Por que muitos marginalizados votam contra seus próprios interesses? Há uma complexa estrutura psíquica que se sobrepõe à consciência política. E a ultradireita aproveita-se deste bloqueio da autorreflexão. Uma análise a partir de Adorno, Freud e Jessé de Souza
Por Sinésio Ferraz Bueno*, em Outras Palavras
O filósofo e sociólogo alemão Theodor Adorno integrou uma equipe multidisciplinar que nos anos 1940 pesquisou a personalidade autoritária e o fascismo junto à população norte-americana. Através de questionários, entrevistas clínicas e testes projetivos, a pesquisa produziu a chamada “escala F”, um indicador empírico destinado a quantificar a vulnerabilidade do cidadão comum a discursos e práticas fascistas. Adorno estudou o fenômeno fascista através de conceitos originados da psicanálise freudiana, priorizando a centralidade do caráter emocionalmente projetivo da hostilidade dirigida contra populações socialmente marginalizadas. Um conceito da psicanálise freudiana assume grande importância para a compreensão da agressividade fascista: o “estranho”.
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