Apesar de avanços, desigualdades são brutais. Mais escolarizadas, ganham menos e não atingem cargos de liderança. Predominam em empregos temporários e precários. “Diversidade” nas empresas é retórica. Realidade é ainda pior para mulheres negras
Por Erik Chiconelli Gomes, em Outras Palavras
Perspectivas Históricas e Construção Social das Desigualdades
A história do trabalho feminino no Brasil carrega consigo marcas profundas de uma construção social desigual que atravessa gerações. Desde o processo de industrialização iniciado no século XIX, as mulheres brasileiras ocuparam posições específicas no mercado de trabalho, frequentemente associadas a funções consideradas extensões do trabalho doméstico e maternal. Como demonstram as análises históricas, durante o final do século XIX e início do século XX, costureiras, mucamas e lavadeiras constituíam as principais ocupações femininas remuneradas, estabelecendo um padrão de segregação ocupacional que persistiria por décadas (MONTELEONE, 2019). Esse processo não foi acidental, mas sim resultado de representações sociais que naturalizavam certas atividades como femininas, relegando às mulheres as funções menos valorizadas econômica e socialmente. (mais…)
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