Há sete décadas, pressão popular organizada garantiu que o petróleo fosse nosso. Hoje, de forma semelhante, terras raras são alvo de exploração estrangeira. Criar uma empresa nacional que conduza a exploração de suas próprias riquezas depende da mesma mobilização
Por Reinaldo Dias*, em Outras Palavras
Terras raras é o nome dado a um grupo de 17 elementos químicos pouco conhecidos do público, mas presentes em objetos de uso diário, como celulares e computadores. Apesar da denominação, esses elementos não são escassos na natureza. O que os torna estratégicos é a dificuldade de obtê-los em forma utilizável, pois aparecem em baixa concentração e misturados entre si, o que exige processos de separação caros, complexos e dependentes de tecnologia avançada. Uma vez separados, permitem fabricar os ímãs permanentes que movem os motores de carros elétricos e os geradores das turbinas eólicas, e estão presentes em eletrônicos e sistemas de defesa. Segundo a Agência Internacional de Energia, os ímãs respondem por cerca de 95% do consumo de terras raras em valor, e a demanda pelos quatro elementos magnéticos mais importantes dobrou desde 2015, com previsão de crescer um terço até 2030. Por estarem na base tanto da transição energética quanto da indústria militar, esses minerais passaram a ser tratados pelas grandes potências como questão de segurança nacional.
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