Uma voz radical na sociedade pós-abolição. Por Vladimir Miguel Rodrigues

O jornalista e escritor Lima Barreto faleceu neste dia em 1922. Com seus textos, ele quebrou o monopólio literário dos brancos, fez de sua obra um espelho de sua realidade e denunciou a falsa abolição da escravidão que, na prática, mantém até hoje o racismo estrutural na base do capitalismo brasileiro.

O 13 de maio de 1888 não passou despercebido pelo menino Lima Barreto, que comemorava 7 anos naquele dia. Como em toda a infância, gostos, sons, símbolos formam o imaginário da criança. No caso de Lima, a semiótica tornava-se ainda mais forte pela sua cor. O garoto foi influenciado pelo famoso evento ocorrido da assinatura da Lei Áurea no Paço Imperial. Um acontecimento histórico que contou com a presença das lideranças abolicionistas.

(mais…)

Ler Mais

O que está por trás da cumplicidade da Alemanha no genocídio de Israel em Gaza? Por Jürgen Mackert

O seu apoio entusiástico ao massacre em massa de palestinos por Israel expôs o envolvimento selectivo da Alemanha com a sua história sangrenta, que só reconhece as suas vítimas judias brancas.

No Middle East Eye

Duas semanas atrás, a ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, defendeu o assassinato de civis palestinos por Israel durante um discurso parlamentar.

A relatora especial da ONU para a Palestina, Francesca Albanese, rapidamente condenou seus comentários e alertou que se “a Alemanha decidir apoiar um estado que está cometendo crimes internacionais, é uma escolha política, mas também tem implicações legais”. (mais…)

Ler Mais

O papel central da educação na cultura política e na vida pública cotidiana. Por Henry Giroux e Gustavo Figueiredo

A pedagogia é inerentemente política porque está vinculada à agência social e, portanto, à formação para o exercício de uma cidadania crítica, revelando como o conhecimento e as identidades são construídos dentro de dinâmicas de poder específicas

No Le Monde Diplomatique Brasil

Como Angela Davis afirma, é imperativo ter uma compreensão internacional de como o fascismo está se espalhando pelo mundo e como ele conecta países tão diversos como Israel, Estados Unidos, Brasil, Argentina, Índia, Arábia Saudita, Hungria e Turquia. Os fios que conectam esses vários países movimentam o nacionalismo xenófobo e o racismo. Poderosos dispositivos políticos pedagógicos forjam um discurso de ódio, medo e violência política como parte do esforço neoliberal para controlar a cultura. Segundo Davis, se quisermos ser vitoriosos na luta contra o fascismo, precisamos de uma perspectiva internacionalista. Não podemos focar apenas no que está acontecendo em Washington ou Brasília, nossas questões domésticas estão condicionadas pelo que está acontecendo na conjuntura internacional. (mais…)

Ler Mais

Lições amargas. Por Valerio Arcary

Três explicações erradas para a derrota de Guilherme Boulos

No A Terra é Redonda

“Nunca é tão fácil perder-se como
quando se julga conhecer o caminho”
(Provérbio popular chinês).

A derrota eleitoral de Guilherme Boulos em São Paulo foi a maior que a esquerda sofreu neste segundo turno. Não é fácil refletir sobre derrotas. Derrotas são tristes e dolorosas. Estamos sob o impacto emocional da amargura. Ninguém está imune, subjetivamente, da decepção e frustração. Manter a lucidez não é simples. (mais…)

Ler Mais

A romaria e a treva. Por Eugênio Bucci

Existe a guerra da Ucrânia, existem os massacres do Oriente Médio, existe a tal polarização da política brasileira e existem os romeiros de bicicleta. E Deus, existe?

A Terra é Redonda

Eu seguia pela Dutra, rumo a Paraty, onde deveria chegar até o meio da tarde para um painel na Flip. Tinha subido no carro bem cedo. Para ser preciso, devo dizer que “vesti” o automóvel pouco antes das oito da manhã. Som desligado. Silêncio no veículo. Motorista solitário, quase contente em cismar sozinho em trânsito, eu pensava na vida e nas mulheres que não amei (Manuel Bandeira me ensinou certo, mas eu aprendi errado). (mais…)

Ler Mais

Morreu Fredric R. Jameson, proeminente filósofo e crítico cultural (1934-2024)

Foi um dos pensadores mais influentes do nosso tempo, conhecido pela sua análise crítica do pós-modernismo e pela sua firme adesão ao marxismo. A sua influência perdurará, alimentando novas gerações de críticos, pensadores e ativistas que procuram desmascarar as estruturas de poder na nossa cultura contemporânea.

Por Dialektika, no Esquerda.net

A 22 de setembro de 2024, Fredric R. Jameson, um dos pensadores mais influentes do nosso tempo, conhecido pela sua análise crítica do pós-modernismo e pela sua firme adesão ao marxismo, faleceu aos 90 anos de idade. Jameson, cujas ideias remodelaram profundamente a teoria cultural contemporânea, deixou um legado que continuará a ressoar entre filósofos, críticos culturais e académicos empenhados em compreender a cultura no contexto do capitalismo tardio. (mais…)

Ler Mais

Walden Bello: “O Sul Global tem hoje muito mais espaço para combater a dominação ocidental”

Um pensador destacado do altermundismo sustenta: o poder do Ocidente nunca foi tão frágil. É possível esperar um novo Sul Global? Por que a China é muito diferente da antiga URSS? Que esperar dela numa nova ordem mundial?

Entrevista a Néstor Restivo, em Tektónicos | Outras Palavras
Tradução: Antonio Martins

A primeira vez que encontrei Walden Bello foi no verão de 2001, em Porto Alegre. Por ocasião do primeiro Fórum Social Mundial (FSM), há mais de duas décadas, esse sociólogo das Filipinas, ex-membro do parlamento de seu país viajou para o sul do Brasil como tantos ativistas, líderes e acadêmicos ou pesquisadores que esperavam que esse fórum, e os que o seguiram por vários anos, se consolidasse como uma tribuna internacionalista de resistência ao neoliberalismo – então em seu momento de expansão – e, ao mesmo tempo, uma plataforma para ideias alternativas. Bello, pouco conhecido na América do Sul, já era presença importante nos movimentos “altermundistas”. Dirigia uma rede de organizações sul-asiáticas denominada Focus on the Global South, cujo nome me chamou atenção. (mais…)

Ler Mais