Quando a monocultura substitui ecossistemas complexos, reduz a variedade de habitats, altera a composição da fauna e da flora e compromete relações ecológicas
por Reinaldo Dias, no EcoDebate
Os chamados desertos verdes avançam sobre territórios rurais substituindo ecossistemas diversos, formas de produção de alimentos e paisagens socialmente ocupadas por extensas áreas homogêneas de eucalipto. Esse modelo concentra terras e decisões econômicas, pressiona recursos hídricos, reduz habitats, ameaça polinizadores, fragiliza a agricultura familiar e subordina municípios inteiros às necessidades de uma cadeia industrial voltada prioritariamente à exportação. Sob a aparência de uma cobertura vegetal contínua, instala-se uma organização territorial comandada por poucas grandes corporações, na qual a diversidade ecológica e produtiva cede espaço à uniformidade exigida pela produção de celulose. O eucalipto, isoladamente, não constitui o problema. Sua madeira possui múltiplas aplicações na fabricação de papel, móveis, materiais de construção e energia, além de poder reduzir, em determinadas condições, a exploração direta de florestas nativas. Os efeitos socioambientais graves surgem quando essa utilidade é incorporada a um modelo de monocultura em larga escala, espacialmente uniforme e concentrado, que destina extensas áreas às necessidades da indústria da celulose, reduzindo a diversidade de usos da terra e ampliando o controle de grandes empresas sobre o território.
Continue lendo “Desertos verdes e os conflitos ocultos da economia da celulose”