34% dos domicílios brasileiros dependem de 70% da renda dos idosos. Entrevista especial com Ana Amélia Camarano

Cinco milhões de pessoas dependem da renda dos idosos, diz a doutora em estudos populacionais

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

Se antes da promulgação da Constituição de 88 os idosos dependiam financeiramente das suas famílias, nos últimos 30 anos esta realidade se inverteu completamente, de tal modo que hoje os idosos se tornaram os provedores de uma parte significativa dos lares brasileiros. Atualmente, segundo pesquisa que está sendo realizada pela doutora em estudos populacionais Ana Amélia Camarano, eles contribuem com 70% da renda em 34% dos domicílios brasileiros e, em 21% deles, a renda dos idosos é responsável por “90% da renda familiar”. “Isso tem ocorrido desde a promulgação da Constituição de 1988, mais precisamente a partir de 1991, com a regulamentação dos preceitos constitucionais. Antes, os idosos é que dependiam mais das suas famílias, mas a Constituição expandiu a cobertura da seguridade social. Então, os idosos que eram dependentes das famílias passaram a ser provedores das famílias”, explica na entrevista a seguir, concedida por WhatsApp à IHU On-Line.

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No Brasil, ambientalistas são ameaçados e assassinados

No Pará, norte do Brasil, os ambientalistas sofrem ameaças e atrocidades, às vezes fatais. Na mira estão indígenas da Amazônia desmatada, quilombolas de zonas industriais poluídas, ativistas anti-hidrelétricas e camponeses sem terra.

por Corine Chabaud, em La Vie. Tradução de André Langer, em IHU On-Line

Ela conta sua história em voz neutra, sob o olhar benevolente de seu marido, em um escritório situado em Belém, a capital engarrafada do Pará. Bem longe de sua aldeia situada no coração da Amazônia, teve que fugir há um ano e meio. Ela fala sobre as ameaças de morte, sobre sua cabeça colocada a prêmio e sobre as intimidações. E conclui, em lágrimas: “Todos aqueles que continuaram nosso trabalho foram executados. Já são cinco mortos”. Osvalinda Marcelino Alves Pereira, 51 anos, e Daniel Alves Pereira, 48, são agricultores do Assentamento São Mateus, na Floresta Nacional do Trairão, sul do Pará. Em 1998, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) instalou ali, no meio da selva, famílias carentes. Ali, o casal construiu uma casa para morar com os dois filhos, em uma comunidade isolada.

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Depois da pandemia, a semana de quatro dias

Cresce o debate sobre saídas anticapitalistas para a crise. Depois de derrotar a covid-19, primeira-ministra da Nova Zelândia vai adiante. Propõe, para reestimular a economia sem ampliar a desigualdade, menos trabalho, com os mesmos salários

Por Van Badham* | Tradução de Simone Paz, em Outras Palavras

Agora, a popularidade de Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia, pelo Partido Trabalhista, é estratosférica. Com a confiança que a popularidade lhe trouxe, seu governo passou a se posicionar mais nitidamente, promovendo ideias políticas que pareciam inimagináveis apenas alguns meses atrás. Uma delas, discutida no mês passado, encoraja o país a adotar uma semana de trabalho de quatro dias úteis

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George Floyd: esse não é só um caso policial

Nos EUA, “forças da lei” flagelam três vezes mais os negros. Porém, há algo mais profundo: um país com instituições carcomidas pelo racismo. Página da escravidão nunca foi virada — e ruas pedem o reconhecimento dessa dívida

por Alexandre Pereira Rocha, em Outras Palavras

A cidade americana de Minneapolis arde em chamas e protestos depois da morte de George Floyd, no âmbito de intervenção policial. Um vídeo gravado por pessoas que presenciaram a ação policial demonstra a execução dele. Os policiais envolvidos na operação foram demitidos e as autoridades pediram suas tradicionais desculpas. Não adiantou. A frieza com a qual o policial Derek Chauvin estrangulou Floyd fala mais alto do que qualquer escusa. Manifestantes tomaram as ruas, com força e violência, mas, sobretudo, com indignação frente às recorrentes injustiças direcionadas à população negra. O mesmo tem se espalhado rapidamente por outras cidades dos Estados Unidos.

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Um novo discurso armamentista em gestação

Até há pouco, violência urbana era a tônica para a defesa das armas no Brasil. Mas, nos últimos anos, grupos de ultradireita apostam na politização da posse de armamentos, como forma de intimidar os que divergem. Têm o apoio de Bolsonaro

por Almir Felitte*, em Outras Palavras

O discurso do “bandido bom é bandido morto” está longe de ser uma novidade no Brasil. Com uma longa tradição no desrespeito sistemático aos direitos humanos, o país, nos últimos tempos, se habituou a contar cerca de 60 mil mortes violentas por ano. Uma boa parte destas (cerca de 6 mil no último ano) pelas mãos da própria polícia, sempre seguidas de aplausos de uma grande parcela da população. E foi nesse clima de torcida pelo bangue-bangue que o discurso armamentista sempre encontrou um terreno fértil para crescer no país.

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A pandemia assola as periferias do mundo

Depois de debelada na China, e de castigar Europa e EUA, covid-19 cresce entre os 4 bilhões sem acesso à riqueza global. América Latina e África estão na trilha. E mais: os deputados que invadem hospitais

por Maíra Mathias e Raquel Torres, em Outra Saúde

MAIS PERTO DO TOPO

Entre quarta e quinta-feira, o Brasil registrou 1.473 mortes pelo novo coronavírus (mais um recorde), levando o total de óbitos a 34.021. O número de casos conhecidos subiu para 614.941. Com isso, o país superou a Itália em número absoluto de mortes e ocupa a terceira posição no ranking global. Em segundo lugar está o Reino Unido, que se aproxima dos 40 mil – e a não ser que aconteça algum descontrole rápido e repentino por lá, é uma questão de (pouco) tempo até que o Brasil chegue à segunda posição, abaixo dos Estados Unidos, que hoje têm 108 mil mortes.

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Pulverização aérea de agrotóxico nos bananais, ampliada por Bolsonaro, é proibida na UE desde 2009

Ministério da Agricultura afirma que atendeu a “demanda apresentada pela Confederação Nacional dos Bananicultores do Brasil em 2017”; presidente da Conaban, fazendeiro em SP, é dirigente do PSL e ligado a Renato Bolsonaro, irmão do presidente

Por Leonardo Fuhrmann*, em De Olho nos Ruralistas

Em vigor desde o mês passado, a Instrução Normativa nº 13, promulgada no dia 8 de abril pela Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, revogou duas instruções anteriores para permitir a pulverização aérea de plantações de banana até 250 metros de distância de bairros, cidades, vilas e povoados. A distância mínima anterior era de 500 metros. A alteração vai em sentido contrário ao que é praticado em países europeus.

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Com correntões, fazendeiros desmatam mil hectares dentro de área quilombola em Goiás

Imagens de satélite mostram a extensão dos cortes, que podem chegar a mil hectares; arrendada em abril, área dos Kalunga em Cavalcante é reivindicada por empresa ligada a offshores; Semad deflagrou hoje operação para apurar os responsáveis

Por Yago Sales e Bruno Stankevicius Bassi, em De Olho nos Ruralistas

Em um período de quinze dias, o Cerrado perdeu cerca de mil hectares em um desmatamento ilegal próximo da nascente do Rio da Prata, manancial de abastamento para o Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga, no município de Cavalcante (GO). A denúncia foi feita pelos próprios quilombolas — cujo território é autodemarcado — e pode ser visualizada em imagens aéreas por drone que mostram a devastação realizada na Fazenda Alagoas.

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Trabalhadores da Andrade Gutierrez com Covid-19 fizeram quarentena na boleia de um caminhão

Empreiteira enviou contaminados para cidades sem estrutura para casos graves; caso chegou à imprensa como incêndio “ameaçador” contra funcionários, ateado por moradores de um povoado no norte baiano; CPT e a comunidade contam que no galpão não tinha ninguém

Por Caio de Freitas Paes, em De Olho no Genocídio

No último dia 28 de maio, uma revolta camponesa na divisa entre Bahia e Piauí ganhou o noticiário da grande imprensa. Os moradores do pequeno povoado de Angico, em Campo Alegre de Lourdes (BA), foram descritos como agressivos, criminosos. Com descrições como esta: “moradores ateiam fogo em alojamento de trabalhadores contaminados”. Ou esta: “usaram armas para ameaçar os trabalhadores”.

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Alerta: profissionais da saúde contaminam-se no Vale do Javari, região de povos isolados

Um enfermeiro, dois técnicos de enfermagem e um agente que atuam em Atalaia do Norte (AM) testaram positivo para Covid-19; suspeita é de contágio a partir de um pescador; trata-se da maior região no mundo de indígenas sem contato

Por Maria Fernanda Ribeiro, em De Olho no Genocídio

A contaminação de quatro profissionais de saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Vale do Javari, no Oeste do Amazonas, acendeu o alerta para o avanço da pandemia do coronavírus na maior região de indígenas isolados do mundo. De acordo com informações da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), um enfermeiro, dois técnicos de enfermagem e um agente de combate a endemias não-indígenas, que atuam no Polo Base Médio Javari, na região do município de Atalaia do Norte, teriam sido contaminados após um pescador com sintomas ter acessado a região.

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