Não é exagero retórico afirmar que o Brasil não vivia uma ameaça tão concreta à sua soberania desde 1964. Naquele ano, foi um golpe interno articulado com o apoio de Washington que interrompeu os rumos do país. Sessenta e dois anos depois, a pressão volta a vir de fora — mas desta vez de forma aberta, declarada e quase administrativa: tarifas, investigações comerciais, cobiça por minerais estratégicos e uma intervenção militar direta no continente que reabilita, sem pudor, a lógica do “quintal” latino-americano. O segundo governo de Donald Trump tratou de deixar claro que a América Latina voltou a ser, para a Casa Branca, uma questão de segurança nacional dos Estados Unidos — não um conjunto de nações soberanas.
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