresentar informações detalhadas sobre a execução das operações de fiscalização no programa Tolerância Zero.

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Precisamos ser mais do que os fiadores da agonia. Por Isadora Szklo

No blog da boitempo

Recentemente, precisei passar por uma pequena cirurgia odontológica não coberta pelo plano e me choquei com os orçamentos recebidos. A cirurgia é rotineira, mas os valores ultrapassavam completamente minhas possibilidades de gasto. Descobri uma clínica-escola com valor acessível e optei por fazer lá, mesmo não me sentindo segura no ambiente. O dia da cirurgia foi marcado por uma série de pequenas violências médicas e eu, aos 34 anos, boquiaberta e deitada na cadeira do dentista, me senti fracassada por não poder pagar por uma experiência melhor para algo tão simples.

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Cerrado brasileiro perdeu 13,9 milhões de hectares de margens de rios

Área desmatada equivale ao território do estado do Acre

Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil

O bioma Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa, localizadas em até 500 metros de rios e outros cursos de água, entre os anos de 1985 e 2025. Equivalente ao estado do Amapá em tamanho, a área representa mais de um quarto, 26,9%, de toda a cobertura verde convertida em outros usos no período.

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Regra de 1968, ano do AI-5, embasa exonerações de professoras na rede estadual paulista

Três docentes contestam exonerações na justiça e uma delas morreu antes de reaver cargo

Por Camila Borges, Agência Pública

Em janeiro deste ano, Veruschka de Sales Azevedo passou pouco mais de uma hora contando à Agência Pública como perdera o cargo de professora na rede estadual de ensino de São Paulo. Ela chorou algumas vezes durante o encontro que foi finalizado com certa esperança: “O meu retorno será triunfante”, disse. Enquanto aguardava o desfecho do seu caso, ela organizava um livro com relatos de professores também investigados por meio de Processos Administrativos Disciplinares (PAD) na Secretaria de Educação de São Paulo (SEDUC). “A gente precisa registrar isso em tudo quanto é lugar.” Doutora em história, Veruschka tinha 24 anos de magistério, cerca de vinte deles na mesma escola de Guarulhos onde estudara antes de ser exonerada em maio de 2024 num PAD que se iniciou em 2017. Entre a abertura do processo e a exoneração, passaram-se sete anos e seis meses.

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O projeto que nos devolve à jaula. Por Leonardo Mosimann Estrella

A extrema direita brasileira prospera explorando o que há de mais primitivo no humano. Encontra terreno fértil num país de formação crítica rarefeita, cujo espaço público foi entregue a algoritmos estrangeiros 

No Le Monde Diplomatique Brasil

O primeiro turno de 4 de outubro mostrou que a doença não passou. O projeto político que tentou romper a ordem democrática terminou a apuração à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do atual presidente. Seu fundador cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe, sem direitos políticos. Ainda assim, o projeto sobrevive a ele. Não estamos diante de um líder, mas de um modo de organizar afetos: um sistema que não convence pela razão, e sim pelo estímulo ao medo, ao ódio e ao gozo da humilhação alheia. 

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Terras de comunidade quilombola em Rio Pardo (RS) são reconhecidas

No Incra

O território da comunidade quilombola Rincão dos Negros, localizada no município de Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, foi reconhecido por meio da Portaria do Incra nº 2.252/2026, publicada nesta quarta-feira (7) no Diário Oficial da União. A área declarada possui 572 hectares.

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‘Não queremos voltar a chorar’: mulheres Yanomami lançam manifesto contra Flávio Bolsonaro

Fome, violência, malária e outras doenças provocaram a morte de 420 crianças por causas evitáveis durante a crise humanitária instalada no governo de Jair Bolsonaro; Lideranças temem que eleição do candidato do PL impulsione o retorno de garimpo ilegal e crise sanitária na terra indígena

Por Isabel Harari, no Repórter Brasil

DA TERRA INDÍGENA YANOMAMI (RR) — “Eu não quero o filho do Bolsonaro. Não quero nossos filhos cheios de malária de novo”, alerta Noemia, a primeira a falar em um vídeo gravado pelas mulheres Yanomami contra a eleição de Flávio Bolsonaro, no final de setembro. O material faz parte de um manifesto lançado por lideranças femininas para o segundo turno das eleições gerais deste ano. 

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Voto feminino, senha para mudar o Brasil

No casamento entre capitalismo, rentismo e desmonte social reside a barbárie contemporânea. Vítimas deste tormento, as mulheres o enfrentam em uma eleição após a outra e mantêm a luta por um país que não tenha a desigualdade como fundante

Por Magda Barros Biavaschi e Marilane Teixeira, em Outras Palavras

No próximo 25 de outubro, o Brasil irá às urnas para uma das decisões mais cruciais da história política recente. Não se trata apenas de optar por um programa de governo ou por um partido, ainda que essas sejam questões essenciais; trata-se da escolha radical entre dois caminhos indissociáveis: o do avanço civilizatório ou o do retrocesso.Esse chamado ecoa com força especial junto às mulheres, inclusive em relação àquelas que não têm mais obrigação legal de votar, mas que, com o voto, poderão fortalecer a cidadania democrática. Dados da pesquisa Quaest, de 28 de setembro1, expõem com nitidez esse cenário. Hoje, as mulheres representam 52,8% do eleitorado nacional. Enquanto 40% aposta na continuidade do avanço civilizatório em andamento, 29% tende a votar no caminho do retrocesso, consolidando uma vantagem para o primeiro grupo de 11 pontos percentuais. São as mulheres as grandes guardiãs do pacto social democrático brasileiro.

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Perguntas incômodas sobre os que não votaram. Por Rafael Guerra de Oliveira

A longa espera pela consulta, pela vaga, pela casa, pelo ônibus, pelo futuro está levando dezenas de milhares a desistir da política. Serão “pobres de direita”? Ou é preciso refletir sobre uma esquerda que pede confiança apenas por ser menos ruim que a alternativa?

Em Outras Palavras

“As pessoas não são más, elas só estão perdidas. Ainda há tempo.”
– Criolo, “Ainda Há Tempo”

Talvez seja difícil encontrar frase melhor para pensar o Brasil que chega a este segundo turno. Não porque as pessoas estejam simplesmente “perdidas” – e muito menos porque exista eleitor moralmente superior a outro –, mas porque uma democracia começa a adoecer quando uma parcela enorme da população deixa de enxergar na política um lugar onde sua vida possa efetivamente mudar.

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