Livro articula investigação em Filosofia do Direito a imersão rigorosa no pensamento indígena, para pensar sobre o mundo por um fio. Elabora bricolagens distópicas. Analisa novas formas de poder. E, em diálogo com Kopenawa, vislumbra alternativas ao niilismo ocidental
Por Carlos Leite, em Outras Palavras
Após um período em que parte considerável da filosofia renunciou a seguir sua “paixão pela totalidade”, isto é, deixou de se comprometer com a criação de sistemas filosóficos que desejassem dizer o real, o próprio campo filosófico viu-se confrontado com a magnitude e o emaranhamento das transformações e crises contemporâneas, como os evidentes desenvolvimentos tecnológicos e a tragédia ecológica, que passaram a exigir um olhar menos “específico”. Essa demanda, no entanto, não implicava um retorno ao sistema teórico moderno, mas demandava articulações que deveriam tender à compreensão do conjunto de acontecimentos em sua complexidade expansiva1. Dessa maneira, surgiram teorias contemporâneas voltadas a desdobrar o sentido, a forma e a força das relações que fundamentam as crises. Parte dessas teorias é analisada no mais recente livro de Renan Porto, Nas brechas de futuros cancelados, que resenhamos aqui.
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