Misoginia digital: o ataque às mulheres como tática política

Por Thais Klein, no blog da Boitempo

Estamos em ano de eleição, abrimos as redes sociais e somos invadidas por inúmeras notícias de feminicídios e outras violências generificadas – isto é, violências cuja motivação atravessa a questão de gênero. Não é mera coincidência: o discurso de ódio, sobretudo contra mulheres (cis e trans), caminha lado a lado com formas contemporâneas de autoritarismo e com a própria lógica de funcionamento da internet. A internet, tal como a vivemos hoje, é um espaço-tempo visceral: o tempo se condensa em um “tempo real” contínuo, e o espaço perde atrito – de um afeto ao outro, o deslocamento é imediato. A parada se dá quando uma imagem é eleita como um alvo sobre o qual pode-se descarregar.  

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Eleições: ainda é possível salvar a Amazônia?

Com Lula, desmatamento recuou de modo sensível – mas ainda insuficiente. Pior: Congresso está a um passo de lançar blitzkrieg contra a floresta. Uma grande mobilização social pode impedi-la e livrar o Legislativo das bancadas da devastação

Por Luiz Marques*, em Outras Palavras

Um ponto de não retorno em uma floresta é o ponto em que sua resiliência é vencida pela combinação das pressões que se exercem sobre ela. No caso da Amazônia, essas pressões são a supressão, degradação e fragmentação do tecido florestal, os incêndios, a biodiversidade, o empobrecimento dos solos, as secas, as inundações, tudo isso agravado pelas mudanças climáticas. Uma vez vencida essa resiliência, a floresta transita rapidamente para a morte ou para outro estado de equilíbrio, muito adverso à sua permanência.

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6×1: A pressão que falta sobre o Congresso

Análise compara os dois projetos de redução da jornada em tramitação. Três problemas podem impedir que eles assegurem proteção jurídica para efetivar mudanças e favorecer chantagens patronais. O que aprender de experiências da França e Reino Unido

Por Edvaldo Fernandes da Silva, em Outras Palavras

Introdução

Desde o ressurgimento do movimento sindical no país nos anos de 1970, em parte como causa e efeito do exaurimento do Regime Militar deflagrado em 1964 e apeado em 1985, o número de sindicatos cresceu perto de 50% até 1989 (Cardoso, 2003).

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Cerimônia celebra formatura com mais de 30 mil alfabetizados no campo e periferias do país

Atividade acontece no próximo sábado (28), no Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães, em Recife (PE), com a expectativa de reunir cerca de 7 mil pessoas

Por Gustavo Marinho, da Página do MST

Como parte das Jornadas de Alfabetização realizadas nos últimos meses nas áreas de Reforma Agrária e nas periferias do país, o próximo sábado (28) será marcado pelo ato simbólico de formatura de aproximadamente 30 mil educandos e educandas, representados nas 7 mil pessoas presentes no ato.

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Tem início o 15º Acampamento Estadual das Mulheres do Campo e da Cidade na Bahia

Mais de 600 mulheres camponesas, indígenas, quilombolas e trabalhadoras da cidade se reúnem em Salvador para três dias de organização, formação e luta

Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia, na Página do MST

Com o lema “Mulheres vivas! Enfrentando as violências, defendendo o território e a soberania”, teve início na manhã desta quinta-feira (26), o 15º Acampamento Estadual das Mulheres do Campo e da Cidade, na capital baiana. A atividade reúne mais de 600 mulheres vindas de diversos territórios do estado e segue com a programação até o próximo sábado (28).

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O amor como ética pública e resistência. Entrevista com Patricia Simón

Conversamos com a repórter internacional Patricia Simón sobre como sobreviver emocional e politicamente num mundo onde o ódio e a desumanização são impostos, e sobre o ecofeminismo como um baluarte contra a onda reacionária que busca nos destruir

IHU

Patricia Simón Carrasco (Estepona, 1983), repórter, jornalista investigativa, escritora e professora universitária, é uma das figuras de destaque do jornalismo internacional na Espanha. Especializada em direitos humanos, conflitos armados e crises humanitárias, sua carreira inclui cobertura em mais de 25 países (Palestina, Ucrânia, Irã, Colômbia, Cuba, Iraque, Moçambique, Sudão e Líbia, entre outros), e seu trabalho pode ser acompanhado em veículos como La Marea, Revista 5W, Cadena SER, El País, Al Jazeera, Univision, Il Corriere della Sera e Associated Press.

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Lideranças Pataxó e Tupinambá denunciam perseguição e violações de direitos humanos ao Alto Comissariado da ONU

Delegação presente em Brasília denuncia aumento da violência e criminalização do povo Pataxó, que luta há anos pela demarcação de suas terras no extremo sul da Bahia

Por Clara Comandolli e Tiago Miotto, do Cimi

No dia 24 de março, terça-feira, uma delegação com 81 indígenas dos povos Pataxó e Tupinambá esteve em Brasília, em audiência com representantes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), para denunciar situações de violência e perseguição sofridas pela população das Terras Indígenas (TIs) Comexatibá, Coroa Vermelha e Barra Velha do Monte Pascoal, situadas no extremo sul da Bahia. As principais denúncias, no contexto da luta do povo Pataxó pela demarcação de suas terras, apontam violência e perseguição por parte de milícias locais, além da criminalização de lideranças por forças policiais, por meio de medidas consideradas arbitrárias.

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Território do ‘Índio do Buraco’ vai virar área de proteção integral

Desde a morte do indígena, considerado último de seu povo, a TI Tanaru, localizada em Rondônia, ficou sem destinação, sendo pressionada por fazendeiros, garimpeiros e madeireiros. O ‘Índio do Buraco’, após seu povo sofrer genocídio, negou contato durante 26 anos. Ele ficou conhecido por morar em buracos que cavava em vários pontos do território Tanaru

Por Nicoly Ambrosio, da Amazônia Real

Manaus (AM) – A criação do Parque Nacional dos Povos Indígenas de Tanaru, em Rondônia, consolida uma vitória histórica do movimento indígena diante da resposta do Estado brasileiro, ainda que tardia, ao genocídio de um povo desconhecido. A morte do último sobrevivente que habitava o território definiu os caminhos para a destinação e proteção definitiva da área onde viveu em situação de isolamento voluntário, entre 1996 e 2022, o indígena conhecido como “Índio do Buraco”. Recusando-se a manter qualquer contato com não indígenas, após seu povo ser massacrado, ele recebeu esse nome pela forma como escavava buracos profundos no interior dos tapiris (construções tradicionais) que ergueu em várias partes da Terra Indígena (TI) Tanaru, chamada assim por ser cortada pelo rio Tanaru, na bacia do rio Madeira.

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Áreas para a conservação do sauim-de-coleira, símbolo de Manaus – 4: resultados do estudo

Autores analisam áreas consideradas prioritárias para a conservação do sauim-de-coleira (compostas por áreas e corredores selecionados, Áreas Protegidas (Proteção Integral e Uso Sustentável) e Área do Exército

Por Ana Luisa Albernaz, Marcelo Cordeiro Thalês, Marcelo Gordo, Diogo Lagroteria, Tainara V. Sobroza, William E. Magnusson, Philip M. Fearnside, Leandro Jerusalinsky, Renata Bocorny de Azevedo, Rodrigo Baia Castro, Dayse Campista, Wilson Roberto Spironello e Maurício Noronha, em Amazônia Real


Área urbana

A área urbana de Manaus abrange 48.612 ha, dos quais 17.550 ha (36%) ainda estão cobertos por vegetação e 14.327,5 ha (29,5%) estão sob algum tipo de proteção. No entanto, quase toda (95,7%) da área com status de proteção está em categorias menos restritivas, enquanto apenas 4,3% são de proteção integral. Como resultado, 48% da vegetação dentro das áreas protegidas já foi perdida, reduzindo a quantidade de habitat disponível para o sauim-de-coleira (Tabela 3).

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A melodia que a ditadura não calou: após 50 anos, família do pianista Tenório Jr. recebe pertences

Cerimônia no MPF, no Rio, marca entrega de colares do músico morto na ditadura argentina e simboliza avanço na cooperação internacional por memória, justiça e reparação

MPF

Na casa do Cosme Velho, em março de 1976, o tempo parou no instante em que a ausência se instalou. Era aniversário de Elisa Tenório, que completava 8 anos naquele dia. A irmã mais nova, Margarida, tinha apenas 5. O pai, o pianista Francisco Tenório Cerqueira Júnior, estava em Buenos Aires, na Argentina, em turnê. Saiu do hotel para comprar um lanche. Não voltou.

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