Exame do Super El Niño e do que ele revela

Temperaturas oceânicas já anunciam: vem aí uma ruptura climática inédita. O que a provoca? Quais seus nexos com o aquecimento global? Que esperar agora? Por que quase todos os governos permanecem em dissonância cognitiva?

Por Patrick Mazza*, em The Raven| Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Em 1998, um El Niño monstruoso assolava o Pacífico, alterando os padrões climáticos em todo o planeta – que acabara de vivenciar uma sequência de meses com temperaturas recordes. O então vice-presidente dos EUA, Al Gore, preparava-se para uma coletiva de imprensa sobre a turbulência climática. Um assessor ligou para Paul Rauber, editor da revista Sierra, para perguntar se ele tinha alguma pista sobre a relação entre o fenômeno e as mudanças climáticas.

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Alice Grimm: “Tanto o alheamento do cidadão quanto o despreparo dos territórios são perigosos frente às mudanças climáticas”

Uma das principais pesquisadoras do Brasil sobre oscilações climáticas, professora do Departamento de Física da UFPR alerta para os efeitos do El Niño esperado para este ano e pontua a necessidade de políticas públicas de prevenção de desastres articuladas com o conhecimento científico

Por Camille Bropp, no Ciência UFPR

No Oceano Pacífico, a mais de 5 mil quilômetros do Brasil, fica o Niño 3.4, um ponto monitorado por satélites de agências científicas que medem se as águas superficiais estão mais quentes ou subiram de nível. Esses são os indicadores para a previsão do El Niño, a fase quente da oscilação climática chamada ENOS (El Niño-Oscilação Sul), que alterna entre o aquecimento e o resfriamento da superfície do mar, influenciando o tempo em quase todo o planeta. Dessa medição partiu o aviso de que as águas começaram a esquentar entre abril e junho deste ano com aceleração incomum, sugerindo um El Niño de grau “muito forte” para 2026, que deve ter seu pico de intensidade perto do fim do ano.

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Comunidades terapêuticas: Brasil terá de se explicar

Audiência da Corte Interamericana de Direitos Humanos questiona o financiamento, pelo Estado, de instituições que restringem a liberdade e promovem violência. Denúncias da Abrasme e do Cebes, com provas do MPF, não deixam dúvidas: é necessário seu fim

Por Thessa Guimarães*, em Outra Saúde

Em março, escrevi aqui no Outra Saúde que as comunidades terapêuticas (CTs) não podem ser compreendidas como mera anomalia da política de saúde mental. Elas expressam a contrarreforma manicomial sustentada pelo Estado, uma forma de privatização indireta das políticas sociais e, ao mesmo tempo, a expansão da capacidade política e territorial de setores conservadores financiados por fundo público.

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As prisões secretas da Doutrina Donroe. Por Antonio Martins

Sob Trump, EUA estabelecem rede de cárceres em países remotos, para onde enviam parte dos imigrantes detidos pelo ICE. Perseguições a estrangeiros crescem em ritmo e terror. E já atingem, com penas pesadas, ativistas políticos de esquerda

Em Outras Palavras

O domínio dos Estados Unidos sobre as Américas “jamais será questionado”, voltou a ameaçar o Departamento de Estado de Washington, nesta terça-feira (11/8), num vídeo de 5 minutos postado em meio aos fracassos de sua guerra contra o Irã. A frase, pronunciada pela primeira vez por Donald Trump no início do ano, horas após o sequestro do presidente venezuelano Nicolas Maduro, confirma um risco geopolítico crescente. Enfraquecidos em quase todo o mundo, os EUA podem estar preparando um recuo para o que veem como seu “quintal”. Aqui, passariam a exercer controle máximo – objetivo explícito da Doutrina Donroe, que retoma, recrudescida, a ideia de “América para os americanos”. Além do ataque a Caracas, a tendência aparece em sua aliança com Javier Milei na Argentina; suas interferências explícitas nas eleições recentes na Colômbia, Peru, Chile, Equador; suas pressões contra o Brasil.

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O que corrói as democracias?

Uma crise democrática avança pelo mundo, sugerem estudos. EUA é o epicentro. Ascensão do neoliberalismo autocrático é o vetor do caos. O objetivo: captura gradual das instituições do Estado. Brasil, ao frear o golpe, mostrou-se resiliente, mas fantasmas ainda rodam Brasília

Por Benício Fagner e Cristiano Gianolla*, em Outras Palavras

Pela primeira vez em mais de meio século, os Estados Unidos perderam o selo de “democracia liberal”, regredindo a níveis da década de 1960, conforme aponta o Relatório da Democracia 2026 do Instituto V-Dem. Este retrocesso não é um acidente isolado, mas o realinhamento de estruturas de poder a partir do que Ian Bruff define como a ascensão do neoliberalismo autoritário. Em suas fases iniciais, o  neoliberalismo era caracterizado por promover o isolamento das decisões políticas por meio de concessões que visavam conseguir o consentimento popular. Atualmente, em sua fase autoritária, representa um projeto de poder voltado à reconfiguração do Estado para transformá-lo em um sistema progressivamente mais autocrático.

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Política: seria exagerada a crítica ao lulismo?

Escapar da espuma da conjuntura e abstrações teóricas é um desafio. Passa por enxergar o drama real das famílias num Brasil tão desigual – e como ações do Estado, mesmo que limitadas, podem alavancar novas conquistas e horizontes políticos, para além da institucionalidade

Por Edgar Silva dos Anjos*, em Outras Palavras

O debate público brasileiro costuma se organizar em torno de duas perguntas.

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Gueguê do Sangue e Akroá Gamela reivindicam demarcação diante da expansão do agronegócio e ameaças de despejo

Oficina dos povos Gueguê do Sangue e Akroá-Gamela trata de demarcação de diante da expansão do agronegócio, ameaças de despejo e impactos ambientais

Por Cimi Regional Nordeste – Equipe Piauí

Lideranças dos povos Gueguê do Sangue e Akroá Gamela, de Uruçuí, Baixa Grande do Ribeiro, Bom Jesus e Currais, realizaram oficinas de formação no sul do Piauí para discutir saúde, educação, territórios tradicionais, legislação indígena e os impactos da Lei do Marco Temporal. Reunidas em um contexto de ameaças de despejo, contaminação ambiental e expansão agroindustrial, as comunidades reafirmaram a exigência de demarcação de suas terras e manifestaram forte oposição ao avanço do agronegócio e ao projeto Matopiba.

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As quebradeiras do coco babaçu

O vídeo destaca a forte conexão das mulheres quilombolas e quebradeiras de coco babaçu com a natureza, definindo a terra, a água e a floresta como femininas e fontes geradoras de vida. As extrativistas denunciam que as áreas mais produtivas de babaçu foram cercadas com cadeados, impedindo o livre extrativismo essencial para seu sustento

Por Amazônia Real

Na Reserva Extrativista Enseada da Mata, em Penalva (MA), as quebradeiras de coco babaçu mantêm viva uma relação ancestral com a floresta, alicerçada no trabalho coletivo, na transmissão de saberes e na força das mulheres.

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MPF defende que o Brasil formalize apoio à declaração da ONU sobre direitos dos camponeses

Nota técnica sustenta que documento internacional está em sintonia com os princípios e direitos fundamentais da Constituição de 1988

MPF

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão do Ministério Público Federal (MPF), emitiu, nesta quarta-feira (12), nota técnica na qual defende que o Estado brasileiro apoie formalmente a Declaração da Organização das Nações Unidas sobre os Direitos dos Camponeses, das Camponesas e outras pessoas que trabalham em áreas rurais. O documento busca proteger indivíduos que se dedicam à produção agrícola em pequena escala e possuem um vínculo especial com a terra.

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Os homens passam, as ideias permanecem: Centenário de Fidel Castro

Um século após seu nascimento, o legado de Fidel Castro permanece vivo na história de Cuba e de lutadores(as) em todo o mundo

Por Mãos Solidárias, na Página do MST

Fidel Alejandro Castro Ruz, um dos maiores líderes políticos e revolucionários da história da América Latina, nascia há exatos cem anos, no pequeno povoado de Birán, em Cuba. Nada e ninguém — nem mesmo seu pai, um grande latifundiário à época — foram capazes de impedir Fidel de mudar a história do povo cubano para sempre.

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