Há uma expressão popular segundo a qual, cedo ou tarde, a casa cai. O capitalismo contemporâneo parece ter encontrado uma solução mais perversa: transformar a própria queda em modo de habitar.
As paredes continuam de pé, as luzes permanecem acesas, os mercados abrem, as mercadorias circulam, as plataformas operam e os governos administram. Ao mesmo tempo, as fundações cedem lentamente: o trabalho se precariza, o futuro é hipotecado, a natureza é exaurida e as condições coletivas de reprodução da vida se tornam cada vez mais frágeis. A casa não desaba de uma só vez. Ela permanece ocupada enquanto se desfaz.
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