Os vendilhões do templo seguem aí

por Elaine Tavares, em Palavras Insurgentes

Minha mãe era católica e tinha por hábito ir à missa todos os sábados na Igreja Matriz, em São Borja. Eu, criança, preferia mil vezes passear com o pai durante aquela hora em que ela ficava na igreja . Íamos os três irmãos empoleirados no velho fusca rodando até o Paso, nosso passeio favorito. Dávamos uma espiada no rio Uruguai e voltávamos para esperar a mãe em frente à igreja. Se a missa demorava a gente se esbaldava no parquinho. Mas, tinha sábados que a mãe não ia à catedral e sim à capelinha do Hospital Infantil. Então a gente tinha de ficar lá dentro com ela. Só que lá a missa era diferente. O padre não se importava se as crianças fizessem barulho, ou corressem pela capela. Ele ainda incentivava as pessoas a falar durante o sermão. E a maneira como ele falava de Jesus era bem diferente. Naquele tempo eu não sabia, mas os padres dali eram da teologia da libertação.

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O que há por trás das falas do presidente?

por Paulo Martins*, em Jornal da USP

Após oito meses de governo algo deve ser dito: o padrão comportamental do presidente é absolutamente coerente. Afinal não há uma semana sequer que não sejamos pegos “de assalto” por uma fala que não possa ser considerada intempestiva, pouco qualificada, desmedida, ou mesmo, inconveniente. São “tiros para todos os lados”, com a devida vênia. Ainda que “seu alvo predileto” seja um espectro político específico – a esquerda – e o episódio com os governadores do Nordeste é paradigmático[1], antigos aliados ou atuais colaboradores e parceiros também são “alvejados” por seu fel. Gustavo Bebiano, Alberto Santos Cruz, Ricardo Vélez Rodrigues e Alexandre Frota são exemplos notáveis. Qual seria o próximo? Há quem aposte na pasta da Justiça, já que os atos contra a autonomia da Receita Federal, da Polícia Federal e do extinto Coaf afetam diretamente o “superministro” Moro.

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Sobre o que somos no capitalismo

por Elaine Tavares, em Palavras Insurgentes

Não há novidades na vida daqueles que não são proprietários, que não pertencem à classe dominante. Seu cotidiano é o do não-ser. Eles não existem como pessoas, que têm nome, sobrenome, filhos, sonhos. Não. O que não faz parte do 1% que domina é considerado um número, uma estatística, um receptáculo de força de trabalho. Nada mais. Mesmo os alto executivos, que dependem de salários, ainda que polpudos, estão na mesma condição. Um belo dia o patrão cansa, e adeus.

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A doença nossa de cada dia

por Guilherme Carvalho, em Macaréu Amazônico

Durante a semana que passou recebi por whatsapp uma charge em que o médico perguntava ao paciente onde doía. Este, por sua vez, respondia: “a realidade”. De fato, a realidade tem se mostrado muito dura, particularmente às pessoas que definem o capitalismo como um sistema incapaz de resolver os principais males que afligem a humanidade. Para estas a destruição das políticas sociais inclusivas, o desmantelamento do Estado nacional, o recrudescimento das desigualdades, os ataques aos direitos humanos, a desconstrução da democracia e o avanço destruidor sobre o meio ambiente doem de maneira profunda.

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The Guardian: Diplomatas brasileiros estão “enojados” com Bolsonaro, que “pulveriza a política externa Brasil”

Jornal inglês ouviu um grupo de ex-embaixadores e destaca que “considerada há muito tempo uma das jóias da política latino-americana”, a diplomacia brasileira luta para “mascarar seu horror” nos seis meses de Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo

Na Fórum

Uma reportagem publicada nesta terça-feira (25) pelo jornal britânico The Guardian mostra que existe uma clara inconformidade dos diplomatas brasileiros com a política exterior impulsada pelo governo de Jair Bolsonaro e seu chanceler, Ernesto Araújo. Segundo o título da matéria, a postura do governo está “pulverizando a política externa do Brasil”.

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Reencontros da CPT de Mato Grosso

A equipe da CPT de Mato Grosso promoveu, nos dias 24 e 25 deste mês de maio, o evento “Reencontros da CPT MT”. Reunindo agentes e ex-agentes pastorais, bem como colaboradores, a reunião promoveu a troca de testemunhos, histórias e experiências ligadas a CPT. Abaixo o relato de Antônio Canuto, um dos fundadores da Pastoral da Terra, que participou da história do regional:

Por Antônio Canuto, em CPT

Nos dias 24 e 25 de maio, em Cuiabá, encontraram-se alguns dos agentes atuais da CPT e pessoas que fizeram parte da CPT, alguns desde os primeiros momentos, outros em tempos mais próximos.

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O 13 de maio de Lima Barreto: o grande romancista popular

Artigo relembra vida e obra de Lima Barreto, em comemoração aos 131 anos de seu nascimento

Por Gerson Oliveira, na Página do MST

Afonso Henriques de Lima Barreto é o primeiro grande escritor negro formado após a falsa abolição do 13 de maio de 1888. Nasceu neste mesmo dia, no bairro das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, sete anos antes da data que foi institucionalizada como o “fim da escravatura”. Ele entraria para a história como um dos grandes nomes da nossa literatura, ainda que para isso tenha enfrentado resistências por parte da academia e passado longos anos no total esquecimento.

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Quando ser homem faz mal à saúde

Marcada pela antifeminilidade e violência, a masculinidade tradicional afeta mental e psiquicamente os meninos, demonstra novo estudo. Que leva a indústria cultural a estimular uma hipermasculinidade, como em “Vingadores”?

Por Inês Castilho, em Outras Palavras

Dia desses, ao arrumar os brinquedos dos meus netos, três garotos de 5, 7 e 11 anos, levei um susto ao descobrir a quantidade de bonecos de super-heróis que eles acumulam. De Homem de Ferro a Capitão América, todos norte-americanos, exibem uma masculinidade tóxica: músculos que saltam e postura de combate, quando não armas nas mãos e corpos transformados em tanques de guerra.

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Tempo de Páscoa: as utopias jamais morrerão. Por Gilvander Moreira*

É tempo pascal. Tempo de construir uma nova aurora em meio a tantas trevas. Por mais escura que seja a noite ela sempre anuncia uma nova aurora. O sentido da Páscoa não pode ser privatizado por expressões religiosas que desencarnam a fé cristã e amputam a dimensão social da fé. A fé na ressurreição de Jesus Cristo não garante apenas vida após a morte. É preciso não esquecer que a Páscoa Judaica, origem da Páscoa Cristã, diz respeito à libertação dos povos escravizados no Egito pelo imperialismo dos faraós. Por isso Páscoa envolve reunir os injustiçados, atravessar os “mares vermelhos”, marchar rumo à terra prometida – terra partilhada e democratizada – e, enfrentar os grileiros e especuladores de terra lutando para conquistá-la. A Páscoa cristã atesta que Jesus de Nazaré, mesmo sendo inocente e justo, foi condenado pelos podres poderes à pena de morte, mas ressuscitou. O sonho ensinado e testemunhado por Jesus jamais será sepultado.

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O bom apetite mineiro e a gula da Vale. Por Antonio Claret Fernandes

São 12 horas e 55 minutos. Dia 24 de janeiro de 2019. Hora do almoço na Mina do Córrego do Feijão, no Município de Brumadinho, que funciona em três turnos,  opera 24 horas por dia, sete dias por semana. O restaurante está movimentado! Trabalhadores da Vale e terceirizados estão ali, alimentando-se, recuperando suas energias para continuar vendendo força de trabalho à mineradora.

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