Morrer por uma causa justa: o individualismo encantado da extrema direita. Por Thiago Turibio

No Blog da Boitempo

“Se eu tivesse morrido, também não teria problema. Morreria por uma causa justa, nobre”. Estas palavras não foram ditas por um bolchevique ao lembrar da ousada tomada do Palácio de Inverno, não foi algum membro da ALN ao recordar do levante armado contra a ditadura quem as proferiu. São palavras de Lucia Helena Canhada Lopes, militante de extrema direita atingida por um raio ao participar da caminhada convocada por Nikolas Ferreira que exigia a libertação de Jair Bolsonaro, preso por articular um golpe de Estado contra a precária democracia brasileira. O deputado se apressou em exaltar a coragem de Lucia Helena, cuja frase escancarava “uma verdade que muita gente foge: a vida não vale nada quando é vivida sem sentido. Quem acha exagero é porque já trocou a própria consciência pelo conforto”.1 Apesar de oportunista, do ponto de vista da política que se propõe transformadora, a declaração do deputado não deixa de carregar um núcleo de verdade. 

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As digitais de Vorcaro, Zettel e do governo Zema na destruição da Serra do Curral em Minas

Acordos ambientais flexíveis favoreceram mineradoras envolvidas em irregularidades; PF aponta “corrupção sistêmica”

Por Leandro Aguiar | Edição: Thiago Domenici, Agência Pública

Aos pés da Serra do Curral, em Belo Horizonte, Minas Gerais, Makota Cassia Kidoiolê passou anos tentando entender por que a mineração continuava avançando sobre um território tombado, mesmo após sucessivas autuações e embargos. Com 56 anos, a líder do quilombo Manzo Ngunzo Kaiango, localizado na vizinhança da serra, viu caminhões, poeira e explosões se tornarem parte da rotina, enquanto o quilombo buscava, na Justiça, interromper a atividade minerária. 

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30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás: o fotógrafo do Bem-Querer diante do horror

O carioca João Roberto Ripper relata como foi cobrir uma das mais graves chacinas, no Pará, contra o Movimento Sem Terra

Por José Cícero | Edição: Ludmila Pizarro, Agência Pública

No dia 18 de abril de 1996, o fotógrafo carioca João Roberto Ripper, hoje com 73 anos, desembarcou no sudeste do Pará com uma passagem comprada pela sogra, 100 reais no bolso e uma missão de registrar uma das maiores matanças no campo na história do país: o massacre de Eldorado dos Carajás. “Quando eu soube que era um massacre com aquelas proporções, pelo que eu já documentava, eu sabia a importância que tinha”, conta.

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MPF obtém decisão que suspende mineração em área quilombola em Brejo (MA)

Licença ambiental foi concedida sem a realização de consulta à Comunidade Quilombola Alto Bonito

Procuradoria da República no Maranhão

O Ministério Público Federal (MPF) obteve sentença favorável em ação civil pública contra o estado do Maranhão e duas pessoas responsáveis por atividade minerária em Brejo (MA). A decisão anula a licença ambiental concedida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) e determina a paralisação da extração de calcário em área reivindicada pela Comunidade Remanescente de Quilombo Alto Bonito.

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Em ação do MPF, Justiça determina a regularização do território quilombola do Bairro de Fátima, em Ponte Nova (MG)

MPF apresentou recurso para que a comunidade quilombola seja reparada por danos acarretados pelos 17 anos à espera da demarcação

Procuradoria da República em Minas Gerais

O Ministério Público Federal (MPF) obteve decisão favorável da Justiça Federal para garantir os direitos territoriais da comunidade quilombola do Bairro de Fátima, situada em Ponte Nova, Minas Gerais. Após uma espera que já dura mais de 17 anos, a União e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) foram condenados a concluir todas as etapas de demarcação e entrega dos títulos definitivos do território em até 12 meses.

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O Massacre pelo olhar de Ripper

Em 17 de abril de 1996, o Brasil assistiu ao Massacre de Eldorado dos Carajás: 21 camponeses assassinados e 69 mutilados pela Polícia Militar do Pará, sob o governo de Almir Gabriel (PSDB). Quase três décadas depois, as lentes de João Roberto Ripper, que documentou o horror e as provas do crime, ganham novo fôlego com a digitalização de seu acervo histórico na Fiocruz. Nesta entrevista exclusiva à Amazônia Real, o mestre da “Fotografia do Bem Querer” relembra os bastidores do massacre, a convivência com Sebastião Salgado no rastro do sangue e a urgência de usar a imagem como ferramenta política contra o esquecimento

Por Alberto César Araújo, em Amazônia Real

Manaus (AM) – A data tornou-se um marco divisório para os movimentos sociais ao ser instituída como o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária. A iniciativa partiu da Via Campesina, uma articulação internacional fundada há 33 anos, e se consolidou na Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária. Organizada em todo o País, a jornada reafirma a centralidade da luta pela terra no Brasil e a importância de implantar um projeto de reforma agrária que desenvolva o campo, produza alimentos saudáveis e combata a fome. Em seu início, a mobilização foi estigmatizada pela imprensa hegemônica, que a apelidou de “Abril Vermelho”. Contudo o movimento superou a tentativa de criminalização e apropriou-se do termo, ressignificando-o como símbolo de resistência.

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A “teocracia à brasileira”, sempre à espreita

A laicidade é o que nos difere da Idade Média. Deveria garantir que dogmas jamais poderiam interferir na coletividade. Mas, no Brasil, pressuposto está corroído. Por que ameaçar direitos de mulheres e minorias – e à própria democracia – não causa o espanto que deveria?

Por Reginete Souza Bispo, em Outras Palavras

O Estado laico é aquele que não adota, impõe, financia ou privilegia nenhuma religião, garantindo que todas tenham igual liberdade de existência, prática e expressão. Isso significa que o Estado se mantém institucionalmente neutro diante das crenças religiosas, assegurando que políticas públicas, leis, decisões de governo e atendimento aos direitos fundamentais não sejam subordinadas a doutrinas religiosas, mas orientados pelos princípios democráticos, pela Constituição e pelos direitos universais.

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O perigo não é a repetição de Bolsonaro – é sua adaptação

Proposta de uma leitura política que falta à esquerda. Bolsonarismo deixou de operar por meio da ruptura. E Flávio pode ser a figura capaz de reorganizar a extrema direita – para que o mesmo projeto seja mais funcional; não menos radical, mas mais eficaz

Por Edgar Silva dos Anjos, em Outras Palavras

Há algo em curso na reorganização recente do bolsonarismo que escapa às leituras mais imediatas e, sobretudo, às categorias com as quais ele foi inicialmente interpretado. Não se trata de uma ruptura, tampouco de um enfraquecimento automático decorrente do desgaste acumulado dos últimos anos, mas de um movimento mais complexo de adaptação, no qual o núcleo do projeto permanece intacto enquanto sua forma de expressão passa por um processo de recalibragem. Menos ruído, mais cálculo; menos choque permanente, mais capacidade de circulação; não necessariamente menos radical, mas potencialmente mais funcional.

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Brasil, um país suspenso entre a memória do caos e a paralisia das escolhas cansadas. Entrevista especial com Paulo Baía

Para o sociólogo, o cenário eleitoral é moldado por um eleitorado exausto, onde o medo e o afeto superam os projetos de nação, enquanto a religiosidade redesenha o mapa do poder

IHU

A corrida presidencial de 2026 entra em uma fase de ebulição com a consolidação de Flávio Bolsonaro como o herdeiro direto do capital político de seu pai, Jair Bolsonaro. Pesquisas divulgadas em abril de 2026, da Quaest e Datafolha, indicam um cenário de empate técnico no segundo turno, com o senador numericamente à frente do presidente Lula.

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Massacre de Eldorado do Carajás: sobrevivente tem bala no olho há 30 anos

Baleado no olho durante o massacre de Eldorado do Carajás, em 17 de abril de 1996, José Carlos Agarito Moreira foi assentado e viveu da roça por 20 anos, mas deixou a terra após o agravamento das sequelas. Hoje mora na cidade, faz hemodiálise e cobra do Estado o cumprimento de decisões judiciais

Por Daniel Camargos, do Repórter Brasil

Os dias se arrastam para José Carlos Agarito Moreira, de 48 anos. Sentado no terreiro da pequena casa onde vive, ele passa a maior parte do tempo com os pés para cima. “Fico esperando anoitecer para ir deitar”, diz, enquanto tenta esquecer a dor que atravessa a cabeça e, de vez em quando, escorre em pus pela nuca e pelo ouvido, impedindo que ele trabalhe.

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