Venezuela — ano zero. Por Luis Bonilla-Molina e Osvaldo Coggiola

Toda análise sobre a venezuelana que ignore a condição histórica do país está condenada à superficialidade e à repetição vulgar, especialmente hipócrita quando feita em nome da democracia

No A Terra é Redonda

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Toda análise da grave conjuntura venezuelana que ignore a condição histórica do país nos sistemas coloniais e semicoloniais está condenada, na melhor das hipóteses, à superficialidade e, na pior, à repetição vulgar, especialmente hipócrita quando feita em nome da democracia, dos clichês surrados do imperialismo, a realidade fundamental de nossa era. Vejamos as grandes linhas históricas dessa condição. (mais…)

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Venezuela em disputa. Por Valério Arcary

Os EUA não têm autoridade política ou moral alguma para denunciar o regime venezuelano como uma ditadura

No A Terra é Redonda

“Não acendas um fogo que não podes apagar”
(Provérbio popular português).

A polêmica sobre o resultado das eleições venezuelanas divide a esquerda brasileira e internacional. Mas a disputa não é sobre democracia. “Quem brinca com o fogo pode se queimar”, ensina a sabedoria popular. Se a oposição de extrema direita prevalecer, ninguém se engane, não hesitará em usar o poder para garantir um programa de choque de privatizações e perseguições. O conflito não deveria ser resumido, tampouco, a uma luta entre chavistas e antichavistas. (mais…)

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Para uma Antropologia do novo fascismo. Por Franco Berardi

“O que precisa ser entendido não é o significado das declarações de Trump, Milei, Netanyahu ou Norendra Modi, mas as razões pelas quais uma maioria crescente da população planetária abraça com entusiasmo a fúria destrutiva desses mercenários.”

No Outras Palavras (do El Salto, tradução de Glauco Faria)

O projeto que enfrentamos foge às antigas categorias da política. Enraizou-se na competição sem tréguas, que o neoliberalismo tanto estimulou, e na mentalidade gaming – hiperacelerada e acrítica – a que conduzem as telas e seus algoritmos.

Dinâmica profunda da onda nazi-libertária

A reunião de cúpula da ultradireita branca ocidental em Madri, em 29 de maio, foi o ponto culminante de um processo que escapa às categorias da política moderna. Continuamos a interpretá-lo com as categorias que temos: democracia, liberalismo, socialismo, fascismo etc… Mas acredito que essas categorias interpretativas da política não capturam a essência desse processo, que não é realmente novo no nível enunciativo e programático, mas que é radicalmente novo no nível antropológico e psicocognitivo. As declarações dos líderes da direita global não explicam a força disruptiva do movimento que ninguém parece ser capaz de deter, com algumas exceções, como a Colômbia, o Brasil e a Espanha socialista, bastiões da resistência humana. (mais…)

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Faz sentido falar em luta de classes hoje? Por Douglas Barros*

Nosso esforço deve ser reconduzido a entender a luta de classes não como uma escolha narrativa, mas como algo dado numa realidade material organizada a partir da exploração necessária à manutenção do capital.

Blog da Boitempo

No princípio era o chip

Em 1946, Mauchly e Eckert, cientistas da Universidade da Pensilvânia, na frente de uma plateia composta por colegas, curiosos e militares do exército norte-americano deixaram as luzes de toda Filadélfia piscando quando ligaram o ENIAC (calculadora e integrador numérico eletrônico). Esse foi considerado o primeiro computador. Tratava-se de um trambolho de 30 toneladas, 2,75m de altura, 70 mil resistores e 18 mil válvulas a vácuo, uma herança da Segunda Guerra. É muito provável que embora soubessem da importância do empreendimento, eles ignorassem que o piscar das luzes da cidade selaria o início de uma profunda e decisiva transformação tecnológica.1 (mais…)

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É isto um pesadelo? Por Peter Pál Pelbart

Algo muito excepcional deve ter acontecido para que a denegação da questão palestina por Israel desse lugar a uma versão ufanista

A Terra é Redonda

Há mais de vinte anos o escritor israelense Amós Oz falou a um jornal alemão sobre a situação em Gaza. Em vez de esperar o entrevistador perguntar, começou ele indagando aos leitores: “Pergunta número um: o que você faria se seu vizinho de frente sentasse na sacada, pegasse o filho nos braços e começasse a atirar na direção do quarto do seu filho? Pergunta número dois: o que você faria se o vizinho da frente cavasse um túnel do quarto do filho dele para explodir sua casa ou para sequestrar sua família?” (mais…)

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Pessoa cristã é discípula de um piedoso ou de um mártir? Por Frei Gilvander Moreira*

Como pessoa cristã participo de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), de Pastorais Sociais e de Movimentos Sociais Populares lutando por uma terra sem males que exige a superação do capitalismo, brutal máquina de moer vidas, e a construção de uma sociedade socialista com justiça econômica, democracia real, solidariedade social, responsabilidade social, ambiental e geracional, e respeito à imensa pluralidade cultural e religiosa existente no seio dos povos. Nos Encontros das CEBs, geralmente um dos momentos de oração e mística é fazer uma Caminhada com os/as Mártires com os estandartes com os rostos dos cristãos e cristãs que foram martirizados/as porque estavam comprometidos com a luta pela reforma agrária, com a defesa da Floresta Amazônica e todos os direitos humanos fundamentais e direitos da Natureza. Chico Mendes, Santo Dias, irmã Dorothy Stang, padre Ezequiel Ramin, padre Josimo, Mariele Franco, Dom Fhillips, Bruno Pereira e uma multidão de outros/as. Nos últimos 50 anos no Brasil, são mais de cinco mil mártires, a maioria foi tombada na luta pela terra e por território. O número de mártires anônimos é muito maior. (mais…)

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Fanon: A psicologia da opressão e da libertação

O que diria Frantz Fanon sobre o genocídio colonial e a onda de assassinatos ocorridos em Gaza e outros lugares?

Por Hamza Hamouchene, na Jacobin

“Para a Europa, para nós mesmos e para a humanidade…
precisamos elaborar novos conceitos e tentar criar um novo homem.”
– Frantz Fanon, Os condenados da Terra

O pensamento dinâmico e revolucionário de Frantz Fanon, sempre centrado na criação, no movimento e no devir, continua sendo totalmente profético, vívido, inspirador, analiticamente aguçado e moralmente comprometido com a desalienação e a emancipação de todas as formas de opressão. Fanon defendeu de forma contundente e convincente o caminho para um futuro em que a humanidade “avance mais um passo” e rompa com o mundo do colonialismo e com o molde do “universalismo” europeu. Ele representou o amadurecimento da consciência anticolonial e foi um pensador decolonial por excelência. Como uma verdadeira personificação do intellectuel engagé, ele transformou os debates sobre raça, colonialismo, imperialismo, alteridade e o que significa para um ser humano oprimindo outro. (mais…)

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