Fenômeno pode chegar até 2027 e o governo tenta se preparar. Mas impera a lógica reativa – e o negacionismo acossa municípios. Caminho para evitar o ciclo de tragédias anunciadas passa por outros paradigmas de articulação na esfera pública e organização comunitária
Por Sérgio Botton Barcellos, em Outras Palavras
Das grandes inundações às secas agravadas por ondas de calor extremo, o país inteiro, de norte a sul, está à prova — e as cidades, na maioria dos casos, seguem despreparadas. Mais de 85% dos municípios brasileiros carecem de planos de adaptação climática, revelando a frágil capacidade institucional e legislativa para enfrentar os impactos socioambientais. Apenas cidades mais ricas, e com mais de 500 mil habitantes, formularam políticas sobre o tema. Com base em dados do IBGE (2021), pesquisadores calcularam um índice geral de adaptação urbana a partir de 25 indicadores — habitação, mobilidade, produção de alimentos, gestão ambiental e riscos climáticos. Entre as capitais, a disparidade é expressiva: Curitiba, Brasília e São Paulo lideram; Recife, Boa Vista e Aracaju figuram entre as menos preparadas. Porém, é importante sublinhar, a existência de instrumentos ou políticas públicas não garante eficácia — tampouco dá conta das complexidades e desigualdades territoriais.
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